N.A: Moshi Moshi Pessoal! Espero que estejam todos bem ;)
Eu sei que este capítulo também demorou mais do que devia pra sair, mas é que além de longo foi difícil de escrever e revisar por ser o último, então tive que tomar cuidado pra não deixar nenhuma ponta solta na história... Além disso, mudei várias coisas muitas vezes porque estava com medo de vocês não gostarem do final... Na verdade ainda estou kkkkkk =/
Não esqueçam que "Autores são movidos a reviews". Obrigada a todos que acompanharam a história durante esses seis meses (mesaniversário da fic hoje! Yey \0/), espero que tenham gostado de ler tanto quanto eu amei escrever ;)
Apesar de este ser o final da história, dia 30/06 vou postar um último apenas pra responder os reviews que aparecerem nesse capítulo (se tiver, espero que sim =] kkkkkk) e pra falar sobre as próximas fics que eu acho que vou escrever
Agora vamos ao que interessa, espero mesmo que gostem desse último capítulo.
Capítulo 12
-Então querida, como você está se sentindo?
- Estou bem papai, apenas um pouco cansada...
-É porque você acabou de sair de uma cirurgia, é natural, principalmente com todas essas visitas... Vou sair pra deixar você descansar está bem?
-Não! Eu preciso falar com o senhor... E, além disso, já dormi o suficiente por um mês hoje.
-Eu não quero você se esforçando demais, principalmente agora meu amor... Você precisa se concentrar em...
-Papai, eu falei com a mamãe... – Interrompeu Kotoko subitamente, deixando Shigeo surpreso e sem reação por alguns instantes, mas este logo recuperou a fala e respondeu, sorrindo... – Meu amor, provavelmente foi apenas um sonho, você estava sob uma anestesia muito forte, afinal...
- Não foi a anestesia nem qualquer outro remédio, papai! Era a mamãe e o senhor tem que acreditar em mim! – O tom de Kotoko era decidido e mostrava sinais de uma leve irritação, o que Shigeo já conhecia como marca registrada de que ela teimaria sobre o assunto até o dia em que morresse, e além... Mas antes que pudesse responder qualquer coisa, Kotoko continuou falando, um sorriso nostálgico em seus lábios mostrava o quanto já sentia saudades do pouco tempo que teve com sua mãe – Sabe papai, ela me contou várias coisas sobre o dia em que eu nasci, algumas histórias de quando eu era criança e até disse várias coisas sobre meu casamento e meus problemas com o Irie-Kun... Que eu deveria confiar mais no amor dele por mim e que nós temos jeitos diferentes de demonstrar nosso amor um pelo outro, mas que nenhum deles é errado, apenas diferente...
-Isso definitivamente é algo que sua mãe diria, querida... – Respondeu o homem, ainda surpreso com o fato de que sua filha podia realmente estar dizendo a verdade e talvez não fosse uma reação aos medicamentos, pois Kotoko nunca chegaria à uma conclusão sabia como esta sem ajuda, então talvez o melhor seria os dois ficarem juntos mesmo... Mas isso ainda poderia ser apenas uma reação aos remédios e considerando os fatos recentes, não podia permitir que sua filha entrasse em depressão ou qualquer outra coisa assim por causa de um sonho... E tomado por esta onda de racionalidade, resolveu falar aquilo que estava em sua mente e em seu coração, pois mesmo com as recomendações do Dr. Nishigaki, sabia que seria muito menos doloroso para ela enfrentar a possibilidade do fim de seu casamento agora do que quando Naoki chegasse com os documentos do divórcio que, tinha certeza, era o que ele ia pedir ao amigo advogado... – Eu ia deixar pra conversar com você sobre isso mais tarde, mas visto que você tocou no assunto, acho melhor dizer o que eu penso filha...
- Sobre o que o senhor está falando, papai? – disse a garota, sua voz mostrando todo o medo que sentia pelo que viria...
-Eu realmente acho que você deveria terminar seu casamento com o Naoki, filha... Por favor, não me olhe assim... – Respondeu Shigeo vendo a expressão de dor no rosto de Kotoko e fazendo o possível para ignorar o fato de estar fazendo sua filha sofrer, mas sabendo que este era o único jeito de protegê-la, continuou... – Entenda meu amor, você já sofreu demais estes anos todos com ele, não acha que você merece alguém que a faça feliz? Que a faça sorrir ou ao menos fique ao seu lado para te dar forças quando você chorar ao invés de ser o causador das suas lágrimas?
-Mas papai, nós só...
-Você sabe que eu realmente amo o Naoki como se fosse meu próprio filho... – Shigeo continuou, cortando a interrupção da garota - Para mim e para os pais dele também, tenho certeza, ver os dois juntos é maravilhoso mas a coisa mais importante para nós é a felicidade de vocês, e se isso acontecesse, tudo bem brigar de vez em quando. O problema é que tudo que eu vejo são brigas e mais brigas das quais você sempre sai muito mais magoada do que ele, diga-se de passagem, e isso não me parece justo e não faz bem para ninguém, principalmente se pensarmos na Kotomi!
-Mas papai, eu amo o Irie-Kun, e depois de conversar...
