Capítulo trinta e um: Katsu!

Por Kami-chan

De onde estava Sakura nada via, um clima úmido atingia seu corpo fazendo-a arrepiar, indicando-lhe o quão longe estava da floresta onde a batalha acontecia. Apenas a respiração da rosada se fazia ouvir e as únicas evidencias de chakra estavam muito longe dali. Quem sabe na batalha mesmo.

As mãos tocaram o ambiente ao seu redor, tentando reconhece-lo. As paredes úmidas e embarradas sujaram suas mãos, e logo uma delas correu para se limpar em sua roupa, então a mão livre e limpa puxou a venda em seus olhos.

Tudo estava escuro, mas ainda assim a cabeça da Haruno parecia querer explodir. Podia ouvir muito ao longe os sons acusadores das batalhas que estavam sendo travadas entre seus amigos, mas não sabia qual, talvez as explosões de Deidara.

Era difícil decidir o que era pior, ficar ali como uma inútil, sem se quer saber como Itachi e os outros estavam se saindo, ou a dor que martelava em sua cabeça. No fundo o que mais incomodava a médica era o pensamento obtuso de que mais uma batalha grande estava sendo travada e mais uma vez, ela estava sendo privada da mesma. Com mãos e pés atados, sem poder ajudar em nada.

– Merda! – Gritou deixando sua voz ecoar pela caverna solitária, tão alto quanto fosse necessário para que a raiva que a afligia fosse extravasada com o gesto.

Havia um ódio crescente em si, algo que não fazia parte de sua personalidade costumeira. Um calor que tomava seu corpo e corria por todas as suas veias, o mais puro ódio. Tentou ser racional e sentou no chão, se quisesse ser útil novamente teria que pensar. E ela era boa nisso.

Era altamente perigoso, mas a rosada precisava agir depressa e para isso, usar a si mesmo como sua curadora. Concentrou-se em seu chakra, ele estava diferente, mais forte e instável. Mas precisava controlá-lo como havia aprendido a fazer desde de muito cedo, uma corrente fina e contínua, que se espalha harmoniosamente por todo o corpo.

Tentou inúmeras vezes, inútil. O que havia de novo em si estava dificultando demais o trabalho. Aquele chakra quente e corrosivo parecia ser indomável.

Fechou os olhos e suspirou, tentou encontrar em sua mente todas as informações que tinha sobre chakra, poder e qualquer blábláblá Uchiha que em algum momento poderia ter julgado como inútil. Meditação, Uchihas meditavam e faziam tarefas que exigiam o triplo de concentração comum.

Eu fiz questão que você soubesse bem o que há de diferente e realmente especial na força e na fúria dos Uchiha.

A voz de Madara soou como um fantasma em sua cabeça. Merda, como se ativa um sharingan, afinal?

Por que tinha lembrado assim das palavras do Uchiha mais velho?

Pensou em Itachi mais uma vez e baseou-se no namorado para achar alguma resposta. Só vinha uma. Meditações, controlar aquele chakra exigia muito mais concentração, pois havia uma fúria incontrolável em sua origem. Madara falava tantas coisas sem sentido, tantas coisas que não tinham nada haver com...

– Consegue entender agora o que o velho senil dizia, linda flor? – A voz dita com clareza soou atrás de si.

– Você morreu. – Disse a rosada sem se virar, não duvidava nem um pouquinho que a dor que sentia pudesse estar a deixando louca.

– Morri! Mas eu já estava velho demais, sabe, é natural que os velhos passem dessa vida para a outra. Não se preocupe, você não está louca, eu sou apenas uma memória sobre o que aconteceu enquanto você esteve 'desplugada'. Toda essa conversa aconteceu no passado, é confuso agora, mas será normal quando você também controlar o tempo e o espaço.

– Hn. – Concordou com um aceno, não sabia de vinha toda calma que lhe atingia.

