2. You gave it away
Now I know what a fool I've been
Agora eu sei que tenho sido uma boba
But if you kissed me now
Mas se você me beijasse agora,
I know you'd fool me again
Eu sei que você me faria de boba de novo.
25 de dezembro de 2014 01:56 pm
— Toc toc? – Alice falou timidamente, abrindo a porta da minha casa. Eu suspirei e apontei o sofá com a cabeça, incitando-a a sentar ao meu lado. – Tudo bem?
Suspirei novamente e balancei a cabeça. Ela me abraçou de lado com carinho.
— Eu ainda lembro do cheiro dele. – murmurei.
Alice, que exercia o posto de minha melhor amiga desde que eu me lembro de existir, suspirou também, sabendo exatamente de quem eu estava falando.
— A voz dele... O sorriso dele... Eu sou muito boba, não é mesmo?
Ela não respondeu, só continuou abraçada comigo por mais alguns minutos.
— Posso fazer o seu cabelo? – pediu suavemente. Assenti em seu ombro e ela riu, animada.
Nós estávamos entretidas em fofocas e risinhos, exatamente do jeito que eu não queria, quando a campainha tocou. Eu ri para Alice.
— Olha só, parece que alguém finalmente descobriu que eu tenho esse mecanismo super avançado na minha casa! – brinquei, porque ninguém nunca tocava minha campainha, todos os meus amigos já iam entrando.
Dei uma corridinha até a porta e a abri, pronta para brincar com quem quer que fosse, mas meu sorriso caiu, e, juro por Deus, meu estômago revirou.
— Bella... – ele falou, e eu só o encarei. Pisquei duas vezes, e então, quando ele abriu a boca de novo para falar, eu dei um passo atrás e bati a porta na cara dele.
Alice olhou pra mim de cima da escada, confusa com minha atitude. Eu nem tive tempo pra pensar sobre o fato de que eu estava com o cabelo meio preso com grampos e vestindo um roupão por cima da roupa de baixo: não. Nada disso me aterrorizava tanto quanto quem estava do outro lado da minha porta.
— Quem era? – perguntou, cheia de curiosidade e indo até o batente da porta para espiar. Não precisei dizer nada. Ela viu por si mesma aquele homem lindo passando a mão pelo cabelo nervosamente antes de tocar a campainha mais uma vez. – Oh santo Deus, é ele?
Assenti, sem ter certeza se conseguiria falar alguma coisa.
— Posso abrir a porta? – pediu, quicando.
— NÃO! – gritei, chocada. E então me senti meio nauseada. – Faça qualquer coisa, mas não abra essa porta. Fala pra ele ir embora. Diz que eu... estou com diarréia. Qualquer coisa. Mas mande-o pra longe daqui.
— Bella, qual é o seu problema? – perguntou Alice, desacreditando.
QUAL É O MEU PROBLEMA? Essa é uma boa pergunta.
— Você passou um ano esperando que ele aparecesse! – gritou, e eu me encolhi, porque ele provavelmente podia ouvir através da porta.
— Exato. Um ano inteiro. E ele aparece do nada, hoje? – falei, nervosa. Ela respirou fundo e abriu a boca para retrucar, mas eu levantei a mão, impedindo-a. – Não.
— Certo. Eu vou ao menos dizer a ele para ir embora.
— Okay. Eu vou... eu vou pro meu quarto. – gaguejei, dando meia volta e saindo correndo.
QUAL É O MEU PROBLEMA?
25 de dezembro de 2013 11:39 pm
Ele era muito mais do que lindo. Edward Cullen era um deus grego. E a voz dele... eu poderia gravar e ouvir sem parar. Há quanto tempo estávamos aqui? Bom, nesse lugar, não muito, mas ele tinha me acompanhado pra resolver todos os problemas de última hora, então estávamos conversando há pelo menos quatro horas.
Era bizarro o quanto eu tinha contado pra ele sobre a minha vida e o quanto eu sabia sobre a dele. Sobre sua ex namorada e a pressão que a família dos dois fazia para que eles casassem, embora nenhum deles quisesse. Edward tinha me dito que depois de não ter ficado nem triste que ela tinha recusado o pedido de casamento, ele tinha chegado à conclusão que nem sequer a amava.
Eu era geralmente uma pessoa fechada, mas não com ele. Com ele, eu tinha falado sem parar por longos minutos e por algum motivo que eu não conseguia entender, eu sentia como se pudesse confiar nele.
Eu queria agarrá-lo.
— Cansada? – ele perguntou, quando eu disfarcei um bocejo.
— Não... O dia foi corrido, é só isso. Mas quando der meia noite eu posso ir pra casa já. – respondi, checando as horas. 23h45min. Suspirei e bocejei de novo.
— Precisa de uma carona? Você está sonolenta demais para dirigir, não acha? – Edward falou casualmente, sorrindo para mim. Eu dei de ombros.
