Esta história é uma adaptação do livro Devoção,
da autora Jessica C. Reed.
Capítulo IV
Chamar de saia aquele pedaço de tecido que Ino estava usando era uma ofensa para quem inventou a saia. Não era nada mais do que um cinto de grandes dimensões e que mal cobria suas partes íntimas, e muito menos fornecia qualquer proteção contra o ar frio e úmido de Nova York.
Eu me esforcei ao máximo para persuadi-la a vestir algo mais protegido, algo com mais comprimento, mas ela não tinha nada desse tipo. Então deixei minha boca fechada e que ela usasse as roupas — ou a falta de roupas — que quisesse.
Ela bebeu um copo de vinho tinto antes mesmo de sair do apartamento, em seguida, outro, assim que chegou ao Vixen. Quando nossa panelinha de costume chegou, algumas horas depois, estávamos as duas embriagadas e falando mal do ex de Ino. Eu não vi o tufo de cabelos loiros e olhos azuis até Ino apontar, falando com a voz enrolada.
— Não é o seu cara?
— O quê?
— Você sabe, aquela sua transa de uma noite, seu amigo de foda. — E ela caiu em um ataque de riso.
Ah, meu Deus!
Se fosse mesmo ele, eu só podia esperar que não pudesse fazer leitura labial. Minha visão ficou turva quando virei minha cabeça. Apertei os olhos para me concentrar, mas as únicas coisas que pude ver foram os ombros largos e as costas poderosas indo direto para a porta. Revirei os olhos.
— Você está tão bêbada que confundiu Bruce Willis com uma menina.
— Quem?
Ela parecia genuinamente confusa, então murmurei "Não se preocupe" enquanto acenava para o garçom, pedindo mais uma rodada de tequila, o que lhe provocou o reconhecimento imediato.
— Você é a melhor amiga do mundo. — disse Ino com a voz arrastada, dando um beijo molhado na minha bochecha.
Forcei uma dose de tequila garganta abaixo, e depois outra. O bar começou a girar até parecer um carrossel gigante de pessoas rindo, o tilintar de copos e a música ensurdecedora. Algo sobre um novo emprego e um novo patrão apareceu com rapidez no fundo de minha mente, mas tudo se perdeu naquela sensação de liberdade induzida pelo álcool que estava começando a me inundar. Senti como se não tivesse ninguém com quem me preocupar no mundo, e que pretendia manter tudo desse jeito, até que braços fortes envolveram meu corpo e eu fui escondida dentro de alguma coisa fofa e quente.
Abri os olhos para espiar dentro dos olhos mais eletrizantes que já tinha visto, que refletiam uma poça escura de aborrecimento.
— Você tem os olhos mais lindos de todos. Eu podia ficar olhando para eles para sempre. — murmurei rindo.
E então desmaiei.
Eu não era inibida quando se tratava de festejar e me divertir, mas não costumo beber mais do que dois drinques. Por isso, duas noites seguidas de bebedeira junto com Ino não tinha sido uma decisão muito sábia. Abri os olhos, meio grogue e pisquei por causa do sol brilhante que vinha se derramando pela janela. Minha nossa…
A minha cabeça parecia que estava sendo atingida por alguém com uma marreta e minha língua estava presa na parte de trás da minha garganta. Pelo menos eu não me sentia enjoada. Sentei-me e coloquei meus pés descalços no tapete, na frente da minha cama, testando o chão. Parecia um pouco instável, mas até que suportável. Fui até a cozinha pegar um copo d'água quando me lembrei dos olhos azuis da noite anterior. Não vai me dizer que tive relações sexuais com ele de novo... Ou eu tinha imaginado tudo? Não fazia ideia do que poderia ser pior.
— Ino? — Minha voz soou tão rouca que me fez estremecer.
Chamei mais alto, mas não obtive resposta. Ela provavelmente ainda estava dormindo, curtindo sua ressaca.
