Capítulo LXXVII — Encontro com o porco

— O Imperador precisa abolir o xogunato e o regime feudal. Essa base econômica baseada em feudos já está ultrapassada no ocidente, não dá para esperar mais. Se o Japão não realizar a abertura da economia nacional, então esqueça qualquer possibilidade de poder competir com outros países no futuro. Ninguém vai querer isso. — eu disse enquanto me espreguiçava.

Aqueles haviam sido os três dias mais cansativos que eu já tinha enfrentado. E olha que a minha rotina de estudos na faculdade era quase insana. É só que, além de ser cansativo lembrar de cada detalhe do que estudei, Sesshoumaru não fazia muito esforço para tornar a tarefa mais agradável. Até o quimono ele me tirou.

E quando digo que ele me tirou, eu falo literalmente. Eu acordei no dia seguinte ao acordo final seminua sob os lençóis, com doloridas marcas de garras que Sesshoumaru fez questão de deixar no meu corpo no processo de pegar de volta o que lhe pertencia. A parte de tê-lo me despindo até que foi legal, mas os arranhões ardiam para caramba e passei um dia inteiro reclamando que eu pegaria alguma infecção de cachorro idiota e morreria agonizando porque Sesshoumaru era um pulguento de unhas sujas.

A parte ruim de ter que devolver o quimono era que eu não podia mais sentir o cheiro dele e havia sido privada da visão dele andando por aí sem camisa. Droga de vida.

No meu tempo, eu havia adquirido o hábito de usar as camisetas de Sesshoumaru, simplesmente porque gostava de sentir o cheiro dele, então depois eu devolvia as peças para o closet. Era óbvio que ele percebia o que eu fazia, mas nunca reclamou e as usava mesmo assim. Agora que estou longe, é que percebo como sinto falta dessas pequenas coisas.

Só notei que estava com um sorriso nostálgico no rosto quando me deparei com Sesshoumaru me encarando, desviando quando eu devolvi o olhar. Ele deve estar pensando em como era que uma hanyou tengu odiosa tinha ido parar no quarto dele, onde passava cada hora acordada sendo insolente e impondo condições. Devia estar se perguntando por que não me matava de uma vez.

Respira, amor, que a Kagome está no comando.

Acho que ele sentiu que eu estava sendo impertinente mentalmente e me olhou, estreitando os olhos. Ri baixinho sem deixar de encará-lo. Eu o conheço tão bem que tenho certeza que o pensamento "vou matá-la" passa pela cabeça dele pelo menos uma vez a cada dez segundos.

— Você me manteve ocupada nesse quarto por três dias inteiros, querido. — falei em tom malicioso. — E não estou me queixando, que fique claro, nunca se esqueça disso. — Se ele estreitar mais os olhos, vai fechá-los por completo.

Não é sábio provocar Sesshoumaru, por motivos óbvios, mas é que uma parte de mim é descaradamente suicida. Além disso, ele fica lindo nervoso; ele é lindo sempre, mas é que irritado... olha, a vontade é de me levantar e começar a bater palmas.

Falando em irritá-lo:

— Quero sair. Dar uma volta pela cidade. — Sim, soei mandona, afinal, se soasse de outra forma ele apenas me ignoraria. Só que eu não tenho mais o direito de cobrar desejos dele, então eu tenho que ser ardilosa. — É claro que você não vai me impedir, não há nenhuma forma de eu conseguir escapar de você, não é mesmo? Mas imagino como eu vou me sentir estando lá fora, tão perto do meu pai. Posso querer voltar para o Monte Kurama. Ou pior, encontrar alguma serpente no caminho… Eu contei que eles querem me matar, não contei? Isso com certeza iria frustrar todos os seus planos. Ah, mas você pode mandar algum dos seus cachorros para me seguir, só que você viu o que aconteceu com o tal Hitsuyama… Bem, vou ter que lidar com os problemas conforme eles forem surgindo, não é? — Levantei-me e bati poeira imaginária no meu quimono — Você vai sobreviver se não puder controlar todo o Japão.


Comida. Cheiro de comida. Boa comida. Eu amo Kyoto!

Sinceramente nunca pensei que poderia chegar a amar tanto uma cidade ao ponto de considerá-la tão boa ou melhor do que aquela em que nasci. Simplesmente me apaixonei. Refletindo friamente sobre o assunto, julgo que essa minha paixão aconteceu tão pura e naturalmente como a de Sesshoumaru, quando dei por mim, estava amando. Talvez, ele no fundo seja o grande motivo desse meu amor, mas nunca falarei isso em alto tom, já que esse aí já possui um ego por demais imenso.

