Capítulo 14

Tradutora: Irene Maceió

"Você parece entediado, filho."

Edward acenou com a cabeça e se mexeu na cadeira enquanto bebia seu club soda. Ele sempre odiou a festa de Natal da empresa. A comunhão forçada. O assunto de trabalho obrigatório. A abundância de bebida.

Edward pigarreou. "Como vai você, Eleazar?"

O homem afrouxou a gravata. "Cansado e irritadiço. Desprezo essas pessoas."

Isso não era exatamente notícia. Eleazar raramente estava com vontade de socializar, a menos que fosse com potenciais clientes.

"Você já está na empresa há muitos anos. Poderia tê-la ignorado se quisesse."

"Provavelmente, mas você me conhece, meu filho. Eu gosto de ser um jogador de equipe. Deixa os novatos felizes e mantém Carlisle em minhas costas."

Edward sorriu e olhou para o mar de festeiros. Ele viu sua irmã, vestida com um vestido preto curto, dançando com o marido. Jasper acariciou o rosto de sua esposa, fazendo-a rir.

"Sua irmã parece feliz. Eu me pergunto como seria a sensação de estar tão feliz o tempo todo."

Edward balançou a cabeça. "Eu não sei."

Isso não era inteiramente verdade. Ele tinha conhecido esse tipo de felicidade, por poucos dias, pelo menos.

"Deixe-me dizer uma coisa, filho," Eleazar disse calmamente. "Você ainda é um cara jovem, então deixe-me dar-lhe alguns conselhos. Se você chegar a descobrir esse tipo de felicidade, torne-a sua prioridade. É raro encontrar alguém que possa te fazer sorrir assim. Fui casado quatro vezes, e eu ainda não a encontrei. O mais próximo que eu já a vi foi com meus filhos, que eu raramente vejo, e com os meus netos, que eu não vou nem ver durante as férias. Fiz do trabalho a minha prioridade por muito tempo, e isso me custou caro. Estou feliz no meu trabalho, e ao longo de décadas eu pensei que isso iria me bastar. Mas à medida que envelheço, vejo onde eu errei. A vida é muito curta. Eu não amo o negócio de seguros, mas eu sou bom nisso. Sou respeitado. Tenho clientes fiéis. Mas nada disso importa quando você não tem uma família esperando por você em casa no final do dia." Ele apontou para o bar. "Você vê aquela mulher de vestido vermelho?"

Edward olhou para o bar. "Sua esposa?"

"Minha esposa", ele respondeu com uma risada. "Sim, isso é o que ela é. Você sabe por que ela é a minha mulher? É porque nenhum de nós queria envelhecer sozinho. Eu dou a ela o meu cartão de platina, e ela comparece a esses eventos chatos comigo. Essa é a nossa versão de felicidade conjugal. Funciona para nós, mas não é o ideal, e certamente não é o que sua irmã tem com seu marido. Eu daria qualquer coisa..."

O homem deixou sua voz morrer.

Edward olhou para o colega. Esse é o meu futuro? Casar-me com uma esposa troféu e dedicar a minha vida a um trabalho que eu desprezo?

Foi instintivo, enfiar a mão no bolso e pegar o telefone.

"Você me dá licença, Eleazar?"

Sem esperar por uma resposta, Edward saiu correndo para o ar frio de Seattle. Ele encostou-se à parede de tijolos do edifício, fechando os olhos e dando respirações longas.

Quando abriu os olhos, ele olhou para a cidade ao seu redor.

Táxis. Pessoas. Ruídos. Luzes.

A necessidade de estar longe de tudo isso foi esmagadora.

Ele precisava ouvir a voz dela.

Edward olhou para o telefone na sua mão. Era tarde, provavelmente tarde demais para ligar, mas ele era um homem egoísta.

Um toque de seu dedo era tudo o que tinha, e, em seguida, ele ouviu a voz doce.

"Edward?"

Ele fechou os olhos, saboreando o som de seu nome nos lábios dela.

"Oi, meu amor."

"Como está a festa? Você parece tão cansado."

Ele estava cansado. Cansado de ficar sozinho. Cansado dessa vida insatisfatória.

Mas mais do que cansado, ele estava com medo. Morrendo de medo de que ele fosse se transformar em Eleazar.

"Eu estou bem. Só sinto a sua falta".

O suspiro de Bella era doce e melancólico.

"Eu sinto sua falta também. Amanhã não pode chegar rápido o suficiente."

Amanhã.

Estava muito longe.

Ele era louco. Ele sabia disso. Será que ela ainda o queria?

"Bella, você... Quero dizer, você acharia que eu seria completamente louco se eu..."

Ele balançou a cabeça. Era ridículo.

"Será que eu acharia que você é completamente louco se você entrasse no seu carro e viesse para Forks esta noite?"

"Sim", ele sussurrou. "Você pensaria isso?"

"Talvez um pouco", ela admitiu, "mas então eu seria louca, também, porque eu quero você aqui. Comigo."

Ele engoliu em seco. "Só por hoje à noite?"

"Para sempre."

O sorriso aliviado de Edward esticou em seu rosto.


Nota da Irene: Detalhe... esqueci de colocar uma notinha nessa frase "Só por hoje"... que é uma frase usada no programa de Alcoólatras Anônimos... Só por hoje eu não vou beber.

Beijos meninas, até semana que vem. ;)