Capítulo quarenta e nove: Kizutsuku tame ima futari deatta nara kanashi sugiru yo
Por Kami-chan
– Você deveria dar uma recompensa para esta vila. – Comentou a rosada olhando o dia que terminava no lado de fora do hospital, com pais levando seus filhos para casa pela mão.
– Recompensa? Eles nos aceitaram aqui por um acordo, nada além. – Retrucou a loira.
– Fazia parte do acordo que esta vila não seria afetada, e ela foi. Ninjas invadiram este local e aterrorizaram os cidadãos. Também houve morte.
– Tá, vou falar com o cara, mas não vou oferecer nenhuma recompensa. No máximo gratidão. Eles nos prestaram um grande favor, quando precisarem de um grande favor... – Deixou a frase solta no ar.
– Você lembra quanto tempo disseram que leva daqui até o esconderijo? – Sakura perguntou mudando de assunto.
– Cinco dias, por quê?
– Estou tentando medir o tempo que levará para sairmos daqui, não gosto do tempo em que deixamos uma ala importante do único hospital do local em desuso.
– Ouvi algo sobre os casos urgentes estarem sendo levados à Suna.
– Konoha é mais perto. – Contrapôs a rosada.
– Ficaram com medo de não serem atendidos lá. Para Suna foi inventada a história de que a ala estava com problemas de infiltração e, por este motivo, interditada.
– Que mão. – Disse Sakura deixando seu posto ante a janela do local e indo a passos firmes em direção a porta.
– Onde vai? – Quis saber Ino.
– Deidara está estável, eu preciso apenas do leito que ele está ocupando. Não vejo motivo para não liberar o setor para cirurgias.
– O que? Vai permitir que outras pessoas entrem aqui? Ele vai fiar exposto...
– Isso não justifica atrasarmos a vida de toda uma cidade, eu visitei o pronto socorro ontem à noite. O local está saturado, com muito mais pessoas do que o seu limite, muitas delas por pequenas cirurgias que pelo visto não foram classificadas como urgentes para serem levadas ao hospital de Suna. Alias você devia dar uma passada por lá, tenho certeza que você vai ter uma segunda opinião sobre o que significa estar exposto. – disse já alcançando a porta.
– Foi por isso que você não ganhou a liderança. – Disse se referindo à organização. – Você age com o coração, foi você quem deu o primeiro passo para sairmos de Konoha, mas não conseguiu deixar o fogo para trás. Você deixa de pensar quando começa a agir com o coração. – Criticou a loira.
– Não vejo motivo para me esquecer das coisas boas que aquele lugar me ensinou. Você tem razão, eu sou o coração e você a mente, e costumamos funcionar bem juntas por este motivo. Apenas cuide para não se tornar uma mente sem coração, Ino-sama. – Terminou a frase carregando o sufixo aplicado ao nome da loira com ironia.
Dito aquilo a rosada rumou para o centro administrativo do hospital. Iria liberar o local para ser usado pelos médicos da vila novamente independente da vontade ou opinião de Ino.
Logo em seguida, rumou para o pronto-socorro do local. Tinha tempo de sobra com relação à Deidara e podia ocupar o seu tedioso tempo fazendo algo útil no local, ao mesmo tempo que a maioria das pequenas coisas que sobrecarregavam os trabalhadores daquele local podia ser feito por ela sem esforço algum.
Naquela noite, quando voltou para a área que estava reservada para ambas, Sakura não encontrou Ino no quarto. Observou inquieta que o local parecia organizado demais, mas isso não a impediu de seguir adiante e ir até o local onde estava Deidara.
Observou a movimentação típica do setor que acabara de ser retomado, sorrindo para a forma rápida e ágil com a qual aquelas pessoas faziam suas tarefas. Todas as salas do local estavam com suas portas bem abertas e com suas fortes luzes acesas indicando em todos os cômodos a higiene para que cirurgias pudessem ser realizadas no local novamente. Com exceção de um quarto, apenas uma porta estava fechada, e respeitando ao pedido da rosada, as pessoas transitavam para lá e para cá como que se aquela sala se quer existisse.
Abriu a porta para mirar o leito impecável de Deidara, todos os monitores apitando em um ritmo suave e contínuo. Tudo estava certo, exceto o fato de que o local estava vazio, Ino não estava ali. Deu meia volta, fechando a porta do local novamente.
