Capítulo nove: As ônix que brilham à luz de esmeraldas
Por Kami-chan
O semblante vazio de expressões do Uchiha em nada demonstrava o quão agradável era estar treinando com Sakura. A menina era boa, tinha que admitir, melhor do que era capaz de se lembrar.
Aquele tipo de atividade leve sem pressões era exatamente o tipo de coisa que lhe trazia um prazer ameno por viver. Como uma dança bem coreografada, mostrando o quanto dois parceiros podiam estar em sintonia.
Não estava dando o seu máximo, mas isto não era necessário. Não era uma luta de verdade em que sua vida estivesseestivesse jogo, e nem o tatame ridículo do dojo do clã onde tinha que se exibir. Na verdade, a liberdade em poder se concentrar em apenas acompanhá-la era o que mantinha o treino nostálgico, interessante.
Ela era boa, muito boa. E este era um pensamento que não saiu da mente em momento algum. Sakura estava em um alto nível de execução e isso era outro ponto que tornava aquilo interessante, pois podia interagir com a kunoichi de igual para igual sem que isso se tornasse entediante para si.
Ainda assim algo em si não estava certo. Alguma coisa naquela cena movimentada conseguia perceber com clareza que Sakura não era uma pessoa indefesa, mas ao mesmo tempo, não se sentia confortável em a atacar. Algo nela era capaz de tornar fixo o pensamento, fiel como um selamento, de que não deveria fazer nada além de seguir o ritmo dela se defendendo.
Agir contra ela em um ataque era um pensamento que não resultava em nenhum ato físico bem executado. Não queria machuca-la, mesmo sabendo que aquilo era um simples treinamento. Ele não estava usando toda sua habilidade e nem ela estava indefesa.
Se fossem inimigos e aquela fosse uma luta séria tudo bem, pois então o ataque seria sua defesa. Mas naquele momento não fazia sentido, o mantendo apenas usar de contra taques básicos e sem nenhuma dificuldade.
Não via nas mãos dela as armas de força bruta, capazes de abrir o solo e fazer rochedos desmoronar. Não via nos movimentos ágeis nada além de admiração e características que usaria em seu favor em um futuro próximo quando for sua vez de treiná-la.
Era assustador para si constatar que mesmo que estivessem em uma disputa real, não podia dizer com certeza se seria capaz de desferir contra Haruno todo seu potencial. Apenas uma pessoa tivera até então essa habilidade de fazê-lo pensar sem ser capaz de agir.
A rosada então correu a toda velocidade em sua direção para um novo ataque. Ele lançou centenas de shurikens na direção dela o que a fez pular e recuar para não ser atingida, era a vez dele de contra-atacar. Correu até ela e passou uma rasteira que fora desviada com facilidade dentro de um pulo, e então ela se preparou para socá-lo.
Comicamente ela quase estacou no meio do caminho ao observar que nada faria para desviar de seu ataque e tão simplesmente fechou os olhos. Sakura riu, não deu um soco nele, mas o fez cair de joelhos no chão.
Itachi abriu os olhos, mas logo tornou a fechá-los: Ela vinha em sua direção com o punho fechado envolto pelo chakra azul.
Em sua mente apenas a certeza gritante de que aquilo não seria uma experiência prazerosa ecoando na certeza humilhante de que reagir e machuca-la no processo era uma opção fora de cogitação.
Sakura não tinha a menor intenção de finalizar o golpe de acordo com o encenado até ali. Com todo aquele chakra concentrado e o alvo parado, certamente o mataria. Mas de certo modo estava gostando daquilo, uma brincadeira amadora disfarçada de treino físico. Não entendia o porquê do melhor em sua categoria não querer lutar de verdade consigo.
De frente para ele o puxou pela gola da capa, o viu franzir o cenho a espera do murro contra o seu rosto e isso fez seu sorriso se alargar ainda mais. De maneira delicada se inclinou e depositou um beijo na testa do moreno, sorrindo ao ver reações expressas no rosto geralmente, inexpressivo.
Surpreso, o Uchiha abriu os olhos. A kunoichi de cabelos cor de rosa se mantinha parada na mesma posição do "ataque", inclinada, o encarando.
