Capítulo dois: A missão
Por Kami-chan
Deidara havia acabado de chegar à sede da Akatsuki, estava satisfeito por cumprir com êxodo a missão para qual fora mandado. Bateu na porta sala do líder por mera formalidade, sabia que Konan já havia sentido seu chakra e informado Pain sobre sua presença.
– Entre Deidara – A voz grave ecoou vinda de dentro da sala fechada.
O loiro entrou em silêncio, fechando a porta atrás de si com cautela em sequência. O ar gélido dentro da sala de luz fraca e tons amadeirados praticamente exigiam um nível alto de silêncio e cautela.
– Sente-se e espere. – Aquilo era claramente uma ordem e foi obedecida.
Itachi estava meditando em seu quarto quando sentiu o chakra do braço direito de Pain se aproximando. Ele sabia o que isso significava.
– Entre Konan – Disse antes mesmo que ela batesse. Não era a toa que aqueles dois eram tidos como os dois melhores rastreadores da organização.
– Itachi-kun, Deidara chegou e Pain quer sua presença para passar detalhes da missão que cumprirá com o loiro – Ela lhe pareceu um pouco insegura e isso não era normal.
– Obrigada – Disse de forma educada e se levantou.
Konan se virou para voltar para sala do líder já que o recado já tinha sido dado, mas parou bruscamente. Ela pareceu escolher palavras para prosseguir aquela conversa e ele entendeu, sem interromper o momento de reflexão dela em um primeiro momento.
A azulada era a mais singular dentre as pessoas que moravam ali e dividiam a mesma ambição distorcida. Eram palavras do próprio líder que entre os variados motivos que levara cada um àquela organização, o motivo de Konan era puramente amor.
Mesmo que isso fosse óbvio demais ao olhar de todos os outros Akatsukis, parecia que apenas o próprio ruivo que conhecia a menina desde sua infância não sabia identificar com sabedoria qual era o amor que a azulada sentia para estar ali. Apesar de trazer a todos os membros da organização uma doce dose de afeição e feminilidade, era atrás do cinza tempestuoso do rinnegan que se escondia o amor da mulher, e não da menina.
– Sabe que pode me contar o que a incomoda, Konan-san. – O Uchiha resolveu-se por encorajar o desenrolar da conversa.
Ela virou e tornou a fitá-lo ao ouvir suas palavras, parecia muito desconfortável com o que diria, mas a curiosidade parecia maior que o orgulho. A verdade era que desde o início a sua era a única presença feminina naquele lugar, agora Itachi estava querendo trazer uma mulher poderosa para o local. Mesmo que fosse uma prisioneira, isto a deixava insegura de certo modo.
– Você a conhece. Ela como ela é? Bonita?
– Sei que não contará isso à Pain – Olhou-a com cumplicidade, sabia do sentimento da ninja pelo líder – Então posso confessar que quando a encontrei pela última vez minha visão já estava ruim o suficiente para não saber te responder isso, mas imagino que ela deve ser no mínimo, exótica – Foi sincero – Com certeza ela tem uma personalidade forte e difícil de lidar, não vai ser fácil trazer ela até aqui. Nem de manter.
Itachi sorriu minimamente, um meio sorriso com o canto do lábio repuxado para cima ao pensar nisso, mas Konan não percebeu. Talvez nem mesmo o Uchiha tivesse dado conta de seus atos.
– Não se preocupe, ele não gosta disso em uma mulher. – Prosseguiu com audácia.
Konan não era ambiciosa, estava ali para ficar ao lado do ruivo e nada mais. Uma kunoichi de alto nível de habilidades que pudesse ofuscar o brilhantismo por trás de seus origamis não a preocupava e Itachi sabia disto. A menina do antigo trio da chuva enrubesceu, não achava que ele seria tão direto.
– Sem falar que ele gosta de você. E você também tem a personalidade forte, porém doce. Não se preocupe com essas bobagens Konan, Sakura não virá aqui por vontade própria. Vamos.
Ele não fazia bem o tipo conselheiro emocional, mas gostava de Konan e ela nunca o deixara na mão. Não era trabalhoso ser gentil com aquele ser de alma pura, por isso foi gentil.
