Capítulo vinte e três: Passos no escuro
Por Kami-chan
Sasuke caiu de joelhos no chão, estava novamente diante do banho de sangue naquele local fora da trilha. A cabeça de Madara pendia completamente sem vida ao mesmo minuto que a dor que a kunoichi sentia parecia se ampliar.
Ela agora parecia sem ar de tanto que gritava, mas ainda assim grunhia de dor segurando a cabeça. O sangue em excesso tingia toda fronte de seu corpo.
– SAKURA! – A loira desesperada apenas gritou, não tinha mais chakra para fazer qualquer coisa com a amiga a não ser se desesperar enquanto mantinha o corpo da rosada firme em seus braços.
O grito da loira funcionou como um gatilho na cabeça de Sasuke. Ele se dirigiu até as duas Akatsukis sobreviventes, a loira mantinha a outra firme entre seus braços, a segurando forte pelos ombros.
Parecia procurar de onde vinha todo aquele sangue em demasia, ela logo morreria por tamanha perda. A loira parou imediatamente ao ver a claridade ser cortada pelo movimento do corpo de Sasuke que se parou atrás de Sakura.
Ino tremeu, estava fraca e sem chakra. Madara estava morto e a amiga faria companhia ao líder Uchiha em pouco tempo se não recebesse nenhum auxílio médico e Sasuke estava em pé diante de si.
Simplesmente não havia o que fazer naquela situação. Os olhos azuis tomados por lágrimas por Sakura ergueram-se inseguros para Sasuke, mas este olhou pouco para si.
O sharingan frio do moreno desviou o olhar da loira para a ninja de chapéu rapidamente, mas no meio do caminho teve sua visão ofuscada pelo brilho do pingente que aquela mulher levava ao pescoço. Não era apenas o símbolo dos Uchiha, era o pingente que era de sua mãe.
Novamente a voz carregada de ironia do homem que jazia morto ante eles, avisando para aquela mulher que seria ele a cuidar do cunhado. Uma piada sem humor em sua opinião.
"Sakura" foi o nome que a loira de olhos azuis havia chamado aos prantos. No desespero do momento que se mostrou ser maior do que ouvir os gritos de dor, o momento em que ela parou de gritar. O momento em que a força pareceu se esvair por completo de seu corpo bem como, provavelmente, quase todo o seu sangue.
Sem nenhuma expressão no rosto, raspou a mão ligeira pela aba larga do chapéu fazendo-o voar longe e descobrindo os fios em tom rosa que davam cor ao nome da kunoichi que ainda grunhia de dor. Inconsciente e incapaz de perceber qualquer coisa ao seu redor.
Ino pôde ver o rosto de Sasuke se tingir do mais puro nojo ao ter reconhecido o rosto de quem estava diante de si. Mais uma vez os olhos do moreno se ergueram em si.
– Ino! – Concluiu vendo a loira apenas abaixar a cabeça. – Este pingente é da minha mãe e não deve ser usado por qualquer vadia que seja baixa suficiente pra estar do lado de quem matou a verdadeira dona dele.
A mão fina e pálida cravou no amontoado de cabelos presos no alto da cabeça de Sakura e a puxou para trás, expondo sua garganta. Suas intenções eram claras e bem expressas pelo olhar de desprezo.
– Sasuke não faça nenhuma bobagem, ela já está morrendo! – Ino choramingou.
Odiando-se por ter usado todo o seu chakra com o peixe Suigetsu. Havia chegado tão longe e se esforçado tanto para fazer valer cada bela palavra dita por si mesma e sua amiga ao deixar para trás uma vida medíocre de projeções simples e perspectivas baixas. Não podia apenas desistir agora.
Quer morrer primeiro Ino? – Desdenhou encostando a lâmina da Katana no pescoço da loira.
Mas ao fazer isso, a mão que segurava firme os cabelos de Sakura o fez dar mais um puxão em sua cabeça e as mãos da kunoichi que seguravam a face com tanta força a ponto de deixar marcas na pele caíram pendidas sem controle ao lado de seu corpo. A rosada quase sem força alguma abriu os olhos confusa e o novo grito de dor desviou a atenção dos outros dois.
Ino aproveitou o momento para olhar em todas as direções em busca de qualquer coisa que pudesse a ajudar, mas não viu nada além de um rio. Sasuke olhou para a ex companheira de time, incapaz de entender o que a fazia gritar tanto e a partir daí as coisas aconteceram muito rapidamente.