De repente a dor apaziguava. É claro, era o chakra daquele homem que estava misturado ao seu, não seria estranho que a presença dele melhorasse tudo. E de repente tudo estava tão claro. Sakura abriu os olhos que nem percebeu ter fechado, não estava na caverna escura. Estava em Tsukiyomi.

– Você planejou isso desde o começo, não foi? Desde me fazer aprender cada vaso e estrutura diferencia da anatomia dos Uchiha, tão às pressas que tive que praticamente ferir Itachi. Pediu-me para curá-lo às presas. Por isso me obrigou a deixar Itachi pronto ignorando a dor que ele sentiria depois.

– Você deve saber que seus olhos agirão sozinhos ao encontrar outro sharingan pelo caminho, pelo menos até que você os controle, foi o único meio que encontrei para protegê-la de Sasuke, seu corpo está inconsciente agora. Mas Itachi é diferenciado, além de você ele é o único com o Mangekyou, e entrar em contato com os olhos dele, trará ele até aqui. Ele saberá guiar você de volta.

– Por isso falava todas aquelas coisas sem sentido, tudo faz sentido agora.

– Viu, eu sabia que você era inteligente o suficiente para entender minhas jogadas todas. – Ele riu com vontade, céus, ele estava feliz.

– Por que fez isso? Estou uma inútil, não sei controlar o poder que me deu. Eu matei meu sensei. – A rosada disse com pesar. Nem sabia como sabia daquilo, mas tinha flashes em sua cabeça.

– Acalme-se florzinha, você é inteligente e capaz de entender tudo o que precisa para controlar seus olhos. E é mais forte do que imagina, pois sobreviveu ao meu jutsu. Eu vou lhe dizer tudo que você tem que fazer, e quando essa memória voltar à sua cabeça já estará preparada, apenas me escute com atenção.

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– Pakun onde está Kakashi? Que mensagem você me trás? – Disse a loira muito séria.

Aquilo era apenas uma esperança infundada, sabia que os leais cães do clã Hatake jamais deixariam seu mestre para trás em uma batalha. Se todos estavam ali juntos e sem Kakashi, a informação trazida já era imaginada.

– Nós seguimos com Kakashi para as coordenadas dadas por Jiraya-san. O local era aquele mesmo, farejamos o terreno inteiro e conseguimos pistas. As encontramos em uma cabana abandonada, Haruno e Yamanaka não estão mortas. A menina Yamanaka se antepôs a nossa investida e confrontou Kakashi, a loira respondeu pelas duas e foi resoluta quanto ao fato de não pertencerem mais a essa vila. Houve batalha, Ino foi ferida, mas algo inexplicável aconteceu. Nenhum dos cães foi capaz de ver, mas devia ter alguém a mais dentro da cabana com elas, o ataque foi claramente um ataque típico dos Uchihas portadores do Mangekyou Sharingan. A menina Haruno estava desacordada. – Pakun parou de narrar por breves segundos até encontrar forças e palavras certas para continuar. – Kakashi não resistiu ao ataque. Como a tradição, seu corpo foi levado ao nosso mundo para receber a benção dos líderes dos cães que servem ao clã Hatake, o traremos de volta para sua vila natal assim que seu corpo e sua alma estiverem prontos.

O braço forte do eremita foi depressa em auxílio à loira, Tsunade tinha empalidecido e o suor corria pela tez fria. Os cães de Kakashi, de uma forma que parecia ensaiada, baixaram seus focinhos, todos ali partilhando a dor da perda de um dos melhores ninjas de Konoha. Quem sabe um dos melhores que a vila jamais terá.

– Shishou! – Shizune se alarmou.

Os olhos da mestra estavam cerrados com mais força do que seria necessário, o cenho franzia formando grossos sulcos em sua testa. Ela era a líder daquela vila e não podia se dar ao luxo de parar para chorar um pouquinho, mas aquilo estava passando dos limites que a sanidade lhe permita. Eram guerras absurdas e sem motivos claros, suas duas pupilas que haviam sumido, fugido para se unir ao inimigo. Nada fazia sentido, de repente era como se a noite tivesse lavado consigo tudo o que sabia ser certo.

