Capítulo quarenta e quatro: The end I

Por Kami-chan

– Você é muito idiota mesmo. Seus melhores jutsus dependem da força física Sakura, quer se matar antes de darmos um show para Itachi?

– Itachi não vai ter tempo, eu vou acabar com você bem antes dele nos encontrar. – Grunhiu, ficando novamente de joelhos com certa dificuldade.

– Eu lembrava de você ser bem bobinha, mas não era assim tão burra. Não está em posição de ficar falando estas coisas Sakura.

– Então qual o seu plano genial? Me manter presa aqui, levando choques a cada movimento até que Itachi chegue, é isso? Vai fazer uns arranhões em mim para parecer que me machucou? – Zombou, Sasuke definitivamente estava lhe consumindo toda a paciência.

– Você acha que eu estou pegando leve com você ou algo do tipo? Não se preocupe o jogo está só começando Sakura, Itachi tem um longo caminho até nos encontrar.

– Esta me subestimando Sasuke, não sou mais a menina que você conheceu, você vai...

– Eu pensei mesmo que você era apenas uma garota idiota, mas não você superou muito minhas expectativas, você foi muito mais abaixo. Você foi atrás do meu irmão, se rebaixou ao ponto de virar a meretriz de um assassino que matou todo o seu clã friamente. O sobrenome Uchiha é tão importante assim pra você?

– Você tem problemas Sasuke. Você não é o centro do universo, muito menos esse clã cujo nome você quer tanto honrar e vingar. E só para que escute isso antes de morrer, Uchiha Itachi foi a melhor pessoa que já cruzou o meu caminho. – Disse sem deixar de encarar o antigo companheiro

– Um assassino! – Gritou o moreno. – O homem que matou dezenas de pessoas apenas para provar o quanto era forte. O homem que matou os próprios pais neste mesmo chão em que você está sentada, e ficou aguardando a chegada do irmão mais novo apenas para torturá-lo.

Sakura sobressaltou-se, não estavam tão longe de Konoha, na verdade a vila onde estavam era bastante perto. O que assustou a rosada foi o fato do moreno ter conseguido a carregar até a vila natal sem que tivesse percebido ou acordado.

Estava na mansão Uchiha, lugar que sempre quis conhecer quando Sasuke preenchia sonhos infantis que tinha. Sempre tentava imaginar como era o moreno em sua casa, como agia com mais ninguém o olhando, mas agora... tudo o que via era a catacumba de um morto vivo, o ambiente sombrio de uma alma morta. Devia ser a primeira vez que Sasuke voltava àquela casa depois de ter partido da vila, isso explicava o acúmulo de pó.

Ainda assim, depois do espanto seu cérebro tentou fazer um cálculo mental rápido de quanto tempo esta viajem levaria, e quanto tempo Itachi levaria para lhe encontrar. Uma parte de seu cérebro insistia em se perguntar como tinha sido levada, e em que situação física estava Itachi, pois tudo o que se lembrava era de ter dormido ao lado do moreno, e acordado ali. Estava tão longe, sem saber se houve uma luta, se Itachi e Sasuke tinham se encontrado ou não.

Não tinha certeza de nada, mas se apegava ao fato de Sasuke estar de fato esperando pela chegada do irmão. Então mesmo sem saber do que tinha acontecido anteriormente, seu cérebro começou a bolar uma estratégia no escuro.

– Um shinobi. Itachi é um shinobi, e mesmo que suas mãos tenham tecido mortes no passado, isso não o tira da classificação de shinobi. Porque é isso que os ninjas fazem, é isto que você faz! – Disse mesmo sabendo que apesar de levar o peso das mortes do clã, Itachi estava longe de ser o Akatsuki com mais mortes na conta. – Vai me dizer que os seus motivos são diferentes, ou que é o sangue que conta? Porque no fim, Sasuke, você está fazendo a mesma coisa que ele, matando por um interesse egoísta e sem propósito. – Disse desejando que o namorado nunca ouvisse aquelas palavras, ditas apenas para atingir o mais novo.

– Está falando demais para quem está em posição de ser a próxima da minha lista de mortes por um objetivo egoísta.

– Então o seu plano é me trazer até o cenário da morte dos seus pais e me matar da forma como Itachi os matou, para que seu irmão sinta o que é perder? Em que delírio seu isso faz sentido, Sasuke?

– Você está em minhas mãos Sakura. Isto é ilusão? – O moreno riu.

– Ilusão é você achar que pode fazer de tudo só porque é o coitadinho sem pais. Também é ilusão sua achar que essa porcaria de corrente irá me prender aqui.

