Capítulo trinta e quatro: Onde ainda houver esperança
Por Kami-chan
– Ne Konan-san, seu bebe será uma criança forte e saudável. – Disse Sakura terminando de examinar a azulada. – A mamãe por outro lado, está um pouco anêmica, mas nada que uma boa dieta não resolva. Pode se vestir.
– Você não consegue me dizer se será um menino ou uma menina? – Quis saber Konan, largando uma espécie de camisola macia que Sakura tinha lhe pedido para vestir e tomando suas roupas íntimas nas mãos para recolocá-las.
– Nem, isso só com um exame de imagem padrão. – A rosada começou com um suspiro, mas fora interrompida pela outra.
– Que infelizmente não temos como fazer devido ao nosso atual clima de guerra. – Konan completou sua fala.
– Mas para todos os efeitos posso sentir o chakra pulsando forte. Está muito curiosa quanto ao sexo? – Sakura perguntou mesmo estando de costas, preferia dar alguma privacidade para a outra se vestir.
– Na verdade não muito. Estou curiosa quanto as feições do bebê em si e como vamos lidar com essa coisa de ter um filho, mas não estou curiosa com o sexo. Sei que é uma menina, e bom, ela é filha de Nagato, é de se supor as extensões da força deste chakra. – Disse já vestida, alisando a barriga bastante saliente. Mesmo com a capa fechada a gestação lhe era evidente.
– Hei não se esqueça de que isso é uma combinação dos dois, o chakra dela é forte porque é seu também.
– Você disse "dela" – Konan sorriu. – Concorda comigo que é uma menina, então?
– Tsunade-sama costumava dizer que nunca se deve duvidar da sabedoria de uma mãe. – Ambas riram.
Aquela palavra, "mãe" era estranha aos ouvidos de Konan ainda. Ela não se sentia pronta, não sabia se faria as coisas direito. Não se lembrava do que era ter uma mãe, e agora seria uma, era tudo estranho demais.
Mas ao mesmo tempo intenso e belo, a azulada suspirou, deixando que seus olhos caíssem sobre o corpo ainda desacordado de Ino, até mesmo o medo da maternidade era um medo gostoso de sentir. A loira não devia ter sido privada disto.
– Você acha que ela sabia? – Perguntou se aproximando do leito onde Ino repousava.
A pergunta fora incompleta, mas Sakura tinha a entendido. Logo se aproximou do leito de Ino também.
– De qualquer forma vou ter que falar quando ela acordar. Por isso é engraçada como a força que há em mim desejando vê-la acordada é a mesma que quer que ela não acorde.
– Ela vai ter que saber lidar com tudo que há sobre seus ombros agora. E você também Sakura – Disse buscando os olhos da médica, não tinha tido a oportunidade de conversar com ela desde que tinham voltado. – As diferenças em seu chakra estão fortes, e me assustam. O ódio é o combustível da força dos Uchiha.
– Não se preocupe Konan-san, Itachi está me ajudando a entender isso, e a controlar essa ira que parece nascer de mim. Já posso controlar meu novo chakra, bem como os dons do Sharingan. Mas é claro que sempre há o que se aprender.
– Mesmo se encontrar Sasuke pelo caminho? – Quis saber a outra, que lhe escutava com toda atenção. – Mesmo se Ino for a próxima a nos deixar?
– Se eu encontrar Sasuke pelo caminho, ele com certeza terá o que merece de mim. Principalmente se ele cruzar meu caminho para tentar cumprir sua promessa de matar Itachi. Mas isso com certeza não tem nada haver com qual poder corre em minhas veias. Quanto a Ino, sua vaidade não permitirá que ela morra antes de realizar tudo o que almejar.
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Mais dias se passaram. Ino não tinha mais nenhum monitoramento excessivo em si. Ela respirava bem, apenas teimava em despertar. Na opinião de Sakura, que passava tempo integral dentro daquela sala cuidando de sua amiga, Ino parecia até mesmo uma linda princesa de contos de fadas, apenas esperando o beijo do homem certo para despertar. Mas a Haruno sabia que suas histórias estavam muito além de um conto de fadas, e que elas eram o completo avesso daquelas princesas, delicadas e indefesas.
