N.A: Moshi Moshi Pessoal! Espero que estejam todos bem ;)

Desculpem pessoal é que as coisas andam corridas, e esse capítulo ficou mais longo do que eu planejava (então levou mais tempo pra revisar do que eu pensei)... Fora que é só chegar no fim que parece que tem mais um monte de coisa legal pra incrementar hehehe... Mas ta melhor né?! Desta vez foram só 2 dias

Não esqueçam que "Autores são movidos a reviews". E muito obrigada a todos que acompanham a história.

O próximo capítulo estará no ar no máximo dia 30/04, se tudo der certo .

Agora vamos ao que interessa, espero mesmo que gostem desse novo capítulo.

Capítulo 9

"Ela estava falando sobre abandonar você sim, mas no sentido de morrer, seu grande imbecil!" – As palavras de seu amigo (se é que Nishigaki ainda o considerava assim) repetiam-se sem parar em sua cabeça... Como pôde ser tão cego? Tão estúpido? Se ela morresse... Não! Não podia cogitar esta hipótese, não estava pronto pra ela...

-Naoki? Me desculpe querido, mas eu vi a Kotoko-chan e o seu irmão saírem correndo de casa... Por favor, me diga o que está acontecendo?

-Eu te conto no carro, mã , se arrume que em 10 minutos estamos indo para o hospital... – Disse Naoki, saindo do torpor em que estava desde a ligação há o que? Cinco minutos? Dez minutos? Não sabia... Tudo que passava por sua mente era que Kotoko tinha que viver, ou sua própria existência não fazia mais sentido...

-Hospital? Porque vamos ao hospital? – Respondeu Noriko, alarmada.

-No carro eu te explico mãe... - Levantou-se e foi ao quarto de sua filha, separou duas mudas de roupas e pegou alguns brinquedos que sabia que ela gostava mais. Noriko o acompanhava de perto, observando seus movimentos... -E pra que levar essas coisas? Não está planejando levar a Kotomi também não é?

-Mãe, no carro eu te falo tudo, agora pegue o que você precisa pra sair... "Deus, será que ela nunca escuta?"

-Mas Naoki eu...

-Mãe, agora você só tem mais cinco minutos pra estar naquele carro ou eu vou sem você! – interrompeu-a olhando no relógio.

-Mas filho...

- Quatro minutos...

Vendo que seu filho falava sério, Noriko bufou e saiu correndo pra pegar sua bolsa, enquanto Naoki já descia as escadas com as chaves do carro na mão, só pra voltar em seguida ao seu quarto e pegar a foto que sua esposa havia guardado de volta em cima da cômoda, colocando-a no bolso da camisa que usava, próximo a seu coração...

-Mas eu não entendo Keita, porque ela não contou nada disso pra gente antes?

-Concordo com a Marina, nós não somos amigas dela?–Disse Motoki com voz magoada.

- Meninas, calma! Isso já não faz mais diferença! Agora o que nós precisamos é decidir quem vai acompanhar a cirurgia! Além disso, ela deve ter tido suas razões para não falar nada...

-Tomoko tem razão, meninas... – Disse o "único" homem do grupo – E ela não disse nada antes porque não tinha certeza e não queria que o boato de sua doença se espalhasse por aí e preocupasse o Dr. Irie e nós mesmos... E quanto a quem deve participar da cirurgia, creio que deva ser quem tem mais experiência nesse tipo de caso, ou seja, eu.

- Nada disso Keita! Devemos tirar a sorte, pois todos somos preparados para acompanhar a operação! – Respondeu Motoki.

-E eu acho que todos vocês vão ficar na sala de espera, como todas as pessoas próximas da Sra. Irie.

-Enfermeira-chefe?! – Disseram os quatro enfermeiros em uníssono.

- Vocês todos sabem muito bem que pessoas próximas do paciente não podem participar de procedimentos assim, pois podem entrar em pânico e tomar decisões erradas!

-Mas enfermeira chefe, nós somos treinados para sermos frios em situações de emergência! Nós podemos ajudar!