Um breve minuto de silêncio se estabeleceu entre os dois, em que o tempo foi consumido pelos pares de olhos se encarando. Sasuke soltou o ar com raiva, Sakura sempre tivera o dom de ser irritante. E a rosada sorriu, sua paciência com o cunhado tinha chegado ao fim.

– Me responda algo, Sasuke. Em nome de quem que você quer tanto fazer vingança, se não há ninguém para recebê-la? No fim vai ser somente você em uma vida sem objetivos neste túmulo disfarçado de casa. – Perguntou em ironia, logo sorrindo pela forma como o moreno era previsível. Sasuke estava vindo em sua direção como cenho franzido e dentes crispados.

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A azulada manteve-se entre Ino e Pain, protegendo a filha. O ruivo tinha mão direita apontada em um selo diante de sua própria face, enquanto o outro braço permanecia estendido determinando a área que seu corpo protegia. Ino levantou-se rapidamente da cadeira onde estava sentada, a perna direita à frente lhe dava apoio para o peito a frente enquanto as duas mãos permaneciam abertas em posição para uma futura luta. Completamente a frente do leito onde estava o loiro, não deixaria ninguém passar por si.

O silêncio parecia cortar enquanto que os olhos de nenhum deles piscava. Naruto deu um passo para trás na defensiva, as ordens de Jiraya era de não atacar, mas também tinha que se manter em alerta caso eles atacassem. Internamente, uma parte de Naruto estava aliviada por ver Ino ali, se a loira estava viva, as chances da história ser a mesma com Sakura eram grandes, mas ao mesmo, uma grande tristeza misturada com incompreensão o atingia, pois se aquela parte da história do mestre era verdadeira, era também o fato delas estarem ali por vontade própria.

– Ino? – Chamou o loiro, deixando os braços caírem ao longo do corpo, sem oferecer nenhuma posição de ataque ou de ameaça.

– Tsc.. de todas as cenas que eu imaginei ver quando chegasse aqui, esta com certeza não estava nem na lista. Ino, Konan... – Parou ao mirar o ruivo diante de si, a face de Yahiko com os olhos de Nagato, ficou em dúvida. – Yahiko? – Disse em tom de dúvida.

– Não sou Yahiko, Jiraya-sensei. Basta saber que sou Nagato no corpo dele. – Disse o ruivo simplesmente.

– Como isto é possível? – Perguntou o mais velho.

– Poucas coisas são impossíveis para estes olhos.

– Onde está Yahiko?

– Não foi para isto que veio até aqui! – Retrucou.

– Não. Dde fato, encontrar duas das minhas crianças aqui era algo realmente impossível para minha imaginação. A informação que chegou até mim foi a de que vocês haviam morrido!

– Um de nós realmente morreu, e outro teve seu corpo tão flagelado que não serviu para mais nada. – Disse Konan, sem sair de trás do ruivo, apenas se inclinando o suficiente para ver e ser vista.

– Konan, você está tão bonita. Realmente se tornou uma linda mulher.

– Ero-sanin você conhece esses caras? – Perguntou o loiro confuso.

– Se conheci Naruto? Logo você me perguntando isso. – Riu soprado. – Sim eu os conheci e os treinei em outros tempos, eles eram três e eram o trio da chuva. É realmente muito nostálgico encontrar com você e Nagato ao mesmo tempo.

– Vocês querem um chá para continuar a conversar? – Perguntou Ino em ironia.

– A conversa acabou. – Declarou o ruivo firme. – Não de um passo à frente, sensei. Não hesitarei em matá-lo.

– Não viemos aqui para lutar, Nagato. Também não acredito que você o queira. – Disse o velho eremita, desviando o olhar para o pequeno embrulho nos braços de Konan.

– Também não iremos voltar para Konoha, Sakura e eu, se foi por isso que vieram. – Disse Ino. – Foi o que Kakashi tentou fazer, fica a dica. – Piscou com ironia, fazendo Naruto estranhar a atitude.

– Ino, o que houve com você? – Perguntou o loiro que quase não reconhecia a amiga.

– Ino apenas está sendo cautelosa Naruto. Essa jovem mulher ainda é a mesma Ino que você conheceu. – Disse Jiraya baixinho, para que apenas o loiro o ouvisse.

– Onde está Sakura? Por que estão aqui? Ino estão dizendo que estão aqui por vontade própria! Por que estão aqui? – Naruto quis saber, sem receio em demonstrar sua falta de compreensão, fato que fez até mesmo a loira soltar o ar e deixar de lado a posição ofensiva.

– Estamos aqui porque queremos, Naruto. – Disse de forma simples, sem nenhum tom sarcástico ou opressivo.