Sakura suspirou, espreguiçando o corpo, estendendo os músculos ao seu limite e sentindo o alívio das articulações voltando ao movimento. Até mesmo bocejou, que horas já seriam? Dentro daquela sala o tempo parecia brincar com os seus sentidos. A rosada ocupava seu tempo fazendo pomadas e elixires cicatrizantes, até mesmo alguns antídotos para alguns venenos comuns, até mesmo remédios para cólica e outras pequenas coisas para o futuro bebe de Konan ela tinha feito. Ainda assim, o tempo não passava.
Hidan já estava curado, ninguém jamais imaginaria que aquele homem um tivera tamanha área do corpo queimada. Konan estava forte, havia mudado alguns hábitos de sua alimentação e tomado algumas pílulas dadas por Sakura que ajudaram a aumentar os níveis dos minerais insuficientes no organismo da azulada.
Kisame tinha saído atrás de informações que denunciassem os planos de Konoha, ele também queria encontrar qualquer pequena informação de Sasuke, já que para os Akatsukis, Sasuke e Konoha eram dois inimigos distintos, não apenas um. Pain estava concentrado, usando do máximo do poder do destino para captar qualquer informação ou intuição. E Itachi estava centrado em relembrar quaisquer detalhes de Madara, qualquer ínfima coisa, que antes pudesse ter lhe parecido loucura ou um ato senil, e com base nisso, o moreno ajudava Sakura a encontrar a sintonia perfeita entre o sensei e ela mesma.
Sakura estava cansada. Passou a mão pelas lâminas que estavam dispostas de forma organizada sobre um palete de madeira ao lado do microscópio. Eram apenas lâminas de estudo, algumas continham legendas com a letra de Kakuso, a letra das outras, ela não fazia ideia de a quem pertenciam.
Em um ato nostálgico ligou o microscópio e pegou uma lâmina aleatoriamente, logo a preparando devidamente e a colocando sob o foco do microscópio. Tão concentrada na imagem brilhante que se formava sob seus olhos na medida em que ela ajustava o foco que quase nem percebeu uma aproximação, quase.
– Esta é realmente uma imagem muito sexy. – A voz do moreno foi ouvida assim que a porta da sala foi aberta.
Sakura sorriu sem nem tirar os olhos das lentes do microscópio. Itachi estava mesmo mudando de uma forma que nem mesmo o moreno se dava conta, ouvi-lo sair com uma piadinha assim era algo tão, mas tão inimaginável que a rosada apenas pode sorrir.
Tentando não se deixar abalar pela forma como todos os pelos de seu corpo se ouriçavam apenas por ouvi-lo falar assim, provavelmente morreria antes de ver Itachi fazer uma piada, logo sua inteligência a fazia realizar que aquilo não tinha sido uma piada. Sakura apenas engoliu em seco.
– Pude sentir seu chakra muito antes do que costumava sentir. – Disse tentando desconversar.
– Como era de se esperar, você já está numa sintonia de quase cem por cento com seu chakra. Você realmente aprende as coisas com muita facilidade. O que está fazendo? – Perguntou já ao lado da namorada, que só então desencostou a face do aparelho.
– Só sendo nostálgica e estudando um pouquinho. – Respondeu sorrindo para o moreno.
– É, eu me apaixonei pela garotinha da professora. – Disse de forma baixa, quase um sussurro próximo a orelha da rosada.
Era a segunda brincadeira do moreno, isso para Sakura soava quase como um alarme de emergência. Não havia nada mais estranho que ver Uchiha Itachi naquele clima leve e despreocupado, principalmente no momento que estavam vivendo. Entretanto, não havia também nada mais agradável.
Haruno se levantou da banqueta onde estava sentada atrás do microscópio, fazendo Itachi assumir o seu lugar, indicando o objeto ao namorado e vendo-o se ajeitar diante das lentes, logo ajustando o foco para seus olhos. A cena fez a rosada sorrir mais uma vez, passando os braços por baixos dos braços do Uchiha, repousando o queixo em seu ombro.
– Isso porque você não era o aluno número um na escola, não é, menino prodígio. – Disse de forma zombeteira roçando a ponta do nariz no pescoço do moreno, satisfeita ao ver os efeitos de seu ato sobre a pele clara.
Itachi se virou, fazendo o acento da banqueta girar até estar de frente para a rosada. Logo ele a puxou pelo punho, conduzindo-a a se sentar sobre suas pernas, meio de lado, meio de frente para si, e então voltando sua atenção ao microscópio.
