Capítulo quarenta e sete: I for you
Por Kami-chan
O clima na sala estava tenso, dos Akatsukis apenas Ino estava sentada à mesa de frente para Tsunade, e dos olhos das duas loiras faíscas saíam. Jiraya estava às costas da princesa das lesmas, enquanto Pain estava ao lado direito de Ino.
O ruivo trocou um olhar com o casal que estava na mesma posição que a sua, mas do outro lado da cadeira. Shizune e Maito acompanhavam tudo de longe.
– Esse cara, o Sasuke, é mesmo alguém muito influente. Mesmo preso e longe daqui é capaz de causar a discórdia. – Disse o menino à Shizune, mas o silencio sepulcral da sala fez com que fosse ouvido por todos.
– Este menino é esperto! – Comentou Itachi. – Nem bem terminamos uma guerra causada por Sasuke, vamos mesmo começar outra por ele?
– Eu só quero ter a certeza que ele receberá tudo o que merece, se possível, quero até acompanhar a execução daquele medíocre. – Disse Ino.
– Execução? Sasuke tem uma pena para cumprir, morrer é muito fácil, ele deve pagar em vida por cada crime que cometeu. – Rebateu Tsunade.
– E você vai o que? Mantê-lo em cárcere perpétuo para que morra velho e pague sua pena em sua prisão? – Perguntou Ino em ironia.
– Ele deve sofrer pelo o que fez as outras pessoas sofrerem, então é isso que eu quero sim Ino. Quero que ele tenha uma vida bem longa para que tenha muito tempo para viver sua pena amargurada. E que leve o tempo de uma vida para conseguir a liberdade pelas mãos da morte. – Foi a resposta firme da Godaime.
– A vida dele foi uma prisão amargurada! Você vai dar férias para ele, tempo para que ele encontre um meio de sair de lá. – cuspiu as palavras de uma só vez, quase não acreditando no que tinha ouvido Tsunade falar.
– Ele está com o chakra contido, não há meios de sair de lá! – Rerucou.
– Ainda está com o chakra contido. – Completou com uma risada de deboche.
– Os ninjas que cuidam daquela prisão são especialistas em manter fugitivos shinob...
– Shinobis, não Uchihas. Me diga, com quantos Uchihas com o potencial para destruição como Sasuke eles treinaram para manter a vila segura daqueles que devem ser reclusos? Isso sem contar com a potencial variável que é Naruto tirar ele de lá, com a fé indestrutível que ele tem de que Sasuke é uma boa pessoa.
– Eu garanto que não! – Disse Tsunade se levantando e se colocando de forma ameaçadora de frente para Ino, que também se levantou para não deixar sua resposta por menos.
– Claro! Porque se o Naruto perder o controle de novo, nós vimos o quanto é fácil para você manter a situação sob controle.
– Eu tenho providencias para Naruto que não vou dividir com você. Sasuke pertence a esta vila e será julgado como determina as regras da mesma, qualquer interferência sua será vista como uma atitude ameaçadora. – Disse em um tom que deixava claro que aquela discussão não seria levada adiante.
Ino soltou o ar irritada, aquilo não era o bastante. Sua vontade naquele momento era dar as costas a Tsunade e correr até a prisão ninja, se a Hokage não queria sujar suas mãos, ela adoraria se lambuzar no sangue alheio.
– Quando ele fugir e cruzar nosso caminho, será morto. Mas se Naruto estiver correndo atrás dele e eu perceber que Sasuke escapou porque você foi burra o suficiente para deixar isso a mercê do psicológico fragilizado de Naruto em relação ao Sasuke, não vou ligar se a morte do Uchiha não for a única. – Definiu e deu as costas para a Godaime, se dirigindo rapidamente até a porta, deixando-a aberta para os outros quatro a seguirem.
– Maito, os siga até os limites da vila. – Ordenou a loira em um último sopro, voltando a se jogar na cadeira atrás de si. – Shizune vá para o hospital, levará ainda alguns dias para Naruto acordar, mas quero que você esteja lá para me avisar disto imediatamente.
