Capítulo 22

~ Bella ~

Eu estava morrendo de fome, então eu fiz um monte de waffles para o café da manhã. Eu não tinha sido capaz de manter qualquer coisa no estômago e sabia que isso não estava fazendo nenhum bem ao bebê. Vasculhei a geladeira em busca de frutas, mas só encontrei algumas maçãs. Meu pai havia tomado conta das tarefas domésticas enquanto eu hibernava em depressão, e ele estava obviamente fora da sua área. A casa estava uma bagunça e a cozinha estava vazia.

Descasquei uma das maçãs, cortei e esperei que os meus waffles ficassem prontos na chapa. Fiquei chateada porque não tínhamos calda de chocolate. A delícia pegajosa havia sido promovida ao topo da minha pirâmide alimentar desde a gravidez. Pensei nisso e fiz uma nota mental que eu precisava incluir mais vegetais, e não apenas aquelas fatias de tomate em cima de uma pizza. De repente, eu estava morrendo de vontade de comer uma pizza vegetariana.

Com chocolate.

Quando acordei eu me sentia muito revigorada. Tudo estava muito mais claro e eu me senti mais inteligente e mais forte do que me senti em semanas. A dor no meu coração ainda estava lá depois da traição de Edward, mas eu também sentia que podia haver uma maneira de resolver as coisas. Nós poderíamos ser amigos, pelo menos. Quero dizer, afinal, nós seríamos pais. A realidade era que Edward seria sempre uma parte da minha vida. Sua família era a minha família, e isso nunca mudaria. O fato de que uma criança entraria na mistura só cimentaria o apego. Eu precisava me animar. Eu poderia lidar com isso. Eu poderia ser forte. Pessoas tinham os seus corações quebrados o tempo todo, certo?

Com determinação renovada, eu decidi que lidaria com isso pouco a pouco. Ele iria para Hanover no dia seguinte e, tanto quanto me machucava, eu decidi que não o veria antes que ele fosse embora. Eu senti que poderia ser mais honesta e forte se não tivesse que olhar para aquela cara traidora. Sim, ele era um bastardo traidor, e me deixava enjoada pensar nisso.

Esme era a primeira pessoa com quem eu precisava falar. Eu me sentiria melhor depois de ouvir seus conselhos. Ela era uma mulher inteligente, e depois de ouvir as conversas que ela teve com Edward ao telefone, eu sabia que ela estava do meu lado nisso. Ela não tentaria revestir nada com açúcar, e ela não tentaria me forçar a falar com ele se eu não estivesse pronta. Eu só esperava que ele percebesse o quanto ele havia fodido toda a sua família com as suas ações.

Eu não acho que teria ficado tão chateada com a coisa toda se tivesse sido com qualquer outra pessoa além de Tanya. Era quase como um soco na minha autoestima. Teria doído pra caralho exatamente da mesma forma se fosse outra pessoa, mas eu estava enfurecida por ter sido com ela. Eu queria dar uma de ninja para cima dela. Consequências que se danem. Eu tinha sido uma boa garota durante toda a minha vida e eu estava cansada das pessoas me irritando.

Fiz várias notas mentais para me preparar para derrubá-la. Eu teria Alice fazendo uma trança no meu cabelo para que Tanya não pudesse puxá-lo, então, eu arrancaria alguns fios do dela para que eu pudesse colocá-lo em uma caixa de vodu para uso posterior. Por fim, eu precisava comprar um livro sobre vodu na Border na próxima vez que eu fosse para Port Angeles.

Terminei o último pedaço dos meus waffles - que estavam incríveis - quando o telefone tocou. Como era o telefone da casa, eu deixei ir direto para a secretária eletrônica. Ninguém ligava no telefone da casa para falar comigo, então achei que deveria ser para Charlie. A doce voz de Esme dançou pela sala, então eu corri para atender antes que ela desligasse.

"Ei, Mama." Eu disse sem fôlego.

"Bom dia, docinho. Como você está se sentindo?"

"Não muito bem... mas melhor".

"Bom, querida. Simplesmente se cuide, tudo bem? Eu me preocupo com você".

