Olívio acordou com a cabeça pulsando de dor. Sentia a garganta seca e o mundo parecia girar ao seu redor.
- É isso o que dá beber qualquer coisa que vê pela frente, palerma.
- Andrew - Wood piscou os olhos tentando focar o amigo - O que aconteceu?
- Se o castelo fosse líquido, você teria bebido ele inteiro, colega. - Olivaras revirou os olhos - Agora se esforce e tente lembrar das porcarias que você fez ontem.
- Minna ela... ela estava com o Gabriel?
- Ela dançou algumas músicas com ele sim. Mas não passou disso. Depois saiu da festa escoltada pelo time inteiro das cobrinhas. Não que isso seja muito animador, mas acho que responde a sua pergunta. - Andrew teorizou, mas viu que os olhos de Olívio estavam distantes. Será que ele estava ouvindo o que ele dizia? - E de qualquer forma, essa não foi a maior fofoca de ontem.
Olívio franziu as sobrancelhas, questionador. Andrew revirou os olhos. Seu amigo havia se metido em sérios problemas
- A Alícia? Na sala comunal? Nenhuma ficha caindo até agora?
Alguns flashes de memória começaram a ocorrer para Olívio. Alícia perto dele. E ele havia falado algo para ela, algo importante...
Andrew perdeu a paciência e, andando ao redor da cama de Wood, começou a discursar.
- Eu estava voltando da festa, certo? Com o resto do pessoal da Grifinória. Depois que você sumiu a gente realmente começou a curtir a festa. E não me olhe com essa cara, a gente estava lá, afinal. Mas não é essa a questão. Chegamos na sala comunal e você e a Alícia estão abraçados. Você sorria igual um imbecil, é sério. E disse pra todo mundo que amava a Alícia e que vocês estavam namorando.
Olivaras viu o rosto do amigo ficar pálido e depois adquirir um tom esverdeado.
- E veja bem, - ele sentiu necessidade de acrescentar - não foi a Alícia que disse isso. Foi você.
Wood sentou se na cama e colocou a cabeça entre as mãos.
- Eu bebi tanto assim?
- Pelo visto sim. E sua antiga ex-namorada ou nova antiga namorada já acordou e está espalhando pelo castelo todo como a noite passada foi ótima. - Andrew imitou uma voz esganiçada de menina - E falando sobre o quanto vocês realmente se gostam e querem ficar juntos. Que o término foi uma fase de insegurança, mas que tudo se resolveu agora.
- Andrew, você só pode estar brincando. Eu não lembro de nada disso. E isso não é verdade, nem de longe.
- O fato é que a torre da Grifinória inteira já sabe, as pessoas vão lembrar por você. Aposto que as pessoas até já esqueceram daquele pequeno incidente com o TRASGO de ontem. Tudo o que importa é que o capitão voltou com a princesa da casa.
- E a Minna?
- Aposto 10 galeões como ela já sabe. E se não sabe, o Gabriel vai descobrir logo e contar tudo para ela.
Wood encarou Andrew com os olhos apertados.
- O Gabriel realmente me enfrentou ontem? Eu não alucinei isso?
- Infelizmente, Olívio, não.
Wood se jogou de costas na cama e puxou os cobertores até os olhos. Será que se ficasse trancado no quarto as pessoas esqueceriam dele, por um dia que fosse? Só por um domingo?
Enquanto isso, Minna tomava o café da manhã, ladeada por Sholk e Gabriel. Tinha decidido esquecer a festa e aquela euforia estranha que havia sentido por estar perto de Iodovin e se focar em problemas maiores, que precisavam de uma solução imediata. Havia sonhado novamente com unicórnios, e os sonhos estavam ficando mais realistas. Ela lembrava de sentir o cheiro da Floresta Negra e a umidade. E perseguir os unicórnios, correr atrás deles com uma velocidade impressionante, como se estivesse voando baixo.
Também havia o trasgo, Quirrell e o cachorro de três cabeças do terceiro andar. Uma coisa mais bizarra do que a outra. Sonhar que caçava unicórnios até parecia fichinha perto disso. Ela havia prometido a Snape que não contaria nada para ninguém. Mas precisava da ajuda de Gabriel e Sholk para tentar organizar os pensamentos, nem que ela pudesse comentar apenas sobre os sonhos.
- Então você voava baixo enquanto ia atrás de unicórnios. O que significa isso?
- Se eu soubesse, Sholk, eu acho que já teria metade dos meus problemas resolvidos.
- Não, eu quis dizer o que significa 'voar baixo'. Não entendi esse conceito.
- Quer dizer velocidade, cara. - Gabriel revirou os olhos, enquanto empurrava uma barra de chocolate para Minna. A garota abriu o doce, quebrou em vários pedaços e colocou um deles na boca. Sholk, obviamente, se adiantou para pegar um pedaço também, mas levou um tabefe na mão de Gabriel.
- Ei, que é isso? - ele reclamou.
- É Gabriel, credo. Deixa o Sholk pegar um pedaço.
