Capítulo vinte e dois: Sharingan
Por Kami-chan
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– Porque nem vamos precisar andar minha bela Sakura, nem vamos precisar andar.
– Nani? – A expressão de Ino soou mais alto que o pretendido quando sentiu fortes presenças ninjas os cercarem.
Ela logo se posicionou de forma defensiva. Sakura também os sentiu, eram quatro e eram fortes, muito mais fortes que os ninjas que invadiram a sede. Muito mais fortes de que os ninjas que enfrentaram na execução dessa missão.
Sabia disto, pois os conhecia. O que mais apavorou a rosada foi perceber que Madara já havia os sentido há muito tempo e ela pôde ver claramente que o motivo para saírem da trilha não era para se protegerem de nada, e sim para atraírem aquelas pessoas até eles.
Era um fato conhecido que aquele grupo procurava pelo dono do terrível Mangekyou; o temido e único dono conhecido daqueles olhos. O boato era de um Uchiha e seu par de Mangekyou sharingan desfilando por todas essas vilas, o par que era conhecido por seu único dono, ninguém sabia que havia mais um Uchiha vivo.
Era exatamente isso que Madara queria, queria que Sasuke viesse até ele pensando que encontraria Itachi. Agora seria tarde demais.
– Canalha, você nos atraiu para uma armadilha! – Ergueu o punho para a acertar o moreno, mas parou no meio do caminho ao ouvir a voz conhecida...
– Ele sempre foi o pior de todos os canalhas. – Sakura preferiu não olhar para quem falava com ela.
Ao invés disso, olhou uma última vez para o rosto de Madara em busca de qualquer resposta ou motivo. Ele mantinha os olhos fechados, ela sabia que aquilo significava que uma grande batalha estava por começar. A dúvida era contra quem ele planejava lutar, contra eles ou contra ela e Ino.
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– Sa-chan! – A voz de Ino soou no tom de quem advertia.
Diferente dela, a loira podia ver de frente as pessoas ali presentes. A voz abafada pela máscara que cobria parte de seu rosto saiu calma, o chapéu da organização se encarregou de cobrir o restante do rosto da loira, escondendo o espanto em seus olhos. Enfrentar aquele grupo não entrava nos melhores planos.
– Precisamos de ordens. – Concluiu guardando nas entrelinhas o que realmente queria da amiga.
Sakura ficou parada olhando para Madara. Sabia que logo ele abriria os olhos e o inimigo daquele homem, fosse quem fosse, teria um grande problema nas mãos. Assim como ela tinha agora a difícil missão de fazer uma escolha, confiar ou não em Uchiha Madara.
– Lute por você. – Proferiu no final. – Lute por você, essa é a ordem.
– Quem é você, kunoichi que lidera esta comitiva amaldiçoada? – Ela ouviu a voz do antigo companheiro de time dizer atrás de si.
– Minha identidade não é de seu interesse, Uchiha.
Ela finalmente se virou, salva de revelar sua identidade devido ao chapéu largo e a máscara. Dos olhos verdes esmeralda ele viu apenas a sombra e então a atenção dela foi atraída pela única mulher do pequeno time.
– Você deve se achar superior a ele para ser tão cheia de si quando não tem coragem nem mesmo de mostrar o rosto.
– Talvez eu seja. Talvez seja você a descobrir. – A rosada provocou. – Mas antes Uchiha Sasuke, todos na Akatsuki sabem das suas intenções para com seu irmão. Sugiro que olhe bem para quem enfrenta, é tão tolo que não consegue nem mesmo encontrar o alvo certo. – Neste momento ela deu um passo ao lado dando ao moreno uma visão do homem para quem ela olhava quando chegaram ali.
Ele ainda mantinha os olhos fechados e seu vasto cabelo era muito diferente do de Itachi, assim como seu corpo era muito maior. Ele era o único dos três Akatsukis que tinha a capa aberta e não usava nenhum chapéu. No alto de seu tórax, centralizado em sua roupa o símbolo do clã era evidente.
– Quem são vocês? – Ele perguntou.
Nenhuma daquelas pessoas ali era conhecida dos documentos sobre Akatsuki que havia estudado durante o tempo que passara no esconderijo de Orochimaru. Dessa vez foi a vez de Ino rir.
– Este é mesmo Uchiha Sasuke? Ele se preparou tanto pra matar o irmão que não sabe nem reconhecer três Akatsukis quando se depara com eles?