"Eu sei que você se preocupa, desculpe por ser um bebê. É só que dói tanto. Quando vai parar de doer?" Eu solucei. Por que Esme sempre me tratava como uma criança de dois anos de idade?

"Com o tempo. Você tem que se permitir absorver o que aconteceu primeiro. Então, você precisa se permitir perdoá-lo".

"Esme." Eu interrompi.

"Não, agora deixe-me terminar. Perdoar e esquecer são duas coisas diferentes. Você pode perdoá-lo e ainda seguir em frente. Se você nunca perdoá-lo, você permitirá que isso apodreça. Não o deixe no limbo, Bella. Eu acredito que ele já sofreu uma punição corporal severa. Quando eu colocar as minhas mãos nele, eu arrancarei sua pele vivo. No entanto, mais do que isso, eu acho que ele precisa entender exatamente o que suas ações custam a ele. Ele não se recuperará disso, Bella. Independentemente das ações dele, ele ama você. Sempre amou. Ele cometeu um erro terrível, mas ele é um homem. Um homem estúpido. Ele tem que aprender com seus erros, Bella." Ela terminou.

"Eu não acho que posso, pelo menos não agora. É demais. Eu mal posso respirar, ou dormir. Isso simplesmente continua aparecendo na minha cabeça como o filme de Rob Zombie. É assustador, perturbador e nojento. Foi vil, Esme. Eu não posso descrever isso".

"Por favor, não, querida. Eu não preciso disso preenchendo a minha memória, por favor. O pensamento já é ruim o bastante." Ela riu suavemente.

Eu balancei a cabeça, embora ela não pudesse me ver através do telefone.

"Eu quero esperar até que ele esteja de volta em Hanover. Eu não posso falar com ele pessoalmente. É muito doloroso".

"Eu entendo. Isso pode ser uma boa ideia. Você pode ser mais honesta, e isso te dará um pouco mais de liberdade para falar livremente. Ele estará em casa no domingo, querida. Essa é uma boa hora para começar. Apenas deixe que ele saiba que você está disposta a conversar, e isso é tudo por agora".

"Obrigada, Esme. Vou sair da cidade um pouco. Tenho algumas coisas que eu quero comprar".

"Oh, se você quiser que eu vá com você. Nós podemos almoçar." Ela ofereceu.

"Ah, está tudo bem. Eu só quero comprar um livro que eu preciso ler para a escola, e então eu voltarei para casa para trabalhar nele. Obrigada, porém. Talvez na próxima semana nós possamos." Eu respondi.

"Ok, bem, cuide-se, e ligue-me se você precisar de mim, não importa o que, certo, querida?"

"Eu ligarei. Eu te amo".

"Oh querida, eu também te amo".

Eu me senti muito melhor depois que desliguei o telefone. Esme sempre sabia como me acalmar. Eu ainda sentia a rachadura gigante no meu peito se espalhando a cada minuto, mas apenas ouvir a voa dela me acalmou.

Eu limpei a cozinha e subi para me vestir. Eu queria ir para a cidade e comprar um par de livros sobre gravidez. Nos sites em que estive olhando, havia alguns que eram recomendados e eles pareciam informativos e interessantes. Até que eu dissesse a Esme sobre o bebê, eu estava me agarrando em cordas. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo com o meu corpo e eu precisava descobrir.

Eu também precisava marcar uma consulta na clínica pré-natal. Decidi ir à clínica municipal até que eu contasse a todos. Eu sabia que isso precisava ser feito em breve. Meu filhote estava crescendo a cada minuto e, quanto mais eu adiasse, maior era a chance de alguma coisa dar errado.

Eu finalmente terminei de me arrumar e saí. Decidi ir para uma das pequenas cidades ao redor de Forks para comprar os livros. Eles tinham que ter algum tipo de loja para bebês, ou algo parecido, e eu simplesmente não estava a fim de dirigir todo o caminho até Port Angeles. Forks realmente não tinha uma livraria, e eu definitivamente não iria à loja de bebês por nenhum motivo. Seria o mesmo que plantar uma bandeira vermelha na minha bunda para toda a cidade.

