Capítulo trinta e dois: O dia em que o sol não brilhou

Por Kami-chan

Se algum ser humano pudesse ser capaz de prever o momento exato em que o último grão cruzará o gargalo da ampulheta, ele a agarraria antes que seu tempo chegasse ao final. Mesmo que fosse por apenas mais alguns instantes, mesmo que nenhum mortal fosse capaz de evitar o fim eternamente. O homem nunca está pronto para despedidas, nunca aceita o fim.

Mas o que você faria? Para quem seria o seu último eu te amo? Para quem gostaria de pedir perdão? Pensaria nos erros que poderia ter evitado, ou nas conquistas que fizeram de você a pessoa da qual os outros irão se lembrar?

Para quem seria o seu último olhar, seu último suspiro. se pudesse lhe fazer um carinho, pedir um último beijo? Entre todas as cenas de memórias que passam por sua cabeça agora, a qual você dedicaria o melhor momento da sua vida? Que lembranças você não gostaria de perder?

Perdido na escuridão, por qual nome você chama quando o pavor toma conta de seu ser? Era para haver uma luz no final do túnel, mas você acabou descobrindo apenas a escuridão. O vazio e a ausência, o frio e o medo. E em seu coração há apenas a dolorosa certeza do fim, mas você ainda está vivo, você ainda não chegou ao fim, ainda tem chance de mudar o que pode melhorar em seu destino. Mas você apenas chora.

Alunos, jovens ninjas inspirados pela fama e pela glória do platinado que jazia dentro do forno de pedra, prestavam suas condolências ao homem que não chegaram a ter a honra de conhecer pessoalmente. Ninjas, não tão jovens, sofriam pela morte do sensei, que talvez nem fora seu mestre, mas que era um exemplo em qualquer lição. Colegas da elite prestavam homenagens dolorosas entre lembranças do companheiro que se recusava a deixar seus amigos para trás.

Entre eles, o aluno tentava conter em vão grossas lágrimas. Sabia que era uma desonra derramar lágrimas na despedida de um shinobi, mas elas eram tão teimosas quanto o aluno chorão. Os olhos azuis claros se fecharam com força, e o braço fino da mulher que estava ao seu lado lhe dava um apoio mudo. Ela, a líder daquela aldeia, sofria por uma perda incomum, não apenas de um bom soldado, mas o de um grande amor. Tsunade suspirou profundamente e imitou o gesto de Naruto, fechando os olhos.

Sua cabeça pendeu para baixo, o cheiro de incenso estava a deixando com náuseas. Ou poderia ser a lembrança de todos os que amou e que haviam se perdido, a loira se sentia tão impotente. Mais uma vez não fora capaz de salvar alguém de grande valor para si. Ao seu lado Shizune permanecia em silêncio, prestando seus sentimentos ao homem de respeito, e ao lado desta, Jiraya observava a cena como um todo com muito pesar.

Kakashi não era apenas um excelente ninja, era um homem de princípios e valores muito bem definidos, pedia internamente para que seu sensei e seu aluno preferido fossem ter com o mais recente visitante do céu. Acreditava piamente que Kakashi ia finalmente rever seu pai, essa certeza acalmava seu velho coração.

A vila de Konoha perdeu o seu melhor homem. Os minutos iam se passando, o tempo se estendendo, mas o silêncio era inabalado. Parecia que até mesmo os pássaros calavam para a despedida de Hatake Kakashi. Como os cães que, em matilha, cercavam o espaço onde jazia o corpo sem vida.

Um soluço se fez ouvir, mas os ninjas fingiram não ouvir para que a dona deste não fosse colocada em uma situação exposta. Era uma desonra prantear a partida de um shinobi, a Hokage devia ser o muro mais resistente da vila, mas era ela quem chorava baixinho.

Era a hora de dar uma ordem difícil para quem ama. E no desespero, Tsunade buscou com o olhar o amigo mais antigo, o único com audácia suficiente para não tirar os olhos dela ao perceber que chorava quase de forma incontrolável. Com um aceno Jiraya fez o que ela não estava conseguindo fazer, e com um olhar significativo aos AMBUS ordenou o fim daquela despedida. A autoclave foi ligada e o corpo de carne e osso seria reduzido às cinzas que havia o gerado.