– Com licença – Pediu se dirigindo ao local onde duas moças uniformizadas discutiam algo escrito em uma prancheta. – Alguém aqui viu a minha colega de equipe? – Perguntou de forma bastante alta e clara, para o caso de quem estivesse passando também ouvisse.
– A moça loira e de olhos azuis? – Perguntou a que estava segurando a prancheta.
– Hai. – Respondeu séria.
– Ela saiu daqui faz pouco tempo, mas não falou com ninguém. – Disse a mesma de forma solícita.
– Obrigada. – Murmurou antes de entrar novamente no quarto onde estava Deidara.
Suspirou, tinha um péssimo pressentimento pesando em sua cabeça, não sabia o motivo, mas Ino tinha que estar ali. Andou até o loiro adormecido sem saber o que mais fazer, lembrando-se da forma como o quarto estava organizado, uma leve ponta de insegurança sobre a ideia se Ino seria capaz de ir embora sem lhe avisar.
– Não sei qual de vocês dois é mais teimoso. – Falou em esconder a indignação na voz, falando com Deidara como se o loiro pudesse conversar consigo. – Se merecem mesmo. – Terminou deixando suas mãos em punho baterem com força no colchão onde o outro estava deitado, esvaindo a raiva com um suspiro pesado.
Com o movimento resultado de seu momento de ira, Sakura ouviu o som de algo cair de cima da cama ao chão. Baixo e suave o som típico de papel, logo se abaixou para recolher o pedaço pequeno levemente enrolado que sequer tinha percebido sobre o leito em sua frente, desenrolando-o entre seus dedos para visualizar a caligrafia conhecida de Ino.
"Evidentemente você não precisa mais de mim aqui, estou mais lhe atrapalhando do que ajudando. Tenho consciência deste fato.
Mas eu confio em você... sempre confiei no seu trabalho e na sua capacidade brilhante
E você está conseguindo ver as coisas com muito mais clareza do que eu neste momento, por isso sei que entende que o que eu mais quero é ficar perto de Deidara neste momento, mas isto está me matando.
As enfermeiras já estão por aqui ajeitando algumas coisas, sinal de que você liberou o local. Sei que não faria isso se não tivesse certeza que logo estará em casa com ele, por isso adiantei também meus assuntos e nossa despedida com o líder desta vila.
Você não precisa vir atrás de mim.
Eu vou para casa pelo caminho mais longo, preciso deste tempo.
Não venha atrás de mim.
Você não é um coração que não pensa, é a pessoa mais inteligente que conheço. Eu precisava daquela crítica, vou estar uma pessoa melhor quando chegar em casa."
Sakura amassou o papel contra sua mão, Ino era mesmo muito cabeça dura. Ela podia simplesmente ficar e pedir ajuda, não gostava da loira andando por aí sozinha pensando em besteiras.
– Teimosa. – Murmurou mais uma vez ao olhar para o loiro adormecido.
Em seguida correu até a porta do local a trancando por dentro, não achava que nenhuma daquelas pessoas fosse contra sua ordem de não entrar ali, mas não iria correr este risco. Passou a chave na porta e em seguida guardou a mesma em um de seus bolsos, apenas por precaução checou todos os sinais vitais de Deidara que como há muito tempo, estavam estáveis.
E sem pensar duas vezes afastou a cadeira da aproximação que tinha ao lado da cama para ter espaço para se sentar confortavelmente no chão. Não tinha combinado nada com Itachi, talvez levasse horas até o morno sentar para sua meditação diária, mas ela precisava acreditar em algo mais otimista.
Alongou os músculos tensos e se esforçou para manter a mente limpa de qualquer outro pensamento. O que estava de veras difícil naquele momento, de fato, já estava quase com sono quando a meditação chegou ao nível necessário de desligamento.
A escuridão em frente aos olhos fechados foi tomada pela luz branca forte demais, consumindo a escuridão que lhe impedia de ver o mundo monocromático que visitava. Estava sozinha ali, sentada em uma grande e confortável almofada, a fogueira em sua frente tomou vida assim que seus olhos se chocaram contra a madeira escura, o fogo de chamas negras controladas irradiou o local.
