Era uma adorável manhã ensolarada de outubro. Minna estava sentada nas arquibancadas do campo de quadribol, com um livro colocado sobre os joelhos, absorvida em uma leitura sobre Galina Goldfinch, a bruxa que havia descoberto a maldição Imperius - que, durante toda a sua vida, não havia sido proibida por não ser usada abertamente. Goldfinch pôde controlar todos a sua volta - incluindo seu marido e seus filhos - até o dia de sua morte. Foi só quando a bruxa morreu e o feitiço perdeu o efeito que aqueles que conviviam com ela perceberam o que havia acontecido.
- Galina Goldfinch? Sério? Sempre soube que você era uma bruxa malvada, Minna, mas não tanto assim.
Minna, recuperando-se do susto (e do sorriso encantador que estava a sua frente), tentou responder algo conciso:
- Pois é, não sou tão malvada assim. Só uma quantidade saudável. Mas ainda assim acho a vida dela fascinante.
- O que significa ser malvada em uma quantidade saudável, posso saber? - Olívio sentou-se ao seu lado e a cutucou, de leve, com o cotovelo.
- Você sabe. - ela deu de ombros - Que se eu precisar fazer uma coisa... questionável, por algo no que eu acredito, eu provavelmente farei.
Olívio ergueu as sobrancelhas, mantendo seu sorriso.
- É, eu sei. Sonserina.
Minna sorriu, relaxando.
- Como você está? Quer dizer, faz tempo que não conversamos. Você anda ocupado.
- É, tenho que planejar os treinos da Grifinória. Trabalho de capitão não é fácil.
- Não foi exatamente isso que eu perguntei.
- Ah! Você quer saber da Alícia? Eu ainda não tive chance de falar com ela sobre aquilo. Eu sei que já faz tempo que eu percebi que a gente não tem nada a ver, mas eu não consigo. - os olhos de Olívio encontraram os de Minna - É difícil fazer aquilo que a gente quer. Não quero prejudicar ninguém, sabe?
- Claro - Minna esboçou um sorriso compreensível - Seu time.
- Não só meu time, Minna.
Nesse momento, Gabriel chegou na arquibancada. Minna perdeu a chance de fazer mais perguntas para Olívio. E, de certa forma, ficou aliviada.
- E aí, como estamos? - ela interrogou Iodovin.
- Tudo pronto, segundo o Sholk. Mas só pode dar errado, Minna. - Gabriel olhou para os lados e baixou a voz - Ele manipulou bosta de dragão. .dragão.
Os três seguraram o riso ao imaginar Sholk mexendo um caldeirão cheio de bosta.
- Na verdade não tem como dar errado. Eu passei todas as medidas certas, instruí ele nos mínimos detalhes, emprestei o livro que tinha a receita. Ele não pode estragar tudo. Nem o Sholk tem essa capacidade.
- Eu conheço o Sholk há 15 anos. E eu não duvidaria da capacidade dele de estragar as coisas - Andrew suspirou, juntando-se a eles - Olha, eles estão vindo!
O time da Sonserina entrava em campo para seu treino. Marcos Flint, segurando a Goles, ia na frente do time, orgulhoso. No fim da fila estava Sholk, sorrindo da forma mais suspeita do mundo. Flint começou a discursar para o time, mas em voz baixa, para que quem estivesse nas arquibancadas não pudesse ouvir. Subitamente, Minna percebeu que Sholk tirou a varinha do bolso das vestes e conseguiu ler os lábios do amigo no momento em que ele, disfarçadamente, sussurrou o feitiço.
- Accio cacatus. Collaceratus Flint.
Foi o que bastou para que um bolo marrom de ganache de diabretes se materializasse no ar e atingisse Flint em cheio, o cobrindo com a mistura. O time da Sonserina se olhou, estupefato, e Minna pôde ver que Sholk desempenhou seu papel de inocente com perfeição.
- Deu certo. Min! na, deu certo! - Os olhos verdes de Gabriel brilhavam de surpresa.
- Pssst! - Olívio ralhou - Olhem aquilo!
Um enxame de diabretes da Cornualha havia se erguido das proximidades da Floresta Proibida e voava, rapidamente, na direção de Marcos Flint. Flint soltou um berro para lá de feminino e rumou para o vestiário masculino. Mas não foi rápido o suficiente. Logo ele estava completamente coberto de diabretes.
- Acho que agora já chega, né? - Minna levantou-se da arquibancada, vendo que os diabretes não iam embora e que nenhum dos integrantes do time estava preocupado em ajudar Flint: todos gargalhavam a todos os pulmões.
- Não, Minna, deixa os diabretes se divertirem um pouco mais. - Gabriel puxou a manga das vestes da garota, que se desvencilhou dele.
- Já deu, Gabriel.
Minna foi ao meio do campo, onde Flint se contorcia para se livrar dos diabetes que lhe davam lambidas e ergueu a varinha para pronunciar um feitiço.
- Imobilus!
Foi a voz hesitante de Quirrell quem proclamou o feitiço que paralisou os diabretes. O professor estava de olhos arregalados vendo a confusão e, aparentemente, não sabia o que fazer.
