Capítulo trinta e três: Inércia

Por Kami-chan

Como determinado em um pedido mudo, os Akatsukis seguiram em silêncio para sua casa. Pain e Itachi à frente, ambos determinados em apenas seguir em frente. Seguidos pelos outros, cada um com seu cansaço e pesar pessoal.

Ao cruzarem as portas ocultas de um esconderijo subterrâneo, os líderes da comitiva logo encontraram o anjo azulado, em pé, os esperando com olhos cheios de perguntas e aflição. Sakura deu uma olhada geral na peça comunal ampla sem conseguir conter um suspiro pesado, estava cansada de uma forma como nunca se sentira. Mas finalmente, estava em casa.

– Hidan, assim que possível vou cuidar de você. Kakuso-san, será que você... – Disse a rosada sem concluir a pergunta que dirigira ao mais velho.

– Não se preocupe, eu cuido dessas queimaduras enquanto você estiver ocupada com a loira. – respondeu o velho.

– Devo deixar ela onde? – Kisame se infiltrou na conversa, referindo-se à Ino.

– A sala da enfermaria. – Disse Konan. – Há uma maca lá, e alguns equipamentos médicos. São do tempo da guerra Sakura...

– Servirão, não se preocupe. – Respondeu a rosada.

– Vamos todos para lá, Hidan e Kakuso também, precisamos de todas as informações. – Disse Pain.

A peça citada era anexa à sala do líder, Sakura nunca tinha estado ali antes, e nem tinha os escutado falar daquele lugar, mas tudo lhe indicava que aquele esconderijo era muito mais antigo. Devia ter sido usado muito antes.

– Nada como o lar da gente! – Comentou Hidan.

Os Akatsukis caminhavam tão despreocupadamente por aquele ambiente, que por meros instantes deixaram a rosada com certa inveja. Era bobagem, não estava em casa, eles estavam. Ela não conhecia nada ali, não sabia nem se mexer naquele lugar sombrio e gélido.

Num ato involuntário, se viu abraçando o próprio corpo, agarrando-se aos próprios braços. Por que tudo isso tinha que acontecer? Sua vida e de Ino estavam começando a ficar boas, ela estava quase conseguindo afirmar que se sentia feliz em um lugar.

Como daria a notícia à Ino? De qualquer forma isso seria como uma bomba relógio. Sentiu os olhos arderem, e o nome de Sasuke ecoou em sua mente, trazendo junto um sentimento de raiva tão intenso.

Não se lembrava de se sentir assim antes, esse era um novo sentimento seu, mas não se importava, seus dentes crispados com força cismavam apenas em pensar que o sacrifício de Deidara tinha arrastado consigo a vida desgraçada do Uchiha vingativo. Isso devia servir de consolo.

Konan abriu uma porta que ela não assimilou onde ficava, em um dos corredores daquele lugar que lhe parecia apenas um refúgio temporário, não seu novo lar. A rosada sentiu mãos sobre seus ombros e um sorriso pequeno e acolhedor vindo de seu namorado, que lhe tirava a capa pesada e suja da organização. Em seguida Itachi fez a mesma coisa com suas próprias vestes.

Todos tão confortáveis com aquele silêncio. Cada um deles era tão acostumado com a morte, que quase parecia que para os vivos ali, a ausência de uns não era nada além de uma simples ausência. No fundo, ela não queria ficar assim.

Todos entraram em silencio na pequena sala, Hidan sentou-se ao contrario em uma cadeira que havia mais ao fundo, deixando as pernas abertas em torno dos ferros que sustentavam o encosto, que servia de apoio para seus braços. Kakuso logo se juntou a ele, em pé às suas costas, podia cuidar daquelas queimaduras e se manter alerta a reunião sem grandes esforços.

Ino foi depositada com cuidado sobre a única maca no local, enquanto Konan se ocupava acender todas as luzes, extremamente fortes, tão contraditórias ao restante daquele lugar sombrio. Sakura foi atrás da azulada, vedo-a tirar vários soros de um armário com agilidade, jogando alguns para Kakuso.

A rosada estava mais ocupada em avaliar os materiais que o local oferecia. Itachi acendeu o fogo da lareira de pedra que tinha li, e a rosada não se demorou para encher uma chaleira de estanho e pendurar a mesma no suporte de ferro que havia suspenso sobre o fogo alto.