Agora só tinha que esperar, sabia que se havia algo que Itachi não abria mão era de sua meditação. E ela ficou ali sem saber dizer por quantas horas, os olhos fechados mantinham a expressão serena como ela pouco a pouco começava a ficar.
A raiva pelas ações impensadas de Ino foi se esvaindo deixando para trás apenas uma linha tênue de preocupação. Perdida em pensamentos sobre como contornar todas estas situações, sentiu as chamas dançarem levemente, um ínfimo movimento no ar que a fez abrir os olhos lentamente, junto com um sorriso escasso.
– É bom te ver, apesar da sua expressão cansada. – O moreno comentou retribuindo o sorriso amarelo da rosada.
Neste momento Sakura lamentou não poder simplesmente se levantar de onde estava e se jogar nos braços do moreno, mas sabia que não podia. Mas era confortável saber que o único preço a se pagar por aquele privilégio era a distância ditada e controlada pelas chamas negras que os separavam.
Em nenhum momento pensou que seu desejo fosse uma fraqueza. Não, não era. Não seria menos forte ou menos inteligente se pudesse colocar toda a situação entre os braços do moreno, sentindo-se ainda mais forte com a cabeça em seu peito sentindo as batidas calmas do coração daquele homem tranquilo. Não seria menos forte por isso, muito pelo contrario, Itachi a deixava calma e isso a ajuda a pensar melhor.
– Parece que a guerra nem acabou. – Ela comentou de forma vaga.
– Vai melhorar, Kakuso já está com quase tudo pronto. Creio que depois de amanha pela manha você já pode trazê-lo.
– Foi por isso que fiquei te esperando aqui Itachi, preciso que seja antes, hoje ainda se possível.
– O que houve, a situação do loiro piorou?
– Não, ele está bem, apenas não retorna do coma. Ino é o problema. Com esta demora de Deidara para acordar ela não ficou bem. Muito pior do que a personalidade fria que você presenciou até sair daqui.
– Você teme o que ela pode fazer quando vier com Deidara para cá e ela ter que voltar para casa sozinha?
– Mais do que isso meu amor, Ino chegou ao ponto de não suportar nem mesmo ficar no mesmo quarto que Deidara.
– Tsc..isso não faz sentido, se alguém que você ama não está bem...
– Faz sentido sim. – Ela o cortou. – As coisas sempre foram muito fáceis para nós, modéstia parte eu sempre fiz o meu trabalho melhor do que ninguém, e neste tempo em que fomos para a organização eu consegui expandir ainda mais minhas habilidades, principalmente ao lidar com você e Madara-shishou. Mas nem mesmo a anatomia diferenciada dos Uchiha exigiu tanto de mim quanto tudo o que fizemos com Deidara. Ino depositou toda a esperança dela em mim, mas o coma, a inconsciência é algo que medicina nenhuma consegue reverter, eu não sei quando ele vai acordar ou simplesmente se ele vai acordar, isso faz parte do conhecimento básico de medicina e Ino sabe disso tão bem quanto eu. Como também sabe que mesmo que o loiro acorde, há sequelas que o coma pode causar que eu não posso garantir que vou ser capaz de reverter.
– O que você acha que ela pode fazer? – Perguntou o moreno após a longa explicação da amada.
– Se vingar.
– Acha que ela pode voltar para Konoha antes de voltar para cá?
– Acho que ela já foi. Ino sumiu daqui, não sei precisar a quanto tempo, me deixou um bilhete que eu não gostei de ler. Palavras muito bem escolhidas para o estilo de Ino, selecionadas para me confortar, ou me convencer a não ir atrás dela; escreveu duas vezes "não venha atrás de mim" entre palavras apelativas.
– Se ela for pega em Konoka...
– Se ela for pega em Konoha, ter feito a Kyuubi regredir vai soar como um aquecimento sobre o que está por vir.
– Entendi. Prepare tudo, eu vou falar com o pessoal aqui e vamos dar um jeito de deixar tudo pronto hoje, volte aqui daqui uma hora e eu já vou poder lhe dizer com certeza que hora poderemos trazê-los para cá.
A rosada concordou com um aceno e no momento seguinte ambos sumiram do local. Sakura tinha muitas coisas para preparar, que seria impossível resolver sozinha; nada que um ou dois clones não lhe fosse de grande ajuda.