Os olhos de Sasuke rolaram e pararam sobre os da Haruno. A médica nada via, tirou o restante das forças que tinha para gritar a dor que sentia. Seus olhos queimavam de dentro para fora.
Houve tempo apenas de Sasuke a largar e correr. Ino se virou depressa para segurar o corpo desmaiado da amiga e a puxar para o sentido contrario às chamas negras que surgiram do encontro dos olhos rubros pelo sharingan dele e igualmente escarlates do sangue que saía dos dela. Sasuke se quer olhou para trás para ver a situação das duas, apenas saiu dali.
Com muito esforço, Ino puxou o corpo desacordado de Sakura até a encosta do rio. Antes de cuidar de qualquer coisa na rosada tratou de se alimentar das raízes que brotam nas encostas, sabia que antes de poder dar qualquer socorro à amiga precisava recuperar as próprias forças.
Comeu o quanto podia e então deitou o corpo de Sakura na beirada do rio para lavá-lo, limpando todo sangue que havia secado sobre a pele do rosto, mãos e busto. A roupa estava empapada de sangue, mas isso ficaria para depois. Essa tarefa não exigia força nem chakra da kunoichi que, recém-alimentada, começava a sentir suas forças voltarem.
Sabia que Sakura devia ter equipamentos de emergência selados em algum pergaminho. Ela própria deveria de ter, mas quando entrou para a organização a responsabilidade de cura havia ficado toda para a rosada e a única coisa que Ino ainda costumava levar consigo do seu quite de emergência eram as ataduras e panos para compressas limpos.
Externamente o corpo da Haruno estava intacto, todo aquele sangue só poderia mesmo ter saído de seus olhos. Na falta de chakra Ino deveria abri-los pra examinar, mas temeu iniciar uma nova hemorragia, então usou os panos limpos que tinha para vendá-la.
A falta de reação de Sakura, os batimentos muito baixos e a pele fria preocupavam Ino, entretanto a loira também não podia deixar de pensar no fato de que não sabia exatamente onde estavam, nem para onde deveriam ir. Toda a Akatsuki havia mudado de sede e a única pessoa que sabia o caminho para lá era Madara. Mas Madara estava morto.
Ino correu até onde jazia o corpo do velho moreno. Não havia o que fazer por ele, não tinha como levar o corpo consigo sabendo que teria que se poupar para não perder também Sakura.
Ajoelhada ao lado do corpo, ela pode ver a quantidade de sangue que havia saído do ouvido e que parecia diluído com outro fluído de seu corpo. Parte do sangue parecia ter saído também pelo nariz e pela boca. A face tão bonita parecia deformada, o contorno dos orbes havia ficado inchado e roxo.
Levou receosa as mãos até a nuca do falecido Uchiha para analisá-la. Esperava encontrar ali uma fratura, entretanto surpreendeu-se ao perceber que não havia nada de diferente ali nem enquanto o palpava, nem quando tentou movimentar sua cabeça.
Ela ainda tentava entender o que tinha ocorrido com o mais velho para apresentar sinais de trauma, sem trauma quando a resposta veio rápida em sua mente:
– Genjutsu. – Disse em voz alta para o homem morto. – Fazer tudo o que fez na idade em que está deve ter exigido demais de Madara. A lesão deve ter sido interna. – Concluiu imaginando o "patê" que o cérebro do Uchiha devia ter virado.
Parou então de analisar o corpo de Madara e vasculhar na capa negra se ele trazia qualquer documento ou orientação consigo, mas nada encontrou. Passou também a mão pelo anel do outro e o removeu.
O corpo de Madara fora jogado no rio e Ino voltou até Sakura. Depois do que havia visto em Madara, resolveu analisar os ouvidos e boca da Haruno, mas nenhum fluído saía da menina. Por baixo da compressa, apesar de levemente inchados, não havia sinal roxo no contorno dos seus olhos.
Finalmente sentindo o calor de algum chakra no corpo, a loira examinou Sakura detalhadamente sem encontrar nenhuma lesão interna em todo o corpo, entretanto não foi capaz de vasculhar bem sua cabeça devido ao inchaço anormal. Além disso, a única coisa que o exame lhe mostrara era que a rosada havia perdido muito sangue, quase uma quantidade irreparável.
Descobriu também através de seu jutsu único de dominação de mentes, um chalé abandonado. O lugar estava quase caindo aos pedaços, mas era o local seguro que tinham para se abrigar no momento e levou o corpo da amiga para lá.