-Escuta filha, – Interrompeu Shigeo, levantando a mão para que Kotoko ficasse quieta – Não estou dizendo que vocês não se amam mais nem nada assim, mas apenas amor não é suficiente para um casamento funcionar, entende? Vocês querem coisas diferentes e tem necessidades diferentes... O Naoki quer se dedicar ao trabalho, ao estudo e à carreira e você quer estar com ele e com a Mi-chan em casa ou sair para dar um passeio em família... Nenhum dos dois está errado em querer essas coisas, mas se vocês não conseguem se entender para que os dois consigam tudo isso, é melhor que se separem antes de ficarem ressentidos um com o outro, porque a pessoa que mais vai se magoar em tudo isso é a Kotomi... Além disso, você também precisa pensar nos sentimentos do Naoki meu amor, não acha que depois de tanto tempo eles podem ter mudado? Que talvez seja o momento de vocês repensarem sobre o que é melhor para os três e tomarem uma atitude? Porque uma coisa é certa Kotoko: Eu não vou permitir que você continue se trancando no quarto, chorando rios e rios de lágrimas porque ele fez ou deixou de fazer alguma coisa... Que você volte para este hospital porque aquele idiota não sabe como valorizar você da forma que você merece... – Agora era Shigeo que deixava cair algumas lágrimas, não conseguindo mais segurar o medo, a tensão e finalmente o alívio por tudo que havia acontecido, respirou fundo e passou as mãos pelo rosto limpando as lágrimas e, após recuperar a calma, continuou – Eu já perdi a sua mãe muito cedo meu amor, e não vou perder você também, entendeu? Então por favor, prometa que você vai pensar em tudo isso que eu te disse.
- Eu prometo papai... – Respondeu a garota, também afastando algumas das lágrimas de seu próprio rosto, que começaram a cair sem que percebesse... – Ah, papai, eu quase me esqueci, a mamãe me pediu pra te dar um recado, ela disse que "está bem, que te ama muito e que está te esperando com saudade, mas que prefere que você demore bastante pra ir vê-la... E que o senhor fez um trabalho maravilhoso com um tal botão de rosa, que cresceu lindo e forte apesar das aparências..." Mas sinceramente, eu não me lembro de nenhuma roseira na nossa casa... E tem outra coisa também, antes de reconhecer a mamãe, ela me disse para chamá-la de Koyumi, você sabe o porque? Ela não quis me explicar e mandou que eu te perguntasse...
Shigeo, que nesse momento estava sem palavras tamanha a emoção que sentia ao ouvir tudo isso, pois era a certeza de que Kotoko realmente havia falado com sua mãe, já que não havia outra forma da garota ter descoberto aquelas coisas, abraçou a filha o mais forte que podia, até machucando um pouco a garota sem que percebesse... – Você é o nosso botão de rosa, filha... Nós te chamávamos assim quando sua mãe estava grávida porque não sabíamos se seria um menino ou uma menina, então ela inventou isso porque poderia ser um jeito masculino e feminino ao mesmo tempo... Sua mãe tinha umas ideias que só ela mesma para entender... – Finalizou soltando sua filha, um sorriso triste em seu rosto enquanto se recuperava do choque inicial – Eu sei que já te disse isso, mas você é a cara da sua mãe Kotoko, até a personalidade...
- Eu sinto tanto a falta dela... – Respondeu a garota, um sorriso triste também em seus lábios.
-Essa história do nome dela é porque seu nome de solteira era "Kotiro Mayumi", e todos os amigos dela a chamavam de "Koyumi", mas quando nos casamos ela virou "Kotiro Aihara" e como "Kohara" era muito estranho, começamos todos a chamá-la de "Kotiro", o único nome pelo qual você a conheceu...
-Entendi... Papai... Eu amo você! – Disse Kotoko, chorando novamente e emocionada por todas as lembranças de sua mãe e por entender muito melhor agora que era adulta, os sacrifícios de seu pai para criá-la sozinho...
-Eu também te amo, minha querida... – Shigeo a abraçou novamente, lutando inutilmente contra as lágrimas que teimavam em cair por seu rosto, depois de toda a confusão pela cirurgia de Kotoko e de toda a comoção da conversa, estava realmente muito emocionado... – Escute filha, eu vou pegar uma água, você fica bem sozinha por alguns momentos? Eu posso chamar uma enfermeira para ficar com você, se quiser...
- Não papai, não precisa! Pode ir tranquilo...
-Está bem, eu já volto... – E lembrando-se das recomendações do Dr. Nishigaki (as quais sentia-se péssimo por não ter cumprido), acrescentou – Tente descansar um pouco...
Kotoko apenas assentiu com a cabeça, encostando-se no travesseiro enquanto sentia o sono chegando... "Se vou dormir, tomara que eu sonhe com a mamãe... Talvez até com o papai junto dessa vez...".
-Eu já posso ir embora? -Perguntou Nishigaki pela quinta vez, sua expressão fingia o tédio de uma criança que aguardava o fim de uma longa viagem de carro, porém a ira mal contida que carregava pelo homem à sua frente se fazia quase palpável em sua voz...
-Pela última vez Jiro, você não pode sair até esta reunião acabar, e ajudaria muito se você parasse com as piadinhas sarcásticas e cooperasse com o Dr. Oshinaga para resolvermos logo este mal entendido! – Respondeu o diretor do hospital, um homem de meia idade já quase calvo que trajava uma camisa que claramente já não lhe cabia direito, os botões ameaçando serem atirados por toda a sala enquanto continuava comendo os salgadinhos light que sua esposa havia lhe dado e que decidiu colocar em cima da mesa para o "convidado" do Comitê de Ética, e na verdade quem havia se servido era apenas ele mesmo... Conhecia Romajiro Nishigaki há quase vinte anos e sabia que o homem não merecia estar ali nem agora e nem em nenhuma das diversas vezes em que aquele idiota havia inventado alguma coisa ridícula para acusá-lo, mas como era perigoso para o hospital se indispor com alguém em sua posição, protegia o amigo da melhor forma possível, mesmo sem saber o motivo desta perseguição...
- Dr. Kurosawa com todo respeito, eu sou um homem muito sério quando a situação exige isso, mas colocar este homem para julgar meus atos sob um ponto de vista ético, não passa de uma piada de mau gosto! E isso não é um "mal entendido", mas sim uma acusação grave da qual eu sou inocente...