– Mas isto não está certo. Isto é, isto é a Akatsuki Ino!

– Naruto, você ainda se lembra da história que eu contei para você antes de virmos? E a tarefa que pedi para cumprir quando chegarmos?

– Hai. – Bufou o loiro de forma infantil. – Mas é que eu realmente não consigo entender.

– Naruto olhe bem para este quarto, viemos aqui atrás das criaturas que iniciaram uma guerra conosco e encontramos uma mulher com um recém-nascido nos braços, sendo protegida por seu parceiro. E outra que se colocou como proteção para alguém visivelmente em coma. Desculpe-me, mas eu não vejo nenhuma má pessoa neste lugar.

– E a tal história de Itachi... tsc, onde está Sakura? – Quis saber o loiro.

– O que quer dizer com "a tal história de Itachi" – Perguntou Konan desconfiada.

– Sasuke foi até nossa vila com o corpo de um Uchiha que não achávamos possível ainda estar vivo. Nós já desconfiávamos de que a história da morte de Ino e Sakura fosse falsa quando ele apareceu barganhando informações sobre as duas, em troca ele queria saber quem era aquele homem e como ele sabia tanto da sua história com Itachi. Nesta investigação descobrimos uma versão diferente para a noite em que Itachi deixou Konoha.

– Konoha está comungada com esta pessoa? Jiraya-san, você é digno de respeito, por isso irá saber que não fomos nós quem começamos esta guerra, estamos apenas nos defendendo desde o início. Até mesmo o plano que envolvia os jinchuurikis foi abandonado, mas Uchiha Sasuke é alguém desprezível para este grupo. Ele quase matou a mim e a Sakura, quase matou Deidara na mesma luta em que tirou de mim algo de valor inestimável, e sua localidade neste momento é desconhecida desde que sequestrou Sakura de dentro deste hospital. Nós não queremos uma guerra com nossa vila natal, mas se vocês se associaram a esta pessoa nós...

– Ele fez muito mais coisas Ino, que nem Konoha saberia. Fizemos uma negociação de informações com ele, porque Tsunade estava desesperada atrás de informações sobre vocês duas. No dia em que Naruto e eu saímos da vila para vir até aqui, um ninja foi implorar clemência à Konoha, ele falou sobre Sasuke, e como ele convenceu esta pequena vila a matar o líder da Akatsuki, e tomar o lugar desta organização para si. Ele nos contou como foi organizado um plano para invadir a organização de vocês. Depois de muito pensar, entendemos que Sasuke queria fazer com que o grupo se desfizesse para que ele encontrasse Itachi desabrigada e sem o restante da Akatsuki. Mas ônus da invasão ficou apenas com os ninjas da vila e Sasuke.

– Encontrou comigo, Sakura e Madara, pensando que encontraria Itachi. Mas fazia parte do plano de Madara encontrar Sasuke, ele queria matar Sasuke para Itachi, mas morreu antes.

– Foi quando ele foi para nós e mandamos Kakashi para investigar e trazer vocês para casa, ainda não acreditávamos que estavam aqui por vontade própria. Como você disse Ino, havia um plano para caçar jinchuurikis, pensamos que levar Sakura fosse uma armadilha para capturar Naruto. Mas Kakashi não voltou e isso foi visto como uma reação hostil.

– Sakura estava muito ferida, Kakashi queria nos levar para casa. Lutei com ele, mas o que aconteceu não foi nossa culpa, Madara colocou Sakura em um tipo de jutsu auto defensivo, para protegê-la de Sasuke, infelizmente o jutsu ativava automaticamente com o contato com outro sharingan. Kakashi olhou para o lugar errado na hora errada.

– Esta vila que foi persuadida por Sasuke a atacar vocês permaneceu o seguindo para poder se vingar do golpe que levaram. Eles perceberam que as ações de Sasuke contra nós e vocês estava resultando em uma guerra, este mensageiro que está em Konoha observou a luta, que presumo deixou o colega de vocês neste estado, ele observou toda a luta contra Konoha antes disso também, e temeu que de alguma forma Sasuke os usasse para livrar seus erros e nos procurou, a palavra dele pesada pelos ANBUS de Tsunade e conversando com vocês eu tenho mais uma comprovação de que ele estava falando cem por cento a verdade.

– Estamos travando uma guerra que apenas Sasuke deseja. – Disse Ino em indignação, de alguma forma, Naruto e Jiraya ali não lhe inspirava nenhuma desconfiança.