O lugar tinha uma peça apenas. Havia um pequeno fogão à lenha, uma pia funda de pedra e um colchão velho e todo puído.
Parecia ser uma cabana de caça que havia sido abandonada há muito tempo. Os pertences médicos de Sakura foram distribuídos sobre a pia e Ino arrumou um recipiente para encher com água limpa e deixar perto da outra para qualquer emergência. O corpo de Sakura fora depositado no colchão e fogo fora feito no fogão como único recurso para tentar aquecer o corpo fraco.
Assim que Sakura pareceu estar mais estável, apesar de desacordada ainda, a loira tratou de esconder por ali seus pertences. Olhou mais uma vez para si, sua capa estava lavada com o sangue da Haruno.
Aquela era uma ferramenta poderosa, talvez a única que tinha para sair dali. E sem pensar em descansar Ino colocou sua cabeça para trabalhar, precisava fazer com que Sakura ficasse bem para poderem ir para um lugar que ainda nem sabiam onde ficava.
– Sakura, eu vou sair pra dar um jeito na nossa situação. Por favor, colabore não piorando enquanto eu não estiver aqui. – disse no ouvido da mulher inconsciente e saiu.
Após tanto pensar, apenas uma coisa pareceu lhe fazer sentido: Se elas não sabiam para onde ir, ela teria que fazer com que alguém chegasse até onde elas estavam.
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Os quatro vultos conversavam sentados atrás das fumaças cheirosas das xícaras de chá. Pelo menos dois deles conversavam, já que os outros dois faziam mais o tipo que escuta tudo e não fala nada.
– Isso poderia virar história. – Disse o maior deles erguendo a mão azul para dar ênfase à sua fala. – Submetido ao desejo de sua mulher, Pain decide deixar a liderança da Akatsuki para uma kunoichi achando que enfim terá paz na terra. Mas as estruturas do reino de Deus podem ser abaladas, pois agora além de ter que se submeter aos desejos de sua mulher e de sua nova líder, o todo poderoso muito em breve vai se ver submisso às vontades da filha ahaaa.
– Kisame, você realmente é uma criatura muito estúpida! – Foram as únicas palavras de Pain em resposta.
O até então líder da organização já havia comunicado sua decisão para todos. Embora tivesse ficado decidido que até terem certeza de quem ficaria no comando o ruivo continuaria dando ordens.
– Temos que esperar a médica voltar para termos certeza de que é uma menina Kisame, isso é só o que eu sinto. – Disse a única mulher da mesa alisando a barriga levemente avantajada.
– Será que elas voltam a tempo? Afinal você já estava com três meses quando saímos da outra sede e agora já está com...
– É claro que elas vão estar! – Konan cortou Kisame olhando-o com cara feia e indicando com os olhos a quarta pessoa na mesa que mantinha o rosto sério e os olhos fechados, o chá em sua frente estava quase intocado.
– Aha – O azulado pigarreou. – Ah Coronel Mostarda com o castiçal na biblioteca! – Disse mudando completamente de assunto e pegando algo no centro da mesa. – Kuso! – Disse olhando o conteúdo do envelope confidencial.
– Não. – A voz baixa soou junto com o som das cartas sendo jogadas na mesa como um sinal intimidador de que o jogo havia terminado. – Foi na sala de músicas.
– Droga Itachi, acertou de novo! – Kisame também havia jogado suas cartas na mesa.
– Pra mim chega. – Disse Pain se levantando. – Vou dormir. – Anunciou olhando para Konan.
– Eu só vou terminar o chá aqui e já vou lá – Disse ela e viu Pain sair da sala. – Kisame, sabe onde está Deidara? – Perguntou.
– No quarto, faz dias que ele não sai de lá. Segundo ele está fazendo um presente pra quando a loira voltar.
– É bom que o presente dele não seja de explodir! – Disse Itachi demonstrando nas palavras a falta de apreço pelas artes de Deidara.
– Kisame, pode me dar uma mãozinha aqui cara? – Hidan surgiu por trás da porta.
– Claro! – Se levantou e sumiu com o platinado.
Agora estavam apenas Konan e Itachi à mesa. A azulada estava esperando por este momento desde que o Uchiha havia passado a agir de forma estranha a partir do momento em que acordara aquele dia.
