Capítulo cinco: Akatsuki
Por Kami-chan
Quatro cabeças logo apontariam nos limites da organização. O prédio da Akatsuki não era grande nem pequeno e parecia uma construção abandonada, não chamava a atenção, ficava bem escondido em uma parte muito densa de uma floresta ainda nativa. Ainda não tinham falado nada desde o momento em que subiram nos pássaros, cada um deles estava concentradamente perdido em pensamentos.
Sakura ainda ouvia a voz de apelo de Itachi em sua cabeça, sim ela acabara de assumir uma missão muito importante e essa missão dependeria apenas dela. Não era bem o tipo de coisa que estava esperando, mas a organização criminosa mais poderosa do mundo shinobi estava deixando seu melhor recruta sob os cuidados dela.
Ela crescera ouvindo os feitos do homem ao seu lado, desde o fato dele ser um prodígio, até seu crime e seus feitos. Itachi com certeza era um homem que conseguia intimidar todo mundo apenas com a menção de seu nome, e ele estava agora totalmente vulnerável e dependente dela, Haruno Sakura, a mulher que deixou sua vila por ser subestimada.
Era visível a força que o moreno de cabelos longos estava fazendo para enfrentar todo seu orgulho e pedir-lhe ajuda. Secretamente, a rosada adorou vê-lo nesta posição, o ninja mais temido estava totalmente submisso a ela de alguma forma. Toda sua vaidade foi estimulada e era exatamente algo como isto que ela estava procurando quando resolveu partir, o fato de estar ao lado de quem deveria odiar lhe pareceu algo realmente mundano.
Então permitiu-se observar aquele grande homem, ele ainda estava de olhos fechados dando a ela a impressão de que aquela era uma pessoa muito calma e serena. Esta ideia a fez rir por um minuto, Uchiha Itachi, uma pessoa calma e serena. Naquele momento ela ainda não era capaz de crer em sua leitura sobre a aura do moreno, aquela definição para si parecia uma piada.
Também notou que fisicamente, tinha os traços da face muito semelhante aos do irmão mais novo, mas havia algo a mais nele. Uma mecha de cabelo se desprendeu e ficou brincando pelo rosto de traços bem feitos, fazendo sua admiradora lhe dar mentalmente o adjetivo de sexy.
Achou melhor parar por aí, pois tinha medo de até onde poderia ir. Afinal Sasuke já foi o seu ponto fraco e o irmão mais novo não carregava tanta beleza se comparado ao mais velho. Mas no fim apenas riu de si mesma mentalmente, era bobagem se preocupar por constatar que Itachi era um homem atraente.
Mesmo porque, em sua mente fechada, a rosada acreditava firmemente que jamais voltaria a cair em uma armadilha Uchiha. Ledo engano.
O moreno sabia que ela estava o encarando. Sentia-se observado, mas não ligava. Ele estava com muito medo, mas não deixaria isso transparecer. Fora burro o suficiente para usar seu poder sem nenhum limite e assim ficar cego de vez.
Entretanto temia o pensamento de que agora estava completamente nas mãos jovens daquela medinin de Konoha, e nem mesmo o pensamento de que a Haruno havia conquistado o feito de considerado um gênio da medicina poderia diminuir seu temor diante desta situação. Sua cegueira não era típica, ela era causada por seu raro sharingan, e não havia especialistas nem mesmo quando o clã ainda existia.
Iria treiná-la, ela queria aprender com ele. Este era o acordo, ela o curaria e ele a ensinaria as técnicas de genjutsus.
E sua mente esperta já trabalhava no resultado final disso tudo, ela era uma ninja médica, o que já a coloca em um nível muito superior entre os ninjas. Além disso, a Haruno é possuidora de uma força sobre-humana o que lhe garante uma vantagem muito grande quando escolhe combate corpo a corpo.
Ela não precisa de genjutsu, mas era o que ela queria em troca, aquele era o preço para ter sua visão de volta. Não era um valor alto.
Seus feitos mostravam sem a necessidade de nenhum teste que ela tinha um controle realmente elevado do chakra. Ele faria isso por ela se o curasse, apenas para ver a qualidade final daquela kunoichi especial.