– O que é isso afinal? – Perguntou olhando através das lentes.
– Fibras cardíacas. Provavelmente de gato ou ratazana.
– Isso não parece um coração. É redondo.
– É um corte axial de um ventrículo. – Disse como se isso respondesse todas as suas perguntas, vendo Itachi olhar para si mais uma vez.
– Eu desisto de tentar entender as coisas que você fala. – E dessa vez foi a vez de Sakura rir, tantos anos dedicados apenas ao estudo daqueles tecidos e seus nomes estranhos, era tudo tão simples aos seus olhos.
A rosada tirou uma das mãos de Itachi que se prendiam em sua cintura e a trouxe para o meio de ambos. Fechou a mão do moreno firmemente e a posicionou no meio do peito deste, com o polegar para cima e mais inclinado para a esquerda. Então olhou para o namorado, pensando em quão engraçado poderia ser "tentar" ensinar algo sobre anatomia para Uchiha Itachi.
– Isto é o seu coração. – Disse indicando a mão em punho do moreno, que tinha ficado exatamente onde ela tinha a colocado. – É curioso, mas ele tem mesmo mais ou menos as dimensões da mão quando fechadas desse jeito e parece com um cone meio desfórmico também como a mão fechada nessa posição. Então temos átrios em cima – Explicou roçando seus dedos pela mão do moreno. – Por onde o sangue entra, e ventrículos embaixo, por onde o sangue sai. Aí vem a parte do axial, que é um corte que vai...
– De uma extremidade a outra, cortando da esquerda para direita ou direita para esquerda e separando e separando o objeto cortado em duas partes, uma superior e outra inferior. Cortar eu sei, mas não fazia ideia do que era um ventrículo. – Disse o moreno, logo justificando o motivo por ter interrompido a explicação de Sakura.
– Ok, então você entendeu porque a imagem está redonda. – Riu-se.
– Obrigado sensei. – E ali estava, o terceiro comentário leviano, totalmente avesso do que Itachi costumava ser.
– Ainda sou a menina da professora? – Perguntou apoiando os dois braços sobre os ombros do moreno.
– Não, você é a minha menina. – Disse, permitindo que sua mão desmanchasse a posição em que a rosada havia o deixado.
Nada foi preciso ser dito ou feito para que o Uchiha tivesse os lábios da medi-nin sobre os seus. Ambos estiveram tão focados em suas responsabilidades naqueles últimos dias, que apenas perceberam o quanto sentiam a falta daquele contato mias íntimo quando o toque quente da língua alheia os ascendeu.
A língua curiosa da rosada não se deixava ser conduzida oi manipulada, ela sempre gostava de comandar, ditar o rumo e a intensidade de seus beijos. Mas isso não diminuía nem um pouco da ânsia com a qual o moreno lhe beijava, e logo o pequeno corpo era espremido entre sues braços. Enquanto que os dedos dela se perdiam de forma nostálgica pelas mechas longas do cabelo preto, alisando-as e por vezes, puxando-as.
A rosada se viu forçada a ficar em pé quando o moreno fez o mesmo, sem interromper o beijo trocado, mas logo sentiu novamente o calor do corpo maior que o seu que a abraçou e forçou seu corpo contra a bancada atrás da mesma. A Haruno aprofundou mais o beijo, pedindo mais daquele contato quente que não dividiam a mais tempo do que seu bom gosto pedia.
Suas mãos passavam de cima abaixo pelos braços do moreno, raspando suas mãos por seu corpo com força, sentindo as mãos do moreno percorrendo por todo o seu corpo. O ar se fazendo necessário em um momento em que a rosada não queria que fosse preciso largá-lo, tentando em uma vaga tentativa de não se ver longe do aperto quente que era o corpo do moreno, inclinar sua cabeça, oferecendo a pele de seu pescoço, que fora prontamente tomada pelo Uchiha.
As mãos do Uchiha se firmaram uma em cada lado da cintura de Sakura, prensando-a com força contra a bancada de concreto. O movimento fora tão brusco que um gemido saiu dos lábios finos da rosada e suas mãos se forçaram a se segurarem na beirada da bancada.