– Muito obrigada pelas informações Pakun. Estaremos aguardando o corpo... – Parou de falar por alguns segundos em busca de alguma força extra no corpo já esgotado. – O corpo de Kakashi.

– O que tudo isso que nos dizer senhora? – Perguntou Shizune tão abalada quanto os outros dois ali.

– Eu não sei. Que há alguém que não conhecemos agindo em pró da Akatsuki, isso com certeza.

– Um Uchiha – Completou Jiraya.

– Não. Um Mangekyou sharingan. Saberíamos se existisse um Uchiha vivo capaz de usar seus dons com tanta frieza circulasse por aí, é o tipo de pessoa que não passa despercebida por lugar nenhum. Alguém, de alguma forma adquiriu esse poder recentemente.

– Acha que... Jiraya começou, mas não teve a audácia de terminar o pensamento.

– Acho que sei o que pensou Jiraya-san, não imagino Ino e muito menos Sakura agindo com tamanha frieza, eu as conheço. Nenhuma delas seria capaz de matar Kakashi. Não por falta de força, mas sim por moral.

– Não se iluda Shizune. – A voz de Tsunade atraiu a atenção dos dois. – O fato das duas não estarem aqui agora significa exatamente que, com certeza, não as conhecemos como julgávamos conhecer. Acho que o poder do homem morto em nosso laboratório está agora com outra pessoa, isso justificaria a forma como estava seu corpo, completamente incapaz de se tirar qualquer informação. O foco central não é mais Ino e Sakura, são desertoras e serão caçadas e julgadas como tal. Shizune, quero Dansou no meu laboratório agora junto com ANBUs capazes. Se aquele velho tiver alguma informação que tenha roubado, nos dará hoje a noite a força.

– Mas Tsunade-hime, esses jutsus são perigosos. Dansou-sama pode ter sequelas terríveis, pode perder a memória ou até mesmo... morrer.

– Um lucro a mais nesse caso. Não estou ligando para ávida daquele lixo humano.

– E quanto aos esquadrões que ainda não voltaram, alguém tinha que busca-los. – Disse Jiraya.

– Para morrerem também? Estamos agindo por impulso e as cegas, não posso me dar ao luxo de mandar mais homens ao encontro de seus destinos, os esquadrões liderados por Neji, Shikamaru e Hinata irão ter que se virar sozinhos enquanto pensamos em qual o a medida mais segura a se tomar.

– Tsunade, se me permite. Saímos feito loucos atrás da Aktsuki porque por algum motivo eles s espalharam por aí, um comportamento anormal deles. Mas já se acalmaram e se entocaram novamente, apenas esse grupo está fora e nós não estamos não temos informação sobre eles. Acredito que é melhor deixar a poeira baixar um pouco. – disse o velho dos sapos.

– Eles estão ouriçados. Alguma coisa que eles planejaram não deu certo, com certeza. – completou a loira.

– Deixe que eles voltem a se entocar em seu esconderijo, que pensem que desistimos enquanto pensamos em qual nossa próxima estratégia, quando tivermos informações suficientes atacaremos novamente. Dessa vez com o elemento surpresa.

– Você tem razão Jiraya. Shizune vá buscar Dansou. Eu vou reunir todas as informações que já temos.

– Eu vou pelo menos mandar uma ave, se tivermos sorte o falcão entrará as tropas e eles voltam. Recuam. – e após as palavras de Jiraya os três se separaram.

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– AHHHH...

O grito saiu profundo, tão fundo que levou consigo todo o ar dos pulmões da rosada. Sakura caiu de joelhos no chão bruto, as palmas das mãos logo alcançaram o solo também. A menina ofegava, e sabia que aquilo que sentia escorrer por seus olhos não eram apenas lágrimas. A dor era insana.