Itachi sabia também que na posição em que estavam neste momento, ela poderia tê-lo matado. Motivo para tal ela com certeza teria, como todo Konoha aprende a ter assim que sai da escola.
Mas a escolha dela foi oposta, aquela Konoha quis mesmo acompanhar o maior traidor de sua vila natal por livre vontade, e isso fazia com que o moreno sentisse que ela fosse capaz de aprender bem tudo o que ele tinha a ensinar. E Sakura se tornaria uma ninja completa e com um alto nível de letalidade se fosse capaz de suportar o seu treinamento.
Naquele momento o Uchiha decretou que não pegaria leve com a mulher com nome de flor, iria a levar até o limite de suas habilidades. Se ela o curasse, faria dela uma kunoichi temida pelos ninjas da mais alta elite. Potencial ela já tinha e preço pedido por ela era baixo, se ficasse bem ele lhe daria muito mais.
No outro pássaro tanto Ino, quanto Deidara pareciam ter perdido a voz. Duas pessoas tão comunicativas que sentiram como se as palavras tivessem fugido de suas bocas.
Ino fingiu que estava sozinha ali, olhava para todos os lados, menos para ele. Deidara não. Queria olhar para qualquer coisa, mas seus olhos sempre voltavam para a bela loira de olhos claros.
Em sua mente havia somente o pensamento de que ela era bonita demais para deixar de ser admirada. Ela se sentiu observada e se rendeu à vontade de encarar o loiro novamente, virou o rosto na direção dele e mais os azuis de seus olhos se encontraram, fazendo a Yamanaka se arrepiar até a alma enquanto ele se perdia em pensamentos nem um pouco inocentes.
Um sorriso amarelo e inseguro da parte da loira, e logo a paisagem parecia mais segura e interessante. Apegava-se com facilidade a rostos bonitos, e não tinha vergonha nenhuma em admitir sua vida boemia.
Ino sabia bem o que sentia, gostava da forma como feições bonitas lhe atraiam. Chamava de paixão apenas para dar um nome ao sentimento, mas tinha que admitir que nunca sentira algo tão intenso assim só de olhar para uma pessoa. Deidara não entendia nada daquilo, já havia estado com muitas mulheres bonitas antes, mas nenhuma teve sobre si o efeito hipnótico daquela belíssima Konoha.
– Chegamos. Vamos descer, un – Estendeu a mão para ajudá-la a descer da ave.
No outro pássaro, quando Itachi percebeu que estavam no chão deu um longo suspiro, teria que achar um jeito de descer dali. Mas não teve tempo de pensar direito, sentiu a mão pequena de Sakura entrelaçar na sua e guiá-lo para fora da ave.
– O que pensa que está fazendo? – Ele estava mais confuso do que irritado
– Guiando você, não é obvio? – Ele ia falar algo, mas ela botou os dedos sobre os lábios dele impedindo-o. – Shh, você é meu paciente agora e vai me obedecer.
Itachi quase soprou o ar pelas narinas, ela definitivamente não tinha medo da morte.
– Com quem você pensa que esta falando? – Livrou-se da mão dela com Força.
O moreno havia ficado alterado, o que era anormal de sua parte. Ao dar-se conta disto, sua mente logo ligou o evento à cegueira. Mas alterado como estava acabou tropeçando em uma pedra no meio do caminho, ia cair mas foi amparado por Sakura. Fato este que deixou suas faces muito próximas e certo desconforto em ambos os ninjas, que foi quebrado por ela.
– Não quero que se ofenda, – Disse de forma autoritária, porém baixo – Mas está precisando da minha ajuda no memento. Itachi sei muito bem quem você é e isso não me importa, a partir do momento em aceitei subir naquele pássaro com você, você se tornou meu paciente. Ponto. – Aviou de uma forma que ficou clara, calma e pausadamente, mas ainda no tom autoritário e incontestável. – Se eu tiver que cuidar de alguma contusão, vai atrasar seu tratamento contra a cegueira. Aconselho-te a me obedecer durante todo o período em que estiver sob meus cuidados.