– Chega. – Disse Madara ainda de olhos fechados e todos pararam para observá-lo.
– Chega! – Concordou Sasuke sem paciência. – Juugo vamos descobrir quem eles são nem que seja a força.
No mesmo instante o companheiro obedeceu. Na escolha de quem atacar, escolheu aquela que parecia ser a líder entre eles.
Correu na direção dela e preparou o golpe certeiro que não chegou nem perto da kunoichi. Espantadas com a velocidade com que tudo aconteceu Ino e Sakura se entreolharam, ambas em busca de quem havia atacado o brutamontes que corria na direção da rosada.
Foi então que ela percebeu o que havia acontecido. Madara havia esperado a hora certa pra abrir os olhos. O ataque foi certeiro, e o ninja do time Hebi não precisou mais que uma olhada de relance pra cair inconsciente no chão.
O que acontecia com ele e em que dimensão acreditava estar, era impossível dizer. Tudo que viam era o homem gritando e se debatendo sem nenhuma noção do que fazia.
– Sa-chan, deixe o seu pequeno cunhado por minha conta. – Disse em alto e bom som. – Termine logo o seu trabalho, pois vou precisar de você. – Terminou baixo para que só ela ouvisse enquanto a direcionava um olhar que dispensava explicações.
"Cunhado?"
Será que seus ouvidos realmente escutaram direito ou estavam curtindo com a sua cara?
Como se Itachi fosse humano o suficiente para conseguir construir uma vida ao lado de uma pessoa. O homem que matou sem piedade alguma todo um clã, o próprio clã. Crer que aquela mulher misteriosa fosse alguém para Itachi era no mínimo uma piada.
E aquele homem, quem era aquele homem que tinha o mesmo sharingan de seu aniki?
Aquilo só podia ser um truque, um tipo de genjutsu. Itachi era o único, o último.
E sem entender mais nada ele simplesmente se lançou na direção do homem. Ao ver sua iniciativa, Karim e Suigetsu também partiram para batalha.
– Ah tá de brincadeira! – Reclamou Sakura ao ver Karin vir em sua direção.
Começaram uma batalha com golpes muito rápidos. Karin era muito boa no Taijutsu.
– Gracinha – Disse o gênio da vila da névoa oculta, rangendo os dentes para Ino.
A loira não deu muito tempo ao peixe e logo se lançou contra ele com sua Katana. Entretanto tal como seu nome descrevia, Suigetsu era tão impossível de "pegar" quanto a água.
O homem muito sério encarava o membro mais novo de seu extinto clã. O rubro em seus olhos brilhou feroz, atento a quaisquer movimentos que poderiam lhe ser letal. Ambas as meninas não prestavam atenção na luta dos dois, sabiam muito bem que diante daquele poder não havia nada que poderiam fazer.
Em um movimento rápido, Sasuke deu passos para trás e os selos ligeiros invocaram seu elemento Katon, antes de lutar de verdade, deveria ver até onde aquele homem realmente sabia sobre o clã e o poder que tinha estampado na face. O espanto tomou seu corpo ao ver a sua enorme bola de fogo simplesmente seguir o caminho que as mãos de seu oponente ordenavam e seguir para dentro da boca dele e então sair de lá muito maior do que havia entrado.
– Você acha que está lutando com quem garoto? – Ele disse quase comicamente ao ver o ataque tão simples que Sasuke havia lançado contra si.
– Por que você mesmo não me diz. Quem é você e como tem esses olhos? – Perguntou mais alto que som típico do raikiri que subia por todo seu corpo.
– Hum... – Ele simplesmente desdenhou, esperando com paciência o espanto do jovem ao ver seu jutsu belo e letal apenas passar pela a imagem do mais velho.
– Que bagunça! – Sakura pensou alto meio desorientada por tentar prestar mais atenção em Sasuke e Madara do que em Karin. – Isto tem que ser rápido. – Disse para si mesma.
Sasuke não entendeu muito bem a princípio. Tinha certeza que o acertara, mas aquele homem era como fumaça. Mas mesmo àquela velocidade seus olhos puderam ver o bastante para compreender que o homem havia usado um jutsu de "tempo e espaço".
Tão rápido que nenhum olho sem o poder rubro que carregavam seria capaz de perceber. Não faria sentido atacar se não pudesse ser mais rápido que aquele jutsu ou se o fizesse ficar mais lento.