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Os olhos de lince brilhavam no ambiente mais escuro do que o normal, era estranho estar ali. De repente se deparou com a realidade de que nunca estivera naquele lugar, e nem em nenhum semelhante.
Ali era frio e úmido, o refúgio dos condenados. A energia era pesada e algo pingava em algum lugar, fazendo de um som mundano o eco mais alto daquele local sombrio.
Seguiu a passos firmes e cuidadosos, uma prisão para ninjas devia ser tão forte quando seu mais perigoso prisioneiro. Não gostaria de ser a responsável por um lugar como este, ninguém gostaria. Renegados que imploraram por perdão, foragidos recém capturados, que não tinham feito nada terrível demais contra sua nação tinham seu perdão trabalhando naquele local, auxiliando a equipe altamente selecionada.
Alguns renegados iriam parar ali caso implorassem perdão, e o mesmo fosse aceito. Não porque quisessem, mas por que havia recursos que os mantivessem ali, tão presos quanto os detentos ali abrigados. Aquele era um lugar pra privar a aldeia da presença de indesejáveis, nada mais.
Um frio percorreu por seus braços, era ali que deveria estar. E intimamente agradeceu em seu nome em nome dos Konohas de sua equipe, pelo fim daquela guerra sem sentido. Talvez por isso também devesse parar por ali, mas não, aquele era um lugar onde não se da voz à razão. Uma vez que estivesse ali dentro não podia simplesmente voltar, pois se fora difícil entrar, muito mais difícil seria sair.
Parou, inspirando aquele ar pesado com força, tinha que espantar estes pensamentos. Havia um motivo solido para estar ali e devia se concentrar em encontrar quem estava procurando. Mas naquele inferno, não sabia ao certo para onde ir.
Prisioneiros usavam coleiras inibidoras de chakra, e as paredes grossas de tijolos duplos também não ajudava. Mas não importava, com certeza não sairia daquele local sem antes encontrar aquele que procurava.
Andou pelos corredores por tempo indeterminado, eram tantas celas, todas ocupadas. Pessoas que não conhecia, mas que levavam em suas expressões a mesma energia fria e podre que aquele local emanava. Muitos cobiçavam a forma como ela andava pelo local com liberdade, outros sorriam de forma doentia, expressando em seus sorrisos maliciosos o que seus corpos há muito trancafiados naquelas celas, estavam privados. Entretanto, muito antes de chegar ao fim daquele inferno em terra, encontrou quem procurava.
Sua cela não tinha grades, era uma gruta fria, úmida e escura. Havia uma longa corrente presa na parede atrás de si que era ligada a coleira em seu pescoço. Seus braços estavam estendidos ao máximo, presos por corrente curtas demais, uma vinda da parede de cada um de seus lados, bem como as pernas estavam amarradas por pesadas correntes de elos grossos, igualmente presa ao chão. A cabeça do prisioneiro estava pendida, as longas madeixas escondiam seu rosto, e a grande mordaça de ferro circulava toda sua cabeça a altura da boca.
Então ela parou diante da cena, e admirou sua beleza. E por nenhum momento se sentiu mal por acreditar que ele merecia aquilo, e sorriu. Um riso alegre, da mais insana alegria, que ganhou vida e ecoou pela local, ficando ainda mais alto quando palmas davam ênfase a sua satisfação.
– Bravo! – exclamou. – Bravo Sasuke, você é brilhante. – o aplaudiu ainda mais.
Rindo ainda mais da situação do outro, quando este se contorceu de susto na maneira que podia, fazendo o som das correntes se movendo parecerem música aos seus ouvidos, junto ao tremor descontrolado de seu corpo, que Ino percorreu virem de todas as correntes em seu corpo, inclusive a que estava em sua boca. O cenho franzido no meio da testa do garoto demonstrava seus sentimentos no momento, e seus olhos estreitados expressavam a mais pura raiva.
Ino chegou mais perto para olhar bem o corpo sujo, com marcas de barro não lavado. As roupas encardidas estavam folgadas mostrando não apenas uma aparente magreza excessiva, mas também que ele se movera tanto naquela posição que seu kimono aberto na frente mesmo com nó já quase frouxo, amarrado. Pode ver também, por baixo do elo das correntes vergões profundos de queimadura e mesmo sem ter visto o objeto que ouviu ter sido usado para torturar Sakura, e sorriu satisfeita.
