2. Divida Quitada
Hogwarts sendo atacada.
Meio impactante, meio sem sentido, mas ele não se importava muito. Não sabia direito o que estava fazendo. Só corria. Não atirava em alunos nem em comensais. O máximo que fazia era se defender e desviar das pilastras que caiam.
Tinha acabado de ser idiotamente salvo pelo idiota do Potter de uma sala idiota que ele mesmo idiotamente incendiara.
Sua auto estima estava lá embaixo.
Não estava raciocinando muito bem e não tinha tempo pra parar pra pensar. Nunca teve tantas dúvidas e pensamentos pairando por sua cabeça. O castelo todo era atingido por feitiços e tudo pegava fogo, explodia, se desintegrava ou morria. Só sabia que não queria entrar em nenhuma dessas categorias.
Embora houvesse pensado que conseguia, Draco não tinha coragem de matar seus colegas de escola. Nem mesmo aqueles com quem não se dava bem. Por Merlin, não conseguira matar nem Dumbledore, que era por quem sentia mais desprezo ali, imagine os outros...
Estava descendo pelas escadas quando viu a menina Weasley.
Correndo, ao longe, estava aquela cabeleira ruiva. Era tão insana que corria sem sequer olhar para trás. Ela tentava ajudar todos que podia. Esforçava-se demais. Seus olhos castanhos preocupados, suas roupas mais gastas e sujas que o comum. Então se abaixou, tentando enfaixar o pulso de uma aluna mais nova.
Por um momento, ele parou de correr para ver aquela cena. Seus olhos cinza avistaram a ruiva ao mesmo tempo em que um comensal, que se escondia entre os escombros. Draco percebeu.
O comensal apontou a varinha para a Weasley.
Prendeu a respiração. Draco sempre fora egoísta, não se preocupava muito com os outros, assim como ninguém se preocupava muito com ele. Exceto sua mãe, é claro. Mas devia algo à Virgínia Weasley.
O rosto da ruiva era iluminado pelos feitiços que cortavam do lado de fora do castelo. Estava tão entretida cuidando daquela pequena corvinal que não notaria nem se Voldemort corresse de vestido na frente dela. Draco avaliou bem se ela valia realmente o esforço de estuporar alguém que ele sabia que ia querer se vingar dele.
Então apontou sua varinha para o comensal e o estuporou.
Foi o primeiro feitiço que lançou contra um comensal em toda sua existência.
Os olhos castanhos dela se arregalaram, quando ouviu o alto barulho atrás de si de um corpo sendo arremessado a uma parede. Olhou para cima das escadas e viu Draco, com o braço segurando a varinha, ainda trêmulo. Suas sobrancelhas se arquearam, compreendendo. Largou os braços ao lado do corpo e apertou os lábios, olhando para ele.
Uma lágrima grossa rolou por sua bochecha sardenta.
A garota com o pulso enfaixado agradeceu baixinho e saiu correndo. Draco desceu os degraus que os distanciavam ainda meio tonto, meio sem saber exatamente o que estava fazendo, e parou ao lado dela, olhando-a, sem saber direito o que dizer. A pequena Weasley tremia.
"Por que fez isso?"
A voz fina e falha de Virgínia perguntou, olhando-o sem compreender direito o que estava acontecendo. Draco olhou para ela, assustado. Quis dizer que não sabia. Quis perguntar se ela preferia ter sido morta. Quis dizer que não era da conta dela. Mas não conseguiu. Os olhos castanhos e úmidos da Weasley exigiam mais dele do que a simples grosseria de sempre.
"Estava te devendo, Weasley. E não há nada pior que dever para os pobres."
Gina ficou olhando pra ele, incrédula. Ele soltou um sorriso de canto e estendeu a mão para que ela se apoiasse e levantasse. A ruiva passou o olhar da mão oferecida para o rosto do Malfoy cerca de cinco vezes, antes de conseguir formular uma frase.
"Não vai sair correndo de nojo se eu aceitar?"
"Dividi uma vassoura com o Potter há pouco. Isso não pode ser pior."
