Capítulo 3

Evento Comemorativo – Atenas, Grécia.

- Nossa! Está tudo muito bem organizado! Sem contar que a ideia de fazer junto a templos antigos foi excelente - Luna falava enquanto comia pipoca distraidamente.

- Sem dúvida, e todas as pessoas envolvidas na organização vestidas como os antigos gregos dá ainda mais realismo. - July complementou.

Ka também estava fascinada com tudo que via, além da beleza própria do local havia toda a sorte de produtos sobre Cavaleiros do Zodíaco que poderia existir, duas semanas de evento acabariam com suas economias.

- Vou comprar vários bonequinhos, fiquei meses economizando. - Falou a jovem.

A única que perecia um pouco desanimada com o primeiro dia de evento era Annely. Havia sonhado com o rapaz do dia anterior, o "cosplay" do Camus, e no sonho ele era absolutamente hostil com ela. A chamava de cínica e outras coisas, era como se ele fosse o Camus de verdade e a visse como uma inimiga. O estranho era a sensação de que o sonho era real, uma continuação do que aconteceu do aeroporto depois que elas foram embora. Ela via os demais rapazes se referindo a ela e as amigas como pessoas perigosas e que tinham que acabar com aquilo de uma vez por todas. O rapaz que lembrava o Saga lhe dava medo, principalmente pelo olhar maligno ao falar da Juliane! Não conseguia relaxar, estava tensa, não se convencia que tudo era apenas fruto da sua imaginação.

- Nely, que foi? Parece tensa. - Luna perguntou.

- Não é nada, vou procurar um banheiro e um lugar que venda água, encontro com vocês depois, fiquem atentas ao celular! - Dizendo isso se afastou.

- Ela tá estranha, nem um pouco animada. - Luna insistiu.

- Também acho! - Disse Ka.

- Deve ser o fuso horário, ela não deve ter dormido direito, eu também não dormir, sonhos bizarros com aquele grupo de ontem. - July falou. Ela também tinha tido sonhos estranhos, mas atribuiu tudo à ansiedade pelo primeiro dia de evento. Não estava confortável, o sonho foi muito real, mas ela realmente não queria voltar às neuroses dos dias que antecederam à viagem.

Annely entrou no banheiro e foi direto à pia para jogar água no rosto na tentativa de se acalmar. Molhou o rosto e se voltou para o espelho à sua frente. Ela olhava, mas não enxergava nada. Sua mente estava longe, ou talvez assustadoramente perto, ali mesmo naquele evento, na cabeça de outra pessoa...

- "Temos que encontrá-las, vamos nos dividir em grupos para ficar mais fácil."

A jovem mordeu o lábio, apreensiva. Era ele, o rapaz do aeroporto, e ele era envolvido por uma aura gelada! Ela sentiu que lágrimas saiam de seus olhos e desciam pelo rosto. Estava ficando louca! Definitivamente! Não sabia definir o que lhe causava mais medo, a perspectiva de estar perdendo o senso, ou a daquilo ser real.

Ali mesmo no evento um grupo de cavaleiros deliberava sobre o que fazer para localizar as jovens estrangeiras. Sabiam que seria perigoso deixa-las soltas difundindo as informações junto a tantos fãs. Haveria fóruns de discussão e aquilo poderia, de repente, tomar uma proporção muito maior, pois antes aquelas informações se limitavam ao seleto público de leitores a que as acompanha. Camus sugeriu que se dividissem em grupos, sugestão aceita os rapazes já começavam a se dividir quando o aquariano pareceu entrar em transe, chamando a atenção de todos. Ele ficou parado, olhando fixo para o nada, sem nem mesmo piscar. Depois do que pareceu minutos ele apenas sorriu perversamente e disse:

- "Sei onde ela está!"

Annely deu o grito de pavor ao ouvir aquela frase em sua mente. Podia vê-lo andando pelo evento se informando sobre onde era o banheiro feminino... Sua pele formigava tamanha tensão. Não sabia o que fazer, não tinha para onde fugir. E de que esta estava fugindo? De si mesma? De um surto psicótico? Ou de alguém real que sabia como entrar em sua mente, o que tornaria a fuga quase impossível!

