Capítulo Oito – A Primeira Simulação
O dia seguinte era primeiro de novembro, um sábado muito preguiçoso que encontrou a escola quase toda cansada e relembrando o baile, que havia sido um verdadeiro sucesso. Não dispensados das aulas da manhã de Sábado, Harry, Ronald, Hermione, Ginny e Rafaela tiveram que voltar à meia noite logo após o café. No horário do lanche, às quatro horas, Rafaela sentou-se ao lado de Remus.
– Bom dia, senhor professor Lupin – falou baixo em um tom essencialmente formal.
– Bom dia, senhorita aluna Salles – e desprendeu-se do clima formal – Curtindo uma ressaca?
– Por que você acha que vou me especializar em Poções? Eu mesma inventei uma no ano passado que acaba com a ressaca...
– Inventou? – disse Remus – Elas sempre existiram! Meu sexto e sétimo anos em Hogwarts que o digam!
– Eu sei, mas ainda assim eles deixavam efeitos colaterais terríveis... Olha só a sua cara de cachorro atropelado.
– De lobo, minha querida.
Rafaela riu, reparando na cara de Remus – Meu Deus, como Ron e Harry tiveram aula com esse aí?
– Porque eu sou incrível, mesmo cansado, é lógico.
Rafaela riu novamente – Ai, que metido!
– Pois é. Agora sobre a sua poção sem efeito colateral. Tem aí?
– É lógico que eu tenho, eu sabia que você ia estar com essa cara. Tentei te entregar no café da manhã, mas você parecia não estar enxergando ninguém naquele salão. – ela passou para ele um vidrinho por debaixo da mesa – Não é muito gostoso, estou fazendo umas adaptações...
Todos lanchavam vagarosamente, sem perceberem que o tempo corria. Pela primeira vez na vida a preguiça sobrepôs a pontualidade britânica do grupo, até Snape, que também estava com cara de noite mal dormida, tomar a palavra.
– Muito bem, já são quinze para as cinco... Precisamos voltar imediatamente às aulas – e reparando no desânimo geral – Poderemos sair mais cedo, se tudo ocorrer bem, não é, professores?
Tanto McGonnagal, que daria aula para Rafaela, quanto madame Pomfrey, que daria aulas para Ginny e Hermione; e Remus, que junto a Snape daria Defesa Contra Arte das Trevas para Harry e Ronald; concordaram que as aulas acabariam mais cedo.
Remus acabara de se animar ao misturar discretamente a poção de Rafaela em seu chá – Muito bem, mas não podemos esquecer do exercício que teremos à tarde.
– Ah, professor... – disse Hermione, desanimada – Eu realmente não estou a fim!
Todos olharam incrédulos para Hermione.
– Você está se sentindo bem? – perguntou Rafaela, querendo rir
Hermione continuou – Não tem como deixar isso para outro dia? Amanhã mesmo, mas hoje está todo mundo meio mal...
McGonnagal não pareceu nada contente. Emperigou-se para falar – Senhorita Granger! Não é porque vocês têm aulas especiais que vocês podem escolher o que querem e o que não querem fazer! Foi quase um presente deixarmos que vocês participassem do baile! – pareceu mais irritada – Vocês têm que perceber que vocês são a salvação da escola, quando algo acontecer, porque vocês sabem que vai, precisam estar preparados! E essa atividade de hoje está sendo adiada há muito tempo! Você tem noção...
– Sim, nós temos noção – interrompeu Harry – de que vocês passaram ontem o tempo todo organizando essa simulação, que o baile existiu mais para desviar a atenção dos outros alunos e tudo mais. Temos noção, professora, e vamos participar com muito boa vontade. – ele disse olhando sério para Hermione – dessa tão falada simulação.
Hermione olhou para Harry, como se pedisse desculpas. Logo após o almoço os dois teriam que participar de uma muito bem estruturada atividade simulada de Trato de Criaturas Mágicas.
– Ron, vai pra Hogsmeade – dizia Hermione – não tem problema, depois a gente se encontra lá.
– Não precisa, eu fico lá na ala especial, mesmo...
– Mas a atividade não vai ser lá, vai ser no castelo todo, arredores, floresta... Menos lá, Ron... Depois eu saio direto pra Hogsmeade, é até mais perto pra mim... Vai lá, não tem problema, fica com a Ginny e a Rafa...
O castelo teria que ficar praticamente vazio, primeiramente para a simulação não chamar tanto a atenção, e também para evitar algum problema maior caso não desse muito certo e passasse a ser algo mais que "simulado". Os alunos dos primeiros anos tiveram palestras especiais de política no Grande Salão com a professora Maria, que havia passado pelo menos três dias antes juntando material e criando algo muito interessante para que todos os alunos comparecessem e ficassem até o fim, o que praticamente esvaziaria o castelo, e era a maneira dela ajudar em alguma coisa. Snape também já havia colaborado, deixando de dar quilômetros de atividades para o final de semana dos alunos mais velhos, para que estes pudessem sair do castelo por mais tempo. Sprout ajudou inventando uma história que uma perigosa espécie de samambaia carnívora havia se esparramado da noite para o dia e tomado conta de grande parte dos jardins de Hogwarts, devido ao clima úmido do outono. Madame Hooch interditou o campo de quadribol devido ao clima e também às misteriosas samambaias. Até Sibila tentou colaborar, inventando mortes horríveis para quem se atrevesse a chegar perto de tais plantas. É claro que só assustou novatos do primeiro ano, que não conheciam bem a fama da professora de dizer prever coisas horríveis que nunca acontecem. Flitwick ajudou a selar vários locais do castelo com feitiços de vedação, e até Rafaela e Ginny chegaram a ajudar, antes de sair para Hogsmeade. Remus ajudou nos preparativos e McGonnagal assumiu-se como diretora da escola, enquanto Dumbledore, ocupadíssimo, também preparava a simulação das criaturas mágicas, ocupando-se por toda a manhã e início da tarde. Charles estava eufórico, e Hagrid mais ainda. Nenhum teste decisivo para o sétimo ano havia sido tão preparado e organizado nos mínimos detalhes.
Começava o ciclo de atividades práticas especiais, que finalmente poriam em real prática o aprendizado dos alunos. Harry e Hermione não estavam exatamente ansiosos, mas sabiam que aquilo era importante. Harry queria provar seu talento e esforço principalmente a Dumbledore, e Hermione sempre queria provar seu talento e esforço, e não seria diferente, apesar de não estar muito animada. "Coisa de mulher", como ela se desculpava.
Foram almoçar no salão especial, já que o grande salão estava fechado para as palestras e não tinha mais ninguém no castelo que não fosse dos primeiros anos. Ficaram quase meia hora esperando, Harry treinando alguns feitiços e ensaiando passes com sua (já quase obsoleta) Firebolt e Hermione etiquetando vários frascos de poções que poderiam ser necessárias, colocando-os em seguida, camufladamente, nos casacos encantados que usariam. Finalmente, Charles entrou pela porta secreta que dava para a aula de Transformações, para passar o roteiro da tarefa. Entregou um pergaminho para cada e todos leram juntos.
375 minutos
Primeiro passo – Os alunos terão que atravessar as masmorras até seus jardins, sem serem percebidos pelos guardiões do caminho.
Tempo: 30 minutos
Segundo passo – Convencer os três dragões noruegueses dos jardins a voarem em direção ao campo de quadribol, onde será organizado o exército de dragões.
Tempo: 20 minutos.
Terceiro passo – Sem serem percebidos pelos guardiões, irem até a floresta proibida buscar os outros cinco dragões que lá estão, e convencê-los a fazer o mesmo.
Tempo: 60 minutos
Quarto passo – Organizar os sete unicórnios necessários para a Roda da Flauta da Fênix. Escolher o local apropriado. Um dos alunos deverá responsabilizar-se pelas fênix.
Tempo: 60 minutos.
Quinto passo – Ir até o campo de quadribol para organizar o exército dos dragões, que deverão vigiar o castelo, torres e terrenos, rodeando-os.