Queria deixar Ino limpa, mas havia coisas mais importantes. Os olhos da rosada quase brilharam ao reconhecer acima da maca onde Ino estava a ponteira de um encanamento para oxigênio. Não demorou ao procurar pelas várias gavetinhas do local uma sonda longa e uma cânula fina.

A movimentação da rosada atraiu o olhar de Konan e ao ver Sakura conectar a sonda de borracha a ponteira do oxigênio, a azulada automaticamente removeu o pequeno pote plástico conectado a ponteira, encontrando um nunca usado antes no armário, completando o mesmo com água destilada e o conectando novamente. Havia tanto tempo que ninguém usava aquele local, desejava com toda sua força que aqueles equipamentos funcionassem ainda.

Logo todos viam Sakura desenrolar a cânula e passar a mesma pela cabeça de Ino, conectando a ponta na sonda e a outra parte ser encaixada diretamente nas duas aberturas das narinas de Ino. Um sorriso feliz se abriu no rosto de Konan ao ver a rosada torcer o pequeno registro e abrir o oxigênio, fazendo um som característico, junto com as borbulhas da água no potinho. Estava funcionando.

– Ino aspirou muita fumaça da explosão, que além de tóxica lesiona os órgãos da respiração. Eu consegui revestir faringe, laringe, traquéia e até o esôfago com chakra lá na floresta mesmo, mas os pulmões são detalhistas demais, eu vou levar tempo até induzir o corpo dela a filtrar isso tudo. Infelizmente acredito que Ino precisará de auxilio mecânico para respirar muito em breve. Konan, eu vou precisar ter um ventilador em mãos quando isso acontecer.

– Ventilador? Você diz, aquela coisa com canos que entram pela boca da pessoa? – A azulada questionou realmente sem entender muito sobre as coisas que Sakura tinha dito. – Kakuso-san, você e Sasori-san eram as duas pessoas que cuidavam disso aqui.

– Orochimaru trouxe um ventilador, ele não é moderno, mas funcionou quando Sasori precisou. A parte mecânica dele está ali. – Disse apontando para onde Itachi estava.

O moreno virou para trás e reconheceu o objeto alto sobre um suporte de rodinhas. Procurou o fio, testando-o na luz, o equipamento velho funcionava.

– Posso arrumar tubos e cânulas estéreis pra você. E deixar isso limpo também. – Disse o moreno em tom baixo.

– Faça um clone e mande-o atrás desses tubos junto com um corpo meu Itachi. Precisamos nos manter juntos para falar sobre tudo isso que vem acontecendo. – Disse Pain, e o moreno apenas concordou, movendo os dedos sem nem mesmo olhar para o clone que já dispensava na companhia de um dos Cinco.

– Sakura-san, o estado de Ino-san é grave? – A voz de Kisame irrompeu a sala.

– Se ela fosse um ser humano qualquer, ou se nós contássemos apenas com a medicina convencional, sim. Mas as técnicas shinobi estão avançadas, incêndios e explosões são o que há de mais comum em uma guerra, que é a maior área de atuação de um medi-nin, com certeza. – A rosada respondeu e suspirou pesado, virando de costas para os demais, voltando sua atenção para Ino. – Nós fomos muito relapsos, deixamos que virasse uma guerra. – Disse pesarosa, indignada consigo mesma por ter falhado assim tão miseravelmente em sua primeira missão pela Akatsuki.

– Não acredito que apenas isso tenha sido o suficiente para estourar uma guerra. – completou Kakuso sem parar o que fazia nas costas de Hidan, lavando as feias queimaduras com soro.

– Na verdade, penso que a união dos fatos contribuíram. As meninas sumiram de sua vila e nós automaticamente fomos julgados culpados, e assinamos essa sentença ao forjar a morte das duas. Baixamos a nossa guarda preocupados com Konoha, e até hoje não sabemos de onde veio o ataque a nossa sede, fato é não foram eles. No meio disso ainda tinham os espiões da folha, que pegaram com destreza nosso ponto de vulnerabilidade. Eles sabiam que nós estávamos separados. – Disse Itachi.