Levei cerca de meia hora para chegar lá e fiquei agradavelmente surpresa que eles tivessem uma livraria muito boa, assim como uma loja infantil.

Fui primeiro à livraria e encontrei um livro. "O que esperar quando você está esperando" foi o primeiro livro que eu encontrei. Era exatamente o que eu estava procurando. Eu precisava saber mais sobre essa coisa, rápido. Perguntei à garota se eles vendiam algum dos outros da minha lista e ela me orientou a procurar na loja infantil. Aparentemente, eles tinham uma seleção melhor.

A loja era intimidadora. Eu me senti muito estranha, como se todos os meus instintos maternos estivessem em chamas. Todas aquelas roupinhas e lençóis pequenos e fofos estavam me chamando. Eu tive que me segurar, porque não havia nenhuma maneira de eu conseguir esconder nada disso na minha casa. Tudo teria que esperar até que eu contasse a todos o segredo da minha pequena joia.

Continuei a procurar por um momento e finalmente encontrei os livros. Eles tinham uma boa variedade, então eu peguei dois, assim como uma revista tipo 'pais e filhos', e fui para o caixa.

Coloquei todas as minhas compras na minha mochila e voltei para Forks. Decidi parar no mercado porque não havia comida em casa e meu apetite estava em pleno vigor. Eu também precisava repor meu estoque de cookies. A náusea ainda era uma ocorrência diária.

Era pouco depois das 15hs, então eu queria correr para casa antes que o meu pai voltasse. Empurrei o carrinho através do mercado, praticamente agarrando e jogando os itens lá dentro. Eu estava seriamente viciada em banana, e eu poderia facilmente aumentar as vendas de Hershey's, pois eu estava praticamente sugando chocolate. Com o pensamento de sugar, uma aparição de proporções épicas passou pelo corredor.

Fodida Tanya Denali.

Eu primeiramente me chutei por não ter ido à loja de vodu - ou onde quer que você compre um vodu - porque eu estava pronta para foder com ela no meio da Thriftway. Eu arrisquei uma olhada no meu carrinho para ver se eu tinha alguma arma pesada em forma de comida que eu pudesse usar para espancá-la. Quando vi que eu não tinha, eu caminhei em direção do corredor de produtos de limpeza e peguei um par de grandes garrafas de água sanitária Clorox para bater na cabeça dela. Ela era uma cadela grande, eu tinha que ter algo para proteger o meu filhote.

Eu estava pegando os produtos de limpeza quando ouvi sua voz estridente no corredor ao meu lado. Eu parei para que pudesse ouvi-la. Claro, ela estava falando de Edward. Ela estava falando sobre voltar para Seattle para vê-lo, e meu coração afundou. Que puta. O que realmente me impressionou foi o fato de que ela sabia que ele ainda estava em Seattle. Como ela sabia? Eles estavam se falando agora? Eu me senti enjoada.

Empurrei meu carrinho para a frente da loja, tão irritada que senti como se estivesse prestes a hiperventilar. Deveria ser um efeito colateral dos hormônios da gravidez, porque eu nunca tinha sentido tanta raiva na minha vida inteira. Eu rapidamente paguei pelas compras e corri para fora do mercado. Eu podia sentir a minha pressão arterial ferver.

Uma vez em casa, eu estava frenética. A raiva e a hostilidade estavam me deixando enjoada de novo. Eu não aguentava mais isso. Não era bom para o bebê, ou para mim. Apenas o pensamento de algo dar errado foi suficiente para eu colocar um plano em movimento. Eu jamais permitiria que aquela puta me machucasse de novo, qualquer um deles.

Na manhã seguinte enquanto eu saía da casa do meu pai, eu me senti vazia e sozinha. Meu coração havia fugido do meu peito e fui deixada com nada mais do que as roupas nas minhas costas, minhas escassas economias e minhas memórias.

Eu não tinha ideia do que eu faria, ou para onde eu estava indo. Eu nunca tinha pensado em deixar Forks para ir a qualquer lugar que não fosse para a faculdade em Seattle. No entanto, as coisas haviam mudado, e eu tinha que fugir. Eu tinha que fugir rápido, e para longe, antes que alguém viesse me procurar.