Caminhei descalça vasculhando cada cômodo, à procura de um sinal de que eu trouxera um homem para casa, mas não encontrei nenhum. Por fim, bati na porta do quarto de Ino e entrei. Ou ela acordara e saíra muito cedo, o que não poderia ser, uma vez que ela teria me deixado um
bilhete, ou ela não voltara para casa. A pilha de roupas que ela tinha jogado na cama, enquanto procurava algo para vestir na noite anterior, me convenceu a escolher a opção B.
Então o cara tinha sido apenas fruto da minha imaginação. E não pude evitar a decepção repentina tomando conta de mim. Mas a troco de quê eu me importava se veria esse cara de novo? Kiba tinha acabado de romper comigo, e eu mal tinha desperdiçado um minuto me preocupando com isso. No entanto, Naruto e eu conversamos, ao todo, por uns cinco minutos e lá estava eu, planejando como seria nosso futuro.
Porque ninguém nunca me fez sentir desse jeito. Sexy. Confiante. Desejada.
Eu gemi com o pensamento, mesmo sabendo que era verdade. Ele não era apenas muito gostoso, mas tinha algo nele que fazia minhas entranhas ficarem moles e eu querer fazer certas coisas. Para ele. Com ele.
Levante sua cabeça para longe da sarjeta, Hyuuga. Eu me fiz uma xícara de café, peguei um pedaço de pão seco e sentei-me à mesa da cozinha com vista para a movimentada rua abaixo.
Entretanto, não foram as velhinhas e mamães segurando a mão de seus filhos que eu vi. Minha mente só conseguia se concentrar em uma coisa: olhos ardentes e um corpo forte inclinando-se sobre mim. Eu suspirei e deixei minha imaginação vagar com liberdade para onde quisesse ir.
No final da tarde, Ino ainda não estava de volta, provavelmente ocupada com sua conquista da noite anterior. Para o caso de ela ficar preocupada comigo, ou se precisasse de mim, deixei um recado na mesa da cozinha com meu novo número de celular e a promessa de procurá-la assim
que chegasse à Itália. Meia hora depois, um táxi parou em frente ao prédio e fui para o aeroporto com o sol atrás de mim.
Uma vez no aeroporto JFK, fiquei esperando na área de embarque, liguei meu smartphone. O plano era transferir a lista de contatos do meu velho celular, excluindo o número de Kiba, para o meu telefone da empresa. Em vez disso, fui de imediato premiada com uma longa lista de chamadas redirecionadas e mensagens de texto. Eu não sabia nada sobre meu novo chefe, então fiquei pensando que passar os olhos por aquelas mensagens poderia me ajudar a pintar um quadro dele antes de conhecê-lo, em menos de nove horas. Tomei um gole da minha água e quase engasguei.
Meu chefe parecia eficiente e conciso. Ao mesmo tempo em que entendia que os ícones do Smiley e beijinhos deveriam ser evitados em correspondência comercial, eu percebia que o senhor Namikaze também parecia abrigar uma grande aversão a dizer "por favor" e "obrigado". Deixei escapar uma careta enquanto fazia uma lista mental de suas palavras favoritas: "excelente, bom, tudo bem, sim, de jeito nenhum, feito". Sua mais longa frase foi: "Se você precisa conversar sobre isso, minha assistente ficará feliz em ajudá-la".
Suspirei e esfreguei minha testa que ainda latejava. Gai não tinha sido o melhor chefe do mundo, porém ele não parecia alérgico a falar. Eu com certeza gostava de engatar um diálogo de vez em quando, por isso meu novo trabalho poderia virar algo um pouco desafiador, e não no bom sentido.