Sakura sentiu a língua úmida circular seus lábios, sem que o baixo ventre do moreno afrouxasse o aperto contra o corpo dela. Abriu a boca para recebê-la, mas o ato foi ignorado pelo moreno, que desceu a língua mandíbula abaixo, seus olhos se apertaram para que ela pudesse sentir apenas.
A língua dele ficando seca a medida que descia por seu pescoço, e a mesma sendo substituída pelos lábios que puxaram sua pele num chupão sutil, logo passando a língua novamente pela marca avermelhada recente. Ela não ficaria ali por muito tempo, aquele não fora um chupão para marcar, era apenas para lhe dar prazer de uma forma sutil e delicada.
As mãos do Uchiha passaram a preceder seus atos, seus dedos alisaram um dos ombros da rosada, se embrenhando pela alça macia do uniforme e a puxando delicadamente para o lado, queria ampliar a área de pele levemente bronzeada que tinha ao seu dispor. Os toques com a boca passaram de seu pescoço para o ombro com beijos suaves que logo estariam percorrendo o peito alvo. Uma das mãos da rosada foi parar entre os cabelos de Itachi enquanto os lábios do mesmo desciam por seus seios, incentivando-o a continuar a percorrer e explorar toda a área.
Abriu os olhos ao sentir a língua do Uchiha escorregando entre seus seios, a mão do mesmo pesando no decote do top, Sakura viu o rosto de expressões impassíveis girar para a esquerda, tentando prender o máximo que conseguia de seu seio entre a língua a o céu de sua boca. Moveu-se para auxiliar o moreno nos movimentos, mas a medida em que o mesmo se movia para baixo, Sakura podia ver além do corpo maior que o seu, podia ver a sala equipada com luzes muito brancas e o leito de Ino no centro de vários equipamentos de emergência que ela mesma tinha manipulado na loira.
Estava errado. Estava morrendo de saudades de Itachi, sabia que o moreno devia sentir o mesmo, aqueles dias estavam sendo difíceis, mas estava errado. Ela tinha uma responsabilidade maior ali naquele momento, por um segundo se pegou imaginando como seria se Ino despertasse a visse desfrutando de um momento como aqueles, sendo que ela acordaria para uma realidade onde Deidara não existia.
– Itachi... – Chamou baixo, mesmo que quisesse, aquilo não poderia soar como um gemido, mas infelizmente, como uma repreensão.
Os dedos antes em seu cabelo, fazendo movimentos incentivadores ao moreno, agora seguia para os ombros do mais velho. Aquilo era uma coisa difícil de se fazer, sua vontade era de tirar a parte superior do uniforme e deixar que o namorado continuasse, sentia tanta falto do Uchiha, mas ao invés disto, precisou mesmo afastá-lo.
A troca de olhares foi suficiente, nenhuma palavra precisou ser dita. Sakura lançou um olhar de Itachi para Ino e na mesma hora o moreno entendeu. Um selo rápido foi trocado e o corpo da medi-nin foi liberto, um frio insano se apossou do corpo da rosada naquele momento, afastar-se era difícil demais.
Uma das mãos da rosada repousou sobre a face do moreno em um carinho terno, a troca de olhares era suficiente para que ambos soubessem que aquilo que tinha sido começado ali certamente seria terminado tão breve a rosada pudesse deixar a sala da enfermaria. Local onde praticamente vivia, pois Ino inspirava atenção intensiva até que acordasse, ou que a rosada entendesse o motivo pelo qual ela estava demorando tanto para acordar.
Trocaria mais algumas palavras com o moreno, mas algo atrás do mesmo chamou sua atenção. Um movimento sutil que fez Sakura franzir o cenho e olhar fixamente além do moreno, esperando por um novo movimento qualquer, que comprovasse que o que vira de relance antes não fora nada criado pelo cansaço, ou coisa parecida. O moreno seguiu seu olhar, e no exato momento, uma mão surgiu por baixo do lençol que cobria o corpo de Ino.
O braço fino e delicado se ergueu com dificuldade para que a mão tocasse, às cegas, a testa da loira. Sakura e Itachi tiveram uma troca rápida de olhares e o moreno se afastou ainda mais da rosada.
– Chá? – Perguntou?
– Algo bem calmante seria bom. – Sakura suspirou e viu o moreno dar passos em direção à porta, sem se preocupar com o mesmo se dirigiu até a cama onde Ino acordava aos poucos.