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Muito longe dali, o trio composto por Itachi, Sakura e Kisame parou bruscamente. O chão tremeu, a explosão tomou conta de todos os seu sentidos e a forte onda de poeira obrigou os três a se protegerem. Sakura se embrenhou no peito do namorado enquanto este fechava a rosada dentro da capa negra, enquanto escondia seus olhos no pescoço da rosada. Kisame rapidamente se protegeu com sua espada.

E tão rápido quanto veio, foi. Apenas o pó ainda era presente ali, obrigando os ninjas a ficarem na mesma posição. O casal abraçado sentiu movimentos ao seu redor e apenas esperou, dos selos ordenados por Kisame fez-se a chuva. A água deixava a poeira pesada e a fazia baixar, mas ao longe, muito longe, os sinais de fumaça indicavam o local onde tudo acontecera.

– O que exatamente foi isso? – Perguntou a rosada apavorada, diante dos seus olhos, a paisagem não existia mais.

– Deidara. – Respondeu Kisame, com quem sabe, um certo pesar no olhar.

– Eu não imaginava que ele fosse tão poderoso assim. – Ela disse com assombro.

– Para todo ser Sakura, quando mais abrangente o poder, mais caro se paga por ele. – Itachi disse com calma, e a rosada percebeu, também com um certo pesar.

Olhou os dois companheiros sem entender muito, nem de suas palavras, nem de suas expressões. Em busca de mais explicações, foi no silêncio de ambos que encontrou a resposta. Os olhos se arregalaram junto com a boca que se abriu para emitir som algum.

– Por que ele faria algo assim? – Perguntou.

– Não sei. Deidara sempre foi o mais difícil de todos de se entender. – Respondeu o namorado.

Sakura olhou mais uma vez para toda a fumaça e a demolição. Apenas uma coisa veio em sua mente.

– Ino! – Disse apenas, olhando para o Uchiha como que se ele fosse capaz de entender todo o pensamento não expresso pela kunoichi.

– Pra quem praticamente morreu, ela até que se recuperou bem rapidinho nee – Disse o peixe apenas olhando a menina correr na direção da fumaça.

– Hnf vamos Kisame-san. – Disse Itachi já andando na mesma direção para onde Sakura corria.

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– Hidan...

Foi o platinado a primeira pessoa que a rosada encontrou, ele tinha vários sinais de queimadura pelo rosto e pelos braços, mas nenhum sinal sequer de dor, muito menos de que sentia algo nas queimaduras graves por seu corpo. Ele tinha o corpo desfalecido de Ino em seus braços, ela não apresentava nenhum sinal de queimaduras, o que levou Sakura a teoria de que havia sido protegida da explosão por alguma coisa. Ou alguém.

Ele largou a loira no chão diante aos pés da kunoichi e reclamou algo com um murmúrio. Haruno achou que ele andava de forma estranha, e temeu o que se passou em sua cabeça. Com delicadeza depositou a mão no ombro do imortal e o virou de costas para si. Esta estava completamente queimada, em carne exposta e torrada.

– Faz cócegas. – Ele debochou, quando Haruno o virou para olhar suas costas.

– Vamos cuidar de você. – Ela disse já deixando que o chakra verde tomasse conta de sua mão.

– Eu sou imortal Sakura-san, cuida da loira maluca e teimosa antes que tenhamos mais baixas por aqui. – Disse com dificuldade, e a médica até pode perceber, certa vergonha.

– O que Jashin-sama pensa sobre se salvar a vida de alguém? – Perguntou o virando novamente. Ele deu de ombros antes de lhe responder.

Não havia duvidas do que tinha acontecido ali, Ino apenas estava viva por ter sido protegida pelo platinado, que queimou-se em seu lugar. Tinha muitas coisas que Sakura poderia ter dito sobre as ações do imortal, mas preferiu respeitar a forma como ele se mostrava envergonhado pela atitude atípica de sua parte.

– Se não houvessem pecados para se redimir, nenhuma religião faria sentido. – Disse com simplicidade.

– Claro, salvar a vida de uma pessoa deve ser mesmo um pecado gravíssimo. – Disse negando com a cabeça e se agachando para começar a examinar Ino. – E... Deidara? – Perguntou com receio.

– Não sobrou nem mesmo as raízes das árvores presas ao chão. Não acho que vamos encontrar algum... – Travou olhando o olhar pesaroso da menina sobre si, e continuou com cautela. – Algum pedaço dele por aí. Ahh Kakuso-san aí está você. – Disse com surpresa e felicidade, atraindo a tenção da rosada que os olhava sem deixar de lidar com Ino.