Eu estava prestes a desligar o smartphone quando uma mensagem de Ino chegou. Olhando para o relógio para me certificar de que não estava atrasada para o embarque, abri a mensagem e com rapidez deslizei meus olhos até o fim. Havia uma breve menção a uma carta e um cara com um sotaque estranho, que tinha telefonado para conversar comigo. Como meu número estava na lista pública e eu estava acostumada com as seguradoras e empresas financeiras querendo me oferecer alguma coisa, não achei que essa informação fosse de maior interesse. Talvez o fato de que eu tivesse outras coisas em mente tenha contribuído para isso.
Desliguei o smartphone e fui para o portão de embarque, perguntando a mim mesma pela enésima vez por que um headhunter iria me indicar para trabalhar para alguém como Namikaze. A julgar pelo seu tom ríspido, e minha vontade de manter conversações mais humanas, certamente nós dois não combinaríamos nesse mundo dos negócios.
O avião pousou no aerporto de Malpensa nove dolorosas horas mais tarde, o qual foi o período mais longo que eu já tinha passado em um avião. Eu sabia que minha aparência não devia ser das melhores. A cabeça doía, os olhos ardiam com a falta de sono, e minhas coxas ansiavam por uma corrida, contudo naquele momento eu não poderia estar mais animada. Edifícios antigos de Milão e luzes cintilantes da cidade estavam me esperando do lado de fora das portas de correr. Eu estava pronta para explorar cada parte daquela cidade maravilhosa em meu tempo de folga, que eu torcia para que fosse grande.
Sorrindo, juntei meu cabelo rebelde em um rabo de cavalo alto e belisquei minhas bochechas para parecer mais apresentável, peguei minha bagagem e fui passar pela alfândega. A área de desembarque estava repleta de taxistas e de familiares esperando por alguém. Avistei uma placa de papelão do tamanho de um notebook com meu nome escrito, e me aproximei, esperando que meu novo patrão estivesse à minha espera. O cara de meia-idade cumprimentou-me em um inglês alquebrado, e soube de cara que não se tratava de Namikaze.
— Senhorita Hyuuga, eu sou seu motorista. Posso pegar sua bagagem? — Ele não fez questão de esperar pela minha resposta. Pegou minha mala e ergueu-a em um movimento rápido, levando-me, em seguida, até a SUV estacionada, esquivando-se das multidões e dos motoristas de táxi que disputavam a atenção dos turistas. Corri atrás dele, concentrando-me com esforço para acompanhar sua tagarelice quando ele passou a falar sobre o clima, o país, as oportunidades de passeios, e quem sabe mais o quê.
A noite já tinha descido, todavia o aeroporto estava fortemente iluminado, o que permitia uma visão de tirar o fôlego daquele cenário montanhoso que eu tinha visto delineado pela janela do avião. Eu sorri e assenti educadamente quando ele abriu a porta para mim, e pulei para o banco de trás do carro. O motorista fez uma pausa em sua conversa durante todos os cinco segundos, ou o tempo que ele levou para sair do estacionamento. Quando pegamos a rodovia, ele retornou a conversa.
— A viagem foi boa, mas muito demorada, não? — Assenti com a cabeça e ele riu. — Mas agora isso acabou e você vai ter umas belas férias.
Eu não queria salientar que não estava de férias, então apenas assenti com a cabeça de novo. O motorista continuou seu monólogo, meio inglês, meio italiano, enquanto percorríamos o caminho para Bellagio. No momento em que o carro parou, trinta minutos depois, minha cabeça estava girando, e não era por causa do ar gelado e do cenário deslumbrante que eu tinha vislumbrado do
lado de fora da janela. Saltei do carro meio trêmula, minha mão segurando a porta para ter algum apoio, enquanto avaliava, assombrada, o hotel diante de mim.
A arquitetura era definitivamente neoclássica, lembrando-me da Grécia antiga e de Roma, com suas colunas pequenas, capitéis e belas esculturas em baixo-relevo que meus dedos coçavam para tocar. Era grande, mas não muito grande, com cerca de cinco andares de altura, com uma bela fonte iluminada deixando escorrer água sobre dois anjos abraçados e, mais adiante, um espesso
tapete vermelho esticado para além da pesada porta de vidro. Quando entrei naquela que seria minha casa durante as duas semanas seguintes, a respiração ficou presa na minha garganta.
