Capítulo LXXV — Nostradamus
A Lua
Mudanças profundas ocorrem
Porque tantas pessoas
Partiram deste mundo
Mas a lua em metade
Permanece sempre igual
Poemas do Imperador Meiji
Acompanhei o traste que viria a ser meu marido para fora do cômodo, deixando o tai-youkai nervosinho para trás. Depois de alguns passos, Sesshoumaru parou e me olhou de cima a baixo. Foi quando me dei conta do quanto estava deplorável na minha situação atual. Minha yukata estava desalinhada, meu cabelo deveria estar um espetáculo após secar ao vento e ao tempo. Possivelmente meu cheiro também não deveria ser dos melhores.
Chutei a minha vontade de me encolher e ter minha autoestima aniquilada, afinal, a culpa de eu estar assim é dele. Portanto, meu querido, aguente meu cheiro, touché!
Por sorte, ele estava alheio aos meus xingamentos, afinal, ainda não lê mentes… Ou é o que eu acho, já que, no segundo seguinte, ele entrou em um quarto, pegou algo e jogou em mim. Então, quando a porta se fechou, percebi que estava sozinha naquele lugar segurando um quimono masculino e que Sesshoumaru de alguma forma pretendia que eu vestisse aquilo.
Já disse que odeio essa mania dele de acreditar que todos têm o dever de saber o que ele quer sem a necessidade de ser dito? Bom, melhor esquecer isso. E não quero nem tentar criar teorias sobre o que aquilo implicaria — a roupa masculina —, porque ou vou entrar em depressão ou vou tentar matá-lo, e não quero qualquer um dos dois nesse momento.
Tirei a yukata resmungando, comecei a vestir o quimono resmungando — e pensei, resmungando, como pelo menos era mais fácil de se colocar que os das gueixas.
Parei de me vestir ao sentir a presença de Ryuuji se aproximar. Tenho certeza que ele não quer ver uma hanyou tengu logo depois da suposta surra que levou de Hayate, então fiquei em silêncio para que ele não percebesse que eu estava do outro lado da parede.
— O senhor… O senhor a encontrou? — perguntou Ryuuji, com uma voz aguda. Coloquei a mão na frente da boca para não rir, porque imaginei o Ryuuji Muralha falando com aquela voz adolescente e sinceramente eu acho que nunca tinha imaginado uma coisa tão engraçada na minha vida. — Eu… Eu estou partindo para Edo, senhor Sesshoumaru.
A voz dele oscilou ao falar Sesshoumaru, tornando-se grave e, depois, voltando a soar aguda. Ai eu não aguentei. Ri alto, mas ri tão alto e por tanto tempo que minha barriga começou a doer. Ouvi quando Ryuuji ofegou, ofendido e os passos dele se afastando logo em seguida. Só fui parar de rir muito tempo depois, quando me obriguei a continuar vestindo o quimono.
Por fim, decidi que era o melhor que eu ficaria sem ter um espelho para visualizar possíveis erros — como uma aba presa na calcinha ou coisa parecida —, amarrei meu cabelo em um rabo-de-cavalo e saí.
Sesshoumaru me olhou dos pés à cabeça e então começou a andar. Acho que esse é o jeito dele dizer que minha calcinha estava muito bem escondida, obrigada.
Ele só podia estar de brincadeira. Tentei controlar a minha expressão de aflição quando passamos pelo arco principal do Palácio Imperial de Kyoto. De todos os lugares possíveis, ele resolveu vir logo para cá?!
Os guardas armados com lanças e katanas no encararam enquanto entrávamos e um deles saiu correndo sem motivo algum em direção ao palácio. Tentei não ficar nervosa. Eu sabia no meu âmago que não estava preparada para o que fosse que estivesse para acontecer — e eu não tenho um bom pressentimento sobre o assunto.
Observei mais uma vez as costas de Sesshoumaru, tentando adivinhar o que ele pretendia. Não havia resposta visível. Mas se servia de indicativo, praticamente todas as pessoas que encontrávamos em nosso caminho saíam prontamente da frente de Sesshoumaru, em demostração de temor.
Por causa do nervosismo, eu não perdi tempo observando a arquitetura Heian do palácio. Na última vez em que eu o tinha visitado, ainda no século XXI, o guia da Agência Imperial tinha enfatizado todos os detalhes do local. A diferença, basicamente, era que agora era tudo novinho em folha.
