Olha só quem voltou... não, eu não abandonei essa história. Eu realmente fui negligente com meus projetos paralelos a Violinos. Mas vou me esforçar para atualizar essa fic e Primavera com mais frequência. Obrigada pelas reviews animadoras, vcs são uns amores.
Boa leitura!
Eu estava fervendo por dentro, nunca tinha experimentado essa sensação de raiva e impotência. Eu queria proteger Erik daquela mulher, mas seria impossível fazer isso uma vez que ela era a verdadeira mãe dele. Madeleine era uma mulher louca, eu vi isso nos olhos dela. Não era só uma soma da solidão e dos boatos maldosos que a população pôs sobre ela, não, ela odiava aquela criança. E o pior de tudo é que esse ódio tinha apenas um motivo, o rosto de Erik.
Eu queria gritar de raiva, minhas mãos tremiam enquanto eu tentava preparar um chá para me acalmar. Eu havia deixado uma xícara de porcelana cair e estava murmurando com raiva quando ouvi passos delicados na porta.
"Madame De Lavigne, está tudo bem?"
Era Erik. Seus olhos dourados brilhavam por trás da máscara e ele parecia preocupado.
"Erik! Que surpresa." Eu disse nervosamente. "Como você está, querido?"
Eu o peguei pela mão e o fiz se sentar na pequena mesa da cozinha enquanto eu servia duas xícaras de chá.
Nem eu, nem Erik comentamos sobre o ocorrido há poucas horas atrás. Erik estava entretido em me explicar como funcionava a caixa de música que ele estava construindo a partir de uma velha de Madeleine que ele salvou de ir para o lixo. Eu o escutei atentamente, mesmo sabendo que eu não conseguiria acompanhar o seu raciocínio rápido. Eu sabia que ele estava gostando da atenção, pois ele agia cada vez mais como uma criança, tirando aquele manto de compostura que ele sempre usava. Enquanto eu o ouvia, algo estalou na minha cabeça e eu o interrompi.
"Erik, você não me contou que hoje era seu aniversário." Eu disse calmamente.
Erik baixou os olhos e eu notei que esse era um assunto delicado. Eu me perguntei o que aquela bruxa fez para que ele ficasse daquele jeito.
"Eu não gosto de aniversários." Respondeu Erik duramente.
Eu senti uma onda de dó daquela criança. Quem falaria de seu aniversário desse jeito? Aniversários são dias felizes onde todos fazem de tudo para mima-lo. E aquele doce menino estava passando o seu dia sentado na cozinha de sua vizinha sem a menor intenção de comemorar aquele dia.
Eu caminhei lentamente até ele e me abaixei na sua altura. Ele olhou curiosamente para mim, mas tudo que fiz foi puxa-lo para um abraço apertado. Eu sorri para sua expressão de surpresa e lhe dei um beijo na testa.
A reação dele me assustou bastante e me deixou muito preocupada. Erik simplesmente começou a chorar, mas havia um sorriso em seus lábios. Eu o abracei novamente e o segurei até ele se acalmar.
A partir daquele dia eu deixei de ser a "Madame de Lavigne" para Erik.
Eu era apenas "maman".
Alguns meses se passaram depois desse incidente no aniversário de Erik. Meu primeiro verão em Boscherville se passou magicamente bem tendo Erik como uma constante companhia. Ele havia ganhado um espaço permanente no coração de Julien e no meu e também ele ganhou um lugar em nossa casa onde ele era sempre bem-vindo. Ele ganhou o costume de me trazer uma enorme quantidade de bugigangas que ele mesmo fazia com coisas que ele encontrava ou ganhava de Madeleine. Ele não falava da mãe e eu não fazia perguntas. Eu lhe ofereci a minha casa para ser um local onde ele podia esquecer tudo e ser simplesmente uma criança.
E era realmente isso que estava aparecendo nele. Ele parecia interessado em brincar e explorar a floresta que fazia divisa com o quintal dos fundos da minha casa. Eu não o deixava ir muito longe, mas eu duvidava que ele me escutava quando a sua curiosidade tomava a frente. Muitas vezes ele voltava com um buque de flores silvestres que eu deixava no vaso sobre a mesa de jantar onde ele poderia exibir orgulhosamente as flores cada vez mais belas e exóticas que ele conseguia colher.
