- Você não acha que eu devia pular esse jantar do dia das bruxas? Quer dizer, todo mundo vai estar comentando. - Minna perguntou a Gabriel na hora em que eles se encontraram, após o passeio, na sala comunal da Sonserina. Para ilustrar sua ideia, ela apontou para um grupo de segundanistas que, apesar de não serem autorizados a irem à Hogsmeade e não terem ido ao passeio, comentavam claramente sobre o episódio no Três Vassouras e olhavam com os olhos assustados para Minna.
- Não, Minna. - Gabriel revirou os olhos - As pessoas só estão admiradas.
- E com razão, né, Minhoca - Sholk surgiu, abraçando Minna pelos ombros - Minha irmãzinha, sabia que andar com você por todos esses anos ia acabar me dando alguma recompensa social.
- Recompensa social? E as notas que você deve a mim?
Sholk apenas riu e balançou a cabeça como se não soubesse do que estava falando e começou a puxá-la para fora da sala. Mas, apesar de Minna estar nervosa com a reação geral de seus colegas, havia uma reação específica que a deixava mais nervosa.
- Mas e Olívio? - ela perguntou, se arrependendo logo em seguida ao ver que Gabriel fechou a cara.
- O que tem ele? - Sholk perguntou inocentemente.
- Você falou com ele depois de tudo?
- Só um pouco...
- E? - Minna deu uma cotovelada nele, nervosa.
- Bom, ele não está exatamente feliz. Quer dizer, você atacou a ex namorada dele e ameaçou os amigos dele. Mas não acho que ele vá te odiar pra sempre.
- Min, tudo vai depender da sua postura. - Gabriel franziu as sobrancelhas, irritado - Se você entrar naquele salão de cabeça baixa, todos vão achar que a culpa é sua. Tudo depende de você e meu conselho é que a gente entre como se fôssemos donos do lugar. E eu e Sholk vamos estar do teu lado, como sempre - um sorriso discreto cruzou seu rosto.
- E o Andrew?
- O Drew é um puxa saco do Wood, como sempre - Sholk revirou os olhos, respondendo a ela. Minna mordeu os lábios. Ela, em uma tarde, havia conseguido o que quatro anos na escola não conseguiram: separar os seus amigos grifinórios de seus amigos sonserinos. Sentiu o estômago afundar e vontade de se esconder em seu dormitório. Mas os garotos tinham razão. Se não encarasse a situação agora poderia ser pior.
"Uma coisa por vez. Primeiro aguentar esse jantar. Depois tentar recuperar Olívio", pensou.
Quando eles entraram no Grande Salão, muitas cabeças se voltaram para eles, acompanhadas de um burburinho geral. Minna desviou os olhos da mesa da Grifinória, mas sentia a presença de Olívio ali. Sholk ainda mantinha o braço ao seu redor para, em vez de parecer um guarda-costas, parecer o cara descolado e engraçado que gostaria de parecer. Gabriel respondia aos comentários de Sholk sorrindo abertamente e lançando olhares desafiadores pelo salão. Eles pareciam saber o que faziam.
E Minna só queria sumir. Mesmo assim se forçou a sorrir para os garotos e, quando Marcos Flint os convidou para sentar perto dele e do resto do time, foi a primeira a aceitar o convite.
- Sentar perto do Fint, é sério? - Sholk muxoxou.
- Não é você que quer se aproveitar da minha popularidade? Senta do meu lado e sossega. - Minna puxou Sholk que, com a cara amarrada, obedeceu. Gabriel não precisou de convencimento e sentou-se à sua frente, sorrindo.
- Como tá a reação da mesa da Grifinória? - Minna perguntou, já que estava de costas para eles. Gabriel deu de ombros.
- Eles sempre têm cara azeda, então não dá pra saber.
Olívio e Andrew encaravam a mesa da Sonserina boquiabertos.
- É sério que eles sentaram com o Flint? Tudo bem que a Minna surtou, mas OS TRÊS sentaram com o Flint - Olivaras reclamou - O que eles estão pensando.
- Não faço ideia - Wood balançou a cabeça.
Percy juntou-se a eles e deu de ombros.
- Sempre te falei que era uma questão de tempo, Olívio. Eles sentaram com o Flint e é óbvio que isso é uma afronta pessoal.
- Eles não fariam isso. - Olívio revirou os olhos - Quer dizer, não para me atingir.
- Wood, sua namoradinha Minna atacou a Alícia. Ameaçou os meus irmãos.
- Você sabe que eles mereceram. - Andrew defendeu, mas sua voz denunciava dúvida.
- A Alícia está na enfermaria! - Percy apelou.
- Não mais - sorriu Alícia, com o rosto imaculado. Ela sentou-se ao lado de Percy, de frente para Olívio. Mais um dos milagres de Madame Pomfrey. - Espero que aquela vaca tenha conseguido uma detenção bem insuportável com o Quirrell. E que você tenha terminado com ela.
- Não estamos namorando. - Olívio respondeu, na defensiva.