Tempo: 45 minutos.
Sexto passo – Dirigir-se à cozinha, sem serem percebidos, e liberar e comandar o exército dos elfos domésticos.
Tempo: 40 minutos
Sétimo passo – Conduzir o exército de elfos domésticos até a escada principal, dividi-los em grupos que percorrerão o castelo.
Tempo: 20 minutos.
Oitavo passo – Sem serem percebidos, dirigir-se à masmorra dos tragos e liberar o exército.
Tempo: 40 minutos.
Nono passo – Conduzir o exército de trasgos até a escada principal, dividi-los em grupos que percorrerão o castelo. Deixar um grupo de sete trasgos.
Tempo: 40 minutos.
Décimo e último passo – Um dos alunos deverá conduzir o último grupo de trasgos para os terrenos e distribuí-los para vigiar. Deverá tomar bastante atenção, porque fora do castelo os trasgos são menos vulneráveis a comandos.
Tempo: 20 minutos
Teriam exatamente 6 horas e 15 minutos para fazer tudo aquilo. Não seria nada fácil mesmo, ainda porque o tempo não estava nada a favor deles. Até as quinze para as sete, a atividade teria mesmo que acabar, porque os alunos estariam voltando e a palestra terminando, ou seja, eles teriam um prazo máximo de atraso de quinze minutos.
– Vocês sabiam que não seria uma tarefa muito simples – disse Charles – e confesso que não foi nem está sendo nada simples para nós prepararmos tudo isso. Como isso é uma simulação do real, não poderíamos dar tantas regalias para vocês... Mas, como também é uma simulação, nós estaremos vigiando seus passos e atentos a qualquer problema, para que não ocorram acidentes... Certo?
Hermione e Harry responderam que sim ao mesmo tempo. Tinham conhecimento teórico o suficiente, poções bastante eficientes que os ajudaria muito, a vassoura de Harry, o mapa do maroto (com todas as passagens secretas) e até mesmo o vira-tempo, caso algo desse errado. No entanto, a verdadeira arma dos dois era o talento do trato de criaturas mágicas, e eles esqueciam de considerar isso.
– Muito bem. Agora vocês terão quinze minutos para planejar o trajeto, feitiços, poções e tudo mais. Deverão sair ao meio dia e quinze. É apenas um treinamento inicial, e haverá outros, inclusive com todo o grupo, e o tempo será bem diferente. Vocês têm que ter em mente que o castelo está realmente sendo invadido, então todo esforço é necessário. Agora deixe-me tomar minhas posições... Vocês estarão sendo observados durante a atividade, OK?
– Muito bem. Recapitulando. – dizia Hermione, concentrada – Pegar o corredor até o salão de pontos da casa. Lá entrar nesse corredor que já cai nas masmorras.
– Isso. Não esqueça que é o do lado esquerdo, o corredor atrás do quadro nos faria cair na sala do Snape. – disse Harry
– Certo. Dali a gente segue pelo corredor normal, porque o Nick-quase-sem-cabeça está no corredor secreto, provavelmente vai fazer papel de guardião. Depois do décimo sétimo archote, à esquerda, no corredor que passará pela Sonserina. Lá está vazio.
– Certo, aí saímos na Sonserina e... de lá para os jardins. Por esse caminho, Mione, por favor, não vai querer ficar dando volta.
– Certo. Será que a gente consegue fazer isso em menos de meia hora?
– A gente tem que fazer esse caminho em quinze minutos, Mione, aproveitando que está fácil. Provavelmente os próximos serão mais difíceis, e então compensaremos o tempo. E também não será muito fácil convencer os dragões...
– Meio dia e catorze. Vamos, Harry. Eu tenho uma idéia sobre os dragões – os dois saíam da sala especial, correndo
– Que idéia?
Deixaram de se falar um pouco para correr. Encontraram o corredor secreto e entraram imediatamente. Sabiam que teriam que parar de falar dali a pouco.
– Ah, não sei se vai dar certo. Tenho que vê-los... – e parou por um instante, falando mais baixo com Harry – Você conferiu suas poções?
– Está tudo aqui.
– Ok. Mantenha sua vassoura sempre em mãos que a gente pode precisar dela. Eu tenho que olhar nos olhos do dragão para ver se eles vão poder nos ajudar. Se sim, a gente nem usa poção de obediência, porque não temos muito. Bom, vamos lá, quando a gente chegar eu falo o resto.
Fizeram o caminho exatamente como previram, e não encontraram muita dificuldade em seguir o tempo estipulado por eles de quinze minutos. Ao caírem no jardim, Hermione cochichou:
– Está vendo o azul? Olhe as orelhas dele... Ele está disposto a ajudar. Aquele outro ali, meio verde, a gente pode convencer numa boa. Só de manchas laranjas que eu não tenho muita certeza, o que você acha?
– Eu acho que consigo conversar com ele. Faz o seguinte, vai no meio verde que eu vou no de mancha laranja primeiro. Vamos deixar o mais bonzinho por último.
– Certo. Vira aqui – Harry virou-se em frente a ela – Protecta Carbono!
– Bem lembrado. Protecta Carbono! – repetiu o feitiço contra queimaduras na amiga
Acho que quando eu tiver meus filhos vou fazer esse feitiço todo dia neles... – sorrindo e indo em direção ao dragão combinado.
Não foi muito simples, realmente, convencer os dragões. Primeiramente usaram alguns feitiços de amansar dragões e fazê-los ouvir. Cada um pediu ao próprio casaco um frasco de poção de língua de dragão – e os casacos obedientemente lançaram à mão dos donos um frasquinho – para poderem conversar. Após exatos quinze minutos, quando os três já estavam bem convencidos que deveriam voar até o campo de quadribol, Hermione colocou sua idéia inicial em prática.
– Muito bem, senhores, agradecemos a paciência. Mas temos uma idéia que facilitará o trabalho de todos nós. Se nós formos com vocês explicando o caminho... Será muito fácil de vocês chegarem lá, não é?
Harry tentou acalmar o de manchas laranjas, que dizia não querer carregar ninguém nas costas. O próprio dragão azul convenceu o verde que os dois levassem Harry e Hermione, enquanto o outro os seguia. Os alunos não pensaram duas vezes em subir nos dragões. Aquilo economizaria bastante tempo, já que o campo ficava próximo da entrada da floresta proibida, o próximo destino deles.
– Leve sua vassoura, porque eu estou pretendendo descer antes deles para o campo de quadribol... A gente indica a eles e desce antes, para não perder tempo.
Harry, depois de pedir para o dragão levantar vôo – Não... – e falando mais alto, por se distanciar de Hermione – Tenho uma idéia melhor!
Os alunos e os três dragões atravessaram rapidamente os muros do castelo, e só então Harry pôde acreditar que o jardim das masmorras – e, portanto, da Sonserina – ficava muito próximo ao jardim da Grifinória. Estava apenas a alguns bons metros abaixo, e ninguém nunca percebeu isso. Do alto, Harry pôde perceber que o dragão meio verde se agitou um pouco.
– Você está sentindo a presença de outros dragões?
O dragão respondeu que sentia. Harry então continuou dando as coordenadas e, assim que os animais encontraram o campo de quadribol, pegou sua vassoura e dirigiu-se ao dragão azul de Hermione:
– Vamos levá-lo à floresta proibida!
– Por quê?!
– Porque em lugar nenhum disse que era proibido. E eles sentem a presença de outros dragões, lembra? Ele pode nos ajudar a encontrar os outros...
– Minha nossa... – e conversou alguma coisa com o dragão, que avisou alguma coisa para seus companheiros e desceu antes dos outros.
Harry acompanhou o dragão azul de Mione com sua vassoura. Assim que pousaram na floresta proibida, Hermione exclamou:
– Harry, você é genial!
– E você é o quê? Eu preciso, mesmo, ter umas boas idéias de vez em quando, senão me sentiria inferiorizado! – ele disse rindo
– Ainda é uma e vinte! Não faz nem uma hora que a gente saiu de lá.
