Capítulo quarenta e três: O começo do fim

Por Kami-chan

Sakura acordou, mas não queria abrir os olhos. Sua cabeça e seu corpo doíam, como se tivesse dormido por tempo demais, mas isso não lhe fazia sentido. O leito sob seu corpo parecia duro e frio demais, mas lembrava de ter dividido uma cama melhor com Itachi quando se deitou. Também não sentia o calor do corpo de seu namorado ao seu lado.

Sentiu um cheiro estranho naquele lugar, não lembrava nenhum um pouco ao cheiro do hospital. Abriu os olhos e o que viu foi um chão de carvalho com uma camada de pó desenvolvida por anos, com certeza não estava mais onde pensava estar; onde estava?

Os músculos de seu corpo protestavam ante qualquer movimento, sentia-se estranha. Neste momento, todos os seus sensores de alerta estavam ligados, estava em um lugar estranho, onde não devia estar, com o corpo doendo e sem nem um pingo da presença de Itachi.

Estava tudo escuro, mas ela sentia a presença de mais alguém ali. De uma forma muito estranha parecia conhecer aquela presença, mas não era nada parecido com a assinatura de chakra das pessoas que algum dia já tivera conhecido, era apenas familiar.

Parecia o chakra de Sasuke, mas mais frio e de alguma forma, assustador. A assustava o fato de haver uma familiaridade de chakra ali, principalmente por não ter nenhuma noção de como ter chagado até ali.

Fechou os olhos novamente, tentando organizar os pensamentos. Não iria ficar nervosa, iria apenas descobrir onde estava e como tinha chegado até ali, respirou fundo, tinha que descobrir de quem era aquela presença e decididamente, iria mostrar a essa pessoa como ser levada sem sua autorização para qualquer lugar, ainda mais um longe de Itachi, a deixava irritada.

Longe de Itachi, a ausência do moreno ali também a preocupava. A forma como havia sido deixada de qualquer jeito sobre o chão empoeirado em uma peça escura, deixava claro que tinha sido trazida até ali contra sua vontade, e Sakura sabia que Itachi não deixaria que a levassem assim. Também não se lembrava de ter lutado, então podia presumir que apenas tivesse sido levada enquanto dormia, uma náusea incomoda lhe dava a suspeita de que tivesse sido induzida a um nível maior de inconsciência.

E isso a deixava ainda mais irritada, era covardia demais. Este pensamento fez a rosada ranger os dentes, havia este chakra parecido com o de Sasuke, ligado a uma atitude covarde. Apesar de não parecer algo que o ex-colega de equipe fizesse, ela sabia que não podia mais dizer com certeza o que o moreno era, ou não capaz de fazer. Sem falar que ele estava gostando de dar trabalho a ela nos últimos tempos. Sakura soltou todo o ar que tinha nos pulmões, se encontrasse o caçula de Itachi naquela casa, não responderia por seus atos.

Levantou-se, contraindo todos os músculos de seu corpo para que acordassem, movimentando a cabeça para ambos os lados, para colocar os músculos do pescoço no lugar, e logo em seguida forçou os olhos, olhando em todas as direções, tentando ver além da escuridão do cômodo onde estava. Impossível, estava escuro demais.

Sakura arrastou os pés descalços pelo taboão, sentindo o pó se mover rente ao seus dedos, tentando reconhecer o terreno em segurança. Com apenas alguns passos ela pode sentir o peso de algo preso em um de seus tornozelos, incrédula, Sakura se abaixou para tocar o lugar e pode sentir a corrente presa ao chão ligada ao seu tornozelo.

Chegou a rir soprando o deboche entre seus dentes, como que uma corrente de ferro fosse capaz de lhe manter presa a algum lugar. Tateou o local exato no chão onde a mesma era presa, logo firmando as duas mãos ao longo da corrente para então finalmente puxá-la usando sua força.

– AH – O grito da rosada se misturou com o som característico das várias correntes elétricas que percorriam a curta corrente.

Logo após o grito o corpo incapaz de se mover viu uma fresta de claridade invadir o cômodo escuro, indicando uma porta que foi deixada aberta após a passagem de uma pessoa. Os olhos acostumados com a escuridão se incomodaram com a claridade repentina, fechando-se rapidamente, concentrando-se apenas nos vários espasmos incontroláveis, decorrentes do forte choque elétrico que o corpo recebeu.