– Tanto movimento chamou muita atenção. Era cedo demais para mandar as meninas em missão, Ino matou o ANBU Sai bem debaixo dos narizes deles. – Completou Kisame, que parecia muito atento aos movimentos de Sakura.

– E o nosso maior erro foi mandar Sakura passear por aí se passando por uma Uchiha, principalmente ao lado de Madara. Uma Uchiha não conhecida acompanhada de outro com o Mangekyou era unir a fome e vontade de comer de Sasuke. – Itachi tomou a palavra mais uma vez, internamente se culpando por não ter evitado isso.

– O que de fato Madara queria? – Perguntou Pain.

– Atrair Sasuke para uma armadilha, queria matá-lo para que ele não fosse capaz de chegar até Itachi. Mas ele sabia que talvez já estivesse fraco demais para isso, era seu plano desde o começo me ter por perto na hora de sua morte. – Antes que qualquer um pudesse falar algo, a rosada se pronunciou.

– Madara está morto. – Itachi disse olhando diretamente para Konan, que de todos ali, era a pessoa mais próxima de seu sensei. – Mas passou seus olhos para Sakura antes disso.

– É mais do que isso, sinto seu chakra difuso ao meu, e há memórias dele em seu subconsciente. Penso que enquanto estive desacordada.. sei lá, é como se ele me ensinasse a lidar com isso dentro de minha cabeça, mas ele já estava morto quando eu apaguei então é tudo confuso demais.

– Sabe-se muito pouco sobre as extensões do poder de Madara. – Disse Itachi ao observar a expressão confusa da rosada.

– O que houve enquanto estiveram fora? – Perguntou Pain.

– Madara era responsável pelo caminho que trilharíamos, ele tinha que ser o mais longo para desviarmos a atenção do mundo sobre a organização separada rumo ao novo esconderijo. Mas ele queria atrair Sasuke para uma armadilha, e conseguiu, eu só fui capaz de perceber o chakra conhecido quando já era tarde demais. Lutamos, Ino e eu matamos nossos adversários e então Madara me chamou. Era estranho porque era evidente que a luta deles fora completamente dentro de genjutsus. A partir daí lembro de poucas coisas. Ele me chamou, disse coisas estranhas e eu senti uma dor sobrehumana, meus olhos queimavam. Eu gritei muito de dor, mas então, tão rápido como veio, foi.

– Creio que mandar Sakura ao Tsukuyomi foi uma das últimas coisas que ele fez antes de morrer. – Disse Itachi.

– Como assim? – Quis saber Konan.

– Madara sabia que era o fim, tinha que dar um jeito de tirar Sakura de lá, pois com sua morte ela ficaria presa naquele mundo para sempre. Então ele ativou o mecanismo de autodefesa mais simples dos nossos olhos, é como se eles agissem de forma espontânea ao entrar em contato com outro Sharingan. É muito simples, apenas eu tenho esses olhos, logo, apenas eu seria capaz de encontrá-la. Entretanto ao entrar em contato com o Sahringan de Sasuke, Sakura criou um Amaterasu. E ao entrar em contato com o olho do copy ninja Kakashi ela o levou para o mundo paralelo de Totsuka, ele está morto.

– Ino estava ferida também quando encontramos as meninas, ela disse ter lutado com Kakashi, e confirmou que tinha jogado o corpo de Madara no rio. A loira invadiu o hospital da vila propositadamente para chamar nossa atenção. – Completou Kisame.

– Nesse meio tempo Hidan e eu ficamos pelo caminho, lutando contra Konohas. – Acrescentou Kakuso.

– Nós também encontramos Konohas pelo caminho, como Sakura ainda não estava tão acostumada com a luz clara por ter recém despertado, decidimos nos separar. – Disse Kisame. – Ino e Deidara seguiram em frente, enquanto nós ficamos pra trás.

– Os konohas receberam uma ordem de recuo, e assim fizeram os que sobreviveram. – Disse Itachi.

– Nós seguimos para encontrá-los e encontramos já Deidara lutando contra Sasuke. Foi uma bela luta, mas Sasuke tinha a vantagem. Quando percebemos as intenções de Deidara eu segui por baixo da terra, Hidan correu para tirar Ino de lá. – Disse Kakuso.

