Capítulo quarenta: Os pés pelas mãos

Por Kami-chan

As folhas verdes, quase secas desprendiam-se das partes mais finas dos galhos por influência do vento. Os bancos de pedra, dispostos ao longo de toda a extensão de por onde o rio de Konoha passava estavam quase todos vazios. O entardecer chegava, trazendo consigo as baixas temperaturas do outono, e pouquíssimas crianças teimam em permanecer ali brincando apesar de suas mães já os terem chamado para o jantar.

Mais ao longe, namorados aos poucos começavam a se espalhar pelo belo local, aproveitando-se do ar romântico dado pelo rio para seus encontros. Os olhos azuis se focaram em um rosto conhecido, Kiba vinha na direção de sua irmã, acolhendo o excesso de sacos e sacolas que a mais velha trazia da feira, sorridentes, ambos seguiram o caminho da residência dos Inozuka.

A cena nostálgica trouxe um suspiro cheio de significados mudos aos lábios de Naruto. Há quanto tempo sua vida tinha mudado assim tão drasticamente? Quase um ano. Quase um ano que tinham voltado de uma missão, naquela mesma noite foi até a casa da amiga para convidá-la para ir ao Ichimaru Lamen, mas não a encontrou.

Achou estranho, mas fazia tempo que a amizade de Ino e Sakura estava forte novamente. Não eram raras as noites em que as duas amigas saíam juntas para aproveitar a noite. Mas a ausência persistiu, e do sumiço fez-se morte. Não acreditava nem um pouco nos nomes de Sakura e Ino gravados na pedra dos ninjas.

Tsunade o manteve ausente o tempo que pode, mas ele sabia que no fim, a loira apenas não o queria correndo atrás de mais uma pessoa. Naruto parecia ser simplório, mas o era em um todo. Via e ouvia sobre ninjas que saíam em batalhões de missões extremamente sigilosas, o único que pode ver pessoalmente de volta fora Kakashi-sensei; morto. Soube minutos atrás que Hinata e Shikamaru não estavam de volta junto com os últimos ninjas que voltaram para casa, mas os dois estavam na mesma situação de seu professor, mortos.

O que Tsunade diria agora para lhe justificar a morte de mais duas pessoas importantes? Para onde o mandaria para mantê-lo longe do foco principal disso tudo, que ele sabia, tinha algo haver com o sumiço chamado de morte de Ino e Sakura. Será que era isso que Jiraya estava lhe contando há horas? Ou essa historinha de personagens sem nomes que ele estava lhe contando era apenas mais um motivo para lhe manter distante?

Era irritante a forma como estavam o tratando. E por isso, sabia que sua amiga não estava realmente morta, pois se estivesse, Jiraya e Tsunade estariam consigo atrás de respostas. Porque se fosse isso, eles o trariam para perto e não o afastariam.

Naruto odiava o silencio, mas mesmo com o seu sensei ali sentado ao seu lado, era assim que ele se mantinha. O Uzumaki estava diferente, as duas pessoas que mais diziam o amar estavam escondendo coisas importantes de si, tinha certeza. Além disso, tinha a solidão que o fazia lembrar-se do tempo em que não tinha amigos. Não tinha como evitar o sentimento de que estava perdendo todos eles.

O pior é que isso não era apenas um sentimento. Estava perdendo seus melhores amigos, para morte. E não conseguia ligar a historinha sem noção de Jiraya com o que estavam vivendo. Por certo que o velho lhe passaria outra conversa e o mandaria para longe do foco principal da coisa toda. Mas Naruto não aceitaria desta vez.

– Está me ouvindo Naruto? Ou estou falando para as carpas no rio? – Perguntou Jiraya.

– Estou aqui Ero-sanin. – Disse em desanimo, se era mais uma conversa furada, nem tinha porque prestar tanta atenção.

Era estranho como o menino cheio de energias, que nunca calava a boca, nem mesmo nos momentos mais inconvenientes teimava agora em apresentar-se tão apáticos. Era impossível encontrar naquela pessoa o menino chio de empatia, que nunca desistia e nem olhava para trás.

Jiraya suspirou com preocupação, Naruto estava apresentando respostas completamente inesperadas de si diante de toda aquela situação. Ao invés de gritar, espernear e declarar para toda vila ouvir que não descasaria até encontrar o causador das mortes de Ino e Sakura, e então vingá-las, o loiro espremeu-se em uma cocha imaginária que parecia pesar toneladas sobre suas costas minguadas. Naruto havia pedido a postura, o peso, o sono, a vontade de falar e até mesmo o ânimo para batalhas.