-Muito bem srta. Marina, pode me dizer em qual paciente deveria estar trabalhando nesse minuto? Não? Algum de vocês? – Observando a falta de resposta, continuou – Pois é, se já estão tão nervosos só sabendo que ela está na ambulância à ponto de não perceberem que seu turno já acabou e vocês não tem mais pacientes hoje, como vão participar de uma cirurgia em que terão de ver a cabeça dela sendo aberta? E se tiver complicações? Precisaremos de respostas imediatas, não lágrimas... –Suspirou, e vendo como todos estavam abalados continuou – Olha, eu sei que sou dura com vocês, mas é porque gosto de todos e quero que cresçam... Essa situação não é mais fácil pra mim do que pra vocês... Definitivamente ninguém aqui vai entrar naquela sala de operações, mas acho que podem ser muito úteis dando apoio pra família dela, não apenas como enfermeiros, mas principalmente como amigos...

- Você está certa enfermeira-chefe, mas se houver algo mais em que possamos ajudar, por favor, nos diga! – Respondeu Keita, com um meio sorriso.

E vendo que as outras já começavam a falar entre si sobre como animar à família de Kotoko e principalmente, quem animaria o Dr. Naoki, a enfermeira-chefe saiu para realmente montar a equipe para a operação...

Naoki já havia dado a partida no carro quando sua mãe apareceu na garagem, ainda ofegante ao entrar...

- Será que agora você pode me contar o que está acontecendo? – Seu tom irritado e preocupado ao mesmo tempo.

- Não, primeiro ligue para o papai e diga pra ele encontrar com a gente no hospital, depois ligue para o Oji-san* e diga que vamos passar no restaurante em quinze minutos para pegá-lo porque a Kotoko vai fazer uma cirurgia de emergência e é melhor estarmos todos no hospital... E antes que você me pergunte, assim que todo mundo estiver junto eu explico tudo de uma vez...

Noriko simplesmente obedeceu sem questionar, nunca tinha visto seu filho tão sério e, considerando a personalidade de Naoki, isso já dizia muita coisa... Além disso, não pretendia começar uma discussão na velocidade em que ele estava dirigindo, não era tão corajosa...

E então, após passarem na escola de Kotomi (que por sorte estava dormindo devido ao horário) e no restaurante de Shigeo, Naoki explicou aos dois o que estava acontecendo, fazendo o possível para que a pequena não acordasse:

-Ela está passando pelo mesmo problema que a mãe: aneurismas múltiplos, são bolhas de sangue que se formam no cérebro e caso se rompam, como parece ser o caso, causam derrame... O Yuki já está com ela na ambulância e à essa hora eles já devem ter chegado no hospital... "Desculpem por esta meia verdade, mas minha consciência definitivamente não precisa de ajuda pra gritar que a mulher que eu amo possivelmente vai morrer por minha culpa..."

- Isso não é possível... - Disse Shigeo, subitamente pálido - Os médicos me disseram que não havia risco de isso acontecer com ela Naoki, que não era hereditário...

- Oji-san, a medicina não era tão avançada na época, eles não sabiam...

- Eu devia ter obrigado aquela menina a ir ao médico ontem mesmo, o Yuki é que estava certo... Mas eu pensei que fosse só preocupação ou com sorte, outro netinho, mas isso...

- Eu não sabia que ela tinha passado mal, quando foi que isso aconteceu?

-Ontem de madrugada, nós não sabíamos onde você estava e ela já estava até organizando tudo pra irmos atrás de você quando a Chris ligou... Depois disso, ela não aguentava nem subir a escada, o Yuki teve que praticamente carregá-la... Sabe, ela até tentou fingir que não era nada demais antes da Chris ligar pra deixarmos ela ir te procurar também, mas estava na cara que não estava se sentindo bem...