– É, mas não vamos nos animando... Tenho certeza que isso vai ficar pior. Ô seu dragão! – chamou o dragão, que se virou obedientemente – Qual o seu nome, por favor?
O dragão respondeu Theodor.
– Muito bem, senhor Theodor, o senhor está sentindo a presença de outros dragões, sim?
– Eles estão muito próximos, a 35 passos a sudoeste.
– Passos? – Hermione fez expressão de pensativa – Sim, cada passo de dragão tem dois metros e setenta e cinco... Peraí, cinco, vai dois, vezes sete...
– E você pode nos levar até lá?
– Trezentos e sete... Não, cento e treze. Isso! Harry! Eles estão há um pouco mais de cento e dez metros daqui, muito perto!
Theodor começou a andar no sentido que havia explicado e Harry montou em sua vassoura, puxando Hermione. Acompanharam o dragão rapidamente e logo encontraram três outros dragões, todos de manchas laranjas ou amarelas.
– Três? Mas são cinco! – disse Harry pulando imediatamente da vassoura e começando a série de feitiços para acalmar os dragões, que não estavam com aparência de muitas amizades. – Theodor, o senhor acha que pode convencer esses nobres e eminentes senhores a acompanhar o grupo ao campo de quadribol?
– Sim, poderei convencê-los. Há outros dois dragões próximos daqui, mas estarei ocupado para auxiliá-los.
– Não tem problema, Theodor, muito obrigado pela atenção.
– O senhor pode indicar a direção que devemos seguir..?
– Sigam sempre ao norte. Ouvirão os ruídos.
Harry e Hermione subiram a vassoura rapidamente e saíram em busca dos outros dois dragões.
– Isso está parecendo jogo de pistas... – lembrou Harry
– Dizem que em escolas de aurores eles fazem jogos de pistas que duram uma semana.
– Você queria cursar uma escola de aurores, Mione?
– Não sei, Harry... Dizem também que é difícil aceitarem meninas... Ridículo... Mas acho que eu faria, sim. Não sei, tem tanto caminho pra seguir que nem quero pensar nisso. Acho que eu queria trabalhar em algum cargo administrativo, no Ministério...
– É, combina com você. Eu não tenho noção ainda do que vou fazer... Queria me especializar em vôo, mas acho que vou morrer de fome fazendo isso!
– A Madame Hooch não morre de fome!
– Mas acho que isso não tem muito a minha cara. Acho que vou tentar a escola de aurores. E o Ron, hein?
– Ah, ele quer jogar, você sabe que o sonho dele sempre foi o quadribol... Mas ele tem muito jeito para outras coisas e poderia se desenvolver nelas... O cara é Magine e quer jogar quadribol!
– Ah, acho que é só uma paixão, logo ele desiste disso.
– Ahn... – e ficou um pouco em silêncio – Harry... Você está ouvindo isso?
– Acho que tem um dragão botando fogo nas árvores!
– Levante vôo, Harry, para a gente ver mais de cima o que está acontecendo
– Se segura!
Harry subiu rapidamente, em círculos, para Hermione não cair se a vassoura ficasse muito levantada. Um pouco tonteados, lá do alto, puderam ver dois dragões muito maiores que os outros seis que haviam encontrado naquele dia. Ambos tinham manchas amarelas bem vivas, pareciam bem mais velhos e nada dóceis. Pareciam estar brigando feio, destruindo tudo ao redor.
– Bom, pelo menos isso manteria Aragogue e o bando de aranhas doidas afastadas. E temos uma vassoura. – disse Harry
– Ok, mas temos também dois dragões gigantes fulos da vida.
– Acho que a gente terá que usar a poção dessa vez...
– Acho que sim. Embique ali em cima dos dois.
Harry mandou a vassoura para exatamente acima dos dragões, que começaram a perceber algo diferente. Hermione concentrou-se, fechou os olhos e começou a dizer vários feitiços longos, que Harry ia complementando, mas sem muita dedicação, pois ao mesmo tempo ia pousando a vassoura. Quando tocaram o chão, Hermione chamou um frasco de outra poção e borrifou um pouco daquilo nos pés de um dos dragões, enquanto Harry correu para fazer o mesmo no outro. Depois começaram a fazer gestos com os braços e mãos que pareciam uma dança esquisita, que fazia parte do feitiço de complementação. Terminados os gestos e as palavras, abriram os olhos e soltaram o feitiço. Os dragões já estavam um pouco abobalhados, e seguiam as palavras dos dois, quando falavam em sua língua.
– Acho que nem quando eu fazia balé tive que decorar tanta coreografia como essas que o Charlie nos dá! – lembrou Hermione
Harry, rindo de si mesmo e da amiga – Eu realmente nunca iria imaginar que aquela "Macarena" ia funcionar!
Hermione gargalhou – Macarena! É mesmo! Bem que eu estava desconfiada que me lembrava alguma coisa! Ai, meu Deus! – e olhou para o relógio – Harry, já são dez para as duas, não podemos perder muito tempo... Estamos só com meia hora de vantagem.
– Mas pelo menos já estamos aqui na floresta, perto dos unicórnios – subiu na vassoura, levando a amiga, levitando até uma altura apropriada para falar com os dragões – gentis senhores, quais são seus nomes?
– Friederic Panti, senhor
– Helma Panti, senhor
– Vocês são irmãos? – perguntou Hermione
– Somos marido e mulher e os senhores atrapalharam nosso momento de intimidade. – disse Friederic
Harry e Hermione olharam-se espantados.
– Desculpe-nos pelo transtorno que causamos. – disse Harry – Mas precisamos de uma grande ajuda de vocês. Que se dirijam até o campo de quadribol, que fica a poucos metros daqui, indo nessa direção. – apontou – Lá estarão outros seis dragões menores que vocês. Pedimos que se organizem lá em posição de exército.
– Com muito prazer, senhor.
– Estaremos nos organizando, senhor.
– Esperem! Vocês sabem onde podemos encontrar sete unicórnios aqui?
– Sei onde a senhora pode encontrar – respondeu Helma – mas o seu marido provavelmente os afastará.
– Marido?
– Deixa pra lá, Mione. Senhora Helma, então eu não poderei ajudar a minha amiga a encontrar os unicórnios?
– De maneira alguma, senhor.
– E a senhora pode encontrá-los com minha amiga?
– Sim, senhor.
– Pensamos juntos, Harry. Eu vou com ela, organizo os unicórnios e fico responsável pela Flauta da Fênix. Enquanto isso você já pode ir com Friederic, ir organizando o exército mesmo sem Helma e quando ela chegar, você coloca-a numa posição que restar.
– Ok. Quer ficar com a minha vassoura?
– Não, não precisa, depois eu peço para algum unicórnio me levar. Creio que numa situação de risco eles não me deixariam na mão. E outra coisa, você vai precisar da vassoura para falar com os dragões.
– Verdade. Bom, então vou tentar aproveitar a carona com Friederic. – e dirigiu-se a Helma – A senhora se importaria em acompanhar, então, a minha amiga, e depois unir-se aos outros dragões no campo de quadribol?
– De maneira alguma. Despedirei-me do meu marido e o aconselharei a levar o senhor com ele.
Enquanto o casal se despedia, Harry e Mione combinavam o encontro no ante-salão próximo ao salão principal, para libertarem os elfos. Harry subiu em Friederic e levantaram vôo até o campo de quadribol. A parte mais fácil da tarefa estava completa.
Hermione e Helma voaram silenciosamente pela floresta proibida, sobrevoando a maioria das árvores – algumas eram realmente muito altas. De vez em quando conversavam alguma coisa, e Hermione sentiu que não precisaria mais utilizar poções de obediência nela, pois a amizade conquistada de um dragão adulto jamais poderia ser desfeita. Isso é o que fazia muitos bruxos passarem suas vidas treinando e convivendo com dragões, mesmo os mais bravos.
Algum tempo depois, Helma sussurrou – Eles estão próximos...
– E nós estamos distantes da saída da floresta proibida.
