Eu ainda era capaz de lembrar claramente de como tudo começou. Como minha derrocada teve início e de como você era o culpado por tudo. Por todas as minhas lágrimas, minhas noites de insônia, e principalmente, pela minha situação atual.

Como você pôde me abandonar depois de todos aqueles anos? Depois de todos os momentos que compartilhamos, todas nossas descobertas, toda a felicidade que vivemos juntos... somente alguém sem coração poderia abrir mão de tudo isso por uma vadia qualquer.

E é por isso que na manhã de hoje eu passei naquela floricultura. É por isso que estou aqui, dentro de um carro que sequer é meu. Com um buquê de rosas vermelhas, binóculos e uma faca jogados no banco do carona. Por isso estou do lado de fora da sua casa, esperando o momento certo para entrar pela sua sala e arrancar seu coração de dentro do seu peito. Você não precisa dele mesmo, ele não serve pra nada, já que a única coisa apaixonada dentro dessa casa é o seu pau por ela. Talvez eu tire isso de você também.

Eu nunca vou te perdoar por me fazer vivenciar essa humilhação. Eu tentei, de todas as maneiras, seguir em frente depois da sua traição. Meu psicólogo disse que eu precisava lidar com minha nova realidade, que você já não me queria por perto, mas eu não posso aceitar. Não posso permitir que você seja feliz enquanto eu esteja sendo encaminhada para a porra de um psiquiatra, só por falar que preferia ver você morto do que com outra pessoa.

Eles acham que eu sou maluca, mas é só como eu me sinto.

Sua queridinha está virando a esquina. Andando calmamente como se não fosse a porra de uma destruidora de lares. Eu tinha que admitir, ela era linda. Vagabunda, cretina! Fingiu ser minha amiga enquanto fodia com você pelas minhas costas e agora está morando nessa rua calma, cheia de árvores e flores, com uma vizinhança aparentemente agradável e nessa casa magnífica. Dois andares, quintal, jardim, garagem. Inacreditável.

Ela cumprimentou seu vizinho quando passou por ele enquanto ele tirava o carro da garagem. Talvez ela esteja transando com ele também. Isso seria ótimo. Aliás, também é ótimo que ele tenha saído, não quero que escutem o que faremos essa noite. Não quero que te ajudem. Talvez eu deixe você por último, só pra descobrir o quanto você gosta dela ou não. Acho que vou deixar você escolher entre ela ou você. Entre ela ou sua vida. Entre sua vida e nós. Espero que você tenha discernimento para fazer as escolhas corretas.

Você não se lembra mais? De como você sorriu para mim no primeiro dia que nos encontramos? De como nós nos escolhemos para fazer um trabalho em dupla? De como nos beijamos perdidamente naquela tarde na minha casa, e de como nos apaixonamos perdidamente depois disso? Não importa, eu lembro. Não sou capaz de te esquecer.

E também não esqueço de como essa lambisgoia tentava nos separar desde essa época. Aliás, desde antes de namorarmos. Ela sabia que eu tinha uma quedinha por você, e decidiu ter também apenas para me provocar. Decidiu se tornar amiga de você e do meu primo para que eu me sentisse mal e vocês me isolassem. Eu te falava, te avisava sobre as verdadeiras intenções dela e você nunca acreditou em mim. Nem o inútil do meu primo acreditou. Vocês sempre me trataram como se eu fosse louca.

Bom, acredito que a partir de hoje, mais pessoas terão essa impressão sobre mim, o que é uma injustiça! Ninguém nunca tentou me entender, ouvir meu lado, e por conta de decisões drásticas – eu sei –, eu serei julgada por pessoas que jamais saberão da incontestável verdade sobre nós: precisamos ficar juntos. Nascemos para isso e não posso deixar que tirem esse destino de mim.

Vou provar que meus sentimentos por você sempre foram reais, que meu desejo sempre foi real. E eu desejo você para mim.

Acho que ela conseguiu o que sempre quis, afinal. Ela sempre te quis, e agora você está com ela. Ela sempre quis me fazer mal, e adivinha, agora estou no fundo do poço por causa dela. Por ela ter tirado você de mim, e por ter me enganado. Quando pensei que havíamos nos resolvido, descobri por acaso a apunhalada que recebi de vocês.

Pra ser sincera, eu já estava desconfiada. Você estava me evitando já fazia algum tempo, e percebi que estava ainda mais próximo dela do que de costume. Mesmo após a formatura, vocês continuaram se encontrando e eu não conseguia entender isso. Eu te questionava sobre essa proximidade e você apenas dizia que eram amigos há anos e se gostavam. Bom, devem se gostar mesmo, pra decidirem transar num dos quartos da casa do meu primo durante uma festa em que eu também estava presente!

