Capítulo treze: Genjutsu

Por Kami-chan

O excesso de informações em sua cabeça a impediu de organizar os pensamentos em um primeiro momento. Afinal não haveria motivos para ela ir na frente sozinha, a menos que tivessem uma estratégia. E se houvesse estratégia, deveriam conversar sobre ela antes.

Sua mente estava focada somente no fato de que havia um intruso ali e era o seu dever expulsá-lo. Mais do que isto, o somar dos dias parada na sede a estavam deixando com energia demais acumulada e a adrenalina de saber que teria um oponente verdadeiro deixava seu corpo em um estado de excitação automático.

Estar ali era como uma autorização para dar o seu máximo sem se preocupar com consequências. No entanto na medida em que foi se aproximando da porta algumas coisas começaram a se organizar em seus pensamentos.

Primeiramente se o oponente estava mesmo no jardim, ela já deveria estar o sentindo. Segundo, ir sozinha. Ela queria ação, estava parada ali desde que chegara, mas, fosse lá quem estivesse do lado de fora, seria tudo resolvido mais rápido e facilmente se ele fosse resolver.

– Mas o que faz aqui? – Exclamou ao ver os contornos da pessoa que se encontrava de costas para si no jardim.

– Você. – Foi a única coisa dita antes que o visitante se virasse para encará-la.

– Não devia estar aqui. – Disse se aproximando.

– Não, não devia. Pois se estou é culpa tua! – Disse antes de começar a ataca-la, arremessando armas em Sakura.

– Mas o que... – Sakura apenas desviou do ataque, realmente sem entender o significado daquilo.

Usou o seu Tsuten kyaku e a terra sob seus pés se abriu em uma cratera entre ela e seu oponente. Precisava entender contra o que estava lutando antes de atacar.

– Não quero machucar você. – Advertiu a rosada com uma expressão de preocupação em seu rosto que foi desaparecendo na medida em que a risada maldosa do ser que estava do outro lado chegou em seus ouvidos.

– Acho engraçado você ainda ter esperança de um dia ser melhor do que eu em algo, Sakura. – A rosada arregalou os olhos, havia anos que não ouvia essa frase, marca registrada da antiga e dolorosa rivalidade entre ela e sua amiga. – Acha que é capaz de me ferir usando seus ataques tão simples?

Ino pulou a cratera, passando para o lado de terra onde estava a médica, e assim que pôs os pés no chão socou o mesmo com toda força. O chão tremeu e por fim abriu um buraco sob seus pés. A intenção não era ferir, apenas mostrar que tudo o que a outra fizesse, ela poderia acompanhar.

– Ino você deveria estar em missão. O que aconteceu? – Perguntou enquanto pulava para não sentir o tremor do golpe dela na terra.

– Aha como é sarcástica. – Desdenhou com maldade e correu para o ataque corpo a corpo.

–Ino, onde está Deidara, Pain e Konan? – Sakura continuou lhe fazendo perguntas.

A cena ante seus olhos estava começando a assustá-la. A amiga com certeza não estava normal, nem parecia a mesma pessoa.

– Não me interessa onde estão. Não me importo com esta organização, nem como missão e nem com você. – Ino gritou sem deixar de ataca-la.

O que era aquilo, Sakura estava começando a entender. Aquela não era Ino, quase podia dizer com certeza. Ainda não compreendia bem o motivo. Teria que entrar no jogo do oponente em sua frente, e assim o fez.

Atacou de maneira simples, porém eficiente. Após alguns minutos de luta ela teve a certeza que buscava: Aquela não era Ino.

Treinava com a loira quase todos os dias, aquele não era o estilo de luta dela. Sua mente trabalhou depressa, apenas a ordem sabia do paradeiro delas e quase toda ordem estava fora missão.

– Kuso! – Reclamou baixinho quando a resposta brilhou em sua cabeça, clara como o dia.

Sem se deixar desconcentrar de luta, um vídeo breve dos seus últimos momentos com Itachi passou diante de seus olhos. Agora tudo fazia sentido, desde ele querer que ela viesse sozinha até o comportamento errático da falsa Yamanaka.

"Acho que vais ter uma surpresa no jardim" Foi o que ele disse quando seguiu por reflexo o dedo dele que apontava a direção do jardim.

Uniu suas forças e passou a lutar com menos cuidado com a forma como poderia ferir aquele corpo. Em seu estilo diferenciado que unia taijutsu com técnicas ninjas e que era perfeito, "Ino" quase não conseguiu a acompanhar.