— Moro bem perto daqui, vou embora andando... Mas aceito companhia. – disse eu, sorrindo de volta. Ele assentiu. – Só preciso pegar minha bolsa...
Eu me virei para andar e ele me seguiu de perto facilmente, já que a maioria das pessoas já estava indo embora. Foi então que ele segurou meu braço subitamente, me fazendo pular de susto.
— O que foi? – estranhei, o encarando. Ele sorria como uma criança na manhã de Natal.
— Olha pra cima. – mandou, e eu franzi o cenho antes de olhar.
Um visgo.
Foi impossível segurar a minha risada.
— Sério mesmo? – desacreditei, mas dei um passo pra mais perto dele rindo.
— Você conhece a tradição. Nós precisamos nos beijar. – insistiu, sério. Eu ri de novo.
— Não vamos querer desobedecer a tradição, não é mesmo? – concordei, e ele se aproximou de mim e me deu um selinho.
Por um segundo, eu pensei que isso seria tudo e fiquei confusa – por que ele tinha se dado ao trabalho de reparar no bendito visgo se ele nem ia me beijar de verdade? Porém, mal esse pensamento tinha se formado em minha mente, eu percebi que ele não ia parar nisso, não mesmo. Suas mãos foram pra minha cintura e ele me beijou com uma intensidade que deixou lugares em mim formigando. E obviamente eu o beijei de volta, ainda mais apaixonadamente, agarrando o cabelo dele entre meus dedos.
— Ainda quer companhia pra casa? – ele perguntou levantando uma sobrancelha , e eu ri, assentindo.
— Me dê um minuto. – pedi, soltando as mechas do cabelo dele que eu estava segurando e dando passos rápidos para a direção que eu esperava que Alice estivesse. Quando a encontrei, corri até ela e a abracei por trás, apoiando o roso em seu ombro pequeno. – Me diz que eu não estou sendo uma vaca.
— Você não está sendo uma vaca. – ela repetiu, distraída. Bati em seu braço. – Ok, retiro o que eu disse, você é uma vaca.
Ela parou minha mão antes que eu batesse nela novamente e se virou para mim.
— Estou indo embora. – avisei, dizendo com o olhar o que eu tinha vergonha de colocar em palavras.
— Com ele? – perguntou, sem aparentar surpresa. Eu corei e assenti. – Não ouse não se divertir, ele é quente como o inferno e eu quero todos os detalhes depois.
Ri, sem graça, e murmurei uma concordância tímida. Ela beijou meu rosto e quando virei, deu um tapa na minha bunda que me fez soltar um gritinho surpreso. Nós duas rimos e eu voltei para onde Edward me esperava. Eu só não contava com uma interrupção no meu caminho.
— Bella. – ouvi aquela voz rouca me chamando, e congelei imediatamente. Meio segundo depois, antes mesmo que ele continuasse falando, me recuperei e passei a andar ainda mais rápido. – Bells, fale comigo.
Sem que eu percebesse, ele me puxou e me fez encará-lo. Engoli em seco.
— Jake, me solta. – pedi baixo, tentando me afastar.
— Não faz isso. – implorou, e eu comecei a me sentir meio nauseada.
— De novo não. – murmurei, passando a mão livre pelo cabelo nervosamente. – Jacob, por favor, me deixa, ok?
— Bella, tudo bem? – Edward falou, surgindo de lugar nenhum e se colocando entre eu e meu ex no segundo seguinte. Olhei para ele, surpresa, mas ele estava encarando Jacob.
— Quem é essa cara, Bells? – Jacob falou, nervoso. Eu suspirei e abri a boca, mas não fui rápida o suficiente.
— Eu sou o namorado dela. – Edward falou, dando um passo para se colocar ao meu lado e passar o braço pela minha cintura. Meu queixou caiu, em choque e eu encarei os dois sem saber o que fazer.
A expressão raivosa do meu ex mudou para um olhar decepcionado, e eu gemi, porque era óbvio o que ele estava pensando.
— Você estava me traindo, Bella? – perguntou, e eu gemi de novo, dando um tapa na minha testa.
— Você é o ex dela? – o cara lindo boca-aberta perguntou, e aquilo só piorou as coisas.
— Sim. – falei para Edward, e então virei para Jacob. – Não! É claro que não. Você sabe que não foi por isso que nós terminamos.
— Eu vi vocês debaixo do visgo, Bella. – murmurou, franzindo o rosto de um jeito que me dava vontade de abraça-lo.
— Aquilo... Aquilo não é da sua conta. Eu sequer conhecia Edward quando terminei com você, a minha decisão não tem nada a ver com ele, tem a ver com você. – falei, me enrolando toda e acabando por ser mais rude do que pretendia. – Quer dizer, eu...
— Tudo bem. – o moreno sussurrou, e eu senti meus olhos se enchendo de água.
— Não fica assim. Desculpa. – pedi, mas ele simplesmente virou as costas e saiu andando para longe. – Ah meu Deus, eu acabei de terminar com uma amizade de mais de vinte anos.
