Capítulo 13
Tradutora: Irene Maceió
"Com 2012 chegando ao fim, é hora de discutir o apoio ao cliente e como podemos fazer melhorias no novo ano. Serviço de reclamações eficiente é, obviamente, o nosso foco contínuo..."
Edward girou o lápis em torno de seus dedos enquanto ouvia seu pai dar o seu tradicional discurso de fim de ano. Ele sorriu quando necessário, acenou com a cabeça quando era apropriado, e fazia comentários quando precisava, mas na maior parte ele sentou-se em silêncio, fingindo ouvir seu pai, enquanto sua mente e coração estavam em outro lugar.
Fazia dois dias que Edward tinha deixado Forks. Dois dias longos e cheios de reclamações de seguros de automóveis (graças à neve e ao gelo) e motoristas insatisfeitos, que queriam seus cheques agora. Engavetamentos eram comuns em dezembro e o clima desta semana tinha transformado motoristas normalmente seguros em completos idiotas. Ele trabalhou em oito arquivos de acidente nesta manhã, e outros dez ou mais estavam esperando por ele em sua mesa.
Essa ia ser uma semana muito longa.
Enquanto Carlisle continuou a falar, Edward olhou em volta para os outros agentes. Alguns dos novatos estavam assistindo e ouvindo Carlisle como se ele fosse o Messias, enquanto os agentes veteranos pareciam precisar de bebidas fortes.
Edward os entendia bem.
Ele olhou para Eleazar Denali, um veterano de trinta anos de empresa, que trabalhava principalmente com os proprietários de restaurantes. O negócio de seguros era tudo o que ele já tinha conhecido, e ele era o melhor. Os novatos aspiravam ser ele, enquanto o resto dos agentes respeitavam-no por seu trabalho duro, mas não invejavam as longas horas que ele dedicava à empresa. Eleazar trabalhava nos fins de semana, feriados, e era o último a sair do escritório toda noite. Para ele, o serviço ao cliente era a sua prioridade, e enquanto isso era ótimo para sua vida profissional, não era segredo que suas relações pessoais tinham sofrido muito. Ele estava agora na esposa número quatro e era de conhecimento comum que esse casamento estava, provavelmente, indo para o mesmo destino dos anteriores. Seus filhos tinham crescido sem pai, e, só hoje, Edward tinha ouvido Eleazar dizer a secretária que ele precisava enviar presentes de Natal para os netos, já que nenhum deles estava voltando para casa nas férias.
Uma semana atrás, essa história não teria importância para Edward, mas hoje, ele não podia evitar, mas se perguntava se Eleazar estava realmente feliz.
Como podia estar?
Quando Edward olhou para seu pai mais uma vez, ele se perguntava como Carlisle tinha mantido o equilíbrio entre trabalho e família. Claro, ele tinha perdido alguns jogos de bola e recitais, mas em sua maior parte, Carlisle tinha sido um pai e marido presente e dedicado. Talvez Esme tivesse sempre o pressionando. Talvez Carlisle fosse apenas dedicado à sua família.
Edward nunca tinha dado muita atenção a essas coisas. Não era por acaso que ele estava pensando sobre isso só agora.
Deixar Bella tinha sido difícil. O desejo de girar seu carro tinha sido tão grande que Edward tinha quase ligado para seu pai para dizer que ele estava estendendo suas férias. Mas Edward também sabia que este era um teste para ambos.
Eles poderiam fazer isso funcionar?
Sua atração por Bella era mais forte do que qualquer coisa que ele já tinha sentido, mas ele não era um idiota. Eles se conheciam há três dias. Um longo fim de semana fantástico. Ele tinha responsabilidades em Seattle. Ele tinha um emprego, um apartamento e compromissos com sua família. Ele não podia ignorar todas essas coisas, a fim de brincar de casinha em Swan Lake.
Sua cabeça entendia tudo isso. Era seu coração que estava tendo problemas para compreender.
Ele sentia falta dela.
Desesperadamente.
E, se a sua chamada telefônica de duas horas na noite passada fosse uma indicação, ela sentia falta dele, também.
A reunião terminou e Edward voltou para seu escritório. Ele não estava surpreso ao encontrar sua irmã em uma de suas cadeiras, olhando através de seu telefone.
"Você perdeu o discurso de fim de ano do papai", disse ele em saudação.