– Katon: goukakyuu no jutsu – Repetiu esperando que o homem reagisse da mesma maneira como reagiu antes, mas Madara se deixou acertar encarando Sasuke com sorriso no rosto.
Imediatamente o mais novo desviou do objeto pontiagudo que veio em sua direção, incapaz de prever exatamente de onde o mesmo tinha sido lançado. Apesar de rápido aquilo era uma coisa fácil de se desviar, cada objeto lançado era um pulo para trás.
Cada vez mais rápidos sua atenção acabou se privando àquilo e não sentiu quando o moreno lhe passou a rasteira rente aos seus pés, fazendo-o cair e impulsionando a queda com um empurrão em seu ombro direito. Sasuke abriu a boca em resposta a dor e grosas gotas de sangue saíram de si.
Fechou os olhos e o ruído tradicional parecia vir do interior de seu corpo, como um raikiri vindo de dentro pra fora. O corpo do Uchiha mais jovem brilhou se enchendo de raios e explodindo em um trovão ofuscante.
O braço se prolongou e atingiu com o mesmo jutsu o corpo de Madara. Prolongou o chidori para a katana e a arremessou, mas um dos braços do outro se transformou em algo semelhante àqueles objetos longos e pontiagudos que fora jogado em si anteriormente e fez com que sua arma fosse lançada longe.
Ele sabia que aquilo era um genjutsu, treinou todos os meios de se enfrentar um oponente dessa maneira com Orochimaru para ser capaz de enfrentar Itachi, mas aquilo que aquele homem fazia estava muito além de suas compreensões. Era como se ele pudesse distorcer tudo ao seu redor como se isso não fosse dificuldade alguma.
– Quem é você e por que me atraiu até aqui? – Gritou carregando o típico chidori em sua mão.
– Em primeiro lugar, você sabe quem é você Sasuke? – Falou como que nada daquilo que ocorria ao seu redor fosse fora da normalidade.
Os olhos do Uchiha mais novo se arregalaram ao ver o sharingan que ele via invejoso nos olhos do irmão girarem de maneira que lhe trazia lembranças acompanhadas de náuseas e ódio. Sem pensar, ao ver o movimento circular daqueles olhos Sasuke se lançou contra o mais velho, sabia o que viria depois daquilo.
O golpe o fez se sentir como se tivesse treze anos novamente. O chidori lançado impensadamente foi bloqueado com apenas uma mão enquanto sentia seu braço ser quebrado com uma lembrança tão real que o fizera esquecer que nada daquilo passava de uma ilusão. O golpe forte no estomago e seu corpo jogado em uma árvore com um chute trazendo mais espanto e dúvida sobre como aquele desconhecido podia saber daquela lembrança real.
De onde estava Sakura pode ver Sasuke inerte com os olhos mirados ao chão, estava metros longe de Madara que por algum motivo permanecia caído ao chão. Sangue saída do ouvido esquerdo de Madara e ela sabia que aquilo com certeza era sinal da doença que ele admitiu ter. Desconcentrou-se com a cena e sentiu a lâmina da arma de Karin raspar em seu peito, arrancou logo a capa para ver melhor o ferimento no peito efegante.
– Uchiha? Você também é uma Uchiha? – Perguntou Karin incrédula ao ver o pingente que se destacava em seu pescoço.
Sem responder, nem olhar para a ruiva Sakura avançou a mulher de corpo esguio e investiu contra a mesma com um soco carregado de chakra. Ao invés de atingir Karin, o punho afundou em seu abdome e fez Sakura rir quase gargalhando.
– Um jutsu passivo. – As palavras brincavam entre sua gostosa gargalhada.
Sua diversão fez Karin a olhar sem entender muita coisa, a forma doentia como sorria fazia seu corpo, especialmente os ombros sacudirem de forma anormalmente cativante. Sem tentar retirar o punho "de dentro da ruiva", da grama sob ambas sugiram grandes árvores de Sakuras e suas raízes fortes se prenderam aos pés da ruiva enquanto a rosada em sua frente ainda ria e torcia a mão que estava no abdome de Karin fazendo esta gritar de dor quando sentiu seu interior ser completamente remexido pelos dedos de sua oponente.
– Yosh! – Disseram duas rosadas que surgiram para segurar os ombros de Karin – É hora do fim. – Elas disseram.
E Karin viu a mão livre da mulher em sua frente vir em sua direção. Foi um soco em cheio em sua fonte para que desmaiasse e outro carregado em seu coração para que não mais acordasse.