– SANARO! – Gritou quando todas as lembranças e informações encontraram um lugar estratégico em sua cabeça.

Sakura deu três socos no chão em lugares estratégicos diferentes. Seus gestos fizeram o solo tremer e se levantar como se fosse um tapete sendo sacudido. O oponente teve que se abaixar para não perder o equilíbrio.

Neste meio tempo viu Sakura correr em sua direção e sumir, reaparecendo logo em seguida a um palmo de distância de si. Suas mãos espalmadas e firmes que foram lançadas através de seu corpo como se fossem lâminas. Satisfeita, as passou desenhando um "X" no abdome de Ino.

– Shousen no jutsu. – Disse e se afastou.

Viu o corpo de Ino sucumbir e se romper onde tocara, sendo sugado de dentro pra fora. Penas de corvo saiam lentamente de seu corpo irreversivelmente ferido. Nem ela sabia que o efeito seria este em uma réplica.

– Você é um péssimo ator. – Disse em tom claro e alto, vendo o sorriso do moreno nos lábios de Ino.

Ainda assim o jutsu que ela havia usado havia sido congelado. O corpo de Ino parecia o de uma boneca de manequim quebrado, inerte enquanto se desfragmentava lentamente em penas negras.

Cada pena se transformando em metal antes de tocar o chão e voltando ao ar como uma kunai apontando para si. Uma a uma até que houvesse milhares de armas apontadas para si em uma armadilha em movimento.

– Perceber um genjutsu é apenas o primeiro passo. – Foram as palavras que saíram dos lábios imóveis de Ino antes que se desmanchasse também.

– Kai. – Usou o jutsu no momento exato em que a última pena virou uma kunai e ela seria atacada.

Sakura viu satisfeita, todas as armas sumirem no momento seguinte. Havia conseguido na primeira tentativa.

– Segundo passo: cancelar. – Ela disse ela presunçosa.

Itachi saiu de trás de uma árvore com uma katana. Pelo controle de chakra ela que tinha, não achou espetacular ela ter conseguido trancar o fluxo tão rapidamente. Agora era hora de ver como ela se saía com os ninjutsus.

Tentando sempre ficar apenas um passo a frente dela, Itachi observou a estratégia da Haruno para conseguir o separar de sua katana, quase como se fosse ela quem o estivesse forçando a usar ninjutsu e não o contrário. Usou um jutsu do elemento katon.

A rosada pulou alto e multiplicou-se. Três Sakuras o atacavam agora, mas ele acertou a verdadeira de primeira. O jutsu básico dela era facilmente decifrável para a vasta experiência dele.

A Haruno caiu e ele arremessou shurikens, ela desviou e lhe passou uma rasteira. Itachi não caiu, apenas passou a mão na katana que ela havia conseguido tirar de si anteriormente tirou. Sakura não viu de onde ele investiu contra ela, mas a lâmina a atravessou.

O grito de dor saiu profundo. Ótima médica, ótima em seu estilo único de taijutsu, péssima em ninjutsus de ataque; foi o que ele pensou.

Sentiu completamente a lâmina que lhe invadiu. Dor, muita dor. Estava em pânico, sabia que havia se apaixonado por um assassino, mas seu lado romântico teimava em acreditar que depois do que haviam passado até ali, ele não a machucaria.

Rompeu-se em lágrimas de dor física quando o viu se aproximar e segurar o cabo da espada com firmeza. Itachi movimentou a lâmina de forma que ela visse o metal sujo com seu sangue que saía continuamente de seu corpo.

Sentiu o chão afundar e achou que ia desmaiar, mas estava tendo seus pés presos sob a terra por ele. Seus olhos se arregalaram, ainda estava em um genjutsu.

Parte de si estava aliviada por saber que apesar de doloroso, aquilo não era real. E parte dela estava furiosa consigo mesma por não ter percebido, por ter se mostrado tão confiante ao se exibir com seu controle de chakra perfeito.

Ele havia pegado sua arrogância e usado contra ela. O Uchiha tinha a feito acreditar falsamente que tinha conseguido desfazer a ilusão.

O jutsu de bloqueio não funcionava com as ilusões de Itachi, ainda assim tentou novamente. Sem o jutsu apenas se concentrou em seu fluxo de chakra, parando e deixando fluir novamente após alguns segundos. Nada mudava.