O silêncio no carro era total, Naoki apertava o volante com tanta força que as pontas de seus dedos estavam brancas... Em nenhum momento da conversa tinha tido coragem de olhar para seu sogro, pois agora sabia por experiência própria o que ele tinha passado anos atrás e só de imaginar passar por tudo isso com Kotomi já o aterrorizava como nenhuma outra coisa no mundo poderia... Existem coisas que as pessoas só entendem depois de se tornarem pais ou maridos: uma delas é o verdadeiro medo de perder alguém, e saber que era o responsável por seu sogro enfrentar aquele inferno pela segunda vez em sua vida apenas piorava o seu próprio inferno particular...

Estacionou o carro na primeira vaga que pôde encontrar e abriu o porta-malas para pegar as coisas de Kotomi quando ouviu o toque de seu celular: era uma mensagem de Yuki...

"Estamos no hospital, ela já foi levada para ser "preparada para a cirurgia", foi o termo utilizado. Estou na sala de espera do setor C-13 com as amigas barulhentas dela, que disseram que a cirurgia vai ser aqui perto. Ela estava muito pálida, venha rápido!"

Sentiu seu coração perder algumas batidas ao ler a última frase... – Recebi uma mensagem do Yuki, a Kotoko já está indo para a cirurgia... V

Venham comigo, eu já sei onde ele está...

Seguiram todo o caminho ainda em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos... Shigeo levava Kotomi no colo, que ainda dormia, enquanto Naoki levava os brinquedos da menina e sua mãe carregava apenas sua bolsa. Seguiram por alguns corredores até finalmente chegarem à sala de espera C-13.

Era uma sala pequena que atendia apenas um centro cirúrgico com duas salas para operação, como Naoki bem conhecia. As paredes eram pintadas de um verde bem claro na metade inferior e branco na parte superior. Na frente da sala havia uma pequena recepção onde uma jovem enfermeira atendia, mas por mais que tentasse, não conseguia lembrar seu nome... Era algo como Kazuki ou Kazumi, sendo sincero consigo mesmo, poderia até ser algo totalmente diferente como Sayuri, a verdade é que ele não tinha ideia do nome dela e naquele momento também não se importava...

No outro lado da sala haviam dois vasos de plantas (um em cada canto) e um sofá para três pessoas em cada uma das paredes, onde se encontravam Yuki e Keita, sentados em silêncio no sofá da direita enquanto Marina, Motoki e Tomoko estavam no da esquerda conversando sobre como seria o procedimento pelo qual sua amiga passaria... Havia ainda uma pequena mesa de vidro com revistas no centro da sala, próxima dos três sofás, onde Naoki despejou as coisas de sua filha e sem trocar uma palavra sequer com ninguém, entrou na sala "1", pois sabia que Nishigaki costumava solicitá-la para operações deste tipo...

- Onde ela está? Como ela está?

Nishigaki estava fazendo a higienização pré-cirúrgica e não se incomodou em olhar para o jovem médico em nenhum momento e, embora sua voz claramente ainda carregasse muita raiva, respondeu no tom mais profissional que conseguiu - Está sendo preparada para a cirurgia então, por favor, fique na sala de espera como o familiar de qualquer outro paciente Naoki.

-Eu quero participar da cirurgia Jiro...

-Pff! E eu quero ser a rainha da Inglaterra! Não vai acontecer Naoki, pode esquecer...

-Ela não é um "paciente qualquer" e você sabe disso! Eu preciso estar naquela sala!

-Você precisava estar no meu consultório hoje de manhã...

- Droga Jiro, por favor me deixe estar com ela, mesmo que eu não participe da cirurgia, ao menos me deixe ficar na sala...

- Inferno Naoki – gritou o outro médico, finalmente encarando o jovem – Não me venha com "Jiro, por favor" agora! Um caso? Você achou que eu estava tendo um caso com ela? Sério mesmo? Você, de todas as pessoas deste lugar, era o único de quem eu jamais esperaria isso! Era o único que não tinha o direito de pensar isso! Você acompanhou a porcaria que foi a minha vida nos últimos anos, acha mesmo que eu trairia a nossa amizade e, acima de tudo minha esposa depois de tudo que passamos?! E a Kotoko?! A mulher é louca por você desde sempre e eu acompanhei quase tudo que ela passou nas suas mãos, ainda assim você acha que ela jogaria tudo que os dois construíram juntos no lixo pra ter um caso comigo? Isso nem sequer faz sentido seu idiota!