Sentiu até mesmo um novo apreço por Tsunade, apesar de ter discordado da loira sobre manter o Uchiha vivo, tinha que admitir que ela soube como fazer ele pagar. A marca de queimadura na perna de Sakura ainda estava em pele viva, a rosada lhe informou que as células todas do local haviam morrido, levaria muito tempo para novas nascerem e ainda assim, ficaria a cicatriz.
– Então Sasuke, quanto tempo você acha que está preso aqui? Esse aqui parece ser um lugar que faz as pessoas perder a noção do tempo. Você sabe se pelo menos é dia ou noite? É tão escuro aqui. Ei Sasuke, eu estou falando com você. – Disse ficando frente a frente com o moreno, segurando o queixo do mesmo em sua direção, com suavidade necessária para que o sistema de choques não ativasse, mas o suficiente para que o mesmo não desviasse o olhar. – É muita falta de educação da sua parte ignorar uma visita, ouvi dizer que você não tem muitos familiares pra te visitar. – Riu. – Ou amigos... Eu soube que a única pessoa que ainda sente alguma afeição por você não pode entrar neste lugar. Tsc, o Naruto tem um coração bom demais mesmo, só ele pra ainda ter peninha de você.
– Hey Sasuke, fala comigo.. – Ealhou de forma irônica. – Ahh deve ser isso aqui. – Disse indicando a mordaça de ferro. – Nos seus delírios psicóticos você se via assim? Fraco, amarrado, preso, amordaçado e levando choques por todas as extremidades.. tsc, é bem sexy na verdade. – Riu se afastando um passo do moreno. – Não se sinta solitário, a Sakura deve fazer mais ou menos a mesma coisa com o Itachi todos os dias. – Disse rindo de forma descontrolada de suas ironias.
O moreno nada expressava, não tinha o que fazer. Por mais que suas correntes fizessem barulho, ele sofreria com os choques, e mesmo assim, ninguém o ouviria a menos que gritasse. Não entendia nada, mas a presença de Ino ali lhe assustava, aquela não era a menina boba e fútil que estudou na mesma escola que ele um dia, Ino estava diferente, seus olhos eram frios e impiedosos e o belo formato dos mesmos estavam convertidos em traços de uma profunda ironia.
– Sabe há quanto tempo está aqui? – Riu. – Não importa, é mais tempo do que você merece estar vivo, e pouco demais para os dias que você deveria sofrer. Só pra constar, se fosse eu que cuidasse desta merda, você morreria de sede e fome. Ahh sim, Itachi encontrou o menino que você torturou e deixou para morrer desta forma, também encontramos a mãe dele morta, e eu posso lhe assegurar que nenhum de nós gostou do que você fez com aquela família, logo você. – Suspirou de forma pesada, se aproximando novamente do moreno.
– Mas vamos ao que interessa, não é? – Disse soltando os braços com força ao lado do corpo. – Que é o motivo da minha visita. Sabe Sasuke eu sempre admirei você, eu realmente te amava. E não era um amor bobo como todo mundo pensava, eu cheguei a ficar do lado da Sakura e do Naruto quando você foi embora por, secretamente, acreditar que era inferior à Sakura, que ela era a pessoa que poderia trazer você de volta e acabar com toda a tristeza que eu sabia que você sentia. Mas eu era boba, minha mãe morreu quando eu nasci e isso me fazia pensar que eu era parecida com você em parte, mas foi só quando meu pai morreu que eu percebi a diferença que era perder alguém que se ama. Você já não estava mais na vila quando ele morreu, mas ainda foi a primeira pessoa em quem eu pensei. Eu não era mais boba, apenas me faltava mais um pouco de compreensão.
Ino parou de falar para recuperar um pouco de ar, cruzando os braços e olhando ainda mais fundo nos olhos do moreno. Sasuke por sua vez, estava completamente imóvel, apenas ouvindo as palavras da loira.