-O que o senhor quer dizer com isso, Dr. Nishigaki? – Respondeu Oshinaga, cruzando os braços sobre o peito e, embora as feições suaves e belas ("alto, loiro e de olhos verdes: o sonho de todas as mulheres", como sua esposa adorava lembrá-lo quando queria lhe fazer ciúmes) transmitissem confiança e autoridade, Nishigaki o conhecia bem o suficiente para saber que tais características apenas complementavam a falta de caráter, o terno caro que vestia apenas realçava o quanto acreditava no poder do dinheiro e o fato de ser obcecado pela ex-mulher, pois tinha certeza que Sakura era o motivo de toda essa perseguição, faziam com que o cirurgião o desprezasse quase tanto quanto desprezava sua própria ex-mulher...
- O que eu quero dizer ao senhor, Dr. Oshinaga, o horário não me permite, mas o que eu disse é que colocá-lo para falar de ética é como me pedir para operar sem um bisturí: não dá para executar um trabalho se não temos as ferramentas necessárias para isso...
-O senhor está insinuando que eu não tenho ética? Eu sou o representante do Comitê de Ética neste hospital!
-Não me julgue pelo senhor doutor, eu não sou um homem de fazer insinuações... Eu estou realmente afirmando com todas as palavras que o senhor não possui ética alguma para julgar minhas ações dentro ou fora de um centro cirúrgico! E o senhor pode ser o representante do raio que o parta se quiser, isso não significa absolutamente nada pra mim, principalmente considerando que o senhor convenientemente decidiu ignorar o claro conflito de interesses existente entre nós quando decidiu vir trabalhar neste hospital para me perseguir!
- Agora é o senhor quem está fazendo acusações graves Dr. Nishigaki, eu não estou perseguindo ninguém! Deveria ter cuidado com as coisas que diz por aí...
- Devo entender isso como uma ameaça, doutor?
-Claro que não, apenas um conselho amigável... Nenhum de nós gostaria de vê-lo sem sua licença médica ou até mesmo preso por calúnia e difamação, não é mesmo?
-Acontece doutor que nós não somos amigos, eu não preciso dos seus conselhos e definitivamente não tenho medo de um homem que faz ameaças veladas as quais, nós dois sabemos, você jamais conseguiria cumprir... Então vamos deixar as coisas claras cavalheiros, porque eu tenho pacientes a minha espera: Eu operei a sra. Kotoko Irie, que é uma colega de trabalho e amiga próxima, porque não havia outro cirurgião disponível a não ser o marido dela, Dr. Naoki Irie, que participou da cirurgia apenas como observador, conforme pode ser verificado nas gravações da câmera de segurança da sala de cirurgia. Absolutamente nada nestasituaçãovai contra as diretrizes do Código! O que seria realmente errado é deixar ela na maca para morrer enquanto esperávamos conseguir o contato e a chegada de outro cirurgião aqui... Ou vocês preferiam que eu deixasse o Dr. Irie, que estava fora de si pelo desespero como qualquer um em sua situação, fazer a cirurgia? Porque essas eram as únicas opções e as duas ferem oDecreto 20.931, de 11/01/32* e os Artigos 33 e 36 do Código de Ética*, como o senhor representante aípode confirmar... – Colocou todo o desprezo que sentia em sua voz ao se referir ao outro homem, e finalizou – Eu acho que esqueci de mencionar, ética é uma das várias disciplinas que eu leciono aqui no Tonan, que é uma das faculdades de medicina mais bem conceituadas no distrito, como vocês sabem...
-Com licença, desculpem interromper a reunião mas eu preciso conversar com o Dr. Nishigaki por alguns minutos...
-O Dr. Nishigaki não vai sair desta sala tão cedo, portanto, se o senhor puder aguardá-lo na recepção eu...
-A Kotoko está bem, Naoki? – Respondeu o médico mais velho em tom preocupado, virando-se na cadeira para encarar o recém chegado e ignorando completamente o que Oshinaga estava dizendo, fazendo com que este fechasse as mãos em punho de irritação...
Vendo Naoki assentir positivamente, foi a vez de Kurosawa falar, sua voz impunha o máximo de autoridade que sua figura peculiar podia lhe proporcionar... – Dr. Irie, considerando que sua esposa está bem, peço que siga o pedido do Dr. Oshinaga e espere lá fora...
-Dr. Kurosawa, o senhor sabe todo o respeito e carinho que tenho por você, depois de vinte anos de amizade, mas minha paciência realmente chegou ao fim! – E virando-se para o amigo, continuou - Naoki, eu sei que você quer falar da proibição que eu fiz para te manter longe da Kotoko... Considerando que o Dr. Oshinaga precisa de um tempo pra tentar me enquadrar em outro crime de ética que eu não cometi e o Dr. Kurosawa precisa pensar em algum jeito de me convencer a não pedir demissão por conta desse idiota, porque não aproveitamos para eu te explicar o quadro real da sua esposa?
-Demissão Jiro? Você sabe que não pode fazer isso comigo...
- Kurosawa, meu amigo, eu sinto muito mas ter que ficar me explicando o tempo todo por coisas que não fiz não é algo de que eu goste e, principalmente, eu não pretendo deixar essa situação continuar até que ele realmente ache um jeito de cassar minha licença e eu não possa mais trabalhar no que eu amo por conta de uma situação injusta como essa então, se ele não sai, e eu sei que você faria algo a respeito se pudesse, saio eu...
-Na verdade senhores, é exatamente sobre isso que nós viemos falar...
-Nós? Do que está falando Dr. Irie? – Respondeu Kurosawa, franzindo o cenho.