– Estamos chegando... – e foi baixando vôo. A floresta ficava cada vez mais escura e encoberta. Quando finalmente pousaram, Hermione sentiu um frio na espinha ao ver que a grande maioria daquelas plantas ela nunca nem havia ouvido falar – Muito bem, senhora. Agora precisamos ir a pé.
Hermione continuou agarrada a Helma, que andava tranqüilamente a passos muito mais largos que os dois metros e setenta e cinco dos outros. Apesar de ser muito pesada, Helma era ágil e pisava quase silenciosamente.
– Essa floresta é muito grande. Não é feita para humanos pisarem... É feita para seres bem maiores... Até eu sinto-me pequena.
Hermione correspondia com poucas palavras. Jamais fora tão longe, e não conseguia sentir-se totalmente segura, mesmo com um dragão enorme a conduzindo. Algum tempo depois desceram um barranco cujo fundo estava tão escuro que quase não dava para perceber. Quando chegaram, Hermione ficou surpresa com a quantidade de unicórnios do local. Nenhum deles se importou com a chegada delas, logicamente por serem do sexo feminino. Dezenas de mães-unicórnios lambiam seus filhotes ou os amamentavam. "Leite de unicórnio", Hermione pensou , "o ingrediente principal de várias poções para combater o mal".
– Bem, senhora... – disse Helma – Creio que a senhora saberá sair da floresta.
– Eu entendo que a senhora tenha que ir embora. Eu posso demorar um pouco para chamar as Fênix e a senhora está sendo chamada. Não posso atrasar a tarefa de Harry. Por favor, pode ir, eu me viro.
Após Helma sair, Hermione pediu ao casaco uma poção para falar com unicórnios e tomou um pouco. Depois, escolheu sete machos e reuniu-os em um círculo. Pediu a uma fêmea um pouco de leite e, em um frasco vazio, despejou-o, acrescentando, em seguida, um pêlo da crina de cada um dos sete machos. Postou-se ao centro do círculo e acrescentou alguns fios de pena de fênix, que carregava consigo. Molhou a ponta da varinha naquela pasta e, após ditar alguns feitiços, ergueu a varinha para o céu assoprou, como se quisesse fazer uma bola de sabão. A varinha emitiu um som como o de uma flauta, que conjurou no céu um grande desenho prateado de uma fênix de asas abertas. Satisfeita com a perfeição do desenho, continuou bastante concentrada, de olhos fechados, ditando feitiços, passando a varinha na pasta e assoprando a "flauta", conjurando o mesmo desenho várias vezes. Cerca de vinte minutos depois começaram a surgir incontáveis fênix de todos os lados. Hermione conversou com elas através da flauta, pedindo-as permissão para obter uma legítima flauta de fênix. Elas avaliaram a garota e deram-na uma velha flauta de madeira fresca, que parecia ter sido arrancada da árvore há poucos minutos. Hermione recebeu com satisfação e agradeceu, guardando muito bem a flauta no casaco encantado. Uma das aves deixou bem claro a ela que aquela flauta era dela, que qualquer pessoa que a tentasse utilizar, não conseguiria emitir som algum. Através da flauta ela poderia contatar diversas fênix de uma vez só, que aparatariam para perto dela rapidamente, para proteger quem fosse preciso. Satisfeitíssima com o resultado dessa parte da tarefa, alegremente pediu a uma das fênix que a acompanhasse até a saída da floresta, através da flauta. Foi quando as fênix começaram a sair, dizendo que a parte delas já estava feita e que ela conseguiria sair sozinha. Desesperadamente, Hermione tomou o resto da poção para conversar com unicórnios e implorou ajuda. Eles explicaram que foram informados pelo velho bom a não fazerem isso, porque ela já tinha proteção e não precisaria deles para sair da floresta. Pediu a um deles contatar Firenze, e realmente ele foi, mas já dizendo que o centauro estava muito ocupado e informado que não poderia ajudar.
Hermione ficou sozinha – Ah, ótimo. São dez para as três, eu estava super adiantada e acabei de perder a oportunidade de sair bem nessa tarefa – e, emburrada, tirou o mapa do maroto do bolso e começou a caminhar.
Harry, por estar com a vassoura, não achou muito difícil organizar o exército. Era demorado falar com sete dragões ao mesmo tempo, tentando organizá-los, e foi mais difícil ainda calcular as posições que os dragões deveriam tomar como vigias. O ideal é que ficassem sobrevoando o castelo, mas isso certamente chamaria muito a atenção de eventuais defensores das artes das trevas que tivessem, em uma situação real, rondando o castelo. Calmamente, então, conduziu primeiramente o dragão meio verde, que tinha a cor mais camuflada, a uma das torres centrais do castelo, em posição estratégica de observação, parecendo ser apenas uma estátua que se movimenta um pouco. Colocou três de manchas laranjas nas posições esquerda, direita e sul dos telhados – parecendo estátuas combinando a cor. O outro de mancha laranja colocou para vigiar os lados do salgueiro lutador (a entrada do castelo). Colocou o azul para vigiar os jardins, já que era mais obediente e poderia aceitar as ordens de sobrevoar de um jardim a outro tentando não ser visto, além de ser um pouco menor que os outros, de forma que duas capas médias de invisibilidade pudessem pelo menos cobrir partes importantes de seu corpo, como as asas. Por último chamou Friederic, que era ágil ao andar, para vigiar o lado norte do telhado da escola, próximo à entrada principal, para, se precisasse, entrar no castelo por uma das torres.
Faltava apenas Helma, que se postaria no lugar da gárgula de pedra na parte da frente do castelo, em cima do telhado, imóvel como uma estátua, logo acima da entrada principal. Caso fosse necessário, alguém poderia usá-la como meio de transporte, assim que saísse do castelo, ou mesmo ela poderia fazer o papel do marido, caso este tivesse que entrar no castelo. Harry teve que esperar um pouco por Helma, que se posicionou no primeiro pedido. Ainda em cima da vassoura, Harry conversou com a já "estátua" Helma.
– Hermione, veio com a senhora?
– Não, senhor. Quando eu saí, ela tinha acabado de encontrar os unicórnios, e depois pude ver a marca das fênix e várias delas indo a sua direção. Creio que alguma das aves já trouxeram-na para o destino.
– Muito obrigado, senhora Helma. Por favor, caso algum companheiro seu "sair da linha"...
– Eu os colocarei "na linha", senhor.
Harry agradeceu e desceu rapidamente com a vassoura, entrando com ela mesma no castelo, diretamente para o quadro que dava para o corredor secreto, ao lado da escada principal. Antes de dirigir-se ao corredor, tirou o mapa do maroto do bolso e verificou se a amiga já estava chegando, quase contando vitória antes da hora, vendo que era um pouco mais de três da tarde e agora só faltavam os elfos – o que era muito fácil de comandar – e os trasgos, o que não poderia ser muito difícil para quem já havia achado o caminho secreto para o lugar deles – e não precisariam dar uma volta gigantesca.
Quando viu, porém, Hermione sozinha e parada, bem no meio da floresta proibida, tomou um susto. Rapidamente preparou suas luvas de vôo – que grudavam na vassoura –preparou-se para montar e viajar o mais rápido possível para buscá-la. Quando montou na vassoura e abriu a passagem do quadro, porém, Firebolt saiu em disparada, levando suas luvas e deixando-o curtindo um baita tombo no chão.
Hermione andava pela floresta resmungando, já completamente imunda, sem tirar os olhos do mapa – Mas para que recusar a vassoura de Harry? Tudo bem que ele está usando, mas podia usar a própria carona dos dragões para subir junto com eles! Burra! Burra! Idiota! Ficou sozinha! Já era a atividade! Quer dar uma de esperta? Isso é que dá!
Guiava-se apenas pelo mapa, pela mata fechada, sabendo que estava no meio de um buraco sem fundo – Se pelo menos eu pudesse conjurar a vassoura do Harry, mas como que eu vou tombar o menino lá do alto do castelo? – e continuava a resmungar – Ah, também fico com essa de "só vou estudar, só vou estudar" e nem uma vassourinha qualquer eu compro! É nisso que dá. Vai ficar estudando, mesmo, o que adianta agora?!