Ela começou a tentar pensar com o mínimo de lucidez que restava. Ela parecia estar um passo a frente dele, pois ele ainda não tinha chegado ao banheiro e havia um meio de confundi-lo sobre seus próximos passos. Voltando a ver a si mesmo no espelho falou, querendo mesmo que ele pudesse de alguma forma captar sua mensagem: "Vamos ver se é tão bom assim, Camus!"

Saiu feito louca do banheiro, correndo desesperadamente na direção do último lugar em que havia estado com as amigas na esperança de que elas não tivessem se afastado muito. Enquanto corria ela pensava e cantava músicas, tentado deixar sua mente o mais vazia possível.

- "Faça elevar, o cosmo no seu coração, todo mal combater, despertar o poder. Sua constelação, sempre ira de proteger..."

- Desgraçada! - Camus parou abruptamente. Não adiantava continuar a seguir a caminho do banheiro feminino, pois ela já não estava lá, e havia lhe enviado uma mensagem e agora ele somente ouvia a versão em português de Pégasos Fantasy em sua cabeça.

A jovem não parava de correr enquanto procurava as amigas desesperadamente, mas sempre se mantinha cantando, tentando ao máximo confundir seu seguidor, rolou até O Show das poderosas, qualquer coisa que não informasse onde ela estava e que direção havia tomado depois de sair do banheiro.

- Que merda é essa de show das poderosas? Ele falou retoricamente enquanto olhava raivoso para Milo e Hyoga, que o acompanhavam.

Annely ficou radiante quando avistou as companheiras de viagem.

- Menina, que isso?! Resolveu correr uma maratona? - Luna perguntou ao ver a amiga até com o rosto avermelhado pelo esforço.

- "Empezar desde cero, encendiendo el fuego que me pone a temblar, comenzando de nuevo, convenciendo al tiempo que me deje suspirar..."

As três olharam estarrecidas para a amiga. Cantando ela fez com que as garotas se dessem as mãos e foi puxando o grupo para direção da saída do evento.

- Isso é RBD? – July achou engraçado! Annely apenas acenou positivamente.

- Gosto dessa música e pensar em espanhol complica as coisas para ele... "Uno a uno tus besos, van brincando el cerco, y te quiero más y más"... Nós temos que ir embora daqui... "Cuanto daría por ya no alejarme más de ti"... Estamos em perigo... "Por ti cambiaria todo lo que soy y lo que fui"... Confiem em mim... "Todo mis sentidos y mi forma de pensar, estan contigo y nada me puede parar"...Por favor!

July, que era a pessoa que dava mão a Annely sentia que a jovem toda tremia, e também via que apesar de estar cantando ela estava chorando, num estado mental deplorável. Luna e Ka também perceberam que havia algo de muito errado e preferiram seguir a amiga apesar de quererem protestar por estarem deixando o evento tão cedo.

O plano de Annely era perfeito e teria dado certo, não fosse o outro elo fraco do grupo: Juliane! É claro que a jovem não tinha como saber que os fleches que ela estava tendo com o 'Saga" do dia anterior eram tão reais como poderiam ser, e que isso criou uma ponte entre elas e o outro grupo de cavaleiros que estava a sua espreita.

Elas estavam quase na saída quando foram interceptadas por um grupo de cinco homens e eles não apenas se pareciam, eram Saga, Kanon, Shura, Aiolia e Seiya. Annely estancou e ficou petrificada! As garotas, como não entendiam nada, sorriram e cumprimentaram de forma amigável os rapazes que já haviam conhecido do dia anterior.

- Boa tarde! - Saga respondeu ao cumprimento - Tão cedo, e indo embora?

- Triste, né? Mas fazer o quê? - Annely respondeu nervosa. - Nós vamos, e como vocês não querem chamar a atenção de toda essa gente aqui, vai nos deixar passar! - Ela olhava de forma hostil para Saga, e ele logo percebeu que ela sabia de tudo.

- Nossa Annely! Tá doida? Até parece que eles estão aqui para nos evitar de sair do evento...- Ka falou - Liga não gente, ela tá meio estressada hoje!

- É señorita... - Shura falou se aproximando - Porque a gente teria esse interesse...

- Para passar a mão na minha bunda - July cochichou com Luna que riu.