– Um amuleto pra te dar sorte! – Caçou com o dito popular do ato tradicional, antes de se posicionar novamente para a luta. – Quem sabe assim você começa a lutar de verdade, parece que está com medo de me ferir. Não me subestime, Itachi.
Voltaram à luta. Os movimentos ainda restritos de Itachi conseguindo a dificílima proeza de tirar o humor da Haruno. E aquilo que era prazeroso para ele se tornou extremamente chato para ela.
Treinar com a Ino era mais divertido. Pelo menos a amiga fazia ela sentir a adrenalina, pois sabia que a loira não gostava de perder nunca e por isso lutava pra machucar de verdade. Aquela brincadeira de criança a estava cansando tanto que a certo ponto resolveu se divertir à custa dele, aquela situação estava conseguindo a deixar irritada.
Foi até ele e tentou lhe dar um soco em cheio, que ele segurou. Era exatamente isso que ela esperava que ele fizesse. Sakura pulou para trás e ele lançou mais um ataque de shurikens que ela desviou cuidadosamente, deixando-se ferir por oito adagas em pontos estratégicos e não vitais. Propositalmente, caiu de joelhos e largou as mãos no chão a sua frente.
– Ahh – Gritou fazendo um "auê" quase teatral demais.
Descrente sobre o que tinha acontecido, Itachi correu até a rosada para ampará-la. Tirou kunais uma a uma de seu corpo, sentindo uma grande raiva por ela não ter conseguido se livrar de um ataque tão bobo ao ver as grossas manchas de sangue que fluíram do ponto onde cada uma das lâminas acertou.
– Como não desviou disso? Foi um ataque muito simples. – Explodiu em palavras que fizeram a rosada se segurar para não fazer nenhuma carranca de desgosto.
– Mas que sangue todo é esse? Eu não posso ter atingido nenhum ponto vital. – Disse ao abrir a capa negra para poder observar melhor seus ferimentos. – Sakura me diz o que eu faço.
– Não tem o que fazer... – Choramingou ainda estrelando seu drama pessoal.
– Eu tenho certeza que não atingi nenhum ponto vital! – Retrucou, analisando mais uma vez as fontes de sangramento, não havia motivo para as feridas abertas não parar de sangrar.
– Não há nada que você possa fazer por mim agora, olhe. – Disse levantando a frente única que usava.
Todas as armas dele que haviam a atingido tinham perfurado seu abdome. Mas quando ele olhou, as feridas estavam se fechando sozinhas. Todas seguindo obedientemente uma linha azul brilhante bem fininha.
– Porque não há o que ser feito! – Concluiu dando de ombros, abandonando o tom dramático.
Terminou de se curar e passou a mão sobre o abdome bem trabalhado, agora coberto por sangue seco, mas nenhum machucado ou cicatriz. A compreensão da brincadeira o atingindo de forma nem um pouco positiva.
Itachi se levantou em silêncio. Aquele tipo de atitude infantil era o que mais o irritava, tornava sua personalidade mais insuportável a tona. Um ato de dois minutos, que lavou toda a boa sensação de um treino agradável.
Não esperava tamanha infantilidade da Haruno que vinha dividindo momentos agráveis consigo durante os últimos dois meses. Se ela não estava levando o treinamento básico a sério, problema dela. Mas tirar com a sua cara e com a forma como ele se preocupava era inadmissível.
Entrou na sede com uma cara muito feia. E mesmo que kunoichi não tenha visto o olhar puro de raiva, ela já sabia ler os silêncios, olhares e energia de Itachi com facilidade para perceber o que tinha feito. Tinha conseguido transpassar o curto limite da paciência social do Uchiha e resolveu ir logo atrás dele deixando sua capa suja de sangue para trás.
– Hey Itachi! – Chamou por seu nome logo na entrada da casa.
Ele já estava na porta. Mas apenas a ignorou.
– Me desculpe! – Continuou mesmo sem obter uma resposta, assim que alcançou a porta.
Novamente apenas o silêncio foi sua resposta. E sem lhe dar atenção ele alcançou a sala.
– Foi só uma brincadeira! – Prosseguiu o seguindo pela sala.
Ele parecia nem a perceber enquanto percorria o longo corredor. O silêncio apesar de esperado, já abalando a paciência da própria rosada.
