Capítulo vinte: Divisão

Por Kami-chan

Itachi acordou com os movimentos de Sakura dentro do quarto. Estaria se sentindo extremamente bem se não fosse pela dor lacerante que parecia se esforçar para descobrir até onde sua cabeça aguentava antes de explodir.

Ele sentou na cama. Era muito estranho, seu corpo todo se sentia leve, relaxado pela noite que passou com a rosada enquanto sua cabeça certamente nunca doeu tanto em toda sua vida.

Até mesmo os passos dela vindo em sua direção pareciam estar sendo pisados dentro de sua cabeça. Estranhamente ela havia acordado antes, normalmente era sempre ele quem a acordava, principalmente depois de noites longas como aquela que tiveram, ela sempre acordava querendo estender a lembrança das sensações da noite anterior.

– Itachi – Ela chamou baixo e calma. – Algum problema?

– Minha cabeça. – Resumiu achando estranha a forma como ela controlava o volume da voz, era como se ela já esperasse que ele acordasse com dor.

– Relaxe. – Disse se sentando atrás do moreno e fazendo-o deitar com a cabeça em seu colo. – Não temos muito tempo, já acordei Ino. Pain quer falar com o trio da missão o quanto antes, mas vou te dar um remédio. – Disse o massageando em lugares estratégicos.

– Hm – Ele só gemeu, mas ela sabia que ele estava concordando consigo e com a massagem também.

Ao ouvir o gemido a rosada não pôde conter um pequeno sorriso. A expressão em seu rosto a fez lembrar-se do garoto sem preocupações que o habitou durante toda a noite. Deveria escrever um livro pra ver se as pessoas acreditariam quem aquele homem realmente era, talvez Sasuke aprendesse algo sobre o irmão.

Enquanto afagava os cabelos lisos, vasculhava com muito pouco chakra o interior de sua cabeça. Algo no plano de Madara fazia sentido para si e estava feito agora, havia mexido nas estruturas de Itachi enquanto ele dormia. Contaria tudo para Itachi quando se encontrassem no outro esconderijo, agora tudo que podia fazer era cuidar de sua dor.

– Itachi-san – Disse muito baixo próximo ao seu ouvido – Aishiteru – Sussurrou após ouvir outro gemido que indicava que o moreno estava lhe ouvindo.

– Aishiterumo Sakura-san.

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Estavam todos prontos, parados no jardim que se localizava geograficamente onde costumava ser a entrada daquela casa. Quer dizer, quase todos, pois Ino e Deidara ainda não tinham aparecido.

Pain estava caminhando de um lado a outro sob o olhar entediado de Konan. Ele ainda lhe devia uma resposta, mas no momento tinha muitos outros pensamentos disputando por prioridade em sua mente.

Não muito afastado deles estavam Kakuso, que bebia algo bufante em uma caneca, Madara, pela primeira vez mostrava a face a todos ali e mantinha os olhos fechados, Hidan estava próximo à Kakuso e tentava puxar algum assunto com o seu companheiro ao mesmo tempo que conversava com Kisame, enquanto que Sakura estava em pé na frente de Itachi com as duas mãos em sua cabeça, fazendo o que fosse possível para diminuir a dor do Uchiha.

– Sakura, você chamou os dois? – Pain perguntou pela sétima vez.

– Hai Pain-sama, eles já devem estar chegando. – Disse sem desviar sua atenção do que fazia.

Enquanto o líder continuava indo de cá pra lá e de lá pra cá afundando a grama, o barulho da grande porta do quarto de Deidara se abrindo se fez ouvido por todos. O casal saiu pela mesma abraçado, caminhando como se estivessem saindo para um passeio. O que fez Sakura rir, Ino nunca se acostumaria a receber ordens daquela forma.

– Desculpe pelo atraso, un – Disse o loiro assim que percebeu que estavam todos esperando por eles.

– Deidara, Hidan e Kakuso. Sabem por qual caminho devem seguir, agora vão, já estamos atrasados. – O ruivo apenas ordenou, ignorando o comentário. Todos ali puderam perceber a forma cansada como ele falava.

Deidara então deu um beijo rápido em Ino, Kakuso largou a xícara ali mesmo onde estava e Hidan se despediu de Kisame com um aperto de mão amigável. Logo em seguida entraram no bosque para alcançar a floresta e suas trilhas. Pain lançou um olhar pra Ino que dispensava qualquer comentário e seguiu até onde estava Sakura, Itachi e Madara, seguido de perto pela loira e por Konan.