- Isso torna as coisas mais fáceis. - Atalhou Percy.
- Cala a boca. - Wood reclamou, enchendo a boca de maçã assada. Olhando para a mesa da Sonserina, via Minna rir de uma piada de Sholk enquanto era olhada com reverência pelo time inteiro da casa.
Minna sorria, mas sua cabeça estava prestes a explodir. Sentar perto de Flint e aguentar a sua conversa sem sentido era insuportável. Com a desculpa de que precisava ir ao banheiro, saiu da mesa e rumou para as masmorras, a passos apressados. No meio do caminho para os dormitórios, sentiu um cheiro insuportável invadir suas narinas. E o chão tremeu.
Ela precisou se segurar em uma parede para não cair - seus joelhos falharam ao ver Quirrell andando em frente a um trasgo gigantesco.
- Calma agora - ele murmurava.
Minna se escondeu em uma reentrância na parede, para que nem o professor e, principalmente, nem o trasgo a vissem. Quirrell tirou a varinha do bolso e murmurou claramente:
- Imperio.
A garota tapou a boca com a mão, tentando suprimir um grito de surpresa. O professor não apenas estava trazendo um trasgo para dentro do castelo como estava usando uma maldição imperdoável no monstro.
O trasgo deu meia volta e rumou para o lado contrário. Quirrel, por sua vez, bagunçou o seu turbante e saiu gritando:
- Trasgo! Nas masmorras!
Minna decidiu seguir o professor de longe. O que ele estava aprontando, afinal? Ele rumou para o Salão Principal e avisou a todos. Dumbledore rapidamente mandou os alunos para as suas salas comunais - os professores, por sua vez, deviam acompanhá-lo às masmorras em busca do Trasgo.
Mas Quirrell ficou para trás. Assim como Minna que, escondendo-se por trás de armaduras e cortinas, acompanhou o professor ir discretamente até o corredor do terceiro andar, que estava interditado desde o início das aulas. Viu quando Quirrell destrancou a porta e, sem pensar duas vezes, seguiu o mestre de Defesa contra as Artes das Trevas.
E se arrependeu no instante seguinte.
Quirrell lutava contra um cachorro de três cabeças. Um cachorro GIGANTESCO de três cabeças. E Minna nem teve tempo de gritar quando uma das cabeças arreganhou os dentes para ela e investiu com tudo. Ela instintivamente pegou a varinha e lançou um feitiço qualquer contra o bicho que, por mais que tenha afastado momentaneamente a cabeça ameaçadora, pareceu irritá-lo ainda mais.
Nesse momento, Quirrell já havia notado a sua presença.
- Minna vá embora! Corra!
Parecia fácil dizer - o cachorro cercava a porta e impedia a sua passagem. Minna disparava contra ele os feitiços mais ameaçadores que conseguia imaginar, mas nenhum surtia efeito.
Até que ouviu um grande estouro perto da porta. Snape havia surgido e tentava controlar o cachorro. Uma das cabeças mordeu a perna do professor, mas, mesmo mancando, ele conseguiu fazer o animal recuar e puxar Minna pelo braço até a saída. Quirrell aproveitou a chance para escapar também.
A porta do corredor se fechou atrás deles, mal abafando os latidos do cachorro gigantesco.
- Quirrell, o que você estava fazendo aqui?- Snape se voltou para o outro professor, surpreendendo Minna que já esperava uma bronca em sua direção.
- A me-mesma coisa que você, provavelmente. Protegendo você-sabe-o-que. - Os olhos de Quirrell faiscaram. - Mas meme pergunto o que se-senhorita Moncha-charmin estava fazendo aqui.
- Como diretor da casa da Sonserina, vou descobrir isso em um instante. - Snape respondeu, sem parar de encarar Quirrell. - Minna, para a minha sala, agora.
Minna se sentiu mal ao ver que Snape mancava. Ainda tremia devido ao choque causado pela aparição do cão de três cabeças.
- Pode me esclarecer o que aconteceu?
Minna então desabafou. Contou tudo. Desde Hogsmeade, quando arranjara briga no três vassouras e Quirrell salvara sua pele até quando viu o professor atiçando o trasgo e o seguiu para o corredor do terceiro andar.
Snape, que ficou em silêncio durante a história toda, empalideceu à medida em que ela contava o que havia acontecido.
- Minna, não conte isso pra ninguém. Ninguém mesmo. Nem para o Gabriel. Prometa isso.
Ela franziu as sobrancelhas. Esperava algo muito pior do que ter que prometer silêncio.
- Ok. Mas por que existe um cachorro de três cabeças no corredor?
- Severo? - a voz de McGonagall soou no bolso de Snape, vinda de sua varinha. - Encontraram o trasgo no banheiro das meninas e Potter está envolvido. Venha pra cá agora.
- Minna vá para a sala comunal. Agora. E não saia de lá até o amanhecer - Snape ordenou, antes de sair mancando em direção ao banheiro feminino.