O Uchiha iria retrucar novamente. Não importava o fato de precisar dos dons dela, naquele momento apenas queria mostras à insolente que quem ditava as regras do acordo era ele. Mas não teve tempo de responder-lhe, ao notar as intenções do moreno, Sakura concentrou chakra nos punhos e puxou-o pela gola da capa da mesma forma como fez quando o abordou.
– Acredite, meu treinamento com Tsunade não foi brincadeira, absorvi mais da personalidade de minha mestra do que pode imaginar. – Puxou-o mais. – Me irrite mais um pouco e você vai comer papinha de neném por sonda por um bom tempo, está me entendendo? – E após falar dessa maneira tão "doce" com ele, abriu um largo sorriso como se nunca tivesse se irritado com ele daquela forma. E soltou-o.
– Irritante – Ele falou com raiva, baixo o suficiente pra ela não escutar. E deixou-se ser guiado pela kunoichi.
– Hey Deidara-san, essa é a Sakura-chan que eu conheço. – Ino falou divertida apontando para a amiga.
O loiro não pode deixar de rir da cena que presenciava, em sua frente havia uma menina mandona e com uma aura assassina, Sakura lhe dava medo. Definitivamente maluca por falar com Itachi daquela forma.
Olhou para a loira ao seu lado, será que ela também era assim? Não, Ino era uma bela moça com ar de anjo rebelde. A aura de Ino era a de uma mulher faceira de vida alegre.
Aquilo foi tudo o que pode absorver dela, sem ser capaz de imaginar o quanto estava cero no momento e nem o quanto aquela aura alegre iria mudar algum dia. A menina que caminhava feliz dois ou três passos à sua frente não deixava nenhum indício de que em breve se tornaria um demônio vingativo.
Estavam cerca de trezentos metros da entrada da sede e o caminho que Ino percorreu entre sorrisos de curiosidade não era o suficiente para ladrilhar toda a ira que aquela menina seria capaz de concentrar. A ganância que estava escondida sob a vaidade e todos os atos de grandeza que aquela menina que ainda tinha um sorriso fácil executaria e que faria a vida de muitas pessoas tomarem um curso apontado por suas mãos.
Sakura olhou para trás para buscar um sorriso da amiga depois de colocar Itachi em seu devido lugar. A cena das duas meninas sorridentes fez Deidara parar em lapso de segundo, vozes e imagens de lembranças ainda não vividas piscaram em um fragmento diante de seus olhos e não soube dizer se o que sentia era bom ou ruim, mas tinha certeza que a presença daquelas Konohas significava mudança. Uma grande, poderosa e significativa mudança, não só para aquelas vidas desgraçadas que compunham a organização.
– Deidara, acho que chegamos bem mais cedo do que era previsto, não? – A voz de Itachi lhe trouxe de volta.
– Não só em data, mas também na hora. Faz só dois dias que saímos da sede e ainda não chegamos às sete da manhã. – Falou olhando pro céu.
– Droga, teremos que acordar Pain, o que o deixa de mau humor. Melhor entrar na casa e esperar que ele acord... – Não pode terminar sua fala.
– KATSU – Os dois pássaros explodiram fazendo muito barulho. Itachi suspirou pesado.
– Por que fez isso? Agora sim, teremos uma manhã ótima, teremos sorte se ele não nos mandar servir de sacrifício nos rituais do Hidan.
– Quantas vezes vou ter que repetir, un? A arte é um estouro. – Falou como se estivesse magoado pelo parceiro não o entender – E agente ia ter que acordar ele de qualquer forma, un.
Itachi tinha argumentos pra continuar a discussão, mas escolheu deixar por aquilo mesmo. As meninas riam do argumento de Deidara. Ino ainda ria quando resolveu dar voz às suas dúvidas.
– Escuta, é só isso mesmo? Eu achei que a sede fosse rodeada de jutsus e armadilhas e tals. Mas estamos simplesmente entrando aqui como se fosse um pub.