- CHEGA! - Annely berrou! - Eu não sei se isso é uma brincadeira de mau gosto! Se é pegadinha, ou o que for! Só sei que se vocês não querem que eu faça um escândalo aqui, vão nos deixar ir embora agora!

- Não vai fazer nada! - Uma voz cortante falou atrás dela. Até aquele instante todos conversavam em inglês, os cavaleiros acharam que se desde o início conversassem em português com as jovens isso poderia chamar atenção delas, mas agora não tinham mais que manter qualquer disfarce. O desenvolvimento do cosmo permitia aos guerreiros da representação da deusa Atena falarem qualquer língua, sem que fosse necessário aprendê-las formalmente, como seus cérebros fizessem traduções automáticas - Podemos parar o tempo, enganar todos que estão aqui, não há nada que possam fazer, caso de fato sejam apenas pessoas comuns!

Annely congelou, e nem foi pelo uso de qualquer técnica por parte do aquariano. As demais garotas olhavam para aquilo como se estivessem participando de uma cena de teatro. Atrás de Annely estava o rapaz que parecia o Camus, o que parecia o Milo e...Senhor! Um que era a cara do Hyoga! Aquilo já beirava o cúmulo do absurdo, pois no outro grupo tinha um Aiolia e um Seiya!

- Gente, que isso! Uma brincadeira? Tipo, o evento contratou vocês, né? Muito boa ideia, tá super emocionante! - Ka falou animada.

Annely se virou da direção de Camus e como uma fera enraivecida voou em cima do aquariano. Esmurrava o que encontrava do rapaz à sua frente.

- Sai da minha cabeça e deixa a minha vida em paz!

As amigas olhavam estupefatas para a jovem que realmente parecia estar no meio de um surto psicótico. Assustados também estavam os demais cavaleiros, que não sabiam se tiravam a garota de cima de Camus, ou deixavam ele se virar.

O cavaleiro deixou que a garota liberasse sua raiva, pois já havia percebido que quanto mais a apertassem, menos conseguiriam dela. Ela foi muito inteligente com a ideia das músicas, se o outro grupo não as tivesse encontrado, elas poderiam ter ido embora do evento e Annely conseguiria dissuadir as amigas a ir embora da Grécia, dificultando muito as coisas para eles.

Quando percebeu que ela já estava perdendo as forças pelo ataque físico que desferia, ele a segurou firme pelos pulsos, mas sem machucá-la, fazendo com que ela o olhasse nos olhos.

Senhor! Como era sacrificante olhar aquela imensidão azul que eram os olhos dele. Seus olhos eram janelas abertas, e ver neles a mesma confusão, raiva e temor que sentia em si mesma a acalmou por um instante. Um instante deveras curto, pois depois do ataque de raiva, olhar para ele lhe trouxe a pior sensação de vergonha que já teve na vida, como alguém que teve toda sua intimidade completamente exposta. O choro foi inevitável.

Ele não sabia como reagir ao choro! O choro mostrava a fragilidade dela perante a situação e ele não queria sentir compaixão ou qualquer coisa que o fizesse vê-la com bons olhos. Então vestiu-se com a melhor mascará de indiferença. A frieza dele era dolorosa e a fez se soltar com brusquidão para não ter mais que olhá-lo. Tocou nos pulsos, não porque doíam por ele os ter segurado com firmeza, mas porque ardiam pelo simples fato dele a ter tocado, era uma sensação emocional, não física. Ela olhou em volta, sentia que todos ali a julgavam louca ou coisa assim. Como odiava se sentir exposta. Mas havia muito pouco a ser feito nesse aspecto.

As amigas estavam apreensivas, mas sem a menor ideia do que fazer, estavam confusas e assustadas e a coisa só piorou quando um outro grupo se aproximou delas e nele estavam Shaka, Mu e Máscara da Morte.

Com a chegada do terceiro grupo de cavaleiros Annely bufou se sentindo absolutamente vencida:

- O que querem?

- Respostas. - Foi o próprio Camus que falou.

Ela riu nervosa.

- Sou capaz de apostar minha vida que as suas perguntas são nossas também.

Luna se aproximou de Annely, olhando desconfiada para os homens a sua volta.