Ela contornou a mão dele com os dedos finos enquanto Draco bufava. Os olhos cinzentos dele voltaram-se para a mão dela. Era quente. E tinha sardas também. Por algum motivo, achou isso incrível.
A ruiva apertou os dedos na mão dele quando a puxou para cima, fazendo-a ficar de pé a sua frente. Encararam-se por um tempo. Gina jamais imaginava que Draco se lembraria do que ela havia feito por ele na floresta, no outro ano. Muito menos que ele lhe seria grato por aquilo a ponto de salvar sua vida. Desde quando se importava? Deveria era estar sentado, comendo pipoca e vendo Hogwarts se desintegrar. Essa sim era uma atitude que poderia vir dele facilmente.
"De qualquer forma, obrigada Malfoy."
Draco ficou encarando Gina por algum tempo mais. Não sabia ao certo o que fazer, pra onde ir, quem estuporar e outras questões básicas em uma situação como aquela. Além do fato de que aquela ruiva insana não sabia se cuidar direito, se preocupando mais com os outros que com ela mesma, e ele não queria que ela acabasse morta. Não soltou os dedos dos dela, nem mesmo quando ela puxou a mão de volta, delicadamente. Os olhos castanhos tomaram uma forma de incompreensão e ele suspirou.
"Weasley, posso me juntar a você?"
Surpresa. Gina recuou um passo, com os olhos arregalados. Draco quase riu da expressão de susto que ela assumiu.
"Não está tentando me matar, está? Por que eu vou... Vou assombrar você se me matar."
Draco suspirou. Não podia contar para a Weasley todas suas dúvidas, questionamentos e indecisões dos últimos dois anos. Soltou a mão da dela e bagunçou os cabelos, sem saber o que fazer. Arrependeu-se de ter feito aquela pergunta.
"Tem razão, Weasley, foi uma má idéia..."
E começou a subir os degraus, deixando uma Gina assustada e indecisa, olhando para ele e para a própria mão repetidas vezes. Então ela correu atrás dele, chamando-o. Draco virou-se na direção dela e a pequena Weasley olhou fundo em seus olhos cinzentos por uma fração de segundo. A ruiva não lhe pediu qualquer explicação, apenas o puxou pelo antebraço. Pelo pouco que o conhecia, dava pra ver o quão confuso ele estava.
"Tente só nos defender, está bem? Eu estou tentando ajudar algumas pessoas..."
Draco a interrompeu.
"Por que está fazendo isso, Weasley? Quero dizer, nenhuma dessas pessoas te ajudaria, certo? Não devia só correr por sua vida, como todo mundo?"
Gina parou de correr bruscamente e olhou fundo nos olhos dele mais uma vez, só que por mais tempo que uma fração de segundo. Draco fez o mesmo, encarando seus orbes chocolate, tentando fazer com que ela pensasse um pouco mais racionalmente.
"Eu já ajudei alguém que nunca pensei que me ajudaria e estou viva agora por causa disso."
Sem mais questionamentos, Draco seguiu a ruiva e ajudou como pôde, por todo o tempo que ela permaneceu no castelo, tentando ajudar feridos.
Xxx
Bom, eu resolvi postar logo o segundo capítulo... Por que sim hahahaha
Imaginei essa situação quando vi o Draco todo sujo e descabelado do lado de fora do castelo, no fim do último filme e talz. Podia ter acontecido, vai hahaha
Anyway, queria agradecer as 34 almas que vieram aqui, leram e não comentaram, porque... Bom, vocês leram. Obrigada por ler.
Anne Marie Le Clair– Gostaria muito de agradecer pelo seu comentário, de verdade. Obrigada por ler e se dar ao trabalho de comentar. Prometo postar a fic até o final, e estou tentando manter algo próximo das personalidades deles... Por favor, continue opinando, é muito importante pra mim *-* obrigada por acompanhar.
Não vou agendar uma data pra postar por que... Não. Mas algo entre uma ou duas semanas de intervalo acho o suficiente.
Obrigada a todos que leram e, por favor, comentem. Sério, é importante.
Até mais ;)