– O nosso sistema de segurança é bem básico e eficiente, a Akatsuki possui dois radares de chakra mega potentes, um deles se chama Kona braço direito de Pain e o outro é o Itachi, o sistema é simples quando um dos dois sai o outro deve ficar e qualquer chakra desconhecido é atacado, vocês não foram porque estão conosco – Explicou de forma simples assim e entraram na casa e depararam-se com Tobi.
O Uchiha estava dormindo escorado na mesa ao lado de uma garrafa vazia de uísque, que provavelmente, pertencia ao Kisame. A habitual máscara também estava de lado em um dos cantos da mesa, devia ter sido tirada para o moreno beber e ele apagado antes de colocá-la novamente. E pelo visto ele estava realmente apagado, pois nem a explosão de Deidara foi capaz de acordá-lo
– Não sabia que o Tobi bebia desse jeito, está tão podre que não acordou nem com a explosão, un. Olha ele está sem máscara, sempre quis ver a cara dele, deve ser horroroso, un. – Disse fazendo menção de se aproximar, mas foi interrompido.
– Não. – Foi uma ordem do Uchiha – Tobi? – Chamou Itachi de forma levemente preocupada.
O que era incompreensível para Deidara. Itachi não se preocupava com ninguém, exceto o idiota do Tobi.
– Leve-me até ele, Sakura. – Pediu e assim foi feito.
Itachi sabia da verdadeira identidade de Tobi e por isso, diferente dos outros membros da organização, sempre tratou aquele homem com respeito. Depois com e tempo, a amizade com a Konan ficou forte e ele se mostrou para ela também, até aquela noite que por impulso, se mostrou para Pain. Afora eles, ninguém mais o conhecia.
Madara foi quem mandou Nagato formar a organização e o ruivo conhecia a face do Uchiha, mas nunca havia visto Tobi sem máscara. Depois de encontrar e convencer o portador do Rinnegan a reunir os ninjas que formariam a Akatsuki, Madara deu apenas uma última ordem para Nagato, que era aceitar um recruta em especial na ordem sem questionamentos.
O recruta era Tobi. Aquela era a única vida que conhecia, mas todos acreditavam que ele havia morrido. Não podia simplesmente dar as caras por aí. Era perfeito.
Mas a última conversa que teve com o atual verdadeiro líder, lhe trouxe muitas memórias a tona, coisas que aquele homem, surrado pela experiência de suas lembranças mais obscuras, não estava preparado para relembrar. Ele não foi forte suficiente e caiu com tudo na bebida. No fim até se sentiu um pouco melhor quando lembrou que sua amiga, quase uma filha, finalmente teria o que queria e ela provavelmente viria lhe contar a novidade na manhã seguinte, feliz.
Há quanto tempo ele não dava um sorriso verdadeiro, ele não era capaz de lembrar pois há muito tempo não se sentia feliz. Vivia bem, tranquilo e até mesmo satisfeito, mas não se sentia pleno, muito menos feliz.
– Tobi... – Itachi chamou daquele jeito de quem é autista por opção dele. – Tooobiii – Ele sacudiu seu sensei.
– Hum – O moreno caolho olhou para quem o acordara. – Ai minha cabeça. O que foi que eu fiz? Ah, sim, lembrei. Mas que...Itachi?
– Desde quando bebe desse jeito e apaga sem máscara – frisou o detalhe – na mesa da sala?
– Kuso! – Praguejou e passou a mão na máscara, não se lembrava de quando tinha a tirado completamente, apenas tinha a movido para poder beber.
– Tobi foi um mau garoto. – Falou calmo – Pegou o Passaport do Kisame, ele vai ficar puto com você.
Tobi ia responder, mas reparou em algo estranho quando procurou encarar o outro Uchiha. De forma séria, deu uma ordem clara ao amado aluno:
-– Olhe para mim, Itachi. – A resposta do moreno foi o simples ato de fechar os olhos e baixar a cabeça lentamente. – Não adianta nada te dizer que avisei, né?
Sakura que havia levado Itachi até ali pode ouvir tudo o que era dito entre os dois. A forma como o Uchiha falava com aquele homem era interessante, havia respeito entre os dois. Um respeito que parecia não existir em Deidara pelo moreno mais velho e nem em Itachi para os demais membros, inclusive Deidara.