– Kakuso-san, você está bem? – Ela perguntou.

– Uhum, mas senti o tremor mesmo estando doze metros abaixo do solo.

Itachi e Kisame também chegaram, logo a primeira coisa que fizeram foi examinar todo o local. Sakura disse com um fino brilhar no fundo de sua íris, que podia sentir o chakra de Deidara com força. Mas sua esperança foi desfeita quando o Uchiha lhe explicou que o chakra do loiro que havia explodido, e como a poeira, permaneceria ali naquele local por muito tempo ainda.

Após isso ela se focou em Ino, a loira não estava mal, mas era uma desculpa para manter Sakura ali, de cabeça baixa escondendo algumas lágrimas. Diferente deles, ela não estava tão acostumada assim com a morte a ponto de a tratar com tamanha frieza.

– O que houve com você? – Perguntou Kakuso sem querer se mostrar preocupado com o platinado, Itachi e Kisame estavam tão concentrados em outras coisas que se quer davam atenção aos outros dois membros.

– Eu realmente não sei, quando percebi já estava cobrindo o corpo da menina. – Confessou. – Nee Kakuso-san, você vai conseguir dar um jeito nisso, não vai?

– Nada menos profissional, ela é a líder agora, tem estar segura mesmo. Mas é muito estranho isso vindo logo de você. – Riu.

– Nee Kakuso-san, você vai conseguir dar um jeito nisso, não vai? – Perguntou, sem querer estender o aquele assunto constrangedor para si.

– Nós temos uma excelente médica na equipe agora, por que você insiste nos meus tratamentos primitivos?

– Não me faça perguntas difíceis de responder. E pare de falar como que se você não fosse cuidar de mim.

– Eu não disse que não vou cuidar das suas queimaduras, apenas perguntei por que. – justificou e sem esperar por respostas que jamais viriam, continuou. – onde está lhe incomodando mais? – Perguntou com tranquilidade, como se estivessem falando de um corte pequeno num dedo.

– As costas com certeza, o braço eu quase nem sinto, mas tenho certeza que meu rosto está horrível, e eu não quero meu rosto horrível. – Kakuso riu.

– Vamos ver suas costas, depois o seu braço e por último, o seu precioso rostinho.

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– Você está bem? – Perguntou o eremita estendendo à loira um xícara fumegante de chá.

– Não. Mas agradeço muito o seu apoio. – Disse se sentando na cama e aceitando o que lhe era ofertado.

– Sei que não é hora para isso, mas tenho que lhe dizer que os AMBUS não conseguiram encontrar Danzou em parte nenhuma.

– Uma hora ele aparece. Jiraya, eu tenho um pedido muito importante a lhe fazer.

– Diga.

– Não vai demorar nada para Naruto vir me procurar ou procurar sozinho por respostas sobre como seu sensei morreu, principalmente depois das mortes fantasiosas que demos à Ino e Sakura. Etto... nenhuma missão é tão longa assim, não da mais pra ficar inventando imprevistos para que ele fique fora disso tudo. Também preciso declarar as duas meninas desertoras oficialmente e...

– Tsunade – Ele a interrompeu. – Apenas descanse por um momento. Deixe que de Naruto cuido eu, ele não vai se envolver nessa lambança, ou pelo menos vou evitar até o limite que esse momento chegue. Vamos ter um breve período de trégua por agora, e se você me permitir quero mandar alguns poucos espiões atrás dos ninjas que não voltaram.

– Faça o que achar melhor. E mande Shizune trazer o meu Sake, eu mereço beber pelo menos um pouquinho.

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Alheios à nuvem gigante e espessa que parecia ter encoberto o mundo naqueles últimos dias, o silêncio na sede da Akatsuki trazia ao casal ali, o reino de paz que tanto desejavam. O ruivo portador do Rinnegan traçava tranquilo alguns traços no que parecia ser um mapa, e sua escudeira de mechas azuladas dormia profundamente na cama que ficava meio que ao lado da escrivaninha.

O rosto fino e cadavérico estava quase rechonchudo, os dedos inchados, os seios doloridos e um sono que parecia sem fim. Konan quase não tinha desejos, e apesar dos quilos extras, não havia excesso de gordura em seu corpo, apenas uma bela e redonda barriga. A repentina calma em sua vida fazia com que a gestação prosseguisse bem, ali naquele lugar ela conseguia dormir tranquila, sem medo de acordar às pressas por uma invasão ou coisas piores.