Não sabia explicar por que, mas se sentiu extremamente bem matando Karin. Olhou rapidamente para Ino, a loira estava se dando bem contra aquele cara estranho da vila da névoa.
– Sakura.. – O chamado baixo de Madara atraiu sua atenção.
Desde que ouviu o moreno dizendo que quem deveria enfrentar Sasuke era ele, a rosada já estava esperando pelo chamado. Era como um imã, por algum motivo ela sentiu como se tudo que o sensei Uchiha havia planejo depois da conversa que tiveram antes dela começar seu tratamento e explicar mais sobre seu sharingan, estivesse claro para si.
Eram todos planos para aquele momento, para aquela luta. A boca de Madara quase não se movia mais, era claro que ele não teria forças para terminar aquela luta.
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Início das memórias de Sakura
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– No momento o único assunto que me diz respeito, além da missão que temos pela frente, é a cura de teus olhos. – Ela disse.
– Foi por isso que vim te procurar.
– Não se preocupe, depois de tanto tempo estudando em Itachi, sei bem o que fazer. – Falou depois de ouvir um suspiro pesado depois da fala do moreno.
– Tenho certeza disso. Por isso tenho algumas coisas a te pedir.
Sakura se abaixou na frente do mais velho. Não esperava que ele lhe fizesse pedidos, isso não condizia com o estilo dele.
– Sei que Itachi não confia em mim. – Ela baixou o olhar mesmo sem perceber, para ele, não precisava de palavras além do pequeno gesto dela para a confirmação do que tinha dito. – E isso não importa mais, no fim todos irão entender as coisas. Mas preciso que faças algo comigo enquanto me curas. Mas vamos andar um pouco, para um lugar mais afastado, aqui sempre foi um lugar onde paredes tinham ouvidos, imagina agora que nem paredes mais temos. – Ele riu da própria besteira que tinha acabado de dizer.
– Primeiro Sakura. – Começou andando devagar.
Madara tinha postura, os ombros rijos eram destacados pelas mãos que se prendiam às costas do moreno, realmente igual a um mestre. Fazia despertar nela a curiosidade em saber como era o sensei Madara ensinando especialidades ao aluno prodígio Itachi.
– É bom que você saiba desde cedo que estou doente, muito doente. – Complementou olhando-a fixamente. – Mas você não vai desperdiçar tempo e chakra tratando disto, sou um velho que está morrendo e deseja isso acima de tudo. Você vai resumir o seu tratamento a minha visão, entendeu?
– Hai. – Disse mecanicamente, estava confusa com o primeiro pedido. – Irei cuidar apenas de seus olhos.
– Ótimo. Segundo, preciso saber de algo e apenas você pode me responder. Sakura quero que analise a diferença entre meu sharingan que é eterno e o do meu olho direito que assim como o de Itachi consumiu minha visão.
Neste momento Sakura teve que se conter para não demonstrar o espanto que sentiu. Desde o dia em que Itachi lhe contou a verdade sobre sua história e sua relação com Madara e onde Sasuke entrava nessa história toda, a kunoichi esperava ansiosamente para poder fazer exatamente o que Madara estava lhe pedindo e poder responder a pergunta sobre o segredo do Sharingan eterno.
– Está me ouvindo Sakura? – Ele ainda a olhava atentamente, era claro que ela estava longe em pensamentos.
– Hai Madara-san, prossiga.
– Depois que descobrir esse segredo, se for possível, quero que torne o sharingan de Itachi igualmente eterno. Sei que nem precisaria te pedir isso, você o faria mesmo que eu te pedisse o contrário. – Ele sorriu – Mas há um porém, isto deve ser feito antes de partirmos. É crucial que Itachi possa usar plenamente seus olhos quando nos separarmos.
– Ok. Temos que agir rapidamente, então. Preciso descobrir antes de ver se é possível fazer com Itachi, ou não.
– Mais uma coisa Sakura, você não vai falar nada disto para Itachi. Ou tudo estará perdido. Eu vou saber se você contar, pois me procurar vai ser a primeira coisa que ele vai fazer. – Viu os olhos ela se arregalarem em surpresa, como faria algo com o corpo do namorado sem consentimento ou se quer o conhecimento do mesmo? – Por favor, confie em mim e por mais estranho que pareça, se ficar confusa em algum momento peça que ele use esse poder em você.