Era possível ouvir a bulha dos passos muito antes de chegarmos às portas do Salão Principal: as pessoas estavam saindo apressadamente, como se o próprio Imperador estivesse expulsando todas para receber um convidado importante — mais tarde eu descobriria que isso tinha sido feito para que nenhum súdito estivesse presente para ver seu Imperador sendo insultado.
Respirei fundo, sentindo-me malvestida e suja, enquanto estrávamos e as portas se fechavam. Além de nós, havia ali apenas um senhor de idade usando um quimono negro e um menino enfiado em vestimentas nobres. O Imperador era uma criança! Fiquei tão surpresa com o que via, que quase esqueci de fazer uma reverência formal ao chegarmos mais perto.
Sesshoumaru continuou em pé ao meu lado, o que fez minha espinha gelar. Por mais que eu soubesse quem éramos, e que, para Sesshoumaru, ninguém seria digno de uma reverência, a educação que recebi me obrigava a ser polida.
O menino levantou-se de onde estava, mordendo o lábio inferior irritadamente.
— Mutsuhito… — chamou o conselheiro, tentando impedi-lo de se aproximar de nós — meu Imperador. — corrigiu imediatamente, ao perceber que não tinha usado o honorífico adequado com o nome.
Com isso, descobri quem estava realmente à minha frente e arregalei os olhos. Esse menino era o próprio Imperador Meiji, aquele que seria responsável por ter transformado um monte de feudos isolados em um Japão economicamente estável e exportador de tecnologia.
— Meu pai disse que você viria! — exclamou o menino — Disse que, de todos aqueles que queriam nos ver mortos, você era quem mais eu devia temer! Mas eu sabia que você viria se ajoelhar perante mim!
E o Grande Imperador não passava de um adolescente cabeça-de-vento! Tentei não suspirar, diante do que ouvia. Era realmente muito otimismo da minha parte acreditar que um herdeiro que se tornasse Imperador com apenas quatorze anos já fosse sábio e determinado. Mas se ele continuasse agindo assim, eu me surpreendia que ele continuasse vivo por muito tempo.
Quando olhei para Sesshoumaru, percebi que eu tinha acabado de profetizar uma coisa bastante imediata. Ele iria matar o Imperador, percebi, atônita.
Não faço ideia se esse era o plano desde o início, mas o Sesshoumaru que eu conhecia jamais deixaria qualquer criatura viva depois de insultá-lo daquela forma. Fosse quem fosse, um humano jamais estaria acima dele e jamais o forçaria a se ajoelhar.
Coloquei-me na frente de Sesshoumaru, por impulso. Minhas mãos se espalmaram contra seu peito, impedindo que ele avançasse — e me surpreende que ele não tenha simplesmente passado por cima de mim para matar o Imperador Meiji.
— Não. — sussurrei — Não faça isso, Sesshoumaru.
Senti o movimento de avanço contra as minhas mãos e o empurrei com mais força, abaixando o tom de voz:
— Você precisa que esse menino viva. — Ergui os olhos para encará-lo, embora ele tivesse sua atenção fixa em Meiji — Acredite em mim, Sesshoumaru. Se o Imperador viver, você não terá apenas o Japão, mas o mundo inteiro. Se deixar que ele viva, o próximo período do Japão terá seu nome. Acredite em mim. — implorei.
Os olhos dourados de Sesshoumaru baixaram e me encararam por vários segundos. Havia tanta raiva naquele olhar, que tenho certeza que outra pessoa teria recuado e permitido que ele fizesse o que tinha em mente. Mas eu não era qualquer pessoa, então esperei e o encarei de forma determinada. Segundos se passaram até que, sem dizer uma única palavra, ele virou as costas e foi embora.
Antes de segui-lo, ainda olhei uma última vez para o Imperador, pensando em dizer para aquele menino que ele acabara de ganhar uma chance de manter aquela cabeça-de-vento em cima dos ombros por mais tempo.
Acompanhei Sesshoumaru pelas ruas de Kyoto com a cabeça nas nuvens. Em questão de minutos, Sesshoumaru teria acabado com todo o futuro do país! Imagine só o que seria do Japão se o xogunato ficasse mais tempo no poder. Sem abertura econômica, sem alcance imediato à globalização, sem moeda nacional, sem porcaria alguma.
O que Sesshoumaru tinha na cabeça? O que ele havia ido fazer no Palácio Imperial, afinal das contas? Tinha aparecido lá para receber a dose diária de insultos e ir embora?