Com a chegada do inverno, eu tive que restringir as atividades de Erik para dentro de casa o que o deixava um pouco entediado, mas eu era irredutível. Ele me parecia tão frágil que eu temia o que poderia acontecer com ele se ele pegasse um resfriado. Bem, meus cuidados surtiram efeito em Erik, mas parece que eu não tive a mesma sorte. Eu acordei em uma manhã com uma tremenda dor de cabeça e uma febre terrível que deixou Julien bastante assustado.
Foi um período horrível. Eu estava semiconsciente e completamente desligada do mundo ao meu redor. Eu não consigo lembrar de tudo o que aconteceu e não sabia diferenciar sonhos da realidade. Eu me lembro de ouvir a voz de Julien em um dos meus períodos mais conscientes onde ele me pedia para permanecer forte. Eu podia ver que ele estava bastante assustado, mas não pude responder, pois uma nova onda de febre a levou para longe de tudo e todos. Tudo estava à deriva, eu estava à deriva. Esqueci do meu nome, da minha história, de Julien, de Erik, de tudo e todos.
Eu acordei muitos dias depois me sentindo pesada e enjoada, meu corpo parecia travado pela falta de uso e eu lutei para conseguir abrir os olhos. Eu vi que meu quarto estava um verdadeiro caos. Todas as toalhas da casa estavam espalhadas pelo quarto e havia uma grande quantidade de cobertores sobre mim ou espalhados pelo cômodo. Julien por sua vez estava dormindo caído em uma cadeira. Ele parecia muito cansado e estava totalmente desfeito, seu cabelo estava bagunçado e ele estava em mangas de camisa. Eu me mexi desconfortavelmente e isso o despertou.
"Como você está?" Perguntou Julien colocando a mão na minha testa e suspirando de alivio. "Você me deu um grande susto."
"Desculpe." Eu murmurei quando ele me deu um beijo no rosto.
Meu período de convalescência foi entediante. Eu estava realmente fraca demais para levantar da cama nos primeiros dias, eu passava boa parte do tempo dormindo e no final de tudo, eu passei mais de duas semanas na cama. Quando eu estava me sentindo melhor, eu perguntei sobre Erik para Julien. Ele simplesmente deu de ombros.
"Ele apareceu quando você estava mal, mas eu não deixei ele entrar no quarto para vê-la, pois eu temia que ele também pegasse essa gripe. Ele veio várias vezes para ter notícias suas, mas faz mais de uma semana que eu não o vejo."
Eu me senti levemente magoada com isso, mas logo depois uma espécie de desconfiança começou a brotar no meu peito.
Na outra manhã eu peguei meu cesto e fui até o centro da vila para fazer algumas compras e esticar as pernas depois de tanto tempo de cama. Era um dia ameno e levemente nublado. Eu ainda estava pálida e muito mais magra por causa da minha doença, e eu imaginei que esse era o motivo pelo qual as pessoas estavam me encarando estranhamente.
Eu estava no verdureiro escolhendo alguns maços de couve de Bruxelas quando eu ouvi uma mulher rechonchuda que segurava uma menininha de uns quatro anos pela mão sussurrar para a jovem que estava ao seu lado.
"Parece que o padre só saiu da casa quando o dia estava raiando."
"É verdade que ele tentou matar a mãe?"
"Eu não sei disso, mas não duvido. Dizem que ele é uma desova do demônio, o que se esperar de um monstro desses?"
Eu estava totalmente enjoada e aterrorizada com o que eu ouvi. Eu saí sem dar a menor satisfação e fiz meu caminho de volta para casa. Mas no caminho eu vi uma figura conhecida fazendo o caminho oposto.
"Mademoiselle Perrault!" Eu gritei correndo até ela.
A jovem ruiva me olhou parecendo assustada com a minha expressão, e eu tinha que admitir que deveria estar parecendo uma insana correndo na direção dela daquele jeito.
