8. Tédio

De repente, a mansão Malfoy se tornou muito grande.

Draco não pôde ver Gina aquele dia, por que era aniversário de Ronald, o irmão Weasley mais irritante que ela tinha. Por isso, ficou n'A Toca com aquela família ruiva e enorme, enquanto ele perambulava sozinho pela mansão. Na verdade, fazia mais de duas semanas que não a via.

Gina estava com medo de ser pega pelos irmãos, então resolveu se distanciar por um tempinho. Disse que mandaria uma mensagem para ele quando fosse seguro vê-lo. Desde então, só tinha notícias dela graças aquela coisa desastrada e feia que ela chamava de coruja.

Draco estava cansado daquela mansão. Seus pais não moravam mais com ele já havia um tempo, na verdade desde que Lucius e Narcisa fugiram sabe Merlin para onde, com medo de serem presos e mortos de vergonha do filho. Mas como sempre gostara de espaço, não se importou em ficar com a mansão. Agora era meio entediante. Foi quando decidiu vendê-la e comprar um apartamento mais próximo do ministério. Além de viver vazia, a mansão Malfoy consumia muito investimento para manter-se sempre conservada.

Estava se jogando no sofá, entediado, quando ouviu o barulho de alguém aparatando. Arregalou os olhos, sacou a varinha e foi na direção do som. Desceu as escadas e, quando chegou à cozinha, lá estava Blaise atacando a jarra de suco de abóbora que estava na geladeira. Draco suspirou, aliviado.

"Que diabos faz aqui, Blaise? Quer me matar?"

Blaise sorriu e ergueu as mãos, ainda segurando a jarra de suco.

"Também senti sua falta, ingrato. Aparatei aqui duas vezes esse mês e você não estava. Comecei a atacar sua geladeira."

Draco girou os olhos e bufou.

"Eu estava meio ocupado."

Blaise sorriu e colocou a jarra sobre a mesa, aproximando-se de Draco com um sorriso travesso. O Malfoy ergueu uma das sobrancelhas e deu um passo para trás.

"Com o que estava ocupado?"

Draco cruzou os braços e ficou olhando seriamente para Blaise, enquanto se escorava ao batente da porta.

"Desde quando eu te dou satisfações?"

Blaise bufou e olhou para Draco mais uma vez. Apertou os olhos e sorriu de canto.

"É alguma menina, não é?"

Draco riu com desdém.

"Blaise, você veio até a minha casa só pra tomar suco de abóbora e me irritar, ou tinha algum propósito relevante?"

Blaise sentou-se em uma das doze cadeiras que rodeavam a mesa de jantar e colocou os pés sobre ela. Draco apenas observou, sem saber direito que maldição escolhia para lançar nele.

"Só estava preocupado. Você nunca some assim, não por tanto tempo. Há meses que não nos vemos, só quis saber se estava tudo bem, tudo certo, ou se alguém já tinha te matado... Ou se você havia matado alguém no ministério daquele setor abominável e estava em Azkaban."

Draco deu um meio sorriso. Estava abrindo a boca para responder, quando ouviu uma bruta pancada na janela da sala. Sacou a varinha mais uma vez e olhou para Blaise.

"Se eu chegar lá na sala e der de cara com alguma coisa que você aprontou, juro que amaldiçôo você."

Blaise olhou para ele assustado e correu junto com Draco para a sala. Os dois fizeram uma entrada triunfal, cada um com sua varinha em punho, quando viram que não havia ninguém. Os olhos cinza do loiro percorreram pela sala, em busca de alguma coisa diferente. Nada.

"Mas que merda...?"

Foi quando viu, pulando meio zonza para o parapeito da janela, aquela coruja marrom e problemática de Gina, com um pedacinho de pergaminho no bico. Ele se aproximou da coruja e tirou o pergaminho dela, lendo a letra pequena e redonda da ruiva:

"Queria te ver amanhã. Estou com saudades.

Ginny W."