Uau!
A sala de recepção, embora não fosse grande, era absolutamente impressionante. Um candelabro de vidro pendia do teto alto, iluminando o piso de mármore polido e acentuando os relevos de flores que decoravam as paredes da cor de marfim. Entretanto o que mais me impressionou foram as duas colunas coríntias por trás da mesa da recepção.
O motorista passou minha bagagem para um carregador uniformizado e instruiu-o a levá-la diretamente para meu quarto, enquanto eu esperava na recepção para fazer o check-in. A recepcionista sorriu. Ela era uma mulher de trinta anos, de pele morena luminosa e lindos cabelos.
— Seja bem-vinda, senhorita Hyuuga. — disse, em um inglês com forte sotaque. — Sua reserva foi feita para o andar superior. Aqui está sua chave. — Ela entregou uma peça branca de plástico do tamanho de um cartão de crédito.
— O restaurante fica aberto das sete à meia- noite. O serviço de quarto está disponível o tempo todo. Se você tiver alguma dúvida, terei prazer em respondê-la. Deixe-me mostrar-lhe o caminho. — Eu assenti com a cabeça e devolvi o sorriso generoso.
— Isso não será necessário. Acho que vou ficar bem.
Arquitetura sempre foi um dos meus maiores interesses, porém nunca tive a chance ou o dinheiro para visitar um lugar como aquele. E não queria ter de jogar conversa fora quando preferia ficar de boca aberta, examinando cada detalhe, sem que ninguém estivesse observando sobre meu ombro.
— Mas eu insisto. Os elevadores estão aqui. — Ela apontou para o corredor estreito que levava além das colunas e contornava uma esquina. Eu a segui até o andar de cima, ouvindo suas recomendações quanto aos pontos turísticos imperdíveis da Itália e outras excursões. E, então, ela me deixou no meu quarto e fechou a porta ao sair, desejando-me uma estadia agradável. Joguei o cartão magnético na mesa de café, depois de perceber que não tinha nem pensado em dar uma gorjeta a ela, ao carregador ou ao motorista.
— Ah, merda. — murmurei.
Seria tarde demais correr atrás dela escada abaixo e fazê-lo agora? Ou deveria esperar até de manhã? Eu nunca tinha me hospedado em nenhum lugar que fosse remotamente tão caro quanto esse, por isso meu conhecimento sobre a etiqueta de se dar gorjetas era bastante limitado.
— Você está bem?
A voz masculina vinda do meu lado direito me assustou. Eu gritei e dei um pulo para trás, deixando cair minha bolsa com o movimento. Minha cabeça virou-se na direção do intruso, e minha boca se abriu para deixar sair um som ensurdecedor, porém o que saiu mais se assemelhava a um resmungo surpreso que devagar se transformou em uma sensação de raiva batendo contra meu crânio.
— Você está me seguindo? — Eu estava com tanta raiva que quase me engasguei com as palavras.
— Eu poderia perguntar-lhe a mesma coisa, uma vez que cheguei aqui primeiro. — O senhor Estranho arqueou uma sobrancelha e se aproximou de mim, até que ficou a poucos centímetros do meu rosto.
A partir dessa distância, ou da falta dela, eu podia absorver cada detalhe de seu rosto. Seus lábios deliciosos estavam ligeiramente curvados no sorriso mais arrogante que eu já tinha visto, naquele com sua barba sem fazer há alguns dias. Meus dedos estavam coçando de vontade de estender a mão e tocá-las, tocar sua pele, sentir sua barba por fazer e ver se era tão deliciosamente áspera como
parecia. Seus belos olhos azuis brilhavam. Seus lábios se separaram um pouco, e eu sabia que ou ele podia sentir meus pensamentos impertinentes ou também estava tendo alguns.
