Ela apoiava as mãos nas coxas dele. Aquela cena causou uma pontada maior de ciúme. Depois, a viu ficar de costas, não ia aguentar ver qualquer uma se esfregar em seu Saga.

Sentiu os dedos da loira à sua frente tocar em seu queixo. Ela lhe chamava a atenção. –Está distraído hoje, lindo... – Por ver que seu cliente não estava satisfeito, foi mais atrevida. Sentou no colo de Kanon, de frente à ele.

Consequentemente, ela ficou na sua frente. O mais novo teve a urgia de empurrá-la, mas não podia tocar nas mulheres, fazia parte das regras e afastava arruaceiros de um lugar sério.

Em uma dança mais atrevida e sensual, ela simulava, para provocar o cliente, movimentos na posição em que estava, mas começou a se demonstrar insatisfeita com a distração de Kanon.

-Não está gostando? – Sua pergunta foi mais séria, parou os movimentos, e discretamente se levantou do colo dele.

-Não gosto muito de ter uma vadia se esfregando em mim. – 'E nem em Saga'... – O ciúme era tanto, que se tornou irritado. Olhava a dançarina em desafio.

A loira, ofendida, colocou as mãos na cintura. –Acho que você bebeu demais.

Kanon, um pouco cínico, olhou em volta. –Isso não é uma igreja, então eu suponho que eu não falei inverdade ao chama-la de vadia. Você e sua amiga ali. – Apontou para a dançarina do irmão, e até então, a discussão iniciada, era em tom baixo.

-E eu tenho culpa de você não gostar de mulher? – Ela buscou pela peça de roupa faltante e cobriu seus seios. Estava irritada e ofendida, ainda mais.

-Ah, querida, eu gosto sim. Mas gosto de mulheres de classe. Não prostitutas! – O geminiano se levantou, já que percebeu seu tom de voz se erguer ao fim de suas palavras.

-Vá embora ou chamarei o segurança! – Ela falou em um tom ainda mais alto, interrompendo a dança da sala da frente. Saga suspirou em alívio, para se preocupar quando percebeu que a voz vinha ali de perto. Levantou-se, murmurando o nome do irmão.

-Nossa, que vadia sensível. – Debochou.

-Kanon! – Chamou, e a movimentação, chamou o interesse do único segurança naquele corredor que surgiu rapidamente em meio aos quatro.

-Vá embora, idiota.

-E eu ainda terei de pagar por isso? Só faltava. – Em seu novo deboche, Kanon sentiu seu braço sendo pressionado pelo segurança da boate.

-Espere. – Saga tentou tranquilizar, e não gostou nada de seu gêmeo ser repreendido. –Solte ele, nós vamos embora, está tudo bem.

O mais velho olhou confuso para a dançarina e o irmão, mas conseguiu soltá-lo da força do outro. Então pegou no pulso do mais novo, para conduzi-lo até a saída.

-Ei! Aonde vocês dois vão?

-Milo, nos falamos depois. Tchau. – Saga foi curto e grosso. Kanon ria inconformado e com muito ciúme.

O gêmeo mais velho só soltou seu irmão quando estavam próximos do carro em que vieram. Depois de desativar o alarme, abria o carro, mas não entrou.

-Kanon, o que foi que aconteceu? – A voz era séria com um toque de repreensão.

-Nada, Saga. – Em seguida, abriu a porta do lado do carona e entrou. Saga surgiu dentro do carro logo depois.

-Você... Tocou nela? – A indagação saiu baixa, enciumada.

-Ah! Claro, nossa. Esfregação total. – Respondeu um tanto quanto grosseiro.

Ligou o carro. –Estou falando sério, irmãozinho. O que aconteceu? Até onde eu saiba, a sua atividade favorita não é discutir com prostitutas. – Respondeu na mesma ironia. – Retirava o carro de sua vaga enquanto falava.

-Ah! – Kanon apenas se expressou por um gesto, erguer a mão. –Dane-se ela. – Virou seu rosto para o vidro, bufando. O motorista então percebeu que não podia insistir, ele não responderia agora.

Saga deixou o silêncio se instalar no veículo. Estava pensativo no leque de motivos para que Kanon agisse daquela forma. Ele não estava bêbado, e seu irmão não era de se embebedar com meio copo de drink. Notava que ele estava bravo, irritado. Para não dizer puto.

Mas o porquê, ainda era desconhecido. A hipótese mais plausível era da acompanhante ter tocado nele, e sabia que Kanon detestava intimidade em uma primeira impressão.

