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Capítulo 29 - O Reencontro
~ Bella ~
Tinha sido uma longa e maldita noite. Carlie tinha passado com febre e eu estava no meu juízo final com as tentativas de fazê-la melhorar. Eu tinha tentado de tudo, banho morno, Tylenol, líquidos... o shabam* todo. Ver o meu pobre bebê chorar estava me matando. Ela nunca tinha ficado doente assim antes. Ela teve todas as típicas doenças infantis ao longo dos anos, resfriados, gripes e algumas crises de laringite, mas isto era definitivamente algo diferente. A febre havia subido tão rapidamente, e ela estava tão apática e constantemente chorando de dor. Sua pequena garganta estava queimando e ela não conseguia comer, dizendo que era difícil engolir. Eu não conseguia fazer isso melhorar e decidi que precisava levá-la ao hospital.
*Shabam: tipo de incenso ou vela aromática de ervas.
Eu estava realmente esperando que fosse apenas um resfriado. Eu estava apavorada com a ideia de que algo estivesse seriamente errado com ela. Eu esperava que fosse apenas o seu sistema imunológico tentando ajustar-se à mudança na atmosfera. Eu realmente não podia pagar uma grande conta de hospital agora. A mudança praticamente limpou meus bolsos.
Nós só estávamos em Seattle por menos de uma semana. Nós estávamos apenas começando a nos ajustar, e eu me senti bem sobre finalmente voltar. Dizer que eu estava nervosa sobre voltar para o Noroeste do Pacífico era um eufemismo. Eu sabia o que Garrett e Victoria estavam fazendo, e eu sabia que era a coisa certa. Estava na hora, eu estava pronta. Eu sentia falta da minha família e sabia que precisávamos finalmente seguir em frente.
Era uma loucura o quanto eu senti falta de estar aqui. Claro que aqui era a minha casa. Eu senti falta do clima e do ritmo mais lento. Eu sabia que este era o lugar onde nós pertencíamos. Eu queria que Carlie tivesse esta vida, uma vida feliz e simples, com um lugar seguro para crescer. Eu queria compartilhar todas as coisas com as quais eu tinha crescido. Washington era tão diferente da Califórnia, e por melhor que fosse morar lá, simplesmente não era a mesma coisa. Eu queria mostrar a ela a magia do oceano, os mistérios e a beleza das florestas, a chuva e a neve. Eu queria que ela apreciasse tudo isso. Eu queria me sentir segura, tê-la segura.
Nós estávamos sentadas nesta sala esperando por mais de 2 horas agora. As frias paredes brancas estavam me cegando. Os canais aleatórios de TV zumbiam ao redor do cômodo. Os gritos e choros e resmungos dos outros na sala de espera estavam lentamente me deixando louca. O pior era ouvir os pequenos choramingos da minha filha. Estava partindo o meu coração.
Enquanto eu fiquei lá sentada acalmando o meu anjinho e alisando seus belos cachos castanhos, eu não pude deixar de ser grata por ela ser uma menina forte e saudável, nós tivemos as nossas lutas, mas eu consegui mantê-la saudável e feliz.
Nós conseguimos cochilar, mas acabamos acordadas por uma enfermeira.
"Senhorita, temos uma sala para a sua filha agora. Por favor, siga-me." Eu olhei para cima para ver uma jovem mulher vestindo roupa de hospital com desenhos da Sininho. Sorri para ela, agradecida por finalmente ter Carlie cuidada. Eu a levantei do meu colo e cuidadosamente a coloquei montada em meu quadril enquanto seguíamos a enfermeira através das portas dos ambulatórios.
"Basta se sentar, e o médico estará com vocês em breve." Ela me deu um sorriso caloroso e fechou a porta atrás dela.
"Mamãe, estou com frio." Carlie choramingou.
"Tudo bem queria, deixe-me pegar o seu moletom na sua mochila." Eu a sentei na mesa e abri a mochila para pegar o moletom.
"Aqui está, querida." Eu disse e vesti o moletom nela.
Eu a peguei da mesa e a sentei no meu colo e comecei a balançá-la suavemente.
"Mamãe, eu não gosto disso." Ela disse com um pequeno beicinho. Seus grandes olhos verdes estavam me encarando. "É nojento aqui, e eu quero ir para casa." Ela deitou a cabeça no meu ombro com um suspiro.
