Uma semana inteira se passou sem que Minna conversasse com Olívio. Ou sequer o visse direito. Ele parecia desviar-se de seu olhar durante o horário de almoço e do jantar. Nas aulas que tinham juntos, sentava-se no fundo da sala e abaixava a cabeça. Para a garota, aquilo só piorava a situação, afinal confirmava a história que Alícia estava contando para todos. Mas ela surpreendeu-se ao perceber que se importava menos com Wood do que achava. Em vez de ficar triste por não ter mais o capitão por perto, ela estava apenas irritada com as conversas de corredor que a sua situação causava. E preocupada com seus sonhos sobre os unicórnios. E com Quirrell.

Quando Minna questionou Snape sobre o comportamento do professor de DCADT, a resposta só a deixou mais irritada:

- Até onde eu sei, Quirrell realmente não estava fazendo nada de errado.

- Mas professor, eu o vi atiçando o trasgo!

- É a sua palavra contra a dele. Sem citar seu nome, perguntei como ele havia visto o trasgo antes que todos. E ele disse que estava patrulhando as masmorras quando encontrou o trasgo. E tentou usar a maldição Imperius para contê-lo, mas não deu certo. Por mais que tenha parecido que ele estava tentando atiçar o bichão a história dele bate com a sua.

- E o que existe no corredor do terceiro andar?

- Do que você está falando, Minna?

- Professor, Quirrell saiu correndo para o corredor do terceiro andar ao atiçar ou ver o trasgo. O senhor também. O que me faz acreditar que exista algo lá. Afinal, porque outro motivo vocês teriam um cachorro de três cabeças no meio da escola?

- Tudo o que existe lá, Minna, é um cachorro de três cabeças de um amigo de Dumbledore. Esse amigo pediu para que o diretor tomasse conta de seu bichinho de estimação e foi o único lugar que encontramos para contê-lo.

- Existe uma floresta inteira lá fora. Dezenas de salões abandonados nas masmorras. E vocês deixam esse bicho lá?

- Está duvidando da minha palavra?

- Depois do que eu vi, eu duvido de todos.

- Não posso julgá-la por isso. Mas Minna, você tem coisas mais importantes para se preocupar. As maldições que estou lhe ensinando. Os antídotos. Feitiços de nocaute. Espero que esteja praticando e estudando para os NOMs.

Minna revirou os olhos. Estudar parecia ser a única coisa que ela fazia. Depois das aulas ela se apoderava de uma mesa próxima à lareira da sala comunal e estendia seus pergaminhos e livros por lá. Tentava mergulhar neles até ficar caindo de sono. Afinal, se não estivesse extremamente cansada, não conseguia dormir - ficava antecipando sonhos terríveis com unicórnios que poderia ter. E, quando acordava, sentia-se suada, exausta - além de poder sentir em suas narinas o cheiro forte do sangue dos animais.

Gabriel e Sholk, cada um a sua maneira, tentavam ajudá-la. Sholk fazia piadas escatológicas, falava mal dos colegas e professores e a ajudava com seu plano de vingança - treinar quadribol. Tanto ele quanto Flint, para a surpresa da garota, a encorajaram e criaram planos de treinamento para ela. De acordo com Marcos, ela não estava boa o suficiente prar entrar no time nessa primeira temporada. Mas, no próximo ano, tinha todas as chances de se tornar a goleira.

Iodovin não aprovava muito as suas ideias de vingança. Ele ainda defendia dar uma surra em Olívio como a melhor opção. Mesmo assim, acompanhava os treinamentos de Minna e sorria, radiante, quando ela conseguia fazer uma defesa realmente boa. Depois dos treinos, ou das aulas de Snape, Gabriel a encontrava e fazia questão de saber cada detalhe de seu dia. Oferecia mais doces para ela. E fazia planos para as férias de Natal - ele a havia convidado para ir com ele até Guernsey. Minna, que estava contando os dias para sair de Hogwarts, aceitou de bom grado.

- Você vai ver, vão ser as melhores férias da sua vida. Muito melhor do que Disney.

- Não sabia que Guernsey era um lugar tão agitado - Minna provocou, uma noite em que estavam na sala comunal.

- Não é. Mas eu faço Guernsey tremer - ele levantou uma sobrancelha, tentando assumir um ar sedutor que só arrancava risadas da garota. A verdade é que ela não via a hora de ficar apenas com Gabriel nas férias. Cada vez mais, parecia que ela só encontrava paz ao lado dele.

Em outra noite, quando a sala comunal já estava vazia, Gabriel conjurou xícaras de chocolate quente, levemente adulteradas, como ela havia feito no começo do ano. Ao tomar um gole da bebida, Minna sentiu a tristeza e o medo que estava sentindo aflorarem. E lágrimas começaram a cair de seus olhos, fora de seu controle. Gabriel não disse nada - apenas a abraçou de lado, fazendo com que ela encostasse a cabeça em seu ombro. Quando Minna finalmente se recompôs, pediu desculpas a ele.

Gabriel sorriu levemente e, ainda sem dizer uma palavra, deu um beijo rápido na testa de Minna e subiu para seu dormitório.

Andrew, por sua vez, limitava-se a trocar palavras rápidas e educadas com ela no intervalo das aulas. "Previsível", Minna pensou, não duvidando nem por um instante que Olivaras ficaria do lado de Wood. Mas a verdade, que Minna desconhecia, é que Olívio pediu o apoio de Andrew. No mesmo dia em que acordou com ressaca e descobriu que estava namorando, novamente, com Alícia, ele pediu a ajuda do amigo.

- Fiz a maior besteira da minha vida. E agora não sei como resolver - desabafou Wood.

- Que tal terminar de novo com a Alícia?

- Vou ser odiado pelo time inteiro. Pela Grifinória inteira.

- No momento você é odiado pela Minna, pelo Sholk e pelo Gabriel. - Olivaras ponderou - Desde o primeiro ano a opinião deles é mais importante pra nós do que a do time da Grifinória, ou a da Grifinória inteira.

- É diferente, Andrew. Agora eu sou o capitão do time.

- E você vai continuar namorando a Alícia? Mesmo sem gostar dela? Ela é realmente bonita, mas isso é suficiente?

- Eu não posso esquecer do que a Minna fez naquele dia. - Os olhos de Olívio faiscaram. - Ela atacou a Alícia. Ameaçou o time. E quando fui pedir desculpas a ela, ela foi dançar com os sonserinos.

- Meu amigo, acho que você não está lembrando das coisas da forma certa. Você foi pedir desculpas a ela. Ela aceitou. Ela te chamou para dançar. Você e o Gabriel se estranharam e ficaram puxando o cabelo um do outro. Você nem olhou mais para a Minna. E aí sim ela foi dançar com os sonserinos.

- É, Andrew, isso mesmo. Tudo o que eu preciso é ouvir você acabar comigo.

Olivaras deu de ombros.

- Você está acabando com você mesmo.