17. Prova de Fogo IV
Foi mais fácil que da primeira vez, tinha que admitir.
Embora os irmãos de Gina ainda o encarassem com a cara amarrada, nenhum deles começou a gritar quando ele chegou, se sentou no sofá e nem quando ficou olhando desconfiado para um bebê ruivo, no colo da Fleur.
Ainda estava longe de dar meia noite e todos os Weasley circulavam pela casa tagarelando.
Pra variar, Potter e Granger estavam lá.
Draco tentou não prestar muita atenção nos Weasley, nem no Potter, nem na Granger e ficou só olhando pra Gina.
Ela estava conversando com Hermione enquanto segurava uma bandeja com cookies que a Sra. Weasley acabara de tirar do forno. E, para Draco, ela estava linda com aquela blusa de lã nova, que ele lhe dera. Usava uma calça de lã e suas velhas botas de camurça. O cabelo ruivo solto. E notou que ela sorria delicadamente enquanto conversava.
Não podia negar que a Toca era um lugar confortável e aconchegante.
Suspirou, relaxando um pouco no sofá, enquanto ficava observando Gina. Foi quando um dos irmãos dela sentou ao lado dele.
Era Jorge.
Draco olhou para ele sem muito interesse e voltou a olhar para a ruiva, quando o Weasley falou.
"Ok, Malfoy. Nós podemos tolerar você aqui algumas vezes no ano. Mas se você fizer alguma coisa à minha irmã, nós vamos esmagar essa sua cara feia, está certo?"
Draco sacudiu os ombros e assentiu, sem tirar os olhos dela.
"É mais fácil Virgínia fazer alguma coisa comigo..."
"Concordo."
Jorge deu um meio sorriso que Draco não viu e se levantou. Logo em seguida Gina sentou-se ao lado dele e lhe ofereceu um dos cookies que carregava. Ele aceitou e a ruiva sorriu, beijando de leve a bochecha dele.
Ficaram ali quietos por um tempo, até Gina sorrir pra ele e lhe olhar nos olhos.
Draco sempre se perdia no castanho dos olhos de Gina quando ela o olhava daquela forma.
"Obrigada por estar aqui hoje. E por tentar. Está... Sendo muito importante pra mim."
Draco sorriu de canto e suspirou.
"Eu sei."
Gina ergueu a mão e fez carinho na bochecha dele por alguns minutos, antes de dizer.
"Eu te amo, Draco. Desse jeito torto, meio errado, mas te amo."
E Draco sorriu.
"Mesmo sendo má comigo e me fazendo arriscar o pescoço aqui... Eu amo você, Virgínia."
Gina corou e riu, contente, deitando um pouco no ombro dele.
Foi a primeira vez que ele disse que a amava, sabendo que ela ouvia.
Passou o braço pelos ombros dela e suspirou baixinho. Deixou que Gina sentisse pouco a pouco, em mais de um ano, como ele aprendera a amá-la e como precisava dela em sua vida. Como a Weasley lhe fazia sentir vivo e capaz de qualquer coisa. Mas não tinha absoluta certeza se Virgínia sabia ou não.
Definitivamente Draco não era bom com palavras.
Nunca saberia dizer isso a ela.
Quando a viu aninhar-se em seu ombro, assim que disse a ela que a amava, teve certeza que ela sabia.
E que sabia muito bem.
Draco então apoiou o queixo na cabeça dela e se permitiu imaginar assim para o resto da vida.
Com Gina aninhada nele, suspirando baixinho em seu ombro, começou a lembrar da primeira vez que teve contato com a Weasley, quando eram apenas crianças. Como seus olhos castanhos continuavam infantis e como suas sardas ainda eram chamativas em sua pele e ao redor do nariz.
Pensou quando encontraram-se na floresta proibida. Nos olhos acuados de Gina segurando a varinha após bradar um feitiço para lhe salvar. Em sua aparência de menina, seus cabelos ruivos chamativos...
Lembrou-se de quando salvou-lhe a vida no castelo, enquanto ela bancava a guerrilheira salvando gregos e troianos que nem mereciam sua atenção. Em como ela lhe foi grata e na mão estendida em sua direção.
Ao menos Draco tinha um motivo para ser grato aos comensais e a todo estrago que eles fizeram não só em Hogwarts, mas em todo mundo mágico. Se não fosse por eles, talvez não tivesse se aproximado de Virgínia no colégio. Talvez tudo tivesse passado diante de seus olhos e a vida continuasse a se arrastar, como costumava ser antes que ela chegasse.
Pensou em como começaram a se ver e a sair, e em como ainda via Gina como uma criança bem nervosinha, que tinha um pouquinho mais de paciência que os irmãos, mas uma tonelada a menos que uma pessoa normal.
Lembrou-se dos beijos, dos abraços, da implicância e do sorriso que ela lhe deu quando Draco confirmou que ia lhe acompanhar no Natal.
E decidiu que mesmo que tivesse que enfrentar aquela família enorme em todos os natais, jamais deixaria Virgínia Weasley. Por que, mesmo em uma situação como aquelas, conseguia se sentir feliz só pelo fato de estar com ela.
Jamais deixaria os olhos castanhos de Gina.
Assim como Gina jamais deixaria os olhos cinzentos de Draco.
Por que também precisava dele. Mesmo com seus comentários malvados, a acidez e a insensibilidade que ele passava, Gina não tinha dúvidas que ninguém jamais a amaria como ele. Ninguém teria um encaixe tão perfeito ao entrelaçar os dedos como ele tinha. Ninguém jamais ia mexer com a cabeça dela daquela forma.
Mesmo que Draco não falasse toda hora, não fosse a pessoa mais romântica do mundo e nem ficasse lhe tecendo elogios o tempo todo, ela sentia que ele a amava demais.
Amava de verdade, sem frescura, sem mentiras nem rodeios.
E no fundo, era só isso que importava.
# end
Recebi um comentário muito fofo essa semana e lembrei dessa fic hahahahaha sorry :P O final não foi tipo... Gina grávida, ou casamento, nem nada assim, pq não acho que Draco a pediria assim tão rápido :) Quem sabe, mais pra frente, eu faça uma em que ele peça XD
Obrigada a todos que leram e comentaram. Eu adorei escrever essa fic e postá-la foi divertido. Mesmo quando vocês me abandonavam aqui, sozinha, solitária... hahahaha
Ano que vem eu prometo escrever uma nova se vocês prometerem me acompanhar :)
Beijos.