Itachi estava se desfazendo em corvos em sua frente e cada pena de cada corvo se transformou em uma shuriken. Ela pressentiu o que viria a seguir, bem como quando fez a mesma coisa com a imagem de Ino.

A rosada fechou os olhos para tentar se concentrar de que aquilo era apenas um truque, seu treinamento com o Uchiha. Ouviu o barulho das armas girando rapidamente ao seu redor, elas haviam começado a lhe cortar. Se concentrou apenas em não gritar, sabia que esse era o poder do genjutsu; enlouquecer.

"Originalmente você se daria bem com genjutsu Sakura". Ouviu a voz de sua antiga mestra em sua cabeça, elas conversavam depois de um longo dia de treinamento.

– Acalme-se Sakura, concentre-se. – Sussurrou para si mesma.

"Faça de novo, Sakura. E faça direito desta vez". A voz de Tsunade gritava consigo em suas memórias por ela não conseguir fazer um selamento.

Sakura começou a se concentrar nas lembranças dos treinamentos com a Godaime. Ouvia as shurikens, sabia que elas estavam chocando-se contra seu corpo, mas não as sentia. Estava se acalmando, estava centrada. Naquele momento compreendeu porque o Uchiha passava tanto tempo em meditações.

"Você vai tentar fazer de novo sim, Sakura. É importante para uma médica nunca ficar sem chakra em uma batalha". A princesa das lesmas prosseguiu em sua cabeça sem demonstrar pena pelo esgotamento físico da aluna.

"Concentre-se como se sua vida dependesse disto e tente novamente, porque você não vai dormir nem comer enquanto não terminar". Tsunade a ameaçava. Naquele dia treinaram até Sakura desmaiar.

"Tá Sakura, eu desisto! Você tem mais chakra que eu, talvez nunca precise disso. Mas eu não entendo, você tem um controle perfeito de chakra, precisa de tão pouco pra ter sucesso.". A mestra a liberou do fracasso, estava decepcionada.

Sakura abriu os olhos. Via as armas que voavam em sua direção, mas não as sentia. Podia pensar com clareza, havia descoberto a resposta.

O truque apenas a prenderia enquanto houvesse chakra em si, por isso Kai não funcionava. Pois apensar de interromper o fluxo não eliminava a energia. Era muito parecido com que o Tsunade deixou passar como seu único fracasso no treinamento.

O verdadeiro Itachi estava escorado na porta de entrada da sede o tempo todo. Ficou um pouco decepcionado com a tentativa dela de sair de seu justo com o "Kai", mas valeu a pena tê-la forçado até ali.

Sakura finalmente acabara de atingir uma coisa fundamental para sair de um genjutsu, ficar calma. Ela parecia ter um novo plano e o moreno se desencostou da porta quando a viu fazer uma sequencia muito longa e difícil de selos. Não conhecia aquela sequencia, mas o corpo físico e estático dela estava sendo cercada uma luz alaranjada muito forte.

– Infuuin. – Ela gritou e forçou todo seu chakra para um lugar só, deixou apenas uma pequena porcentagem em estado normal, muito pouco, apenas o suficiente para reverter o selamento depois.

Marcas pretas se destacaram por sua face e sentiu a dor de todo chakra no único ponto entre seus olhos. Com o comando, todo seu chakra estava selado, não havia mais o que a mantivesse no genjutsu. Em seguida refez todos os selos.

– Infuuin: kai. – Gritou, e o chakra que havia sido selado agora fluía novamente por todo corpo de Sakura.

O cenário mudou. Ela viu Itachi na porta do prédio a observando, piscou duas vezes antes de sentir o corpo pesar e tudo ficar escuro. Acordou novamente na cama de Itachi sob a observação do mesmo. Ele estava sentado, segurando algo entre as mãos, guardando seu pouso.

Começou a falar calmo quando a viu despertar:

– Segundo passo: Esqueça o Kai, este jutsu não serve para nada contra um bom genjutsu. Terceiro passo: Acalme-se para pensar com clareza. Você foi muito bem para o primeiro dia de treinamento.

– Não podia pelo menos ter me avisado? – Começou com a voz pastosa de quem acabara de acordar.

– Queria ver até onde você chegaria. Parabéns, tirando o homem que foi meu sensei, você foi a primeira pessoa a conseguir cancelar minha técnica. Por outro lado, seus ninjutsus são deploráveis.

– Deploráveis? O título de gênio que recebi foi pela destreza com ninjutsus médicos. E também, não é muito fácil lutar contra você. – Disse sem entender como ele havia pegado a sua melhor qualidade e a desprezado em tal nível.