Há quanto tempo será que já estava ali tentando? A dor e fúria que lhe eram novas eram muito difíceis de controlar. E sem esse controle a menina jamais dominaria as técnicas de Madara. Ainda não tinha passado por nada tão sofrido.

Será que o poder valia assim tanto? Sakura sentia que se não controlasse aquela dor logo, com toda certeza enlouqueceria.

Madara havia lhe explicado tudo o que poderia fazer dali pra frente, fora os três jutsus básicos do Mangekyou que caberia a Itachi lhe ensinar. O poder de Madara ia além. Os ensinamentos foram passados, agora dependia da kunoichi conseguir controlar-se.

O velho Uchiha havia lhe dito que com a medida que ia se adaptando àquilo, o chakra dele se misturaria ao dela, e quando a fusão estivesse os jutsus teriam a essência única da rosada. Sakura ligaria seus conhecimentos básicos com as técnicas de genjutsus ensinadas por Itachi, e aplicaria ao poder extra que havia lhe sido dado!

Respirou fundo mais uma vez e buscou por concentração enquanto fazia os selos ensinados. A dor aumentava, bem como seu ódio, mas nada além acontecia.

– AHHHH!

Era difícil, muito difícil.

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– A festa está boa lá hé. – Disse o platinado sem conseguir evitar passar a língua por entre os lábios. Adorava a guerra. Sangue jorrado a litros para satisfazer suas necessidades.

– Acha que deveríamos ir mais além? – Perguntou o mais velho.

– Está perguntando a minha opinião para algo Kakuso-san? – Perguntou impressionado, a autoridade ali era indiscutivelmente do mais velho e à Hidan só restava obedecer.

– É, estamos ferrados mesmo. A Akatsuki não é mais o que era antigamente. Nem mesmo uma atitude tomada por decisão de um idiota como você pode fazer a diferença agora.

– Ai, assim machuca Kakuso. O que você faria?

– Eu? Não há nada do meu interesse pessoal lá, por mim ficaríamos aqui só esperando.

– Tsc qual é meu amigo...

– Eu não sou seu amigo.

– OK ok pense: Nós havíamos chegado a conclusão de que haviam byakugans na batalha, por isso sabiam tanto. Não acha que a gente poderia pedir miita grana pra liberar o corpo de um Hyuuga para que o clã chore suas condolências na vila natal?

– Você quer barganhar sobre um não procurado morto?

– Claro. Confie na burrice das pessoas, eles fariam qualquer merda pra poder prestar as últimas homenagens ao ente querido.

– Eu já tinha chegado à conclusão de que eu era uma pessoa realmente desprezível Hidan, mas você é muito pior.

– Isso significa que nós vamos lá? – O platinado perguntou realmente animado.

– É, nós vamos. – Disse o mais velho se levantando do tronco do que tinha sobrado de uma árvore.

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Itachi estava parado analisando a batalha que um clone travava, aparentemente sem ser percebido. Moveu-se veloz para entrar no campo de visão de cinco ninjas, estes entraram em um dos seus joguinhos sem nem mesmo perceberem, e enquanto eles se perdiam no mundo imaginário em que os colocara, voltou a observar tudo de forma geral.

Kisame era mais prático e direto, o que entrava no seu perímetro era devastado pela samehada. Seria ótimo ter tanto chakra a ponto de não precisar se preocupar com estratégias, apenas ir adiante e devastar.

Ino e Deidara já estavam longe demais, era o bastante para que precisassem somente dispersar aqueles ninjas para que ele fosse atrás de Sakura. Calculou mentalmente quantos metros mais ou menos de distância ela poderia estar e poderiam seguir viagem pelo caminho seguro até a sede.

Mas algo fora de contesto aconteceu. Havia um ninja, Hyuuga que estava no centro da batalha. Ele olhava para todos os lados enquanto lutava dinamicamente, era como se estivesse tentando procurar algo em meio a batalha.