– Mas ela se soltou e voltou para o perímetro da explosão, por sorte não adentrou muito os nove quilômetros. Pelo menos Deidara conseguiu, não é? Não tem como Uchiha Sasuke ter saído vivo daquela explosão. – Concluiu Hidan.

– Bom, é um inimigo a menos para nos preocuparmos. – Disse Konan passando uma mão por entre as mechas de cabelo, estava preocupada com o rumo das coisas.

Olhou para Sakura envolvida com Ino, havia chakra saindo de suas mãos que estavam sobre um dos pulmões da loira. Mas sua expressão ficou ainda mais séria ao dirigir seu olhar para o moreno Uchiha, ele tinha os olhos fechados, ainda mais apertados que o normal, a azulada chamou por seu nome atraindo a atenção de todos, principalmente de Sakura. Havia se esquecido que enquanto todos ali falavam de um inimigo, Itachi estava falando do irmão. Mas o moreno apenas suspirou em resposta.

– Itachi-san – Dessa vez foi a voz de sua Sakura que o chamou, e em resposta, abriu os olhos.

– Sasuke não está morto. – Disse com suavidade, aquilo era simplesmente uma informação.

Sakura apenas deu as costas ao namorado, enraivecida. Como aquilo era possível? Sasuke não podia estar vivo ainda, não enquanto Deidara estava morto e Ino em uma situação tão ruim. Havia uma raiva incontida e desconhecida em si, apenas voltou a lidar em Ino e pouco ouviu quando Pain determinou que até que a líder acordasse ele se manteria em seu posto.

Os membros foram dispensados. Hidan disse que precisava de um banho e de um bom sono, ele ficaria em seu quarto até que a rosada tivesse um tempo para ver-lhe as feridas. O clone mandado por Itachi logo retornou como que tinha ido buscar e ainda um pouco mais de coisas que poderiam ser necessárias.

Ino realmente precisou ser entubada pela rosada e agora respirava com auxilio do ventilador mecânico. Sua situação era pior do que a rosada previra, e ela agora estava sendo monitorada por aparelhos, respirando também através dos mesmos. E ela estava terminando de lavar o corpo da amiga, cobrindo a mesma com um fino lençol quando sentiu um par de mãos em seus ombros, estava tão consumida pelo ódio que nem percebeu a aproximação de Itachi.

– Como ela está? – Perguntou com calma em sua voz.

– Indo. – A rosada respondeu vagamente. – Não posso ir mais rápido, não tenho chakra suficiente e também não posso correr o risco de ficar sem chakra. Sem falar que ele está vibrando de uma forma diferente, é instável e difícil de se controlar.

– Você já tentou separar o chakra de Madara do seu? – Perguntou o moreno, fazendo Sakura rir. Como se um chakra fosse água e o outro óleo, e fosse fácil assim separar. – Você está bem? – Perguntou ignorando a risada debochada dela.

– Bem? Você quer saber se eu estou bem? – Ela quase gritou, segurando as duas mãos firmes na maca onde Ino estava. – Eu pareço bem pra você?

– Sakura... – A atitude da médica surpreendeu o Uchiha, que chegou a soltar o ombro da amada para se afastar e a admirar melhor.

– Por causa de Sasuke, Madara está morto, eu matei Kakashi-sensei. Por causa daquele imbecil Deidara está morto, e Ino não está em uma situação muito melhor. Sabe o que estava me deixando razoavelmente bem? Saber que aquele desgraçado tinha sido morto por Deidara, mas não, você veio com a maior tranquilidade do mundo dizer que o seu irmãozinho ainda está vivo. Me desculpe se eu não sou capaz de ver meus amigos mortos e ficar bem. Desculpe se eu não tenho a mesma experiência que você. – Crispou, jogando todas as palavras juntas, sem sequer pensar no que dizia.

O Uchiha apenas a escutava, suas palavras lhe seriam ferinas se não fossem tão sofridas. Sabia que Sakura estava pouco a pouco derrubando suas barreiras, trazendo de volta uma versão sua que ele mesmo pensava ter suprimido por completo. Estava mais espontâneo, mais feliz, até gostava de sorrir quando o motivo era ela. A Haruno estava o puxando de volta para a vida que ele queria ter para si, mas que tinha aberto mão por motivos maiores.