Naoki deu alguns passos para trás e assentiu com a cabeça, depois voltando-se para os médicos dentro da sala continuou, enquanto diversas pessoas iam entrando – Temos aqui dois enfermeiros da ala neonatal, um da ala geriátrica, três da pediatria, um médico da oncologia e um da gastroenterologia, cinco dos dez médicos estagiários que trabalham conosco, eu falei com o Dr. Takemura e, mesmo não estando aqui hoje ele concordou em participar, então contando comigo somamos mais dois médicos cirurgiões, além dos três médicos e dos cinco enfermeiros que compõem a equipe cirúrgica do Dr. Nishigaki... Isso resulta em vinte e três profissionais que vão pedir demissão caso o Jiro saia do hospital! É claro, esse valor representa quem reunimos em dez minutos, acredito que se realmente for concretizado, vocês terão cerca de dez por cento dos funcionários indo embora. Considerando isso, a decisão é de vocês!
- Pessoal, eu agradeço mas vocês não precisam fazer isso, eu sei que vocês também tem famílias e...
-Com todo respeito Jiro, cale a boca! – Disse Saya, surpreendendo a todos pois costumava ser a enfermeira mais calma e gentil da equipe, e apontando para o Dr. Oshinaga, continuou – Esse homem vem para o nosso hospital, começa a te acusar de coisas sem sentido e você espera que a gente não faça nada? – E suavizando seu tom, finalizou – Você sempre protegeu a gente Jiro, agora é a nossa vez de proteger você, então vamos ver o que o Dr. Kurosawa vai decidir...
-Não seja ridícula moça, todas as acusações que eu fiz tem fundamento e o Dr. Nishigaki só escapou por brechas existentes no Código de Ética que dão margem à esse tipo de interpretação e permitem que médicos como ele operem como se não existisse nada regulamentando suas ações, somos médicos não deuses para brincarmos com as vidas dos nossos pacientes dessa forma!
- O senhor me desculpe Dr. Oshinaga, mas se o senhor realmente acredita que um livro de regras vale mais do que a vida dos pacientes, acho que o senhor não deveria estar no Comitê de Ética, ou melhor dizendo, não deveria nem sequer ser um médico, pois nosso propósito acima de qualquer outra coisa deve ser salvar vidas e ajudar nossos pacientes da melhor forma que pudermos! O Dr. Nishigaki salvou a vida da minha esposa, não fosse toda a tranquilidade e precisão que ele demonstrou durante a cirurgia, eu provavelmente seria viúvo agora.
- Dr. Irie, vou fazer o senhor entender o que eu quero dizer, então apenas me responda três coisas: primeira, o senhor participou da cirurgia mesmo sendo marido da paciente?
-Eu estava dentro da sala, mas participei apenas como observador...
-Segunda: Houve um momento em que a paciente teve uma parada cardíaca. Como o senhor reagiu?
- Eu me aproximei da maca e continuei observando a cirurgia, não de forma muito calma, admito, mas em nenhum momento eu interferi na operação e logo fui colocado para fora da sala, conforme combinado com o Dr. Nishigaki...
-Ótimo Dr. Irie, isso já me ajuda a responder o terceiro ponto: Nesse momento da cirurgia, você pediu para participar, ao que o Dr. Nishigaki respondeu te expulsando da sala, em seguida o senhor fez um escândalo, empurrando enfermeiros, gritando e aumentando a pressão em todos os presentes... E se aquele enfermeiro não conseguisse tirá-lo da sala? E se em sua briga desenfreada o senhor tropeçasse sobre a maca ou outro equipamento? Sua esposa poderia ter morrido, não acha? E de quem seria a culpa?
- Eu jamais me descontrolaria ao ponto de sair tropeçando por aí doutor e o Jiro me conhece o suficiente pra saber disso, mas se algo do gênero acontecesse, a culpa seria inteiramente minha...
-É aí que você se engana meu caro, a culpa não é do marido desesperado que está vendo sua esposa à beira da morte, a culpa seria do cirurgião-chefe que permitiu sua presença na sala! Agora vocês entendem o porquê disso tudo? Poderia ter acontecido algo muito sério e...
- É, mas nada aconteceu – Interrompeu Saya, gritando... E a partir daquele momento, instaurou-se o caos: Com exceção de Naoki, que via tudo com seu olhar indiferente de sempre e o próprio Nishigaki que demonstrava a mesma expressão calma que mantinha em suas cirurgias, todos os outros gritavam histericamente sobre toda a situação até que finalmente ouviu-se uma voz acima das outras: Kurosawa – Chega! Vocês não são crianças e isto aqui não é uma escola primária, é um hospital! Portanto façam silêncio e comecem a se comportar como adultos e os profissionais altamente capacitados que eu sei que são e acalmem-se!
-Finalmente, o senhor colocou...
-Cale-se o senhor também, Dr. Oshinaga! – E voltando a falar em seu volume normal, embora usasse um tom extremamente sério, o experiente médico continuou – Eu sei que todos vocês pensam que eu estou aqui apenas enfeitando a sala da diretoria, mas estão errados! O Dr. Oshinaga tem razão em certos apontamentos que fez sobre a conduta do Dr. Nishigaki, mas é óbvio que eu também percebi que seu principal motivo é uma vingança pessoal... É por isso que submeti as ações dele à uma auditoria do Comitê de Ética desde o segundo caso, e o parecer deles deve chegar a qualquer momento...
- O quê? Você não pode fazer isso! Todas as minhas ações foram puramente visando o bem dos pacientes!
- Então o senhor não tem nada a temer não é mesmo? – Respondeu o diretor, arrancando risinhos dos presentes – Quanto ao senhor, doutor Nishigaki, eu não aceito sua demissão e você vai continuar trabalhando até o parecer da auditoria chegar, fui claro?
- Sim, senhor. - Respondeu o outro médico, com um sorriso.