De repente parou, cansada. Já era quase três horas da tarde, mas Harry já estava terminando sozinho toda a atividade com os dragões. Dava para perceber que ele estava fazendo tudo de cima da vassoura, devido à velocidade do "pontinho". Era só esperar ele parar de usar a vassoura e conjurá-la! Iria atrasar um pouco, mas era melhor que ir andando até uma alma caridosa surgir do nada e levá-la de volta. E essa alma provavelmente não apareceria, porque Dumbledore, o velho bom, aconselhou-as a não ajudar. Hermione tinha consciência de que, se não havia encontrado nenhum perigo, era porque realmente alguém estava vigiando o caminho dela, e provavelmente o de Harry também. Quase às três horas e cinco minutos ela viu que Harry parou, no corredor que daria para o ante-salão, provavelmente a espera dela. Sem hesitar, ela preparou-se e gritou bem alto – ACCIO FIREBOLT! –, assim como havia ensinado Harry no quarto ano, só que com ainda mais convicção. A vassoura saiu rapidamente, levando a luva de Harry, e em pouco mais de dois minutos estava nas mãos de Hermione. "Adianta, sim, ser esperta!", sussurrou, encaixando suas mãos nas luvas e partindo rapidamente em direção ao castelo.
Às três e meia Hermione chegava no castelo, em cima da vassoura, andando como alguém que acabou de aprender a andar de moto. Desceu desajeitada na entrada principal (não tinha mesmo a mesma agilidade que Harry) e dirigiu-se, correndo, ao corredor secreto atrás do quadro ao lado da escada principal. Harry estava quase dormindo, encostado no canto.
– Ê, Mione, quer a vassoura é só pedir!
Hermione, sorrindo, tirou a mão das luvas – Tome suas luvas e tome sua vassoura. Eu sempre tive razão em não curtir muito esse negócio de vôo. Nunca voei uma distância tão grande! Fascinante, mas péssimo!
– Sabia que nem assim a gente está atrasado?
– Sabia. Era para a gente chegar aqui cinco para as quatro. Talvez demoraria mais se você ficasse comigo, porque os unicórnios foram muito bonzinhos, jamais ficariam quietos daquele jeito.
– Conseguiu a flauta?
– É claro, o que eu não consigo com o meu talento? – ela disse rindo
– Voar! – Harry disse enquanto desciam o corredor, a caminho da cozinha – Esperei você porque você tem bem mais jeito com elfos domésticos... E foi até bom esperarmos, porque eles acabaram de servir o lanche da tarde da criançada.
– Como você sabe?
– Fui lá na cozinha comer um lanchinho... Sabe como é.
Hermione fez um sinal negativo com a cabeça, mesmo sorrindo, e continuaram descendo. Saíram do corredor secreto no corredor da cozinha. Harry fez cócegas no quadro da pêra e a porta se abriu. Antes que os Elfos, emocionadíssimos com a presença deles, começassem a bajulá-los oferecendo opções intermináveis de comida, Hermione começou o discurso bem séria com os elfos, em tom de imposição, mais ainda assim carinhosa. Nunca conseguiria tratar mal aquelas criaturinhas, e achava-os muito semelhante com humanos para tantos bruxos tratá-los mal. Dizia que o fato de domesticá-los era "a maior crueldade do mundo bruxo". De qualquer forma, aqueles elfos não eram escravos, porque de alguma maneira Dumbledore os pagava. Mal, mas pagava, apenas porque eles não aceitavam mais que aquilo.
Quem organizou todo o exército de elfos foi Hermione. Harry só ficava no fim da fila, ajudando a nenhum sair do meio ou mesmo convencendo alguns a não voltarem para a cozinha. O mais difícil foi levar todo aquele bando pelos corredores secretos, já que havia mais guardiões pelo caminho. Na entrada principal do castelo, Hermione organizava os grupos e Harry observava o mapa para indicar a eles quais caminhos seguir. Cada grupo "ganhou" uma varinha para abrir passagens secretas e lançar feitiços simples (de desarmamento, confusão e defesa) e uma pedra de contato, e foi destinado a um local de Hogwarts, de modo que os principais cômodos e corredores do castelo ficassem sob vigia.
Toda a operação dos elfos durou quarenta e cinco minutos, o que aumentava em quinze minutos a vantagem dos alunos. Eram quatro e quinze, ou seja, teriam exatamente duas horas e meia para encontrar as masmorras dos trasgos (não era o grande problema), liberá-los e formar o exército (era um problema) e um deles conduzir o último para vigiar a saída (era o grande problema).
O caminho que fizeram, arriscadamente, para a masmorra dos trasgos, foi o mesmo que Harry fez, sem querer, no dia em que descobriu que oa Trasgos existiam. Quando os dois "sumiram do mapa" – o pontinho deles ficou parado no mesmo lugar – Hermione sentiu um frio na barriga, achando que jamais conseguiria sair dali.
– Calma, Mione, eu consegui sair da masmorra.
– Só com o vira-tempo!
– Sim, eu sei...
– E você se lembra exatamente do caminho que fez?
– Mais ou menos...
– Mais ou menos? Harry, e se a gente se perde?
– Você quer ir pelo caminho convencional? Ainda dá tempo... Mas a gente tem que sair do castelo, dar uma volta do caramba, nem sei se tem guardiões por aí...
– Ai, meu Deus... Eu preferiria ter segurança, mas vai, a gente já está aqui...
Minutos depois, Hermione estava mais irritada do que nunca.
– Não acredito que eu caí numa segunda burrada ridícula pela segunda vez no mesmo dia!
– Calma, acho que é por aqui.
– Ah, você acha! É claro que você acha! A gente já passou por aqui!
– Calma, Mione.
– CALMA? Já são quase cinco horas! Perdemos o maior tempo aqui! Daqui a pouco o pessoal vai estar voltando e a gente ainda vai estar aqui, ainda por cima morrendo de fome!
– Eu não estou com fome. Estou com vontade de ir ao banheiro.
– Eu não.
Harry gargalhou – Fez xixi no mato, Mione?
Hermione o olhou com a expressão mais brava que ele já vira na vida. Harry tentou, mas não conseguia prender o riso e, às gargalhadas, foi vasculhando os corredores.
– Aqui, Mione! Foi mais ou menos um negócio desses que eu usei.
– Ai, finalmente! E como que faz para abrir?
– Acho que batendo aqui... – tocou no negócio de bater na porta e a entrada abriu sozinha. O imenso e largo corredor escuro estava em frente a eles.
– Harry... Eu estou com medo.
– Eu sei, Mione, que você tem um sério problema de trauma com os trasgos, mas eu lhe garanto que eles não vão lhe fazer mal se a gente usar as poções adequadamente. Você tem sete anos a mais que aquela vez e um punhado de conhecimento, também. Certo?
Hermione, com a voz um pouco trêmula – Certo... Mas... Antes eu quero lhe falar uma coisa. Sabe, aquele dia, pelo o que você me falou, que o trasgo filhote te abraçou? Então, Harry, eu li uma vez que trasgos filhotes só abraçam seres humanos em quem a raça deles confia muito... Então, se alguém tiver que ser o "líder" desse exército, vai ser você.
– E quem garante que você não seria abraçada por um trasgo também?
– Porque em um dos poucos contatos que tive, um deles tentou me matar.
Hermione caminhou até o início do lado esquerdo do corredor, onde ficavam as jaulas dos filhotes, e Harry foi para o começo do outro lado. Ambos percorreram todo o corredor acompanhando a fileira de jaulas dos trasgos, borrifando poções e soltando alguns bons feitiços nos mais agitados. Vários deles não seriam utilizados na simulação, porque um exército de quarenta trasgos já era o suficiente. Ainda assim, contaram cinqüenta e seis escolhidos, depois se reuniram no centro do corredor e iniciaram o diálogo, na língua dos trasgos e aumentando bastante o som da voz.