- Tenho outro chocolate aqui. - Gabriel jogou outra barra inteira para Sholk - Presente é presente, você não pode dividir. Você anda dividindo os doces que eu te dou por aí?
Minna estranhou o ar preocupado do amigo. Será que ele era tão ciumento assim?
- Não. Só não vejo problema. Mas ok, o Sholk já está feliz com o chocolate dele.
- Que? - Sholk perguntou, com a boca cheia e com um filete de baba de chocolate escorrendo pelo canto de seus lábios. Minna riu antes de retomar sua expressão nervosa.
- Vamos nos concentrar na crise aqui? Sonho com unicórnios, o que quer dizer?
- Acho que é simples, Min - Sholk murmurou, ainda de boca cheia - Você ficou impressionada com o que viu naquele dia, depois do jogo, e agora sonha com isso.
- Mas são outras cenas. Toda noite é diferente, embora os unicórnios sempre estejam lá.
- O inconsciente mistura vários elementos do nosso dia nos sonhos. Aprendi isso com a Sibila. Por isso muitos bruxos sem o dom da divinação conseguem aprender alguma coisa sobre eles mesmos e sobre os outros examinando os sonhos. - Gabriel discursou. Enquanto isso tanto Minna quanto Sholk ficaram boquiabertos.
- Eu não sabia que você entendia tanto de sonhos - Minna observou
- E eu não sabia que dava pra aprender alguma coisa com a Sibila - Sholk riu.
Nesse momento, Flint se aproximou, sentando-se de frente pra Minna.
- Moncharmin, se você quiser que o time dê porrada nele é só me dar um toque.
Minna franziu as sobrancelhas.
- Do que você tá falando, Flint?
- Do Wood, claro. Tá todo mundo espalhando que ele voltou com a loira da Grifinória. E que disse pra quem quisesse ouvir que você era estranha demais pra ele, que não passou de uma piada.
Instantaneamente, Minna sentiu um nó na garganta. Torceu para que seus olhos não estivessem cheios de lágrimas. Não queria chorar na frente da escola toda. Afinal, quem estava tentando enganar? Ela já sabia que ia terminar dessa forma. Que realmente não deveria ter passado de uma piada para o capitão.
- E aí, porrada nele? - Flint olhava para ela com expectativa.
- Acho uma boa. - Gabriel respondeu no lugar dela.
- Espera aí, gente. A Minna tem que decidir isso - Sholk se exasperou - Minna?
Minna estava congelada. Sentiu que suas narinas tremiam. Então toda aquela história de gostar de verdade dela, aqueles gestos românticos todos... ainda ontem eles estavam juntos no Três Vassouras! Tudo não passou de diversão pra Olívio. Era custoso acreditar que depois de tantos anos de amizade ele faria aquilo com ela. Mas ele havia mudado. Era capitão, popular, o cara mais bonito da escola. Claro que não se importava mais com uma nerd como ela.
Mas ao ver Flint a sua frente, oferecendo o time inteiro da Sonserina pra lutar por sua honra, ela percebeu que, apesar de ainda ser a mesma nerd, talvez não estivesse tão indefesa.
- Não Flint. Sem porrada nele.
- Como assim, Minna? Vai deixar barato?
- Pelo contrário. Acho que uma surra é pouco.
- Minna, do que você tá falando? É o Olívio! Tenho certeza que tem uma explicação pra tudo isso.
- É claro que tem, Sholk. E ela é bem simples, na verdade. O Olívio me enganou. Aposto que ele te enganou também. Quando você menos esperar, ele vai te mostrar que tem amigos mais interessantes. Não tente defender, ele não tem defesa.
- Você não acha que devia ouvir da boca dele então? Vai ficar presa a esses boatos da escola?
- Você não acha que ele já magoou a Minna demais? - Gabriel a defendeu. Minna encarou o amigo, que tinha uma expressão determinada. Ele sim era seu defensor. Ele permaneceria ao seu lado, não importa o que acontecesse.
Nesse momento, Alícia chegou no Grande Salão. Minna não pôde deixar de reparar que ela usava a jaqueta de Olívio.
- Acho que isso já é prova suficiente, Sholk - ela virou o seu suco de abóbora em um gole só e se levantou - Agora, se vocês me dão licença, tenho problemas bem mais importantes pra resolver do que o drama do Wood.
- Minna, não esquece - Flint gritou para uma Minna que já se afastava - estamos às ordens.
Ela apenas sorriu para ele em agradecimento.
Gabriel revirou os olhos. Mas depois pensou que uma possível paixonite por parte do Flint era um efeito colateral até pequeno. Ele conhecia Minna bem, ela nunca retribuiria o sentimento daquele cara grotesco. E o que importava é que seu plano estava dando certo. Seu sorriso se alargou quando ele viu Olívio entrar no salão com uma cara péssima. Alícia, instantaneamente, se atirou no pescoço de Wood. Colocá-la na jogada e mexer com a insegurança de Minna havia sido um golpe de mestre.