-Ótimo! Agora, vocês todos precisam aprender que... – Enquanto Kurosawa continuava seu discurso sobre insubordinação, Naoki afastava-se lentamente da pequena aglomeração e ia em direção à porta, saindo discretamente para não ser notado por seus companheiros... "Eu não vou conseguir falar com o Jiro mesmo, mas pelo menos agora não tem ninguém de guarda no quarto da Kotoko e eu sei que ela está bem para receber visitas, ele provavelmente só queria me passar outro sermão..."
Chegando ao quarto, já com os documentos do divórcio novamente em suas mãos, Naoki respirou fundo e já ia entrar quando ouviu a voz de seu sogro lá dentro... "Eu já perdi a sua mãe muito cedo meu amor, e não vou perder você também, entendeu? Então por favor, prometa que você vai pensar em tudo isso que eu te disse." – Segurou a respiração, era óbvio que eles estavam falando sobre o divórcio e, mesmo sendo egoísta, rezava para que ela jamais concordasse...
"- Eu prometo papai..." - Sentiu o coração acelerar loucamente ao ouvir a voz de sua esposa outra vez, era como se fosse o som mais maravilhoso da face da Terra... Lutando contra as lágrimas e contra o nó que se formou em sua garganta por conta da resposta de Kotoko, apoiou a testa na porta do quarto, como se dessa forma seus sentimentos pudessem alcançá-la... Começou a pensar em tudo que havia acontecido e não escutava mais a conversa dentro do quarto, apenas a briga que tiveram ecoava em sua mente...
"Esconder meu jogo? Mentir? Do que está falando Naoki? E se você ouviu a conversa, porque diabos não entrou no consultório? O Jiro queria falar com você e eu precisava de você lá...
-Entrar lá? E atrapalhar a festinha de vocês? Ahh não, obrigada! Até porque, pela sua aparência, eu teria apenas incomodado você e o Jiro não é mesmo?"
Medo. Dor. Era por isso que não tinha entrado no maldito consultório! Sentira tanto medo de confirmar suas suspeitas e elas lhe trouxeram tanta dor que ele havia simplesmente fugido e ignorado qualquer possível explicação para o que tinha ouvido, atacando e ofendendo Kotoko... E isso quase havia lhe custado sua vida...
"Eu já disse que sei de tudo, Kotoko! Pode parar com esse seu teatrinho ridículo... Eu sei que você está tendo um caso com o Nishigaki desde a minha viagem para aquele congresso!
-O que está dizendo Naoki? Ficou louco?"
Como pôde ser tão idiota a ponto de acreditar que sua Kotoko faria algo assim? É claro que ela havia amadurecido muito em diversos pontos desde que se conheceram, mas seu espírito se mantinha quase tão inocente quanto o de Kotomi e por isso ela jamais conseguiria traí-lo desta forma...
"Olha, eu confesso que no início essa história até que me afetou um pouco, por conta da Kotomi, mas depois eu percebi que talvez fosse até melhor, pois assim eu posso criá-la de uma forma que ela aprenda a ser uma mulher bem diferente da mãe...
Diferente da mãe? Tudo que queria era que Kotomi tivesse o espírito iluminado de Kotoko... Que aprendesse a ser determinada, gentil e que tivesse a alegria de viver de sua mãe...
"Escuta Naoki, eu não sei o que você ouviu, mas nós estamos juntos a tempo suficiente pra você me conhecer melhor do que isso! Você tem que saber que eu jamais abandonaria você e a Kotomi pra ficar com outro homem, eu amo vocês! Amo você! Mesmo com todos os problemas que estamos passando, eu jamais faria algo assim! Porque você não senta e eu te conto tudo com calma?
-Eu realmente não preciso ouvir mais mentiras e definitivamente não faço questão dos detalhes sórdidos, Kotoko. Porque você não faz as malas e vai embora desta casa antes da Kotomi chegar? Eu darei a ela o seu adeus!"
Ela ainda havia tentado se explicar e ele a tinha ignorado, aliás, tinha ido além, em sua completa estupidez ainda disse pra ela ir embora sem se despedir da filha, onde diabos estava com a cabeça? – E com este pensamento cheio de ódio contra si mesmo, Naoki bateu a cabeça contra a porta, assustando-se em seguida e voltando a prestar atenção na conversa dentro do quarto com medo de ter sido ouvido... "Está bem, eu já volto... Tente descansar um pouco querida."... Imediatamente, Naoki saiu da frente do quarto e escondeu-se virando o corredor, sentia-se ridículo, mas ainda era melhor do que se Shigeo o pegasse e impedisse que ele falasse com sua esposa... "Pelo menos eles não me ouviram... Acho que depois de tudo que eu disse pra ela, talvez seja melhor mesmo esperar mais um pouco antes de conversarmos..."
"Eu jamais me afastaria da nossa filha! Que tipo de mulher você acha que eu sou?
- Quem é você?! Não sei ao certo, mas apostaria naquele tipo de mulher que adora ter algo proibido, eu era inalcançável para você na escola então resolveu me infernizar até que me casei com você por pena, agora que o Nishigaki casou você decidiu ir atrás dele, mas acho que você não vai fazer ele se separar Kotoko..."
Como eu pude dizer todas essas coisas? São todas mentiras, será que você mesma não vê isso?! Você é a mulher mais linda, gentil e corajosa que eu já vi... Você deu sentido à minha vida...
"Naoki, você está indo longe demais!
- Você é que foi longe demais Kotoko, quando decidiu se tornar essa mulherzinha mentirosa e imoral! Você é que passou dos limites quando resolveu se relacionar com outro homem sendo casada! Eu sabia que tínhamos nossos problemas mas sempre achei que o seu amor fosse o suficiente por nós dois, achei que se te respeitasse e confiasse em você, mesmo não te amando seríamos felizes... Mas eu estava errado, não é mesmo? Você me decepcionou Kotoko, não é nada do que eu pensei que fosse... Não é nada mais do que uma vagab..."
E então ela havia batido nele, nunca a tinha visto tão magoada, tão machucada... E perceber isso fez com que seu coração doesse ainda mais...