Observei pela milésima vez o andar calmo de Sesshoumaru, deixando que meus olhos recaíssem sobre a espada que ele mantinha à cintura. Por que tinham permitido que ele se aproximasse do Imperador armado, em um salão onde não havia ninguém mais além de um menino e um velho? Em que tipo de universo paralelo isso seria aceitável?
Então eu soube a resposta: no universo de um menino que se vê diante de um poder que ele ainda não está preparado para usar. Um capaz de ordenar que o deixassem sozinho com um inimigo, pois, para um adolescente confiante de sua posição, quem se atreveria a entrar no palácio durante o dia para matá-lo? Mas ele não conhecia Sesshoumaru de verdade. Não sabia do que ele era capaz e quem ele de fato era.
Papai havia comentado sobre o assunto alguns dias antes. Sobre Sesshoumaru, depois de anos de reclusão, ter decidido intervir na política dos humanos. Só que o meu marido era um youkai de um milênio, que só conhecia uma forma de intervenção: ele de fato tinha ido ao palácio para matar o Imperador, sem se importar com coisas tais quais o horário ou o local. Ele não precisava se ater a esses detalhes.
Se eu não estivesse com ele, tudo estaria perdido, todo o futuro seria desintegrado. A grande sorte era que eu sabia tudo o que aconteceria. Benditos livros de história que Sesshoumaru me forçou a estudar quando voltamos para Tóquio logo após a morte de Yuri.
Estagnei, chocada.
Sesshoumaru percebeu que eu tinha parado e fez o mesmo, girando um pouco o corpo para me observar. Respirei rapidamente enquanto tentava raciocinar um pouco. Não seria apenas coincidência, seria? Ele não era o tipo de pessoa que perdia tempo com bobagens, então a resposta era óbvia: não.
Ergui os olhos para ele, engolindo em seco:
— Eu não vou cair novamente por você manter essa expressão indecifrável. — afirmei, tentando me convencer do que eu dizia — Você sabe quem eu sou. Sabe que eu sou a sacerdotisa que acompanhava Inuyasha trezentos anos atrás. Eu não sei como você descobriu, mas você já me fez acreditar no contrário uma vez, e eu me recuso a cair na mesma armadilha de novo.
Apesar do que eu dizia, Sesshoumaru apenas continuou me encarando friamente.
— Mas por que você se importaria? Isso não faz sentido. Você mandou Richard atrás de mim em Tóquio, não foi? Eu lembro de vê-lo, e meu pai disse que ele estava atrás de mim. Como ele saberia? Por que você ordenaria tal coisa? — Não recebi resposta alguma, o que me deixou frustrada, apesar de já saber que não aconteceria — É muito conveniente para você que, logo quando você finalmente resolve interceder na forma como os humanos conduzem tudo, apareça uma pessoa que vem do futuro e sabe de tudo que irá acontecer. — Arfei — Você está me usando, Sesshoumaru!
Outro olhar indiferente e superior.
— Se eu descobrir que você me fez estudar todos aqueles malditos livros apenas que eu pudesse dizer tudo o que você precisa saber, juro que vou fazer você se arrepender muito! — ameacei.
Deixei escapar um grunhido de raiva, soquei minha mão por algum tempo, e só parei porque percebi que algumas pessoas na rua começavam a olhar para mim.
— Ótimo. Agora estou fazendo uma cena no meio da rua por sua causa. — resmunguei irritada — E a única coisa que você faz é ficar me encarando como se fosse o Gideon. É exatamente como as brigas mentais que tenho com você, só que pelo menos eu ganho as que acontecem na minha mente.
Encarei Sesshoumaru, obrigando-me a me acalmar. Não havia sentido em ficar brigando sozinha, porque ele nunca se abalaria com qualquer coisa que eu fizesse. Deixei escapar um silvo resignado e massageei as têmporas.
Eu tinha que colocar as ideias no lugar e tentar se razoável. Esse Sesshoumaru não era aquele com quem eu tinha me casado, então eu não podia cobrar dele que se importasse com o meu bem-estar ou que me tratasse como uma pessoa que merecia sua atenção. E se formos falar sobre ser manipulada por ele, então eu já teria desistido desse infeliz há muito tempo, e se eu não fiz isso antes, tinha menos motivo agora para fazê-lo.
Depois de alguns minutos, voltei a olhar para ele.