"Eu sei, bebê, os hospitais são realmente nojentos. Nós vamos deixá-la melhor bem rápido e vamos para casa, para que você possa abraçar Luna." Ela assentiu no meu ombro e eu continuei a embalá-la. Sempre funcionava mencionar a gatinha.
Um momento depois, ouvi o barulho da porta. Eu me virei para ver a Sininho retornando com uma prancheta na mão.
"Sra. Masen, eu preciso que você preencha um formulário. Por favor, não se apresse. O doutor está a caminho agora, então apenas o devolva para um funcionário do posto de enfermagem uma vez que o médico terminar".
Ela me entregou a prancheta e uma caneta e saiu da sala.
Dei uma olhada por cima na papelada e sentei Carlie na maca para que eu pudesse preencher o formulário no meu colo.
"PORRA." Eu murmurei sob a minha respiração. Formulário de seguro saúde. Eu tive a súbita vontade de agarrar Carlie e correr para fora da sala.
Meus pensamentos foram interrompidos por alguém limpando sua garganta atrás de mim. Quando eu estava prestes a me virar para cumprimentar quem quer que fosse, Carlie apontou para trás de mim.
E então eu ouvi. Uma bonita e grave voz de veludo. Meu coração apertou fortemente antes do meu cérebro sequer ter tempo de reagir.
"Ouvi dizer que temos uma jovem senhora doente aqui esta noite." Ele disse, enquanto caminhava em volta da cadeira que eu estava sentada perto da porta. Ele caminhou até o balcão em frente à maca onde Carlie estava sentada e puxou duas luvas esterilizadas de uma caixa. Senti todo o ar deixar meus pulmões de uma só vez. Minha cabeça parecia que explodiria e minhas costas estavam em chamas.
Quando ele se virou para nos encarar, o olhar de reconhecimento assustou-me completamente. Estava tão cheio de emoção. Seu olhar reunia uma bateria completa de choque, preocupação, raiva, felicidade, medo, confusão, e algo que eu não poderia descrever. Meu estômago se encheu de bile tentando decifrar a minha próxima jogada.
"Isabella?" Ele disse interrogativamente. Isso saiu em um sussurro.
Senti minha língua aumentar na minha boca. Eu não conseguia falar. Minha garganta começou a fechar.
Um suor frio tomou conta de mim e eu senti que as minhas pernas me deixariam. Eu não respondi a ele. Eu não conseguia. Minha reação imediata foi correr. Correr completamente de lá, o mais rápido que eu pudesse. O que eu estava pensando ao voltar para cá? Eu sou louca! Eu não estava pronta para essa merda.
Eu me virei para pegar Carlie e comecei a passar por ele em direção à porta. Eu estava com a mão na maçaneta da porta quando senti uma mão agarrar meu ombro.
"Menininha... o que... quan..." Ele fez uma pausa, fechando os olhos e passando a mão pelo cabelo espesso e sedoso.
Pareceu que ele diria outra coisa, mas seus lábios fecharam em uma linha dura e seus olhos abriram novamente, olhando para mim mais uma vez.
Eu tomei uma respiração profunda. Eu esqueci que tinha parado de respirar momentos atrás, quando ele entrou pela porta. Eu queria fugir, correr daqui e nunca olhar para trás. Então eu olhei para a minha filha, seu rosto corado de febre e os olhos vidrados de dor. As gotículas de suor em sua testa ameaçando rolar pelo seu rosto. Seu belo cabelo cacheado amassado no seu rosto por causa do suor. Ela parecia frágil, assustada. Eu a estava assustando. Eu sabia que tinha que ser forte. Por ela.
Eu não podia olhar para ele. Não havia nenhuma maneira no inferno que eu pudesse olhar na cara dele.
"Esta é a minha filha, Carlie." Eu disse enquanto corria as costas da minha mão em suas bochechas rechonchudas.
Nós dois ficamos em silêncio pelo que pareceu ser uma vida.
"Uau, uma filha. Parabéns, Bella. Ela é realmente linda." Ele disse, sua voz carregada de dor e confusão.
Eu concordei, mas ainda não conseguia olhar para ele.
Finalmente, ele quebrou o silêncio, e eu estava igualmente assustada e agradecida.
Ele limpou a garganta nervosamente e começou.
"Bem, eu vejo que esta pequena precisa de um pouco de atenção aqui." Ele ergueu a mão para afastar o cabelo do rostinho dela.