– Mas como eu...
– Considere esta a lista de últimos desejos de um velho ninja. – Ele a interrompeu.
– Hai. – Mais uma vez ela apenas concordou, precisava saber o que mais ele tinha pra dizer, depois resolveria o que realmente faria ou não.
– Acha que pode me curar antes de chegarmos à vila onde faremos nossa missão?
– Não sei para onde estamos indo.
– Vila das Rochas Ocultas. Quinze dias de viagem.
– É tempo mais que suficiente. – Disse procurando entre o brilho intenso no céu, a sua estrela favorita.
– Então só tenho mais um pedido para fazer, por agora. – Sakura voltou a olhar o rosto inspirador de respeito. – Independente do que Pain decidir amanhã, deixe-me escolher o caminho que vamos usar no percurso da viajem.
– Fala como se ele fosse me colocar de líder da missão, quando sabemos que será você. O ninja mais experiente e o único que sabe o caminho. E mesmo que não seja você ainda tem a Ino também.
– Ele já sabe como eu trabalho, observou Ino de perto na missão que fizeram juntos, falta ele querer ter mais de você. Então, podemos começar?
– Hai. – Posicionou-se na frente do outro para examiná-lo.
– Ahh.. – Ele ainda disse, como que se acabara de se lembrar de algo naquele exato momento – É muito provável que a mudança gere um grande desconforto em Itachi, ele certamente mostrará estar sentindo muita dor. – A rosada olhou para o mais velho com o olhar piedoso. – Independente da dor que ele afirme sentir, não de nenhum tipo de medicamento para ele.
– Mas... – Ela começou.
– Sem mas, é assim que deve ser.
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Fim das memórias de Sakura
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No meio da floresta Sakura retomou á realidade no exato momento em que Sasuke preso no genjustu sentiu a fraqueza em seu oponente e o jogou longe. Mudando o clima e a cor do céu não apenas na ilusão, trouxe para todos os presentes ali o truque ilusório da tempestade enquanto o elemento trovão circundava todo seu corpo.
– Sakura, ande logo. Venha aqui. O que há com você já estou lhe chamando!
Essa era a hora. Sakura olhou mais uma vez para o corpo caído de Karin. Ino parecia estar conseguindo acabar com o estranho ninja contra quem lutava e Sakura correu entre o campo de batalha.
Não via Sasuke no meio daquela claridade ofuscante que os raios liberavam. Havia apenas Madara caído no chão e a floresta que repentinamente fora tomada por chamas negras, quebrando a efeito criado por Sasuke.
Ajoelhou-se ante ao Uchiha que parecia estar desmaiando devido a concentração que fazia para manter Sasuke em um genjutsu e ninja seguidor do moreno em outro, e ainda lançar o Amaterasu naquela dimensão. A admiração foi a única emoção que superou a surpresa por tudo que Madara podia fazer ao mesmo tempo, ele estava em três dimensões ao mesmo tempo, observou preocupada enquanto analisava a quantidade de sangue que saída do ouvido do mestre.
– Madara-san estou aqui... Madara-san pode me ouvir?
Ela se inclinou sobre o corpo para ouvir sua respiração, mas ouviu muito mais. Ouviu palavras proferidas pela voz quase inexistente do velho sensei que pareciam não fazer sentido algum, mesmo assim ela tentou decorar e entender tudo. Cada som que parecia mais com os cânticos que Hidan proferia aos quatro ventos por onde passava.
Perto dali Sasuke permanecia atrás de uma árvore. Havia fugido das chamas negras e ainda tentava se livrar daquele genjutsu. Não entendia como aquilo era possível Orochimaru havia lhe ensinado tudo sobre genjutsus. Itachi era o mestre na arte das ilusões e ele havia aprendido todas as maneiras de sair de qualquer um deles.
Mas ele não conseguia sair desse. Mesmo sabendo que estava preso em um truque. Se não tinha como atacar, teria que se manter inteiro e consciente por tempo suficiente até encontrar um jeito de sair dali.
Em um momento de distração, fugindo das intermináveis armadilhas ele bateu com as costas no peito de um homem crinudo. Os longos e vastos cabelos negros lhe encobriam grande parte do rosto, mais ainda assim era visível o brilho do sharingan em seus olhos. Surpreso, achando que ele estava sem forças Sasuke caiu aos pés do homem que acima de medo o inspirava respeito.
– Você faz ideia de por que está lutando comigo Sasuke?