Jiraya sabia que boa parte desse quadro devia-se às mentiras contadas por Tsunade, nas quais mortes completamente aceitáveis foram dadas às meninas. Não podia culpar a loira, não mentira assim para o Uzumaki por maldade, mas para poupar o loiro do que no princípio de toda essa história, parecia uma armadilha para atrair a Kyuubi. Mentiras contadas sempre acabam gerando novas mentiras para sustentá-las, no fim, não apenas Naruto estava em uma péssima condição por conta das palavras fraudadas como qualquer ideia de armadilha estava evaporando na mente de Jiraya.

– Não falou nada sobre tudo o que te disse. – Falou em uma forma a estimulá-lo a falar.

Jiraya sentiu pela primeira vez o quanto estava deixando Naruto de lado. Presumiu somente que o loiro agiria por impulso e se esqueceu que eram mais pessoas que ele chamava de família que estavam partindo. Percebeu isso ao ver o pupilo mirando com certa inveja os irmãos Inuzuka.

– Me de apenas um sinal de que pelo menos ouviu tudo o que te contei aqui. – Pediu o velho, tentando ter a atenção do pequeno loiro para si, tendo como resposta um longo suspiro cansado.

– Eu ouvi tudo o que disse, ouvi com atenção toda a história sem pé nem cabeça que contou agora. – Respondeu o loiro com os olhos tão anormalmente apagados, e os traços raposinos em seu rosto caídos.

– Não é só porque parece uma história sem pé nem cabeça, que ela não pode ser a história de alguém. E é a história de alguém, Naruto, alguém que você conheceu. – Apenas quando Jiraya disse isso foi que Naruto resolveu lhe direcionar a atenção dos orbes minguados, a curiosidade do Uzumaki ainda estava viva ali de alguma forma, mas logo se esvaiu ao ditar sua contra resposta.

– Não me parece com a história de alguém que eu conheça, nem com a de alguém que eu gostaria de conhecer. – Disse o loiro emburrado, fazendo Jiraya sorrir. – Está rindo do que, Ero-sanin?

– Sabe, histórias mal contadas nem sempre tem a oportunidade de serem recontadas. Não parece com a história de alguém que você gostaria de conhecer? Não se esqueça que toda história tem leva a versão de quem as conta. Eu também não conhecia esta história da forma como contei a você hoje.

– Tsc... do jeito que você contou, pareceu que você queria que eu acreditasse que o cara estava certo..

– E por que não estaria? Você consegue ver todas as cores do arco íris girando o mesmo prisma contra o sol. Eu omiti o nome a quem essa história pertence de propósito Naruto, para que você entendesse que ele fez o que lhe parecia como única alternativa para salvar muitas pessoas. Mesmo que tenha feito algo errado, essa pessoa fez isso por um bem maior, Naruto.

– Então eu mudo minha resposta, eu gostaria de conhecer essa pessoa. E lhe diria que mesmo para um fim nobre, suas ações forram erradas. Um bom ninja teria encontrado um meio de salvar todas as pessoas, e não apenas uma quantidade maior delas. – Ouvindo isso Jiraya sorriu, havia ira no tom usado por Naruto, e as palavras que saiam de sua boca eram completamente suas.

– Infelizmente nem todos os ninjas tem a sua determinação Naruto. O dessa história fez tudo o que podia, tentou pedir ajuda às pessoas certas, mas encontrou apenas as erradas. Ele deu o máximo de si para conseguir pelo menos minimizar um grande mal.

– Tá bom Ero-sannin, pode dizer quem é esse cara.

– Ainda não. Eu quero que você pense nesta história enquanto viajamos, e na hora certa eu te conto quem é a pessoa da história. – Ao ouvir a resposta do mestre Naruto bufou, sentia ódio de si mesmo por ter caído em mais uma história, estava certo afinal, o mestre dos sapos estava ali apenas para encontrar mais um motivo bobo para tirá-lo do foco do desaparecimento de Sakura.

– Eu não vou a lugar algum. – Disse firme, colocando-se de frente ao mais velho. – Eu sabia que essa historinha patética era apenas pra me tirar daqui mais uma vez. Você e a obaa-chan só me jogam para longe desde que Ino e Sakura sumiram, e foi depois disso que vários ninjas voltaram de missões ultra secretas, mortos. Pode parar por aí, vocês não vão me manter mais fora disso.

– Não estou aqui para mentir para você, Naruto. – O mais velho se levantou ficando alguns centímetros mais alto que o aluno. – A princípio achávamos que o sumiço delas era uma armadilha para chegar até você, mas essa hipótese soa como absurdo hoje. A Akatsuki está envolvida na história de Ino e Sakura Naruto, mas isso nada tem haver com Konoha ou a Kyuubi. Elas estão lá porque querem e apenas isso.