"Madame De Lavigne." Respondeu Marie com a voz um pouco tremula.
"O que ela fez com ele?" Eu perguntei desesperadamente.
Marie entendeu no mesmo momento a quem exatamente eu me referia. Ela ficou mais pálida do que já era e mordeu os lábios várias vezes antes de responder com a voz tremula.
"Erik se comportou estranhamente nos últimos dias. Soube que você estava doente, Madeleine disse a Erik que você iria morrer e ele ficou aterrorizado." Murmurou Marie.
"Que crueldade!" Eu exclamei indignada.
Mas havia mais.
"Bem, não foi essa a causa exata de tudo." Disse Marie. "Mas acredito que ele já estava abalado por causa disso."
"Diga logo!"
"Era por causa de Sasha, a cadela dele. Ela está bem velha já e Erik é muito apegado a ela. Padre Mansart foi até ele para explicar que ela não viveria para sempre e algo do gênero."
"Sim. E o que há de errado nisso?" Eu perguntei impacientemente.
Marie se mexeu desconfortavelmente.
"Erik acreditava que quando Sasha morresse Deus a levaria para o Paraíso e eles se veriam novamente."
Eu fechei meus olhos. Pobre criança, provavelmente Padre Mansart o corrigiu na hora e sem medir as palavras.
"Ele teve uma espécie de surto de raiva." Continuou Marie. "Quando eu cheguei eu vi a sala quase destruída e Madeleine com um corte no braço. Erik tentou ataca-la."
"E o que fizeram com ele?" Eu perguntei já sabendo a resposta, mas sem querer acreditar.
"O Padre acredita que ele está possuído. Ele realizou uma cerimônia de exorcismo na mesma noite e só saiu ao amanhecer, eu estive lá a pouco. Erik realmente parece possuído, eles o prenderam na cama até que ele volte ao normal..."
Eu me afastei de Marie sem me despedir e a deixei falando sozinha, eu já tinha ouvido o suficiente. Uma barreira de lágrimas cobria meus olhos. Eu simplesmente corri pela estrada de terra que levava até a casa Levievre.
"Sophie! Onde você está indo?" Perguntou Julien ao me ver passar pela nossa casa sem sequer olhar para o lado.
Eu parei e gritei para ele:
"Pegue sua maleta e venha! Erik precisa de ajuda."
"O que aconteceu?" Perguntou Julien.
Mas eu já estava correndo em direção a casa. Ela parecia igual do que da última vez que eu estive ali. As janelas estavam cobertas por cortinas escuras e a casa estava completamente silenciosa. Eu fui até a porta da frente e bati, mas como era esperado, não houve resposta. Eu girei a maçaneta e para minha surpresa a porta estava aberta. Eu entrei sem a menor cerimônia e subi as escadas.
"Erik! Sou eu, Sophie!" Eu chamei ao caminhar pelo corredor. "Por favor, querido, responda!"
O Pânico começou a brotar no meu peito, o andar superior tinha apenas dois quartos e ele não estava em nenhum deles. Quando eu estava prestes a desmaiar de terror, eu notei a pequena escada que deveria levar para o sótão. Eu subi até lá e vi que havia uma porta que deveria dar para mais um quarto. Estava trancado, mas a chave estava na fechadura. Eu abri a porta e quase gritei de horror com a cena na minha frente.
Erik estava amarrado pelas mãos e pés na cama, sua camisa estava aberta e parecia colada ao corpo o pelo suor. Ele estava desmascarado e havia vários cortes pequenos no seu rosto e havia hematomas feios no seu peito. Ele estava com os olhos abertos, mas parecia completamente alheio a tudo ao seu redor. Aquele cenário quebrou algo dentro de mim. O interessante é que com o choque e horror de tudo, minha mente ficou limpa e racional. Eu sabia que não podia perder o controle, pelo bem de Erik.
Eu corri até a cama e desamarrei as mãos e os pés dele antes de tudo. Quando ele se viu livre, foi quando ele finalmente olhou para mim.