Talvez ele tivesse se recordado de alguma coisa da nossa noite juntos, e que eu não lembrava. Minhas bochechas estavam em chamas.
Engolindo em seco, eu olhei para seu delicioso corpo e instantaneamente me arrependi. A camisa estava esticada sobre os ombros largos, não deixando dúvidas de que o cara se exercitava. Muito. Uma mancha escura de cabelos encaracolados espiou de debaixo do botão superior aberto. Era da mesma cor que aquele caminho escuro que eu tinha vislumbrado quando ele não se
preocupou em cobrir-se na minha cama.
Na minha cama.
Deus! Gostei do som disso. Minhas bochechas ruborizaram de novo quando me encolhi interiormente por causa dos meus pensamentos. O que havia de errado comigo? O cara trazia escrito na testa a palavra "problemas" e, ainda assim, eu estava me comportando como uma adolescente
púbere, incapaz de controlar os próprios hormônios. Eu precisava encontrar de volta meu juízo, ou o que restara dele, antes que o ego desse cara crescesse mais do que a torre Eiffel.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei, abaixando-me para pegar minha bolsa que tinha caído no chão.
Seu olhar seguiu a minha bunda e ficou colado a ela um tempo um pouco longo demais. Eu me apressei para endireitar-me, mas não rápido o suficiente. Um rosnado baixo e apreciativo escapou de sua garganta.
— Olhando para meu lugar favorito. Precisa de ajuda com isso?
Ele apontou na direção da minha mala pesada, mas seu olhar permaneceu colado à minha bunda. Minhas roupas pareciam se evaporar no ar. Lutei contra a vontade de me envolver em meu casaco e mantê-lo vestido pelo resto da nossa conversa não solicitada.
— Eu vou ficar bem, obrigada.
Irritada, eu me virei para encará-lo, o que, por sua vez, forçou o olhar dele para longe da minha bunda e de volta para meu rosto. Um brilho de decepção apareceu em sua expressão, como se, ao contrário de minha bunda, meu rosto não valesse assim tanta dedicação de seu tempo. Cruzei os braços sobre o peito e olhei-o com frieza.
— Qual foi mesmo a sua desculpa para invadir meu quarto novamente?
— Estou hospedado aqui.
Eu sorri.
— A menos que Namikaze o tenha convidado para uma voltinha, e seja um grande filho da mãe, eu não vejo como isso seja possível.
Ele gargalhou. Sua voz soava como cetim de seda acariciando minha pele, aveludada, suave e luxuosa. Estremeci de leve. Ele não é coisa boa, Hyuuga, eu me lembrei.
— Eu vou tentar não me sentir ofendido desta vez, mas para referência futura, meus funcionários não costumam falar assim comigo.
Seus lábios se curvaram e permaneceram naquele lindo sorriso torto, o que tornava difícil eu me concentrar em qualquer outra coisa. Levei alguns segundos para perceber o significado de suas palavras. Estávamos em um país diferente. Era para eu conhecer meu novo chefe, a
quem eu tinha acabado de chamar de filho da mãe, e o senhor Estranho sentira-se ofendido.
— Você é Namikaze, não é? — Minha voz saiu baixa e rouca. Ele assentiu com a cabeça devagar, olhando para mim. — Mas você disse que seu nome era Naruto Uzumaki.
Ele assentiu com a cabeça de novo.
— Uzumaki era o nome da minha mãe. Eu gosto de usá-lo quando vou conhecer potenciais funcionários. Ele faz com que todo o processo de recrutamento fique mais fácil e, digamos, revigorante.
Todo o calor foi drenado do meu rosto. Puta merda. Eu não tinha sequer começado em meu novo emprego e já estava insultando meu novo chefe... Logo depois de dormir com ele. Eu estava pior do que Ino.
— Então você é...
Meu discurso escapou de minha boca.