– Não diga asneiras Er...

– Não estou dizendo asneiras Naruto, estou apenas lhe contando mais uma história. E lembre-se do que eu disse antes, as histórias levam a versão de quem as conta. Por isso quero que venha comigo, e por isso é tão importante que pense na outra história que contei.

– Por que?

– Porque estamos indo atrás delas...

– ... E vamos trazê-las de volta, pode ter certeza disso. – Crispou, mas foi cortado pelo mestre.

– Não! Nós vamos encontrá-las para ouvir a versão delas dessa história.

– Ero-sannin está caducando, elas estão com a Akatsuki, é obvio que não estão porque querem e que precisam ser trazidas de volta.

– A pessoa daquela história, Naruto, também está na Akatsuki. As últimas informações que tivemos coloca Sakura bastante próxima dessa pessoa. Eu quero levar você comigo, mas você precisa entender que ao chegar lá poderá encontrar uma versão completamente diferente da que se tem da Akatsuki, e terá que ir até lá aberto para isso.

– Impossível. Vamos Ero-sannin, temos que tirar logo as meninas daquele lugar.

Naquele momento Jiraya achou que aquilo já era informação demais para o pequeno loiro, por isso preferiu omitir a guerra e Sasuke. As coisas primeiro tinham que entrar na mente de Naruto para que ele lhe desse mais esta informação.

Não temia o que iria encontrar pelo caminho, de certa forma, sentia-se fazendo o mais certo que poderia. E parte de si encontrava-se aliviada por isso.

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Os passos largos não eram suficientes para apagar a evidência dos olhos grandes, cheios de curiosidade por cada detalhe diferente, mas que ao mesmo tempo, deixavam aquele lugar caracteristicamente reconhecível. Amava hospitais, e muitas pessoas a chamariam de louca, mas era a mais pura verdade, amava cada detalhe desde as paredes claras às placas de silêncio.

Os dedos finos tocaram a parte de vidro no centro das duas folhas de madeira, sem parar e nem mesmo reduzir seus passos, forçou as mãos contra as portas que não ofereceram nenhuma resistência ao toque preciso da rosada. E na sala adiante, mais detalhes da área que adentrava.

A janela grande e ampla de vidro tinha sua janela fechada, escondendo da sala até recentemente vazia, o motivo daquele ser o local mais cheio de alegria do hospital. Rente ao vidro, Sakura não resistiu a uma olhadinha pelas frestas da janela, de olho em bracinhos e perninhas inquietas dos bebes que ficavam aos cuidados da enfermagem enquanto suas mamães repousavam em quartos da ala da maternidade.

Mas o que a kunoichi procurava não estava ali, estava mais além escondido atrás de duas portas semelhantes as outras duas que ela tinha deixado para trás. Protegidos dos salvos de felicidade do berçário por um pequeno corredor. Os recém-nascidos que estavam ali nunca tinham feito os olhos de seus pais brilharem pelo vidro da janela da felicidade. Passando por um terceiro par de portas foi que ela encontrou o que procurava.

Três meninas vestidas com jalecos brancos trabalhavam em torno de diferentes berçários. Todas muito focadas no que faziam, se quer prestaram atenção na pessoa entrava ali.

– Com licença. – Pediu a rosada tocando de leve o ombro de uma das meninas. – Eu estou requisitando um berçário e mais alguns equipamentos deste setor, você poderia me ajudar?

A menina tinha seus cabelos lisos muito bem presos em um coque bem feito e mexia em algumas coisas dentro do berço onde havia um recém-nascido extremamente pequeno. Era um menino e da distância em que estava Sakura podia dizer com certeza de que ele era ainda menor do que a prematura filha de Konan.

– Claro. – Ela respondeu sem desviar sua atenção do recém-nascido.

Se aquela menina costumasse trabalhar sempre no setor da UTI neonatal saberia que a voz doce e firme que ouvira não era apenas desconhecida para si, mas para todo o hospital. Contudo, seu susto foi realmente grande quando a dona da voz se aproximou mais de si para ver que procedimento realizava, e o que viu não foi uma das médicas do hospital.

A menina de trajes estranhos tinha cabelos cor de rosa, e uma máscara do bloco cirúrgico ainda pendia abaixo de seu queixo, como se tivesse sido esquecida amarrada ali. Logo as mãos de dedos finos estavam junto com as suas, tendo acesso ao lado interno do berço pelos buracos do lado oposto no mesmo.