"PRA MIM ACABOU NAOKI! EU ODEIO VOCÊ!"
E eu amo você, Kotoko... É por isso que vou fazer o melhor pra nós dois, mesmo que isso acabe comigo...
Levantou-se e entrou no quarto, trancando a porta. Sentia-se morto por dentro pelo que ia fazer e por tudo que havia causado à pessoa que mais amava no mundo, em sua mente, apenas a imagem de Kotoko segurando-se na porta do quarto, o ódio em seu olhar quase palpável... Ela definitivamente o odiava e o pior de tudo e que ele era o único culpado...
-Papai, você voltou rápido e... Irie-Kun! Você veio! – Surpresa e alegria na voz de da garota, enquanto um grande sorriso iluminava seu rosto...
-É claro que eu vim Kotoko, nem eu sou tão insensível assim... – Foi a resposta fria e contida de Naoki, sabia que tinha que garantir a felicidade dela acima de tudo e, principalmente, sabia que tinha que ser rápido e dizer o que tinha pra dizer senão jamais conseguiria segurar o ímpeto de largar tudo e simplesmente abraçá-la até o fim dos tempos... -Kotoko, eu preciso conversar com você...
-Eu também preciso falar com você, Irie-Kun... – Começou a garota, seu tom de voz era baixo por conta da resposta ríspida que recebera antes, mas ainda continha a mesma animação de sempre - Enquanto eu estava no coma, eu tive uma longa conversa com...
- Olha, - Interrompeu Naoki - É normal pessoas nessa situação acordarem pensando que vivenciaram todo tipo de coisas, quando na verdade isso é apenas uma forma do seu subconsciente tentar te acordar, sendo assim, deixa eu falar primeiro pois o assunto é muito importante e depois, se você ainda quiser, pode me contar este sonho, pode ser?
-Tudo bem, Irie-Kun, mas não foi um sonho! – Respondeu a garota, com certa irritação na voz...
-Tá bem, não foi um sonho, mas depois você me conta OK?! – Conhecendo sua esposa, Naoki sabia que ela provavelmente já o tinha perdoado e deixado de lado todas as coisas horríveis que ele havia dito, e por mais que quisesse apenas sentar ao lado dela, segurar sua mão e ouvir toda aquela história, tinha que se mostrar irritado e em seu pior humor no geral, para que ela tomasse a decisão certa... – Acho que seu pai já conversou com você sobre o divórcio, certo?
-Sim – A voz de Kotoko quase não saía, fazendo com que seu marido apenas deduzisse o que havia dito...
-Ótimo, isso já deixa as coisas mais rápidas... – Dando o documento e uma caneta para Kotoko, apontou algumas linhas no papel enquanto explicava – Você precisa assinar aqui, aqui e aqui se concordar com isso, na realidade eu estou passando todos os nossos bens pra você e teremos a guarda da Kotomi compartilhada igualmente, aliás, eu espero que possamos fazer isso da forma menos traumática possível para ela...
-Eu achei que isso fosse uma ideia do meu pai... Irie-kun você... Você realmente quer se separar de mim? – As lágrimas fluíam livremente por seu rosto e ela nem se incomodava em limpá-las pois sabia que voltariam – Tudo o que você me disse, era verdade não era? Você realmente pensa que eu sou uma mulherzinha qualquer, que não ligo para nossa família... É verdade não é? Você se casou comigo por pena... – E então, lembrando-se de tudo que havia falado com sua mãe, Kotoko levantou a cabeça, olhando bem fundo nos olhos de Naoki e disse, com determinação - Eu não acredito nisso Irie-Kun! Eu sei que você me ama, você não ficaria comigo por sete anos se não amasse! "É isso, mamãe, vamos ver se a senhora estava certa..."
– Kotoko, a grande pergunta aqui é o que você quer? Embora a verdade é que pra mim tanto faz você aceitar ou não esse divórcio, isso não vai fazer diferença no que eu tenho planejado para o futuro...
A resposta de Naoki simplesmente quebrou o coração de sua esposa em mil pedaços... "Nem sempre as coisas são tão simples, mamãe... No fim, acho que era mesmo tudo verdade porque se ele me amasse, se importaria com a minha opinião sobre esse maldito divórcio..." E esse pensamento fez com que sentisse seu coração sangrando ainda mais, então colocou o rosto entre as mãos e começou a chorar ainda mais forte do que antes...
- Não faz diferença porque eu nunca vou desistir de você... – Ao ouvir isso, Kotoko abriu os olhos, surpresa, apenas para encontrar Naoki ao lado de sua maca, apoiado no joelho direito com uma pequena caixa de veludo vermelho aberta em suas mãos, mostrando um lindo anel ornado com um diamante em formato de dois corações entrelaçados – Você é quem traz vida para minha existência Kotoko, sem você, nada tem sentido... Eu prometi ao seu pai que faria você pensar no divórcio e eu também quero que você faça isso porque depois de tudo o que aconteceu e de todas as coisas idiotas que eu te disse, talvez você não queira mais continuar comigo e eu entendo isso, não quero que você se sinta obrigada por conta da Mi-chan ou qualquer outro motivo, e é só por isso que eu estou me obrigando a te dar a opção do divórcio... A única coisa que te peço é uma chance de lutar por nós dois, se você quer alguém diferente de mim tudo bem, apenas me diga como e eu mudarei para ser esse homem, um homem que mereça seu carinho, seu respeito e seu amor... Eu sei que posso ser esse homem se você permitir! Se você ficar ao meu lado, eu prometo que vou fazer tudo que estiver ao meu alcance pra fazer você feliz meu amor e que ninguém, principalmente eu, jamais apagará esse brilho do seu olhar que ilumina todas as pessoas e todos os lugares em que você passa... Mas se você não quiser mais ficar comigo, tudo bem também, porque leve o tempo que for Kotoko, enquanto você não me der a resposta que eu quero ao que eu vou te perguntar agora, eu vou arrumar formas diferentes de te surpreender todos os dias até que você me diga "sim", porque eu simplesmente não sou capaz de viver sem você ao meu lado, então eu vou começar fazendo o que eu devia ter feito a sete anos atrás... Kotoko, você quer se casar comigo?