"Por favor, diga-me quais sintomas ela vem experimentando." Ele apontou para nós seguirmos para a mesa de exame e eu levantei Carlie para sentar lá.
Carlie respondeu antes que eu pudesse.
"Minha gaganta dói. Eu sou uma garota muito doente, senhô. Minha mãe disse que eu sou uma garota muito doente, porque eu estou muito quente." Ela disse enquanto colocava a mãozinha na sua testa. "Você tem que sentir bem aqui, doutor, na minha cabeça." Ela pegou a mão dele e a colocou na sua cabeça.
Ele riu levemente quando pôs a mão na cabeça dela. Quando entrou em contato com Carlie, ele soltou um suspiro tranquilo. Ele fechou seus olhos com força e respirou fundo. Depois de um momento, ele continuou.
"Bem, parece que você tem uma febre, querida, deixe-me tirar sua temperatura e, enquanto você mantém isso em sua boca para mim, eu vou falar com a sua mamãe. Não o tire até ouvir um bipe, está bem?" Ele estava agachado para que ficasse na mesma altura que ela, e estava olhando diretamente nos olhos dela. Ela balançou a cabeça e ele colocou o termômetro debaixo da língua dela. Ele então se virou para mim.
"Isabella." Ele começou. Ele puxou uma cadeira do canto e agora estava sentado em frente a mim.
"Onde diabos você esteve? Você está bem? Eu não posso acreditar que você está fodidamente aqui. Você quase fodidamente me matou, menininha! O que diabos você estava pensando? Você tem uma porra de filha e escondeu essa merda da família? Você perdeu a porra da sua cabeça?" Ele perguntou em um tom exacerbado.
Ele estava me sobrecarregando com perguntas e eu senti que desmaiaria. Ele pareceu sentir o meu desconforto e parou de falar, graças a Deus.
Ele então colocou a mão no meu joelho e eu senti o choque familiar do seu toque. Respirei fundo, tentando controlar minhas emoções.
"Alice ficará emocionada ao saber que eu te encontrei. Ela tem sido uma loucura por todos esses anos sem saber onde você estava. Todo mundo tem sido assim. Nós nunca deixamos de procurá-la, baby, nós procuramos por tanto tempo." Ele fez uma pausa e, percebendo que eu ainda tinha que olhar para ele, ele levantou meu queixo com o seu dedo para que eu olhasse diretamente para ele.
O olhar em seus olhos estava cheio de preocupação e confusão. Toda a dor que eu tinha empurrado para a parte de trás do meu coração agora estava transbordando, e a dor estava penetrando no meu peito.
"Você está bem, amor? Você não parece muito bem." Sua testa franziu e eu podia sentir as lágrimas começando a transbordar em meus olhos.
Eu apenas balancei a cabeça e dei um sorriso fraco.
Ele então parou e olhou para Carlie.
"Ela é o motivo de você ter ido embora, Bella?" Ele perguntou, levantando a sobrancelha interrogativamente.
Novamente, eu não consegui encontrar minhas palavras. Eu apenas assenti e o fluxo de água começou.
Eu não sabia o que dizer para ele. Como eu poderia dizer a ele que eu fugi e levei comigo um pedaço dele? Que eu desapareci com o nosso bebê porque ele tinha me traído e partido o meu coração? Como você explica isso? Eu não podia deixá-lo descobrir. Eu tinha que fugir de novo.
Edward ainda estava esfregando meu joelho silenciosamente em busca de respostas. Eu estava em choque emocional e físico. Meus pensamentos estavam tão desfocados, não havia nenhuma maneira de interpretá-los.
Seu toque era calmante e preocupante ao mesmo tempo. Eu queria que ele parasse. Eu NUNCA queria que ele parasse.
O som do termômetro de Carlie quebrou o nosso olhar aparentemente interminável. Meus olhos correram para ela e eu pulei para o lado dela.
Ele tirou o termômetro da boca dela e o olhou atentamente.
"Bom trabalho, Carlie." Ele arrulhou para ela suavemente. Ele acariciou a cabeça dela levemente e virou-se para mim.
"Ela realmente tem uma febre Bella." Ele afirmou. "Eu farei alguns exames para ver se consigo descobrir a causa da febre".
