Capítulo LXXXIII — Missing Scene XII
(É um prazer conhecer todos vocês. Vou explicar o que aconteceu no mundo dos vivos enquanto minha mãe estava à beira da morte. Yin)
Essa é uma história sobre filhas que voltam no tempo para guiar seus pais.
Só que o meu pai não era qualquer um. Ele era o mais incrível dos pais. E não falo isso apenas por ser o meu pai… Pensando bem, sim, falo exatamente por esse motivo, porque não tem como definir de outra forma qualquer criatura que tenha gerado uma pessoa tão maravilhosa como eu. Cadê o universo aplaudindo minha existência de pé?
Deixei escapar um gemido de dor ao sentir meu ombro arder quando ergui as mãos para receber os aplausos simbólicos. Eu vou morder o Nagi de uma forma nada sensual por ele ter me machucado daquela forma. Meu ombro tinha agora três lindas perfurações feitas por garras que deixariam uma cicatriz maravilhosa.
Notei o olhar que meu pai me lançou. Para qualquer outro, teria sido apenas um olhar vazio de Sesshoumaru, o Senhor do Oeste… mas, para mim, era o olhar que ele sempre me lançava quando estava preocupado comigo. A exata expressão que ele tinha antes de quase matar Richard por ele ter me machucado acidentalmente durante um treino.
— Não precisa ficar tão preocupado. — comentei — Não é a primeira vez (e ouso dizer que nem a última) que eu tenho que parar Nagi à força por ele ter surtado.
Ele desviou o rosto. Não queria que eu vislumbrasse o que ele estava sentindo, mas o que ele não sabia era que, um dia, muitos séculos depois, ele me contaria cada um de seus segredos, e os pensamentos que ele tivera nessa ocasião em especial era um deles.
Apenas sorri e encarei a sombra do Monte Kurama no horizonte. Lá, em algum lugar, minha mãe esperava, tão perto do mundo dos mortos que bastava um sopro para levá-la, enquanto meu pai sofria por algo que ele ainda nem compreendia.
E era para fazê-lo compreender esse sentimento que eu tinha viajado oito séculos no tempo através do poço. Foi para garantir a segurança dela que eu avisei meu pai que ela viria. Foi para dar algum tempo a eles dois que eu atraí Nagi para longe da casa deles… Só que nesse último caso as coisas não deram tão certo quanto eu queria, já que eu não esperava que o Nagi dessa época já fosse tão poderoso. Talvez eu nem estivesse aqui se tio Inuyasha não tivesse aparecido ou se o meu pai não houvesse impedido Hayate de intervir na minha luta com Nagi.
Respirei fundo ao me lembrar disso.
Eu não conhecia Hayate para sofrer com o luto, e o meu limite estava em me sentir sensível e perplexa com a ideia da morte dele. Só que isso não impedia que eu me sentisse culpada.
Balancei a cabeça devagar. Não. A culpa teria que esperar até que eu voltasse. Até que eu pudesse ficar cara a cara com Nagi e pedir perdão pela morte do pai dele.
Afinal, antes de voltar, eu tinha algo a fazer.
Segurei a Tessaiga, a minha Tessaiga, por algum tempo, pensando com frieza nas palavras que eu diria.
"Salve-a e ela será a responsável pela cura de milhões de crianças";
"Salve-a e ela vai estar ao seu lado quando você dominar o mundo";
"Salve-a e sua filha será herdeira de todos os Senhores do Japão";
Mas nenhum desses fatos faria diferença para ele. A única coisa que eu poderia lhe dar, era a verdade:
— Fico feliz de saber que o senhor ouviu o meu conselho de desmembrar a Tenseiga. Agora é finalmente hora de usá-la, se quiser garantir qualquer possibilidade de tê-la. — Parei diante dele, forçando-o a me encarar — O senhor sabe que um dia ela irá morrer. A natureza de um hanyou não é imortal. O senhor sabe. E, quando acontecer, não vai suportar a ideia de perdê-la e pedirá que Yong lhe dê a morte. — Cada palavra dita parecia ser arrancada da minha garganta, mas não parei. — Ela será a sua destruição. E a escolha é totalmente sua. Pode deixar que ela morra agora e será Senhor dessas terras por quanto tempo elas estiverem acima do mar. Mas, se salvá-la, você nunca ficará sozinho.
Quando eu voltasse ao meu tempo, eu finalmente poderia me permitir sentir saudade dos pais que eu tinha perdido, mas agora eu tinha a missão de guiá-los. Então esperei.
Depois de tudo, meu pai não me disse o que escolheria: se o amor ou o poder. Sua resposta foi salvá-la.
Ladie
Ah, senhor. Último capítulo. Que dor no coração. A boa notícia é que ainda falta o epílogo! UHULES!
Não sei como vocês vão lidar com as revelações dessa MS... Tenho até medo de imaginar...
Enfim, hora de finalmente começar a me despedir de Senhor do Norte. Três anos trabalhando nessa budega. É difícil deixar ir.
Até porque esses três anos foram gastos com aprendizados enormes e Senhor do Norte me fez conhecer pessoas incríveis que hoje não sei como seria meu dia a dia sem elas. Realmente foi um prazer escrever essa história com a Mary, com a Nyara, com a Quésia e com a Vitória, que são maravilhosas, e incríveis, e tão perfeitas que eu sinceramente agradeço aos céus todos os dias por tê-las na minha vida (Polly e Caroles, amo vocês tanto).
De verdade, Senhor do Norte me apresentou muitos amigos, alguns dos quais eu realmente não sei como seria minha vida sem eles. E acho que isso que torna mais difícil me despedir.
E nem falo da experiência que foi escrever com a Mary, porque ela é a responsável por criar os personagens e desenvolver o relacionamento entre eles (algo que eu realmente, REALMENTE, não sei fazer; e muito menos no nível de perfecicionismo que a Mary faz)... Eu aprendi bastante com ela nesse sentido, porque, quem me conhece, sabe que eu sou um pouco obcecada com o enredo e deixo um pouco de lado o desenvolvimento dos personagens propriamente falando.
É como a gente brinca em off: eu faço a moldura e ela pinta o quadro.
SOCORRO TÁ DIFÍCIL DIZER ADEUS
Enfim, vamos puxar a cera depilatória de uma vez...
Adeus, gente! Nos vemos no Epílogo.
Beijos da Ladie