Pain viu com o canto do olho quando ela começou a se mexer de um lado para outro na cama, como que se o sono começasse a lhe ser desconfortável, e parou o que fazia para apenas a olhar. Ainda dormindo, deixou alguns gemidos incômodos saírem e a mão que levou ao ventre expandido fez o ruivo temer algo ruim, e se levantou para sentar ao seu lado na cama. Sorriu-lhe ao perceber sues olhos abertos.

– Tá ruim o sono, tenshi?

– Não, eu to morrendo de sono, sua filha é que não quer mais dormir. – Ela brincou.

– Talvez ela esteja com fome. – Arriscou.

– Ou talvez esteja treinando taijutsu. Ela não para de se mexer.

– Você pode sentir? – Perguntou, como que se por sua cabeça esta fosse a primeira vez que se deu de conta de que ela provavelmente sentiria qualquer movimento de um ser vivo que estava nadando no útero dela.

– É claro que sim. E você também se quiser. – Respondeu com bom humor, logo pegando uma das mãos do companheiro e a colocando em um canto específico da barriga onde o bebe provavelmente estava achando muito legal dar pontapés.

O ruivo se assustou e simplesmente sorriu, preenchendo o lugar silencioso com sua risada. Aquilo era estranho, bobo e incompreensivelmente gratificante, sem tirar sua mão do lugar especifico selou os lábios da azulada. Um ato de pura felicidade.

– Nee obrigada. – Disse alisando a lateral do rosto do ruivo. – Você cumpriu a promessa que fez a mim quando nos conhecemos naquela guerra. Você se tornou minha família, e agora está me presenteando com outra. Uma inteiramente nossa.

– Você acha que nós estamos prontos para...

E o ruivo não teve tempo de terminar sua frase, ele olhou para a azulada que o mirava com o mesmo olhar preocupado. Claro que eles nunca imaginariam, mas o bebe em desenvolvimento entre eles também havia sentido o grande e repentino desequilíbrio na natureza, por isso estivera tão inquieto.

– O que foi isso? – Ela perguntou ao ruivo.

Alterações na natureza eram constantes num mundo cheio de ninjas e suas batalhas. Mas Konan nunca tinha sentido nada tão significativo, tão forte e que causasse um desequilíbrio tão grande.

– Não sei. É parecido com um terremoto, mas foi tão perto e tão forte que seria impossível não ter sentido o abalo aqui.

– Então pode ser um desequilíbrio causado por um... – Ela escolheu as palavras.

Pensou em um Jinjuriki, mas não queria dizer isso, temendo que a aproximação de um deles fosse fazer o namorado querer correr atrás daquela aberração. Odiava aquelas criaturas.

– Shinobi? – Resolveu dizer por fim, arrancando uma risada contida do ruivo.

– Eu teria previsto se houvesse um jinchuuriki em nosso caminho. – Disse alisando algumas mechas do cabelo azul. – Mas eu vou ter que ir checar de qualquer forma. – Disse sério dessa vez.

– Eu vou com você. – Disse já fazendo menção de se levantar.

– De jeito nenhum. Você vai ficar aqui com os corpos, vou levar um deles comigo.

– Eu nunca deixei de acompanhar você em missão alguma. A gravidez não é...

– Eu só vou checar Konan. – A cortou. – Não vai demorar nada, por favor, fique aqui. – Disse já se erguendo da cama e dando-lhe as costas.

Após a partida do namorado, Konan não quis mais ficar na cama também. E mesmo isso não sendo o que Pain lhe pedira para fazer, vestiu a capa negra e ficou pronta para partir caso qualquer um dos corpos que havia ficado ali com ela lhe desse a notícia de alguma batalha.

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– Imortal ou não, isso vai infeccionar. Você vai ter que conversar com a Sakura depois, ok.

– Meu rosto ficou muito feio? – Perguntou choramingando, olhando fixamente o mais velho que ainda estava analisando seu braço.

– Como que se você já tivesse sido bonito algum dia. – Respondeu com deboche, sem se quer tirar os olhos dos ferimentos do companheiro.

– Hey pombinhos, nós temos que ir. Sakura está preocupada porque Ino ainda não acordou. – Kisame disse com todo seu bom humor.

– OK. Vamos embora. – Disse o platinado recolhendo o braço queimado.

– Acho que devíamos ficar pra trás. – Começou Kakuso, mas fora cortado.

– Tá de brincadeira? Eu to louco pra chegar em casa.