– De fato Ino. Por isso estou aqui, Tsunade ainda está abalada com a morte de Kakashi, e eu também queria que Naruto visse o que eu demorei demais para perceber; Que as pessoas que estão aqui também são boas, Itachi não é quem pensávamos que era, você e Sakura são ótimas pessoas, e aqui estão meus antigos pupilos, crianças graciosas que desejam a paz acima de tudo, com um bebê. Não quero estar errado quanto a essa Akatsuki que estou descobrindo agora.

– Isso não quer dizer que tenhamos nossos próprios negócios e meios para consegui-los. – Acrescentou Nagato.

– Ino, temos uma chance de acabar com isso antes que vire uma guerra. Não sei quem é o líder desta organização, mas sei que podem fazer com seu líder se encontre com a líder de Konoha para por um fim nisto.

– Não queremos uma aliança com Konoha. – Disse a loira.

– Mas sei que também não querem uma guerra contra nós.

Ino pesou todas aquelas palavras. Sasuke, não sabia o motivo, mas não lhe surpreendia nem um pouco o fato daquele bosta estar por trás disso tudo.

Essa era a parte difícil de ser líder, a vida era feita de escolhas feitas, ser líder de uma organização como aquela significava que a vida das outras pessoas seriam diretamente influenciadas pelas decisões que ela tomaria. Apenas duas coisas eram certas, a primeira era que seria burrice ir adiante naquela guerra, e a segunda era o fato de não querer mais a sombra de Konoha em seu caminho.

Isso até Naruto interromper sua linha de raciocínio:

– Espera! Espera, vocês estão aqui discutindo diplomacia enquanto Sakura foi sequestrada?

– Itachi já foi atrás dela. – Disse Konan como que se a rosada e o Uchiha pudessem adentrar o quarto a qualquer momento.

– Eu não entendo porque Sasuke está fazendo tudo isso, por que ele a sequestrou? – Perguntou o loiro.

– Sasuke não é mais aquela pessoa que deixou sua vila Naruto, a procura por Itachi se prolongou por anos em que ele viveu consumindo o próprio ódio. A caça pelo irmão virou algo obsessivo e irracional, ele ataca qualquer coisa que estiver em seu caminho sem pesar as consequências de seus atos. A guerra que ele está gerando é uma pequena amostra disto. – Disse Konan com paciência.

– Mas isto não é verdade, se a história de Itachi é verdadeira ele não tem motivos para...

– Sasuke não está mais em um nível de consciência em que se é capaz de pesar seus feitos. – Completou o ruivo.

– Mas vocês não entendem, Sasuke não sabe a verdade! Ele acredita que o irmão matou o clã apenas para provar que era forte. – Exasperou-se.

– Está mudando de lado Naruto? Independente do motivo, Itachi é o assassino que matou as pessoas que Sasuke amava, agora o irmão menor quer a revanche no jogo que perdeu. – Disse o ruivo sem pensar no peso de suas palavras.

– Foi por isso que Sasuke levou Sakura? – Jiraya perguntou, mas não teve respostas. – Ino, foi por isso que Sakura foi levada? – Mas a loira não respondeu, mordeu os lábios desviando sua atenção para o loiro sobre a cama.

– A disputa deve ser travada entre os irmãos, mais ninguém tem nada haver com isso. – Disse Konan, encaminhando-se ao fundo do quarto, onde estava Ino.

– Não brinquem com a minha inteligência.

– O quer dizer ero-sanin? – Quis saber Naruto mais incrédulo a cada minuto. – O que tem haver Sakura com o fato de Itachi ter tirado de Sasuke aquilo que ele mais amava?

Mas a resposta para sua pergunta foi o silêncio completo do local. E como que se pensar sobre sua própria pergunta lhe desse a resposta, seu sangue ferveu.

Sasuke não seria capaz de machucar Sakura, lembrava-se da reação do moreno quando não fora capaz de proteger a equipe sozinho, não voltaria atrás apenas por uma vingança idiota. Até porque, voltar atrás neste caso não se referia apenas um pensamento ou alguma palavra. Sasuke não podia fazer isso apenas para se vingar de Itachi, era baixo demais.

Estava tremendo, ouvia seu nome ser chamado por Jiraya, mas não consegui responder ao mesmo. Sentia uma raiva muito grande, das mentiras contadas por Tsunade e Jiraya para mantê-lo afastado, por Ino e Sakura terem escolhido aquele lugar para viver, Itachi ter mentido e feito da vida do irmão uma merda, de Sasuke por ser incapaz de ser racional, daquelas pessoas, que sabiam que Sakura estava correndo risco de vida, mas ficavam ali mimando bebês e velando comas. Tantas mentiras, tantas histórias de fundos falsos, de repente, nada mais parecia real. Não podia se confiar em nada, pessoas que você ama hoje serão suas inimigas ou mentirão para você amanha.