Será que sabia que aquele homem lá embaixo era apenas um clone e usava apenas trinta por cento do chakra de seu mestre? Itachi não se daria ao luxo de esperar para ver, Hyuugas eram traiçoeiros.

Mas antes que se movesse, observou que o olhar do Hyuuga finalmente pareceu se focar em algo. Olhou, uma ave, o clássico falcão usado por Konoha parecia ter toda atenção do moreno de cabelos compridos. Será que seus olhos eram capazes de ler o que aquela ave tinha como mensagem para si mesmo daquela distância?

Sim Neji tinha essa capacidade, o controle sobre seu Byakugan era perfeito. Principalmente porque Jiraya previu que seus ninjas poderiam estar em péssimas situações e fez questão de escrever a mensagem com uma tinta de alta densidade, rica em metais pesados. Aquilo fazia as letras se destacarem com facilidade do papel preso nas patinhas do falcão para um Byakugan enxergar à distância.

Afinal eram dois Hyuugas na equipe e Jiraya assumiu a ideia de que mesmo que a ave fosse feria ou mensagem capturada, ainda assim, teria uma chance maior de ser lida. A ordem direta também facilitava as coisas, eram poucas e claras palavras 'Voltem para casa imediatamente!'. Mais do que isso, Itachi pode perceber que Neji havia feito um aceno com a cabeça para aquele falcão, e o mesmo foi embora, tal como se procurasse outra pessoa para entregar a mensagem. Logo a voz do moreno Hyuuga chamou sua atenção.

– RECUEM! RECUEM TODOS! – Gritou claro o suficiente para que todos os seus companheiros ouvissem.

Muito ao longe, do outro lado do campo de batalha, Kisame falava com um clone seu. Sempre tinha que haver uma comunicação entre os dois.

– Os deixaremos ir? – Perguntou o tubarão.

– Sim, temos outras coisas mais importantes para fazer agora pra correr atrás de quem desistiu.

– Hm. – O azul concordou e baixou sua espada, sem guardá-la, apenas um claro sinal de que não impediria ninguém de ir embora.

– Vou procurar por Sakura. – Disse o moreno, explodindo. Todos os seus clones se desfizeram e os genjutus acabaram.

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Ino correu e saltou por cima do grupo de ninjas, tomando a atenção dos mesmos que foram atingidos por uma chuva de pequenos insetos explosivos. Ao tocar o chão novamente foi atingida por um jutsu de longa distância, logo se adiantou para o ninja em questão e seu cão, dando atenção ao mesmo. Estavam se afastando tão rápido quanto tinham planejado, isso era bom.

Deidara observava tudo de cima, tinha que ser cauteloso o suficiente para dar cobertura à Ino sem machucá-la também. Mas agora a loira estava afastada lutando com um ninja de Konoha e atreveu-se a um ataque minimante mais forte, ordenando uma ave maior na direção dos vários ninjas dispersos no campo.

O solo tremeu levemente com a explosão, mas o suficiente para fazer Ino se desequilibrar. Sua katana foi arremessada longe com um golpe em dupla do cão que a fez soltar a arma e seu dono que vinha na mesma velocidade para atacar-lhe. O que era aquilo, afinal um Inuzuka que desconhecia? Novos selos e o cão passou a correr lado a lado com o homem, conhecia bem um Inuzuka pra não querer que aquele cara fizesse o que acreditava que ele fosse fazer.

Era arriscado demais para fazer em meio a uma batalha cheia de ninjas, mas... estavam tão afastados. Era a sua única 'melhor opção' naquele momento.

A transformação fera/humano fora feita e Ino já estava esperando por ela com as mãos unidas. Assistindo tudo por trás do arco formado pelas mesmas. O seu alvo era o 'cão'

– Nimpo: Shintenshin no jutsu.

Aquele comando dado pela voz da loira Deidara ouviria de qualquer lugar, de qualquer distância. Não apenas porque odiava o jutsu, mas sim porque tinham combinado que Ino só o executaria quando estivesse sobre sua cobertura. Ela não estava.