Deixei um bilhete para o meu pai, dizendo que eu passaria o dia em Port Angeles fazendo compras. No momento em que ele tivesse lido, eu estaria muito longe. Eu odiava fazer isso, mas era a única forma para a minha sanidade mental permanecer intacta.

Minha culpa estava lentamente me comendo viva. Eu era uma decepção, e eu não podia suportar ver isso nos olhos do meu pai. Ele tinha sonhos para mim. Ele confiava em mim. Não havia nenhuma maneira de eu poder explicar a ele como eu encontrava nesta situação estúpida sem ferir todos que eu amava. Eu estava sozinha, e eu suportaria o meu futuro incerto sozinha.

Dirigi meu carro em direção a Port Angeles e estacionei a um quilômetro e meio da cidade, na floresta. Andei até a cidade e direto para a estação Greyhound para garantir uma passagem de ônibus que me levasse para qualquer merda de lugar. Nesse ponto, não importava. Eu simplesmente precisava fugir.

Eu cuidadosamente estudei as rotas, procurando por algum lugar quente. Eu não tinha certeza se seria capaz de pagar um lugar para ficar por muito tempo, e se eu tivesse que dormir debaixo de uma ponte, eu preferia fazer isso em algum lugar quente.

O próximo ônibus saindo da cidade estava indo para Portland, no Oregon. Muito perto. Eles certamente procurariam lá depois que tivessem vasculhado o estado de Washington.

O próximo só sairia em uma hora e meia e iria para São Francisco, Califórnia. Parecia perfeito. A Califórnia era ensolarada e quente. Era um passo na direção certa, então eu comprei minha passagem e desci a rua para arranjar alguma coisa para comer enquanto esperava. Eu não queria ficar zanzando pelo terminal de ônibus, no caso de eles virem à minha procura. Eles verificariam primeiro aqui.

Sentei-me no McDonald's e folheei meus livros novos enquanto comia. Olhei para o meu relógio e quando vi o quanto era tarde, peguei minha mochila e decidi pegar alguma comida para viagem no mini-mercado ao lado. Eu não sobreviveria sem bolachas e água.

Fiquei vagando pela loja, pegando besteiras a torto e a direito. Meu filhote me guiou para os confeitos doces e salgadinhos que preferia. Por alguma razão, eu não conseguia o suficiente de banana passa. Eu também ansiava por cheetos jalapeño. Eu nunca tinha gostado antes, mas meu bebê era implacável por coisas picantes. Eu estava na geladeira pegando algumas garrafas de água quando ouvi gargalhadas familiares atrás de mim.

Ótimo. Fodidas cadelas.

Coloquei as garrafas de água debaixo do braço livre e lentamente me virei, deixando a porta de vidro fechar sozinha.

Tanya foi a primeira a falar.

"Oi, Bella. Roupa legal!" Ela disse em um tom presunçoso. "Você invadiu o armário de Emmett?" As duas começaram a rir como hienas da sua piada sem graça.

Vadias.

Olhei para as minhas roupas, nem sequer me lembrando o que eu havia vestido. Revirei meus olhos, vendo que eu estava usando uma calça do meu moletom largo e um dos grandes moletons de futebol de Edward. O pensamento trouxe um sorriso ao meu rosto.

"É de Edward." Eu murmurei.

"Ah, que doce." Tanya ronronou enquanto roçava a sua mão em meu braço. "Foi uma pequena lembrança do seu namoro por pena?" Elas explodiram em gargalhadas novamente.

"Vá se foder, Tanya." Eu rosnei.

"Ah, não, obrigada. Mas, tenho certeza que Edward vai." Ela riu.

Eu me virei em meus calcanhares, não querendo revelar as lágrimas que estavam agora rolando pelo meu rosto. Apenas olhar para ela estava me deixando enjoada. Eu podia sentir a bile borbulhando no meu estômago. A imagem dela e Edward juntos me fez querer vomitar.

Peguei alguns biscoitos salgados com a lembrança de que a minha náusea quase constante seria um problema sério com a viagem e caminhei até o caixa. Eu mais uma vez as senti rastejar atrás de mim.