Nem percebeu o momento exato em que deixou o hospital, se quer percebia onde estava. Estava quente por dentro e leve demais por fora, sentia seus músculos rasgarem, mas se que sentia seus pés tocarem no chão.

Sabia que corria apenas porque não era capaz de ver o cenário ao seu redor. Para onde? Não sabia, e de alguma forma sabia que chegaria ao lugar certo. Como sabia? Pressentimento talvez, as garras e as presas que vulgarizavam sua imagem sabiam em que carne queriam se enterrar. E sabia que estava mais rápido do que qualquer ser humano poderia ser, e mesmo sem ver ou saber para onde ia, sabia o que iria encontrar.

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Manchas vermelhas destacavam-se na lua, as lendas anciãs diziam que eram sangue na lua, prevendo uma morte declarada. Os olhos âmbares se fecharam com força, enquanto o ar foi solto com força junto a uma careta.

A madrugada estava alta e Tsunade sabia que aquela seria mais uma noite em claro. O sono tinha a abandonado há dias, e não dava sinais de quando voltaria. Levantou se dando por vencida, passando a mão por um kimono de se usar dentro de casa, o amarrando firmemente na cintura quando já estava perto o suficiente da porta para abri-la, encontrando o vazio silencioso dos corredores da torre da Hokage. E sem pensar em onde seus passos a levariam, seguiu em passos calmos até a escada que dava acesso aos andares superiores.

Na cobertura da torre, olhou mais uma vez aquele marco de imponência que era a lua. Lua de sangue. Queria apenas esquecer por dois minutos toda aquela história, não gostava de guerras. Fechou os olhos sentindo o vento noturno passear por seu rosto e cabelos, seu irmão, Dan, seu avô, seu tio, seus pais, Kakashi, todo levados pela guerra, e desta vez, era Jiraya que estava indo para longe. Tinha medo que ele também fosse o próximo que não voltasse.

Sorriu ao pensar no amigo de longa data, sempre ao seu lado, talvez devesse ser menos durona com ele. Antes que fosse tarde. Abriu os olhos novamente com o pensamento, Jiraya voltaria, e então colocariam um fim naquela guerra de uma vez por todas.

O vento pareceu se alterar, deixando de ser uma brisa suave, para se tronar um tufo leve interrompido. E ao longe a hokage viu dois de seus ANBUS correndo na direção do prédio. Seus ombros caíram prevendo os maus presságios, virou-se para descer e vestir algo decente antes da chegada dos ninjas, mas foi interrompida pelo som apressado de passos.

O mensageiro seguido por uma ofegante Shizune, e seus altos resmungos sobre incomodar a Hokage sem ser anunciado. O ninja que estava sobre a hospitalidade da torre da Hokage alcançou a loira em estado ofegante, segurando o braço da loira como que se o ato lhe desse o fôlego necessário para prosseguir.

– Ele está aqui, Uchiha Sasuke. Era minha missão o seguir e reconheço seu chakra em qualquer lugar, ele está aqui. – Disse o mensageiro.

Ao mesmo tempo a cobertura foi invadida também pelos ANBUS que logo se curvaram a presença da hokage. Também ofegantes, passaram a informação descoberta para a líder de Konoha:

– Tsunade-sama, a assinatura de chakra que a senhora pediu para monitorarmos, está na vila. – Disse um deles.

– Você deixou farejadores a postos para sentir a presença dele? – Perguntou Shizune.

– Desde que descobrimos da verdade. Eu tinha esperanças de que ele viria atrás das respostas que pediu. Onde ele está.

– Desculpe senhora, apenas o sentimos, mas não é possível dar a localidade exata. – Disse o ANBU, e a loira olhou para o mensageiro.

– Apenas o sinto, e posso dizer que está parado. Mas para dizer exatamente onde, preciso sair a campo.

– Não será necessário, você é nosso convidado, não irá se envolver em nenhuma luta. – Disse a loira. – Reúnam todos os ANBUS agora, principalmente os Hyuugas. – foi sua ordem final.

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Itachi estava aos portões de Konoha, e era estranho estar ali. Não sabia ao certo se tinha entendido as intenções do irmão, mas uma vez que seu rastro de chakra tivesse o levado até ali, sabia exatamente para onde ir, mesmo se não pudesse sentir o irmão.

Mas parou antes de prosseguir, algo estava estranho ali. Havia uma agitação anormal no ambiente, atrás de si e no sítio que percorreria a frente. Algo estava errado, mas não conseguia pressentir o que, todos os seus sentidos estavam presos em um lugar apenas; o complexo Uchiha.