"Maman?" Disse ele em um sussurro exausto.
"Sim, sou eu." Eu disse carinhosamente enquanto o examinava a procura de mais ferimentos.
"Você não morreu?" Perguntou ele com lágrimas nos olhos.
Eu beijei seu rosto delicadamente e ouvi ele soluçar.
"Doeu... é muita dor, maman." Choramingou Erik. Eu tive que conter meu choro quando eu o ouvi dizer isso.
"Eu sei, querido. Julien vai ver você e tudo vai melhorar.
Eu o envolvi em um cobertor que estava na cama e o carreguei para fora como se ele fosse um bebê. Ele se agarrou em mim com força e eu sabia que ele estava muito apavorado. Eu sabia dos horrores que aconteciam nas cerimonias de exorcismo e só de imaginar essa criança passando por isso meu coração apertava de tanta agonia.
Julien estava na porta da minha casa, e eu vi a sua expressão de profundo choque quando ele me viu carregando Erik nos braços. Ele se apressou e correu até mim. Eu passei Erik para os braços dele e vi nos olhos de ouro da criança que ele estava chocado com o que estava acontecendo. Agora eu entendo que seu choque era devido ao nosso medo e apreensão em vê-lo naquela situação. Ele não estava acostumado a ver pessoas infernalmente preocupadas com ele.
"O que aconteceu, Sophie?" Perguntou Julien depois que ele pousou Erik no sofá.
"Um exorcismo! Pode acreditar?" Eu disse me ajoelhando no chão e segurando a mão de Erik enquanto Julien examinava os hematomas com mãos habilidosas.
Julien não disse nada, mas ele fechou os olhos e inspirou com força quando ouviu a palavra "exorcismo", mas ele tentou disfarçar para não alarmar Erik que o observava com olhos temerosos.
"Erik, me escute." Disse Julien claramente. "Preciso que você me diga onde está doendo."
"Minhas costas..." Murmurou Erik se mexendo em desconforto.
Eu o ajudei a se sentar e tirar a camisa. Eu estava chocada com a magreza extrema de Erik, parecia que cada osso do seu tórax aparecia sob a pele alva e delicada dele. Mas o meu choque foi ver as costas dele. Havia uma longa marca vermelho-arroxeada que cortava suas costas de ponta a ponta, ele deve ter passado toda a noite e metade do dia amarrado naquela cama durante a cerimônia de exorcismo e com aquelas escoriações e hematomas, ele deveria estar sentindo muita dor.
Julien aplicou algumas compressas nas costas de Erik, para aliviar os hematomas e fez curativos nos seus pulsos que estavam em carne viva, provavelmente ele deve ter lutado muito contra as amarras. Depois de tudo feito, eu convenci Erik a tomar uma caneca de gemada antes de deixa-lo descansar. Ele adormeceu enquanto eu cantarolava canções de ninar.
Depois que Erik estava dormindo, eu fui até a cozinha, onde encontrei Julien.
"Eu não vou deixa-lo voltar pra aquela mulher, Julien." Eu declarei assim que o vi me encarando.
Julien suspirou e veio até mim e tomou minha mão.
"Você sabe que não pode." Disse ele calmamente. "Ele não é nosso filho, por mais que o amemos como tal. Ele tem uma mãe."
"Ele tem um monstro, uma bruxa, mas não uma mãe." Eu retruquei.
"Por mais cruel que ela pareça ser, ela ainda é a mãe dele. Nós não podemos simplesmente tirá-lo de casa. A lei nunca estará do nosso lado."
Uma batida forte na porta me fez saltar de susto. Eu e Julien corremos até a sala de estar. Erik estava de pé e olhava apreensivo para a porta.
"Sophie De Lavigne!" Gritou uma voz do lado de fora da porta.
"Mãe..." Murmurou Erik apreensivamente.
Julien passou por mim e por Erik e abriu a porta tranquilamente.
"Boa tarde, madame." Cumprimentou ele cordialmente.
"Onde ele está?" Disse ela raivosamente.
Não levou muito tempo para ela ver Erik que estava atrás das minhas saias.