Yamanaka sentiu-se despertar lentamente, seu corpo inteiro doía, principalmente as costas. Tentou abrir os olhos, mas eles não estavam aptos a encarar a claridade, a loira gemeu de dor ao comprovar esse fato na primeira tentativa de abrir os olhos.
A mão seguiu instintiva para a testa, fazendo uma leve pressão no local, afim de aliviar alguma dor. Suas pálpebras ardiam, como se tivesse dormido por tempo demais, e outro gemido de dor deixou seus lábios ao se virar na cama, mesmo de olhos fechados o excesso de claridade incomodava muito. Entretanto a dor em suas articulações e músculos quando movimentados doía ainda mais.
Desde que horas estaria dormindo? Não se lembrava de ter ido para cama. Do que se lembrava?
Sakura desacordada. Kakashi se aproximando da cabana. A dor quente do gancho de ferro que a feriu. Kakashi morto e mais sangue saindo dos olhos de Sakura. Uma explosão ao longe e uma coruja; Deidara..
– Ino.. – Reconheceu a voz baixa e calma de Sakura próxima de si.
– Sakura? Acordou? – Perguntou tão baixo quanto a voz da amiga, cada ínfimo som lhe dava a impressão que sua cabeça iria explodir.
Sim, Sakura tinha acordado. Havia Deidara, Itachi e Kisame. Mas a rosada não estava bem ainda, dois grupos. Deidara..
– Ino, tente não se mover. Dormiu por tempo demais, seu corpo deve estar dolorido, tem que se acostumar com os movimentos lentamente. – A voz de Sakura soava doce, calma.
Sentiu as mãos da amiga em seus ombros, quente. E logo sentiu uma sensação muito boa se alastrando por todo seu corpo, relaxante, dissipando a dor. Ino suspirou profundamente, conhecia aquele jutsu simples, era da amiga, então ela já estava bem. Tempo demais? Por que dormiu tempo suficiente para Sakura estar tão bem?
Não se lembrava nem de ter dormido. Partiu com Deidara, deixando Sakura com Itachi e Kisame, pois a amiga não estava em condições de lutar. Houve luta? Teria se ferido e apagado? Se tinha se ferido...
Uma de suas mãos se soltou de sua face, conduzindo a luz esverdeada para um ponto específico em baixo ventre. Mas uma das mãos da rosada não deixou chegar até lá, segurando-a gentilmente no meio do caminho, entrelaçando seus dedos aos da amiga, fazendo o chakra acumulado ali se apagar. Mantendo as mãos unidas ao ouvir mais um suspiro vindo da loira, mas desta vez ele viera para dar início a um choro contido e baixo, as lágrimas escorriam por seu rosto mesmo que a Yamanaka nem tivesse aberto os olhos ainda.
A outra mão de Sakura foi para os cabelos de Ino, deixando um carinho calmo nos mesmos, a outra mão permaneceu conectada a outra mão da amiga. Ino sabia que se tinha se ferido, Sakura teria a examinado de todas as formas.
Ela com certeza sabia o que a loira queria checar, estava tudo bem com a gestação que tinha descoberto recentemente, mesmo depois do ferimento na luta contra Kakashi estava tudo certo. Mas o ato e o silencio da amiga lhe dava a certeza que as coisas não estavam bem.
Onde se machucara? O choro deixava as lembranças difíceis de se organizar. Konoha. Houve uma luta, lembrava de um Inuzuka, usara o seu Shintenshin contra ele. Foi ali? Sentiu a conexão ser desfeita pela dor de um ataque em seu corpo, e de repente todas as lembranças se tornaram tão vivas. Sasuke.
Foi Sasuke que viu quando seu corpo ainda estava imóvel no chão. Kakuso e Hidan. E Deidara lutando contra Sasuke.
Porque tinha permitido que Kakuso a convencesse de ficar apenas observando?
Líder, Ino era a líder, podia simplesmente mandar que Deidara recuasse à luta contra Sasuke.
Por que não fez isso? Porque a levaram para longe de Deidara. Porque Ino lembrava de ser carregada para longe de Deidara, e mesmo gigante, o loiro ficava cada vez menor ante seus olhos. A distância.
Uma mordida em Hidan. Uma corrida contra o tempo. Um último sorriso do homem que amava. KATSU.