Aproximei-me de uma barraquinha na frente de um restaurante, onde uma senhora vendia takoyaki e só naquele momento me ocorreu que seria bom ter algum dinheiro, pois a inteligência aqui está tão mal acostumada com esses homens mimando que só se toca sobre o dinheiro nessas situações em que precisa colocar a mão na carteira... Aí lhe pergunto: qual carteira? Enfim. Antes que eu pudesse fazer algo a respeito, no entanto, a senhora sorriu para mim e estendeu alguns bolinhos de polvo no palito.

— Desculpe, mas estou sem dinheiro… — expliquei sem graça.

Ela negou com a cabeça sorrindo timidamente.

— Um presente. — Então olhou para algo atrás de mim — À senhora e ao senhor Sesshoumaru.

Sim, ele estava comigo. Não era uma versão exatamente feliz dele, — não que haja de fato esse tipo de versão; tadinho, estou sendo injusta com o meu ranzinza, ele fica feliz a sua própria maneira —, mas pelo menos era ele. Sim, universo, consegui trazer essa mula egoísta comigo para um passeio na cidade. Para ser sincera, mesmo ele fuzilando com os olhos qualquer pessoa que tivesse a ousadia de cumprimentá-lo, por mais respeitosamente que fosse, eu estava realmente feliz e decidida a ignorar seu mau-humor.

Sorri para a mulher e aceitei, porque sou dessas: oportunista.

Pensei em oferecer à Sesshoumaru, mas até minha ingenuidade tem limites. Ele iria recusar e ofender a pobre senhora que de tão bom grado me deu essa comida deliciosa — nada que cheira tão bem pode ter um gosto ruim. Então agradeci e segui adiante, tentando não andar rápido demais para me manter ao lado de Sesshoumaru.

Continuamos andando pelas ruas por muito tempo, boa parte do qual eu fui abordada para receber presentes em nome de Sesshoumaru. Isso me faz perceber como ele é importante para todas essas pessoas, embora eu tenha certeza de que ele não faz por merecer que o honrassem dessa forma. Mas, sei lá, ainda assim eu me sentia orgulhosa por isso, como uma esposa devota estúpida.

Aqui seu diploma de imbecil, Kagome Taisho.

Obrigada universo, nem sei como agradecer.

Enfim, aproveite o passeio e seu marido, Kagome, mesmo que ele não esteja feliz em lhe acompanhar.

Adoraria chutar a bunda dele daqui até em casa só para dar uma lição de como deve amar sua esposa que está aqui toda feliz por apenas passar um tempo com ele sem a maldita pressão de ter de ajuda-lo a dominar o mundo.

— Porco. — resmunguei baixinho, mas sabendo que ele iria ouvir.

Depois disso, passei alguns minutos conversando com um senhor que me ofereceu saquê, enquanto Sesshoumaru esperava impacientemente que eu seguisse caminho. Ao perceber que ele me observava, limitei-me a sorrir para ele e me despedir do senhor, levando em um dos braços um pote de saquê.

— Outono é realmente minha estação preferida. Até que está sendo divertido... — comentei alegremente, apenas para Sesshoumaru me lançar um daqueles olhares de julgamento que fazem qualquer criatura consciente de si mesma se encolher de vergonha. Eu não, que isso de ter consciência não é meu forte.

— Diversão é algo que os humanos inventaram para se convencerem de que são mais do que um monte de carne apodrecendo enquanto respiram.

— Viu só como você é divertido? Você é um charme quando usa sarcasmo. — Sorri o provocando. Ele não tinha direito de estragar aquele momento. Era meu momento. Na verdade, era nosso, mas ele não sabia disso. — Nós nunca saímos em um encontro. — deixei escapar, arrependendo-me no segundo seguinte.

Esse tipo de informação não faria diferença para ele, só que me incomodava o fato de morrer sem ter saído com Sesshoumaru em um mísero encontro sequer, pois, por mais que vivêssemos indo a eventos, nós nunca tínhamos ido a algum simplesmente para ficarmos juntos, mas sim porque pessoas importantes esperavam a nossa presença.

Lembrar desse detalhe me deixou repentinamente de mau-humor. Então lembrei que tenho saquê. Nada é tão ruim que saquê não resolva.

— Vamos para casa. — anunciei para Sesshoumaru. Pela primeira vez ele acatou um dos meus desejos sem estreitar os olhos para mim como se imaginasse como seria me queimar viva.


Ao chegarmos em casa, procurei Lourdes (sempre quis chamar alguém de Lourdes, e como a criada de Sesshoumaru se recusava a me dizer seu nome, passei a chamá-la assim) para conseguir um masu. Depois disso, acho que não é difícil advinhar o que aconteceu. Fui para o quarto de Sesshoumaru com o masu e o saquê e fiquei bêbada — acho que o fato de eu gostar tanto de saquê é a prova de que sou filha do meu pai.

Afinal, se você não quer me dar amor, meu querido, eu vou buscar esse sentimento cálido em outra coisa e nada melhor que um porre de saquê para te deixar quente internamente. Eu estava com uma incrível vontade de tirar o quimono e sair caminhando pela casa em busca de um lago onde eu poderia associar a minha bebedeira com refrescância, não sei ao certo como conseguir impedir esse impulso.

