Música do capítulo: "I Wish I Felt Nothing", de The Wallflowers.
Capítulo 30
~ Edward ~
Eu não podia acreditar nos meus olhos. Era como se eu tivesse entrado na Twilight Zone. A pessoa que assombrava meus sonhos estava sentada bem na minha frente. Meu cérebro estava em uma névoa de descrença. Minha menininha estava sentada na minha frente.
Eu agarrei o balcão firmemente para tentar me controlar. Eu senti como se estivesse de pé na areia movediça.
Eu finalmente consegui dizer o nome dela em voz alta. "Isabella?" Não acreditando nem mesmo quando ela olhou para mim.
O olhar no rosto dela tirou o meu fôlego. Ela parecia mortificada. Ela parecia como se estivesse olhando para o rosto do próprio diabo. Meu coração despedaçou. Acho que eu não estava esperando que ela ficasse feliz em me ver depois do que eu tinha feito, mas eu realmente não tinha esperado que ela ainda estivesse com tanta raiva. Chame-me de louco, mas eu tinha esperança de que quando nós finalmente nos víssemos novamente, ela correria para mim e pularia em meus braços. Aparentemente, isso não aconteceria.
Ela apenas olhou para mim, quase tentando atear fogo em mim com seus olhos. Desviei o olhar e olhei para a pequena criança. A criança era linda, a coisa mais fofa que eu já tinha visto. Ela era como uma réplica exata de Bella. Seu cabelo castanho era longo e cheio de cachos suaves, bela pele marfim e carnudos lábios cor de rosa. Seu rosto estava corado, o rosa em suas bochechas me fez rir ao me lembrar do rosto de Bella quando corava.
Minha mente estava viajando com perguntas não respondidas, as emoções tomando conta de mim. Onde diabos ela esteve? De quem diabos era essa criança? O pensamento de ela estar com outra pessoa deixou-me enjoado. A única mulher que eu queria ter poderia agora pertencer a outra pessoa. Essa possibilidade quase me fez querer morrer. Meu cérebro ainda estava entupido com perguntas.
Eu finalmente fiquei consciente o suficiente para perceber que ela estava tentando fugir, então eu segurei seu ombro para puxá-la de volta para a sala.
Ela finalmente se estabeleceu e me apresentou para a menininha que estava segurando.
Falei com ela por um momento, eu não tenho ideia do que diabos eu disse, ou fiz, minha mente estava completamente fodida.
Ela então apresentou a criança como sua filha. Que diabos?
Eu ouvi alguma merda tropeçar da minha boca, só Deus sabe o que diabos eu disse. Estendi minha mão e afastei um pouco de cabelo dos olhos da menininha instintivamente. Ela era tão bonita.
E então ela falou comigo e, Santo Cristo... eu senti todo o ar deixar os meus pulmões. Senhor, aquela criança me deixou totalmente atordoado.
Senti a cabeça da criança com a palma da minha mão, como a minha mãe costumava fazer quando éramos pequenos. Que porra é essa! Eu sou um médico, não uma porra de avó! Eu estava fodidamente atrapalhado. Eu não conseguia nem lembrar o que diabos ela disse que eram os seus sintomas. Senti essa faísca incrível quando eu a toquei, e isso me assustou completamente. A menininha estava conversando comigo e eu apenas olhava em seus olhos... eu estava sob algum tipo de fodido feitiço. Sua voz era como sinos, uma música doce estava fluindo dos seus pequenos lábios. Eu só ficava repetindo uma e outra vez na minha cabeça... filha ... uma filha... filha... Minha menininha tem uma filha.
Eu finalmente puxei minha cabeça para fora da minha bunda e coloquei um termômetro na boca do pequeno anjo. Eu então me virei para Bella e comecei a divagar, fazendo um monte de perguntas. Eu estava tão fodidamente afobado.
Eu poderia dizer que ela estava desconfortável, e aparentemente entrando em choque, porque ela ainda não tinha dito uma palavra, e então eu percebi que a estava tocando. Porra! Eu a estava assustando.
Tirei o termômetro de Carlie e a consolei e disse a ela que bom trabalho ela tinha feito. Eu então tentei tranquilizar Bella dizendo que ela ficaria bem, e aquilo explodiu na minha cara. Ela começou a surtar, então eu a puxei para fora para conversar. Eu a puxei em um abraço e, porra, eu senti como se estivesse em casa. A energia que nos rodeava zumbia com aquela sensação incrível de intensa ligação que nós tínhamos, sugando a minha vida. Eu nunca mais queria soltá-la.
Ela se afastou e voltou para o quarto, então eu fui até o posto de enfermagem pedir que uma enfermeira fizesse alguns testes... Eu precisava descobrir o que diabos fazer e limpar a minha cabeça. Esta merda era insana.
Eu tinha acabado de pegar o histórico para dar uma olhada quando ouvi Carlie gritar da sala de exame.
Eu corri como se minha vida dependesse disso. Eu nunca tinha sentido tanto medo em toda a minha vida. Tudo que eu conseguia pensar era que algo estava terrivelmente errado com este bebê e eu falhei em ver isso porque estava totalmente atordoado em um coma induzido por amor.