Eu assenti, tentando segurar as lágrimas. Eu estava com medo pela minha filha, e fodidamente enlouquecendo por ter esbarrado em Edward. Eu estava tonta com todo aquele estresse.
Edward estava me olhando hesitantemente à espera da minha resposta. Eu balancei minha cabeça um pouco para tentar voltar para a realidade do quarto do hospital.
"Hum, sim, tudo bem." Eu assenti. Ele podia ver a minha luta interna e me pediu para sair.
"Ela ficará bem, Bella. Pode ser apenas uma gripe. Com seus sintomas, isso parece o mais provável. Não há nada que você precise se preocupar." Ele me pegou em um abraço apertado e eu imediatamente me desfiz. Os soluços estavam fazendo meu corpo tremer, as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas. Ele me pediu para ir até o corredor e eu o segui.
"Shhh, Bella. Está tudo bem. Ela ficará bem. Eu cuidarei dela, Bella, por favor, acalme-se." Ele estava esfregando as minhas costas em pequenos círculos, e eu podia sentir seu hálito quente no meu cabelo. Eu queria confiar nele, mas eu estive nessa estrada antes e acabei esmagada.
Eu me afastei do seu abraço e voltei para o quarto.
Eu puxei o rosto de Carlie em minhas mãos suavemente, ajoelhando-me para olhar em seus olhos.
"Macaquinha, você ficará bem. O médico vai se certificar de que seja tudo consertado. Ele cuidará bem de você, tudo bem?" Ela sorriu e balançou a cabeça e eu dei um rápido beijo em seu nariz.
Momentos depois, outra enfermeira entrou na sala com vários pacotes e um pequeno copo.
Ela sorriu para nós duas e fez um rápido trabalho em situar os pacotes sobre a mesa de metal com rodinhas e começou a organizar bolas de algodão, compressas embebidas em álcool e band-aids." Uma vez que ela tinha colocado todos os itens sobre a mesa, ela a deslizou até nós. Ela pegou um banquinho e sentou-se diante de nós.
"Olá, Carlie, eu sou Jane." Ela disse com uma voz doce. "Eu vou ajudar o Dr. Cullen para que você possa ficar melhor, tudo bem?" Carlie olhou para mim e eu sorri. Ela olhou de volta para Jane e assentiu.
Jane colocou as luvas esterilizadas e abriu um dos pacotes. Ele continha um cotonete gigante em um longo palito de madeira.
"Ok, Carlie, eu preciso que você abra a boca beeeem grande, para eu poder esfregar isso na sua garganta, ok?" Carlie obedeceu e abriu sua boquinha em uma grande "o".
Jane rapidamente esfregou o cotonete na garganta dela e o depositou no copo. Ela então abriu uma seringa de tamanho padrão e pegou uma compressa embebida em álcool.
"Ok, isso vai doer um pouquinho, querida, mas eu serei realmente rápida, e quando terminar, eu vou te dar um band-aid da Barbie e um adesivo. Isso não parece tão ruim, hein?" Ela piscou para Carlie e olhou para mim para ver a minha reação.
Eu sorri para ela e dei um pequeno aperto em Carlie.
"Carlie é um osso duro de roer, não é, Macaquinha?"
Carlie olhou para mim e deu um sorriso hesitante. Ela não era fã de agulhas, e tendo apenas que lidar com elas durante suas visitas para imunização, isso a estava assustando pra caramba. Assim que a agulha atingiu sua pele, ela deu o grito mais aterrorizante que eu já ouvi sair da sua boca.
"MAMÃE!" Ela gemeu.
Eu a confortei e acariciei seu braço, tentando acalmá-la enquanto Jane terminava de tirar o sangue.
Edward irrompeu na sala quando o segundo grito escapou dos lábios dela.
"O que diabos aconteceu?" Ele gritou com pânico total em seus olhos.
Jane abriu a boca para responder, mas eu a interrompi.
"Está tudo bem, Carlie está um pouco assustada com a agulha. Ela ficará bem." Dei a ele um sorriso genuíno, um puxão forte no meu coração tentando cortar a minha circulação diante da preocupação dele.
O pânico foi drenado do seu rosto e ele me deu um sorriso forçado.
"Olha! Tudo feito, Carlie." Jane disse enquanto selava a agulha em um saco plástico. Ela virou-se para a pequena mesa e a empurrou para a parte de trás da bancada.
Edward estava agora ao lado de Carlie no outro lado da maca. Ele deu a ela uma massagem leve nas costas.