— Naruto Namikaze, o filho da mãe que acaba de contratá-la.
Ele estendeu a mão. Eu não queria tocá-lo, mas que escolha teria? Eu coloquei minha mão na sua e me encolhi ao sentir aquele toque quente e viril. Sua palma calejada arranhou minha pele enviando um choque elétrico para a parte inferior de meu corpo. Imaginei a sensação de ter as mãos
de Naruto Namikaze acariciando a parte interna das minhas coxas.
Contenha-se, Hyuuga. Depois desse fora, você vai ter sorte se ainda tiver um emprego. Vamos manter as coisas assim.
— Sinto muito. — eu disse, puxando minha mão e pulando um passo para trás para colocar uma necessária distância entre nós. — Eu não sabia quem você era. Normalmente, sou muito mais profissional que isso. Eu levo meu trabalho muito a sério e conheço meu lugar.
— Eu espero que faça isso, porque tenho grandes planos para você. — Minha respiração parou na minha garganta. Por que continuo ouvindo duplos sentidos nas suas palavras?
— Pronta para conhecer todo o quarto? — Naruto pegou minha mão e avançou, através do que parecia ser uma sala de estar, em direção a três portas.
Corri para poder acompanhá-lo. Ele abriu uma delas e se colocou de lado para me deixar passar.
— É aqui. Se você precisar de alguma coisa eu estarei ao lado. — ele apontou para a porta fechada.
— Vou deixar você desfazer as malas. O trabalho começa às oito em ponto. Eu gosto que meus funcionários sejam pontuais, por isso não se atrase.
O cara estava dormindo ao lado. Com apenas alguns centímetros de parede entre nós. Gostaria de saber se ele dormia nu. Ele com certeza tinha dormido nu na minha cama. A imagem de um Naruto Namikaze nu, parecendo autoconfiante e despreocupado passou diante de meus olhos. Minhas
bochechas começaram a queimar.
De novo, não! Eu estava ferrada...
Ele sorriu, como se pudesse ouvir meus pensamentos. Meu ânimo se exaltou. Que tipo de arranjo de hospedagem foi esse? Isso estava dentro da lei? Eu abri minha boca para protestar, quando ele apertou o dedo indicador contra meus lábios, silenciando-me instantaneamente.
— Gosto de manter meus assistentes pessoais à minha disposição. Espero que você não tenha problemas com isso.
Seu olhar permanecia dentro de mim, me desafiando a demonstrar quanto essa sua proximidade explodia qualquer sensação de autocontrole. Será que eu tenho problema com isso? Pode apostar, mas ainda assim eu balancei minha cabeça, negando. Ele era apenas um homem, pelo amor de Deus. Eu poderia lidar com sua espécie. Além disso, havia um milhão de outras questões que precisava abordar. Como, por exemplo, por que ele me contratou e me trouxe em tal trabalho importante no último minuto, quando iria demorar séculos para que eu pudesse me familiarizar com todos os detalhes?
— Oito da manhã, então. — Minha voz veio abaixo do esperado e pouco rouca, mas pelo menos consegui falar.
— Durma bem, senhorita Hyuuga. Vou me certificar de fazer dessa estadia algo que valha a pena ser lembrado. — ele sorriu e meu coração correu até a minha calcinha.
Um enorme painel luminoso de neon passou diante dos meus olhos: "GRANDE ERRO, GRANDE ERRO!"
Eu tinha de me afastar desse cara, e ainda assim meus pés permaneceram colados ao chão enquanto eu assistia a este homem caminhando até a sala de estar. Sua cintura fina acentuava os ombros largos e os braços esculpidos, que estavam claramente visíveis sob a camisa fina. Meu olhar mudou-se para as pernas compridas e para as coxas fortes, coxas que eu imaginava se separando e
se acomodando entre minhas pernas. Eu gemi, irritada comigo mesma, e bati a porta um pouco forte demais.