Felizmente ela estava bem, apenas com medo da agulha. Tal mãe, tal filha.
Fiquei com ela até que Jane tivesse terminado. E então ela disse... e tudo clicou.
"Você tem olhos verdes..."
Voltei para o posto das enfermeiras e peguei o prontuário de Carlie novamente. Eu o olhei novamente e meus olhos se fixaram na data de nascimento dela. Comecei a configurar uma linha do tempo na minha cabeça. Seria possível? Engoli em seco e respirei fundo. Porra, sim, era possível, e eu sou certamente o filho da puta mais estúpido do mundo.
Deixei o Pronto Socorro e caminhei até a saída de trás do hospital. Eu precisava da porra de um cigarro. Eu estava tremendo tanto que mal conseguia andar. Eu sabia quem era a única pessoa com quem eu precisava falar. Eu sabia que ela me ajudaria a entender essa merda. Eu sabia que estava traindo Bella ao chamá-la, já que ela me pediu para não fazer isso, mas, porra! Não havia nenhuma maneira de eu deixá-la sair daqui. Somente sobre o meu cadáver ela sairia da minha vida novamente.
Eu tinha que ajudá-la, nós tínhamos que ajudá-la. Eu faria qualquer coisa para cuidar dela. Eu queria cuidar da sua filha, Carlie. Aquela menininha derreteu meu coração em um instante. Eu nunca pensei que meu coração sentiria por outra pessoa o que sentia por Bella, até que eu olhei para o rosto daquela criança. Ela ganhou meu coração e eu me apaixonei imediatamente.
O telefone de Alice tocou cinco ou seis vezes antes de ela atender.
"Ei, Edward! O que há?" Ela parecia sem ar.
"Alice, você está ocupada?" Perguntei freneticamente.
"Não, por quê? O que há de errado? Está tudo bem? Você não parece bem." Eu podia ouvir o pânico em sua voz.
"Alice, eu preciso que você venha até o hospital imediatamente. Você precisa se apressar." Eu cuspi o mais rápido que pude.
Eu respirei fundo e disse. "É Bella".
A linha ficou muda e eu olhei para o aparelho por um momento antes de colocá-lo de volta no meu bolso.
Terminei o cigarro e voltei para o posto de enfermagem. Eu estava tentando adiar voltar naquela sala tanto quanto eu podia. Eu estava feliz por ter dito a ela que levaria pelo menos uma hora para os resultados voltarem do laboratório. Eu precisava de mais tempo para colocar essa merda sob controle. Eu estava uma fodida pilha de nervos.
Eu só queria agarrá-la e chacoalhá-la completamente. Eu queria agarrá-la e fodidamente amá-la, envolver meus braços em torno dela... abraçá-la. Eu queria violentar seus lábios com os meus, clamá-la como minha novamente. Eu queria derramar todo o amor que eu tinha por ela naquele beijo, provar a ela que eu nunca deixei de amá-la, que eu esperei por ela, procurei por ela... fodidamente morri sem ela.
E o puro ódio fodido que ela sentia por mim era tão flagrantemente óbvio. Eu era um idiota estúpido. Ela estava grávida do meu bebê e eu a traí com uma simples vagabunda. Eu me senti como a menor espécie de imundície. Como eu podia ter feito isso com ela? DEUS... a dor que ela deve ter sentido... o que eu sofri não tinha sido nada. Ela atravessou o nascimento da nossa filha sozinha.
Eu decidi que pediria ao laboratório para fazer o teste de paternidade, apenas para confirmar minhas suspeitas. Eu sabia, sem dúvida, que aquela menininha era minha. Ela tinha os olhos da minha mãe... MEUS FODIDOS OLHOS... isso era fodido da pior maneira fodida. Como você compensa por algo assim? Um boquete era uma coisa, uma criança era fodidamente outra. Ela não tinha o direito de mantê-la longe de mim. Eu estava dividido com a necessidade de quebrar a cara dela e beijar sua estupidez.
Eu tinha acabado de terminar a minha ligação para o laboratório quando eu vi, ou melhor, ouvi a minha irmã correndo pelo corredor como uma pessoa louca.
"Onde diabos ela está, Edward? Oh meu Deus, ela está bem? Como você a encontrou? Onde está ela?" Ela gritou enquanto se agarrava ao meu jaleco.
"Acalme-se. Ela está aqui." Eu disse calmamente.
Suas sobrancelhas ergueram e seus globos oculares pularam da sua cabeça.
"Você está fodidamente falando SÉRIO agora?" Ela gritou.
"Sim, e ela ficará irritada que eu chamei você, mas eu não poderia dar a mínima agora. Eu tenho alguma merda para fazer, então, vá em frente e entre. Ela está na sala 24." Eu disse a ela.
Ela saiu voando pelo corredor. O que eu não faria para ver esse reencontro, mas eu sabia que elas precisavam fazer isso sozinhas. Alice merecia isso.