– Mas aí o tempo passou, e o que eu sentia por você também foi passando, o que não fez de você esquecido. Nunca se esquece a primeira pessoa que amou, a primeira pessoa por quem você se colocou em segundo plano. Nem a Sakura sentia, a fixação dela por você era mais espalhafatosa, mas também não durou ela nem ajudava mais o Naruto a tentar ir atrás de você. Ela voltou a ser a minha melhor amiga e a nossa vida mudou drasticamente desde as duas meninas que você se lembra do tempo da escola, não nos tornamos pessoas melhores e nem piores, mas um dia resolvemos juntas seguir o caminho marcado por nossos próprios passos. E é irônico, mas é verdade, Itachi estava neste caminho, e conhecê-lo me fez lembrar de você novamente, porque ele não era o homem que você desejava tanto matar.
– E mais ironicamente ainda, ele se apaixonou por Sakura. A menina que você rejeitou, a pessoa que achei que fosse capaz de salvar você. Então pensei que jamais fosse capaz de te entender Sasuke, mas aí, você tentou matar a mim e à Sakura de uma forma bastante covarde. E eu senti muita raiva – crispou os dentes para dar ênfase à última palavra. – Tudo o que eu mais queria era que você encontrasse Itachi logo e ele te mostrasse que você poderia se tornar o mais forte que lhe é possível e ainda assim, ser estupidamente mais fraco do que ele. – disse em um só fôlego, torcendo o nariz para a raiva que sentia.
– Só que você foi mais além. Você fez uma cagada tão grande que não foi capaz de limpar, e a sua displicência pela vida alheia quase acabou com a vida do homem que eu amo. – franziu o cenho. – Por sua culpa eu fiquei desacordada por dias, e quando acordei acreditei que este homem estava morto, você tinha o matado, mais do que isso Sasuke, sua luta com Deidara resultou na morte do filho que eu carregava. Então quando tudo o que eu sentia por você era raiva, eu compreendi. Eu finalmente te compreendi e entendi essa sua vontade quase cega de vingança, Sasuke eu te entendi, porque tudo o que eu quero e penso desde o dia em que acordei desta batalha, é na sua morte. Não qualquer morte, apenas saber que você foi morto não iria me satisfazer, eu preciso da sua morte pelas minhas mãos. Nee Sasuke, o gosto da vingança é muito bom.
Ino estava há menos de dez centímetros do moreno quando terminou de falar. Sasuke não viu, apenas ouviu o som da lâmina sendo desembainhada com grande velocidade e a dor aguda que atingiu a lateral do seu corpo na altura do pulmão esquerdo. O movimento foi rápido e deixou um rastro quente até sair do outro lado do peito do Uchiha.
A loira sorriu ao ver a expressão de dor nos olhos do Uchiha, ele morreria lentamente até que seus pulmões parassem de funcionar após se afogar em próprio sangue. E teve tempo suficiente para ter certeza de que ele veria sua felicidade por sua dor enquanto assistiu de perto aquele espetáculo até o final.
– Eu tinha outros planos para você, mas estas correntes com descargas elétricas me impedem de por minhas mãos em você. Mas não importa no final, eu me sinto satisfeita por poder assistir você morrer lentamente, de uma forma tão coverde quanto você foi.
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Ino seguir de forma cautelosa pela periferia da vila, fora difícil sair daquele lugar, não podia mostrar seu chakra para não ser percebida, ao mesmo tempo em que não podia ser vista. Não podia transformar uma vingança pessoal em um novo conflito com aquela vila, seria uma péssima líder.
Estava quase, faltavam realmente muito pouco para se ver fora dos limites da vila, depois poderia seguir de forma rápida para casa. Sakura iria lhe encher de perguntas, mas ela não queria responde-las. Não precisava e nem iria. Depois de colocar tudo o que lhe consumia para fora, ela conseguia pensar com mais clareza. Não devia ter ido até ali, sua ação poderia por tudo a perder.
Tinha resolvido ir embora antes realmente para colocar sua cabeça em dia, sabendo que estava sendo covarde ao praticamente abandonar Deidara. Não queria admitir que estava perdendo a esperança pouco a pouco a cada dia que ele passava sem acordar, ou apenas não tivesse conhecimento de seus atos e o que eles realmente representavam até aquele momento, quando ver o chão da cela ser inundado com o sangue daquele que era culpado por aquilo tudo. Apenas agora podia ver que aquilo que ela chamava de "culpa de Sasuke" não passava de sua própria corvardia.