"Aí está você! Quem lhe deu permissão para sair?" Disse ela se dirigindo a Erik.
"Eu o trouxe para cá. Ele estava ferido e amarrado como um animal!" Eu disse horrorizada com a crueldade daquela mulher. "Ele é seu filho, como você pode trata-lo desse jeito."
"Não fale do que você não sabe!" Gritou Madeleine. "Você invadiu minha casa e sequestrou meu filho. Eu deveria chamar os policiais!"
Eu soltei um riso de escárnio.
"Como você pode sequer me ameaçar disso? Seu filho estava ferido e sozinho sem a menor assistência! Você permitiu um exorcismo! Eu não tenho palavras..."
"Eu sou a verdadeira mãe dele e decido sobre a sua educação. Por que você não tem seus próprios filhos para envenenar as suas mentes e conduzi-los ao inferno?"
"Agora já basta!" Interveio Julien. "Você não pode entrar na minha casa e ofender a mim e minha esposa desse jeito. Tudo que fizemos foi ajudar uma criança vulnerável e vítima de óbvios maus tratos. Não há nenhum crime nisso."
Madeleine não respondeu, ela olhou diretamente para Erik e eu soube na hora que ela estava planejando algo cruel para ele, tanto que eu instintivamente o coloquei mais atrás de mim.
"É isso que você quer?" Disse ela se dirigindo a Erik. "Posso deixa-lo com eles se você quiser. E você nunca mais vai me ver, nunca mais."
Eu fiquei indignada com a chantagem emocional barata que ela estava fazendo. Eu senti Erik soltar do meu vestido e vir ficar ao meu lado.
"Faça sua escolha. Se você não voltar pra casa comigo agora, eu não voltarei nunca mais." Declarou Madeleine cruelmente.
Erik olhou para mim e para Julien, mas nós dois estávamos mudos perante aquele teatrinho barato. Julien foi o primeiro a despertar, ele saiu da sala anunciando que isso era entre eu e Madeleine. Eu fiquei chocada com sua atitude atípica. Julien não me abandonaria desse jeito.
Madeleine deu as costas e foi até a porta, mas não sem antes se virar para Erik.
"Pelo visto você já fez sua decisão."
"Não..." Murmurou Erik e mesmo sem eu olhar, eu sabia que ele estava prestes a chorar. Ele fez menção de ir até ela, mas eu o segurei. Eu me abaixei na altura dele e de costas para Madeleine.
"Nós nunca quisemos tira-lo de sua mãe. Você sabe o quanto nós gostamos de você e como você sempre será bem-vindo nessa casa. Não tenha medo, eu sempre vou estar com você."
Erik concordou mostrando que entendeu. Eu dei um beijo na sua testa e me levantei. Madeleine encarava nós dois com uma expressão estranha no rosto. Eu soltei Erik e ele caminhou obedientemente para o lado de sua mãe.
"Onde está a sua máscara?" Perguntou ela de repente.
"Em casa." Murmurou Erik.
Madeleine olhou pra mim de um jeito estranho, como se ela não acreditasse que eu podia suportar ver Erik sem uma máscara e como se isso a enojasse.
Quando os dois se viraram para sair da casa, Julien apareceu e foi até Erik e o abraçou delicadamente. Eu não entendi até ver ele deslizar um bilhete para dentro do bolso da calça de Erik.
"Espero vê-lo em breve" Disse Julien cordialmente para Erik.
Depois que os dois saíram da minha casa, eu subi para o meu quarto e me deitei na cama, só lá que eu finalmente comecei a chorar. Era um choro de raiva, incompetência e frustração por não ser capaz de livrar Erik daquele ambiente horrível. Julien entrou no quarto e me abraçou sem dizer nada. Eu sabia que ao menos um pouco desse meu sentimento era compartilhado por ele. No fim estávamos de mãos atadas e sem ter o que fazer. Mesmo com todo amor e carinho que eu estava disposta a dar, a cruel realidade me oprimia. Por mais que eu desejasse. Erik não era meu filho.
E por Deus, como eu queria que ele fosse.