Ao longe estava o corpo frágil da loira jogado de qualquer jeito no chão e dois ninjas de características físicas semelhantes lutando contra si. Adiantou-se tão cegamente para a cena que se quer percebeu que mais ninjas vinham de um ponto específico e muito menos a ordem dada por uma deles.

– RECUAR! Nós temos que voltar para casa agora! RECUAR!

E todos se foram, como os ninjas que eram sem prestar atenção em mais nada além da ordem dada. O ninja que lutava contra Ino não ouviu o chamado, Ino também não. A loira estava bem lutando com aquele cara, apesar dele ser forte, o problema estava em um lugar que ninguém via, nem mesmo Deidara.

– Ino, a luta acabou, os Konohas foram embora. – O loiro desceu da ave e correu na direção dos dois homens brigando, qual deles seria Ino.

Ambos os ninjas pararam, olhando raivosamente de um para o outro. Deidara prestava atenção em ambos, apreensivo sobre se dariam a luta por vencida, e o Konoha recuaria, ou se não estava nem aí para as regras. Havia também o ponto de que ela tinha um tempo limite para ficar no corpo do outro.

– Vai embora! – Crispou um dos homens.

– Sai do meu cão, agora. Ou não vou dar a mínima para a ordem dada por Neji.

– Ino sai logo daí? Ino? NÃO!

O ninja caiu no chão e logo em seguida voltou a ser um cão, mas Deidara não fio capaz de ver essa parte da coisa toda. Porque em pé ao lado do corpo de Ino estava um garoto e sua katana. E sangue, apenas muito sangue em torno do corpo ainda paralisado da loira, como sempre acontecia depois de usar aquele jutsu.

E se havia alguma certeza sobre as atitudes sempre imprevistas e impensadas de Deidara naquele momento, era que acabaria com aquele garoto nem que aquilo fosse a última coisa que faria na vida. Nem pensou em como aquele rosto lhe era familiar, não importava quem era, importava apenas que o homem que machucou Ino daquela forma seria muito em breve, um homem morto.

Ino tentava se mover a base de força, apesar de saber que seria em vão, tinha que esperar os efeitos do jutsu passar. Mas precisava avisar à Deidara sobre o que ele estava prestes a enfrentar, falar que aquele rosto para a loira não era apenas familiar, era conhecido e de certa forma, temido.

Precisava também curar-se, estava sangrando demais. Por mais que soubesse jutsus médicos se o tempo não estivesse consigo ao seu lado, isso seria em vão.

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– Sakura? – Chamou uma vez na entrada de toda aquela escuridão.

A luz verde em torno de uma mão erguida lhe mostrou o caminho. Pegou um led que tinha trazido, uma vez que a missão era encontrar as meninas que poderia estar em qualquer estado. O que viu o fez correr até a namorada com desespero.

– Sakura-san – Ajoelhou-se ao lado da rosada que tinha o corpo completamente sujo e embarrado e o rosto coberto por sangue. – O que houve aqui?

– Madara – Ela disse com calma – Ele está na minha cabeça e nas minhas memórias. Me ensinou como fazer algumas coisas com esses olhos, tudo passo a passo. Estou maluca? – Perguntou sem perceber que a luz forte não mais fazia seus olhos doerem e sangrarem, apenas um leve incomodo por não ver a luz por vários dias.

– Não, se tratando de Madara, não. – Ele a abraçou – Mas você está coberta de sangue, por que me faz encontra-la sempre coberta de sangue? – A rosada riu em meio ao abraço e logo o encarou.

Sorriu e logo tomou os lábios do namorado para si. O gosto de sangue era inócuo uma vez que finalmente pode matar a saudade de olhar para aquela face tão bem desenhada. Ainda mais ao sentir o corpo preso ser mantido com mais força próximo ao do maior e o beijo aprofundado.