Naquela noite, vocês não fuderam só entre vocês, mas também fuderam com a minha vida! Passar o final da adolescência namorando alguém pra depois ser trocada dessa maneira é pra acabar com a autoestima de qualquer um. Inclusive, eu fiquei pensando, será que havia sido a primeira vez? Será que já haviam praticado essa baixaria outras vezes? Fui corneada por anos?

Porra, ela sequer teve coragem de admitir quando fui questioná-la sobre todas essas dúvidas. Quando perguntei pra ela, no dia seguinte, por qual motivo ela havia escolhido fazer isso comigo, com nós, ela não foi capaz de me responder adequadamente. Apenas disse pra eu cuidar da minha própria vida ou algo do tipo. É mole? Eu a chamei para conversar numa doceria que eu sabia que ela gostava, porque sempre via vocês com meu primo nela, e ela ainda me tratou dessa maneira.

É com esse tipo de pessoa que você escolheu ficar. Com essa escória sem educação que não respeita qualquer tipo de norma social, tipo não ajudar que o namorado de sua nova amiga a traia. Tipo não ser a porra da amante. Tipo não ser a porra de uma mentirosa que não assume os próprios erros.

Tentei falar com meus amigos, os que restaram, já que até isso vocês tiraram de mim. Falei tudo o que estava sentindo e pensando, que era inaceitável as pessoas próximas agirem com naturalidade perto de vocês, sabendo tudo o que me causaram. Os dois panacas ficaram me olhando assustados, como se eu não tivesse direito ou motivo para ter tanto rancor.

Desabafei também com meu primo, aquele frígido imbecil que é incapaz de me defender. Se ele desse valor para nossos laços sanguíneos, ele não viveria grudado com vocês. O trio de merda. Sempre juntos contra mim. Ele também me disse que eu estava exagerando e que eu deveria procurar ajuda, já que, segundo ele, minha obsessão por você havia passado dos limites.

É assim que chamam o amor agora? "Obsessão"? Que seja.

Sendo um voto vencido, procurei a merda de um psicólogo, pra ver se pelo menos pagando a hora, alguém me daria razão. Infelizmente a vida não é fácil para mim, e nunca foi, já que nem com dinheiro envolvido ficaram do meu lado. O maldito não falou nada de útil, só repetiu besteiras que outras pessoas já haviam me falado. Decidiu questionar minha sanidade junto com o merda do psiquiatra. Tentaram de dopar, você acredita nisso? Mas eu não deixei. Não permiti que me fizessem acreditar que eu era louca apenas por me permitir sentir o que eu sentia. O que eu sinto.

Por sua culpa, acham que eu sou louca. Você me deve ao menos desculpas por ter ajudado nesse processo, não acha?! Porque eu acho.

Eu tentei até mesmo falar com você novamente, para entender o que havia acontecido de fato entre nós. Te parei no meio de um corredor movimentado da faculdade, os alunos andando apressados a nossa volta não me impediu de tentar lutar por você mais um pouco. Você pareceu confuso, eu lembro, principalmente quando segurei seu braço e não deixei que você se afastasse novamente. Gritei que te amava e que não ia abrir mão de você. Várias pessoas pararam o que estavam fazendo para nos encarar e viram quando você me dispensou novamente, dizendo que eu havia passado dos limites com essa história. Mais uma pessoa me dizendo isso.

Tiveram que me separar de você pois eu não queria te soltar, não queria deixar você escapar por entre meus dedos novamente. Sei que te machuquei quando arranhei seus braços e disse que você não seria de mais ninguém, mas você acha que foi justo acionar a coordenação e reitoria da faculdade contra mim? Será que não foi demais você me denunciar na delegacia e pedir uma medida protetiva contra mim? Você não pensou no que me isso acarretaria? E depois eu que exagerava! Que irônico, não acha? Principalmente por você nem saber de tudo o que eu vinha fazendo nos últimos tempos. Então, você realmente não tinha motivos para tomar essas decisões, apenas por conta de um grito e um arranhão. Fala se isso não é injusto?!

Aliás, toda vez que eu tive que presenciar vocês indo pra faculdade juntos, comendo juntos e viajando juntos um pedaço de mim morria. Você pareceu ter se tornado sádico, pois adorava me torturar com suas fotos sorrindo ao lado dela sendo postadas nas suas redes sociais. E eu, é claro, só conseguia acompanhar essa aberração que vocês chamavam de namoro pelo perfil do meu primo. Já que ela me bloqueou e te convenceu a fazer isso também, tive que descobrir a senha dele contra a minha vontade.