"Você está bem, amor?" Ele perguntou e aquilo mal saiu como um sussurro.
Carlie não respondeu, mas lançou os braços ao redor dele e assentiu. Ele envolveu os braços em torno dela e soltou uma pequena risada.
A visão dos dois nos braços um do outro tirou o ar do meu peito. Eu cobri minha boca com as mãos para evitar que o suspiro escapasse.
Carlie estava olhando para ele agora silenciosamente enquanto ele olhava entre nós duas com um pequeno sorriso.
"Você tem olhos verdes." Carlie disse suavemente. Os olhos dele de volta para encará-la.
"Eu certamente tenho, e você também. Isso significa que temos sorte." Ele disse enquanto acariciava as bochechas dela com as costas da sua mão.
Ele continuou a olhar para ela por um momento e então limpou sua garganta e saiu da maca.
Puxei Carlie para o meu colo enquanto observava Edward estudar sua prancheta. Ele balançou sua cabeça ligeiramente e então respirou fundo.
Eu não conseguia parar de olhar para ele, ele ainda era lindo. Ele tinha envelhecido, seu cabelo macio e sedoso estava um pouco mais comprido que antes, mais despenteado, mas perfeito.
"Levará cerca de uma hora para que os resultados voltem do laboratório. Eu pedirei a eles para correr para que você possa levá-la para casa. Eu pedirei para uma das enfermeiras colocar um filme para Carlie enquanto vocês esperam." Ele deu-me um pequeno aceno de cabeça e começou a caminhar para fora da sala.
"Edward." Eu disse cautelosamente.
"Sim, amor?"
"Você pode, por favor, não contar a ninguém que você me viu? Quero dizer, eu quero ver todo mundo... em breve, mas ainda não. Por favor, você pode esperar até que eu esteja pronta?"
Ele não disse nada, apenas balançou a cabeça e saiu da sala.
A enfermeira trouxe A Pequena Sereia para Carlie assistir e nós nos sentamos na cadeira em frente a TV para assistir. Dentro de minutos, ela estava dormindo.
Estávamos sozinhas na sala por cerca de 45 minutos quando ouvi a porta abrir. Eu me virei em silêncio tentando não acordar Carlie. Havia uma figura na porta, mas na posição que eu estava, eu não conseguia ver quem era.
Finalmente, ela falou.
"Bella?" Eu apertei meus olhos, tentando ver quem era, e respondi questionando. "Sim?"
E com isso a porta se abriu e Alice apareceu na minha frente, ajoelhando-se no chão.
"Bella! Oh meu Deus, eu não posso acreditar em meus olhos!"
Alice me envolveu em seus pequenos braços, abraçando-me com força. Ela se afastou para me olhar. Ela estava em prantos, e se fosse possível, o meu coração poderia ter explodido no meu peito. Vê-la não era nada que eu pudesse ter imaginado. Eu tinha sentido tanto a falta dela, e eu estava desmoronando ao vê-la tão chateada.
"Alice? O quê, por que você está aqui?" Eu consegui dizer.
"O QUE VOCÊ QUER DIZER COM POR QUE EU ESTOU AQUI, BELLA?! Eu sou a sua melhor amiga! Você sabe, aquela que você abandonou? Eu te amo! Edward me ligou imediatamente! Eu pensei que estava sonhando quando ele me disse que você estava aqui! Eu acho que ele está em choque agora, ele não consegue sequer falar!"
Ela fez uma pausa e olhou para mim, olhando profundamente nos meus olhos.
"Todos esses anos, você não tem ideia do que fez conosco quando você foi embora. Todos nós morremos um pouco, imaginando onde você estava".
Ela respirou fundo e balançou a cabeça.
"OH, BELLA! SEU PAI! Nós temos que ligar para o seu pai!" Ela tentou alcançar seu celular e eu dei um tapa na mão dela.
"NÃO! Alice, não, por favor. Eu não estou pronta para tudo isso, por favor, ninguém pode me encontrar, por favor! Eu estou te implorando para me deixar ir embora!" Eu deixei escapar um soluço alto, o que fez Carlie estourar em lágrimas atrás de nós. Ela veio até mim e agarrou no meu suéter, agarrando-o firmemente em seus pequenos punhos. Eu rapidamente tentei me acalmar e acariciei o topo da sua cabeça.