Quando entraram na sala ela foi para seu cantinho e ele sentou-se ao lado de Deidara, de frente para o líder. Logo Deidara começou a narrar os pontos importantes da missão aos mínimos detalhes, satisfeito por completar com perfeição. Itachi apenas esperou em silêncio, ouvindo a narração por educação e não interesse.
Pain não tinha nenhuma expressão na face, mas estava satisfeito com a eficiência de Deidara. Em seu silêncio típico registrava mais uma vez como as ações do loiro sempre o impressionava. Nenhum detalhe passava despercebido pelo jovem ninja da pedra. Deidara era um ótimo espião, em sua maneira atípica, mas era sim um ótimo espião.
– Bom trabalho, Deidara. – Foi tudo o que disse ao término da narração sem abalar em nada sua expressão serena.
– Há mais uma coisa Pain-sama – Falou tentando decidir se aquilo teria mesmo importância, achou melhor seguir adiante. – Ouvi alguns boatos no caminho de volta que envolvem Konoha.
E pela primeira vez depois que entrou naquela sala, Itachi também olhava para ele e parecia se interessar de verdade pelo assunto. O loiro contou que se deparou com um esquadrão ANBU, quase na divisa entre a vila da folha e Suna.
– Resolvi investigar, un. No pouco tempo que os observei, descobri que estavam atrás de duas ninjas de elite que sumiram do nada da vila. Eles acreditam que elas foram raptadas, e é claro, estamos na lista de suspeitos deles, un. – fez uma pausa – Mas acredito que o que importa é que parece que a guarda ao redor do garoto das nove caldas finalmente baixou com essa história, parece que as garotas eram próximas do tal Uzumaki.
Então Deidara ia mudar o rumo da narração, por motivos óbvios, falando da proteção do biju que o grupo tanto queria capturar, entretanto sua narração foi interrompida e aquilo que ele achava ser uma prioridade para a Akatsuki foi deixada em segundo plano com o consentimento do líder que apenas observava em silêncio. Itachi perguntou mais detalhes sobre as identidades das kunoichis, seu interesse no assunto não passaria jamais despercebido pelo loiro explosivo.
– Bem, uma delas é a pupila bem dotada da Tsunade, a outra não sei. – Falou sem emoção, mas viu o moreno do seu lado fechar os olhos em um suspiro profundo.
Não sabia o que aquilo significava, mas parecia tristeza. Na mente do Uchiha o pessimismo quase tomou conta, se Haruno tivesse mesmo sido raptada a chance de ele encontrá-la era quase impossível.
– Mas tem algo mais interessante! – Falou sem tirar a atenção de Itachi, mas o moreno se quer abrira os olhos – Mais perto daqui, ouvi dois homens comentando sobre duas medi-nin que estavam de passagem pela vila natal deles. A tal vila fora quase completamente devastada recentemente e elas estavam ajudando no hospital e a reconstruir a parte destruída da vila. – parou para tomar um ar – Então fui até a tal vila, un, pequena e muito pobre, encontrei as tais ninjas e posso garantir que uma delas é a tal treinada pela Hokage e a outra responde por Ino e também tem potencial. Ambas estão rodando por aí, aparentemente sem destino, sem as bandanas e muito longe de casa. Interessante, un.
– De fato. – disse o líder – Se estão andando assim por aí não foram raptadas e nós estaremos no alvo de Konoha por conta disso sem motivo.
Sem dar atenção ao comentário mal humorado de Pain, Itachi finalmente tornou a abrir os olhos. Parecia que algo muito bom havia se espalhado por sua face, era quase um sorriso.
E daí que já estariam levando a culpa por algo que não tinham feito? Ou que talvez uma guerra se espalhasse entre eles e a grande vila quando descobrirem que eles, de verdade, raptariam essas meninas. Seu alvo estava quase se jogando em seu caminho, tornando sua missão quase tola de tão fácil.
– Fugiram da vila da folha e parece que estão perto daqui – Falou lançando um olhar cheio de significados para Pain.
– Ninjas de elite, treinadas por Tsunade. Elas deviam ter um futuro garantido e próspero em sua vila de origem, está faltando alguma coisa aí, alguma coisa muito séria deve ter acontecido para fugirem assim.
– Continuaremos com a missão? – A voz do moreno tinha pressa.