-Eu sei disso tá bom?! Já sei que fui um imbecil, orgulhoso e ridículo OK? – Gritou Naoki de volta, depois suspirou e com a voz mais calma, continuou – Eu não me surpreenderia se ela não quiser nem olhar pra mim quando acordar, porque é só uma questão de tempo Jiro, ela vai ficar bem, ela tem que ficar bem... Então por favor, me deixa ficar na sala ok?! Tem câmeras lá dentro e todos verão que eu não estou participando da cirurgia... Eu fico em uma cadeira no canto, pode ser? Eu só quero poder estar o mais próximo dela possível nesse momento... Por favor, Jiro...

Nishigaki respirou fundo, tentando recuperar a calma também – Escuta Naoki, como a cirurgia seria amanhã eu pedi ao Dr. Takemura pra trocarmos os plantões e assim ele faria a operação, mas como o aneurisma se rompeu precisamos fazer isso hoje, só que mesmo que conseguíssemos avisá-lo, ele nunca chegaria aqui a tempo... Foi por isso que eu não pensei duas vezes antes de mandar seu irmão trazê-la pra cá para que eu mesmo fizesse a cirurgia... Mas você sabe muito bem que o Conselho de Ética está na minha cola e operar uma pessoa tão próxima como a Kotoko provavelmente vai encerrar a minha carreira de vez! E se você estiver naquela sala, vai encerrar a sua também! Eu sei que jamais vou me arrepender dessa decisão, principalmente porque é da vida da Kotoko que estamos falando, mas você ainda tem um grande caminho pela frente em sua carreira e condená-la por conta de um sentimento de culpa não é uma decisão sábia...

-Carreira?! Jiro, nesse momento eu não ligo a mínima pra minha carreira! Se o Conselho me proibir de exercer medicina eu vou trabalhar com meu pai na Pandai, com meu sogro no restaurante dele ou em qualquer outra coisa, tanto faz... Se ela estiver viva e eu tiver uma chance de fazer ela me perdoar, nada mais me importa... E se algo acontecer a ela, a minha vida já vai estar acabada de qualquer maneira... Eu vou estar aqui para a Kotomi por mais alguns anos, mas quando ela for capaz de tomar as próprias decisões, minha existência não terá mais sentido sem a Kotoko por perto...

-Sinto muito Naoki mas como seu ex-professor, chefe e, ainda que tudo que eu queria nesse momento é quebrar sua cara, seu amigo, não posso permitir que faça isso...

-Não diga isso Jiro, por favor... E se fosse a sua esposa lá dentro? Se fosse a Sakura você não ia querer acompanhar a operação também?

Nishigaki coçou a parte de trás da cabeça e Naoki sorriu: sabia que tinha ganhado a discussão pois seu amigo sempre fazia isso antes de ceder sobre qualquer assunto difícil...

-Você é um pé no saco, sabia disso Naoki? Avise sua família, se arrume e entre na sala, eu vou começar com você lá dentro ou não, então é melhor ser rápido!

-Obrigada Jiro! Significa muito pra mim...

- Tá bem Naoki, mas vou deixar algumas coisas claras: A) Eu ainda estou com muita raiva de você! B) Você não vai nem cogitar a hipótese de chegar perto da mesa de operações e C) Se qualquer coisa der errado, você vai sair de lá imediatamente ou eu vou chamar alguém que tire você da sala à força, entendeu? Essa operação já é difícil o suficiente sem um marido histérico do meu lado colocando ainda mais pressão em cima de mim... Fui claro?

-Como água, Jiro...

-Dr. Nishigaki? – Era a enfermeira que estava na recepção, reconheceu Naoki - A enfermeira-chefe pediu pra eu avisar que a paciente está pronta e a equipe já está na sala...

