Capítulo três: O encontro
Por Kami-chan
– Estamos quase, é a próxima vila. Você ainda não me passou os detalhes da missão. – Disse Deidara de maneira profissional.
Silêncio. Foi o caminho todo assim. O loiro tentou de todas as maneiras puxar conversa com Itachi, mas o moreno fingiu não o ouvir descaradamente o caminho todo.
Muitas coisas estavam estranhas, primeiro, eles estavam indo atrás de uma medi-nin, depois aquele misto de expressões na face do Uchiha, que é sempre frio e inexpressivo. Somente agora que Deidara tinha reparado, mas Itachi não levava seu famoso sharingan nos olhos, sabia que ele gostava deixá-lo a vista, porque sabia que isso intimidava as pessoas.
O Uchiha estava no mínimo estranho, mais estranho do que ele normalmente já era. Lembrava-se das palavras do líder, o sucesso dessa missão interessava diretamente seu parceiro. Mas por quê? Estava em missão com Itachi e nem sabia o que tinha ido fazer ali, sentia-se um mero guia sem valor.
– Itachi, quer parar de frescuras e me dar os detalhes, un – E isso tudo estava começando a irritá-lo.
– Basta saber que precisamos levá-las à sede conosco vivas, inteiras e conscientes. – Falou vencido, sabia que o loiro não ia desistir enquanto não falasse.
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– Estou começando a enjoar dessa vila, Sakura – Ino estava deitada na grama com a cabeça escorada na perna da amiga, era hora do almoço e elas estavam descansando embaixo de uma árvore. – Já deveríamos ter ido embora, estamos há muitos dias no mesmo lugar, isso pode acabar denunciando nossa localização.
– Tem razão. Vamos tirar o resto do dia de folga, partiremos amanhã antes da hora do amanhecer.
Elas ficaram na estrada por dias a fio, não queriam parar, mas resolveram de última hora ajudar aquela pequena vila que estava quase toda destruída. Não era uma vila shinobi e muito pobre para contratar ninjas, então resolveram ajudar.
Mas não era isso que buscavam. As queriam alguém que as treinasse ainda mais, mas até agora nenhuma ideia tinha lhes parecido à altura do que procuravam. Já eram da maior vila do país do fogo.
Agora estavam no acampamento que montaram na floresta daquela vila, Ino afiava suas kunais e Sakura estava deitada na sombra de uma árvore concentrando chakra em vários pontos específicos do corpo. Era como uma meditação que a ajudava a aperfeiçoar seu controle de chakra quase perfeito.
– Acha que ainda estão procurando a gente? – A voz da amiga desconcentrou a rosada.
– Arrependida? – Sakura desde que caíram no mundo havia adquirido uma frieza impressionante na voz, de fato, podia-se dizer com certeza que aquela garota de Konoha não existia mais, havia apenas uma mulher de temperamento controlado e determinada ali.
Ela estava segura da decisão tomada. Não estavam dando um tempo, aquilo não era a fuga de duas adolescentes rebeldes e nem férias.
– Nem um pouco. É só curiosidade. – Ino também tinha mudado muito.
– Com certeza tem um esquadrão ANBU atrás de nós, mas não se preocupe já estamos longe o bastante para eles nos pegarem.
– Hum, com certeza devem estar pensando que fomos raptadas ou algo do gênero, afinal, eles devem pensar que somos alvo fácil não é mesmo?
– Sempre subestimadas.
– Parece estranho Sakura-chan, conhecíamos tantas pessoas naquela vila, mas eu não sinto falta de ninguém.
Sakura permaneceu em silêncio por alguns minutos, agora que Ino tinha doto aquilo o fato se tornou consciente em sua cabeça também. Vivia cercada de pessoas queridas para si na vila, mas agora que tinha o seu foco em si apenas eles não pareciam ser tão vitais em sua vida.
– Hei porquinha, vamos treinar! Não é porque não encontramos alguém decente ainda que vamos ficar paradas.
Ino não disse nada, apenas arremessou uma kunai que afiava em direção à amiga e começaram uma luta nada ingênua. Mas pararam bruscamente ao ouvirem o barulho de uma explosão.
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Eles estavam muito perto do acampamento delas, já podiam sentir o chakra das Konohas enquanto escondiam os seus próprios. Estavam tão concentrados que nem sentiram a presença de inimigos, eram cinco e atacaram primeiro. Foram identificados como alguns ninjas de uma vila pouco conhecida que queria se vingar da organização de assassinos pela morte de alguns ninjas importantes que estavam lutando pelo crescimento da pequena terra.