Alice ofegou e segurou sua mão sobre a boca firmemente em estado de choque.
"Bella!" Ela disse suavemente. Ela se abaixou de joelhos na frente de Carlie e sussurrou, "Você tem uma filha".
Ela estendeu a mão para Carlie e acariciou a bochecha dela suavemente com a mão. Ela sorriu e olhou para mim, seus olhos cintilando.
"Posso conhecê-la, Bella, por favor?" Ela perguntou enquanto uma lágrima solitária escorregava pela sua bochecha.
Eu concordei e movi o rosto de Carlie para que ela pudesse olhar para Alice.
"Carlie, essa é a amiga da mamãe, Alice." Carlie olhou para ela e deu-lhe um pequeno sorriso. Alice ofegou novamente quando Carlie olhou para ela. "Alice, essa é Carlie Alice Masen".
No instante em que eu disse a Alice o nome dela, eu não pude evitar o enorme sorriso que se instalou no meu rosto. Alice apenas olhava para Carlie com carinho.
"Oh, Bella, ela é magnífica." Ela ficou maravilhada.
Ela abaixou-se novamente para falar com Carlie. Eu me sentei e coloquei Carlie no meu colo para que elas pudessem conversar.
"Oi, Carlie, eu estou tão contente de conhecê-la. Eu sei que nós seremos grandes amigas".
Carlie riu e sorriu para mim.
"Minha mamãe disse que Alice significa melhor amiga, então nós somos melhores amigas!" Ela riu de novo, o que fez com que Alice e eu fizéssemos o mesmo.
"Pode apostar que somos, criança, e sua tia Alice vai mimá-la até não poder mais." Ela sentou-se, estudando cuidadosamente o rosto dela como se estivesse gravando na memória, mas foi interrompida pela barriga de Carlie que rosnou.
"Oh, querida! Você está com fome?"
Carlie assentiu.
"Ela está com dor de garganta e não pode realmente comer muito." Eu disse a ela.
"Eu vou buscar algo para ela, uma sopa, pudim, ou gelatina, ou, OH! Sorvete! Você gosta de sorvete, Carlie?"
Novamente Carlie assentiu com um sorriso enorme em seu rosto. Não se acostume com jantares de sorvete, criança, isto é como Avalon* e o lago está prestes a abrir um buraco.
*Avalon é uma ilha lendária onde a espada Excalibur foi forjada e posteriormente onde o Rei Arthur foi levado para recuperar suas forças após a Batalha de Camlann. Avalon foi associada desde cedo com práticas míticas.
Alice deu um pulo e agarrou sua bolsa.
"Eu voltarei em um instante." Ela parou e voltou e apontou o dedo para mim. "Nem sequer pense em sair deste quarto antes de eu voltar, Swan." Ela me deu sua melhor interpretação de cachorro raivoso e saiu.
Assim que eu percebi que ela estava fora do lugar, eu comecei a recolher nossas coisas para dar o fora daqui antes que ela voltasse. Tão surpreendente quanto foi vê-la, eu sabia que não poderia fazer parte da vida dela. Isso apenas complicaria as coisas para nós e para eles.
Eu estava com a minha mão na maçaneta quando a porta se abriu. Edward entrou e olhou para mim com horror.
"O que você está fazendo, Isabella? Os resultados dos testes ainda não voltaram".
"Edward! Como você pôde chamar Alice! Eu implorei a você! Eu deveria saber melhor do que confiar em uma palavra que saia da sua boca!"
Eu estava furiosa, e ele tinha um olhar sombrio em seus olhos e me olhava atentamente. Eu não recuaria. Este bastardo colocou a bola em movimento, e se ele achava que destruiria o meu jogo, ele estava severamente enganado. Em seguida, ele chocou-me completamente pedindo desculpas.
"Peço desculpas, Isabella. Mas apenas por trair você. Eu não podia esconder você dela. Não há nenhuma maneira que eu poderia viver comigo mesmo. Eu não podia assistir você ir embora daqui sem saber quando ou se um dia eu a veria novamente. Eu fiz isso uma vez e não há nenhuma maneira no inferno que eu permitiria que isso acontecesse novamente".