"Você sabe, Bella, eu ficaria feliz em devolver isto a Edward neste fim de semana. Já que eu vou vê-lo hoje à noite e tudo, tenho certeza que ele ficaria feliz em tê-lo de volta e eu ficaria feliz em receber a recompensa por devolvê-lo." Ela disse com uma risada má. Ela esfregou sua mão para cima e para baixo na manga do moletom e eu arranquei meu braço rudemente, derrubando o conteúdo das minhas mãos.

"Vá se foder, Tanya! Fodidamente não me toque." Eu rosnei por entre os dentes.

Ela soltou outra risada nojenta. "Agora, Bella, esse moletom é de Edward e ele é meu. Então, tire-o e eu não vou arrancá-lo de você".

"Vá com calma, Tanya." Rosalie sussurrou.

Ela me deu um sorriso simpático. Perdedora fodida.

Olhei para elas por um segundo a mais, endireitei meus ombros e saí.

Essa puta! Eu não tinha ideia do que Edward ainda via nela. Ela era ridícula. Acho que um presente de chupar um pau era um longo caminho. Eles todos que se fodam, eles se mereciam, eu disse a mim mesma. Eu não permitiria que a minha filha se tornasse a segunda melhor para qualquer um. Se ele escolheu Tanya em vez de mim, bem, então ela poderia tê-la.

~ O ~

A viagem de ônibus foi cansativa. Foi dolorosamente longa e acidentada, e eu estava muito desconfortável. Passei metade da viagem no banheiro na parte de trás do ônibus, ao mesmo tempo vomitando minhas tripas e amaldiçoando a imbecil, responsável pela queda das bolachas, vadia da Tanya. Eu teria matado por um pacote de bolachas de água e sal naquele ponto.

O ônibus finalmente chegou à estação em São Francisco por volta do meio-dia do dia seguinte. Fiquei satisfeita por termos feito algumas paradas ao longo do caminho, assim eu fui capaz de repor o meu vício por cream crackers. Encontrei uma cabine telefônica na rodoviária e arranquei algumas páginas da lista com telefones de motéis. Liguei para alguns deles, tentando encontrar um perto da rodoviária, e quando localizei um, eu enfiei a página na minha bolsa e me dirigi para a porta. Encontrei um táxi facilmente e dei o endereço ao motorista.

Quando chegamos, meu estômago caiu. Era muito degradado e parecia quase deserto. Era um daqueles típicos motéis assustadores de beira de estrada que você vê nos filmes. Você sabe, aquele era o tipo de lugar onde algumas pessoas loucas assassinavam os ocupantes enquanto eles dormiam.

Eu perguntei ao motorista do táxi sobre a área e ele me informou que era segura, então eu paguei a corrida e me dirigi para a recepção. O funcionário foi amigável e o saguão era limpo e arrumado, então isso me deixou mais tranquila. Ele me deu a minha chave do quarto e mostrou-me onde ficava.

Assim que abri a porta do quarto, meu estômago virou. Era nojento. O que eu esperava por 30 dólares por noite? Eu tinha que fazer o meu dinheiro durar tanto tempo quanto possível. Não era como se eu pudesse encontrar um emprego.

O quarto era úmido e abafado. Cheirava a vômito velho e água sanitária. Nesse ponto, eu estava morrendo de cansaço, e a perspectiva de uma cama de qualquer tipo era ótima. Deixei minha mochila ao lado da porta antes de fechar rapidamente e trancá-la atrás de mim. Olhei ao redor do quarto, considerando o meu novo domicílio. Eu balancei minha cabeça em derrota.

Quase não tinha móveis e era decorado com um esquema de cores brega e desatualizado. A colcha estava rasgada e coberta de enormes flores marrom e laranja. Não havia mais nada na cabeceira do que uma grande parte de um painel de madeira ligado à parede acima dela. Uma grande cômoda ficava em frente à cama e tinha um velho espelho anexado a ela. Suspirei quando olhei para a mesa ao lado da cama. Estava torta e abrigava uma lâmpada cor âmbar gigante com um abajur marrom sujo. Fui até lá e o acendi, notando os quatro centímetros de poeira que o cobriam. Puxei minha mão de volta rapidamente quando vi que ele também tinha uma trama de mil teias de aranha no interior.