– Itachi... – Chamou alto mais uma vez, em vão, quando também já estava no corredor.
Sem dar a menor atenção à menina o Uchiha já quase chegava em seu quarto. Em completo e irritante silêncio.
– Tá bom, foi mal. – Tentou uma nova abordagem na metade do corredor.
Mas ainda assim, sem sucesso. Viu o moreno entrando no quarto e fechando a porta.
– Eu sei que exagerei. – Fez ainda uma última tentativa impedindo como pé que ele fechasse a porta e invadindo seu quarto.
– Saia. – Finalmente falou, a ignorando em seguida indo em direção ao banheiro e fechando a porta atrás de si.
– Não sem antes falar com você. – E a forma como estava sendo ignorada estava a deixando maluca e acabou, impensadamente, derrubando a porta.
– Eu ia tomar um banho. – Reclamou para si mesmo antes de deixar um longo suspiro abandonar seus lábios e se voltar para encarar Sakura. – Você é irritante e abusada, saia daqui agora. – Jogou a capa que estava tirando no chão e se sentou na borda da banheira, crendo que teria seu desejo respeitado.
– Gomen nasai pela brincadeira eu.. – Ela recomeçou indo na direção dele sem dar a menor importância para suas reclamações.
– Treinos não são brincadeiras. Se é este o seu pensamento, pode esquecer de treinar comigo.
– KUSO! – Gritou no limite de sua raiva. Eu fui treinada por Hatake Kakashi, que assim como você é um prodígio e ele sempre me subestimou. Depois fui treinada pela sannin lendária das lesmas, hime Senju Tsunade. Ultrapassei as capacidades dela e ainda assim me subestimaram. Então me enchi e fugi, vim até aqui para ser treinada pelo grande Uchiha Itachi, que ficou me dando rasteiras e arremessando kunais como se eu tivesse onze anos de idade. – Desabafou, conseguindo por fim toda a atenção do moreno Uchiha. – Não me subestime, Itachi! – Avisou em um timbre forte e sem dúvidas.
Após o desabafo foi a vez da rosada de não querer companhia. Disse o que tinha que dizer e lhe deu as costas, mas foi surpreendida pela visão do moreno que surgiu em sua frente exatamente no momento em que iria atravessar a porta arrombada. E mesmo que ela não aparentasse querer sair correndo, ele preferiu acomodar as mãos em seus ombros.
– Eu não te subestimo, se o fizesse não confiaria meu corpo à você. – Iniciou se referindo a forma como não duvidou da capacidade dela para curá-lo nem mesmo uma vez. Eu apenas não consigo me imaginar te dando um soco na cara, a franqueza é minha e não sua.
A surpresa das palavras ditas por Itachi a atingindo mais do que a aparição repentina do mesmo em sua frente. As palavras demoraram alguns segundos para penetrar em sua cabeça e fazer sentido, a compreensão relaxando seus ombros instintivamente.
– Não use o dia de hoje como base para o seu treinamento. Não usei ninjutsu nem genjutsu, só fizemos coisas que já domina. – Advertiu.
– Você é abusado e convencido. E consegue ficar ainda mais irritante quanto fala. – Reclamou, achando graça internamente por gostar tanto de características tão odiáveis.
Havia algo em Itachi que fazia a qualquer chateação ser passageira, e a admiração duradoura. Quando ele se dispunha a conversar como uma pessoa normal, o assunto entre os dois era muito interessante, mas nada soou tão interessante para a Haruno quanto a declaração boba por trás do motivo pelo qual ele não tinha pegado mais pesado no treino.
Passar dias sozinha com ele naquele lugar talvez não estivesse fazendo tão bem para si. Uma declaração sem sentido fazia com que as reações em seu corpo fossem iguais ao dia em que ele a viu com clareza pela primeira e vez e seus olhos se cruzaram por longos segundos. Também fazia com que sua mente lhe pregasse peças sacanas, como achar que os olhos frios de Itachi estivessem expondo algum brilho especial.
– Está reclamando antes de o treinamento começar. Acho que você não vai suportar quando eu começar a te irritar o dia todo, ensinando para você tudo.