Imediatamente a morena saiu pela grande porta de mogno da sala, deixando Tsunade e Jiraya para trás. O eremita deu a volta na mesa observando o semblante cansado da loira das lesmas que se mantinha distante pensando em algo muito além quando ele se sentou na cadeira que até poucos minutos era utilizada por Ino.
– Está tudo bem? – Questionou Jiraya.
– Não é como se a batalha tivesse terminado completamente. – Comentou esfregando os dedos nos olhos e nas têmporas, demonstrando todo seu cansaço.
– Por que não deixa isso para amanha? Gostaria muito de sua companhia para uma refeição hoje.
– Tsc... você já me chamou pra sair de formas mais galantes Jiraya, está perdendo o seu mel. – Riu de forma cansada e quase sem humor.
– De fato, nada me deixaria mais feliz do que um belo jantar romântico com você, mas é serio. Estou convidando meu eterno amor para um jantar de despedida, quero partir ainda antes do amanhecer.
– O que? Já vai partir novamente? Você nem bem chegou, pensei que com os últimos acontecimentos você ficaria um pouco mais desta vez. – E pela primeira vez olhou diretamente ao mestre dos sapos.
Sempre fora estranho vê-lo partir, sempre tinha medo de que ele nunca voltasse. Ao mesmo tempo em que entendia que aquela era a natureza dele, Jiraya não nasceu para ficar preso a lugar nenhum. Pensava que desta vez, com a idade em que ambos já estavam ele ficaria, e ainda que não ficasse para sempre, que ficaria pelo menos até as coisas se resolverem de vez por ali.
– Você sabe que eu não nasci para ficar em um lugar apenas. Algo está me chamando, uma nova caminhada. Eu sempre volto para você, não volto? – Terminou estendendo o braço para poder tocar a pele do rosto dela.
– Pensei que desta vez. – Começou permitindo-se aproveitar do carinho alheio, ao mesmo tempo em que sentia o típico aperto na garganta e pressão no nariz; odiava despedidas.
– Você sempre diz isso. – Comentou Jiraya com humor.
– Talvez eu sempre espere pelo dia em que você irá dizer que fica. – Conseguiu sorrir para responder no mesmo humor, fazendo o amigo rir também.
– Você vê, esta é a diferença entre nós princesa, em todos estes anos eu levei você em todas as minhas viagens. Mas você nunca foi capaz de encontrar o pedaço de mim que eu deixo aqui, para que fique especialmente com você.
– Pensei que você ia ficar pelo menos até que as coisas se resolvessem. – Comentou com o intuito de findar aquele assunto antigo, aproveitando também para se recompor em sua cadeira, quebrando o carinho que ele fazia em seu rosto ao colocar-se fora de alcance.
– Você acabou de dizer a Ino que estava tudo resolvido.
– Você concorda com ela? – Questionou em uma careta amargurada.
– Fiquei triste com o resultado desta reunião, particularmente eu ainda acredito em um mundo repleto de paz. O contrato de ódio entre Konoha e Akatsuki ainda existe, e agora sabemos que eles estão mais fortes do que supúnhamos no passado. Há mais paz no mundo de assassinos reclusos deles do que na nossa hierarquia shinobi de costumes impecáveis. Eu pretendo descobrir o motivo disto nesta minha nova aventura, você também não ficou com a impressão de que estamos fazendo algo de forma errada?
– Mas eu não posso confiar neles depois de todo o histórico deles. E quanto a minha decisão de mais cedo, Sasuke terá que confessar cada crime que cometeu e pagar por cada um deles, matá-lo seria tão pouco.
– Viu, você já tomou sua decisão, não precisa mais de mim aqui. Você precisa admitir que não quer que ele pague por todas as mortes, mas por uma em especial. Você quer vê-lo sofrer pela morte de Kakashi, você não quer justiça Tsunade, você quer a vingança. Tal como o próprio Sasuke. Eu sinto muito meu amor, eu vou sempre estar aqui para tudo que você precisar, mas neste momento você não precisa dos conselhos de um velho shinobi, você quer o conforto de um amigo para as mágoas da perda de seu mais recente amante. Você sabe que isso eu não sou capaz de lhe dar. – Disse se levantando, queria se despedir de sua amiga com um jantar, mas isso estava lhe parecendo cada vez mais fora de cogitação neste momento.