– Por que estão demorando tanto? – Itachi apareceu no local.

– Eles ainda estão decidindo o lugar da lua de mel. – Brincou o peixe, já dando as costas ao lugar, voltando para onde estavam Sakura e Ino.

– Hunf.. – O moreno apenas revirou os olhos e seguiu o azulado.

Os outros dois nada quiseram dizer, todos os membros da organização viviam trocando farpas uns com os outros. Se retrucassem tudo o que fosse dito, acabariam um matando aos outros. Ao chegarem no local onde estavam todos os outros, Sakura logo veio na direção do platinado.

– Vou cuidar de você assim que chegarmos lá Hidan-san. – Garantiu em breves palavras e passou a frente do grande grupo para ter algumas breves palavras com o namorado que iria na frente da comitiva.

Kisame pegou o corpo desacordado da loira em seus braços e se pos logo atrás da rosada, para partir seguindo Itachi. Sakura ia logo atrás deste, mas antes de começar a correr apontou para os imortais e disse em breves palavras.

– Hidan pela esquerda, Kakuso pela direita. – Nenhum deles ali queria novas surpresas, não estavam em condições físicas e nem mentais para mais.

Correram como se suas vidas dependessem disso, cada um por seus motivos reclusos em especial. Itachi cuidando para guiar o grupo pelo melhor caminho, Kisame fora incumbido de manter a integridade do corpo desacordado da então líder daquela organização.

Sakura ia atrás cuidando da retaguarda, não sabia o caminho para aquela sede que iam, apenas seguia Kisame enquanto não perdia o foco do que deixavam para trás. Havia tanta energia de Deidara espalhada por tudo ali que ir embora era quase como abandonar o loiro explosivo.

Hidan corria em um meio termo entre o espaço deixado entre Kisame e Sakura, pela esquerda e Kakuso assumia a mesma posição pela direita. O braço esquerdo de Hidan, que não estava queimado e nem lesionado, levava firme sua foice enquanto o platinado fazia o seu trabalho sem se quer pensar nas queimaduras graves em seu corpo. Do outro lado, Kakuso apenas se mantinha sério, focado na parte do trabalho que fora destinado a si.

Todos simplesmente pararam de súbito quando o moreno a frente parou, poucos metros de uma figura completamente conhecida e um corpo que era extensão do seu próprio. Não esperavam encontrar Pain pelo caminho, mas era possível prever que o ruivo, ou/e Konan tinham sentido o que aconteceu.

– Estão faltando alguns. – Foi tudo o que disse, olhando para o grupo incompleto.

– Madara e Deidara estão mortos. – Itachi lhe respondeu de pronto, com seriedade.

– Sentimos um grande desequilíbrio na natureza.

– Este foi Deidara. – Disse Kakuso, explicando com poucas palavras o que o ruivo entenderia.

– Entendo. E Hidan? – Perguntou mirando o platinado.

– A loirinha teimosa ali correu pra dentro da explosão. Até onde me informaram, ela é a nova líder. – respondeu o imortal.

– Bom trabalho. – Disse por dizer. – Então, virou mesmo uma guerra. – Disse em tom de afirmação.

– Konoha. Não foi nada fácil, eles estão cada vez melhores. – Disse Kisame.

– É, mas até então o maior causador de encrencas foi o irmão mais novo do Uchiha. – Completou Hidan.

– Sasuke é considerado desertor por Konoha, duvido muito que suas ações tenham relação com as investidas da vila da folha. Sabemos o que eles procuram, e não é a mesma coisa que o que Sasuke quer. – Disse a até então calada Haruno.

– Tentamos omitir suas identidades justamente para não gerar uma guerra. – Disse o ruivo.

– Desculpe. Madara tinha seus próprios planos, e nos manipulou com facilidade. Nada disso teria acontecido se o time de Sasuke não tivesse nos encontrado, fizemos questão de mostrar que havia um Uchiha com Mangekyou na equipe, só isso serviu de chamarisco, Sasuke tinha certeza de que iria encontrar Itachi lá.

– Certo. Vamos voltar todos logo para a sede, se é guerra que eles querem, nos vamos nos preparar para isso. Vamos cuidar dos nossos feridos e bolar um bom plano de guerra.

– Ainda temos muitas coisas a lhe contar sobre Madara, o encontro com Sasuke e o tempo em que Ino e eu estivemos perdidas.

– Sinto as diferenças no seu chakra daqui. Teremos tempo para isso na segurança do nosso lar.