Deidara fez um Henge e cada loiro mandou dois pássaros em dois dos inimigos que caíram inconscientes. Itachi também fez um Henge e enquanto um moreno prendeu um inimigo em um genjutsu, o outro foi surpreendido pelo inimigo e foi obrigado a usar seu mangekyou.
Foi um reflexo, um impulso. O inimigo caiu morto no chão, porém o moreno também se viu maculado, pois não enxergava absolutamente mais nada. A irritação quase tomou conta de Itachi por se permitir gastar seu último feixe de luz com algo tão mundano que poderia ser resolvido sem o poder ocular.
Desconcentrou-se com o ocorrido e seu outro inimigo conseguiu se livrar da ilusão criada por seu henge que foi destruído. Seu inimigo correu para atacar Itachi com todo seu potencial.
Ao ver que tinha algo errado, Deidara explodiu o último ninja, no entanto com a explosão foi parar muito longe do parceiro. Correu até Itachi o mais rápido que pode e quando chegou deparou-se com uma cena nada normal.
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Ao ouvirem a explosão as meninas pararam o que faziam e correram em direção a mesma. Ino nunca havia encontrado nenhum membro da ordem antes, mas sabia que se tratava da Akatsuki pelas roupas que usavam, Sakura conhecia muito bem cada um dos dois ninjas de capa preta que lutavam.
Elas viram sem nenhuma emoção o resultado da explosão de Deidara que eliminou os dois primeiros homens. Sakura já tinha visto o loiro imprevisível lutar antes, mas frieza e destreza do garoto de fios loiros prendeu a atenção de Ino.
Sakura achou mais interessante se focar no Uchiha por motivos óbvios. Itachi tinha um estilo único de combate que era macabro, mas não era exatamente o desempenho de que se lembrava que estava assistindo daquela distância segura.
Ainda assim uma luz se ascendeu em sua mente, colocando uma ideia maluca em sua cabeça quando percebeu, pela inercia do inimigo, o Henge do moreno executar um genjutsu. Mas a luz logo se apagou ao constatar que realmente havia algo muito errado no modo como o grande e poderoso Uchiha estava lutando.
Não pensou exatamente com clareza no que estava fazendo quando arremessou três kunais certeiras em pontos vitais do ninja que estava assumindo uma vantagem perigosa sobre o irmão mais velho do extinto clã. Também não teve tempo para ver a expressão de confusão e susto nos olhos da amiga ao seu lado, que também não entendeu a falta de sanidade que havia tomado Sakura para invadir e interferir na luta de um membro da Akatsuki.
Itachi soube que o inimigo havia sido morto, pois não sentia mais seu chakra. Sentiu o chakra de mais alguém correndo em sua direção, parecia conhecido, mas com certeza não era Deidara.
Ergueu-se e de olhos fechados lançou kunais na direção de seu novo oponente. Ensinamentos ninja básicos era tudo que lhe restara agora. Ouviu o som das kunais caindo, não acertou nenhuma. Seria atacado em breve, esperava por algum soco ou chute, mas isso não aconteceu.
Sentiu-se agora sendo segurado pela gola de sua capa de uma forma brusca e forte ao mesmo tempo em que percebia que aquele ato não representava esforço físico nenhum para o ninja a sua frente. Assustou-se momentaneamente tentando pensar em alguém que fosse ousado –ou burro- o bastante para querer lhe encarar.
– Yare, yare – Ele conheceu a voz feminina, mas não lembrava dela soar era tão fria – Isso é tudo que o grande Uchiha Itachi é capaz? – Não quer lutar comigo, Uchiha? Acha que sou tão fraca que nem vale a pena?
– Não sou tolo para subestimar você Haruno, porque você sem dúvida é uma ninja muito forte e corajosa, sabe com quem está falando e ainda assim ousa me encarar. Seria um bom desafio. – Era difícil dizer o que iria dizer, mas era preciso – Você matou meu inimigo, arigato – Ela surpreendeu-se com tudo que foi dito, mas não o bastante para afrouxar o agarro em sua gola. – É minha missão vir atrás de você. Preciso de você e suas habilidades, por este motivo não que e nem vou lutar com você e correr riscos de feri-la. Basicamente, eu estou em suas mãos.
Aquilo foi profundo e inesperado. Ela viu que ele estava sendo sincero.
"Preciso de você, estou em suas mãos"
A frase ficou repetindo em sua cabeça por algum tempo sem fazer sentido algum. Aquele era Uchiha Itachi, o ninja que com treze anos matou todo seu clã. Já tinha visto ele em ação, era um ninja temível e respeitável, o tipo de vilão que tornaria o ninja que o derrotasse e um herói de fama eterna. E ele estava lhe pedindo ajuda.