A rosada empurrou o corpo do moreno levemente para trás, fazendo o mesmo se sentar sobre as próprias pernas. Logo o envolvendo novamente com o seu próprio enquanto ainda apoiada dobre os joelhos 'sentou-se' sobre as pernas do moreno, mínima coisa maior que ele.

Os corpos colados partilhavam suas temperaturas, era tão bom te-lo novamente. Os dedos da rosada se embrenharam entre as mechas na nuca do Uchiha, puxando-os com força para trás. O ato brusco fez Itachi jogar a cabeça para trás, sem muitas opções a não ser fazer o que ela queria, o ofego deixado por seus lábios deixando claro que obedecê-la não era por nenhum ângulo ruim.

Os dentes da menina rasparam por sua mandíbula e logo tomavam caminho para seu pescoço, enquanto as mãos ainda firmes na cintura esguia procuravam uma brecha por onde entrar, para sentir um pouco mais da pele quente e macia. A rosada se moveu languidamente sobre seu colo, fazendo com que todo seus corpos se roçassem, principalmente seus baixos ventres.

As mãos do Uchiha seguiram diretamente para o bumbum da rosada, alternando um carinho bruto, quase raspado entre aquela região e as coxas da kunoichi. Buscou seus lábios mais uma vez, mas o que recebeu foi uma mordida puxada em seu lábio inferior.

– Com pressa? – Perguntou a rosada.

– Nem imagina o quanto. – Respondeu o moreno aproveitando-se a brecha para puxar Sakura para si e exigir-lhe um beijo intenso.

– Tá, pelo visto eu fui o único que não se esqueceu que estamos em missão aqui você sabem o que significa trabalho? – A voz era de Kisame e esta fez com que o casal se separasse no mesmo instante.

– Tá pensando o que? – Reclamou a rosada para o tubarão.

– Que temos que chegar logo na sede, não faz sentido termos um plano e não segui-lo, não separamos o grupo a toa. – Justificou Kisame.

– Ele está certo hm. – Disse Itachi se erguendo e ajudando a rosada a fazer o mesmo, depois se encaminhou para a entrada do local na direção do peixe. – Você é um homem morto.

– Nhaa namorem na sede porra, e aquele papo de amizade e bla bla bla eu não mato você, você não me mata...

– Não sou bem eu quem vai matar você – E o moreno se permitiu rir quando a rosada passou entre os dois, absolutamente mal humorada.

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– Ino? – Kakuso abaixou-se ao lado da menina. Os barulhos das altas explosões haviam levado ele e Hidan até ali.

Aquilo estava pior que uma guerra. Ino fora, obviamente feria por um objeto pontiagudo, e Kakuso daria um coração que esse objeto era a ponta da espada que o adversário de Deidara usava.

O mais velho estancou o sangramento da loira temporariamente, logo ela estava de volta e Kakuso teve que segurar a loira no lugar e quase que obrigá-la a se curar e ficar ali.

– Kakuso-san aquele é Uchiha Sasuke – Disse a loira apavorada, não tinha boas lembranças do moreno.

– Mais um motivo para não ficar, essa luta é dele Ino. Se você se meter lá agora vai apenas prejudicar a concentração do loiro.

– Mas nós somos quatro. – Exclamou Ino.

– Eu não me atrevo a botar a mão no brinquedo do Itachi, mas o Deidara tudo bem, é um Uchiha afinal. É pessoal para ele.

E com muito esforço Ino foi mantida ali enquanto a luta parecia cada vez mais com uma guerra. Em meio às caretas de desentendimento de Ino, Kakuso contou-lhe a história que trouxe Deidara à Akatsuki e a forma como fora 'humilhado' por um Uchiha. O loiro então fez uma promessa que jamais perderia para um dos 'amaldiçoados'.

Claro que àquela altura da batalha a origem genética do moreno que lutava contra Deidara não era mais um segredo, após este ter orgulho em expor se Sharingan. Era impossível definir quem estava 'batendo' em quem ali, e nem mesmo a vegetação ficava ilesa.