– A questão é simples, vocês irão até a Vila que Madara foi com Kisame e concluir a segunda parte da missão, o líder deles é famoso por usar de meios atípicos pra conseguir tudo que quer, vão se aproveitar disso para extorqui-lo convencendo-lhe de que precisa da "proteção" que apenas nós podemos dispor. Peguem o caminho mais longo, passem pelas trilhas que cruzam as vilas mais movimentadas, quero que todos saibam que temos mais um par de sharingan e duas kunoichis no grupo. Falando nisso Sakura?

– Comecei o tratamento de Madara ontem, se vamos mesmo pegar o caminho mais longo ele já terá recuperado o poder do olho que perdeu quando chegarmos em nosso destino. – Ela não pode deixar de olhar para o moreno em sua frente para ver se expressava alguma reação com o comentário.

– Ótimo. O que há de errado com Itachi? – A rosada arregalou os olhos com a pergunta, instintivamente olhou pra Madara antes de responder Pain, não imaginava ter que dar justificativas.

– Nada. Apenas uma enxaqueca. – Para alívio dela, o próprio Itachi respondeu a pergunta.

– A partir de hoje, quero que passem a usar isso – Disse estendendo a mão para que Konan depositasse algo ali – Faz parte do poder dessa organização. – Disse pegando primeiro na mão de Sakura e colocando nela o anel que pertencia a Zetsu.

Em seguida Ino teve sua mão adornada pelo anel que Zetsu havia entregado a Konan e que pertenceu a Orochimaru por tantos anos. As meninas imediatamente olharam para as mãos, o anel parecia se ajustar sozinho à largura de seus dedos e as unhas claras se tingiram de negro.

– Por que não há nenhum kanji neles? – Perguntou Sakura se referindo ao fato de ambos os anéis estarem lisos quando cada membro tinha um kanji específico.

– Primeiro ele tem que absorver a essência do dono, para então julgar. Às vezes leva dias.

– Então porque o seu também não tem símbolo nenhum? – Foi a vez de Ino questionar o detalhe que nem mesmo Konan havia percebido.

O anel onde tinha o Kanji "Deus" amanhecera apagado. Automaticamente outros quatro pares de olhos seguiram para mão de Pain antes que o mesmo a cobrisse discretamente, segurando a mão direta com e esquerda sobreposta.

Para duas daquelas pessoas, isso significava muito, Madara o olhava curioso enquanto Konan sorria de uma forma pura e tranquila. Poderia se jogar no abraço dele se não estivessem em trabalho.

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Início das memórias de Konan

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– Eu não senti meu poder aumentar nem um pouco com isso aqui. – Disse o jovem Yahiko logo após colocar o anel oferecido por Madara.

– Baka, você acabou de colocá-lo! – Nagato disse de forma calma.

– Hm, tem algo aparecendo no meu. – Disse a voz delicada da menina.

– Hei Madara, por que o da Konan é diferente? – Yahiko perguntou puxando a mão da menina para olhar o kanji que se formava ali. – Tudo haver com você Konan. – Disse sorrindo para a menina – Acho que o Madara escolheu ele especialmente pra você.

– Fiquem quietos, vocês nem me deixaram explicar o que são esses anéis – Madara disse sem paciência. – Primeiro, esses anéis têm, mas apenas quando estiverem todos em uso, o líder é quem deve decidir quem merece a honra de usá-los. Segundo, cada anel absorve a essência de seu dono, o kanji que se forma é o resultado disso, o de vocês também irão aparecer.

– Então por que o seu também está sem nada? Você usa um desses há mais tempo. – Nagato foi quem perguntou, já tinha visto o símbolo no anel agora negro.

– Porque eu estou deixando essa organização por conta de vocês, estou abandonando a liderança. E já que o Kanji expressa a essência do usuário, deixemos que ele decida quem vai liderar entre vocês.

– Então quer dizer que é a Konan? O dela apareceu primeiro. – Quis saber Yahiko que sempre desejara a liderança que o ex sensei Jiraya sempre dera a Nagato.

– Não. – Respondeu sem nem ao menos ver o anel no dedo da menina, sabia que por mais forte que fosse, havia o portador do rinnegan ali e por isso não tinha chance de Konan ser a líder. – O que importa é o que o kanji expressa e não quanto tempo leva pra ele aparecer.

– Hey – Disse Nagato apontando para a mão do amigo. – Tá aparecendo!

– O seu também! – Apontou Yahiko.

– Universal!

– Deus! – Disseram os dois meninos juntos.