Foi o que ele disse após a acusação, mas naquele momento ela já estava concentrada demais no evento raro que via surgir nos opacos. Incerta sobre decidir se aquele brilho bonito era de verdade ou apenas uma peça confusa causada por sua cabeça.
O rosto em movimento durante a fala a impedindo de ter certeza. Em um ato inesperado a rosada levou a ponta de seus dedos até a face de moreno, tocando a pele logo abaixo da linha inferior de um dos olhos.
– Hey não se mexa. Pediu, mirando seus olhos por vários ângulos em busca de algo ali dentro. – Isso faz parte do doujutsu?
– Hn? – Itachi a olhou de volta confuso, estudando a curiosidade exposta da Haruno.
– Desde quando olhos Uchihas brilham? Eu nunca tinha visto assim, é como um belo par de ônix reluzentes. – De forma despreocupada, fixa em seus olhos como uma criança curiosa.
Aquela faceta tão pura e inocente de Sakura ainda não tinha lhe sido mostrada. Deixava claro que por mais forte que a menina tivesse se tornado, não deixava de ser uma menina encantada.
– É reflexo da luz. – Afirmou deixando-se examinar os olhos dela também, curioso para ver até onde ia aquela leveza jovial que Sakura estava permitindo transparecer.
– Não é não! – Discordou como quem o desafiasse a algo, o empurrando até que as pernas de Itachi batessem contra a louça da banheira e se sentasse na borda da mesma.
Somente daquela forma ele fiaria mais baixo que si. A Haruno se parou na frente do Uchiha como uma criança que tenta colocar a mão na panela quente apenas para ir contra o aviso de se manter longe dado pela mãe. Sorrindo ao constatar que mesmo com o bloqueio físico, seus olhos ainda luziam como duas gemas semipreciosas.
– Não mesmo, eu estou na frente da luz e eles continuam brilhando.
– É sim! Enquanto eu tiver luz que emana de você, eles provavelmente continuarão brilhando. – Concluiu inserto se deveria mesmo ter dito algo daquele espectro, ou não.
Mas era a mais pura verdade. A alegria da ninja iluminada irradiava até mesmo a escuridão em que ele tinha se escondido. Sakura não soube o que responder e sem deixar de olhar para ele encostou seus lábios nos de Itachi, dando início a um beijo morno, leve, calmo e paciente assim como o moreno que beijava.
Ele se levantou e com as mãos em sua cintura a guiou. Com toda calma do mundo deram passos no escuro até ela ser impedida pela parede de continuar.
Ele quis aprofundar o beijo e ela permitiu, mas quando as mãos dele passaram por sua barriga para chegar aos seios, ela se lembrou quão sujos e suados o dois estavam e ela ainda estava lavada em sangue devido a brincadeirinha. Interrompeu o beijo.
E foi somente na ausência de seus braços que sentiu como o homem que se esforçava para aparentar ser frio, era quente. Apenas depois de experimentar o seu gosto que percebeu o quanto desejava aquele contato tão íntimo. Somente após uma amostra breve do moreno Uchiha foi que percebeu que estava diante de um sentimento realmente grande e perigoso, estava mesmo apaixonada e temia muito isso.
– Hn?
– Vamos ter tempo pra isso mais tarde, agora tudo que eu quero é um banho.
Ele concordou com a cabeça, ainda assim deu mais um selinho nela, que gerou outro e outro e outro e já estavam se beijando novamente. Desfrutando de um prazer que ambos tentavam omitir desejar.
Deixando-se levar, Itachi a pegou no colo, erguendo a fina cintura até que a rosada cercasse seu corpo com as pernas e a levou para o quarto que era dela. Ainda presos em um beijo, passou pela porta que ela tinha deixado aberta e se encaminhou para o corredor, abriu a porta em questão e colocou sobre cama.
Só então afastou sua face encerrando o beijo que dividiam para deixá-la ali e tomar o banho que ela tanto queria. Entretanto o moreno foi impedido de se afastar pelas pernas que o prendiam.
– Você não disse que queria um banho? – Ela fez que sim com a cabeça.
– Preciso soltar você pra isso?
– Não me tente. – Avisou, assistindo com certa decepção a flor de Konoha lhe soltar.