– Vocês, que foram escolhidos... Precisamos da sua colaboração agora. – gritou Harry
– Realmente precisamos que venham conosco! – completou Hermione
Os trasgos permaneceram abobalhados, meio sem saber o que dizer. De qualquer forma, seus ruídos e expressões eram positivos.
– Vocês já nos conhecem, certo? – perguntou Harry
– Vocês confiam em mim? – disse Hermione
Concordando aos poucos, silenciaram-se e acalmaram-se mais.
– Agradecemos muito a vocês por isso! – disse Harry – Vocês verão ao final, que a tarefa não foi à toa, e que é positiva para todos nós!
– Vamos abrir agora as jaulas, mas vocês precisam fazer exatamente o que dissermos.
– Infelizmente, se não nos prometerem fazer exatamente o que pedirmos, e se não cumprirem, precisaremos esquecer que vocês existem e deixar vocês à própria sorte! O que pode ser muito perigoso a todos!
Alguns bateram nas grades.
– Fiquem calmos! – gritou Hermione – Não vamos fazer nada que não queiram se nos ajudarem fazendo o que pedirmos! Vocês sabem disso! Nós já conversamos diversas vezes..!
Fez-se silêncio novamente.
– Muito obrigado. – disse Harry – Vou agora abrir as jaulas, mas vocês ainda não podem sair de dentro delas. Por favor, fiquem dentro das jaulas!
Hermione e Harry se entreolharam, apreensivos. Seria a primeira vez que fariam isso e, também, a primeira vez que ficariam cara a cara com um ser daqueles sem uma grade que os protegesse. Ao mesmo tempo, eles ergueram as varinhas e disseram juntos o feitiço que abriu, de uma só vez, todas as portas das cinqüenta e seis jaulas com um forte estrondo. A maioria dos trasgos conversava entre si, lembrando-se que aquelas eram boas pessoas, e sentiam-se na obrigação de ajudá-las, ainda que os trasgos tivessem um forte sentimento de liberdade em seus instintos.
Hermione e Harry ficaram relativamente tranqüilos com o bom comportamento. Se a vida toda os trasgos obedeceram Dumbledore vigiando a escola, poderia os ajudar também.
Às quinze para as seis da tarde, Harry terminava de juntar em posição de marcha o 56o trasgo. Hermione, depois de muito custo buscando uma saída viável para todos eles, descobriu que a única passagem possível era com o vira-tempo. Olhou o relógio e estremeceu.
– Harry... Já são quinze para as seis. Se a gente usar o vira-tempo, vamos todos sair na sala de transfiguração...
– Às quinze para as cinco, ótimo.
– Não, Harry! – ela quase gritou – Você esqueceu que o vira-tempo aqui funciona ao contrário?! A gente sairia lá justamente no horário em que estaria terminando a palestra!
– A palestra, na verdade, termina às sete... A gente fez as contas de quinze para as sete porque o pessoal pode sair mais cedo...
– Mas nesse horário também geralmente o pessoal está chegando de Hogsmeade! – Hermione exclamou já quase desesperada
– Eu sei, Mione! Mas não tem outra saída! A gente pode atrasar mais se tentar pegar esse corredor estreito com esse monte de trasgos!
Hermione, sentindo-se no maior impasse de sua vida – Ai, Harry... Ok, reúna os trasgos logo que a gente não pode perder tempo... – e combinou rapidamente – Você reúne os cinqüenta e cinco e eu levo um lá para fora, rapidinho. Vamos logo para não perder tempo... Preparado?
Hermione postou-se no centro dos trasgos e, todos olhando para o vira-tempo, foram transferidos de uma só vez para a sala de transfiguração, quase sete horas da noite. Quase imediatamente, Hermione conjurou cordas especiais no primeiro trasgo que encontrou e arrastou-o para fora da sala, almejando levá-lo para o lado de fora do castelo. Borrifando a todo o momento poções de obediência, quase sem olhar para a expressão do bicho, conseguiu leva-lo sem problemas até o final da escadaria principal. Com um pouco de resistência – porque queria economizar poções para usar do lado de fora – carregou-o até a escada próxima ao salão principal, e ouviu de lá de dentro o som das várias crianças, que já estavam saindo. O mais rápido que pôde, então, levou-o até a porta de carvalho. Pensando na segurança das crianças, levitou o bastão dele para desarmá-lo e devolver quando fosse necessário. A criatura pareceu, de repente, acordar das poções, e ficou muito furioso. O som das crianças se aproximava. Hermione precisava dar um jeito no trasgo. Puxou a corda com força, abriu a porta e levou o trasgo para o lado de fora. No mesmo momento, as crianças dos primeiros anos saíram do salão principal.
"Deverá tomar bastante atenção, porque fora do castelo os trasgos são menos vulneráveis a comandos."
O bastão do trasgo ainda levitava. Hermione tomou-o imediatamente para si, enquanto o trasgo o procurava. Já estava bastante escuro e frio do lado de fora do castelo, e o instinto natural do trasgo o fez ficar ainda mais furioso, protegendo a cabeça com as duas mãos. Nervosa, e olhando para ele, Hermione reconheceu-o: era o trasgo liberto por Quirell em seu primeiro ano de Hogwarts. Era o mesmo trasgo que Ronald venceu, levitando o bastão e deixando que esse caísse na sua cabeça.
Hermione gritou – Ei! Desculpe! Seu bastão está aqui!
O trasgo percebeu e 'rugiu' com raiva. Ainda bravamente, Hermione tentou espirrar mais poções de obediência, trêmula, dando passos para trás. Tentou explicar que ele deveria guardar o castelo, mas não conseguiu. O trasgo voltou a 'rugir', e cada vez mais alto. Hermione não teve muito que fazer, a não ser correr, carregando na sua frente o bastão, em levitação.
Harry, que estava se dando bem com a distribuição dos trasgos até então, ouviu o rugido e o grito de Hermione lá fora. "Essa não...", pensou, antes de tentar, em vão, conter as dezenas de trasgos que saíam correndo, em disparada, em direção ao som do rugido do outro. Saiu correndo atrás do montante de animais pesados que tremiam o chão de Hogwarts. Todos juntos começaram a descida da escadaria principal, alguns entrando em locais errados, como passagens secretas e salas de aula. Quando todos chegaram na porta ao final da escadaria – que daria a um dos corredores mais movimentados de Hogwarts, que dava para a escada próxima ao salão principal, masmorras e saída do castelo – Harry conseguiu desarma-los todos de uma só vez, levitando ao centro da escadaria o montante de bastões, de forma que, se algum quisesse pegar, cairia no buraco abaixo das escadas e se machucaria. Apesar disso, os trasgos abriram as portas e saíram correndo, desajeitadamente, até a escada principal, onde todos se embolaram para descer. As crianças, que tinham acabado de sair, gritavam desesperadas correndo de volta para o salão principal. Os monitores e professores que lá estavam tentaram conter as crianças, guardando-as de volta nas áreas do salão principal e selando as portas com feitiços antitrasgos.
Os trasgos continuaram, fazendo a maior bagunça na entrada do castelo. Alguns entraram por engano nas masmorras, mas logo voltaram para o grupo. Ouvindo novamente o rugido distante do trasgo de Hermione, começaram a sair pela porta de carvalho. Harry, que neste momento descia as escadas, não parava de soltar feitiços de impedimento, conseguindo derrubar e até arrastar alguns em direção às masmorras. Saiu rapidamente do castelo, de onde viu o monte de trasgos subindo em direção ao salgueiro lutador.
"A entrada do castelo..." – pensou – "justamente onde os outros alunos estão chegando!"
Os alunos que voltavam de Hogsmeade sentiram o chão de Hogwarts tremer. Alguns chegaram a pensar que era obra da tal samambaia, até começarem a ouvir uma série de rugidos bem típicos: de trasgos. Alguns mais valentes postaram-se na frente dos demais, no caso de precisar de alguma coisa. A maioria fugiu ou tentou esconder-se, desesperadamente. Um grupo tomou caminho de volta a Hogsmeade. Os professores começaram a aparecer.