- F-flint, que po-po-porcaria é essa?
- Alguém aprontou para mim, professor. Tenho certeza! - Flint respondeu, se coçando como se ainda estivesse coberto de diabretes.
- E quequem fafaria algo t-tão grotesco? - perguntou Quirrell analisando a substância com a qual Flint estava coberto.
Os olhos de Quirrel faiscaram para Minna sentiu o chão faltar sob seus pés. Não era medo do professor. Era algo mais. A forma com que ele olhava para ela a deixava extremamente desconfortável e inquieta.
- O Sholk! Ele quer meu lugar como capitão e todos sabem disso. - Flint apontou para o batedor que, por sua vez, nem se deu ao trabalho de negar. Sholk apenas deu de ombros.
Os olhos de Flint faiscaram para as arquibancadas.
- E o Wood está lá também. Ele é o capitão da Grifinória. Não devia espionar o time da Sonserina. Tenho certeza que ele tem algo a ver com isso. Assim como o Iodovin. Eles andam com os grifinórios. - 'grifinórios' se tornou uma palavra suja na língua de Marcos Flint. - A Minna, o Iodovin e o Olivaras também devem ter ajudado.
"Perspicaz, Flint" refletiu Minna, tentando não pensar nos olhos de Quirrell a analisando novamente.
- Já ch-chega. Flint, Sholk, M-moncharmin e v-vocês aí da arqui-quibancada. Vevenham co-comigo.
Eles seguiram o professor em silêncio. Gabriel correu para ficar ao lado de Minna. Apenas com o olhar ele perguntou a ela se estava tudo bem. Ele sabia que o professor a incomodava extremamente. Minna confirmou brevemente com a cabeça. Logo eles notaram que estavam na sala de Minerva McGonagall. A professora de transfigurações estava corrigindo algumas redações, com os lábios praticamente brancos de tão contraídos, quando Quirrel entrou na sala trazendo o grupo. O queixo dela caiu quando ela viu o estado de Flint.
- Mas que... o que aconteceu com o Flint?
- Creio que ga-ganache de diabretes, pr-professora. E os outros s-são os sususpeitos de terem aprontado is-sso.
- Professor Quirrell, poderia fazer o favor de chamar Severo? Ele deve responder pelos sonserinos.
- Cla-claro.
Assim que Quirrell saiu da sala, Minna sentiu um alívio imediato.
- Agora, quem vai me contar o que houve por aqui? Wood, por Merlim, se você tiver alguma coisa a ver com isso eu vou precisar rever sua posição de capitão.
Minna viu Olívio baixar os olhos imediatamente e apostou consigo mesma que eles estavam cheios de lágrimas.
- Mas ele não tem, professora. - ela interferiu, buscando apoio nos olhos de Gabriel e Sholk - A culpa é minha.
- Minna? Você?
- Não só ela, professora. Eu também. - Gabriel se adiantou, colocando-se ao lado de Minna.
- Mas fui eu que causei tudo. - Sholk confessou. - Eu queria que Flint não fosse mais capitão.
- E eu mostrei o Ganache de Diabrete a ele. - Minna contou, com sinceridade.
- Ganache de Diabrete? Você quer dizer que o Flint está coberto de... bosta de dragão?
Os olhos de Flint se arregalaram de desespero e ele começou a tentar se limpar.
- Ora, Flint, francamente, tentar se limpar agora só vai piorar o problema. - A professora notou e Minna achou que percebeu um tom de riso em sua voz.
- O que houve aqui? - Snape adentrou a sala de Minerva. - Flint, que diabos aconteceu com você?
- Sholk, Iodovin e Minna me atacaram com bosta de dragão no treino, professor. E a bosta atraiu diabretes.
Os olhos de Snape se arregalaram.
- Ganache de diabretes? Professora Minerva, convenhamos, isso soa como algo que o Wood e o time da Grifinória fariam. - Snape argumentou, apontando para Olívio.
- Não, professor Snape. Não soa. Aliás, seus alunos acabaram de admitir que a culpa foi toda da Sonserina.
Snape passou a encarar Minna, com olhos estreitados.
- É verdade, professor. Nós três somos os culpados. Andrew e Olívio não tiveram nada a ver com isso.
- Sendo assim. Sholk, está expulso do time. Iodovin, vai polir a sala de troféus até conseguir ver seu reflexo em cada uma das taças - e sem usar magia. Já você, Minna, vai cumprir detenção comigo, nas masmorras - Snape proferiu sua sentença sem nem tirar os olhos de Minna. A garota tinha certeza que ele sabia que ela estava mentindo. Acobertando Olívio. E o mestre de poções não gostava nada disso.
- Agora vão. Flint, pare de emporcalhar o castelo e vá tomar um banho. Por favor, fique bastante tempo nos chuveiros. Iodovin pode ir para a sala dos troféus agora. Vai perder o fim de semana por lá. E, Minna, venha comigo. Agora!
Minna seguiu os passos apressados de Snape. No caminho, seus olhos encontraram os de Olívio. Os olhos dele sorriam enquanto seus lábios sussurravam um 'obrigado'.