Itachi a seguiu com os olhos até ela fechar a porta do banheiro, então se deitou de barriga pra cima e suspirou levando as mãos no rosto, o dia iria ser longo. Não tinha planejado nada daquilo, pelo menos não assim tão rápido, mas no fim os impulsos os levaram ao caminho inevitável.
Mesmo antes de voltar a enxergar já tinha percebido que o sentimento que tinha pela kunoichi era correspondido, apenas era barrado pelo constante sentimento de que amar era perigoso e algo não merecido por si. Assassinos não tem o direito de serem amados daquela forma.
Levantou-se e seguiu para o seu próprio banheiro. Começou a tirar a roupa enquanto a banheira ainda enchia, pensando em como era original os lábios dela terem o aroma adocicado de cereja. Ainda podia sentir seu gosto.
A pele era macia apesar dos músculos rígidos, trazendo mais uma vez à sua memória as belas curvas de seu corpo. Havia tantos caminhos para seguir por aquelas pernas. Lembrou-se dela em seu kimono, tanta perfeição esculpida em um só corpo.
Ele se sentia diferente depois de tê-la beijado. Era algo estranho que ele nunca tinha sentido, sentia-se aquecido, preenchido, sentia-se.. completo perto dela.
De repente todas as lembranças ruins que tinha sumiam quando estava perto dela. Talvez porque ela era a única coisa em que pensava quando estavam juntos. Quando estava perto dela não pensava no passado, mas no futuro, que se tornaria presente dia após dia ao lado dela.
Não sabia lidar muito bem com isso, não saberia com que cara olharia para ela para dizer todas as coisas que sentia. Ou simplesmente dizer-lhe que sentia alguma coisa. Sakura foi a única luz capaz de penetrar em sua escuridão, foi a luz que o guiou e o fez reencontrar alguma luz própria.
Desejava em seu íntimo que ela entendesse como aquelas palavras ditas anteriormente no banheiro lhe foram difíceis. E apesar poucas, eram cheias de significados para ele.
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Ela já estava a algum tempo de olhos fechados na banheira, relaxando enquanto tentava saborear o pouco do gosto que ainda impregnava sua boca e mantinha viva as sensações que seu beijo lhe proporcionava. Poderia ficar ali por muito tempo, mas o aroma cheiroso de algo saboroso lhe invadiu as narinas.
Imediatamente ela se levantou, secou e vestiu um kimono curto e simples, vermelho com detalhes brancos. Estabeleceu por conta que se estavam apenas os dois ali, não tinha motivo que a obrigasse a usar o manto negro da organização; quente demais.
Na cozinha, algo assava dentro do forno de pedra. Do outro lado da peça Itachi terminava de limpar a bagunça feita no preparo da refeição fazendo a rosada rir com o pensamento de que ele era mais organizado do um instrumentador cirúrgico cm relação aos utensílios de cozinha.
– O que se passa aqui?
– Hn.. jantar.
– E desde quando você cozinha?
– Desde que tive que começar a me virar sozinho. – Respondeu dando de ombros.
– E por que só meu nome, o da Konan, o do Deidara e o do Kisame constam no rodízio do fogão? – Ela cruzou os braços, ele claramente fazia aquela atividade bem demais.
– Eu não vou cozinhar para aqueles marmanjos! – Disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, sem lhe dar muita atenção enquanto lavava algumas louças.
– Então o que está dentro do forno é para você.
– Iie. Pra você eu abro uma exceção e ponho a mão na massa, mas não se acostume. – Respondeu com certo humor, surpreendendo até a si mesmo.
Curiosa, Sakura não hesitou em ir até o forno para espiar o que seria o "para você eu abro uma exceção" dito por ele com tanta segurança e humor. Uchiha Itachi, um prodígio, gênio de seu clã, um shinobi perfeito, uma arma letal. Um moreno de beleza gloriosa, envolto em um ar de mistério, com um beijo de fazer explodir os dois pulmões e um cozinheiro de pratos cheirosos e borbulhantes.
Educado, atencioso e organizado. Em que mundo foi que um dia aquele homem foi julgado como um inimigo? Ele é perfeito.
– Se isso estiver tão bom quanto aparenta você corre um grande risco, sabia. – Disso o observando secar alguma das louças que já tinha lavado, caminhou até perto dele.