- Obrigada Riza, estou indo! – Acompanhou a mulher até a porta e, sem se virar, disse - Naoki, eu prometo que vou fazer tudo ao meu alcance para salvá-la, só espero não decepcionar a nós dois... – E saiu antes que Naoki pudesse responder qualquer coisa.

Respirou fundo, pegou seu celular e enviou uma mensagem para seu irmão: "Consegui que me deixassem acompanhar a cirurgia, que deve levar em torno de quatro horas... O procedimento é simples, porém o estado dela é frágil. Obrigado por cuidar dela como eu deveria ter feito, você salvou a vida dela! Assim que tiver notícias eu aviso." Ficou olhando a tela do celular até que a confirmação de entrega da mensagem foi exibida, de jeito nenhum ia se permitir cometer o mesmo erro duas vezes.

Com rapidez e cuidado, executou todos os procedimentos de preparação pré-cirúrgicos e entrou na pequena sala, onde o grupo de médicos e enfermeiros já rodeava o corpo imóvel de sua esposa, monitorando sinais vitais e auxiliando Nishigaki a realizar os primeiros cortes com o bisturi.

Sentou-se em uma cadeira que estava no canto da sala e possibilitava uma visão de lado para a maca, cruzou braços na altura do peito e observou o pequeno cronômetro digital que estava na parede contrária da sala, marcando que já haviam transcorrido quarenta minutos do início da operação... O som cadenciado do monitor que indicava a frequência cardíaca de Kotoko invadia a sala e o acalmava um pouco... "Vai dar tudo certo... Ela vai ficar bem!"

O maldito cronômetro marcava agora duas horas e meia desde o início da cirurgia e, para Naoki, parecia que nada estava acontecendo... Observava a tudo e a todos, enquanto continuava repetindo seu mantra mental sem sequer perceber "Ela vai ficar bem... Ela vai ficar bem..." O fato de que ninguém esboçava reação a nada demonstrava o quanto todos estavam compenetrados em suas tarefas, e embora tudo parecesse correr normalmente, sua experiência lhe dizia que o fato de tudo parecer bem dificilmente significava que tudo estava realmente bem, e a falta de pistas sobre o que estava de fato acontecendo o estava levando à loucura... Como se em resposta aos seus pensamentos, os "bips" que marcavam a antes cadenciada freqüência cardíaca de Kotoko, começaram a aumentar rápida e significativamente, levando Naoki a levantar da cadeira e sibilar um "Por favor, não...", seu próprio coração batendo como se fosse sair pela boca.

-Preparem 200mg de lidocaína, mas não apliquem ainda... Naoki, você tem cinco segundos para sentar ou vai sair da sala – Disse Nishigaki, sem tirar os olhos do procedimento que estava fazendo no cérebro de Kotoko... "Finalmente encontrei os malditos aneurismas! Força querida, você consegue..." – pensou enquanto afastava os instrumentos e observava o monitor...

– Lidocaína pronta!

- Não aplique, ela vai estabilizar... - Os batimentos cada vez mais rápidos, mesmo depois de Nishigaki se afastar...

- Pressão sanguínea subindo, Dr. nós precisamos aplicar agora!

- Espere mais um pouco, se aplicarmos isso agora podemos ter problemas depois... Ela vai conseguir, eu sei que vai!

E como se ouvisse a fé que seu amigo tinha nela, o coração de Kotoko começou a desacelerar, arrancando suspiros de alívio e alguns "graças à Deus" dos presentes...

"Maldição Kotoko, não faça isso comigo..." Só agora Naoki soltou a respiração que nem percebeu que estava prendendo, jogando-se novamente em sua cadeira, esfregou o rosto com as mãos a fim de aliviar a tensão...