- Nely, você tá melhor? Não fica nervosa, eu tenho certeza que isso é uma brincadeira que faz parte do evento. Você tem que se acalmar... - Embora ela mesma não estivesse muito calma.

- Não percebe, Luna? - July se aproximou. - Todo aquele problema com os pensamentos obsessivos... A sensação que não tínhamos controle da nossa mente... Isso é real... Eles são reais!

Ka apenas olhava desconfiada, sem querer acreditar.

- Senhoritas, sei que estão assustadas e, creia-me, essa não é nossa intenção. Como o Camus disse, queremos respostas e precisamos de vocês para encontrá-las. - Mu falou calmamente.

- Parecem confusas e verdadeiramente impressionadas em no ver, mas tudo tem sua explicação e vocês as terão, mas precisamos que venham conosco. - Disse Shaka, complementado a fala de Mu.

- Nem a pau eu vou com vocês para qualquer lugar, nem até a barraquinha de cachorro quente! - Ka se manifestou - Ir com completos desconhecidos que querem me convencer que são cavaleiros... Ai! Cavaleiros de Atena! Não! Mas podem crer que o máximo que eu vou fazer agora é ligar para polícia! - A garota já estava se munindo do celular quando foi impedida por Luna de fazer a ligação.

- Ka, é verdade! E no fundo você sabe disso! O que vamos fazer? Lutar contra eles? São oito cavaleiros de ouro e três de bronze com poder de cavaleiro de ouro. Que chance temos?

Ka finalmente deu vasão ao nervosismo e começou a chorar, mas não perdeu o espírito brincalhão:

- A Annely conseguiu esmurrar o Camus, tudo bem que ele continua com aquela irritante cara de paisagem, mas quem sabe?

Emocionadas as quatro riram da própria desgraça.

- Devemos ser realmente perigosas, quando o Ares queria acabar com os cavaleiros de bronze mandou cavaleiros de prata, contra nós quase toda as doze casas! - Complementou rindo e chorando ao mesmo tempo, no que foi acompanhada pelas amigas.

Elas se deram as mãos, decididas a irem com o grupo. Iriam juntas e deixaram claro que sob nenhum argumento poderiam ser separadas e ficariam com seus celulares a postos. Claro que eles não tinham motivos para ceder, afinal, bastava pegá-las e levá-las como uma carga qualquer, mas não era assim que trabalhavam, as deixariam o mais confortáveis possível.

Todos saíram do evento e seguiram para uma rua paralela onde uma enorme limousine os esperava. O Carro era grande o suficiente para acomodar todo o grupo de cavaleiros e as quatro jovens.

- Sempre quis andar de limousine. - Disse Luna ao entrar.

- Pois eu daria tudo para não ter que entrar nessa especificamente. - July ironizou. Ela e Saga mal se olhavam e quando isso ocorria parecia que dos dois poderia sair faíscas, o desconforto somado com raiva e vergonha era mútuo e indisfarçável. Sentaram-se bem longe, com o máximo de pessoas entre eles.

O mesmo valia para Annely e Camus, mas Luna, essa se fez de boba e se sentou ao lado de Milo, sem a menor cerimônia, se era para passar vergonha que passasse ao lado daquele homem maravilhoso. Ela nem mesmo conteve o sorriso maldoso ao se sentar e ainda falou baixinho de forma que só ele ouviu, pois os demais dourados não estavam ligados aos que ela fazia:

- Gostou do sorvete? Estava delicioso, deu para sentir quando te dei aquele beijo. E, a propósito, me desculpa, não era para ter tocado a sua bochecha. - E como se não tivesse falando nada bateu palmas animadas como uma criança indo para o parque.- Pelo menos vai ser emocionante conhecer o Santuário!

Isso ela disse bem audível, de forma que todos ouviram sem entenderem o rosto corado do Cavaleiro de Escorpião.

Ele não costumava a se sentir envergonhado com o assédio de uma mulher, mas Luna era completamente diferente de tudo com que ele já havia lidado. Quando olhava para ela, tão pequena, magra, aparentemente sem atributos e ainda com grandes óculos não via como uma mulher assim o poderia excitar, mas bastava ela abrir a boca para se insinuar para que ele sentisse que precisava de se sentar de maneira a não deixar certas partes do seu corpo exposta. O rosto era lindo, e isso era facilmente percebível mesmo com os óculos, mas não era isso que o atraía, era a sensualidade não sensual, era a doçura provocante, era ela.