Sendo assim, apenas me joguei no chão do quarto e observei Sesshoumaru trabalhando... Estiquei a perna conseguindo segurar seu quimono entre meus dedos dos pés, puxei levemente e sorri quando ele me lançou um olhar nada amigável.

— Precisa se esforçar mais para me assustar, amor. Assim só consegui pensar em como você é sexy.

Ele me ignorou, já era de se imaginar.

Contudo, esse maldito me ignorou para voltar a trabalhar e nessa altura do campeonato ser trocada pelo trabalho não estava em meus planos, portanto, eu queria me levantar e dar um chilique como uma boa mulher mimada, contudo, assim que me levantei eu perdi o equilíbrio e caí sobre Sesshoumaru, portanto, eu era uma bêbada muito feliz. Contudo, portanto, ele me mpurrou para o lado após alguns segundos.

Suspirei contra o chão de madeira e voltei a me sentar, com uma certa dificuldade. Ter me movido tão rápido havia feito minha cabeça doer e levei algum tempo tentando recuperar o equilíbrio. Aproveitei esse tempo o observando, o maldito não tinha que possuir lábios tão convidativos ou um colo tão confortável.

— Como sou idiota. — disse a mim mesma rolando para o lado e me apoiando sobre os cotovelos. — Havia me esquecido que temos um acordo e que eu posso te tocar!

Engatinhei me aproximando dele e empurrei a mesa em que trabalhava dando espaço para que eu me sentasse entre suas pernas. Eu simplesmente estava bêbada demais para manter o interruptor do detector de perigo ligado, acredito que no nível de álcool que se encontra em meu sangue, nem mesmo Peter Parker conseguiria ter seu sensor aranha ativo.

Não sei que expressão ele tinha no rosto naquele momento em questão, já que eu estava muito concentrada no padrão das flores vermelhas no quimono dele. E de repente, percebi que não queria aquelas rosas no meu campo de visão e que era uma coisa terrível que ele estivesse vestido.

Desatei a obi. Se eu estivesse sóbria, teria percebido o rosnado de Sesshoumaru. Como eu estava bêbada, imaginei que o som era um ronronar, e simplesmente abri um sorriso diante do claro ato incentivador dele. Eu sabia que ele não conseguiria ser uma pedra insensível para sempre.

Encostei minha testa contra o ombro dele, enquanto abria o quimono e deixava que minhas mãos escorregassem contra sua pele, apoiando-as em seu abdômen.

— Eu gosto tanto do seu cheiro. — sussurrei, parabenizando a mim mesma por ter uma voz linda e uma dicção clara — Ainda bem que você não gosta de perfume. Eu prefiro o seu cheiro a qualquer outro.

Encostei minha boca e meu nariz em seu pescoço, inspirando lentamente.

— Eu amo muitas coisas em você. — admiti, embora uma vozinha na minha mente gritasse sobre eu não poder fazer isso. Vozes que não são reais não deveriam existir, então resolvi que elas também não poderiam ter razão.

Pensei no que tinha compartilhado com Sesshoumaru no meu tempo.

Naquela época, eu estava tão feliz, que já tinha medo de perdê-lo, medo de ter minha bolha idílica estourada. Por culpa do medo, deixei de aproveitar por completo os últimos momentos que tivemos juntos. E isso era injusto demais.

Senti as lágrimas que umedeciam meus cílios, mas me recusei a deixar que passassem disso. Não queria quebrar na frente dele nem permitir a mim mesma chorar como uma garotinha nessas condições. Claro que o álcool não ajudava a me controlar, mas eu tinha que me esforçar.

Ou não:

— Eu não pude dizer que te amava.

A voz em minha cabeça berrava, indignada.

Alguma coisa explodiu. E, por incrível que pareça, não fui eu.


Fkake:

E ai galera.

Hoje vocês me tem, já que a Ladie (também atende por Tracy, sim, pode chamar que ela vem) esta se fazendo de difícil, então, vão até o face dela e a encham de amor, pois é isso que ela necessita. Ou taquem sal no cu no doce dela, sei lá.

Ela me mandou postar, para que eventual demora fosse minha culpa e não dela. Ou seja, ela apenas queria o dela da reta.

Senhor do Norte a poucos capítulos de seu termino, isso, vão se preparando ai, que o barato vai acabar... minha ficha apenas cairá uma semana depois do ultimo capítulo ser postado, então, estou de boa, por enquanto.

Quanto a vocês, se preparem, pois o barato vai ser louco.

Pre-Para...

Espero que tenham gostado do capítulo, não esqueçam de comentar, sério, amamos os comentários de vocês.

Beijos, bom final de semana e boa semana, não sei quanto teremos outro capítulo.