Observou seu antigo professor, o homem era mesmo um cirurgião brilhante e um ser humano ainda mais incrível... Sabia que não era fácil operar alguém próximo pela experiência que teve com uma antiga colega de faculdade, Matsumoto Yuko... Foi sua primeira intervenção cirúrgica, quando era apenas um interno e, ainda que não a visse há muito tempo, a pressão que sentira por saber que era a vida de uma amiga em suas mãos tinha sido terrível... A cirurgia era simples e transcorreu sem problemas, mesmo assim lembrava-se claramente do quanto estava nervoso e como tinha sido ríspido com a equipe, praticamente gritando ordens para todos... Sabia que todos haviam relevado o tratamento que receberam por conta dele ser tão novo e, principalmente, porque ao mesmo tempo em que fazia a cirurgia, Kotoko estava dando à luz a sua filha e mesmo que ela tivesse concordado, sempre sentiu-se culpado por não estar com ela naquele momento, afinal havia prometido... Mas isso não importava mais, a verdade é que não era bom com pessoas e por muito tempo não entendia porque suas operações eram bem sucedidas mas todos detestavam trabalhar com ele... Até que Nishigaki o chamou para acompanhar uma de suas cirurgias: Ele era sempre calmo e sereno, sua voz possuía um tom de comando gentil que não abria brechas para especulações e questionamentos, mas não era bruto ou rude: era o comando de alguém experiente que sabia que a vida de outra pessoa dependia de sua agilidade e de sua equipe, e ele deixava isso claro para todos. Não importava a complexidade da cirurgia, ele nunca perdia a calma e sempre passava confiança e otimismo a todos, que trabalhavam de forma rápida e leve... Além disso, diferente de muitos médicos que vira por aí, como responsável pela cirurgia ele sempre assumia os erros sozinho e compartilhava os acertos com a equipe frente à diretoria do hospital, sempre protegendo aqueles próximo a si...

Tinha certeza que por toda essa lealdade e pela ligação especial que tinha com Kotoko, embora Naoki ainda não entendesse ou gostasse dessa amizade tão repentina, sabia que devia estar sendo difícil pra ele fazer uma cirurgia tão delicada, e mesmo assim ele se comportava como sempre: calmo e controlado. Romajiro Nishigaki era, sem dúvida, o melhor cirurgião que conhecia, incluindo a si mesmo nesse levantamento.

O som do monitor novamente apitando de forma cadenciada o tranquilizava e o ditado "cuidado com aquilo que deseja" veio à sua mente, ele achou ótimo que tudo agora estivesse tranquilo...

Olhou novamente o rosto calmo e sereno de sua esposa, não fosse o ambiente em que estavam poderia até mesmo dizer que ela estava dormindo... Infelizmente o fato dela estar em uma maca com pessoas observando-a e mexendo em seu cérebro o tempo todo, dificultava muito para assimilar esta imagem como algo positivo para tentar se acalmar... Só agora tinha notado que haviam raspado seu lindo cabelo... É claro que sabia que isso seria necessário, mas o medo e a preocupação não haviam deixado que ele prestasse atenção nisso antes. Ela ia ficar muito brava quando acordasse e Nishigaki provavelmente apanharia – Sorriu antes este pensamento, quase podia ver Kotoko, sempre tão alegre e animada, batendo de forma brincalhona e infantil no braço de seu amigo. Era realmente uma pena que o tivessem cortado, adorava o cheiro de morango que vinha do cabelo dela devido ao shampoo que usava... Adorava dormir abraçado à ela, inalando aquele perfume delicioso a noite toda...