Mas o último comentário do mascarado a surpreendeu, a partir dele a rosada pode perceber que aquele não era um problema recente. Mais do que isso, o Uchiha havia sido alertado quanto ao problema que poderia enfrentar.
Os outros dois que estavam mais distantes não podiam ouvir nada, pois eles falavam baixo, o tom típico dos Uchihas. Itachi simplesmente não respondeu ao comentário do outro.
– Voltou cedo. Aproveite, acredito que Pain esteja de bom humor. – Disse sem mais explicações. Levantou e foi para seu quarto sem olhar para ninguém ali.
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– O que foi isso? – Perguntou o ruivo à Konan quando a alta explosão o fez acordar de forma sobressaltada.
– Acalme-se, acredito que Deidara e Itachi voltaram. Acho melhor levantar. – Sorriu para ele – É cedo para dizer, ainda não estão dentro da casa, mas parece que as duas estão com eles. O que foi? – Perguntou ao ver o rosto divertido dele, parecia que havia escutado nada do que dissera.
– Bom dia! – Disse feliz, encarando a mulher que amava e agora não tinha medo de deixar isso transparecer por seu olhar. Ela sorriu
– Bom dia.
Vestiram- se, fizeram a higiene matinal e Pain foi para seu escritório enquanto Konan foi receber os ninjas. Passou por Tobi no caminho, sorriu e desejou bom dia. Encontrou quem procurava na sala.
– Bom dia. – Disse em tom doce, mas era visível para as novas recrutas que estavam diante de alguém que deveriam obedecer. – Sou Konan, estávamos esperando por vocês – Falou para as garotas – Mas confesso que não achava que seria tão cedo – terminou falando para os garotos – Pain-sama aguarda todos vocês na sala dele.
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Ao chegarem à sala de Pain, Konan foi se sentar na janela e passou a se dedicar a um pedacinho de papel. Sakura conduziu Itachi para uma das cadeiras de frente para Pain e Deidara deixou a outra para Ino sentar. Pain olhou para Itachi de olhos fechados e lançou um olhar do tipo, expliquem-se, para os outros.
– Nós seguimos para vila onde as Kunoichis estavam, mas encontramos alguns "afetos" de Itachi, eram cinco contra dois, estávamos nos dando bem até Itachi ter perdido completamente a visão de uma hora para outra. Quando consegui chegar onde ele estava, os encontrei conversando – Deidara narrou apontando para Sakura e Itachi – Estavam em posição de luta, mas minhas ordens era de não atacar as garotas então fiquei olhando, se ela atacasse realmente Itachi eu atacaria, o que não foi preciso – Falou ligeiro – Eles conversaram, se entenderam e parece que chegaram a um acordo.
– Elas aceitaram vir até aqui por vontade própria, Sakura irá me curar e pretendem se unir a Akatsuki. – Falou Itachi no tom típico – Mas, com a condição de serem treinadas por mim e Deidara. – O líder se jogou para trás na cadeira.
– Duas kunoichis de Konoha – Disse o líder autoritário – Treinadas por Tsunade, jovens e com futuro promissor, tinham tudo para ter uma vida tranquila em Konoha, por que fugiram e aceitaram vir até aqui?
Sakura ia responder, mas Ino foi mais depressa:
– De repente porque não queremos vidas tranquilas. – Foi só o que revelou.
Num tom que aqueles homens não esperavam, pois não condizia com sua beleza angelical. Sakura ficou orgulhosa da amiga, já havia se acostumado com a nova Ino, mas desde que encontraram os Akatsukis ela estava muito calada, o que não tinha ver nada a ver com a loirinha.
– Esta loirinha é um estouro afinal, un – Deidara disse com os olhos brilhando, mas é claro que apenas o ruivo viu isso e acreditou ser apenas mais um traço da personalidade do terrorista..
– Sabem o que essa organização exige? Nós matamos. Além do mais, sabem o que iremos enfrentar quando sua Hokage descobrir que estão aqui? Vão mandar os melhores de Konoha atrás das traidoras, isso vai dar trabalho.