Suas mãos tremiam enquanto se abriam e fechavam em seus lados. Sua respiração era rápida e forçada, e a expressão em seu rosto era cheia de angústia. Eu me senti mal por infligir dor a eles com o meu desaparecimento, mas ele obviamente não tinha ideia do que eu tinha atravessado para chegar a essa decisão. Deus, por que diabos Edward Cullen tinha que ser um fodido médico? Ele não poderia ter se tornado um encanador, ou alguma merda assim?
"O que seja, Edward, está feito. Você sabe o que há de errado com a minha filha, ou você esteve muito ocupado bancando o vizinho intrometido para fazer o seu trabalho?" Eu rebati.
Eu sabia que estava sendo uma puta, mas eu estava assustada demais para ser racional.
"Oh, hum..." Ele limpou a garganta e olhou para mim com cautela. "Ela realmente está com a garganta inflamada".
Ele puxou um bloco e uma caneta do bolso e começou a escrever.
"Eu darei a você uma receita de antibiótico e Tylenol para a dor." Ele arrancou a folha do seu bloco e a entregou para mim.
"Certifique-se de que ela faça muito repouso e beba bastante líquido, e ela deve comer com os antibióticos, eles podem mexer com seu estômago. Ela deve ficar bem até o final de semana, mas não se esqueça de dar a ela a dose completa dos antibióticos".
Peguei a folha das mãos dele com força e a enfiei na minha bolsa.
"Obrigada." Eu murmurei.
Eu agarrei a mão de Carlie e comecei a me dirigir para a porta. Eu precisava sair daqui imediatamente.
"Ah, e Bella, não se preocupe com a conta. Eu cuidei dela para você. Você está pronta para ir".
"Edward, não há necessidade de você fazer isso. Eu possa pagar a minha conta própria. Eu não aceito caridade." Eu cuspi.
"Isso não é caridade, eu sou seu amigo, Isabella. Você não se lembra disso?"
"Oh, eu me lembro bem o tipo de amigo que você pode ser. Eu enviarei um cheque endereçado a você para o hospital".
Eu estendi a mão novamente para a porta e fui parada pelo braço dele batendo a porta.
"Isabella, eu não quero que você saia daqui. Eu simplesmente não consigo. Eu não paguei a sua conta para insultá-la, eu nunca faria isso. Eu fiz isso porque eu quis. Eu gostaria de poder apoiar você! Merda, Bella! Eu não te vejo há três anos e então você está aqui! Eu estou apenas um pouco sobrecarregado! Eu te amo, menininha, você não se lembra disso?"
Seus olhos estavam perfurando os meus. O calor saindo do seu corpo estava me consumindo. Eu estava segurando a mão de Carlie com tanta força que ela começou a choramingar.
"Oops, bebê, desculpe." Eu esfreguei seus pequeninos dedos com as pontas dos meus dedos.
Respirei fundo tentando me colocar nos eixos e olhei para ele e continuei.
"Olhe, Edward, obrigada. Eu realmente estou grata. Carlie e eu realmente apreciamos isso".
Dei a ele um sorriso hesitante, que ele devolveu.
"Bem, então, eu acho que você está pronta para ir." Ele disse calmamente.
Ele ajoelhou-se em um joelho para ficar na altura de Carlie com um punhado de adesivos na mão.
"Jane esqueceu de dar a você estes adesivos, menininha." Ele acariciou a bochecha dela com as costas da sua mão e deu a ela o seu famoso sorriso. Ouvi-lo chamá-la de menininha quase me fez desmoronar. Esse apelido carinhoso era tão especial, tão ele. Meu coração rasgou com a minha culpa.
"Obrigada, doutor." Ela respondeu docemente.
"De nada, Carlie. Foi muito bom conhecê-la." Ele levantou e colocou as mãos nos seus bolsos, olhando para Carlie com um olhar triste em seus olhos.
"Bem, senhoras, eu preciso voltar para os meus outros pacientes, mas, Bella, meu número de telefone está na receita. Por favor, ligue-me se você precisar de alguma coisa, ou pelo menos para me avisar se Carlie está melhorando".
"Desculpe, Edward, mas eu não acho que seja uma boa idéia".
"Apenas pense nisso, tudo bem? Eu só não quero perder você de novo. Eu entendo se você não quiser falar comigo, eu entendo, mas Alice... irá matá-la perder você de novo. Você não tem que ficar sozinha, menininha".
"Eu não estou sozinha, babaca!" Eu gritei. "Você vê este anjinho anexado ao meu fodido braço? Eu nunca estive sozinha!"