A cabeça dela estava rodando. Aquilo com certeza não fazia o menor sentido.
– Como assim? – Conseguiu dizer com dificuldade.
Ele demorou um pouco para responder. Parecia escolher as palavras e ao mesmo tempo querer esquecê-las.
– Estou completamente cego. – Disse por fim, apenas três palavras e parecia que cada uma delas o feria de forma brutal.
Era perigoso dizer aquilo daquela forma, mas realmente precisava levar ela consigo e confiar nas capacidades daquela que era comparada a um gênio. Se não conseguisse levar a Haruno consigo não adiantaria muita coisa tentar omitir sua situação.
Por outro lado, a intenção de Sakura com aquela atitude era mostrar ousadia e coragem o bastante para convencer o moreno de treiná-la. Estava disposta a lutar com ele, sabia que não era palio para Itachi, mas talvez ele a aceitasse.
A rosada achou que teria que implorar, se humilhar para ele. No entanto, era ele quem precisava dela, ele estava se humilhando; o ninja mais poderoso que conhecia.
Com certeza, se estava procurando por algo que a fizesse se sentir útil e poderosa, era saber que aquele homem estava passando por cima de seu orgulho para ter sua ajuda.
– Eu aceito fazer um acordo com você, Itachi.
– Que tipo de acordo o orgulho de Konoha, certamente a escolhida para recipiente dos herdeiros que meu irmão quer para dar continuidade do clã, poderia querer fazer com o demônio humano mais obscuro da história da vila?
– Não questione minha integridade moral, Uchiha. Eu posso dar o que você precisa, mas depois disto irá me treinar e seu colega treinará minha amiga. – Ela disse completamente segura de si.
Com certeza ele não esperava ouvir aquilo. Mas era um preço justo.
– Terão que entrar pra organização e eu terei que pedir permissão para o líder.
– Ino... – Chamou a medi-nin.
– Eu aceito Sakura-chan.
Deidara assistia a tudo atônito, então esse era o interesse do portador do sharingan na médica. Não entendia o motivo para aquelas belas ninjas abandonaram o conforto de sua vila para serem treinadas por assassinos.
Descansou seus olhos sobre a loira logo atrás de Sakura, teria que treinar a tal da Ino. Sentiu a respiração lhe faltar, em proporções e traços a loira de olhos espertos era perfeita. Usou o tempo para percorrer a distância até o pequeno grupo para tentar analisar por suas vestes e acessórios qual era o estilo shinobi dela.
– Ino, este é Uchiha Itachi que você já ouviu falar. – Apresentou, resumindo a tenebrosa história escrita pelas mãos daquele homem com a referência. E ele se chama Deidara, certo? – Introduziu o loiro, buscando alguma confirmação à sua memória.
– Certo. – Respondeu o loiro
– O Uchiha assassino e Deidara é o nome do nuke-nin que derrotou Gaara aquela vez. Yamanaka Ino. – Ino disse a ponto de confirmação e na sequência se apresentou vendo o moreno franzir as sobrancelhas ao reconhecer o nome do respeitado clã.
Com toda certeza terrena estavam se metendo em uma grande confusão. Mas era um risco necessário.
– Deidara – Chamou Itachi – Ino pertence a um clã de dominadores de mente, acha que pode treiná-la?
Ele encarou a loira novamente após ouvir a introdução do colega. De repente um se perdeu no azul do olho do outro, como se ambos estivessem procurando algo além na expressão espelhada.
– Hai – Respondeu para quebrar o contato constrangedor.
– Acha que pode fazer algo de imediato por mim, Sakura – Itachi recobrara seu tom de frieza habitual.
Ela arrepiou-se ao ouvir a voz rouca e baixa de surpresa, mas não deixou que ninguém percebesse. Itachi realmente sabia fazer sua presença ser notada e no mínimo respeitada.
– Receio que não. Preciso examiná-lo com calma e provavelmente terei que pesquisar algumas coisas antes, não é nada simples recuperar a visão ainda mais no seu caso.
– Mas você vai conseguir, un? – O loiro se adiantou em perguntar a mesma dúvida que pairou na cabeça do Uchiha.
– Com certeza! – Disse com desdém e arrogância, dando o assunto por encerrado.
– Estamos muito longe? – Perguntou a loira.
– Não muito. Mas como temos um cegueta na equipe acho melhor eu fazer alguma coisa. – Disse passando as mãos pelas bolsas de argila que carregava e terminou fazendo dois pássaros que foram aumentados ao seu comando. – Se queria impressionar, conseguiu. Ele seguiu em um acompanhado de Ino, enquanto Itachi e Sakura subiram no outro.