– Parabéns Yahiko. – Foi a única coisa que o mais velho dos quatro disse antes de deixar a caverna onde estavam, surpreso com o resultado, um menino sem nenhum poder especial havia ganho a liderança do portador das infinitas aspirais cinzas.

– É o que você sempre quis! – Disse Nagato sorrindo junto com Konan.

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Fim das memórias de Konan

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Pain sabia que Madara o observava e o encarou com um pequeno e discreto sorriso enquanto entrelaçava sua mão com a de Konan. Recebendo de volta olhar surpreso do seu antecessor que vinha acompanhado de um discreto movimento afirmativo com a cabeça. Detalhes que não deixaram de ser observados pelos olhos atentos de Itachi, embora o mesmo não fosse capaz de compreender o que aquilo significava.

– Não temos tempo para tantas perguntas. Vamos falar do que realmente importa. – Disse girando o olhar na direção de Ino, a loira concordou e largou a mão displicente ao lado do corpo, parando de pensar no anel e prestando atenção no líder novamente. – O nome de vocês duas deve ser preservado durante essa missão, assim como seus rostos. Queremos chamar atenção e não começar uma guerra com Konoha. – Disse pegando, das mãos de Konan novamente, algumas máscaras negras. – Sakura, você lidera. Madara vai lhe mostrar o caminho.

– Parece aquela coisa que o Kakashi-sensei usa. – Comentou Sakura tirando a capa e o chapéu da Akatsuki para vestir o novo acessório do uniforme.

– É estranho usar isso. – Disse a loira enquanto acompanhava Sakura no ato de cobrir o nariz a boca e o pescoço com aquela máscara justa ao rosto.

– Eu podia ir com a minha, você que disse que queria meu rosto a mostra. – Disse o moreno quando Pain lhe estendeu o pano negro

– Quero expor o teu sharingan. – O moreno então concordou e colocou a nova máscara.

– Boa missão pra vocês três. Itachi e Kisame vocês virão conosco. O trio parte assim que desaparecermos na mata.

O ruivo apenas enlaçou a companheira pela cintura e ambos caminharam em direção ao bosque. Sakura queria dar longo beijo de despedida no namorado, mas sabia que o mesmo não se sentiria tão à vontade sendo que ainda tinham Ino, Madara e Kisame os observando.

– Eu te amo. – Disse baixinho próximo ao ouvido, para que só ele pudesse ouvir e beijou-lhe a face.

– Sabe o quanto amo você também, então se cuide. – O moreno respondeu no mesmo tom, abraçando a kunoichi pela cintura.

– Toma. – Ela disse entregando um pequeno estojo de couro enrolado para ele. – Tome um por dia enquanto sentir dor e não tema usar o seu Mangekyou, caso sinta mais dor depois disso, pode tomar dois desses ao invés de um.

– Sakura o que... – Ele pegou o estojo surpreso, ela parecia estar muito ciente da dor que ele sentia e começava suspeitar ter sido causada por algo que ela teria feito.

– Shh – Colocou a mão sobre os lábios do outro. – Não me complique. – Disse baixo, olhando rápido para Madara. – Eu explico quando voltar, apenas confie em mim e não tema usar o seu poder...

– Cuide-se! – Disse um pouco irritado com a conversa da rosada, ainda assim não resistiu e selou os lábios em um beijo breve, apenas um encostar de lábios sobre a máscara mesmo. – Vamos Kisame.

– Ainda faltam os nomes. – Disse Ino se parando ao lado da amiga que apenas olhava os contornos de Pain, Konan, Kisame e Itachi cada vez menores à sua vista.

– Pain quer destacar Madara, podemos chamá-lo de Uchiha sem problemas, corte o meu deixe apenas Sa e vamos inverter o seu, Oni.

– Não estaremos mentindo. – Disse rindo divertida e se adiantou em direção ao bosque.

Sakura riu com a amiga e se moveu para segui-la, mas sentiu a mão gélida segurar seu pulso com firmeza. A rosada olhou séria para onde os dedos longos se enroscavam ao pulso tão fino e em seguida lançou o mesmo olhar para Madara. Ele ignorou o olhar dela e esperou até ter certeza que Ino já estava longe o suficiente.

– Eu disse que não tinha mais nada a te pedir, mas falta uma pequena coisa. – Disse a puxando para muito perto de si para que pudesse falar baixo o suficiente para apenas a Haruno ouvir, o que ela fazia com os olhos arregalados. – Me prometa que quando eu chamar por você, você vai largar qualquer coisa que esteja fazendo e virá.