– Eu avisei que treinar comigo não seria fácil. Não vou pegar leve com você só porque... é você. – Completou a última parte no improviso.

– Não quero que pegue leve. – Sentou-se na cama também e se abraçou nele. – E se quer saber, acho que treinar com você não vai ser pior que treinar com Tsunade-hime.

– O selamento que usou é igual ao dela, não?

– Hai. Já devia tê-lo feito. – Levou a mão no pequeno selo em forma de losango desenhado na testa entre seus olhos. – O que é isso Itachi? – Apontou para uma caixinha preta muito simples que levava o símbolo dos Uchiha que ele tinha em mãos.

Ele abriu o recipiente e tirou de lá uma bela correntinha de ouro branco com um pingente trabalhado em diamante e rubi. Um belo, delicado e poderoso símbolo do clã Uchiha.

– Era da minha mãe. – Disse de forma simples, vestindo a joia nela.

– Mas isso é.. – Tentou começar de alguma forma, não era pela joia em si, mas pelo o que significava.

– É um agradecimento por trazer luz à minha vida. – Respondeu, finalizando o trabalho de fechar o fecho da corrente com um breve beijo.

– Então vai ser assim? – Perguntou quando separaram.

– Hn? – Ele não havia entendido.

– Essa mistura maluca de humores. Aqui dentro todo esse cavalheirismo e romantismo, e lá fora dor sem receio.

– Aqui dentro é nós Sakura, lá fora é treinamento. O fato de haver um nós aqui só me faz desejar que você fique mais forte, e para ficar cada vez mais forte eu vou forçar cada vez mais os treinos.

– Isso sim é que uma declaração. – Sorriu e passou a mão pelo pingente que batia contra seu peito toda vez que se movia. – Obrigado por ter dividido isto. – Referiu-se ao pingente.

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– Ohayo. – Deidara disse ao observar a loira despertar.

– Ohayo. – Respondeu o encarando de um jeito estranho.

– Está com vergonha da que, un?

– De você. – Disse sincera, procurando inutilmente o kimono para se cobrir.

O loiro apenas riu. Sentou-se e puxou a loira para mais perto de si, fazendo-a sentar-se também.

– Sorte nossa que este parece ser um local esquecido pelos aldeões e pelos turistas. Já deve ser bem umas três da tarde.

– Nani? Como dormi tanto assim?

– Levando em consideração que o sol quase nascia quando fomos dormir, un. – Respondeu com um timbre malicioso, fazendo Ino corar levemente com a lembrança da noite anterior.

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Início das memórias de Ino

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– Quanto tempo acha que pode ficar sem respirar, un? – Foi a última coisa que o loiro tinha lhe perguntado.

Foi beijada por Deidara, a mão que formava uma moldura em seu rosto encaminhava-se para suas costas. Ino aproveitou para explorar, hora todo peitoral dele, hora o contorno de seus ombros e braços. Mão pra cá, mão pra lá, carícias, gemidos, declarações.

Sem interromper o beijo Ino passou as unas sensualmente pelo abdome dele arrancando um suspiro e desceu a mão até a barra da calça para desamarrá-la e desceu o que restava das roupas dele com os pés. Em resposta teve o pano já rasgado por ela mesma de sua calcinha removido de seu corpo.

Em seguida Deidara a abraçou e inverteu as posições. Não queria que ela ficasse com as costas roçando no chão irregular, pois isso com certeza a machucaria. Ela permitiu-se encaixar seu corpo com o dele enquanto mordiscava seu pescoço.

As mãos dele em seu quadril a ajudaram no movimento e após os breves segundos de êxtase pela união completa de seus corpos, as mesmas mãos gentis que a ajudara serviram como base de alavanca para ajudar a loira se locomover sobre seu pênis. Testando e descobrindo movimentos enquanto sentia sua unidade se espalhar pelo membro rijo.

E com declarações urgentes de paixão, o silêncio daquele lugar esquecido por todos da vila foi preenchido. Os sons emitidos por ambos acabaram por se unir aos dos seres fauna da noturna que perambulavam pela madrugada costumeiramente.

Deidara ergueu seu quadril e abraçou-se a cintura dela com força, movendo-se com mais velocidade até preenchê-la com seu sêmen e retirando-se de dentro dela. Ino ainda ficou sob o abdome dele por algum tempo.