O moreno Uchiha entrou na sala vendo o corpo que se tremia de forma estranha sobre o chão, Sakura não tinha demorado a acordar. Ele queria que Itachi já tivesse chagado ali quando isso acontecesse, por isso além clorofórmio, tinha injetado uma das drogas analgésicas que Yuriko lhe dava, mas não adiantou, a meretriz tinha acordado antes do previsto.

Era engraçada a forma como o corpo dela se debatia, era tão evidente que ela não tinha controle nenhum sobre aqueles movimentos erráticos. Sorriu se parabenizando por ter tido aquela ideia, sabia que precisava de algo forte para deter a força física da Haruno, mas o resultado foi muito melhor do que o esperado, por isso riu alto, chamando também a atenção da rosada.

A luz incomodava, seus olhos demorariam a se acostumar com isso, mas era uma questão muito maior, Sakura reconheceu a voz naquela risada. E estar presa em uma armadilha com Sasuke se aproximando de si, era uma questão de sobrevivência, e abriu os olhos completamente, lutando contra qualquer incomodo, vendo o moreno Uchiha se aproximar de si sem poder se mover.

– Sasuke – Disse entre dentes.

– Você não está aqui para falar, meretriz. – Disse forçando a lâmina de sua katana contra a corrente presa ao tornozelo da menina, tirando a mesma reação anterior do objeto, vendo a luz violenta da eletricidade percorrer a corrente até o corpo da rosada que se contraiu completamente pelo novo choque, sentindo novos espasmos incontroláveis após o mesmo.

– Me diga você que é uma medi-nin, Sakura, quantos deste você tem que levar para morrer? – Perguntou, sem esperar pela resposta ao excitar a corrente mais uma vez, assistindo a menina tomar mais um choque forte, ficando quase inconsciente.

Um filete de saliva percorria pelo canto de sua boca, sem que tivesse consciência para limpá-lo. Seu corpo inteira sacolejava de forma estranha e incontrolável, se Sasuke não parasse logo com aquilo, não tinha certeza de que sobreviveria, mas antes que pudesse ter algum outro pensamento, sentiu novamente o poder da eletricidade correndo por seu corpo.

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Itachi estava perplexo com a maldade do irmão, Sasuke tinha ódio de si, e uma cede muito grande de vingança, mas agora seu irmão tinha ultrapassado os limites da maldade. Vendo o medo que fazia o pequeno Yuu franzir o cenho mesmo quando dormia, o fazia se sentir culpado pelo o que o irmão tinha virado, não devia ter tentado planejar a vida e o destino do irmão, devia apenas ter partido como um assassino e esquecido Sasuke.

Tinha sentido a presença de Kisame, pela região, era seu ponto perfeito para partida. Deixaria ao peixe a tarefa de levar o menino ao hospital, onde sabia que poderia encontrar aquela mulher cujo rosto dividia uma foto com o menino. Seria difícil esquecer as feições de medo daquele menino, e também não tinha como não se culpar por aquilo. Desculpou-se com o menino mentalmente, e logo em seguida se despediu de forma muda ante os olhos cerrados da criança que dormia.

Era fato que tinha que acabar com essa história. Ele quem tinha dado início a fúria desenfreada do irmão, nada mais certo do que ele mesmo dar fim a isto.

Dois Itachis saíram da cabana que fora amaldiçoada por seu irmão, um pegou o caminho da esquerda, indo ao entro de Kisame; o outro foi à direita, concentrado em sentir os fracos sinais deixados para trás por seu irmão. Temeroso, fora incapaz de ferir o irmão uma vez, pois o mesmo não passava de uma criança inocente, que de nada sabia sobre os planos da polícia secreta de Konoha.

Tinha esperanças de que seu irmão fosse muito mais do que um descendente daquele clã amaldiçoado, do qual, ironicamente, só tinha se salvado por simplesmente abraçar a maldição com os dois braços bem apertados antes que fosse consumido pela mesma; mas ele estava errado, mesmo sem a influência do caln, o DNA nas veias do caçula tinha se mostrado mais forte. Sasuke tinha se tornado um maldito Uchiha, por mais que o mais velho quisesse ver ainda algo daquela criança inocente por trás dos grandes orbes negros.

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– Tantos procurados juntos. Esses sete juntos, somam mais de dez milhões em nosso país. – Disse Kakuso, pesaroso por ter em suas mãos a oportunidade de tanto dinheiro e tê-la que levar de graça até seu país de origem.

Hidan o olhou com o canto do olho, enquanto limpava os vestígios de sangue do último corpo de sua foice. Sabia que não havia nada no mundo que o outro amasse mais do que o dinheiro, na verdade, acreditava que o dinheiro era a única coisa que Kakuso fosse capaz de amar de verdade.