– A saturação está muito baixa. Ele é pequeno demais, quantas semanas? – Perguntou sem conseguir reprimir sua curiosidade, e já iluminando o pequeno corpinho com a luz forte de seu chakra.

– Dezenove semanas e meia. – Informou a menina, tentando não demonstrar seu medo por aquela pessoa, principalmente após ver aquela luz verde sair de suas mãos.

Sakura mal podia imaginar que aquela menina conhecia ninjas melhor do que desejava, e tinha sido indagada sobre uma ninja de cabelos cor de rosa que estaria no maldito hospital em que trabalhava, em um cargo que tinha acabado feito seu pequeno filho prisioneiro de um maluco. Yuriko nem acreditava que se quer teve que inventar uma desculpa para entrar no bloco cirúrgico, a menina que Sasuke tanto queria saber se estava ali dentro só podia ser aquela em sua frente.

– Infelizmente nesse estado eu só consigo fazer algo pelos pequenos pulmões dele, mas isso com certeza irá melhorar um pouco a saturação. – Concluiu sorrindo, procurando com curiosidade o número no monitor que comprovava sua fala, e encontrando com satisfação.

– Você não parece uma má pessoa. – Yuriko disse muito baixo, somente para si, mas Sakura ouviu.

– O fato de eu ser uma kunoichi implica em ser obrigatoriamente má? – Perguntou divertida, sabia que as pessoas daquela vila simples temiam o modo de vida shinobi.

– Gomen – Disse com rapidez, rubra em vergonha, aquilo era para ser apenas um pensamento.

Sasuke com certeza era uma má pessoa, e não precisava saber de coisas demais para saber que ele não tinha boas intenções quando lhe perguntava todos os dias se ela já tinha encontrado a tal ninja de cabelos cor de rosa e olhos verdes. Todos diziam que aquela organização era de pessoas más, que não tinham escrúpulos e matavam por conveniência, mas aquela menina não parecia ser uma pessoa ruim.

Era uma médica, uma ninja que preservava a vida. Sem contar que qualquer pessoa que olhasse para os níveis de saturação de um bebê de dezenove semanas e meia com amor e esperança, não poderia jamais ser comparada a uma pessoa ruim.

Yuriko não entendia, o que aquela menina tinha haver com Sasuke. O que uma pessoa como ele poderia querer com uma pessoa como ela?

– Então... – Sakura começou a falar, mas parou ao perceber que não sabia o nome da menina, podia ler no jaleco dela, mas preferiu esperar que ela mesma lhe desse essa informação.

– Yuriko. – Respondeu em um tom baixo.

– Yuriko. – Repetiu. – Pode me chamar de Sakura. Eu preciso de um desses berços e de mais alguns equipamentos específicos para recém-nascidos prematuros. Você pode ver isso pra mim ou é preciso eu conversar com a médica do setor?

– Não, o líder da vila disse que vocês tinham acesso a tudo que quisessem dentro do hospital, além do que, a maioria dos médicos fugiram quando ouviram o nome de sua organização, a única médica que restou neste setor está descansando pela primeira vez depois de trinta e seis horas trabalhadas. Nem mesmo eu sou deste setor, mas os poucos funcionários da enfermagem que restaram foram escalados para todos os setores.

– Lamento por esta situação. Nós também não queríamos estar aqui. – Disse a rosada observando a menina pegar algumas coisas que precisaria.

– Vocês trouxeram a guerra. – Ela disse em tom acusativo, sem medo de ser atrevida com aquela menina.

Yuriko sabia que ela podia ser doce, mas com certeza era por causa dela que seu filho era refém de um demônio. A jovem não entendia nada de guerras, mas estava aprendendo que elas machucavam onde doía mais.

– A cidade está segura, posso lhe garantir que o inimigo não avançará nossas barreiras. – Sakura lhe respondeu de boa vontade, não queria a inimizade daquela gente, pensava que o rancor nas palavras de Yuriko devia-se apenas ao medo que a vila nutria por eles.

– O líder falou dessa barreira que não deixa ninguém sair e nem entrar da vila. Você já parou para pensar que se houvesse um inimigo seu aqui dentro antes desta barreira ser feita, todos nós estaríamos presos aqui com ele. – Ao dizer isso a morena se virou, andando rápido para onde havia um berçário desocupado.

De costas para Sakura ela suspirou de olhos fechado, tinha que controlar sua boca. Sabia que se estragasse os planos de Sasuke seu filho estaria morto. O que tinha que fazer era conquistar a simpatia da rosada para levá-la até Sasuke, como o mesmo queria. Sakura era médica e isso faria com que seus serviços não fossem mais necessários ao moreno, logo, ele teria que lhe devolver o seu filho. Pobre Yuu.