Começou a lembrar de tudo o que passaram durante os anos e sorriu - Quando ela se declarou a primeira vez, com aquela carta cheia de erros... Como ela chorou por "arruinar" seu futuro no dia do vestibular para Tóquio... O primeiro beijo na graduação e o segundo no verão... Aquela droga de dia em que decidiu se casar com Chris pelo bem da empresa e de seu pai e como se sentiu quando ela o abraçou e chorou as lágrimas que ele não soltava pelo sonho que estava abandonando... O pior e melhor dia da sua vida, quando soube que ela ia se casar com outro e quando ela "aceitou" se casar com ele, mesmo depois de tudo que ele a havia feito passar... Agradecia todas os dias por ela ser tão determinada, afinal, passar cinco anos correndo atrás dele erava prova de que ela tinha que ser muito apaixonada... Mas nada o tinha preparado para a primeira vez em que ela saiu de casa... Quando Keita a pediu em namoro na frente de toda a faculdade, achou que a tinha perdido para sempre... Nunca se esqueceria de como entrou em desespero ao vê-la olhando para o colega, sem resposta para as coisas horríveis que ele dizia, porque todos, incluindi ele mesmo, sabiam que aquilo era verdade... Os ciúmes o haviam cegado de tal forma que não percebia como a estava machucando, aquela raiva o enlouquecendo todas as vezes em que ela dizia "O Keita isso" ou "O Keita aquilo"... Fosse outra mulher teria se apaixonado pelo maldito enfermeiro... Mas não a sua Kotoko, sua gentil e apaixonada esposa jamais amaria outro homem... Jamais o abandonaria, e era por isso que tinha certeza... "Ela vai ficar bem... Ela vai ficar bem..."

"Que estranho, nenhum dos aneurismas está rompido... Isso é ótimo e tudo o mais, mas porque diabos ela desmaiou? Quer saber, isso realmente não importa agora! Vou colocar os malditos clipes e depois a gente pensa nisso... Ao menos o cérebro dela está totalmente preservado e ela vai viver pra me importunar outro dia – Sorriu para si mesmo enquanto colocava o primeiro clipe...

- Primeiro clipe foi OK pessoal! Iniciando o segundo... – Não tinha certeza se estava falando para a equipe ou apenas para acalmar seu amigo, que estava tão absorto em pensamentos que provavelmente nem o ouvira, ele podia ser péssimo demonstrando seus sentimentos, mas era inegável que a amava...

-Segundo clipe OK pessoal, iniciando o último... – "As coisas vão ficar bem, mas o idiota vai me pagar um ótimo almoço por tudo isso, além de me arrumar um emprego no tal restaurante quando isso acabar e eu for demitido, é claro... – Terceiro clipe OK! Vamos dar alguns minutos para ter certeza que o corpo dela não vai reagir, e aí... – De repente, os monitores começavam a apitar e mostrar que os sinais vitais de Kotoko estavam parando...

-A pressão está caindo, estamos perdendo batimentos doutor...

- 100mg de epinefrina, agora!

-Não deixa ela morrer Jiro, por favor! - Naoki já estava de pé novamente, observando tudo o mais próximo o possível sem atrapalhar a equipe...

-Aplicando agora! Batimentos ainda caindo...

-Ela não pode morrer, por favor, não a deixe morrer...

-Preparem o desfibrilador... E alguém tira o Naoki daqui!

-O quê? Não! Não faça isso comigo Jiro! Não me tira daqui agora... – Naoki gritava enquanto um dos enfermeiros já começava a arrastá-lo para fora da sala...

-Dr., os batimentos continuam caindo, ela não vai aguentar!

- Mais 100mg de epinefrina! O desfibrilador está pronto?

- Sim, tudo pronto!

-Jiro, me deixa ajudar! – Naoki, que havia se desvencilhado do enfermeiro, estava ao lado do médico mais velho, que simplesmente o ignorou...

-Tirem ele daqui, agora! – A voz de Nishigaki, diferente de Naoki, estava calma e confiante, o que não expressava nem de longe o que se passava em sua alma...

O monitor de frequência cardíaca de Kotoko agora emitia um som fino e contínuo, gelando a alma de todos os presentes... Naoki, que já estava novamente na porta, voltou-se com força contra o enfermeiro que o levava, mas este revidou com ainda mais força, praticamente jogando-o para fora da sala e trancando a porta.

Naoki não percebeu que estava chorando, não percebeu que estava gritando... Tudo que sabia é que tinha que voltar para aquela sala, tinha que ver que o coração de Kotoko tinha voltado a bater e que aquele era apenas outro susto... Não podia ser outra coisa...