— Sinceramente, se fosse me abalar pela sua capacidade de usar tudo a todos a sua volta, não serviria para ser sua mulher. — resmunguei mais para mim mesma do que para ele — Mas, ainda assim, é revoltante. Quando penso que estou por cima, aparece você me usando novamente. Eu só espero que você não tenha feito com que eu me casasse com você para isso, porque nesse caso eu juro que acabo com qualquer chance de você propagar essa sua raça maldita, se é que você me entende. — falei a última frase entredentes.
Recomecei a andar, passando por ele e seguindo pela rua orgulhosamente. Observei por sobre o ombro quando Sesshoumaru também passou a andar, no mesmo ritmo calmo de antes, como se nada tivesse acontecido. Ele estava tranquilamente voltando para casa, sem se importar comigo, mas eu gostava de pensar que ele estaria me seguindo e que aquilo representava uma pequena vitória.
Minha cabeça, minha imaginação... me deixem.
Andei mais um pouco, com as ideias fervendo na minha mente. Eu não gostava de ser manipulada por Sesshoumaru, mesmo que várias dessas manipulações tivessem sido feitas pelo meu bem… Só que por mais que meu orgulho estivesse ferido, eu amava esse cretino com tudo o que eu era, e se eu podia ajudá-lo, mesmo que fosse um pouco, eu estaria feliz. Eu poderia enganar a mim mesma dizendo que isso não passava de retribuição por todas as vezes em que ele me protegeu, mas eu percebia que queria fazer aquilo pelo simples fato de ser ele.
Parei mais uma vez e girei lentamente para encará-lo. Então disse:
— Está bem. Eu lhe direi tudo o que você quiser saber sobre o futuro. — Ergui um dedo teatralmente — Mas eu tenho condições. Por cada informação que você queira, eu recebo algo que eu deseje.
Ele estreitou os olhos. Eu sorri.
Tínhamos um acordo.
— Quero um banho. — reclamei assim que entramos em casa, ou casa dele, enfim, vou considerar minha casa também por motivos deu ser dessas que se apossa das coisas mesmo que esteja em tempos diferentes de aquisição; se faz algum sentido.
Como esperado, não houve resposta dele. Apenas o lento caminhar para dentro da casa e... se as coisas continuam exatamente onde conheço, essa é a direção do quarto. O nosso quarto.
Quer saber, chega de ser politicamente correta. Apressei o passo, passando por ele e seguindo até o quarto, e, ao entrar, pude notar em cada pedaço de madeira a presença de Sesshoumaru, o que me confirmou que estava no lugar certo, mas, ao menos tempo, não era o lugar correto. Afinal, o quarto estava muito mais que diferente, era como se eu houvesse entrado em um mundo paralelo àquele que conheço. Isso aqui sequer poderia ser considerado um quarto.
— Esse lugar precisa de um toque feminino. — reclamei soltando um suspiro e caminhando pelo local. — Espera... — Corri até a parede onde deveria haver uma porta. — Cadê o meu jardim?! — Perguntei indignada, virei-me para Sesshoumaru, que estava na porta do quarto com uma expressão que o tempo me ajudou a identificar que não era lá das melhores. — Isso está muito errado, aqui fica a porta para o jardim privativo, é a melhor coisa desse quarto... Depois vem o closet e o banheiro.
Ele me ignorou em meio a minha dor e seguiu até uma mesinha onde pude ver um punhado de pergaminhos. Engraçado como certas coisas realmente não mudavam. Aqui estamos, em pleno século XIX, e ele já era um maldito whorkaholic. Estou vivendo uma versão regencial do meu casamento, aparentemente.
— Viciado em trabalho. — suspirei. — Onde posso tomar um banho?
— Onde tiver água.
Ah, esse cachorro maldito. Quer ser irritante? Vamos brincar então querido. Sentei ao seu lado e fiquei o observando.
— Sem chances de já ter a piscina interna, não é? Posso mesmo andar pela casa procurando por água quente e uma banheira? — questionei suspirando. — Sabe, uma hanyou tengu andando por ai enquanto há essa guerra de vocês; que é bem idiota, diga-se de passagem. — Balancei a mão com descaso. — Pois bem, vou procurar por água quente.
Fiz menção de me levantar, mas ele estendeu o braço com um pergaminho em mãos, sem olhar para mim. Encarei o documento que ele me estendia, com uma sobrancelha erguida. Eu realmente não sei como encarar o gesto, então apenas peguei o pergaminho para ver do que se tratava.
Demorei algum tempo para entender, mas finalmente percebi o que era. Eu estava segurando o que seria uma espécie de relatório investigativo que relatava os planos do xogum para matar o Imperador antes que fosse realizado o seu casamento com a filha de um ministro influente.