– Eu preciso apenas que você assine aqui para levar o berçário, Sakura-san. – Disse calma ao voltar para perto da médica com o objeto que continha rodinhas para facilitar a locomoção.

– Sabe Yuriko-san, nós também pensamos nessa possibilidade quando chegamos aqui. – Isso – Disse fazendo a mão se envolver em luz verde – Se chama chakra, todo ninja tem e cada frequência de chakra é única e pode ser sentida por outro shinobi. Não se preocupe, não havia nenhuma frequência de chakra na vila quando fizemos a barreira. Estão todos seguros. – Disse com convicção, e até um pouco de simpatia, logo regredindo seu chakra e pegando uma caneta para assinar onde a menina tinha lhe pedido.

– Mas... – Yuriko quase abriu a boca para dizer que poderiam estar errados.

Mesmo que ela nada soubesse sobre a capacidade de um ninja de esconder o seu chakra. O que a fez calar foi algo que viu em Sakura quando a mesma se inclinou para assinar o papel.

Ao fazer o movimento, o pingente do colar que adornava o pescoço de Sakura pendeu para frente e ficou completamente a mostra. Mostrando a Yuriko o símbolo adornado com pedras preciosas que recriavam o mesmo desenho bordado nas roupas de Sasuke. E estava ali a semelhança entre os dois, após todo o tempo tentando encontrar algo que ligasse a menina tão doce ao homem tão sombrio, ela tinha encontrado.

Aquele símbolo. Ficou tão estática o observando que se quer percebeu a movimentação atrás de si, denunciando a chegada de mais alguém ao setor. A boca de Yuriko abriu e ela deu dois passos para trás ao ver o moreno se aproximar de Sakura por trás, a rosada nada fez para demonstrar que sentia sua presença além de abrir um sorriso de lado.

– Eu vim ajudar você a levar esse negócio. – Ele disse deslizando os dedos carinhosamente pelas mechas róseas.

Yuriko não conseguia nem respirar. O moreno atrás de Sakura tinha exatamente os mesmos traços que Sasuke, apenas mais expressivos. Se os cabelos não fossem tão diferentes e aquele homem não fosse inegavelmente mais velho, daria para confundi-los.

– Sei... – A rosada respondeu em tom debochado, logo retomando sua atenção a Yuriko, estendendo o papel que acabara se assinar para a mesma, com um nome falso é claro. – Muito obrigada pela atenção Yuriko-san, vou procurar você caso precise de algo mais.

Dizendo isso o casal saiu do local, Sakura segurava as duas portas de molas abertas para que o moreno passasse empurrando o berçário. E mesmo que as portas tivessem se fechado tão logo o moreno passou, Yuriko ainda pode ver aquele riso debochado no rosto da rosada antes que a mesma desaparecesse.

– Você é um grande mentiroso, sabia. – A rosada disparou contra o moreno assim que se viram no corredor, ainda dentro do setor da UTI neonatal. – Itachi suspirou se fingindo de ofendido e olhou de forma firme para ela.

– Sabia! – Disse por fim, fazendo ambos rirem em meio ao corredor.

A rosada logo levou a mão ao ombro do moreno, fazendo-o parar e virar para si. Rapidamente, ela acabou com o pouco espaço que havia entre si e o homem ao seu lado, buscando seus lábios em um beijo rápido.

– Eu disse que não demoraria. – Disse sem se afastar, ainda com os lábios encostados ao dele.

– Mas você demorou. – Contrapôs, mordiscando de leve o lábio encostado ao seu, logo pedindo mais um beijo à amada, este sendo findando antes do desejado pelo barulho de passos no corredor a frente ao que estavam.

– Isso ainda vai acabar com a seu negócio de cara mau. – Zombou Sakura, voltando a caminhar ao lado do namorado.

– Você acabou com o meu negócio de cara mau faz tempo – Respondeu em mesmo humor. – O que você acha de levarmos isso de uma vez para Pain e Konan, e nos vermos livres de uma vez, hm...

– Uma ótima ideia. – Disse segurando firme as coisas que levava e acelerando o passo, sendo seguida lado a lado por Itachi.

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Olhando para a grandiosa estrutura do hospital, Sasuke pensava qual seria a melhor maneira de entrar ali. Tinha rodeado todo o prédio, e não tinha encontrado nenhuma forma de entrar em um andar superior sem precisar usar de seu chakra.

Tinha que usar a surpresa a seu favor, por isso tinha que pensar bem. Não podia encontrar o tal Hidan e nem Kisame pelo caminho, tinha que ser certeiro, a primeira pessoa a descobri-lo tinha que ser Sakura, ou Itachi.