Eu, por mim, jamais faria isso, você sabe. Você me conhece! Mas você também me obrigou. Eu precisava saber o que estava acontecendo para poder tomar minhas decisões, tentar encontrar uma maneira de me aproximar de você novamente. Tentar reconstruir nossa história juntos.

Mas ir morar com ela em outra cidade? Sério? Você quer esfregar na minha cara que ela vai ter a vida que deveria ser minha? Isso já é demais, e agora eu não serei a única a morrer.

Desbloqueei o celular e olhei para as fotos que eu havia printado anteriormente. Você. Você e ela. Você de novo. Você e meu primo. Vocês três numa praia. Ela. Ela com meu primo. Você e ela de novo, e de novo, e de novo. Senti quando uma lágrima escorreu pelo meu rosto e rapidamente a enxuguei, não daria mais esse gostinho para você. Nunca mais!

Vi pela janela você receber de bom grado o corpo dela contra o seu quando ela se jogou em cima de você no sofá. Vi vocês se abraçarem e se beijarem com entusiasmo. Vi quando suas mãos seguraram a cintura dela com força, pressionando-a contra você. Minha vontade era de atravessar as paredes dessa casa com esse maldito carro, passar por cima de vocês e dar ré só pra ter certeza de que o serviço seria bem feito.

Suas bocas se separaram e você a questionou sobre algo, pude ver pelos meus binóculos. O sorriso dela cresceu e você a mordeu no queixo, descendo seus lábios pelo pescoço dela, até morder ali também. Que ódio! Por que você está fazendo isso comigo? Você realmente não pensa em mim?

Perdi o controle e dei um murro no volante, o que fez a buzina tocar bem alto. Vocês se assustaram, olharam pela janela mas não viram nada nem ninguém diferente do comum. A sombra que essa árvore proporcionava era muito boa para mim, e eu também precisava agradecer ao vidro escuro do carro. Ela tentou se levantar, provavelmente para fechar as cortinas, mas você não deixou. Sentou rapidamente no sofá e a puxou de volta para seu colo, segurando-a pelo quadril e derrubando várias almofadas no chão no processo. Ela apontou para trás, mas seus lábios se mexeram para respondê-la e ela cedeu, beijando-o com vigor em seguida.

Bom, nisso eu não podia culpá-la, você também causaria esse efeito em mim. Mas eu podia sim odiá-la por se esfregar contra você, por você tirar a blusa dela com tanto desespero como se o mundo fosse acabar a qualquer momento. E ia. Para vocês. Principalmente porque senti um aperto no peito ao ver você tocá-la de uma maneira que nunca me tocou.

Também estou vendo uma das malditas mãos puxar seu cabelo para trás para poder te olhar nos olhos enquanto com a outra mão ela tenta abrir o zíper da sua calça. Você riu de um jeito diferente, ajudando-a no que ela tanto queria. Você deve ter ficado impaciente, já que num rompante tirou a própria camisa e beijou um dos seios dela enquanto abraçava a cintura esguia.

Ela segurou no seu pau com tanta vontade, fez movimentos firmes e rápidos para cima e para baixo com tanta afinidade... você parecia gostar, principalmente quando ela circulava o dedão na glande para, pelo o que parece, espalhar seu pré-gozo por toda a extensão. Você está me machucando. Mas não pareceu machucá-la quando afastou a calcinha e shorts dela para o lado e enfiou-se dentro dela de uma vez.

O sorriso genuíno que estampou seu rosto quando o corpo dela começou a se mover de maneira constante sobre você está me fazendo achar que você realmente a ama, e isso eu não posso aceitar.

Eu sei que sou capaz de permitir que você volte para mim, posso esquecer todo esse show que você decidiu fazer agorinha na sala da sua casa só pra me provocar, todas as denúncias, absolutamente tudo, caso você se arrependa. Mas, ainda assim, vocês precisam pagar de alguma forma pelo o que estão me causando.

Fechei a porta do carro com força, mas isso vocês não devem ter escutado, já que estão tão ocupados no momento. Segurei com força o único objeto que teve a decência de me ouvir nos últimos anos numa mão e o cabo da faca na outra enquanto minhas pernas caminhavam tranquilamente na direção da porta da sua casa, decidida a dar um fim a tudo isso. A você, a ela, a mim. Sei das consequências da minha escolha, e prefiro arcar com elas do que continuar minha vida sabendo que você também continuou a sua, mas com outra pessoa.

Você, Sasuke, está em débito comigo, e eu vim cobrar.