O carro seguia pelas ruas de Atenas com seus ocupantes no mais absoluto silêncio. Quando pegaram uma estrada que margeava o mar July pensou no óbvio:

- Quanto tempo vamos ficar no Santuário? Não temos nada aqui...

- Não se preocupem, são convidadas especiais e tomamos providências para que suas coisas sejam levadas até nós. - Explicou Mu.

- Porque não passamos no Hotel antes, não gostaria de ter pessoas estranhas mexendo nas minhas coisas! - Annely disse azeda.

- Algo a esconder, senhorita? - Camus perguntou de forma inquisidora.

- Claro, senhor! Acontece que eu tenho um vibrador que, sabe, fica geladinho e eu o chamo carinhosamente de "Camus" e não gosto que ninguém, que não seja eu, mexa com ele.

O silêncio dos outros ocupantes do automóvel que antes era quase tangível foi quebrado por uma sonora gargalhada. Máscara da Morte chegava a lacrimejar de tanto rir, e com ele vieram os outros, era quase impossível se conter, mesmo Hyoga, que queria mesmo manter uma atitude de respeito e solidariedade pelo seu mestre não conseguiu. Mesmo as garotas riam de doer a barriga. O único que realmente mantinha um olhar impassível era o próprio Camus.

Depois de quase cinco minutos de risadas incontidas o grupo voltou a ficar em silêncio. Annely resolveu encarar o aquariano após a brincadeira e recebeu de volta um olhar tão gelado que ela quase realmente sentiu frio. Os olhos dele faiscavam, embora o rosto parecesse impassível.

A mente do cavaleiro da décima primeira casa estava a mil. Sentia-se ainda mais confuso quanto àquelas mulheres. Realmente elas não pareciam ser nada mais que normais e isso não explicava nada e aquela garota irritante o expôs ao ridículo com aquela brincadeira estúpida. Um vibrador com o nome dele! Será que aquilo era verdade?! Se amaldiçoou por sequer ter curiosidade sobre uma informação tão...tão...irrelevante e o fato de imaginá-la usando o tal "Camus", o irritou profundamente, tanto que chegou a bufar ao se encostar no banco esfriando o ar à sua volta junto com todo o seu corpo.

- Nossa, que frio! - Luna comentou, sutilmente se aproximando do escorpiano ao seu lado que sem nem mesmo perceber passou o braço em volta da jovem enquanto passava as mãos pelos braço delicados para baixar os pelos eriçados. Quando percebeu o que estava fazendo o cavaleiro se perguntou o porquê daquilo, mas que de alguma forma ele sentia que já havia feito aquilo antes, num passado que nele não sabia precisar.

- É que tem gente aqui precisando de esfriar a cabeça. - Shura comentou maldoso e as risadas voltaram ainda que com menos entusiasmo.

Quem também não estava para brincadeira era Saga. A simples presença da agora morena Juliane o irritava profundamente, ao mesmo tempo que se sentia quase extasiado de expectativa, ou algo semelhante à euforia. Tinha raiva dela por voltar despertar nele um lado sombrio que ele queria esquecer, e no mesmo instante sentia uma culpa enorme, como se ele já tivesse lhe causado uma dor imensa, que em algum momento aquele mesmo monstro interno com quem lutava o havia dominado e arrasado com sua vida. Aquilo era estúpido, lógico, mas agora ele tinha que se concentrar em resolver o mistério que envolvia não apenas aquela jovem, mas aquele grupo de meninas aparentemente normais e assustadas.

Kanon não tirava os olhos da jovem encolhida num canto da limousine, havia percebido nela aquele discurso feminista modinha e se sentia instigado, não pelo mistério das fics com informações reais, que não lhe diziam respeito, mas pelo prazer de ver o discurso minguar quando ela se visse nos braços de um homem que, ele não negava, tinha lá seu conservadorismo machista. Talvez eles pudessem encontrar um equilíbrio na guerra dos sexos, e, com esse pensamento, ele não conteve o sorriso maldoso.

CONTINUA...