Sentei-me no meu consultório e esperei que elas tivessem algum tempo enquanto eu esperava pelo laboratório. Felizmente eu tinha uma relação boa com um técnico, porque ele estava correndo com essa merda para mim. Eu já tinha a minha resposta, mas eu precisava da prova... só pela paz de espírito, ou o que seja.
Eu não conseguia fodidamente pensar. Aquela menininha logo ali era minha. Minha menininha e eu temos uma filha, e ela é fodidamente linda. Levou tudo que eu tinha para não agarrá-la e abraçá-la ao meu peito para sempre. Nós precisávamos consertar essa merda logo, porque não havia nenhuma maneira fodida que eu colocaria outro minuto entre o bebê e eu. Todos poderiam ir para a porra do inferno, incluindo Bella.
Cerca de meia hora depois que Alice entrou na sala, eu a vi passando pelo meu escritório como um morcego fugindo do inferno.
"Alice!" Eu gritei atrás dela.
Ela se virou e respondeu.
"Carlie está com fome. Eu vou buscar um pouco de comida para ela. OH MEU DEUS, EDWARD, VOCÊ PODE MESMO ACREDITAR NESSA MERDA?" Ela gritou/sussurrou.
Eu tive que rir. Ela estava agindo como se tivesse acabado de descobrir que Papai Noel era real.
"Eu sei. Eu sei. Estou pirando até agora. Apresse-se. Não deixe que ela vá embora. Eu tenho algumas coisas nas quais estou trabalhando, então ela precisa ficar onde está." Eu disse seriamente.
Ela assentiu e começou a correr novamente.
Eu me coloquei do lado fora da porta da sala 24 porque, vamos enfrentar isso... eu não confiava nela. Certamente, ela começou a rastejar para fora da sala. Nem fodidamente pense nisso.
Tivemos um leve confronto, mas eu estava tentando controlar essa porra para que eu não a irritasse o suficiente para fazê-la fugir e se esconder novamente. Ela parecia um gatinho assustado e eu não foderia tudo outra vez a fazendo fugir. Eu tinha o endereço dela agora, e você poderia apostar que ela não desapareceria da minha bunda.
Ela mal tinha entrado no elevador quando Alice saiu do outro. Ela começou a descer o corredor em direção a mim e pegou o fato de que Bella tinha ido embora. Eu acho que eu não tinha uma cara de pôquer.
"Que diabos, Edward!?" Ela gritou quando derrubou o recipiente de pudim e suco no chão.
"Você tem que estar brincando comigo, seu idiota fodido!" Ela disse por cima do seu ombro enquanto decolava em direção ao elevador. Corri atrás dela e pulei junto com ela pouco antes de as portas fecharem.
Saímos pela porta da frente e, felizmente, Bella e Carlie estavam do lado de fora... falando com um filho da puta grande e assustador... que Carlie chamou de Pop? Eu FODIDAMENE acho que NÃO.
Parecia que eles estavam discutindo, e então, quando Alice gritou, ela se virou para encará-la. Elas correram uma para a outra e eu sufoquei um pequeno soluço, porque isso era simplesmente tão... elas.
Aproveitei esse momento para olhar para aquele filho da puta segurando a minha filha. Eu poderia derrubá-lo. Ele parecia velho.
Uma vez que Bella e Alice se separaram, Bella olhou para mim e deu-me um sorriso. Ele não chegou aos seus olhos, mas, foda-se, era um começo. Esta era uma situação fodidamente embaraçosa. Nenhum de nós sabia o que diabos fazer. Eu acho que nós dois estávamos em estado de choque.
Mas, havia esperança e algum potencial sério aqui... e eu tinha uma porra de filha. Eu ainda não tinha envolvido a minha cabeça em torno disso, e ainda estava surtando um pouco, eu simplesmente não sabia o que sentir.
Os três se afastaram e Alice estava de volta ao meu lado.
"Ela é sua, não é, Edward?" Alice disse baixinho.
"Sim".
"Quando?" Ela perguntou.
Eu ergui minha sobrancelha para ela e passei minha mão pelo meu cabelo. Sério? Ela estava me perguntando essa merda agora? Isso fodidamente importava neste momento?
"Não importa, Alice. Eu só preciso que você mantenha sua boca fechada por agora, tudo bem? Nós lidaremos com essa merda amanhã. Combinado?"
"Sim, tudo bem. Ela disse que me ligará amanhã. Ela está fodidamente assustada neste momento. Eu não quero assustá-la. Nós esperamos tanto tempo." Ela disse com tristeza.
"Nós com certeza fodidamente esperamos. Mas eu preciso conversar com ela primeiro. Temos algumas merdas importantes para resolver e só ficará mais feio se todos vierem para cima dela agora, sabe?"
"Eu sei. Eu confio em você. Papai." Ela disse com um sorriso.
E então eu voltei ao trabalho, esperei meus resultados do laboratório e tentei colocar em movimento os acontecimentos que se desdobrariam amanhã.
Edward não sabia se beijava ou batia... kkkk. Bem, ele não é nem um pouquinho tonto ao que parece... Carlie está prestes a conhecer o papai?
Feliz Páscoa!
Beijo!
Nai.