– Gomen nasai! – Disse a loira de forma afoita antes que Jiraya pudesse ir embora. Sua voz fazendo o velho eremita se voltar para sua direção.
– Oi? – Perguntou voltando seus passos sala a dentro em tempo de ver a Godaime se levantar da cadeira onde estava e se apoiar na mesa para se ajoelhar no chão de frente para ele, sendo rapidamente impedida de concluir o ato pelas mãos do mesmo em seus braços.
– Gomenasai! – Repetiu usando seus braços para cercar o corpo do amigo.
– Não há pelo que se desculpar, eu sei que a sua dor é grande Tsunade.
– É recente demais. – Suspirou, queria prometer que não faria nada de errado, mas naquele momento era muito difícil. – Eu sempre soube que você estava aqui, porque você sempre volta quando eu preciso, sou apenas eu que não sou forte o suficiente para acreditar nisto com mais força. Entretanto, neste momento a dor da perda está forte demais.
Nada mais foi dito, aquele era o adeus naquela vez; ambos abraçados em silencio no meio de uma sala vazia. Tsunade se forçando a não chorar por Kakashi na despedida de Jiraya, e o mesmo apenas sentia o cheiro que provinha dela, principalmente de seus cabelos, uma mistura de sândalo com almíscar que resumia bem a personalidade forte daquela mulher sensível demais.
Ele sempre seria dela, isso nunca mudaria bem como sua essência aventureira que sempre o levava para muitos lugares ao mesmo tempo. Sem pouso certo, sempre se sentira em casa onde houvesse aquela mistura marcante de sândalo com almíscar.
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– Nós vamos pra casa! – Exclamou a rosada caminhando em passos rápidos para tentar alcançar Ino que tinha saído na frente.
– É nós vamos, finalmente. E vamos colocar um GPS em você para ver se para de sumir. – Brincou a loira com um sorriso realmente feliz no rosto ao se virar meio de lado para traz e puxar a amiga para um meio abraço enquanto caminhavam.
– Claro, por que não? – Respondeu no mesmo clima leve.
– Você mandou bem lá com a raposa. – Elogiou a loira.
–Todos nós mandamos. Sabe que para uma organização individualista a gente até que trabalhou muito bem em equipe. – Sakura completou o elogio.
– De alguma forma sabemos como o outro irá agir e até onde cada um pode ir. – Comentou Pain realmente surpreso, uma luta assim em equipe com cada um se limitando para o outro ir adiante era algo novo para si, Ino e Sakura mostraram que podia dar certo.
– Até onde cada um pode ir? Meu filho nosso time tinha o Deus dos seis destinos, Uchiha Itachi com seu potencial ilimitado e mais as duas fodásticas aqui. – Disse Sakura com humor. – E você quer falar sobre limites de cada um? – Terminou fazendo os outros três rirem.
– A Sakura tem razão, acho que o que observamos nos últimos dias é que cada um de nós tem um potencial inesgotável. – Disse Ino.
– Até o Kisame serviu de auxiliar de parteira. – Disse Itachi passando a caminhar ao lado de Sakura, fazendo uma onda forte de risos passar entre todos.
– E a mula muda do Itachi é um piadista. Você vive anos com uma pessoa e acha que sabe muito sobre ela, aí aparece uma garota de cabelo cor de rosa e transforma o cara mais sério em um piadista. – Disse Pain.
– Mais ou menos como você trocando uma fralda Nagato. Vocês dois perderam uma cena incrível, pobre Konan deve estar até agora com câimbras de tanto rir. – Defendeu Ino mantendo o mesmo clima leve.
– Falou a nossa líder bipolar. – reclamou o ruivo.