A garota, que não havia parado de chorar em nenhum momento, embora agora fosse de felicidade, abriu o maior sorriso que Naoki já havia visto em seu rosto e gritou -SIIIIIM! SIIIIIIM! Eu quero, claro que eu quero!
Naoki levantou-se e colocou o delicado anel no dedo de sua esposa, junto à aliança, depois abraçou-a o mais forte que pôde sem machucá-la, escondeu a cabeça em seu pescoço e, praticamente sussurrando, disse – Eu jamais vou me separar de você, obrigado por me dar esta nova chance, você não vai se arrepender meu amor...
-Irie-kun... – Kotoko suspirou, feliz, mas subitamente ficando séria, respondeu - Eu também cometi muitos erros no nosso casamento e prometo que não vou mais cobrar que você adivinhe o que eu estou sentindo e vou confiar mais no seu amor por mim... Eu amo você Irie -kun...
-Eu também te amo, Kotoko...
-Mas tem uma coisa que eu não entendi: - Afastou-se um pouco do abraço para ver o rosto de seu marido e continuou – Se você não queria o divórcio, porque já veio com os papéis até assinados? E quando foi que você comprou esse anel?
-Eu nunca quis o divórcio, mas precisava que você pensasse seriamente sobre o assunto porque a sua felicidade sempre será minha maior prioridade, e mesmo que isso me matasse, se sua felicidade fosse estar longe de mim, então era o que eu ia fazer... Mas acredite, te dar essa opção foi a coisa mais difícil que já fiz em toda minha vida... Quanto ao anel, eu o comprei na joalheria próxima ao escritório do Watanabe, que fez o documento de divórcio... Na realidade eu não pretendia te pedir em casamento agora, eu queria esperar até você sair do hospital e ter tido tempo de pensar em tudo isso, sabe? Queria fazer isso direito dessa vez: Flores, velas e todas aquelas coisas dos filmes que você gosta de assistir, mas quando você começou a chorar daquele jeito eu achei melhor... – Kotoko interrompeu-o colando seus lábios aos dele, num beijo intenso e profundo que transmitia todo o amor que sentia dentro de si, transformando em simples cicatriz toda a mágoa que os dois sentiam e apagando toda a dor das últimas semanas de seus corações... Quando finalmente a necessidade por ar obrigou que se separassem, Naoki encostou sua testa na dela e ficaram naquele silêncio confortável, a conversa toda era apenas uma troca de olhares que transmitiam o perdão e a compreensão que sabiam que o outro necessitava...
-Eu esperando aqui na porta e os dois pombinhos namorando? Que belo exemplo, hein?!
-JIRO?! Não é nada disso, você entendeu errado... O Irie-kun e eu só estávamos conversando, eu juro! Nós nem ouvimos a porta e... -Naoki só conseguia rir do quão vermelha sua esposa estava ficando...
-Calma Kotoko, tranquila! Eu estou brincando...
-Mas eu também não ouvi a porta...
- Estranho seria se tivesse ouvido Naoki, porque eu não bati... Diferente de você que gosta de sair fazendo barulho pelo hospital todo, quando eu vi que a porta estava trancada eu apenas chamei o zelador e ele me emprestou sua chave-mestra. – Nishigaki falou com um sorriso em seu rosto, e continuou – Mas a minha paciente precisa descansar, então essa é a sua deixa pra cair fora e me pagar um merecido café...
-Ah Jiro, eu nem estou cansada, deixa ele ficar só mais um pouquinho, por favor? Eu ainda preciso conversar com ele sobre uma coisa...
-Assunto sério?
-Muito sério!
-Então nem pensar!
-Jiro! – Reclamou Kotoko, frustrada - Se você não deixar, eu vou levantar da cama e sair correndo atrás dele!
Nishigaki apenas arqueou uma sobrancelha – Eu vou dar cinco minutos pra vocês, mas só porque você vai me encher a paciência pra sempre se eu não deixar, entendeu? E da próxima vez que me desobedecer Naoki, mando tirar você a força e amarro ela na cama...
-Siiiiim! Obrigada Jiro!
-Cinco minutos -Respondeu mostrando o relógio em seu pulso, e assim Nishigaki saiu e fechou a porta.
Naoki, que havia apenas assistido à conversa dos dois, virou-se para sua esposa e perguntou, receoso – O que você precisa falar comigo? Mudou de ideia sobre o divórcio?
-O quê? Não, é claro que não! É que eu acabei de perceber que nós somos casados, Irie-kun – Respondeu a garota, em tom preocupado.
-Você levou sete anos pra perceber isso? – Respondeu Naoki, em tom brincalhão
-Eu estou falando sério – Disse a garota e, socando de leve o braço do marido, continuou – Nós não podemos nos casar novamente, podemos?
- Eu já vi isso com o Watanabe, por lei nós não podemos casar novamente no civil, mas podemos ter uma cerimônia na igreja para refazer nossos votos, o que acha?
-Vai ser maravilhoso!
- Vai sim... Agora deite-se e descanse, eu estarei aqui quando você acordar...
-Promete?
-Prometo! – Respondeu, e rindo do comportamento infantil de sua esposa, depositou-lhe um beijo na testa e ficou observando-a enquanto ela se preparava para dormir...
-Ah, como o tempo voa quando a gente se diverte, não é?! Naoki, os cinco minutos acabaram, hora de dar tchau e deixar minha paciente descansar...