– O que foi? – Perguntou se referindo à forma como era observado.
– Estou esperando você terminar de secar esse prato.
– Hn – Confuso, largou o prato e não viu mais nada.
Assim que ele largou a louça, Sakura o puxou pelo braço o deixando de frente para ela e, na ponta dos pés, o beijou. Ele largou o pano que estava usando para secar a louça e cercou o corpo pequeno enquanto dividiam o novo beijo.
Não demorou até que ele começasse a explorar o corpo que se acomodou facilmente contra o seu e suas mãos. E desta vez ela não o pararia, queria mesmo testar até onde ia o limite do controle daquele homem tão centrado.
No entanto, ao sentir as mãos dele passeando livremente por seu corpo, causando-lhe arrepios até mesmo em lugares que ela nem imaginava que pudessem lhe provocar tal sensação, chegou a conclusão inevitável de que nunca descobriria até onde ia o controle de Itachi, pois era claro que o dela os abandonaria muito antes.
Sentiu-o deslizar com toda calma do mundo uma mão pela lateral de seu tronco, passar pelos seios, pelo pescoço, ir em direção da nuca, pelos cabelos, pela face, pelo pescoço novamente, indo em direção às costas e descendo por todo dorso. Parou finalmente em cima da faixa de seu kimono, tudo enquanto a outra mão pousava tranquilamente sobre uma de suas nádegas.
Quando a mão dele parou o puxou mais para si espremendo seus corpos, permitiu que seu kimono fosse aberto, mas antes que ele começasse a lhe alisar novamente, imitou-o e o livrou da parte de cima do kimono que ele usava. Para surpresa dela, ele não voltou com as carícias. Itachi a pegou no colo e a colocou sobre da pia, deixando seus braços estendidos ao lado do corpo dela.
Não pararam de se beijar nenhum minuto se quer. O gesto que dividiam era calmo, o que os permitia respirar ao mesmo tempo.
Uma vez naquela posição, as mãos do Uchiha ficaram imóveis sobre o tampo da pia. Esta atitude fez Sakura interpretar o recado por trás daquilo que lhe cedia o controle para o próximo passo.
A rosada passou um de seus braços em torno da cintura dele, fazendo-o se aproximar mais de si, então usou suas pernas para enlaçar o corpo que estava diante do seu, fazendo com ele ficasse imóvel. O braço que estava sobre a cintura dele afrouxou o aperto em seu corpo uma vez que ele estava muito bem preso a si.
Passou a mão pelas costas dele deixando que suas unhas o arranhassem com leveza, sentindo prazer ao notar o corpo de Itachi arrepiar. Incerta se seu prazer vinha da reação obtida, ou por de quem estava a obtendo. Mas este era um ponto que não lhe parecia importante no momento.
Os longos cabelos do moreno foram soltos e os dedos finos mergulharam com ânsia entre as mechas largas até tocarem sua nuca. Em um único movimento, que não foi brusco nem doloroso, puxou os cabelos dele fazendo com que parasse o beijo e erguesse a cabeça, deixando a pele de seu pescoço à sua disposição.
Passou a distribuir beijos, mordidas e chupões, deixando pequenos hematomas por onde passava, sem o soltar. Ele manteve os olhos serrados e se permitiu pronunciar algumas lamúrias e resmungos de prazer.
Itachi sentia o calor úmido da boca dela por onde passava. Tentou em vão se mexer, mas as pernas dela em sua cintura e a mão entrelaçada em seu cabelo não permitiam. Tudo o que ele desejava fazer com o corpo da rosada se limitou em um ato concentrado de aperto contra a pele que lhe parecia delicada demais para marcar. Não havia como negar que isto era algo que fazia parte da personalidade forte dela que ele gostava.
Não importa onde ou o que, mas ela sempre gostava de ditar as ordens e nesta situação, ele gostava de seguir as ordens dela. Ela ouviu os pronunciamentos de prazer de Itachi, podia senti-lo arranhando suas costas ou tentar se mover inutilmente entre suas penas. Cada reação dele em especial lhe ascendendo o prazer como se fosse de igual para igual.