Sentia-se grato e em divida com o colega, pois ele tinha cuidado de suas queimaduras de bom grado, mesmo que elas não o ferissem, o mais velho fez por si algo que ia apenas a favor de seu próprio ego, pois não tinha graça ser imortal e feio. Não gostava de admitir, mas sabia que era bem evidente o quanto era vaidoso.

– Ino disse que você estava liberado para negociar se encontrasse alguém valioso, mas ela pediu para que levássemos os corpos de volta para a terra natal deles, como aviso. – Alterou um pouco as palavras da loira, permitindo uma brecha para saciar o desejo do amigo. – Quanto você acha que pagariam pelas cabeças deles. – Perguntou em um tom humorado.

– Ino mandou você levar os corpos, certo? – Acompanhou o raciocínio maroto do mais novo com um sorriso.

– Corpos ainda são corpos sem suas cabeças, hm?

– A cabeça é a parte mais valiosa para receber recompensas. – Afirmou o mercenário.

– Ótimo, por favor, me arrume uma saco bem grande. – Disse o platinado, puxando um dos ninjas pela gola da camisa com uma mão enquanto manuseava a foice com a outra.

– Hoje é você quem manda chefe. – Sorriu tirando a própria capa, e usando de seus fios para transformar a mesma em uma espécie de saco, fazendo das magas as alças da mesma.

Hidan sorriu, sem que o mais velho pudesse ver. Estava lhe mostrando sua gratidão, e sabia que o mais velho entenderia o ato desta forma, sua dívida estava paga.

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Ino retirou o termômetro do corpo do amado, franzindo o cenho para encontrar a indicação da temperatura no pequeno objeto. Deidara estava estável, mas Ino não se deixava atrasar, checando todos os sinais vitais do amado periodicamente, dentro do tempo estimado por Sakura. Mesmo sabendo que a situação do amado estava favorável, não conseguiu não deixar que um suspiro alto de alívio escapasse por sua boca.

Com um sorriso no rosto, uma mão balançava o termômetro no ar para fazer o mercúrio descer, enquanto a outra acariciava os cabelos do loiro adormecido. Logo em seguida sentou-se ao lado do mesmo, largando o termômetro para segurar a mão do amado sem precisar deixar de acarinhar seus cabelos. Tinha aprendido com Tsunade que as pessoas podiam ouvir tudo o que acontecia em seu redor no coma, e crente nesta informação, mantinha um monólogo baixo próximo ao ouvido do outro.

Mais adiante, Konan e Pain estavam lado a lado, debruçados sobre o leito onde a azulada estava instalada. No centro deste, a pequena filha parecia ainda menor, com os bracinhos e perninhas voltados para cima, se mexendo com movimentos estranhos e, de alguma forma, adoráveis. Ambos sorriam abobalhados ao ver o momento exato em que a pequena capturou o dedo indicador do ruivo, que balançava a mão de um lado a outro, lendo junto o bracinho da menor.

Naquele momento ninguém se deu de conta de como belos sentimentos os poderiam cegar, esperança cercava o casal de loiros e felicidade irradiava da pequena família recém formada. Todo o resto era esquecido, Pain já tinha perguntado todas as suas dúvidas sobre o ataque à cidade, e acrescido informações sobre estes inimigos para a nova líder da organização.

Apesar da situação ainda ser tensa pelo sequestro de Sakura, não podiam se abdicar aos pequenos detalhes que expandiam a felicidade de cada mundo particular. No fundo, todos sabiam que a rosada voltaria e bem a salvo, Itachi a encontraria e o casal daria um jeito no caçula Uchiha, e este ponto talvez, fosse o único com o qual Ino não concordava. Entendia que as diferenças familiares deviam ser resolvidas entre os irmãos, mas nada apagaria de si aquela vontade de que fosse ela quem encontrasse Sasuke.

Mas ninguém entenderia este sentimento que queimava dentro de si. Além de que Ino sabia que seu lugar era ali, ao lado de Deidara, e a frente do grupo que ela ainda não se sentia firme o suficiente para liderar. O que era difícil de ser compreendido por si, era o fato de sua mente entender que deveria prezar o fato do amado estar vivo, mas seu coração apertava com a vontade de vingar o ocorrido.

Nem perto e nem longe dali, Naruto observava tudo ao seu redor. A vila onde estavam era relativamente perto de Konoha, o que a colocava como rota para quase todas as missões, o alarmante era saber que aquela vila definitivamente não era daquele jeito.