Gostava de Itachi e podia-se dizer que até tinha uma certa amizade com o moreno dentro dos limites do mesmo é claro. Talvez por isso sabia que mesmo tendo sua amizade, devia ir com calma com o Uchiha para arrancar algumas poucas palavras e sua boca.
– Sua cabeça ainda dói Itachi? – Perguntou e o que teve em resposta foi um movimento negativo feito com a cabeça. – Você acordou muito mais distante que o normal hoje, apenas me preocupei. – Justificou-se.
– Eu acordei com um mau pressentimento. – Disse sumindo atrás da xícara.
– Eu odeio seus maus pressentimentos, muitas vezes estão certos. No que está pensando?
– Eu não sei. – Largou a xícara sobre o tabuleiro do jogo que jogavam até pouco tempo, brincando com o peão rosa claro de Dona Violeta. – Não acha que eles já deviam ter mandado alguma mensagem ou um relatório...
– Sabe como é o Madara, sinceramente estranharia receber algo deles.
– Já passou tempo demais.
– Pain pediu para que fizessem o caminho mais longo não pediu? Veja, quinze dias da antiga sede até a vila da missão, mais sete dias para completarem a missão e mais uns trinta dias para chegaram aqui. Isso se não pegaram nenhuma tempestade ou coisa parecida no caminho. – Ela pousou a mão sobre a do Uchiha. – Você nunca imaginou sentir tanta falta de uma pessoa, imaginou?
– Já se passaram mais dias do que você acabou de mensurar. Pode ser que seja apenas falta da presença dela, mas ainda tenho esse péssimo sentimento.
A mão livre foi pegar a xícara de chá novamente, mas a alça de cerâmica trincou e se partiu fazendo com que a peça tombasse sobre a mesa, derramando chá por todo tabuleiro. Estranhamente o curso do líquido quente virado levou consigo o peão negro com o qual Itachi jogava, arrastando-o como uma leve folha na forte corrente de um rio.
O liquido fervente tocou a mão do moreno e o fez tirá-la logo de cima da mesa. No susto o Uchiha acabou jogando a peça cor-de-rosa que brincava entre seus dedos ser jogada para o alto e caiu com tanta intensidade no chão que picou.
Sobre a mesa, a peça negra que havia sido levada pelo chá só não se juntou à rosa no chão porque havia travado na base da pecinha azul. Sem dizer nada Itachi pegou a peça negra em uma mão enquanto a outra ainda mantinha firme a alça desprendida da xícara de porcelana.
Itachi e Konan se olharam, nenhum dos dois tinha coragem de transformar em palavras as ideias que tinham em mente. Itachi tinha entendido muito bem que o fato da xícara ter quebrado não fora mera coincidência, esse tipo de coisa nunca é.
Ainda mais em um dia em que acordara sentindo todas aquelas coisas ruins. Faltava-lhe somente conseguir entender o que aquela cena toda significava.
– Un..ainda estão acordados, também não conseguiram dormir? – Deidara havia aparecido ali, olhou para Konan e Itachi e depois pra a cena, ajuntou a peça do chão e se sentou ao lado de Itachi e sem perceber pegou também a pecinha azul. – O azul sempre me faz lembrar de Ino! – Disse a olhando pensativo e finalmente largando os dois peões lado a lado em sua frente, longe de toda bagunça que havia em cima do tabuleiro – Deitei faz horas, mas não consegui dormir de jeito nenhum un. Há alguma coisa em mim que está inquieta. – Só então Konan e Itachi deixaram de se encarar e prestaram atenção no loiro.
– Pain deve estar me esperando para dormir, eu disse que já estaria subindo e acabei ficando tempo demais aqui. – Disse simplesmente e abandonou os dois ali.
Assim que não estava mais sob a vista de Itachi, Konan correu pelas escadas à cima. Obviamente a mulher origami que já tinha motivos suficientes para não ignorar os maus pressentimentos de Itachi se assustou com o acidente com a louça na sala e precisava pedir para que Pain desse um jeito de ter notícias do mundo além da fortaleza onde se mantinham seguros e reclusos.
Abriu a porta do quarto com força, mas não encontrou quem procurava ali. Então se concentrou no chakra do ruivo e correu para a sala do líder.
– Deidara, esteja preparado para sair a qualquer momento.
– Un?
– Apenas esteja preparado. – Repetiu encarando o loiro de maneira tão ameaçadora que o outro apenas concordou com a cabeça.