Uma sensação de pavor tomou conta de mim e, entre isso e o meu cansaço, eu desabei na cama e puxei a colcha sobre mim. A cama era irregular e desconfortável, mas parecia o céu. Eu adormeci rapidamente, pesadelos me assolando.

Acordei algumas horas mais tarde ao som de um homem e uma mulher gritando palavrões um para o outro lá embaixo.

"Victoria! É melhor você voltar, cadela!"

"Vá se foder, idiota! Eu nunca mais quero vê-lo de novo!" A mulher gritou.

Aquilo continuou durante vários minutos, e minha natureza intrometida tomou o melhor de mim. Era como um episódio da vida real de Jerry Springer se desdobrando na minha frente e, inferno se eu perderia isso!

Abri um pouco a porta e vi a história se desvendar. Era fascinante. Soltei uma gargalhada com a estupidez dos meus pensamentos. Hipnotizada assistindo a um programa sensacionalista no estacionamento do Motel Crazy 8! Sim, eu era uma garota de Forks em uma concha, com certeza.

A mulher era bonita. Ela tinha longos e ondulados cabelos ruivos que desciam pelas suas costas. Sua pele pálida brilhava à luz do sol desaparecendo. Ela usava um vestido branco simples e uma jaqueta jeans curta e segurava suas sandálias de salto na mão enquanto se afastava do homem descalça.

O homem com quem ela estava brigando era sujo. Ele tinha longos cabelos negros e pele escura. O jeans que ele usava estava batido e rasgado, e ele vestia uma regata branca e suja. Ele parecia um personagem sombrio estereotipado que você vê nos filmes. Eu não pude evitar me perguntar o que uma mulher como ela estava fazendo com alguém como ele. Era como A Bela e a Fera.

Eu os assisti discutir e gritar por mais um tempo, até que minha bexiga pediu a minha atenção. Voltei para dentro e me dirigi para o banheiro.

Se o quarto asqueroso não tinha me assustado, o banheiro faria o trabalho. A única descrição para aquele buraco era... eu não sei. Quero dizer, bruto, nojento, desagradável. Não havia nenhuma maneira de colocar em palavras o quanto era nojento. O chão de linóleo verde pútrido estava desmoronando debaixo dos meus pés e o banheiro tinha o que parecia uma eternidade de lodo e sujeira dentro. A pia estava coberta de espuma de sabão e estava vazando uma substância cor de cobre. Eu agarrei o rolo de papel higiênico e embrulhei como em uma cena de crime antes de pairar sobre ele para fazer xixi. Eu me limpei e peguei outro pedaço de papel para pressionar o botão da descarga.

Afastei a cortina do chuveiro por curiosidade mórbida e não fiquei decepcionada. Os azulejos eram velhos e pretos e, em alguns pontos, eles estavam rachados e faltando pedaços. A banheira estava totalmente amarelada e coberta por uma película de sujeira. Puxei a cortina e balancei minha cabeça pela calamidade da situação em que eu me encontrava.

Voltei para o quarto e decidi que pelo menos trocaria de roupa, já que um banho não estava nos meus planos para esta noite. Tirei o moletom sobre a minha cabeça e o segurei contra o meu nariz para sentir o perfume de Edward que ainda permanecia nele. Eu o deixei cair no chão e peguei outro moletom da minha mochila. Fiquei com a calça de moletom, já que era tudo que eu tinha que ainda me servia, e decidi sair para pegar alguma comida. Eu estava além de faminta naquele momento. Meu filhote estava fazendo a sua presença muito clara.

Troquei para uma calcinha limpa e puxei de volta a minha calça jeans com lycra. Ela era confortável, mas ainda fina, e, desde que eu não planejava ficar fora por muito tempo, elas teriam que servir. Vesti uma camiseta limpa e coloquei o moletom de Edward de volta.

Saí do quarto e tranquei a porta atrás de mim, deixando cair a chave laranja na minha bolsa. Eu a ajustei no meu ombro e desci as escadas.