– Hey eu não sou bipolar! – Contestou a loira.
– É sim! – responderam Sakura e Itachi ao mesmo tempo.
– Que calunia, como podem dizer isso de sua líder assim na cara de dela. – Reclamou sem perder o humor.
– Vamos voltar dez minutos no tempo, eu achei que você ia pular em cima da Tsunade e arrancar a carcaça dela como uma leoa faminta com três filhotes para alimentar. Agora você está aqui rindo de forma leve e descontraída como se todos os nossos problemas tivessem acabados. – Argumentou o ruivo.
– Nossos problemas acabaram! Ouviu Tsunade falando, ela quer ter a responsabilidade por Sasuke, ela vai ter o que ela quer. – Disse de forma quase sombria deixando evidente que havia coisas não ditas naquela frase. – Nosso único problema agora é a saúde de Deidara, e eu tenho certeza que isso logo será resolvido também. Não é, Sakura?
– H-hai. – Respondeu a rosada, sem saber ler o que Ino queria dizer com a frase anterior. – Vou examinar as funções vitais de Deidara assim que chegarmos, se tudo estiver bem, posso prosseguir com a sequência do tratamento, que envolve fraturar novamente seus ossos para que possam calcificar novamente de maneira correta.
– Esses assuntos não são para serem tratados dentro dos limites de Konoha. – Disse Itachi de forma muito baixa para Sakura que tentou pegar algo a mais no olhar do moreno direcionado a si.
– Nee eu estou louca para pegar a Arashi-chan no colo novamente. – Disse Sakura retomando o tom de voz calmo e leve, mudando drasticamente não apenas o assunto, mas também o nível de importância carregada em sua voz.
– Arashi-chan? – Questionou Ino. – Desde quando o bebê tem nome?
– Desde que eu escolhi e Itachi aceitou. – Respondeu de forma birrenta, fazendo o tradicional "v" com os dedos na direção da amiga.
– Nani? Nagato como você pode escolher este ser demente para ser madrinha de sua amada filha? – Questionou em uma indignação exagerada.
– Ahh você foi a preferida para ganhar o anel, e eu fui a preferida para orientar a pequena Arashi-chan. – A rosada respondeu antes mesmo de Pain tentar formular alguma resposta.
– Mas..Arashi? Vou me lembrar de tirar seu nome da lista de madrinhas quando tiver um filho, ou vou ordenar que Itachi escolha o nome. – Disse fazendo os outros rirem.
– Arashi-chan sim Ino. – Disse se soltando do abraço da loira para pegar um graveto no chão e desenhar os kanjis que tinha escolhido para montar o nome da menina, lendo-os em voz alta quando o terminou. – As flores após uma tempestade, Arashi marca o renascimento do nosso grupo após tudo o que passamos este ano.
– Ficou lindo Sakura. – Disse Pain com uma reverencia para a rosada.
– É no fim ficou bonitinho, mas não muda o fato de você ter escolhido uma louca que anda tranquilamente quase semi-nua pelas vilas alheias para ser madrinha de sua filha. – Ressaltou Ino observando que Sakura ainda estava nua debaixo da capa da organização.
– Ah não enche, eu fui sequestrada enquanto dormia. – Retrucou a rosada.
– Não quero nem saber o que estavam fazendo antes disso. – Reclamou Pain.
– Claro! Você é Deus, Konan engravidou por intervenção divina. – Disse Itachi.
– Como na teologia ocidental. – Completou Sakura.
O riso descontraído era observado de longe, os olhos espertos de Maito não perdiam um movimento sequer dos passos incertos que o pequeno grupo dava em meio a palavras leves e descontraídas. Ele não entendia. O arquivo da Akatsuki era grosso em ofensas da mesma forma como era escasso de informação sobre os shinobis, e nenhum deles ali se parecia com as pessoas que aqueles arquivos descreviam. Devia apenas os seguir até que saíssem da vila, mas sua curiosidade era maior, ele queria ouvir o que diziam, queria saber mais sobre aquelas pessoas tão diferentes.