Grama falha e esburacada, solo remexido, pequenas casas destruídas, a vila estava tão diferente que nem percebeu quando chegaram a região central da mesma; se não fosse pela fonte e pelo comércio, diria que estavam em outro lugar. A vasta vegetação da periferia da vila, fora devastada.

– O que houve aqui ero-sanin? – Quis saber o loiro.

– Uma batalha entre Konoha e a Akatsuki, que acabou se tornando uma batalha da Akatsuki contra Sasuke.

– Nani? – O pavor tomou conta do jovem loiro. – Sasuke.. Akatsuki.. Uma batalha tão perto de casa e você e a vovó estavam me deixando às escuras?

– Já disse, pensamos que o tinha acontecido com Sakura pudesse ser uma isca para chegar até você.

– E que provas tem de que elas estão aqui por vontade própria, não vejo a Sakura-san destruindo uma vila deste jeito.

– Gomene, não há provas além das palavras duvidosas de Sasuke. Mas eu realmente acredito que seja verdade.

– Acha que ela e Ino estão aqui? Assim tão perto de nós?

– Não sei. A última batalha que se teve informação foi aqui, uma fonte informou-nos que tudo terminou com uma luta séria de Sasuke contra um Akatsuki, a pessoa que passou a informação disse que ambos os ninjas tinham morrido nesta luta, mas eu não acredito nisso.

– Esta vila tem um hospital.

– E estava sendo fortemente protegida. Naruto, nós devemos esconder nossa presença, estamos aqui para investigar e jamais encontraremos o que estamos procurando se instigá-los a uma luta. Você me entendeu?

– Hai sensei.

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Sakura permanecia imóvel, sentada sobre as próprias pernas no chão acompanhando Sasuke apenas com os olhos, e de cenho franzido. Não precisava entender que jutsu era aquele para saber que não se livraria daquela porcaria em sua perna, e quanto mais tentasse, mais acabaria consigo mesma. Logo, seria inútil ficar se desgastando e gritando ali dentro, Sasuke não seria idiota em levá-la para um lugar movimentado.

A rosada ainda tinha movimentos lentos devido aos vários choques que tinha levado, a perna da correte formigava tanto que ela nem a sentia, sabendo assim que seria inútil tentar se levantar. Sasuke andava de um lado a outro muito lentamente, totalmente focado em seus pensamentos, era como se estivesse esperando algo, e após ouvi-lo a chamar de meretriz algumas dezenas de vezes, sabia muito bem por quem ele estava esperando.

Ele parecia não saber exatamente o que faria ou de que jeito faria. Pelo menos essa era impressão que o moreno lhe passava, deixando-a confusa quando a sentir mais nojo ou mias pena do que sobrara do Uchiha que ela um dia conheceu. Mas não perderia o foco no moreno. Não poderia lutar fisicamente com ele, por isso tinha que dar conta do recado até que Itachi chegasse.

Quando Itachi chegasse. Havia um enorme mistério neste ponto, pois Sakura já tinha entendido seu papel ali. Conhecia Sasuke bem até demais e sabia o que o moreno queria fazer com o seu amado, afinal, Itachi feriu e matou as pessoas que Sasuke amava. E de alguma forma, ele sabia que a pessoa que tinha de seu irmão o sentimento mais próximo daquele que ele tinha por sua família, naquele momento, era ela.

Sasuke iria a ferir ainda mais, se possível, iria a torturar e por fim, iria matá-la. Iria fazer Itachi sentir o que ele sentiu, e iria colocar toda a raiva acumulada por anos em seus atos. E Sakura sentiu a saliva parecer pesada e difícil de engolir com este pensamento, o frio percorreu seu corpo sem que ela perdesse o foco do Uchiha; estava com um grande problema em mãos.

Então ele parou de caminhas, mas ainda assim a evitou por breves minutos. Breves minutos até que a íris rubra manchada com três gotinhas negras a mirasse com ira. Sakura piscou algumas vezes, pois sentia algo no ambiente que indicava que esse estava para mudar e logo buscou o olhar do Uchiha sem medo, seus olhos verdes se tornaram tão ameaçadores quanto aqueles que ela ainda não tinha lhe revelado. E de forma alguma estranhou o fato de sentir o que viria antes de acontecer.

– Você não pode me prender em um genjutsu, Sasuke. Não a mim. – A certeza nas palavras da rosada chegou como um cômico blefe aos ouvidos dele.