Não tinha rumo em seu caminho. A avenida grega era conhecida, bastante. –Ai. – A virada de atenção de Saga foi imediata quando Kanon gemeu. Uma atitude tão urgente e preocupada que por muito pouco não encostou o carro ao veículo da frente ao farol vermelho.

-O que está sentindo? – O tom era autoritário. Ou o mais novo falava ou falava.

-Sobrou algo do almoço em casa? – Não olhava para Saga, que suspirou ao perceber que o gemido era de fome.

-Apenas alguns nuggets de peixe...

-Hum.

-Está com vontade de comida japonesa? Aquele restaurante é aqui perto.

-Não sei... – O ciúme de Kanon o transformava em um homem de pouquíssimas palavras.

O silêncio retornou, e ele notou que o outro estacionava o carro em uma rua pouco iluminada. –Porque parou, Saga?

-Eu não vou sair daqui enquanto você não me falar que porra aconteceu lá dentro. – Atingindo a seriedade e autoridade, Kanon poderia lhe responder. Então virou o seu corpo, um braço seu apoiou no volante. Olhava o irmão em aguardo de uma resposta, sério.

-Não aconteceu porra nenhuma, Saga. – Enquanto o ouvia falar "Saga", sabia que não teria respostas.

-Kanon. Eu não conheço você de ontem, portanto, pode ir falando o que aconteceu. Eu não vou parar de perguntar, não sairemos daqui e nem você vai sair do carro. – Suspirou forte.

Por fim, o outro o olhou. –Não houve nada, já disse.

'Tinha muita coisa, Sa'.

Saga então deixou a sua pose inicial e encostou-se ao banco, como se fosse dirigir. O outro só o observava. Via que o irmão mediava alguma coisa.

Começou a pensar que ele estivesse chateado com as suas respostas um tanto quanto grosseiras. –Que houve, Sa? – Ficou preocupado, a expressão agora era entristecida, a voz, baixa.

O mais velho virou o rosto, e o olhou. O gêmeo mais novo corou por aquele olhar sério, depois, viu que Saga também corava aos poucos.

A face do mais velho estava cada vez mais próxima. Segundos depois, e decidido, colou seus lábios ao do seu gêmeo ao lado.

Demorou nessa ação. Saga tremia um pouco, de medo. Kanon, novamente surpreso, como naquela noite.

'Então não era bebida... '

Em resposta, e um gesto que fez o mais velho parar de tremer, Kanon segurou o seu rosto, mantendo o beijo que era aprofundado de forma tão terna.

Os olhares eram tímidos quando a carícia cessou.

-Eu conseguia ver você da sala em que eu estava. Fiquei muito irritado de ver aquela garota no seu colo. Você... É meu... Saga. Só eu... Posso tocá-lo.

-Eu estava odiando pensar que você pudesse estar gostando da sua dança. De outra pessoa... Flertando com você, sorrindo para você, falando com você...

-Aquela noite... Então...

-Eu te amo, desde antes daquele dia. E não é... Apenas fraternal. – Saga revelou ainda temeroso de que ele lhe recusasse.

-Não é justo, eu te amo antes... – Kanon fez um bico pueril, que Saga não resistiu e riu doce. Em resposta, tornou a beijá-lo.

-Fica comigo... – Murmurou, pausando o beijo, mas roçando seus lábios aos dele.

-E... Se eu disser que já sou seu? – A resposta no mesmo tom. Kanon apenas piscava de forma demorada, encantado com aquele momento.

-Eu também, já sou seu, há tanto tempo... – Habilmente, desligou o carro, o que fez a luz automática desligar. Kanon passou os braços em volta do pescoço de seu amor, que investiu ao seu aproximar e colar mais os seus corpos. O mais novo encostou-se à porta, Saga trouxe a perna dele em sua cintura.

Completamente juntos. O carro apertava um pouco o relaxar que desejavam, mas não se importavam. Só queriam estar um com o outro, o resto em volta...

Era só resto.

o-o-o

-Amanhã eu e o Aiolia temos aula. Já nos divertimos demais. – A mão acariciava de forma calma e carinhosa as costas do leonino. O sagitariano sorria para o aniversariante à sua frente. –Já é muita mulher para um dia só. – Riu, e os outros dois o acompanharam.

-Ah! Fiquei muito feliz de vocês terem vindo. Nos falamos mais tarde então. – Milo estava empolgado – e ligeiramente bêbado.

Após a despedida dos irmãos e de alguns outros convidados, o escorpiano voltou à mesa em que estava. Finalizava seu drink para pagar o que precisava e ir embora.