"Kotoko... Kotoko..." – Calma, Naoki! Você está assustando todo mundo! Socar a porta e gritar o nome dela não vai mudar nada! Confie no Dr. Nishigaki, a cirurgia não acabou ainda então não ouse perder a esperança!

-Keita, parece que alguém está arrancando meu coração fora... O que eu vou fazer sem ela? Porque o coração dela parou Keita?

- Você não precisa pensar nisso até que a luz na sala se apague e o Dr. Nishigaki diga que ela não aguentou, até lá, só podemos confiar nele e na vontade dela de viver...

Sua mãe aproximou-se e tentou abraçá-lo, mas Naoki levantou-se e simplesmente saiu correndo, corria como se isso fosse parar a dor em sua alma... Correu e correu até chegar ao telhado do hospital... Suas pernas não o sustentavam mais e ele caiu de joelhos. E então, pela segunda vez naquele dia, o grande gênio Irie Naoki fez uma coisa que nunca havia feito: Juntou as palmas de suas mãos, fechou os olhos e rezou por um milagre.

N.A: E este foi o nono capítulo, o que acharam?

*Oji-san: Seria algo como "tio", que é como Naoki e Kotoko chamam os respectivos sogros depois que se casam... É muito comum no Japão que depois do casamento que as famílias realmente se integrem, diferente daqui onde o sogro é o pai do seu companheiro (a), lá ele se torna realmente seu segundo pai, ou nesse caso tio que é o mais próximo... Por isso que a Kotoko começa o anime chamando a Noriko de Oba-sama (tia) e termina com Oka-sama (mãe).

Espero que vocês tenham gostado, foi realmente difícil escrever a parte da cirurgia, o mais perto que eu chego disso é colocar band-aid no dedo hehehe...

Como curiosidade, vocês sabiam que epinefrina é o mesmo que adrenalina? Bom, agora a gente sabe

OBS (RE-Repetida): Eu não sou médica, nem mesmo sou da área da saúde, então se algum incrível profissional dessa área vir a ler esta humilde fanfic, por favor não se irrite com qualquer coisa errada que esteja escrita aqui, encarem como uma "licença poética" (e eu sei que nesse capítulo eu abusei muito dela) rsrsrs.

Impala67: Que bom que gostou do último capítulo, confesso que também me emocionei... Sempre achei que apesar da fachada fria, o Naoki a ama acima de qualquer coisa e este nono capítulo mostra bem isso, espero que goste dele também e que ele não tenha que viver com remorso, como disse o Keita com outras palavras, só acaba quando termina, vamos torcer... (Eu não dou spoilers, principalmente porque ainda não sei exatamente o que vou fazer rsrsrsrs)

Wi 1999: Eu sempre fico feliz com seus reviews (e com os de todo mundo, mas como você costuma ser bem rápido(a) eu fico esperando hehehe), estava sentindo sua falta ... Como disse para o Impala67, eu também espero que ela não morra, mas não prometo, vamos torcer rsrsrsrs...

E muito obrigada pela sugestão, acho que após terminá-la vou tentar traduzir sim! É que como meu inglês não é dos melhores, tenho medo pela quantidade de erros de gramática e ortografia (já busquei algumas ferramentas na internet que ajudam, mas não é 100%... Aliás, se achar algum erro de português, por favor avise! Eu tomo cuidado mas às vezes passa na revisão... )

Eu cheguei a comentar sobre isso com uma autora chamada DeathNoteFan29, vou ver se ela me ajuda com essa questão... Nós nos conhecemos quando eu deixei um review na história maravilhosa dela: Lonely Serenade, do anime Sukkite Li Na Yo - Say I Love You (link embaixo). Sério, se você gosta do anime, leia! É ótima!

Link: s/11498865/1/Lonely-Serenade

Se tudo der certo, coloco na sinopse o link da fic em inglês . Obrigada de novo!

Beijos e Abraços, e até semana que vem que vem.

Sayonara o/