– Nós sabemos matar, inclusive, eu já matei um dos seus. – Disse Sakura. – Quanto à outra parte, se vamos prestar serviço para a organização não vai demorar até que descubram nossa situação. – Disse tão cirurgicamente precisa quanto Ino.
– É, você já encontrou alguns de meus subordinados antes, temos um relatório completo sobre você, mas creio que nunca encontramos com sua amiga. Não sei nada sobre ela. – Olhou para Ino
– Yamanaka Ino. Eu também possuo alguma habilidade médica, o que é muito útil durante missões, mas não sou medi-nin. Meu clã tem o dom de invadir e controlar temporariamente a mente de seus inimigos, habilidade que assim como os medicinais, exige muito controle de chakra. Sou uma espiã e sou muito boa no que faço, por isso você nunca ouviu falar de mim, esse é o meu trabalho. – A voz foi a mesma de antes.
– Certo, é um bom jutsu, investigação. Haruno você está certa de que pode curá-lo?
– Creio que não preciso encher meu ego falando de minhas capacidades medicinais, se estavam dispostos a ir atrás de mim, sabem do que sou capaz. – O tom dessa mulher era assustador, os olhos mais ainda. – É claro que sim, porém, pode ser demorado e vai exigir muita dedicação e paciência do Itachi-san, não vai ser nada fácil – Finalizou.
– Ok, está decidido. Deidara, você irá treinar Ino para ser sua nova dupla, quero vocês dois em plena sintonia nas missões. Comecem o quanto antes, tenho algo em mente, mas preciso que conheçam completamente as habilidades um do outro.
– Hai, líder-sama. – O loiro respondeu com uma reverência.
– Itachi, ainda não sei com quem Sakura irá trabalhar aqui, mas estão livres para cumprir o acordo que fizeram. – Konan, temos apenas um quarto sobrando, leve as novas kunoichis até ele e providencie para que fiquem bem instaladas. Elas também precisam de uniformes, por favor. – Isso não foi uma ordem, foi um pedido.
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Saíram da sala de Pain, passaram pela sala de estar, Konan mostrou onde era a entrada da cozinha, um lavabo, entraram no corredor onde ficavam todos os quartos. Ela falou quem dormia em cada quarto que passavam, dando também uma breve descrição sobre a personalidade de seus donos até que chegaram ao fim do corredor.
– Este será o quarto de vocês duas, era meu até muito recentemente, ainda tem coisas minhas aí, mas logo estará pronto para vocês. – Falou do jeito dela, como sempre – Ah, já ia me esquecendo, esse quarto ao lado do de vocês é o de Pain-sama e na frente do dele fica o do Itachi-san, os quartos deles são os últimos porque apreciam o silêncio, seria prudente não fazer barulho por aqui.
– Hai. Konan-san, nenhum desses quartos aqui você disse ser de Deidara – Ino apontou.
– Ele costumava dormir nesse quarto aqui de frente pro de vocês, mas como disse é prudente fazer silêncio por aqui e isso é muito difícil pro Deidara. Ele ficava o tempo todo explodindo coisas, então o líder mandou que se retirasse, desde então ele dorme num galpão que fica ali nos fundos, reforçado pra aguentar a arte dele e não nos incomodar. O quarto agora é do Tobi.
– Mas e você Konan-san – Essa era a Sakura – Você apenas disse que esse era seu quarto, mas não disse onde dorme.
– Eu divido com Pain, ali. – Falou ela já meio alterada, ela já estava irritada com tanta pergunta inútil, ela não era uma boa anfitriã, ficar ali tirando as dúvidas delas era muito chato, queria voltar logo a seus afazeres.
– Ahh, entendo – Disse impressionada. – Então, Akatsukis também amam. – Tentou brincar, o que não foi bem recebido pela azulada.
– Bom, se não se importam, vamos conhecer o quarto de vocês, uma pode ir tomando banho enquanto a outra pode ir me ajudando a tirar minhas coisas dali.
Algumas horas depois elas já estavam de banho tomado, uniforme novo e quarto preparado para elas, até a cama elas tinham mudado a casal que tinha por duas de solteiro. Ino estava sentada segurando os joelhos em sua cama e Sakura estava no chão de frente para ela, com as costas escoradas em sua cama.