Não conseguiu evitar que um meio sorriso escapasse por seus lábios. Quando deu por conta, Blaise arrancava o pergaminho de sua mão e corria, enquanto lia. Draco olhou para a cena sem reação, e logo começou a correr atrás do amigo.

"Blaise! Blaise, volta aqui!"

Não precisou correr muito. Quando Blaise terminou de ler, ficou tão assustado que parecia congelado. Olhou do pergaminho para Draco umas dez vezes, com os olhos assustadoramente arregalados.

"Sem chance..."

Draco tomou o pergaminho das mãos de Blaise e olhou para ele com muita, muita raiva.

"Quem deu a você o direito..."

"Draco Malfoy e a Weasley sete. Não, é demais pra mim..."

O moreno estava tão absurdamente assustado com tudo aquilo que se escorou na parede, olhando incrédulo para o nada. Draco quase achou aquilo engraçado.

"Draco, o que você está esperando para desmentir isso e... E me dizer que é outra Ginny? Que não é a Weasley. Por que você ainda não fez isso?!"

Draco ergueu os ombros.

"Por que é ela, Blaise."

Blaise bateu com a mão na testa.

"Oh Merlin, Merlin, Merlin... Draco Malfoy enlouqueceu."

O loiro girou os olhos e ficou olhando para Blaise, enquanto ele dramatizava a situação de uma maneira que só ele sabia.

"Eu não estou louco, Zabini..."

"Claro que está! Quando, na face da Terra, você iria sumir e abandonar seu melhor amigo, seu companheiro, por causa de uma coelha cabeça de fósforo?"

Draco suspirou e massageou as têmporas.

"Ao menos diga há quanto tempo faz essa... Essa... Essa traição."

Draco apertou os olhos e franziu a sobrancelha. Ficou olhando por um segundo a expressão engraçada de Zabini, analisando se deveria ou não lançar um feitiço e apagar a memória dele.

"Traição?"

"Sim, Draco, traição. E das grandes!"

Blaise começou a andar em círculos, sacudindo as mãos ao lado da cabeça.

"Tudo bem você enlouquecer, tudo bem você ficar atrás da Weasley, mas não contar isso pra mim, Draco? Fere meus sentimentos!"

O moreno colocou a mão no peito, sobre o coração, fazendo feições de quem sentia muita, muita dor. Draco suspirou.

"Olha, só me prometa que não vai contar pra ninguém."

Zabini estreitou os olhos e ficou olhando para Draco por algum tempo. O loiro nem se deu ao trabalho de imaginar que tipo de anormalidades ele estava pensando, mas confiava nele. Blaise nunca lhe dera motivos para desconfiar, nunca contara a ninguém o que sabia, e olha que ele sabia muita coisa...

"Por que não quer assumir a pobre coitada da Weasley, Malfoy? Ela não é de se jogar fora."

"Não seja idiota. Não é isso. Só que ainda não é hora, os cinco irmãos cabeçudos dela não podem saber ainda, por que... Bem, eu gosto da minha vida."

Blaise suspirou e fez que sim com a cabeça. Parecia, finalmente, estar mais calmo, mas ainda olhava para Draco como se tivesse levado um choque na tomada. Estava elétrico e doido para saber de tudo. Nesse sentido, Zabini parecia uma menina. Como gostava de uma fofoca...

"Prometo não falar pra ninguém. Juro solenemente. Mas agora você vai ter que me contar direito essa história."

Draco Respirou fundo e começou a falar. Conversou com Blaise contando desde Hogwarts até o presente momento. Não entrou muito em detalhes, mas os fatos da escola eram importantes... Contou também que pretendia vender a casa, e Zabini se ofereceu para dividir o apartamento com ele.

Blaise já estava prestes a aparatar da mansão, quando chamou Draco uma última vez. O loiro olhou para ele com cara de poucos amigos e o moreno sorriu.

"Ela não tem uma amiga?"

E aparatou.

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Capítulo 9 na sequência.