Hagrid, Charles e Lupin imobilizaram vários trasgos de uma vez, contando com a ajuda de Harry. Alguns outros escaparam furiosos, porém, em direção a Hogsmeade. Dumbledore tomou a frente, com uma expressão nada contente no rosto. Minerva e Snape ficaram para ajudar a encaminhar os trasgos de volta para a masmorra, para os especialistas no assunto – Lupin, Charles e Hagrid – poderem acompanhar o diretor. Outros professores juntaram-se a Ronald, Ginny e Rafaela na evacuação dos elfos domésticos, que ainda ocupavam os cômodos e corredores do castelo. Os dragões permaneceriam no mesmo lugar, ainda porque quase nenhum aluno reparou nas "estátuas" novas, e, se reparou, realmente achou que eram estátuas bem feitas.
Hermione prosseguia correndo, até chegar na saída do castelo. Não tendo onde se esconder, correu para fora do castelo e aparatou para Hogsmeade, para tentar evitar que mais carruagens de alunos voltassem ao castelo. Chegando lá, conseguiu convencer os grupos de quartanistas que se atrasaram para sair.
Sete e quinze. Apesar do frio, as ruas de Hogsmeade estavam cheias, os comércios todos abertos. Sem saber se devia esperar mais para voltar para Hogwarts com os outros alunos ou meter cara sozinha, ainda trêmula e arfante, Hermione sentou-se no banco de uma praça, pediu uma garrafinha de poção revitalizante para o casaco e tomou de uma vez só. Não sentindo mais sede ou cansaço, pediu aos alunos que ficassem lá até um sinal do castelo e preparou-se para aparatar novamente até a entrada da escola. Quando, porém, ouviu as vozes dos professores lançando feitiços e um estremecer no chão... Um grupo de nove trasgos corria em direção a Hogsmeade, atrás do que foi atrás de Hermione. Pediu ao casaco tudo o que tivesse de poções de obediência, conjurou uma garrafa maior e misturou todas as poções nela. Sem mais pensar, correu em direção aos ruídos, tentando evitar o pior.
Harry foi atrás do grupo de professores que iam atrás de Dumbledore que ia atrás de um grupo de quinze trasgos, que iam atrás do trasgo que ia atrás de Hermione. Assim que Hermione desaparatou, o trasgo que deveria rondar os terrenos de Hogwarts ficou muito confuso até encontrar novamente o caminho que deveria seguir. Dumbledore conseguiu derrubar quatro de uma vez, deixando-os, sabendo que viriam mais professores atrás. Hagrid ocupou-se em carregá-los até o castelo, e Lupin e Charles continuaram o caminho. Harry encontrou-se com Hagrid e mal teve tempo para conversar qualquer coisa. Concentrou-se e foi falando feitiços antes mesmo de avistar os trasgos, já que eram complicados e demoravam um certo tempo para serem ditos. Apressou-se ao visualizar Lupin e Charlie – já estava no fim do feitiço, e não poderia desperdiça-lo. Viu Dumbledore, que parecia levitar rapidamente e, mais à frente, o grupo de trasgos. Imaginou-se o mais próximo possível dos trasgos, mas sabia ser impossível aparatar nos terrenos do castelo. Não poderia chamar sua vassoura naquele instante, pois continuava ditando o feitiço e não podia errar. Sentia-se mais próximo, e mais. Conseguiu ultrapassar Charles e Lupin. O tempo estava acabando... Correu mais, e pôde avistar com nitidez os trasgos. Acabou o feitiço. Teria que lança-lo. Parou rapidamente e lançou. Atingiu apenas dois trasgos, mas ambos caíram desabadamente no chão, fazendo um estrondo. Os outros ficaram abobalhados, meio sem saber o que fazer. Aproveitando, Lupin, Charlie e Albus puderam aproximar-se mais deles e lançar-lhes feitiços rápidos que tirariam um pouco – ao menos – de energia dos revoltados bichos. Mesmo saindo do castelo, o diretor, os professores e Harry não aparataram, para não perder de vista o caminho das criaturas. Para o desespero geral, seguiam a Hogsmeade.
Os trasgos pareciam não cansar. Corriam desajeitadamente, mas a passos muito mais largos que de qualquer ser humano. Harry sabia que eles não o faziam por maldade, um simples conversa poderia resolver o problema, mas era impossível pará-los e iniciar um diálogo. Antes que começasse a repetir o feitiço, chamou sua Firebolt. Cansado demais para continuar falando alto e correndo, parou, quase caindo no chão, mas ainda falando o feitiço. Dumbledore passou por ele e entendeu, e prosseguiu deslizando. A Firebolt chegou um pouco antes de Lupin. Charlie havia ficado esperando Hagrid voltar para levar os que Harry havia derrubado. Ainda ditando, Harry subiu na vassoura e voou velozmente. Já estavam chegando em Hogsmeade. Lupin e Dumbledore gritavam feitiços. Hermione já ouvia, correndo em direção. Harry passou pelo grupo de nove trasgos e alcançou o trasgo que estava mais à frente (aquele que perseguia Hermione, e de certa forma conduzindo os outros) e lançou-lhe o feitiço, derrubando-o imediatamente, sem perceber que Hermione já havia se aproximado dele e lançado-lhe meio frasco da poção de obediência, também acreditando que acabando com a fúria do primeiro, os demais ficariam obedientes
Harry gritou, comemorativo e aliviado – Pronto, acabou a algazarra!
– Harry! Se eu soubesse que você estava vindo derrubar, não teria gastado meio frasco da poção!
– Não precisa mais de tanta poção... Ficaram só nove para trás, e devem estar todos abobalhados porque esse parou.
Hermione subiu na vassoura de Harry e prepararam-se para voltar. Ao mesmo tempo, porém, chegava o outro grupo de trasgos que, vendo o líder da "revolução" estatelado no chão, pensaram o pior e aí se revoltaram de vez.
Lupin aparatou e chegou no local logo após Dumbledore, ambos pareciam ter ficado desesperados depois que viram Harry passando direto pelo grupo de trasgos que estavam perseguindo. A cena havia acabado de acontecer, mas entendeu tudo:
– NÃO! – gritou desesperado – NÃO ACREDITO QUE VOCÊS FIZERAM ISSO! – os trasgos respiravam alto, com ódio, e gritavam – NÃO SE PODE DERRUBAR O LÍDER!
Dumbledore já estava atrás dos trasgos, antes de pensar em discutir qualquer coisa. Mesmo desarmados, eles estavam com aspectos realmente perigosos. Chegaram em Hogsmeade, gritando alto e assustando moradores e visitantes. Os quartanistas de Hogwarts que por lá haviam ficado abrigavam-se do frio em um café. Um dos trasgos chegou perto desse café – assustando todos que estavam dentro –, arrancou uma árvore média da calçada – que reclamou um pouco – e usou-a de bastão para começar a bater em tudo o que visse pela frente. Dumbledore foi direto nesse trasgo, tentar contê-lo, enquanto Lupin tentou impedir que os outros fizessem o mesmo lançando feitiços de isolamento nas árvores. Um deles retirou um bom pedaço da madeira do teto da loja de flores e também usou como arma. Hermione e Harry começaram a combinar de ir buscar os dragões para ajudarem, mas um trasgo aproximou-se deles, com uma viga de metal retirada de uma construção. Voaram rapidamente para o lado e começaram a borrifar suas poções. Hermione ficou ditando feitiços rápidos – era a única coisa que poderia fazer em emergência – e Harry desviando-se dos golpes e mirando a vassoura nos trasgos, enquanto, ao mesmo tempo, ditava o feitiço mais longo o mais rápido que podia, perdendo-se de vez em quando, devido à bagunça. Dezenas de pessoas corriam pelas ruas, tentavam abrigar-se em recintos ou fugiam desses recintos, quando atacados. O café que os alunos estavam foi parcialmente destruído pelo mesmo trasgo que agora arrancava uma árvore relativamente grande da praça, a fim de, no mínimo, lançá-la em alguém (Lupin não a havia selado porque jamais imaginaria que um trasgo, mesmo furioso, conseguisse arrancar uma árvore daquele tamanho, preocupando-se mais com as mais viáveis e pontiagudas primeiro). Charlie chegou com Hagrid, tentando ajudar na situação. Rafaela, Ginny e Ronald apareceram de varinhas em punho no meio da multidão, apressando-se em ajudar a conter a fúria dos bichos. Ginny e Rony anteciparam em três semanas a atividade especial que teriam de Magine e soltavam as armas das mãos dos trasgos com o pensamento e mesmo tentando reforçar os comércios e bares dali. Snape tentou acalmar as pessoas e dirigi-las para os locais já protegidos, gritando muito para isso. Rafaela utilizou seus dons de transformação para transformar as armas dos trasgos em fumaça ou água, deixando-os meio abobalhados e facilitando as outras pessoas a derrubá-los.