– Nunca te ensinaram não bisbilhotar a conversa alheia? – A voz vinda do alto fez o menino se surpreender.
Olhou para cima de onde vinha o som da voz, e não se espantou por ver Sakura tão perto de si, em pé sobre o galho de uma árvore, encostada de forma displicente ao tronco da mesma. Sorriu por trás da máscara, aquela tinha sido a pessoa que mais gostou de conhecer, ao mesmo tempo deu mais uma olhada no grupo que se afastava, o fato de haver uma Sakura lá também não lhe surpreendia nem um pouco.
– É minha missão garantir que a Akatsuki irá apenas sair da vila. – Disse em tom sério.
– Claro, sabíamos que isso aconteceria, mas não imagino a vovó pedindo para você bisbilhotar. – Cruzou os braços e pulou ao solo. – É por isso que estou aqui, se quer tanto ouvir sobre o que conversamos venha conosco até o limite da vila.
– Não devo interagir com...
– Deixa de ser besta, está louco para isso. Ino vai gostar de conhecer você antes de partirmos. – Disse a rosada lhe estendendo a mão.
– Sabe uma coisa que estou louca para fazer é comer, faz muito tempo que não temos uma refeição decente, não Sakura-chan? Sakura-chan? – Disse Ino ao obsevar a rosada a quem se abraçava evaporar do nada. – To dizendo, vou instalar um GPS nesta pessoa. – Disse Ino ao nada.
– Eu estou aqui Ino. – A voz atrás de si fez Ino se virar para ver Sakura parada atrás de si, mas ela não estava sozinha. – Ino, este é Maito. – Disse.
– Ah o garoto que me fez cair no chão. – Disse franzindo o cenho.
– Err Sakura-san disse que Ino-san ia gostar de me conhecer. – Disse o garoto, revelando um tom muito mais agudo de voz do que vinha representando até ali, o que fez os quatro perceberem que talvez ele fosse muito mais novo do que supunham.
– É sempre bom conhecer as pessoas que fazem você cair no chão durante um voo de cento e dez quilômetros por hora. – Ironizou a loira.
– Maito esta é Ino, a pessoa que você chamou de ave mascote doida da Akatsuki. – A rosada completou a apresentação.
– Err.. etto.. – O garoto se viu encolher ante o olhar que Ino lhe lançou.
– Relaxa garoto. – Ino acabou por sorrir. – Eu vi o jutsu que você usou para proteger Tsunade, aquilo foi realmente muito bom e único.
– É verdade Maito, quando eu vi você entrar na mansão Uchiha pensei que fosse outro Hyuuga, mas agora fica evidente que não. De que vila você é Maito, não nenhum registro de clans com a sua técnica em Konoha? – Perguntou Sakura, voltando a caminha na direção da saída da vila, orientando o menino a ir com eles.
– Acredito que não devo dar informações da vila a estrangeiros, principalmente a Akatsuki. – Disse o menino.
– Não estamos atrás de informações da vila, apenas estamos impressionados com você Maito. Tem muito poder para um menino de... quantos anos você tem?
– Sete, Itachi-san. – Respondeu o garoto.
– Sete? Você entrou na ANBU ainda mais novo do que eu, sabia? –Comentou o moreno fazendo o menino relaxar.
– Eu pertenci ao núcleo de Danzou desde o dia em que nasci. – Disse o menino. – E este é o motivo por eu estar falando com vocês.
– Desde que nasceu? Como isso? Como Danzou sabia que você teria habilidades tão únicas?
– Parece que durante a guerra muitos ninjas foram utilizados como cobaias por outra vila, para produção de ninjas capazes de derrotar Konoha.
– Eu ouvi falar nisso, perdemos muitos dos nossos ninjas, vilas como a da Névoa fazia experimentos com os ninjas de Konoha que conseguiam capturar. Mas o núcleo de Danzou sempre esteve a postos de responder este tipo de ataque à altura. – disse Itachi.