- Tá bom Jiro, calma, eu já estou indo...
-Eu sei que está, meu amigo! – Respondeu Nishigaki, passando o braço pelos ombros de Naoki e puxando-o para a saída, continuou – Se precisar de qualquer coisa Kotoko, chame uma das enfermeiras e se sentir qualquer coisa estranha peça pra elas me ligarem que eu venho te ver, fora isso, descanse! E é só isso que você está autorizada a fazer por enquanto! Mas amanhã eu passo pra ver você de novo, querida – E antes de fechar a porta, completou "cantando" – Tchauzinho!
Kotoko ainda ficou algum tempo encarando a porta fechada antes de finalmente adormecer, um largo sorriso em seus lábios combinava com o brilho de felicidade em seu olhar... "De quase divorciada a futura noiva do meu marido em cinco minutos... Mamãe, a sua vida também foi tão confusa?"
Apesar de ter passado três semanas no hospital, Kotoko estava muito feliz: Recebia diversas visitas de seus amigos da época da escola e da faculdade: Satomi e Jinko com suas famílias, Kinnosuke e Chris com as crianças e até mesmo Matsumoto e Sudo, que haviam se casado e tinham um lindo filhinho que já estava com um ano de idade... Isso sem falar a infinita quantidade de vezes que a enfermeira-chefe tinha vindo buscar Marina, Motoki, Tomoko e até mesmo Keita para voltarem ao trabalho porque estavam conversando com ela e perdiam a noção do tempo... Sua família também vinha todos os dias e Kotomi lhe contava como ia na escola e que queria que ela voltasse logo pra casa... E, claro, havia Naoki. Era como se estivesse conhecendo seu marido agora: ele vinha com o Dr. Nishigaki todos os dias de manhã antes de começar seu turno para acompanhar seu tratamento e aproveitava para tomar café da manhã com ela, depois voltava em seu horário de almoço, e enquanto comiam aproveitavam para discutir os planos do casamento, os quais ele já estava colocando em execução em segredo pois haviam decidido que dessa vez não permitiriam interferências de Noriko, por melhor que fossem as intenções dela, sabiam que precisavam deste tempo e da experiência de planejarem o casamento juntos, já que da última vez tudo havia sido organizado por ela, então manteriam segredo de todos até tudo estar pronto... Mas não era a forma como ele fazia questão de participar dos planos do casamento, nem o quanto demonstrava preocupação por seus pensamentos, sentimentos e opiniões sobre todos os assuntos que conversavam, o que deixava Kotoko realmente feliz naquele "novo" Naoki era forma como ele estava sempre rindo, um sorriso como se todo o mal houvesse desaparecido do mundo...
E então, três meses e muitos palpites por parte de Noriko e Kotomi depois (Sua mãe descobriu sobre a cerimônia antes do esperado, enquanto estava "limpando" uma das gavetas do guarda roupa no quarto do casal), Kotoko e Naoki finalmente renovaram seus votos de casamento, numa pequena e íntima cerimônia apenas para seus amigos próximos e sua família, num lindo jardim repleto de rosas de todas as cores... Yuki, Keita e Jiro (Que não apenas estava livre de todas as acusações, mas também do maldito Dr. Oshinaga, que havia sido expulso do Comitê de Ética quando viram seu abuso de poder), foram os padrinhos de Naoki, enquanto Marina, Tomoko e Motoki - que estava tão lindo quanto as outras em seu vestido - foram as madrinhas de Kotoko.
E no momento em que começou a caminhar pelo pequeno corredor que a levaria à seu marido, Kotoko não pensava sobre o quanto sua filha a havia provocado dizendo que estava mais bonita do que a noiva, nem no quanto estava ansiosa por ter uma outra lua de mel, – Que com certeza não incluiria mulheres dando em cima de seu marido dessa vez – Não pensava nem mesmo no fato de que Irie-kun ficaria furioso pois havia esquecido a mala de mão que continha seus documentos, o passaporte e tudo que tinha separado para não esquecer, por ser essencial na viagem... Não, tudo que via no momento em que estava se encaminhando novamente ao encontro de seu marido no altar, era aquele maravilhoso sorriso que ele tinha em seu rosto, como se o mundo houvesse parado e só existissem os dois naquele lugar, ela conhecia aquele sorriso pois era apenas o reflexo do seu próprio quando ele estava por perto, era o sorriso que tinha desde que o vira pela primeira vez... E foi com esse semblante cheio de amor e promessas que Kotoko e Naoki perceberam que não importava mais as pedras que aparecessem em seu caminho, enquanto estivessem juntos, sua vida seria repleta de felicidade e, principalmente, amor.
N.A: E este foi o último capítulo, o que acharam?
*Estes artigos realmente fazem parte do Código de Ética dos médicos.
Espero que vocês tenham gostado do final da história, particularmente eu achei muito fofo e emocionante *-*
Estou quase chorando porque este realmente é o fim da fic, gente... Eu sei que isso de sempre pedir review é muito chato, mas nesse último vou pedir de novo pra vocês me falarem o que acharam do capítulo e da fic como um todo, até pra eu saber se continuo escrevendo ou se é melhor ficar só como leitora mesmo rsrsrsrs .
Impala67: Obrigada pelo seu "PM", como sempre, fico muito feliz por você ter gostado!
Tatistus: Oh my God! It is so many languages that I do not know how answer! Kkkkkkkkk Muito obrigada por ter gostado do ultimo capítulo e espero que este final tenha atendido suas expectativas... pelo menos eles terminaram juntos .
Wi 1999: Também espero que você esteja bem, obrigada! Muito obrigada, fico realmente feliz de você ter gostado e espero que também tenha gostado desse final.
Beijos e Abraços, e até semana que vem para as últimas respostas e agradecimentos finais.
Sayonara o/