E mesmo com as palavras mau escolhidas, Sakura não o ofendia. Na verdade, a dor contida nelas o machucava. Ele estava muito mais perdido do que imaginava. Sem palavras como suporte, apenas virou a menina entre seus braços e a abraçou em silencio, palavras não eram nem um pouco necessárias.

E não precisou de muito mais que o toque suave dos dedos finos entre as mechas de seus cabelos para desencadear o choro na rosada. As lágrimas rolavam com força, sendo escondidas no peito do namorado, o desespero com que deixavam os olhos da Haruno mostrando o quanto a mesma tinha se mantido forte até o momento, escondendo e reprimindo toda a angustia que sentia, o ódio.

Eram sentimentos novos demais, e intensos demais. Ela também estava abalada demais, confusa e desorientada quanto a sua nova realidade. E o Uchiha que era ali que morava a diferença entre Sakura e Ino. Sakura era perfeita, tinha força, chakra, inteligência e até mesmo liderança, mas tudo acabava quando o desconhecido se colocava diante de si. Quando as coisas mudavam demais Sakura se via completamente perdida.

– O ódio é o sentimento que move os Uchihas, tudo o que você sentir tenderá a pender para o ódio. Então você terá que aprender a controlá-lo se não quiser ficar como um verdadeiro Uchiha. – Disse de forma calma alisando seu rosto, limpando algumas lágrimas que escorriam ali.

Aos poucos a rosada fora se acalmando, sem nunca deixar os braços do namorado. Estava tão cansada, mas somente agora parecia se dar conta disso. Tentou se concentrar mais uma vez no calor daquele abraço, e no carinho daquele toque em sua pele, eles pareciam fazer a raiva se esvair lentamente. Mas seu momento fora interrompido pelo som da porta, e pela voz de Kakuso que ecoou pelo ambiente.

– Sakura-san, você precisa descansar. Vou ficar aqui para você tomar um banho e comer alguma coisa. Aproveita para dormir um pouco também. – Disse o mais velho.

– Kakuso-san tem razão, Ino precisa de você bem. Aproveite para descansar agora. – reforçou Itachi.

– Eu vou. – Disse a rosada se soltando dos braços de Itachi. – Já fiz tudo o que podia hoje, é só monitorar ela. Por favor, Kakuso-san, não hesite em chamar se for preciso.

– Chamarei. – Concordou o mais velho, sabia que para a médica descansar teria que a assegurar de Ino ficaria muito bem. – Durma um pouco, você passou por muitas coisas em muito poucos dias.

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– Que? Como assim eu não posso ver a baa-chan? Erro-senin, saia da frente da porta. – Naruto fez birra, franzindo o cenho e colocando uma mão em cada lado da cintura de forma como julgou intimidadora.

– Ela está descansando Naruto. Você também deveria estar. – Disse o eremita.

– Não há meios, não antes de eu vingar a morte do Kakashi sensei. E a única pessoa que pode me dizer como isso aconteceu é a velhota. ITAIII – Terminou a frase levando a mão à cabeça, para alisar o local onde fora atingido por Jiraya.

– Respeito com os mais velhos garoto, principalmente com a Hokage. – Ralhou o velho.

– Etto Erro-senin, você devia estar me ajudando com essa vingança afinal o Kakashi- sensei era descendente seu.

– Descen... ahh mas de onde você tirou isso? – Perguntou indignado.

– Ora sensei, ele foi aluno do teu aluno ne.

– Pare de besteiras Naruto, nem parece que está vivendo o luto do seu mestre. – O velho falou sério agora, fazendo Naruto baixar os olhos, expondo uma tristeza que ele estava lutando bravamente para não se deixar tomar.

– Sinto que vou sufocar se não fizer alguma coisa. Eu estou ficando sozinho de novo. – Disse contendo uma grossa lágrima. – Sasuke, Sakura, Sai e agora Kakashi-sensei, uma segunda família que me foi dada, e que se foi.

O eremita não hesitou em dar um ou dois passos a frente para passar um braço pelos ombros do pupilo. Naruto era tão novo e conhecia tanta dor que chegava a ser injusto.

– Sei como você se sente, mas você não está sozinho. Nunca vai estar. Mesmo assim, se quiser correr por aí atrás de uma vingança sem sentido, eu peço somente que de um tempo a si mesmo e a Tsunade. Você deve saber que a perda de Kakashi...

