- Você não pode estar falando sério - Gabriel olhava para Sholk, incrédulo, por cima do caldeirão em que eles tentavam ferver infusão de losna, em plena aula de Snape. - Ela nunca vai topar.
- Mas é claro que ela vai topar. Ela sempre teve uma paixonite aguda pelo Flint. Vamos unir o útil ao agradável para ela. - Sholk apontou para Minna, que formava dupla com Andrew. Normalmente, ela estaria trabalhando com Gabriel, mas, naquele ano, o grifinório pediu uma ajuda especial em poções. O que fez com que Olívio precisasse formar dupla com Alícia. Mas eles pareciam não estar se dando bem. Minna observava (precisando segurar o sorriso) enquanto eles brigavam sobre qualquer coisa.
"Agora é uma questão de tempo", pensou. Não que tivesse esperanças de que sem a loira aguada Wood fosse tentar alguma coisa com ela. Mas, pelo menos por algumas semanas, até ele arranjar a próxima garota, teria paz de espírito. Seus devaneios foram interrompidos por uma bolinha de papel que a atingiu em cheio na cabeça. Ela não precisou procurar o culpado, virou-se instantaneamente para Sholk.
"Que foi?" Sua expressão facial foi o suficiente para que a dupla de sonserinos entendesse a pergunta e apontasse para a bolinha de papel caída no chão. Olhando ao redor para certificar-se de que Snape não estava sondando mesas próximas, ela juntou o papel e o desamassou.
"Que tal sair com o rapaz dos seus sonhos?"
Minna sentiu o sangue se esvair de seu rosto. Tinha certeza que havia ficado branca como papel. Imediatamente olhou para Olívio, que ainda estava distraído brigando em voz baixa com Alícia.
- O que eles querem, Minna? - Andrew puxou o bilhete das mãos dela e, imediatamente, ficou com uma expressão confusa que logo se converteu em um riso aberto - O rapaz dos seus sonhos? Com quem você anda sonhando, Miniatura?
- Com absolutamente ninguém. Não sei do que aqueles dois trasgos estão falando.
Minna jogou o papel na cabeça de Sholk e, quando ele e Gabriel se viraram, ela mostrou o dedo do meio.
- Srta. Moncharmin, o Sholk e o Iodovin estão a incomodando? - Snape surgiu das trevas da sala de aula, brotando bem ao seu lado. A garota estava tão indignada com o bilhete ("será que eles sabem?") que nem ficou assustada com o mestre de poções.
- Não mais do que o normal, professor. Desculpe. - Ela desviou seus olhos para seu livro e, assim que Snape saiu de seu lado, tentou se concentrar novamente em sua poção. A aula parecia interminável. Será que Sholk e Gabriel sabiam de Olívio? Será que Olívio sabia o que ela sentia por ele? Se isso fosse verdade, ela estaria acabada. O grupo estaria acabado. Ela deveria esperar pelo fora de Wood que certamente viria. E depois o grupo se desfaria. Sonserinos para um lado, Grifinórios para outro. Como todos em Hogwarts esperavam que acontecesse.
Por que fora tão burra? Podia ter se apaixonado por qualquer um. Qualquer um! Mas foi se apaixonar por um dos 4 meninos que eram completamente indisponíveis para ela. Finalmente a aula acabou e ela pôde tirar satisfações com Gabriel e Sholk, seguindo-os pelos corredores da masmorra.
- Do que vocês dois estão falando?
- Ora, da paixão secreta que você nutre desde o primeiro ano. - Sholk piscou os grandes olhos de forma afetada. Minna percebeu que Gabriel estava sério, de braços cruzados, mal humorado com Sholk. Talvez, quando o grupo se desfizesse, seria melhor para ela ficar apenas com Iodovin como amigo. Tão mais fácil, simples. Ele sabia exatamente como ela se sentia com qualquer coisa, sem que ela precisasse explicar.
- Paixão secreta da Minna? Essa eu quero ouvir. - Minna sentiu um arrepio percorrer sua espinha e os joelhos tremerem quando ouviu a voz de Olívio vindo de trás dela.
- O Sholk só está sendo um ogro demente, como sempre. Não sei do que ele está falando - ela apressou-se a remediar.
- Desembucha, Sholk! - Andrew juntou-se a eles.
- É só parte de um plano brilhante que eu criei. Olha só, convencemos o Flint a sair com a Miniatura...