Porém, virou um pouco o seu rosto. Viu o olhar do ruivo misterioso. Não evitando vontade, deu um sorriso, em flerte. Não recebeu um de volta, mas ele manteve lhe observando. Corajoso e atrevido como era, pegou o seu copo e se levantou, sentia que precisava conhecer aquele rapaz.

-Posso me sentar...? – Podia estar bêbado, mas como gostava de beber, tinha controle e noção de como estava.

Em resposta, um gesto que parecia lhe dizer "à vontade". O ruivo se encostou, o fitou momentaneamente, mas voltou a olhar para as dançarinas, interessado. Milo percebeu que o copo dele estava vazio.

-Acho que eu poderia lhe oferecer uma bebida...?

-Acho que não. – Teve a atenção dele novamente. –Já atingi o meu limite. E acho que você também. – Houve um olhar de censura, mas o escorpiano não se ofendeu, o olhou de forma pueril e curiosa, devido ao sotaque diferente do ruivo.

-Às vezes a gente aproveita, é o meu aniversário. – Anunciou. Sentiu-se estranho. Aquela conversa seguia como se o conhecesse, como se fossem amigos. Mas nunca o tinha visto.

O ruivo olhava o loiro de forma curiosa. Havia atenção, não o quis julgar de forma silenciosa, mas ele parecia uma criança crescida. Era jovial em sua forma de falar.

-É? Joyeux anniversaire. Jovens como você adoram vir a esse tipo de lugar comemorar aniversários. Quantos anos, dezoito? – Houve certo deboche, e o ruivo deu um riso travesso.

-Vinte e oito.

-Mon dieu. – Murmurou.

-Conveniente falar em deus em um lugar assim. – Riu divertido. Depois, sorriu, o ruivo lhe deu um sorriso.

-Entende Francês.

-Muito pouco. Mas seu sotaque é encantador. – O flerte o fez rir, de forma discreta.

-Agradeço, belle blonde. – Maquinalmente, o ruivo passou a mão nos longos cabelos, e os jogou para trás. Milo chegou a estremecer, encantado.

-Não faça de propósito.

-O quê? – Ele realmente se fez de desentendido. –E porque?

-Sou escorpiano.

-Quanta sutileza sua dizer que é viciado em sexo. Por isso veio aqui? – Rio ao canto dos lábios finos, Milo gargalhou, divertido.

-Que jeito, me pegou, francês. – Provocou em um novo flerte. A conversa estava ainda mais gostosa.

A forma como foi chamado, fez o outro se remexer em seu lugar, suspirando. O viu sorrir mais uma vez, então o ruivo percebeu que o loiro o viu corar. –Faço o seu tipo? – Resolveu entrar na brincadeira, ainda mais.

-Com esse sotaque...

-Sim ou non? – Milo umedeceu os lábios.

-Se não fizesse, eu não estava aqui. – Soltou, sensual.

-Hm. – Viu que na face do recém-conhecido, havia também sensualidade.

Milo começou a achar que era fácil. Mas havia algo de errado.

-"Hm"? – O escorpiano aguardava mais que isso.

Ficou então surpreso, o ruivo se levantou.

-Minha hora, tenho de trabalhar amanhã cedo. – O moreno colocou as mãos nos bolsos e simplesmente largou o flerte ali. –Foi bom conhece-lo.

Passou por Milo, dirigindo-se à saída. –"Foi bom conhece-lo"? Ei! Faço melhor que isso. – Chocado por ter sido largado, se ergueu rápido, e conseguiu pegar no pulso do ruivo. –Francês, qual o seu nome...? – Milo buscava os olhos claros dele, hipnotizantes.

-Camus.

-Camus. – Balbuciou. –O meu é Milo. –Verei você de novo, não é? – O loiro saiu de si naquele momento. Encantou-se de tal forma, que mesmo que ouvisse um "não", iria atrás dele.

-Quem sabe, Milo. – Camus tinha o olhar inicialmente tímido, pois viu o interesse na expressão do grego.

Porém, a esse momento, o escorpiano puxou sutilmente o outro mais para perto. Um sentia a respiração do outro.

Milo em seu desejo, deixou que seus lábios se aproximassem dos dele de forma natural, o que ofegou o ruivo.

-Está... Tarde. Venho... Com costume aqui. – Camus fitava os lábios do outro, enquanto chegou a tocar com a mão livre no peito dele, sentindo posteriormente os lábios dele roçarem aos seus.

Foram as suas palavras finais para se afastar repentinamente. Deu as costas ao loiro, largando-o ali.

Encantou-se com o aniversariante atrevido, isso se estampou em sua face, agora longe de olhares.

Camus lhe era familiar. Aquela voz, o olhar. Aquele, sotaque...