Coloquei uma mão na frente da boca, surpreendida e encarei Sesshoumaru.
— Por que você tem esse tipo de coisa se pretendia matar o Imperador? — perguntei para ele. Então compreendi que ele não se importava especificamente com o assunto, apenas recebia todo tipo de relatório que pudesse ser importante. E acho que o assassinato do Imperador poderia ser considerado assim.
Girei um pouco para olhar para Sesshoumaru. Se esse plano de fato existia, então era bom que eu agisse para impedir, dentro dos meus limites; e, querendo ou não, Sesshoumaru ainda era a criatura mais poderosa que existia no Japão.
Enrolei o relatório e pensei com os meus botões. Estava na hora de colocar em prática tudo o que aprendi durante esses anos. Mas será que eu conseguiria? Será que teria disciplina para manipulá-lo? Respirei fundo, criando uma linha para seguir no discurso que eu começaria:
— Você não pode permitir que o Imperador seja assassinado. Sei que você odeia humanos, sei que você odeia teatros e sei que você odeia apenas pensar na possibilidade de manchar o seu orgulho imaculado… Mas o mundo vai mudar, Sesshoumaru… A sua espada e o seu poder não serão suficientes contra bilhões de humanos e as tecnologias que irão surgir em algumas décadas. A forma como os países se relacionam irá mudar de tal forma que se tornarão dependentes uns dos outros, informações irão atravessar o globo em questão de segundos e se você realmente quer continuar sendo Senhor do Oeste, se quer manter o império que é seu por direito, então terá que se adaptar. — Apontei para o pergaminho — Você precisa desse menino vivo. Não porque ele será insubstituível, mas porque você precisa de um fantoche, um porta-voz humano. Ele nasceu herdeiro, possui legitimidade para realizar todas as mudanças que serão necessárias para que o país se desenvolva, basta que você o use com sabedoria. Você não encontrará outra ferramenta tão eficaz e que se encaixe tão perfeitamente às necessidades que você terá. E, acredite, você vai querer isso. Por mais que você tenha o poder de erradicar todos os humanos que se oporem a você, tenho certeza que não quer ser Senhor de uma terra pobre e subdesenvolvida.
Então percebi o quanto ele estava interessado em todas as minhas palavras, o quanto de sua atenção estava direcionada totalmente a mim. Dei um meio sorriso, se ele acha que esqueci sobre o acordo de me dar o que desejo em troca de informações ele estava enganado.
Encarei o pergaminho com um meio-sorriso e então compreendi o que ele precisava fazer. Deixei escapar uma risadinha amarga.
— Foi uma das coisas que anotei nos papeis-adesivos que espalhei no seu escritório em Tóquio. — resmunguei, ele não me deu atenção — Tire o Imperador de Kyoto. Eu sempre quis entender por que eles teriam mudado a capital no mesmo ano em que terminaram de construir o palácio daqui. Ainda não era economicamente conveniente para explicar a mudança da corte. Mas a distância vai ajudar você a desestruturar qualquer plano e ainda lhe dará mais tempo para amortecer qualquer ataque.
Dessa vez, ele olhou para mim — aquela cara azeda de sempre, mas pelo menos olhou. Soltei o meu cabelo que estava preso no rabo-de-cavalo, sorri, e me inclinei na direção dele para falar decididamente:
— Quero um banho. Quente. — Então, apenas para sacanear completei — Você pode estar nele comigo, não tenho problemas quanto a isso.
Ele me ignorou, como esperado. Então coloquei o pergaminho sobre a mesa e estralei o pescoço despreocupadamente, voltei minha atenção a Sesshoumaru que analisava um mapa. Ele me olhou de esguelha.
— Banho primeiro. — adverti.
Como esperado, ele não disse nada, apenas se levantou e seguiu para fora do quarto. Pouco tempo depois uma criada apareceu pedindo que eu a acompanhasse.
Por fim, consegui colocar minhas ideias em ordem. Banhos fazem milagres com a mente das pessoas. Quando saí da banheira e comecei a me vestir, já sabia exatamente tudo o que meu marido poderia querer saber em relação ao futuro. Bom, ao menos tenho ideia da grande parte de coisas poderiam ser perguntadas, uma vez que esse infeliz havia me feito estudar história japonesa.