Apesar de estar longe da lucidez que aparentava, deu-se por satisfeita, pois havia encontrado o limite de seu controle. Havia descoberto o seu ponto fraco e faria o caminho de volta à boca dele, mas antes passou pela orelha e voltou dando mordidinhas em sua mandíbula.
Os cabelos de Itachi foram soltos e seus olhos se encontraram antes do alvo final ser alcançado. Os olhos dele estavam turvos, e esta foi a última visão que teve antes de se perder pela inconsciência insensata de um novo beijo.
Ele sentiu as pernas dela se desprenderem de sua cintura, era a vez dele. Levou as mãos aos ombros dela e finalmente fez com que o kimono já aberto caísse, continuou o caminho passando as mãos pelos braços de Sakura. Quando chegou às mãos, passou para as coxas e a pegou no colo novamente.
O tecido fino da peça de roupa foi deixado para trás quando ele a ergueu e levou a garota nua até a mesa e a deitou sobre a mesma Sucumbiu ao desejo de tocá-la mais uma vez e quando terminou entrelaçou suas mãos nas dela, a prendendo. Parou de beijá-la com um selinho, e seguiu dando beijos por sua bochecha, desceu distribuindo-os por toda extremidade do pescoço, seguindo pelo ombro até descer ao alcance de um de seus seios.
Brincou com eles dando beijos, mordidas e "lambidinhas". Depois escolheu um de modo aleatório e o abocanhou o quanto podia em uma chupada que a fez grunhir de prazer. Rapidamente os evoluindo para gemidos quentes em resposta ao carinho dos lábios usurpadores que não hesitaram em focar toda a sua atenção ao ponto sensível de seu mamilo. Minutos depois deu a mesma atenção ao outro seio.
Continuou seu caminho pela barriga dela, deixando um beijo no umbigo quando passou por lá. Levantou o olhar para encará-la, mas ela estava com os olhos fechados tentando inutilmente reprimir os gemidos de prazer.
Ao sentir que ele tinha parado, Sakura abriu os olhos e viu um riso malicioso se formar na face dele. Tentou se soltar das mãos que a prendiam, mas toda força dela parecia ter sumido. Uma parte de sua consciência lhe dizia que a falta quase era intencional. Talvez não quisesse se desprender dali.
Ele tornou a beijar sua barriga e ela se rendeu da tentativa de soltar as mãos dele. Soltou um gemido que foi quase um grito quando sentiu o calor da boca de Itachi lhe massageando sua parte mais íntima, misturando a umidade de seu sexo com o de sua saliva.
Ele passou a língua pelo clitóris em movimentos circulares, calmo e sem pressa alguma. A paciência colocada na ação fazendo seus gemidos serem insuficientes e a rosada pedir por mais verbalmente.
Seu corpo se curvava fora de seu controle, a paciência que ele tinha a estava deixando maluca. Ergueu seus braços com força trazendo ele para cima de si. Itachi a soltou e se afastou para tirar o resto da roupa enquanto ela ficou de espectadora, apenas admirando o espetáculo simples.
A perfeição escondida por trás dos panos em excesso que Itachi costumava usar, revelando o corpo definido que não imaginava do shinobi mais adepto às meditações do que treinos de força física. Queria poder memorizar cada traço de cada músculo equilibradamente distribuído por seu corpo.
Ele se aproximou novamente, mas ela o parou com o pé em seu abdome. Com destreza e delicadeza tocou em seu pé e começou a distribuir beijos por ele, subindo por toda extremidade da perna.
Sem mais delongas colocou-se entre as mesmas e a penetrou. A o ato íntimo fazendo com que a temperatura de sues corpos fossem divididas; um calor de textura morna que a preencheu por completo e o calor do corpo dela que o cobriu revelando um prazer ímpar por estar apto a entrar ali.
Itachi a ergueu pelo quadril e após o breve momento de deleite, deram início a uma dança de vários ritmos e sons. Eles não gemiam necessariamente, mas pronunciavam monossílabos arfados com muita intensidade.
No ápice de seu prazer ele deixou uma marca no pescoço dela que ficaria ali por alguns dias, como resposta ela cravou as unhas nas costas dele deixando marcas que também iriam ficar ali por alguns dias. Como marcas de um segredo compartilhado.