— Você terminou com a amizade de mais de vinte anos quando terminou com ele. – Edward falou casualmente atrás de mim, e eu o encarei, meio enfurecida. – O quê? Você realmente acredita nessa coisa de "vamos terminar, mas vamos continuar sendo amigos"? Isso não funciona na vida real, estou apenas dizendo. Ele obviamente ainda é apaixonado por você, não é como se ele fosse te tratar como uma simples amiga.
Suspirei, encolhendo os ombros.
— Me leva pra casa? – pedi, com um bico. Ele sorriu e se inclinou para beijar minha boca. Eu quase recuei por reflexo, mas parei no último segundo e ele encostou os lábios nos meus.
— Não foi minha intenção esfregar na cara dele. Eu achei que era um idiota aleatório te cantando. – murmurou, e eu assenti.
— Tudo bem... Não faz diferença, eu não devo mais satisfação a ele. – respondi, e Edward sorriu para mim, pegando minha mão.
25 de dezembro de 2014 02:15 pm
A melhor noite da minha vida, sem pensar.
Com Jacob, depois que acabava, cada um virava para um lado e dormia, mas Edward não ia deixar isso acontecer tão facilmente. Na verdade, depois da terceira vez, eu tive que dizer a ele que estava exausta e começando a ficar dolorida, porque senão teríamos varado a noite toda entre suspiros, gemidos e carícias. Me lembro de pensar que, na próxima ocasião, eu iria garantir que estivesse bem descansada antes pra que nosso pique não acabasse tão cedo, porque ele era simplesmente tão bom...
Exceto que nunca houve uma próxima vez. Tinha sido só uma noite, e uma noite sem significado nenhum para ele. A não ser... A não ser pelo fato de que ele estava aqui. Em Forks, na frente da minha casa. E eu não sabia mais o que fazer.
Eu tinha levado tanto tempo até entender que aquilo não tinha sido nada demais pra ele... Por que pra mim, tinha sido uma noite de paixão, fruto de um amor à primeira vista. Pra mim, o fato de ele ter me dado a porra de um anel significava que ele queria algo comigo além de sexo de uma noite, sem nem ao menos uma despedida, apenas um estúpido bilhete em cima do meu criado mudo.
Mas tinha sido que tinha acontecido, e não havia nada que pudesse mudar o fato de que ele tinha passado a noite comigo, e na manhã seguinte, voltado com a ex-namorada.
— Ele já foi. – Alice murmurou para mim.
— Não, ele não foi. – discordei, apontando para a janela. Eu estava escondida entre as cortinas olhando a rua e o carro dele ainda estava parado na minha entrada da garagem, apesar de ele estar do lado de dentro.
— Mas ele já vai. – insistiu minha amiga, e eu suspirei. Ela respirou fundo. – Bella, por que você não quis falar com ele?
— Não sei o que diabos ele quer aqui. Não consigo encontrar um sentido pra ação dele. – comentei, ao invés de responder. Ela percebeu, mas deixou passar.
— Ele quer ficar com você. De verdade dessa vez. Ele veio pra ficar. – fez ela, e eu a encarei.
— E você sabe disso como...? – inquiri, e ela deu de ombros.
— Ele me disse. – explicou simplesmente, e eu ofeguei, ultrajada.
— Você ficou conversando com ele? – desacreditei, sentindo meu rosto se avermelhar de raiva.
— Bom, você não ia falar com ele de qualquer jeito, e eu estava curiosa sobre as intenções dele. Mas não foi assim, no maior estilo "somos melhores amigos pra sempre" como você está imaginando. Eu posso ou não tê-lo xingado de alguns nomes antes de perguntar que diabos ele estava fazendo na nossa cidade. – confessou, e eu fui obrigada a rir.
— Obrigada pela imagem mental de você gritando com ele. – agradeci, ainda rindo. – Mas... como assim ele veio pra ficar? Alice, esse cara tem uma vida em Seattle, uma noiva e família. Ele não pode estar pensando seriamente em simplesmente largar tudo e se esconder em Forks.
— Foi o que ele disse. Que ia largar tudo, porque queria ficar com você. – fez ela, dando de ombros. Grunhi.
— Agora? Depois de um maldito ano? O que ele tem na porra daquela cabeça além de cabelos lindos? – reclamei, cruzando os braços. Alice riu.
— Por que você não conversa com ele? Aí você descobre tudo: as intenções dele e os porquês. – sugeriu.
— Agora ele já foi embora de novo, de qualquer modo. – respondi. Ela sorriu pra mim e apontou minha janela. O volvo prata ainda estava estacionado ali. Bufei.
— Uma hora, Isabella. Dê um hora pra ele se explicar. Pior do que está não pode ficar. – pediu. Suspirei e fui em direção à minha porta.
Olar! Passei ontem o dia viajando pra passar o Natal com a mamis, e acabei dormindo haha. Me deixem recadinhos de feliz natal!