Eu arrastei Carlie da sala e corri pelo corredor até o elevador. Eu estava correndo como uma viciada em crack apenas esperando que Alice não aparecesse e nos pegasse. Eu tinha que dar o fora daqui agora! Eu estava tão chateada com Edward que não conseguia nem pensar direito. Como ele se atreve? Como se eu fosse uma perdedora que, claro, apenas porque ele não me quis, ninguém mais quereria? Que imbecil!
O elevador finalmente chegou e eu praticamente joguei Carlie para dentro e comecei a pressionar o botão furiosamente. Ela estava apenas olhando estupidamente para mim como se eu tivesse contraído a doença da vaca louca, mas eu não conseguiria me acalmar até que estivéssemos fora do prédio. O elevador finalmente chegou ao térreo e eu praticamente corri para o estacionamento do hospital.
Garrett veio até nós com um olhar preocupado em seu rosto.
"Está tudo bem? Que diabos, Bella? Você me envia uma mensagem dizendo que ela está no hospital e então você não atende ao telefone? Eles não quiseram me dizer merda nenhuma!" Ele gritou enquanto acenava com os braços como um louco.
Eu estava tão emocionalmente fodida que não conseguia responder. Entreguei Carlie para ele e ela o agarrou em volta do pescoço como um pequeno coala, agarrando-se a ele como se a vida dela dependesse disso. Eu sabia que ela tinha que estar abalada pelos acontecimentos que se desenrolaram naquele quarto de hospital.
"Garrett... não agora. Tire-nos daqui. POR FAVOR. Eu explicarei no carro." Eu gritei.
Eu precisava fodidamente fugir. Eu estava quase incoerente. Dei uma olhada sobre o meu ombro para ver Edward e Alice parados na entrada da sala de Emergências olhando para nós. Eu podia ver Edward abraçado a Alice, o rosto dela cheio de lágrimas caídas. Ele parecia furioso. Ver Alice parada ali quebrou meu coração. Eu não podia deixá-la assim. Edward estava certo.
Levantei meu dedo para Garrett e ele deu-me um olhar preocupado. Eu me virei e comecei a caminhar de volta para onde eles estavam. Edward finalmente soltou Alice e ela começou a correr para mim. Eu corri também e quando fechamos a distância, nós colidimos uma na outra.
"Eu sinto muito, Alice. Eu sinto muito." Eu chorei.
"Eu sei, B. Eu também sinto muito. Eu simplesmente sinto a sua falta. Por favor, não me deixe novamente. Por favor!" Ela chorou no meu cabelo.
"Nunca mais, Alice, eu prometo." Eu disse honestamente.
Eu me afastei e limpei as lágrimas das suas bochechas.
"Alice, ligue-me amanhã. Nós poderemos conversar então".
Ela assentiu e eu estendi a mão para o seu telefone. Eu o peguei e coloquei o meu número na sua agenda.
Nós nos abraçamos de novo e eu me virei para olhar para Edward. Ele ainda estava de pé atrás de Alice, mas tinha se aproximado de nós. Ele estava lívido olhando para Garrett segurando Carlie, sua mandíbula tensa e seus olhos estreitados. Suas mãos estavam fechadas em punhos com tanta força que eu podia ver o branco dos seus dedos. Eu então me virei para olhar para Garrett e vi que ele tinha um olhar semelhante em seu rosto. Maravilhoso... vamos começar o concurso de quem mija mais longe.
Dei a Edward um pequeno sorriso, meio que um pedido de desculpas que eu esperava que ele entendesse, e dei um leve aceno. Eu sabia que o enfrentaria de novo... em breve.
"O que diabos é o problema daquele cara?" Ele resmungou.
"Agora não, G. Eu preciso... eu tenho que dar o fora daqui... AGORA." Eu implorei.
Ele assentiu e agarrou minha mão, ajeitando Carlie em seu ombro.
"É ele, não é, baby?" Ele perguntou delicadamente.
Eu não respondi. Eu não precisava. Ele sabia. Ele apenas suspirou profundamente e nos guiou em direção à caminhonete.
"Então, bem-vinda ao lar, Bella." Ele disse presunçosamente.
Bem-vinda ao fodido lar, com certeza.
Weeeeeeell, eu não vou comentar nada aqui, afinal esse é o trabalho de vocês não é mesmo?
Beijo, Nai.