– Não temos escolha, não é mesmo? Mesmo que a importância da presença da Haruno aqui fosse adiável ou reversível, ainda teríamos que lidar com as pragas de Konoha. – Suspirou se acomodando melhor em sua cadeira. – Bom Itachi, você sabe que tem um esquadrão ANBU atrás delas, então tome cuidado. O sucesso dessa missão é de seu total interesse. Não tenho ordens para você. Deidara mostre onde elas estão, tragam as duas, já sabemos muito sobre a melhor de Tsunade, quero ver o que essa Ino pode fazer também. – Ordem dada, eles se retiraram.
– Acha que terão problemas? – A voz de Konan soou baixa e calma vinda das sombras.
– Desde que não fique cego antes de trazê-las. Por que demorou tanto para trazer o Uchiha?
– Paramos para conversar um pouco antes. – Disse como se dissesse que ia tomar água.
– Ahh é, esqueci que você tem um afeto pelo Uchiha. – Colocou um caminhão de ironia na palavra afeto por motivos que nem ele entendia.
Ela sorriu por dentro com o tom irritado de seu amado líder. Ela nunca alterava a voz para ele, usava sempre o mesmo tom doce.
– Por que está irritado? Por acaso está com ciúmes?
– Ciúme? Só pode estar louca! – Agora ele gritou pra valer – Sabe que reneguei esse tipo de sentimento para me tornar tão forte.
E isso era mentira, tanto ele quanto ela sabiam que o ruivo nunca fora capaz de renegar sentimento algum. O portador do rinnegan sabia também que o único motivo para querer se tornar cada vez mais forte estava em pé de frente para ele e agora sorria. Era sempre assim, ele se irritava e gritava com ela, ela se quer alterava o tom de voz. E tudo sempre terminava com aquele sorriso que levava embora toda raiva que ele sentia.
Ela apenas sorriu diante da expressão dele, na verdade queria rir, mas se segurou. Ela o amava desde que se conheciam e nunca negou ou tão pouco admitiu isso para ninguém, não precisava. O sentimento estava ali gritando sua verdade para quem estivesse ao redor ouvir. Com exceção talvez de Tobi que era um bom ouvinte e para Itachi naquele desabafo mais cedo, eles sabiam com sinceridade o que havia em seu coração de papel.
Ela sempre fora o braço direito dele, ele vivia dizendo que havia renegado sentimentos humanos como amor ou amizade. Mas ela sabia que nem mesmo ele era capaz disso, por isso não desistia do seu amor. Por isso não tinha medo do poder dele. Ás vezes ela até acreditava que era amada por ele também, por isso gostava de provocá-lo e fazê-lo ter crises de ciúmes como a que estava tendo.
– Por que estas rindo? – Ele já estava calmo, mas ela não esperava pela pergunta, resolveu ser mais atrevida que de costume.
Chegou perto dele, alargou ainda mais o sorriso por ver que ele estava nervoso com a situação, chegou mais perto e ele pode sentir a respiração dela em seu pescoço. Ela parecia confiante, mas não sabia muito bem o que estava fazendo, apenas falou doce, quase que num sussurro no ouvido dele.
– Você sente ciúme sim, Pain.
Ele queria puxá-la mais para si, tocá-la, abraçá-la, beijá-la ou simplesmente empurrar ela dali, mas seu corpo não obedecia aos seus comandos. Limitou-se a fechar os olhos e ouvir tudo que ela tinha pra dizer.
– E você sabe que sente – a voz dela causava reações por todo corpo dele – Você sabe que o problema não é o Uchiha, é qualquer um que se aproxime. – Ele estava arrepiado da cabeça aos pés – Mas gosto disso, sua crise de ciúmes me mostra que se importa comigo – Passou a mão pela face dele e saiu da sala, satisfeita com a cara de baka que ele tinha ficado.
O ruivo apenas ficou petrificado e em silêncio. Não entendia qual era aquele tipo de poder que ela exercia sobre si, mas também não sentia a menor disposição para ir contra o mesmo. Era mais do que carinho, era mais do que a necessidade de proteção.
Mas particularmente, nos últimos dois dias Konan estava o deixando louco. Ela não costumava agir daquela forma e ele não entendia o que a estava fazendo mudar.