Olhando para cima da tela, Alice deu-lhe um sorriso.
"Quem você acha que escreveu esse discurso?"
Edward riu e sentou-se em sua cadeira. Ele estendeu a mão para o arquivo no topo da pilha e começou a folheá-lo.
"Você pensaria que os motoristas de Seattle saberiam dirigir com um pouco de neve," Edward murmurou quando olhou a reivindicação. Depois de alguns momentos, ele percebeu que sua irmã estava estranhamente quieta, o que o fez desconfiar. Edward olhou para cima para encontrá-la olhando fixamente para ele.
"Há algo em que eu possa ajudá-la, Alice?"
"Conte-me sobre ela."
Edward suspirou e fechou o arquivo, jogando-o de volta para a pilha.
"O nome dela é Bella."
"Eu não preciso do básico. Eu já sei".
"Você sabe?"
Alice acenou com o telefone no ar. "A Internet é uma coisa incrível. Isabella Marie Swan. Dona da Pousada Swan Lake*, uma das maiores pousadas classificadas em Washington. Passada pra ela por seus avós. O nome do pai dela é Charlie..."
*No original "Swan Lake Bed and Breakfast" que significa "Swan Lake Cama e Café da Manhã".
"Ok, então você sabe o básico."
Alice sorriu melancolicamente. "Você realmente gosta dela."
"Eu mais do que gosto dela."
"Sério?"
Ele acenou com a cabeça.
"O quanto mais?"
"Eu provavelmente deveria dizer a ela antes de eu lhe dizer, você não acha?"
Alice suspirou. "Eu acho que sim. Eu suspeitava disso, para ser honesta. Quer dizer, por que mais que você teria me obrigado a passar o fim de semana sozinha com nossos pais?"
"Sinto muito por isso."
"Não, você não sente."
Eles compartilharam um sorriso.
"Eu vou conhecê-la? Quer dizer, eu odiaria que ela pensasse que toda a sua família é rude e desrespeitosa."
"Eu quero que você a conheça, mas o encontro dela com a mamãe e o papai não foi terrível. Eles gostaram dela. É comigo que eles têm problemas, mas vamos trabalhar nisso."
Alice ficou em silêncio enquanto Edward disse a sua irmã sobre a conversa com os pais.
"Você tomou partido! Estou tão orgulhosa de você, Edward."
Ele deu de ombros. "Vamos ver o que acontece, mas estou falando sério. É hora de seguir em frente, e eles podem seguir em frente comigo ou eles podem chafurdar no passado. Estou farto. Pela primeira vez em anos, eu realmente estou ansioso pelo futuro."
"E isso é por causa de Bella."
Edward suspirou e recostou-se na cadeira.
"Eu sou louco, Alice? Eu mal conheço a menina."
"Será que ela te faz feliz?"
"Sim".
"Então, quem se importa se você é louco? A vida é muito curta. Sabemos disso. Você merece ser feliz, Edward. Eu já lhe disse isso, durante anos, mas você não me ouviu."
"Eu ouvi você. Eu só não acreditei em você."
"Você acredita em mim agora?"
"Eu quero acreditar em você agora."
Alice sorriu. "Eu acho que ela é muito boa para você."
Precisando derramar suas entranhas em alguém, Edward disse a sua irmã sobre seu fim de semana. Ela enxugou as lágrimas, quando ele explicou que Bella estava em recuperação, também.
"Uma alma gêmea", Alice disse com um suspiro.
"Eu acho que sim."
"Quando você vai vê-la de novo?"
"Eu já limpei minha agenda para sexta-feira. Pretendo passar o fim de semana com ela na pousada."
Alice ficou pensativa. "Você vai ser capaz de lidar com a distância? É apenas quatro horas, mas alguns dias de intervalo. Você pode lidar com isso?"
"Eu estou lidando com isso agora", disse ele, encolhendo os ombros. "Não é... horrível. Ainda não, de qualquer maneira."
"Mas você sente falta dela."
"Muito."
Alice se levantou de sua cadeira e caminhou ao redor de sua mesa. Edward levantou-se, e sua irmã colocou os braços ao redor dele, abraçando-o com força.
"Eu mal posso esperar para conhecê-la."
Edward beijou o topo do cabelo de sua irmã. "Em breve, eu prometo."
A pousada estava mais fria do que o habitual, levando Bella a ajustar o termostato várias vezes.