– Nani...

– Você entenderá do que estou falando na hora certa, mas venha até mim quando eu a chamar, está entendendo?

– Vamos. – Ela disse sem dar uma resposta a ele.

Aquela agressividade com que ele a puxou e a forma como falou não a faziam creditar que lhe devia alguma resposta. Embora soubesse que a curiosidade em saber dos planos do moreno a faria ir ao encontro do mesmo quando ele "misteriosamente a chamasse"

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Assim que haviam partido Itachi rompeu uma das muitas ampolas que Sakura havia colocado dentro do estojo, e finalmente sua dor parecia querer ceder. Era como mágica, ou como se a substância tivesse sido estrategicamente preparada, opção essa que ele passava a acreditar cada vez mais, embora não fizesse ideia do que a médica poderia ter feito com ele para deixá-lo assim..

– Ele está aprontando algo. – Pensou alto sem perceber.

– O que disse Itachi-san?

– Pain está aprontando alguma algo e Madara sabe. E Madara está aprontando algo e Sakura sabe. E Sakura está aprontando algo e eu não sei. – Disse para o azulado, como que se repetisse seu pensamento fizesse a ideia penetrar melhor em sua mente.

– E você está preocupado com o que afinal?

– Com o resultado final disso tudo.

– Sim, porque você viveu aprontando algo. Todos suspeitam, mas ninguém sabe ao certo e essa confusão toda pode estragar seus planos.

– Eu não sei mais o que eu planejo. – Admitiu – Kisame, o anel de Pain perdeu o Kanji, você sabe o que isso pode significar?

– Não. Nem mesmo tinha percebido esse detalhe, mas deve ter ligação com o a morte de Orochimaru e Zetsu, havia dois anéis em desuso não é?

– É.. – Ele concordou apenas para encerrar a conversa, no fundo não acreditava nisso.

– Obrigada. – Ela disse assim que percebeu que o casal caminhava metros à frente o suficiente para que a dupla que os seguia não ouvisse.

Tudo que Pain disse em retorno foi um simples "eu te amo". Como se precisasse, como se ela não soubesse quanto aquela liderança era importante para ele. Não havia prova de amor maior que ele pudesse lhe dar, nem mais difícil. Ela nunca pediria isso para ele, nem mesmo por sua própria vida se não fosse realmente necessário, ainda assim uma parte de Konan sangrava junto ao ruivo, sentindo com ele o quanto era difícil abrir mão de algo que lhe era assim tão caro.

– Por que só os anéis delas? – Sentiu curiosidade, tirando Madara, ela imaginaria Itachi ou até quem sabe Kakuso como um líder substituto para a Akatsuki.

– Passei a noite pensando. Vários pontos de vista, várias razões e no fim seria uma delas mesmo. – A resposta dele foi simples e sincera.

– Acha que todos aceitarão essa decisão bem? – ela continuou

– Terão que aceitar, não será eu quem vai escolher a nova líder, apenas limitei a escolha a elas.

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– Hei Deidara-kun, nunca vi você quieto ha – Hidan tentava conversar com o loiro que parecia estranhamente triste.

– É por isso que eu acho que não deveriam existir kunoichis na equipe, deixam os ninjas bobos. – Disse Kakuso.

– Não seja idiota, un sempre tivemos uma kunoichi na equipe. E Ino não me deixa bobo, un, muito pelo contrário, a paixão que ela desenvolveu por essa organização e por essa vida só me fez mais leal à Akatsuki, un. – O loiro quase cuspia as palavras à Kakuso enquanto Hidan ria da situação.

– Hei temos muitos dias de viagem pela frente, será melhor se conversarmos amigavelmente. – Disse Hidan.

– Será melhor se vocês dois manterem o silêncio. – Falou Kakuso rancoroso.

– Esse caminho que estamos fazendo é o mais rápido, un, vamos chegar lá muito antes dos outros.

– É verdade há. – Disse Hidan animado. – Mas por que você parece desanimado com isso Deidara-kun?

– Pense Hidan, seremos os primeiros a por os pés num lugar que não vamos há séculos. – Disse Kakuso – Aquilo deve estar uma imundícia!

– E eu ainda vou ter que tirar as coisas do danna que ainda estão lá no quarto que dividíamos, un.

– Você ainda sente falta da marionete? – Perguntou Kakuso surpreso, da maneira como se lembrava da antiga dupla discutindo por tudo, não podia imaginar que o loiro sentisse falta do Suna.