Harry e Hermione conseguiram derrubar dois trasgos com o primeiro feitiço de Harry, e depois esconderam-se atrás de pilastras para ditarem, juntos, o feitiço novamente. Escondidos não perderiam a concentração. Quando saíram do esconderijo, encontraram apenas quatro trasgos. Hermione derrubou dois de uma vez, Harry derrubou um e o último foi derrubado por Lupin e Charlie ao mesmo tempo – o que deixou-o gravemente debilitado.
Finalmente em silêncio, Harry, Hermione, Ronald, Ginny, Rafaela, Dumbledore, Lupin, Charlie e Hagrid puderam observar o "saldo" de toda a bagunça: Nove trasgos no chão, água e fumaça para todo lado, estabelecimentos praticamente destruídos, muita gente desesperada, dentro dos lugares, árvores quebradas, calçadas choronas e debilitadas e hidrantes estourados, ajudando a inundar ainda mais o lugar. Praticamente todos os alunos e professores ali envolvidos tremiam de frio, pois estavam molhados e mal agasalhados. As pessoas, aos poucos, começaram a sair das lojas, olhando em volta assustadas, e logo depois correndo para pedir ajuda ao grupo a curar os feridos... Seria, sem querer, também uma forma de Ginny e mais uma vez Hermione colocar em prática as atividades especiais, agora de Medicina.
Os quartanistas que estavam em Hogsmeade saíram assustados do café – haviam se escondido no porão do lugar – e foram levados por Hagrid, Charlie e Ronald de volta ao castelo, junto com os trasgos levitados. Os feridos eram também levados sob levitação, em tábuas transformadas em macas por Rafaela, que ficou por lá também para ajudar a reconstruir o vilarejo.
Na escola, após a evacuação dos elfos domésticos, Rafaela, Ginny e Ronald haviam voado imediatamente para Hogsmeade. Minerva assumiu-se como diretora e reuniu todos os alunos que haviam visto ou sofrido algo no salão principal, com a ajuda de outros professores e de Argus Filch. Após um feitiço de memória em massa e de um jantar reconfortante, os alunos voltaram para seus aposentos, achando que nada de mais havia acontecido. Snape encarregava-se, sozinho, em conduzir os trasgos agora muito obedientes de volta às suas masmorras. O clima ficou bem mais leve e receptivo para os professores e alunos que estariam voltando da noite fria e agitada.
Hagrid, Charlie e Ronald chegaram com os trasgos desmaiados e conduziram-nos pela entrada do castelo, já vazia devido ao frio. Charlie e Ronald levaram os trasgos para um ante-salão próximo à sala de Snape, deixando-os muito bem fechados por lá e em posições confortáveis, porque demorariam muito para acordar. Hagrid conduziu os alunos, ainda assustados, ao confortável e quente salão principal, onde jantariam e tomariam "aquele" feitiço de memória. Os feridos foram levados imediatamente a Madame Pomfrey, que daria os primeiros cuidados médicos e também, é claro, o feitiço para acharem que bagunçaram demais em Hogsmeade e acabaram caindo de alguma escada.
Silêncio. Aos poucos todos foram para a sala especial, de onde cada um se dirigiu para seu aposento. No quarto masculino, Ronald se jogou na cama com a roupa do corpo enquanto Harry usava o chuveiro para se limpar, aquecer e relaxar. Fora um dia muito estressante, quase tanto quanto o dia da última prova do Torneio Tribruxo da quarta série.
No feminino, enquanto Hermione foi se banhar primeiro, Ginny e Rafaela ficaram com ela no banheiro, sem deixar de falar um minuto. Apesar de cansadas, as três estavam ainda com a adrenalina em alta, e sentiam-se muito bem.
Mais ou menos uma hora depois, todos os alunos especiais começaram a se juntar mesmo sem combinar na sala comunal. Sabiam que precisavam conversar sobre aquele dia, principalmente Harry e Hermione com os professores. Mesmo cansado, Dumbledore havia percorrido todo o castelo para verificar se estava tudo bem, e aproveitou para ir ver os trasgos desmaiados. Para não correr riscos, lançou em cada um deles um forte feitiço de sono. Demorariam, assim, alguns dias para acordar, e durante esse tempo "as médicas" do castelo, Pomfrey, Ginny e Hermione poderiam cuidar de seus ferimentos.
Largaram-se todos nos sofás e poltronas sem falar muito. Só começaram a conversar quando Dumbledore chegou, pouco depois de Minerva e Snape, que haviam ido dar ordens aos elfos da cozinha para que não abrissem a boca sobre o que havia acontecido naquela tarde. O diretor sentou-se calmamente única poltrona livre e olhou para todos. Parou o olhar em Hermione, sorriu levemente, depois olhou para Harry, sorrindo igualmente. Harry retribuiu o sorriso, mais contente por isso do que pelos resultados da simulação.
– Estou orgulhoso. Vocês foram melhores do que eu havia imaginado. – os dois alunos se olharam com largos e orgulhosos sorrisos – Todos agiram muito bem em uma situação inusitada como aquela. Mas é bom que saibam que isso é o mínimo que vão enfrentar no dia que virá e não podemos fazer nada para evitar.
– A maneira como conseguiram tratar e interagir com as criaturas... – disse Charlie, sorridente – Conseguiram voar nas costas de dragões, isso não é pra qualquer um!
Os professores começaram a listar tudo o que Harry e Hermione haviam feito que lhes chamara mais a atenção. Os amigos Ronald, Ginny e Rafaela ficaram impressionados em saber todas as situações pelas quais haviam passado. Hermione e Harry, por sua vez, ficavam cada vez mais tímidos com tantos elogios. Até mesmo Snape elogiou, falando sobre a perfeição das poções de obediência que eles usaram.
– Isso sem contar os outros! – lembrou Remus – Quando tiveram que participar também, souberam se portar de maneira muito eficiente.
Falaram então sobre a capacidade Magine dos irmãos Weasley, que colocaram em prática muito bem pela primeira vez em situação real, e sobre as criativas e bem sucedidas transformações de Rafaela com as armas dos trasgos e com a "reconstrução" de Hogsmeade depois da algazarra. Em resumo, Harry e Hermione ganharam, cada um, cem pontos na média de TCM (geral, não especial) e vinte em Poções. Ginny e Ronald ganharam também cem pontos em Feitiços e Rafaela ganhou em transformações. Muito satisfeitos e esgotados, fizeram a noite acabar por ali, indo dormir em seus dormitórios na Gryffindor.
O domingo não foi um dia de descanso para ninguém. Hermione e Ginny foram logo depois do café no salão principal para a ala hospitalar, para ajudar madame Pomfrey com os feridos, que ainda dormiam àquela hora, tão cedo. Harry foi com Hagrid até os dragões que estavam em cima do castelo, para alimentá-los e agradar um pouco. Depois do entardecer, livres agora, os cinco alunos especiais ficaram até a hora do jantar com os outros Grifinórios do sétimo ano no salão comunal da casa, fingindo que eram alunos normais.