– Eu sei que a baa-chan e o Kakashi-sensei estavam juntos. – O cortou.

– Então não a faça sofrer mais Naruto. Eu sei que é difícil, mas de a ela um tempo antes de sofrer de novo, então eu mesmo o ajudo com essa vingança. – Disse o mestre, sem a menor intenção de ver Naruto correr por aí atrás da Akatuki, e consequentemente atrás das amigas que ele acreditava estarem mortas.

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Dias haviam se passado desde que os Akatsukis haviam se unido novamente. Eles permaneceram em inércia, não estavam empolgados com uma guerra, principalmente porque ainda não conseguiam ver o motivo da mesma. Aquilo era apenas morte em massa por um objetivo nulo, sem interesse algum.

Sakura desconectou a mangueira do ventilador da cânula que invadia a garganta de Ino e sorriu ao comprovar que a amiga já respirava por conta própria, apenas não a destubou por garantia. Estava feliz, sua amiga provavelmente já estava completamente fora de risco.

Passou a mão envolta por chakra por todo o corpo da loira, a examinando, buscando por qualquer alteração. Mas em certo ponto seu sorriso murchou e sua expressão entristeceu, foi nesse momento que Hidan entrou na sala. As queimaduras do platinado estavam quase boas, cicatrizadas, mas a rosada ainda lhe fazia curativos e estimulava o crescimento de pele nova com uma pomada.

– Qual o motivo da cara triste? – Perguntou largando o copo com qualquer coisa que bebia sobre uma das bancadas do local.

– Ino estava grávida. – Disse tirando a mão de cima da amiga.

Aquilo era algo que Sakura tinha descoberto um dia depois de entubar a amiga. Ela sabia que a situação de Ino era péssima para uma gestação recente e as chances dela sofrer um aborto eram grandes demais, mas mesmo assim, Sakura quis apostar. Infelizmente não tinha dado certo, todo o esforço que fez para salvar a vida da amiga provavelmente ceifou a que se desenvolvia dentro de si.

– Que? Mais uma? Isso é o que contagioso? Ou esse povo nunca ouviu falar em métodos contraceptivos?

– Cala a boca Hidan, ela não está mais grávida.

– Menos mal, vai dizer, daqui um pouco isso aqui ia virar uma creche. Vê se você não engravida também há. – Disse apontado para a rosada.

– Hidan, Ino tinha um bebê do Deidara. – A rosada persistiu, com esperança que o platinado entendesse a gravidade de tudo aquilo, afinal, o loiro estava morto, mas Ino tinha ainda um pequeno pedacinho dele em si.

– Barra né – Ele disse fazendo uma careta, como que se estar esperando um bebê do loiro fosse algo muito ruim.

– Você não tem sentimento não hem? – Gritou sem se preocupar com o que os outros do lado de fora da sala pudessem ouvir.

– Não. – Disse de forma simples, pois aquela era a verdade afinal.

– O que está acontecendo aqui? – A porta fora aberta com brusquidão e pela mesma entraram Konan, Itachi e Kakuso. A voz da pergunta era claramente de Kakuso.

– A Ino estava grávida, mas aparentemente está respirando sozinha de novo. – Disse o platinado, como se uma coisa fosse consequência da outra.

Tendo como consequência de seus atos, um lindo soco no lado direito do rosto. A obra tinha sido de Sakura, a rosada estava com muito esforço, tentando controlar o grande ódio que passara a existir dentro de si com a mistura do chakra de Madara com o seu, mas algumas coisas erma impossíveis de se levar numa boa, também, sempre agira por instinto.

– Sai fora do meu laboratório. – Gritou, espumando de raiva.

Kakuso puxou o platinado para fora, dando-lhes alguns cascudos e falando coisas sobre Hidan não saber a hora de calar a boca. Konan passou a mão pela própria barriga, a outra se perdeu pelas mechas do cabelo da loira, sentia a dor em si. Pois sabia que poderia morrer se perdesse aquele ser que ela nem mesmo conhecia, então sabia que a dor de Ino quando acordasse seria dupla.

– Você tem certeza de que ela não está mais grávida? – Perguntou Itachi.

– Sim. Seria a única recordação dele.