– Que dia hem – falou Ino – Isso aqui é tão diferente do que imaginava.
– Eu nem sei o que eu esperava disso aqui. – Respondeu meio confusa– Mas uma coisa é certa, me sinto como se estivesse em casa.
– Também, deve estar se achando a toda boa né testuda. – Sakura olhou para ela sem entender– Bom, pra começar eles estavam indo atrás de você, iriam até Konoha te raptar de verdade, se nós não tivéssemos fugido, aí depois toda aquela declaração de apelo do Itachi. Até eu senti pena dele.
– Eu adorei aquilo porquinha, ele disse exatamente o que eu queria ouvir. Mas nunca imaginaria que ouviria algo desse tipo, logo dele. Confesso que gostei muito de ver aquele homem tão poderoso completamente submisso.
– Sabia que você era maluca e possessiva, mas ainda não sabia desse teu lado sádico testa-san.
– Vai te catar, porca gorda. – Arremessou uma almofada na mesma. – O que você quer, hem, pensa que não vi como ficou na frente do Deidara-san, toda tímida, até parecia a Hinata na frente do baka do Naruto, só faltou gaguejar e ficar vermelha. – Disse até perder a voz para o riso.
– Ahhhh Sakura, não fala assim. Estou apaixonada. – Falou dramatizando com a mão no coração, também se perdendo para o riso.
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– Tsunade-sama, gomen nasai, nossa missão foi falha – Disse o líder do esquadrão ANBU – Seguimos qualquer rastro que elas poderiam ter deixado, após dias e dias sem nada ouvimos boatos de duas ninjas que estavam acampadas em uma vila muito pequena, ajudando os moradores, a descrição combinava com Haruno e Yamanaka, mas quando chegamos à dita vila encontramos apenas o acampamento abandonado. Os aldeões falaram coisas também sobre dois homens de capa preta com nuvens vermelhas e explosões. Sinto muito Hokage-sama, a informação é de terem ninjas mortos naquele dia, cinco, não tivemos informações quanto a identidades, os corpos foram incinerados.
– Akatsuki? Mortas? – Ela parecia não compreender. – Tem alguma informação sobre os Akatsukis?
– Era uma vila muito pobre e pequena, não possuem ninjas nem sabem nada a respeito da Akatsuki, mesmo assim, um dos aldeões disse ter visto a face dos ninjas.
– Podemos tentar encaixar nas identidades que conhecemos.
– Um dos homens tinha cabelos longos e louros, com uma franja encobrindo uma espécie de monóculo. E outro tinha cabelos longos também, mas negros como os olhos. Depois ele disse que seguiu de longe os homens, pode ver o loiro criar algum tipo de explosão, mas saiu correndo ao ver que o moreno matou um homem apenas olhando para ele. – Disse tudo muito frio e profissional – De acordo com nossos arquivos... – Ia terminar, mas foi interrompido pela Godaime.
– Sei de quem se tratam. Mas preciso da confirmação de que elas foram mortas.
– Hai, mas...
– Sem mais nada, encontrem-nas. Nem que seja para enterrá-las ou apenas gravar seus nomes no memorial. ANBU, isso é muito sigiloso e mais ninguém deve saber. Dispensado.
– Hai.
– Acredita mesmo que possam estar mortas? – Perguntou alguém que estava quietinho ao lado da mesa dela até agora.
– Não sei o que pensar. – Disse num suspiro.
– Tsunade.. Você sabe que a possibilidade delas terem sido raptadas é quase nula nesse momento, não?
– Ou elas foram mortas pelas mãos de dois Akatsukis, ou fugiram.– Suspirou – Mas, isso não faz sentido algum, hum.
– Até quando devo esconder isso do Naruto?
– Até termos respostas concretas Kakashi, até lá elas estão em missão sem tempo previsto para voltarem. – Mais um suspiro – Do contrario ele vai sair como louco por aí e isso é tudo o que não precisamos. Sua missão no momento será manter o Naruto ocupado o bastante, em missões, treinamento ou seja lá o que for, desde que ele não tenha tempo para perceber o que se passa.