Conseguiu passar na escritório do líder daquela cidade pequena e deixar claro que a Akatsuki tinha uma grande dívida com aquela vila, mas ao sair daquele local, seus pés simplesmente seguiram para o caminho contrario ao que deveria seguir. A ideia de que o culpado de tudo estava seguro dentro de uma prisão idiota lhe corroia o peito e as ideias. Konoha, o berço de criaturas aberrantes como Sai.
Soltou o ar em deboche ao lembrar do moreno que tinha matado meses atrás, talvez ela realmente tivesse um forte inclino à vinganças. Lembrou como se sentiu bem ao matar Sai, fazê-lo fez com que as memórias ruins sobre a forma como o moreno lhe humilhou quando era mais nova quase desaparecessem, se tornando a marca de que ela estava mais forte, e que não haveria nada nem ninguém que a fizesse duvidar deste fato.
E se Deidara nunca mais acordasse? Por que Sasuke deveria estar vivo se Deidara está morto em vida? Isso não era justo... e quando deu por si, o ódio cego apagou todas as outras ideias de sua cabeça, bem como a capacidade de pensar em algo que não fosse na morte do Uchiha. Ela tinha a justiça ao alcance de suas mãos, porque se evitar em esticar os braços e a toma-la para si?
Agora podia se dizer satisfeita. Com sua katana suja de sangue.
– Está satisfeita? – Assustou-se com a voz que parecia ter ouvido seus pensamentos, assustada olhou para os lados até perceber que já estava bem longe dos perímetros de Konoha.
– Mas que merda, você me assustou! – O que está fazendo aqui? – perguntou mal humorada se aproximando do outro.
– Apenas um percentual de mim está aqui, fomos à Amegakure dar inicio as obras dos projetos que você fez. Deidara já está na sede faz tempo.
– Hm... e o bilhete que eu deixei com a Sakura não funcionou. – disse compreendendo como fora descoberta ali.
– E você achou mesmo que funcionaria? – suspirou. – É o meu irmão no fim das contas. – justificou. – Sem falar que pode significar problemas muito em breve.
– Desculpe Itachi, eu sei que era seu irmão, mas eu não podia simplesmente esquecer ele lá. Você tem que admitir que a prisão não o seguraria para sempre, eu já estava sem forças para seguir em frente desta forme.
– Não estou julgando. – se defendeu. – Sasuke era meu irmão, mas não era mais "meu irmão". Não tinha mais volta para ele.
– Amegakure você disse, pode me acompanhar até lá? Quero ajudar Pain e Konan a organizar isso logo antes de poder voltar para casa e dar continuidade aos planos da Akatsuki.
– Tem certeza que é isso mesmo que quer? – perguntou encarando a loira de forma profunda.
– Nee pelo visto a Sakura bocuda falou um monte de merda para você, não é. Eu estou bem agora, de verdade. Eu sei que Deidara está nas melhores mãos em que poderia estar, eu tenho certeza que ela vai encontrar um jeito pra toda esta situação, mas eu sou a líder desde grupo e devo colocá-lo em primeiro plano. Mas não vou fazer nada de útil lá a não ser ficar nervosa, me deixe trabalhar, a minha cabeça vai voltar ao normal ao mesmo tempo em que quando ele acordar este grupo já vai estar reestabelecido.
– Você está certa no fim. Vamos correr até Amegakure então, pois a viajem é longa.
– Nee Itachi, – perguntou antes de seguir o moreno. – Como ele estava antes de você deixar a sede?
– Hm... achei que não iria perguntar. Sakura está pesquisando muito, mas não está tendo muito sucesso. Entretanto ela está tentando algo que disse temer fazer no hospital, que é usar genjutsu para atraí-lo para a realidade criada por ela e por aí tentar fazê-lo encontrar o caminho de volta. Quando eu saí ela ainda não tinha conseguido nenhum sucesso, eu acho que estando em coma ele não cai em genjutsu.
– Bom, pessoas em coma podem ver e ouvir tudo o que acontece ao seu redor, mas não tem consciência disto. A ideia não é má.
– Vamos torcer para que em algum momento de certo, então.
– Gomene pelo Sasuke. Apesar de todas as coisas erradas que ele fez, eu sei que é difícil enfrentar a morte de uma pessoa amada.
– Não é como se eu não tivesse passado por outros lutos familiares antes. – Deu de ombros, tentando se mostrar indiferente, mas logo mudou o assunto. – Vamos logo Ino, ou nunca vamos chegar em Amegakure.