Sasuke deu uma risadinha de deboche e virou-se completamente de frente para encará-la com uma ira ainda maior e fazê-la cair de qualquer forma em sua ilusão. Mas a reação dela não foi exatamente a que esperava.

– Você é retardado ou o que? Eu já disse que não pode me fazer cair.

– Como pode sentir antes de estar presa nele? – Quis saber sem deixar muita curiosidade transparecer em suas palavras.

– Tive o melhor sensei que há para essas técnicas. Não sei se algum dia já lhe comentaram sobre isso. – Ela falava carregada em ironia – Mas o mais forte dos irmãos Uchiha realmente é um gênio e um professor rigoroso. – Completou sem tocar no nome de Madara, a memória do velho não deveria ser manchada por um menininho tolo.

Nem bem ela terminou de falar e pode sentir o troco por sua ironia, e tão rápido quanto seus olhos pudessem registrar ele estava diante de si. A lâmina da katana cortou certeira a face alva em um talho perfeito, que não fora feito para tirá-la do jogo, apenas para mostrar quem estava dando as cartas no mesmo.

Entretanto diferente do que planejava, tão logo a lamina tinha deixado de tocar a face da rosada a arma fora arremessada à distância pelo golpe do pé livre de Sakura no punho fino do Uchiha enquanto a Haruno afastava sua face do metal cortante. O pé que a livrou da lâmina girou ao tocar baixo o chão, forçando a outra perna a se estender puxando acidentalmente a corrente, sentindo novamente a força da eletricidade em seu corpo, mas sem antes lhe aplicar uma rasteira que fez o Uchiha se desequilibrar.

O soco carregado da kunoichi seria o que o colocaria de vez no chão, mas com a força do cheque a menina perdeu novamente o controle dos seus movimentos, errando o mesmo. Ainda assim, com a mesma velocidade com que aparecera ali Sasuke voltou para perto da janela fora do alcance da garota presa por sua armadilha.

– Cretino covarde, lute uma luta justa comigo! – Murmurou sentindo o corpo ainda tremer pela força da descarga elétrica.

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– Você não acha estranho um hospital tão vazio Erro-sanin? – Cochichou Naruto. – Você sabe, eles sempre estão cheios demais e não "demenos".

– Are Naruto, apenas me siga. Há assinaturas ninjas no andar superior.

– Como pode sentir chakra sem usar seu chakra?

– Eu não sou um sanin apenas por falar com sapos garoto.

– Espero que sim, ou nossa viajem terá sido em vão.

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– Você está fazendo errado. – Disse a azulada quase rindo debochadamente da cena.

– Não, está certo, é a fralda que é muito grande. – Respondeu o ruivo sem dar o braço a torcer.

– Ou nossa filha muito pequena. – Konan sorriu.

– Ela é delicada, como você.

– Ela vai é te dar muito trabalho.

– Como você. – Repetiu, dando de ombros, ao ver o ar emburrado da mãe de sua filha.

– Quer saber, você vai trocar essa fralda sozinho e é bom que o serviço fique bem feito. – Disse a mesma em um tom de falso mau humor.

– Acho que vou ter que pedir ajuda à Ino. – Disse ao erguer o corpo da menina e ver a fralda que tinha fechado em sua cintura cair pelas pequenas perninhas pela enésima vez, fazendo Konan realmente rir da cena.

O ruivo realmente olhou para trás, na esperança de que Ino fosse solidaria consigo e lhe explicasse aquela coisa de uma forma que entendesse, mas a loira estava concentrada demais em fazer carinho nos cabelos de Deidara, enquanto falava algo para o loiro de forma esperançosa. Foi quando decidiu voltar seu olhar para Konan e dizer que desistia daquilo que sua atenção foi desviada, fazendo-o se sentir fracassado; não devia ter deixado algo assim ter passado por sua alta percepção.

– Realmente não era nada disso que eu achei que iríamos encontrar. – Fez-se ouvir a voz grave do Uzumaki.

– Ino! – O ruivo disse com firmeza ao se colocar em posição defensiva a frente de Konan, que neste momento já tinha a filha firmemente entre seus braços.

A azulada manteve-se entre Ino e Pain, protegendo a filha. O ruivo tinha mão direita apontada em um selo diante de sua própria face, enquanto o outro braço permanecia estendido determinando a área que seu corpo protegia. Ino levantou-se rapidamente da cadeira onde estava sentada, a perna direita a frente lhe dava apoio para o peito a frente enquanto as duas mãos permaneciam abertas em posição para uma futura luta. Completamente a frente do leito onde estava o loiro, não deixaria ninguém passar por si.