Não falaram nada, não havia nada que pudesse expressar melhor o que sentiam do que os olhares que trocavam. Beijavam-se e se olhavam novamente. Ficaram nessa por um bom tempo, como um casal de namorados que tem sua primeira grande noite.

Naquele momento não havia missão, nem organização. Era apenas eles e o que sentiam um pelo outro. Naquela madrugada não eram ninjas, apenas um casal de namorados que aproveitava ao máximo a presença um do outro.

Entre as longas seções de beijos e miradas amaram-se mais uma vez. Depois renderam-se ao cansaço.

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Fim das memórias de Ino

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– Vem aqui, un. – Chamou para que ela o acompanhasse e levantou.

Ela apenas foi, cobrindo com a mão livre o que podia do corpo nu, enquanto ele a guiava aparentando nenhum constrangimento em estar vestindo roupa alguma. Ino olhou confusa para onde ele a encaminhava, todas as roupas que vestiam estavam inexplicavelmente dobradinhas juntas não muito longe deles. Ele soltou-se da mão dela e pegou o belíssimo kimono dela.

– Você fez isso?

– Hai. Vamos caminhar um pouco, un, descobri uma nascente muito bela alguns minutos daqui. – Disse enquanto vestia a peça de roupa nela calmamente e a abraçava desnecessariamente para prender a faixa que mantinha a roupa ao corpo dela, vestindo-se logo em seguida.

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– Esse lugar é lindo. – Ela disse enquanto molhava as mãos na água cristalina que brotava sem nenhum motivo da pedra em sua frente e a usando para lavar as mãos e o rosto.

Deidara estava sentado logo ao seu lado, mas ainda assim a salvo de ter suas roupas molhadas pela fina linha de água que seguia um curso desde o buraco onde brotava na pedra e espalhava pela rocha. Olhava tudo aquilo admirado, observou abobalhado também, Ino se lavar e ver as gotículas de água remanescentes na face dela escorrerem por sua pele e instantes depois, evaporar. A boa noite ao lado da loira o havia feito acordar ainda mais inspirado para sua arte.

– O que está olhando? – Perguntou o encarando.

– Un? Nada só estava pensando em como esse lugar produz arte.

Ino voltou a dar atenção à nascente. Se ele ia começar com o assunto de arte de novo, era mais fácil se concentrar em outra coisa. Embora concordasse com ele sobre como as coisas podem ficar mais bonitas quando sabemos que está prestes a deixar de existir.

– Eu estava pensando seriamente em torná-lo mais artístico ainda.

– Shh... – Ino o olhou séria.

No minuto seguinte a loira pulou contra o corpo dele, fazendo os dois ficarem deitados entre as rochas, ela com a mão sobre a boca dele. Sabia que ele estava querendo explodir o lugar e é claro que não deixaria, mas não era por isso que tomara aquela atitude.

– Escute. – Ela sussurrou.

Deidara estava tão empolgado falando de sua arte que nem percebeu a presença de duas pessoas no local, é claro que não haveria problema algum nisso se não estivessem num lugar tão deslocado assim da vila. Ouviram cochichos que aos poucos foram se tornando em sons legíveis. Eles se entreolharam e ficaram escondidos prestando atenção.

– Shikamaru, você tem certeza? Esse lugar está muito suspeito.

– Aff Naruto, dá pra você ficar um pouco quieto? Isso está uma chatice! – Reclamou.

– E me diz, como você sabe que a tal "porta voz" do governante da vila vem mesmo? E se foi um truque para nos tirar de perto dos pergaminhos?

– Eu já te disse que a mensagem veio de uma fonte segura e.. ahh olha, lá vem ela.

Em direção á deles, vinha uma mulher vestida com um traje que não permitiam distinguir os contornos de seu corpo e uma máscara branca.

– Gomen nasai pelo atraso, só o que posso dizer é que tive outras ordens para cumprir antes. – Ela se adiantou, dirigindo especificamente à Shikamaru.

– Hai. Diga o que o governante desta vila deseja de nós no meio da missão? – Ele foi direto ao ponto.

– Como sabem meu mestre encomendou essa missão pessoalmente e não como o governante que é. Pois ele deseja mudar alguns detalhes da missão.

– Mudar? – Naruto questionou sem entender nada.

– Hai. Ele já entrou em contato com a kage de sua vila a comunicando.

– E o que exatamente ele quer? – Perguntou Shikamaru.