Ino não se conteve em determinado momento em que Deidara parecia ter dado o 'golpe da batalha' em Sasuke, mas o mesmo voltou para luta quase como se nem tivesse sido atingido por jutsu algum. A loira aproveitou-se da forma como os imortais estavam vidrados em uma batalha daquela magnitude e correu para o capo de batalha, mas antes que pudesse chegar perto a katana de Sasuke parecia ter vontade própria e estendeu em sua direção, atingindo-lhe diretamente no abdome.

– Ino! – Deidara gritou em desespero – Kakuso-san, Ino é a nova líder, sabe que a sobrevivência dela é prioridade. Tirem à daqui agora. – Gritou em tom de ordem e Ino sentiu sua cintura ser agarrada por alguém.

As coisas todas aconteciam muito rápidas e quando Kakuso olhou mais uma vez para a batalha Deidara já estava desnudo e a boca costurada em seu peito babava liberta. O homem de estatura média baixa crescia, ampliava, de forma exponencial se transformando em um imenso boneco de sua própria arte.

– Merda Hidan, leve ela daqui você corra mais rápido, eu só consigo por baixo do solo, e se não me apressar nem mesmo todos os corações da vila seriam suficiente pra me manter vivo. Proteja a loira.

– Deidara! – Foi algo que ela conseguiu balbuciar antes de sentir seu corpo ser arrastado contra vontade novamente, desta vez por Hidan. Foi tudo no mesmo momento.

Hidan corria rápido demais, seu corpo sacolejava nos braços do platinado para cada vez mais longe de Deidara. Ela não queria ir para longe. Mas o ferimento em seu abdome não a deixava com muitas opções, não tinha como se soltar dos braços fortes do imortal.

As passadas de Hidan pareciam, sem exageros, serem quilométricas. De fato, ela logo conseguiu se basear; Três quilômetros, a verdade sobre o que Deidara planejava fazer a tingia literalmente como uma bomba. Cinco quilômetros, tinha que se soltar não queria se afastar. Sete quilômetros, ela começou a se debater com força nos braços do platinado, a dor em seu próprio corpo era ínfima, quase inexistente comparada ao que seu coração lhe dizia naquele momento. Nove quilômetros, Ino mordeu Hidan com força e no susto este a soltou.

– Ino! – Gritou o platinado ao ver a loira correndo desesperadamente na direção de Deidara. O que ela pensava que podia fazer?

Mas Ino não o ouviria, em seus olhos não havia nada além da vertigem de sua derrota, cada vez mais eminente. O elemento dele tinha completa desvantagem contra o do Uchiha.

Seria tão ruim assim apenas desistir e voltar para casa com ela em segurança?

Longe da dupla, no outro lado do campo de batalha Hidan apenas chamava pela loira que corria surda em desespero. Era tudo rápido demais, cada passo mais perto, mais apertado ficava seu peito. Neste momento Deidara sorriu para sua loira pela última vez.

– KATSU!

Na mente dos loiros a mesma lembrança surgiu no mesmo instante:

"– Mas você jamais faria uma loucura dessas, não é mesmo? – perguntou a loira em um final de noite após Deidara lhe explicar a função daquela boca que ele próprio havia costurado para esconder e Ino.

Faria por algo que valesse mais do que a minha vida, um"

– Você vale mais do que a minha vida. – Disse o loiro para si mesmo em um último ato.

Não sabia o que o caçula de Itachi estava fazendo ali, mas ele havia ferido Ino duas vezes. Não conseguia entender o que ele poderia querer com eles se Sakura e Itachi eram as únicas pessoas com quem tinha uma real ligação ali. Mas pela primeira vez na vida tinha alguém para cuidar, alguém que ele tinha que manter bem acima de qualquer sanidade.

E nos dois pares de olhos azuis espelhados mesmo tão separados pela distância, não houve nada além de escuridão.