– Não me interessa nem motivos nem quem é você, nem como conseguiu esses olhos. Eu vou acabar com você! – Disse correndo com um Chidori pra cima de Madara, mas ele apenas o atravessou mais uma vez.
– Tsk tsk tsk não é que Itachi realmente estava certo, você não passa de um tolo. Devia aprender a ouvir mais.
– Vai se foder! – O nome e a lembrança do irmão o deixavam ainda mais confuso e irritado.
Aquele homem o conhecia e conhecia Itachi. Pior do que isso, convivia com Itachi. Ele lançou outro chidori que novamente foi inútil, nada parecia afetar aquele homem além daquele breve momento de fraqueza. Ele já não mais sabia se tudo aquilo poderia mesmo ser um genjutsu normal.
A curiosidade finalmente tomou conta do ser e Sasuke ficou no chão, sem encarar o ninja que seu orgulho acabara de admitir ser superior. Estava oficialmente derrotado.
– Quem é você? – Perguntou mais humilde desta vez.
– Ah finalmente, começo a ver a sombra de um Uchiha em você. Eu – Disse fazendo-o olhar diretamente em si – Sou Uchiha Madara
– Uchiha? Não é possível! Você mente, só há dois Uchihas vivos.
– Será? Hã? Será que por mais poderoso que Itachi seja, ele conseguiria dar conta do clã mais poderoso de Konoha sozinho? Deveria me sentir ofendido por você não saber o meu nome, mas entendo que seu pai nunca lhe contou sobre a história do clã. Você era muito pequeno e tolo quando ficou sem ele e ele foi um homem que não gostou de mim.
– Seu desgraçado! – Ativou um novo chidori – Não ouse falar assim! – E rápido tomou a katana e fez seu chidori percorrer por toda lâmina.
– Não vai insistir nesse jutsu que você já percebeu que não funciona não é mesmo? Escute bem, você, Itachi, seu querido pai e todo clã que você quer tanto vingar só existe por minha causa, eu e meu irmão demos origem ao clã e se você ficar quietinho eu te conto uma história bem interessante. A história de como um clã surgiu e desde o seu começo foi corrompido pelo ódio e a ganância.
Fora do genjutsu Madara sentia a vida se esvaindo cada vez mais de seu corpo. Mantinha-se forte somente para manter Sasuke longe do que fazia ali, o garoto estava quase rompendo seu jutsu, tinha que manter a atenção dele ocupada.
Mas seria por pouco tempo, assim que terminasse e morresse ele se livraria do genjutsu. Seu companheiro por outro lado, já havia morrido há muito tempo. O que aconteceu em seguida foi rápido demais.
Ino girou com rapidez e deixou Suigetsu confuso, uma Katana dela bateu forte na espada e a outra afundou em seu peito que estourou fazendo o corpo sólido mais uma vez tornar-se água. De saco cheio daquela história que se repetia toda vez que conseguia o pegar, Ino cravou ambas katanas na água em que ele tinha se transformado e descarregou nelas todo o chakra que ainda lhe restava, fazendo a água reagir com o poder do veneno que circulava pelos canais de chakra da loira.
Ino caiu de joelhos no chão por fraqueza, mas viu o ninja sucumbir ao seu poder e aquele líquido que seu corpo se transformava fora apenas absorvido pelo solo como água de chuva normal. Ela então procurou pelos companheiros e viu Sakura debruçada sobre o velho Uchiha.
Reuniu forças para correr até lá quando viu Sasuke surgir por entre as árvores. Não sabia se ele a reconheceria com apenas aquela pequena máscara de pano preto sobre seu nariz e sua boca, destacando ainda mais o azul intenso dos olhos entre a cortina dourada formada pelos fios de seus cabelos.
Ela e Sasuke se encararam por breves segundos, mas ao mesmo tempo em que Sasuke surgira, Sakura começou a gritar em plenos pulmões. No principio, ela ligou o grito à possível morte do mestre, uma vez que o Uchiha mais novo estava consciente em sua frente. Mas logo em seguida observando que os gritos não cessavam nunca, ela percebeu que não eram gritos de melancolia, mas eram gritos da mais pura dor.
Assim que a rosada teve forças pra se erguer de cima do corpo sem vida de Madara, Ino pode ver uma quantidade assustadoramente absurda de sangue que Sakura perdia. Nem mesmo as mãos estendidas em frente a sua face eram capazes de suprir a força dos gritos de dor da Haruno.