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– Qual o sentido de você trabalhar assim tão tarde da noite? – O ruivo estava encostado de braços cruzados na escrivaninha de sua sala, ou ainda sua até que a nova líder tomasse conta.
– Eu gosto do silêncio oferecido pela noite. – Os olhos verdes deixaram de encarar o cofre aberto para olhar para Pain enquanto falava.
– Não se ofenda, mas você tem absoluta certeza do que está fazendo, Kakuso?
– É claro que sim. Acha que eu ficaria fazendo testes usando todo dinheiro que temos?
Disse balançando um maço de cédulas. Este Fuuin foi desenvolvido por mim mesmo, não tem como ninguém saquear esse cofre.
– Então não se esqueça de ensiná-lo à líder quando ela chegar. – Pain ao falar da liderança repetiu um ato que havia se acostumado a fazer desde a noite em que decidira passar aquela liderança adiante.
O ruivo entendeu a mão e procurou no anel, que até então permanecia liso, um novo Kanji. Surpreendeu-se, sobre o fundo rubro do anel de prata havia novamente um símbolo manchado de preto, entretanto aquele kanji de novo não tinha nada.
No anel de Pain voltara a se destacar o símbolo "Deus" e ele sinceramente não sabia o que aquilo poderia significar. Nem bem havia terminado de concluir seus pensamentos, ouviu batidinhas na porta e viu o rosto de Konan pela abertura.
– Pain-sama precisamos que mande alguém lá fora pra rastrear informações sobre as meninas e Madara.
– Como assim?
– Bom digamos que Itachi teve presságios. Faz muito tempo que saíram, deveríamos ter notícias.
– Odeio os pressentimentos do Uchiha, costumam estar sempre certos. – Resmungou Kakuso colocando o precioso dinheirinho da organização dentro do cofre. Pain voltou a mirar o anel com o estranho velho símbolo cravado.
– Você pediu para que fossem bastante vistos, não deve ser tão difícil achar algo. – A azulada continuou.
– Kakuso, será que você e Hidan poderiam dar um jeito nisso? – Perguntou o ruivo.
– Yare, aquela anta é péssima em descrição. Mas ordem dada é ordem cumprida.
– Certo, termine aí e prossiga com essa missãozinha. Boa noite. – Ele disse e seguiu na direção de Konan.
– Boa noite! – O mais velho respondeu já vendo o casal sair.
– Você não precisou de um argumento melhor do que "Itachi teve presságios". – Ela comentou quando já caminhavam no corredor e Pain a acompanhava com o braço em torno de sua cintura.
– Ele geralmente está certo de qualquer forma. E também tem isto. – Mostrou-lhe a mão onde repousava o anel. – Sabe me dizer o que isso pode significar?
– Não! – Ela disse num desabafo – Talvez que os dias que eu pensei que teria de paz vão terminar antes mesmo de terem começado. Não teve nenhuma visão com o Rinnegan?
– Não. Não é simples assim.
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– Ainda estão acordados haa? Deviam aproveitar e dormir numa noite de chuva como esta, já que não precisam sair aha – O mais desapegado do bando se dirigiu aos dois membros que estavam na sala.
– Pare de reclamar Hidan. – Advertiu o mais velho, que entrou no aposento logo em seguida o olhando de maneira ameaçadora.
– Vai fazer o que velho, me matar? Hahaha.
– Não, vou picar você e mandar uma parte do seu corpo pra um país diferente. Exceto o coração, vou ficar com o seu coração.
– Eu hem...também não precisa levar as coisas tão à sério Kakuso. Até por que o cara da foice aqui sou eu aha. – Hidan desmanchou-se em uma risada medonha.
– Meu Deus, vocês dois brigam feito um casal de velhos. – O moreno não se preocupou em baixar a voz, ainda estava na mesma posição na mesa da sala.
– Yare Itachi. Só precisamos sair por aí por causa dos seus chiliques. Os seus e dessa biba loira aí.
– Quem é que ele chamou de biba e desde quando você da chiliques Itachi-danna?
– Hidan se controla, por favor. – Pediu ao companheiro e então se dirigiu à Deidara – A biba é você mesmo, loiro burro e Hidan, não foram chiliques e sim presságios.
– Presságios? – Deidara se ergueu rápido da cadeira apavorado. – Você teve presságios Itachi, un? Eu odeio seus presságios o que foi, un? São as garotas? Por isso me pediu pra ficar pronto pra sair a qualquer momento, un? – Ele emendou uma pergunta na outra sem dar tempo nem do moreno absorver as palavras direito.