Eu estava apenas descendo o último degrau quando quase tropecei na ruiva estridente de mais cedo.

"Desculpe!" Eu disse. "Eu não estava prestando atenção!" Pedi desculpas.

"Oh, não se preocupe, eu estou bem. Meu nome é Victoria." Ela sorriu e estendeu a mão.

"Oi, Victoria, eu sou um, B..." Respondi hesitante, não tendo certeza se deveria dizer a ela o meu nome.

"Bee? Nome interessante. Como, Tia Bee? Ou Bumble Bee?" Ela riu.

Eu ri com ela, notando o quanto isso soou estúpido, mas ainda indisposta a dizer qualquer coisa mais.

"Então, de onde você é, Bee? Não é uma boa ideia ficar perambulando à noite por aqui".

"Eu estava apenas saindo para buscar comida, eu não comi o dia todo. Existe algum lugar por perto que eu possa ir?" Eu perguntei.

"Hmm, não realmente. Ei, eu tenho uma ideia melhor. Vamos pegar um par de cocas da máquina de venda automática e podemos pedir uma pizza do seu quarto. Por minha conta. Parece bom?"

Eu estava um pouco desconfiada... A) Ela era uma total estranha, B) Ela estava dando uma de Tyson para cima do seu namorado nem sequer meia hora antes, o que significava que ela ou era louca, ou associada com malucos, e C) Bem... eu não tinha certeza de nada naquele momento, mas eu estava desesperada.

"Hum, e quanto ao... você sabe... seu namorado?"

"UGH! Aquele imbecil! Ele não é meu namorado. Ele foi apenas um erro monumental. Eu era uma das muitas namoradas!" Ela riu, "Eu sou uma idiota quando se trata de homens. Eu sabia que seria fodida eventualmente. De qualquer forma, ele é passado. Olha, eu sei que você não me conhece e você é jovem, então provavelmente você está meio apreensiva por causa das merdas que você ouviu antes, mas você pode confiar em mim".

Algo sobre ela me fez acreditar nisso. Ela me fez sentir confortável, como se não estivesse escondendo nada. Meu cérebro estava me dizendo que eu estava completamente decepcionando o meu pai por fazer amizade com uma estranha em uma cidade estranha em um motel decadente e barato, mas eu tinha um bom pressentimento.

"Sim, ok, nós podemos fazer isso. Mas, posso perguntar uma coisa?"

"Qualquer coisa. Manda".

"Você não tem um lugar para ficar agora? Quero dizer, já que vocês terminaram? O que você fará?" Eu perguntei, agora preocupada com a minha nova amiga.

"Bem, eu não ficarei lá! Minha substituta já está aquecendo o meu lugar." Ela soltou uma gargalhada.

Meu queixo caiu. Como ela poderia levar a situação tão bem? Era uma situação horrível e ela se recuperou tão facilmente. Eu definitivamente senti que precisava ajudá-la e senti que ela poderia me ajudar. A perspectiva de não estar só era atraente.

"Hum, bem, você pode ficar comigo, quero dizer, se você não tiver nenhum outro lugar".

"Tem certeza, menina? Eu não quero que você se sinta desconfortável. Mas, sim, eu adoraria ficar com você. Fica mais frio do que merda aqui à noite. Mas, com uma condição. Você me deixa pagar a metade, e a pizza ainda é por minha conta. Combinado?"

"Sim, ótimo. Vamos subir porque eu estou morrendo de fome!" Eu esfreguei minha barriga distraidamente com as duas mãos. Os olhos de Victoria arregalaram e dispararam da minha barriga para os meus olhos. Eu podia ver o olhar no rosto dela e sabia que ela havia tirado a conclusão.

"Oh, merda, querida! Você está grávida!" Ela exclamou.

"Sim." Eu sussurrei.


Então... Bella fugiu. Estou ansiosa para saber o que vocês pensam da atitude dela. Eu tenho a minha opinião, claro, mas importante é saber como vocês - leitores - se sentem. A autora sabe muito bem o que eu penso... kkkk. Love you Pretty!

Beijos, Nai.