Para o inferno com Sasuke! Ino até esqueceu que ele estava ali e da fraqueza que sentia, saiu correndo na direção da amiga sem entender como ou que tinha a ferido daquela forma. Diria pelos gritos, que Sakura queimava viva.
– SA–CHAN! – Gritou, e seu grito chamou atenção de Sasuke.
Sasuke que também olhou para o que devia ser a mulher misteriosa ajoelhada em frente ao corpo sem vida do homem que ele pensou ter derrotado sem derrotar. Agora via que nenhum de seus ataques o havia o atingido verdadeiramente, ou o matado.
Ainda assim, fazer aquele genjutsu elaborado no momento de morte era algo inédito. Agora ele sabia que só havia saído do truque porque o ninja havia morrido, caso contrario ele não conseguiria sair de lá. Enquanto restasse um suspiro se quer nos pulmões daquele homem ele seria subjugado por aquele que se proclamou Madara.
Mas aquela mulher... havia algo de familiar nela. Não era apenas pela piada envolvendo suposições entre ela e seu irmão.
Podia reparar isso agora que ela não usava mais a odiada capa negra com nuvens vermelhas. A forma como ela se ajoelhava sentada em cima das próprias pernas era comum para si embora o chapéu ridículo e aquele pano negro, agora encharcado de sangue encobrissem sua face.
Ele olhou mais atentamente para o corpo jogado ao chão: Uchiha Madara.
Nada do que ele lhe contara sobre a origem do clã poderia ser verdadeiro. Ele teria que ser incrivelmente velho. Um baque atingiu Sasuke, o corpo do homem ainda possuía vida. Ele parecia agonizante demais para dar atenção aos gritos da kunoichi que sangrava, a mesma com que ele discutia quando se encontraram ali.
Ele teria ferido a própria companheira?
Dos akatsukis não duvidaria de mais nada. A cabeça quase inconsciente de Madara virou e tombou pesada ao lado de seus corpos, o dele e da mulher ao seu lado, enquanto a kunoichi loira tentava amparar a outra que estava ferida.
Os olhos rubros encararam uma última vez o membro mais novo de seu clã. De tão perdido com a quantidade de informações, Sasuke não teve tempo de perceber, também, quem imaginaria que alguém fosse capaz de atacar ainda naquelas condições. O mundo ao redor de Sasuke ficou escuro, e ter consciência do que acontecia não foi o bastante para livrá-lo das habilidades do velho moribundo.
Já havia caído inúmeras vezes naquela técnica que era marca registrada de seu aniki para saber que aquilo não seria nada bom.
– Como pode ter força para mais isso ainda? – Gritou para o velho que dentro da ilusão criada pelo mundo do Deus Sol ainda tinha a pose de superior.
Segurou o menor pelo pescoço e o ergueu até a altura de seus olhos onde mais uma vez o poder circulava. Com o que restava de suas forças, apenas uma rápida visão pode ser mostrada.
No mundo preto e branco o pequeno Sasuke sentia que havia algo muito errado no silencioso complexo Uchiha, sentiu-se estranhamente observado e tinha certeza que havia alguém o observando virou-se naquela direção como fizera quando correu aquele caminho pela primeira vez. Mas diferente de suas lembranças, do topo da torre, Madara o olhava atento.
Uma larga e rápida mancha negra tomou conta da visão e Itachi estava ao lado de Madara, ambos conversavam com um ser às sombras. "Eu não o matei" a voz de seu aniki ecoou e Madara o olhou de forma estranha enquanto os dois Uchihas deixavam para trás o vulto às sombras que sabia de seus crimes e os deixara simplesmente partir.
Sasuke caiu de joelhos no chão, estava novamente diante do banho de sangue naquele local fora da trilha. A cabeça de Madara pendia completamente sem vida ao mesmo minuto que a dor que a kunoichi sentia parecia se ampliar.
Ela agora parecia sem ar de tanto que gritava, mas ainda assim grunhia de dor segurando a cabeça. O sangue em excesso tingia toda fronte de seu corpo.
– SAKURA! – A loira desesperada apenas gritou, não tinha mais chakra para fazer qualquer coisa com a amiga a não ser se desesperar enquanto mantinha o corpo da rosada firme em seus braços.
NOTAS: aniki, expressão usada pelo irmão mais novo para se referir ao irmão mais velho.