– Sinto, un. – Disse muito baixo. – Mesmo com Ino perto de mim, nenhuma pessoa pode ser substituída, un. Adoraria que ela o tivesse conhecido.

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Muitos dias depois, em um caminho muito longe à direção contraria de para onde iam todos os outros membros da Akatsuki, Ino, Sakura e Madara caminhavam com passos lentos. Os dias estavam ficando cada vez mais frios e curtos, o vento e a chuva pareciam cortar a pouca pele exposta dos três ninjas.

Com todo aquele frio e aquela chuva caindo, tanto Ino quanto Sakura já tinham até esquecido aquela história toda de anel. Já eram Akatsukis há algum tempo sem aquele detalhe, elas não sabiam que uma coisa tão pequena quanto o risco de um kanji na pequena joia poderia mudar suas vidas de maneira drástica.

Uma delas estava prestes a se tornar a nova líder da organização e Madara sabia disso. Levando em consideração o tempo que elas já haviam colocado o anel, uma delas já devia ser a nova líder e ele precisava ter certeza de qual das duas seria, mas com todo aquele frio, essa missão era quase difícil, afinal debaixo da capa pesada era difícil dizer qual das duas vestia menos roupa.

– Ino.. – A voz da rosada saiu baixa como se o frio tivesse travado sua mandíbula. – Você está com tanto frio quanto eu?

– É o que dá vestirem tão pouca roupa. Vocês não estão mais em Konoha. – Disse o mais velho vendo a loira afirmar com a cabeça.

– Hai – A rosada parecia decidida. – Hoje passaremos a noite em um hotel nesta vila mesmo, amanhã prosseguiremos. – Disse analisando o céu escuro, devia ser apenas seis horas, mas o negro do céu dava-lhe a impressão de estar caminhando pelas ruas no alto da noite.

Sem questionar, nem comentar os três saíram da trilha em que estavam. Sem perceber que apenas nesse momento deixavam de ser seguidos. Mas quem teria coragem para seguir três Akatsukis, era normal atraírem olhares cheios de curiosidade e medo por onde passavam, camponeses se trancavam dentro das casas simples na mesma hora que avistavam as capas negras esvoaçantes contra o vento gélido.

Mas ninguém teria a ousadia de segui-los. No entanto, logo que despareceram da trilha, uma árvore muito próxima acabou deixando de servir de camuflagem para o eremita. Não era atoa que nunca fora pego enquanto usava esse jutsu, nem mesmo um par de Sharingan fora capaz de desmascará-lo.

– Então há mesmo duas kunoichis na Akatsuki. – Disse pra noite.

Não tinha visto seus rostos, pareciam cobertos pelo chapéu da organização e por algum tipo de máscara, mas havia escutado suas vozes doces abafadas e com certeza, uma delas se chamava Ino. Foi isso que ouviu a outra dizer.

– Aposto que elas não constam na lista de Tsunade-hime. E aquele sharingan, até onde eu sei, apenas uma pessoa viva tinha aquele sharingan. – Completou pensativo. – Hora de passar mais uma temporada em Konoha.

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– Deixe de ilusão Tsunade-sama. – Ele dizia com a voz calma, quase parando ainda assim seu tom tinha peso e gravidade.

– Não é ilusão Kakashi, algo muito estranho está acontecendo envolvendo a Akatsuki. Ino e Sakura podem ter sido mortas por eles e podem estar planejando algum ataque à Konoha, eu não posso mandar um dos meus melhores ninjas para uma missão de reconhecimento numa hora dessas. – Ela por sua vez, não tinha a reputação de ser uma pessoa calma.

– Não é uma missão de reconhecimento e sim investigatória, não adianta você arriscar Shikamaru nessas comitivas inundáveis.

– Sua missão é cuidar do Naruto, até compreendermos que muvuca toda é essa, temos que admitir que a única ligação entre Konoha e os interesses deles é a Kyuubi.

– Shikamaru não é a pessoa ideal para essa missão. – Dessa vez ele não se aguentou e caiu com as duas mãos sobre a mesa dela, encarando-a frente a frente – Me deixe ir.

– Não! Eu sei o que você está planejando e não permito que saia numa cassada suicida atrás de membros daquela organização! – Ela se levantou da cadeira e ficou na mesma posição que ele, com as mãos espalmadas sobre a mesa.

– Tsunade- sama...

– Não, Kakashi. Você só deixa Konoha em último caso.

NOTAS: Oni, como a Ino passa a ser chamada nesta missão significa demônio.