O lugar estava muito quieto. Muito vazio.
Muito... solitário.
Suspirando baixinho, ela sentou-se no sofá e olhou para as luzes brilhantes da árvore.
Sua árvore.
Ainda era deles?
Ele só tinha ido há dois dias, e ela já estava tendo dúvidas. Se não fosse por seus telefonemas noturnos, ela se perguntaria se o fim de semana não tinha sido apenas um doce sonho.
Mas ele ligou. Cada noite. E eles conversaram por horas.
Era a melhor parte de seu dia.
Era quarta-feira, e ele estaria aqui na sexta-feira. A partir de agora, não havia reservas para o fim de semana. Exceto a dele. E ela orou para que continuasse assim.
"Você irá à falência se continuar pensando dessa maneira," Bella murmurou para si mesma.
"Pensando de que maneira?"
Ela olhou para cima para encontrar seu pai em pé na porta. Charlie estava segurando uma caixa de pizza. Ela não pôde deixar de sorrir. Nunca tinha ficado tão feliz em ter companhia.
"Você colocou a árvore sem mim", Charlie observou.
"Sim, coloquei. Eu não achei que você se importaria."
"Eu não me importo. Eu odeio que você tenha carregado todas as decorações sozinha."
Bella apenas sorriu e seguiu para a cozinha.
"Eles estavam sem azeitonas verdes", Charlie disse. "Algo sobre o tempo atrasando o caminhão de entrega. Billy prometeu que vai ter azeitonas na próxima semana. Ele te mandou queijo extra no lugar delas."
"Queijo extra é bom." Bella pegou pratos e guardanapos e se juntou a seu pai na ilha. "Como você sabia que eu precisava de companhia?"
"Eu não sabia", disse ele, colocando uma fatia de pizza no prato. "Por quê? O que está acontecendo?"
Ela encolheu os ombros. "Só um pouco solitária hoje."
"O negócio é sempre lento nesta época do ano."
"Sim".
Charlie estava no meio da sua primeira fatia quando ele percebeu que sua filha brincava com a comida.
"Bells?"
"Hmm?"
"Alguma coisa em sua mente?"
Bella suspirou baixinho.
"Pai, você acredita em amor à primeira vista?"
"Não", ele respondeu sem hesitação. "Eu acredito no desejo à primeira vista e, às vezes, o desejo se transforma em amor."
Bella fez uma careta. Isso não era útil.
Charlie parou de mastigar. "Você conheceu alguém."
Ela assentiu com a cabeça lentamente.
"Como? Você estava aqui por todo fim de semana."
"Ele era um hóspede."
"Oh. Bem, isso explica a árvore."
"Sim".
"Decorar uma árvore juntos. Isso é coisa séria, Bella."
Ela sorriu. "Você está tirando sarro de mim?"
"Nem um pouco."
O brilho diferente em seus olhos castanhos assegurou-lhe que ele estava brincando, só um pouco.
"Então, qual é o nome dele?"
"Edward Cullen. Ele é um agente de seguros de Seattle. Sua família é dona do negócio."
"E você acha que está apaixonada por ele?"
"Talvez."
"Hmm".
De repente, ela estava em pânico. "É muito cedo, não é? Eu sei que é o que você vai dizer, e eu sei que você está certo. Na minha cabeça, eu sei que você está certo, mas no meu coração..."
Charlie conteve sua risada. "Acalme-se. Eu disse que era cedo demais? Como eu poderia saber? Eu nem mesmo conheço esse Edmund-"
"Edward".
"Qualquer que seja. A questão é... Eu não posso responder a isso, e eu não acho que você pode, também. Verdade, não pode. Ainda não. Relacionamentos levam tempo. Você o conhece, o quê? Há poucos dias?"
Bella acenou com a cabeça.
"Dê-lhe algum tempo. Quando você vai vê-lo de novo?"
"Este fim de semana."
"Bom. Isso significa que eu posso atender a esse Edwin-"
"Edward. Seu nome é Edward."
"Sinto muito. Acho que seria melhor me esforçar para aprender o nome dele antes deste fim de semana, hein?"
Charlie felizmente voltou para sua pizza enquanto Bella escondeu o rosto entre as mãos.
Nota da Irene: Mais fofuras na nossa manhã de segunda. Obrigado pelo carinho. Amanhã teremos O Treinamento. Espero vcs. =D