– Que levem esses pergaminhos para Konoha. Pois são documentos com informações que importam apenas para as vilas shinobis, sendo assim, ficar na maior vila que existe deve ser mais seguro para os pergaminhos e para nós. Nem somos uma vila ninja e estamos sob ameaça por conta de informações do gênero. Por isso queremos que aproveitem o grande movimento de hoje por causa do festival e saiam daqui com eles.

– Mas isso é muito perigoso, devemos esperar um pouco mais. – Naruto sugeriu Naruto.

– Não Naruto, seja lá quem for que está atrás dos pergaminhos, já sabe que eles estão bem protegidos. Seria loucura demais mexer neles hoje, ninguém espera por isso. Se ninguém mais souber disso, acho que pode ser uma chance.

– Então vou confirmar com meu mestre. Vocês partirão com os pergaminhos ainda hoje, depois veremos o horário. – Apenas disse e se foi sem despedir-se.

Ino e Deidara ainda se encaravam. Quase não acreditaram no que ouviram, haviam encontrado a brecha na segurança dos pergaminhos que tanto queriam. Finalmente sua missão iria começar.

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Konan saiu do banho e encontrou Pain já acordado e sentado na poltrona do quarto. Lindo com os cabelos ainda bagunçados e pensativo, rolava o anel pelos dedos sem prestar atenção em sua ação, o pensamento estava longe dali. Como sempre concentrado nos passos futuros que deveriam dar.

Ela tinha algo importante para contar para ele, mas sabia que era melhor esperar o término da missão. Havia assuntos que deveriam ter hora certa para serem abordados.

– Pain?

– Ohayo. – Disse finalmente saindo de seus devaneios. – Temos uma boa notícia. Deidara se comunicou comigo, iremos agir.

Konan apenas concordou com a cabeça e começou a organizar as coisas necessárias para mais tarde, deixando ele com seus pensamentos. Pouco tempo depois, estavam saindo para encontrar Ino e Deidara, prontos para agir e partir.

Ambos vestidos como pessoas normais, isso não fazia diferença para eles se tivessem que lutar vestidos de civis. A roupa masculina era confortável e ela sabia lutar bem sem se mover tanto. Caminharam de mãos dadas como o belo casal que eram, sentaram-se na pracinha que tinha no centro da cidade e esperaram pelo outro casal que já estava um pouco atrasado.

Os loiros tinham voltado para o hotel e ele nem lembrava mais que tinha comprado algo para ela e que tinha pedido pra alguém deixar o embrulho em cima da cama. Lembrou apenas quando entrou no quarto, mas aí já era tarde demais.

Ino já tinha visto e queria saber a todo custo o que era aquilo. Ele a enrolou com muito esforço, inventado todas as desculpas cabíveis. Não era o momento apropriado para presenteá-la, tinham trabalho para fazer.

Por fim ela se deu por vencida e foi tomar banho emburrada. Ele aproveitou pra selar o pacote em um pergaminho que foi cautelosamente guardado em sua mochila. Mas a sessão de birra da Yamanaka tinham lhe rendido o atraso.

Eles finalmente estavam chegando, Ino desde a ida ao restaurante não se desfez mais do jutsu que deixava seus cabelos negros. Desta vez os prendeu em um coque já que provavelmente teria que lutar, sua roupa, apesar de civil era curta, pois a permitiria mais flexibilidade.

A katana estava selada e era levada em um compartimento interno do kimono. Assim que avistaram os líderes, pararam numa barraquinha de sorvete e compraram dois para disfarçar. Pouco tempo depois Pain e Konan também compravam sorvetes e os quatro saíram para caminhar juntos.

– Então as informações são verdadeiras? – O ruivo perguntou.

– Hai. – Respondeu o loiro.

– Konan, onde estão os ninjas de Konoha agora?

– Perto daqui, mas só sinto três direito, o quarto parece fraco.

– Ahh – Ino suou firo – Pain-sama, antes de agirmos temos mais algumas coisas que podem pesar para missão. – Falou mais polidamente do costumava.

Então a loira contou tudo para o líder, desde seu novo poder, até a maneira como injetou veneno em Sai. No fim, achou que seria morta por fazer algo desse tipo sem consentimento, mas viu um discreto sorriso na face de Konan e Pain que continuava olhando para frente sem expressão alguma no rosto.

– Gomen nasai por ter sido impulsiva e agido por conta. – Disse por fim.

– Acho que isso não nos dará problemas. Agora vamos combinar nossa estratégia.

NOTAS: Tsuten kyaku (chute doloroso dos céus)