– Obrigada Kakuso! – Disse claramente irritado com a reação que o mais velho havia criado ali.
– A propósito, agradeça à Azulzinha. Ela quem pediu essa missão, estamos indo. – Olhou para Deidara ansioso e resolveu escolher bem as palavras – Buscar algumas informações.
– Arigato. – Disse, e desta vez foi sincero.
– Itachi un, para de agir como se eu fosse um inútil e me diz o que está acontecendo? – O loiro quis saber assim que a dupla imortal já havia saído.
– Você não é um inútil, mas é impulsivo demais. Parece que vai explodir a qualquer minuto.
– Eu me acalmo se você me falar, un.
– Tá. Já passou muito tempo sem notícias do trio, então eles vão lá fora ver se conseguem algumas informações da missão deles.
– Mas o que você sentiu un? Elas estão bem Itachi? Itachi...Itachi?
– Aproveita que sabemos que eles estão lá fora hoje pra dormir e descansar, talvez assim que voltarem teremos que estar prontos para partir, eu e você. – Disse sem maiores detalhes e se levantou da mesa para ir para o seu quarto.
– Itachi-danna você não me respondeu de verdade un – A voz do loiro tinha baixado. – Elas estão bem?
– Eu não sei. – Disse e sumiu escada acima.
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– Shikamaru – Hinata havia voltado ao grupo – Realmente, este é o lugar. Não há mais nada nem ninguém na localidade, a explosão foi séria e consumiu grande parte da sede deles.
– Vamos até lá ver se descobrimos algo. Fiquem todos atentos, essa era a sede da Akatsuki pode ser que haja armadilhas. Coletem tudo que encontrarem, precisamos de tudo que puder nos dar uma orientação.
– Shikamaru! – Agora era Neji quem o chamava, ele vinha correndo em sua direção, o Hyuuga era o líder do grupo que havia seguido outro caminho até ali. – No caminho para cá, avistamos chamas muito altas.
– Chamas? – Repetiu sem entender muito bem o que chamas teriam de importante naquele momento.
– Hai, chamas negras. Nenhum de nós teve a capacidade de apagá-las então não tivemos a oportunidade de seguir por aquele caminho para investigar sua origem.
– Chamas negras que não se apagam? Algo semelhante foi usado por Uchiha Itachi muitos anos atrás, não se sabe ao certo qual a origem deste jutsu. Guarde as coordenadas, é para lá que seguiremos assim que terminarmos aqui.
– O jutsu se chama Amaterasu Shikamaru-san. – Hinata que ainda estava por perto informou – A ANBU tem conhecimento deste jutsu, é um dos poderes que apenas o Mangekyou Sharingan pode criar.
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No meio de uma trilha, nas coordenadas dadas pelo mestre Jiraya, Kakashi chamava os cães ninjas do clã Hatake. Sabia que não seria um trabalho fácil, mas não haveria chance maior de encontrar qualquer pista sobre o trio de Akatsukis que procurava do que com seus cães. Mandou cada um em uma direção, eles deveriam isolar três aromas que estivessem sempre juntos e meia tarde depois havia encontrado uma pista.
– Sigam sempre esses cheiros. – Ordenou – Temos muita pressa.
– Kakashi há um problema, um dos cães encontrou outro grupo de quatro ninjas que seguem sempre juntos. – Disse o pequeno e eficiente Pakkun.
– Divida o bando Pakkun, metade de vocês deve ficar comigo e a outra metade segue o novo rastro.
– Hai.
NOTAS: Eu sei que é tosco, mas eu sempre quis fazer uma cena de detetive em uma fic;
Caso alguém não conheça o jogo Detetive (um jogo onde há um assassinato numa mansão, tem suspeitos, armas e geral tem que descobrir quem eh o assassino, a arma e o local do crime e sim, eu era viciadona nisso) entre os muitos suspeitos, tem a Dona Violeta e pra ela é dado um peão rosa, no presságio o peão rosa significa Sakura, o Coronel Black com o peão preto e representava Madara e também o Marinho que eu não lembro se é doutor, coronel ou capitão, mas é o peão azul e representa Ino.. pronto, agora quem nunca jogou esse jogo pode ler o pressagio ali em cima dnvo que vai entender.
Sim gente, o Deida-san chama o Itachi e o Kisame de "danna" também um, ele voltou lá da missão em que foi recrutado chamando os três de mestre e não só o ruivo.