"– Mas você jamais faria uma loucura dessas, não é mesmo? – perguntou a loira em um final de noite após Deidara lhe explicar a função daquela boca que ele próprio havia costurado para esconder de Ino.
– Faria por algo que valesse mais do que a minha vida, un"
– Onde está Deidara? – Ino engoliu um dos muitos suspiros que intercalavam seu choro para perguntar.
Tinha apagado, agora se lembrava em que momento. Tinha apagado antes de ver Hidan e Kakuso resgatar Deidara. Onde ele estava? No meio daquela explosão, devia ter sofrido muitos danos em seu corpo, precisava vê-lo. Onde estava Deidara senão ali ao seu lado esperando que ela acordasse?
Sakura se aproveitou dos olhos ainda fechados da amiga para deixar que uma lágrima teimosa descesse por seu rosto, não se permitiria cair no pranto, e para isso mordeu os lábios com força. Aquilo seria difícil, tinha pensado em tantas palavras, tantas formas de lhe dizer, mas tudo lhe fugia.
Nada faria da dor de sua amiga menor, nada traria o loiro explosivo de volta. Limpou a lágrima que descia por sua bochecha com um movimento de ombro e se preparava para falar qualquer coisa, mas o bolo em sua garganta a impedia.
– Sakura, Deidara, onde está Deidara? – A loira perguntou mais uma vez.
Sua voz tinha assumido um tom mais implorativo. Ino estava nervosa, e temia aquela falta de palavras da amiga. Abriu então os olhos para encarar a amiga, ignorando a luz, as lágrimas a cegava parcialmente para este incomodo, pouco via, mas sabia ver claramente a pena expressa nos olhos verdes brilhantes. Por algum motivo, não estavam brilhantes pelo tom esverdeado, mas sim por uma fina camada de lágrimas.
Muitos pensamentos invadiram a mente de Ino naquele momento, e nenhum deles era bom. E sem que percebesse, o ar foi lhe fugindo, liberado em cada soluço alto, mas nunca recuperado. Seu corpo sacolejava sem que se importasse com a dor que sentia nele anteriormente, tudo o que sentia era o calor das lágrimas que queimavam sua pele, por onde escorriam como lava quente e uma dor muito maior e completamente física em seu peito.
Como podia ter o prefácio de uma vida perfeita, e então após um simples fechar de olhos ter todos os seus sonhos perdidos? Não tinha mais Deidara, e muito menos o fruto de ambos, que guardava em surpresa para o seu loiro. Aquilo só podia ser uma brincadeira muito sacana do destino, esse Deus sádico com estratégias tortas regadas de um humor negro.
Ino não ouvia a voz de Sakura que a chamava com desespero, a loira tinha que se acalmar, tinha que respirar. Yamanaka não estava puxando o ar, seus lábios estavam já arroxeados, Sakura estava preocupada demais com a amiga. Quanto mais a chamava, mais para longe a amiga ai, seus olhos desfocados, banhados por lágrimas que ele não dava conta de derramar, apenas transbordavam entre os soluços desesperados.
Desespero. Era isso que Sakura via expresso nos olhos de Ino, então desistiu de chamar pela colega, apenas levou a ponta de dois dedos para o espaço entre os olhos da mesma e logo a loira estava dormindo novamente. Sakura não achava aquele o procedimento certo, Ino tinha que viver e superar sua dor, mas pelo menos descordada ela não se opunha mais ao ato de inspirar o ar, e deixava seu corpo fazer o que era melhor para si.
Sakura suspirou de maneira pesada, nem tinha visto que a porta do local tinha sido aberta. O som da madeira se fechando a tirou de um transe, onde tudo o que existia era a imagem de desespero da amiga, e agora seu peito subindo e descendo da maneira como tinha que ser mesmo que entre alguns suspiros cansados de choro.
Assustou-se com a presença de Itachi ali. O moreno tinha voltado com aquilo que tinha prometido ao sair, uma xícara de chá. Era para Ino, mas a loira ai dormir ainda por mais algum tempo, então Sakura tomou a peça de porcelana para si, vendo o moreno se sentar ao seu lado, sobre a beiradinha da cama de Ino.
– Vai ser mais difícil do que eu imaginei. – Disse de forma pesarosa ao namorado que apenas a observou em silêncio.