– Danzou guardou os óvulos de uma mulher de um destes experimentos, acho que a vila era mesmo a Névoa. Sete anos atrás fecundou um destes óvulos com o esperma de seu braço direito, um Hyuuga. Ele ofereceu sua esposa como barriga de aluguel e eu nasci. Então Sakura-san não está completamente errada, eu tenho o doujutsu dos Hyuuga também.
– Nossa, e como você sabe de tudo isso? – Questionou Ino, era informação demais, principalmente para uma criança.
– Eu encontrei uns documentos. E como disse antes, este é o motivo por eu falar com vocês; gratidão. Se não fosse a luta em que Sakura-san lançou um Amaterasu em Sasuke, ele nunca iria até a vila fazer um acordo com Tsunade. E só então fui libertado para conhecer a vida fora das paredes do esconderijo de Danzou, e conheci toda a verdade sobre as coisas que ele fazia. Eu fiquei muito grato em poder conhecer Sakura-san, também queria conhecer Itachi-san, por todas as coisas que eu secretamente tinha lido sobre sua história.
– Nossa Maito, você me lembra muito um outro garoto da Névoa que conheci. Ele também falava coisas além da compreensão de sua idade, e tinha lindos jutsus. – comentou Sakura.
– Tá brincando que quer comparar o Maito com o Haku, nee Sakura. O garoto era incrível, mas é como se você quisesse comparar uma réplica de vidro à joia original de diamante. – Brincou Ino, usando os jutsus únicos de ambos os meninos para uma comparação que fez a rosada, Pain e Itachi rirem.
– Eu não entendi. – Comentou o menino.
– A habilidades de Haku também eram únicas, ele criava e manipulava o gelo. Seus espelhos realmente pareciam ser de vidro. – Explicou Sakura.
– Mas a sua habilidade não parece ser diamante, é diamante. Por isso eu queria tanto te conhecer Maito, queria poder dizer pessoalmente para você que quando você perceber que esta vila é pequena demais para tudo o que você pode ser, nós estaremos aí e você será muito bem vindo na nossa organização.
– Ahh o que? Não! Quero dizer, não se ofendam, mas eu não quero. Há uma dívida de gratidão muito maior com Tsunade-sama, eu não vou sair do lado dela.
– Calma Maito, ninguém está lhe obrigando a nada. – Disse Sakura sorrindo. – Mas ia mesmo ser muito legal ter você na equipe.
– Acho que chegamos ao ponto da nossa despedida. – Disse o menino olhando adiante, percebendo que haviam chegado mais rápido do que aparentara no limite da vila.
– É uma pena mesmo não podermos voltar mais aqui, os dangos da vila são os melhores. – Itachi disse de forma séria.
– Tsc... pena que nunca mais é tempo demais para dizer com certeza, mas eu ficaria muito satisfeita em nunca mais voltar aqui. – Disse Ino.
– Eu partilho deste sentimento. – Comentou Pain. – Este lugar é estranho.
– Eu gostaria de poder voltar um dia, um por do sol na primavera visto do trapiche – Disse a rosada dando de ombros.
– É...de fato a primavera em Amegakure não deve ser tão bonita quanto a de Konoha. – Disse a filha do florista.
– Que primavera? Não há primavera em Amagakure! – Disse Pain em humor.
– E é.. eu tinha esquecido, lá só chove. – Ino se corrigiu fazendo os outros sorrirem.
– Mas vamos ter mais alguns dias de sol no nosso atual esconderijo. Quero dar mais uma olhada em Deidara, se tudo estiver certo acho que podemos levá-lo para sede para terminar o tratamento lá.
– Isso seria ótimo, assim a Akatsuki pode trabalhar com calma para construir sua sede junto ao prédio do líder de Amegakure.
– Konan também vai gostar disso, acho que está sendo muito desgastante para ela ficar naquele hospital. – Disse o ruivo.
– Decidi isso pensando nela – Disse a rosada. – Vamos torcer para estar tudo certo.
– Então vamos correr. – Disse Ino, e todos concordaram.