Vesti lentamente a yukata que a criada havia deixado para mim. Eu sempre achei curioso como esses humanos conseguem ser tão solícitos e ainda assim tão distantes. Era assim na Mansão Corvo também, mesmo com as tentativas de Daiki de se aproximar — leia-se: ele dava em cima das mais bonitas.
Deixei o assunto para lá por um momento, pois, querendo ou não, eu estava numa situação delicada. Só que eu não fui feita para tentar não quebrar os ovos pelo caminho, então vamos de uma vez pisar em cima deles, já que é o inevitável.
Recolhi toda minha determinação e segui para o quarto. Ele provavelmente vai estar em sua mesa trabalhando para conquistar o mundo... Sorri ao encontrá-lo exatamente como imaginei.
— Você teve seu banho. — ele resmungou. Sim, ele estava furioso por ter que esperar que eu tivesse o meu banho maravilhoso para que pudesse obter informações. Sorri, eu realmente sou uma idiota por amá-lo, mas o que posso fazer?
— Tóquio — respondi vendo-o observar o mapa — É para lá que o Imperador deve ir. Ah, sim, eles ainda chamam a cidade de Edo, mas vão mudar o nome para Tóquio muito em breve. — Ele não me deu atenção — Eu sei, eu sei… Fica no território de Sakamoto e parece algo muito idiota para ser feito, entregar esse tipo de poder político para uma Serpente e tudo o mais. Eu também não confio neles, até porque eles vão tentar me matar no futuro. — Aproximei-me, sentando-me mais uma vez perto dele apenas para sentir Sesshoumaru próximo de mim — Só que você vai precisar de aliados e não vai poder sustentar a guerra contra o meu pai para sempre. Você tem coisas mais importantes com as quais se preocupar, não acha? Faça Sakamoto acreditar que você quer dividir o "controle" com ele, e poderá manipulá-lo sem que ele perceba. — baixei um pouco o rosto para observar o dele — Até porque, daqui a pouco mais de um século, Sakamoto estará morto. Será derrotado pelo pavor que sentirá de você. Tóquio será sua, Sesshoumaru.
Observei uma sombra de sorriso surgir no rosto dele — aquele sorriso que era meio malvado, meio realmente malvado, capaz de deixar qualquer um que o conhecesse completamente aterrorizado.
Suspirei, satisfeita, e então sorri também.
— Mas, sabe, o banho era o pagamento pela informação que dei antes. Eu acabei de lhe dar novas informações. E como foram mais de uma, eu tenho direito a um pedido mais complicado que um banho.
Ele me encarou, mantendo a mesma expressão assustadora de antes. Eu me recusava a me intimidar com isso, então simplesmente não pensei sobre o assunto e fiz o que bem queria:
— Não me mate pelo que vou fazer agora. — sussurrei, logo antes de me erguer um pouco, passar os braços em volta dos ombros de Sesshoumaru, recostar-me contra seu peito e apoiar meu rosto em seu pescoço.
Deixei que meu coração martelasse dentro do peito e saboreei a emocionada sensação de tê-lo novamente entre os meus braços, da sensação da pele, do corpo dele. Senti lágrimas queimarem nos meus olhos, percebendo como estive temendo que nunca mais pudesse tocá-lo.
Então aproveitei aquele momento. Não pensaria em como ele iria reagir quando percebesse que eu o estava abraçando.
Ladie
Me julguem os bons, mas eu estou apaixonada por esse capítulo. Por essa Kagome forte, por finalmente ver essa fic terminando, e, é claro, por ver tantas perguntas começarem a ser respondidas:
- Por que o Sesshoumaru fez tudo aquilo para a Kagome se casar com ele?
- Por que a casa do Sesshoumaru parece ter sido feita para a Kagome?
- Por que o Sesshoumaru iria querer ficar com uma hanyou, afinal?
Afinal, olhem essa Kagome. Agora sim ela parece alguém digna de ficar com o Sesshoumaru, e começa a ter sentido no fato de ele ter feito tanto para ficar com ela.
Anyway, amo vocês!
Perguntas a serem respondidas, serão respondidas em breve. Muahahahaha
Beijos da Ladie
P.s.: deixem reviews, vamos responder por inbox. s2
BOATOS CHEGARAM AOS NOSSOS OUVIDOS DE QUE A PEQUENA PEROLA, AUTORA DE SONHOS E PESADELOS, GOSTA DESSA FIC.
MOÇA, QUEM A GENTE TEM QUE MATAR PARA VOCÊ CONTINUAR AQUELA HISTÓRIA LINDA, SUA LINDA?