Minna mal pôde acreditar nos seus ouvidos. O alívio percorreu seu corpo, relaxando seus músculos e fazendo com que ela soltasse uma gargalhada espontânea.
- O FLINT? - ela riu mais ainda ao ver a expressão de desapontamento no rosto de Sholk. - Você acha que eu estou apaixonada pelo FLINT? Sholk, eu acho que se eu não estivesse achando tanta graça dessa história toda, eu ficaria ofendida.
- E porque você quer que a Minna saia com o Flint, afinal? - Olívio perguntou, com as sobrancelhas franzidas. Gabriel não gostou do tom preocupado de sua voz.
- Ele acha que assim podemos dar um jeito de tirar o Flint do posto de capitão e, claro, colocar o Sholk no lugar dele. - Iodovin respondeu, revirando os olhos.
- Ok, digamos que a Minna saia com o Flint... - Andrew foi interrompido pelo olhar assassino de Minna. - Calma, é só uma hipótese. Vamos fingir que uma Minna de outra dimensão, não a nossa Minna, saia com o Flint. Como isso vai te ajudar?
- Ela poderia colocar laxante na comida dele, fazer ele tropeçar, sei lá.
- Se ela realmente gostasse do Flint ela nunca faria isso. - Gabriel argumentou, em um tom de quem já havia explicado aquilo mil vezes.
- Mas como eu não gosto, não é nem uma possibilidade. - Minna sorriu.
- Isso pode ser até melhor, sabia? Já que você não gosta dele, pode sair com ele apenas por interesse e sabotar o menino pra gente.
- Sholk, querido, eu não vou sair com o Flint. Não por interesse. Nem sem interesse. Mas como ele é um imbecil completo que atormenta você e o Gabriel desde o primeiro ano, eu posso, sim, ajudar. Mas sem sair com ele. Grave isso: não vou sair com ele.
- E como você pretende ajudar? Afinal, tudo o que pode ferrar com o time da Sonserina é de meu interesse direto.
- Com ganache.
- Ganache? Tipo, doce de chocolate? - Sholk adotou uma expressão mista de curiosidade e felicidade.
- Não de chocolate. Ganache de diabretes. E eu só vou dar as instruções, você é que vai preparar tudo.
- Por que?
- Ganache de diabretes é bosta de dragão. - Minna sorriu para Sholk, satisfeita, enquanto ele abria a boca, enojado.
Na aula de Quirrel, enquanto o professor gaguejava qualquer coisa sobre um espírito agourento e Minna tentava disfarçar seu desconforto por estar perto dele, ela, Gabriel e Sholk trocavam bilhetinhos sobre o ganache de diabretes.
"Então manipulamos bosta de dragão. De que forma?" Sholk escreveu
"Manipulamos nada. Coloque isso na primeira pessoa. Você quis me arranjar para o Flint, só vou passar as instruções e você vai fazer todo o trabalho sujo".
"TRABALHO SUJO, HAHAHA"
"Para de ser puxa saco, Iodovin. O que significa isso?"
"Você precisa encomendar a bosta de um fornecedor confiável. Depois usar um feitiço para incorporar mel à ela"
"Mel...da"
"Iodovin, que bosta! Pare com isso"
"Que BOSTA, HAHAHA"
"Vou te passar uma medida confiável, claro. Ganache de diabrete pode virar ganache de trasgo se tiver mais mel do que bosta. E não queremos um trasgo solto pelo campo de quadribol, né? Enfim, você vai precisar enfeitiçar o ganache para grudar no Flint. E está feito"
"Fora a humilhação, o que pode acontecer com ele?"
"Alergia. Mordidas de diabrete. Provavelmente ele vai perder primeiro jogo. E você vai substituí-lo brilhantemente e ser eleito o novo capitão, certo?"
"Ok, combinado. Você conhece algum fornecedor confiável?"
"Tenho o endereço de um cara chamado Clive. Ele já me vendeu uns ingredientes ilegais antes. Passar um pouco de bosta de dragão por baixo dos panos de Hogwarts não vai ser um probema pra ele".
"Que raios você comprou de ingredientes ilegais, Minna?"
"Faço meus experimentos, você sabe, Gabriel"
Gabriel sabia. Mas não imaginava que os testes de Minna com poções fossem ilegais. Ele percebeu Quirrel se aproximando e escondeu o pedaço de pergaminho quando o professor se aproximou. Ao sair da aula, Iodovin não percebeu que o pergaminho não estava mais em seu bolso. E acabou esquecendo dele.
