Capítulo Nove – A Volta de um Monstro

Em mais uma manhã no salao principal, na hora do café da manhã, Rafaela e Hermione conversavam com Parvati. Queriam saber como havia ficado a situacao depois do baile em que ela e Neville haviam ficado juntos. Parvati contava em voz baila que continuava ficando meio escondidos, e que não sabia no que aquilo ia dar já que ainda não haviam conversado sobre isso. Hermione estava prestes a dizer que ela não acreditava que Neville seria o tipo de pessoa que apenas ficaria de vez em quando com uma das melhores amigas sem nunca tornar isso algo mais sério, porém Parvati havia ficado estranha. Congelara no lugar, olhos arregalados durante alguns segundos, olhando fixamente para o nada.

– Parvati? – Rafaela perguntou

– Parvati, que foi? – disse Hermione

Então ela piscou e balançou a cabeça, confusa, e olhou para as duas. En seguida olhou para o outro lado da mesa, onde Harry e Ronald conversavam. Em seguida, piscou e fez sinal de negativo com a cabeça, como se tentasse se convencer de algo.

– Que aconteceu? – perguntou Hermione novamente

– Nada!

– Você ficou estranha, o que... – começou Rafaela

– Não foi nada! Eu só... Pensei uma coisa, mas esquece, não foi nada demais...

Pelo resto do café da manhã, Parvati ficou calada. O assunto sobre Neville acabara, e ela parecia pensativa demais e olhava de vez em quando para os amigos, parecendo curiosa, porém não disse nada.

Depois de quatro dias em que todos tinham suas aulas específicas, em turmas separadas, estava combinado de haver uma aula com todos os alunos na sala do fundo do jardim. No grande armário do canto a sala, havia um bicho-papão dos mais fortes, para treinamento. Snape ficou a frente dos alunos, que ficaram perto da porta do salão, e deu as instruções.

– Vocês já fizeram isso antes, então imagino que não seja necessário dar muitas explicações. Queremos avaliar a qualidade dos seus feitiços e a sua capacidade de enfrentar seus medos de frente. Vamos começar por ordem de chamada. Ginny, aproxime-se, por favor.

Receosa, ela deu passos tímidos até o meio da sala e parou olhando para o armário, sem sua varinha na mão para treinar também a habilidade magine. Remus, que ficara perto do armário, abriu a porta e, poucos segundos depois, saiu um jovem e razoavelmente bonito rapaz, que a fez tremer dos pés à cabeça.

Perto da porta, Harry cochichou com os outros – É Tom Ridlle.

Tentando colocar na cabeça que aquele não era Voldemort e que ela era capaz de enfrentá-lo, olhou direto pra ele e pensou com toda a força "Riddicullus" – o que fez Tom Ridlle se transformar em uma galinha verde brilhante e sair correndo pelo salão.

– Sua habilidade magine está cada dia melhor, parabéns. – disse Snape serio

Agradecendo tímida, ela voltou para perto dos amigos e foi abraçada por Harry, que foi o próximo a ser chamado, depois que os professores caçaram a galinha e a jogaram de volta no armário. Harry foi decidido até o meio da sala, porque já tinha certeza do que ia sair de lá. Mesmo assim, não conseguiu deixar de sentir um frio na espinha assim que o dementador apareceu. Querendo não sentir nada do que costumava sentir quando se via diante de um daqueles, Harry agiu rápido, erguendo a varinha. Em poucos segundos, o dementador transformou-se no tio Valter de sunga amarela, máscara de mergulho e enormes pés de pato. Em meio às gargalhadas de todos os que estavam na sala (Snape apenas sorriu), o bicho papão ficou confuso e escondeu-se de volta no armário.

Sorrindo, Harry deu a vez à Hermione, que já foi de varinha em punho. O que aconteceu então assustou a todos, porque o bicho papão se transformou em Ronald. Na porta, ele se assustou: "Ela tem medo de mim?!", mas assim como todos os outros, ele não sabia que ela entendia aquilo diferente.

Aquele não era Ronald, apesar se ter seu rosto e seu físico, Hermione sabia que aquela que ela via não era a imagem do namorado dela. Era maligno, era terrível, e estava usando a imagem de quem ela amava, como se o houvesse matado e se apropriado de seu corpo. Com muita dificuldade, ela olhou nos olhos do bicho papão e soltou o primeiro feitiço, que fez a imagem de Ronald se transformar em uma garota de uns doze anos vestida de coelho com cara de brava, como se odiasse estar com aquela roupa. Hermione ficou aliviada, voltou a respirar e riu – Essa menina vivia me sacaneando na escola trouxa antes de Hogwarts... – disse enquanto voltava para o grupo, mas notou que o namorado a olhava estranho. Entendendo o motivo, ela explicou o que havia visto naquela imagem, aliviando ao namorado.

Em seguida Rafaela foi chamada. Ela tinha uma vaga idéia do que ia surgir do armário. Sempre que se lembrava da imagem de Voldemort naquele dia na Casa dos Gritos sentia um frio no estômago, mas o que saiu do armário foi algo bem diferente.

Por alguns segundos, Rafaela o olhou sem entender. Não sentiu medo algum por não saber de que aquilo se tratava. Era um homem, simplesmente um homem. Estava de jaqueta jeans, calça preta, as mãos nos bolsos e tinha um sorriso muito simpático no rosto. Esse homem olhava para Rafaela, e começou a ir na direção dela. Todos olhavam com curiosidade. O homem dera mais alguns passos na direção dela, que ainda não demonstrara nada. Não sentira medo nem reagira. Levou mais alguns instantes para que algo acontecesse, e o boggart já estava bem mais próximo dela. Rafaela perdera sua expressão de curiosidade e agora parecia em um verdadeiro estado de pânico. As pernas travaram e as mãos geladas começaram a tremer. Ergueu a varinha na direção dele, mas gaguejou quase sem voz, não conseguindo enfeitiçá-lo. Tentou mais uma vez, mas a voz não saiu. Esqueceu-se dos feitiços e de que era capaz de acabar com ele. Lágrimas de desespero começaram a rolar. De longe, os amigos gritaram para tentar incentivá-la, mas ela não ouviu. Começou a dar passos para trás enquanto o boggart, sorridente, tirou as mãos dos bolsos e abriu os braços, como se a convidasse para um abraço. Imediatamente, Rafaela soltou o choro em um grito e correu para a porta, saindo para o jardim. Atravessou-o correndo e sumiu na sala especial.

No salão, ninguém sabia o que havia acontecido. Snape acabou logo com o "homem" e ordenou que a atividade continuasse, parecendo decepcionado, chamando o próximo, Ronald. Remus saiu da sala sem dizer nada, esperando que ninguém notassem. Ronald, abobado com a cena anterior, ele quis acabar logo com a aranha gigante que apareceu, para poder saber o que havia acontecido.

Remus, ao sair da sala, correu para atravessar o jardim e entrou na sala especial. Encontou Rafaela desesperada.

– O que foi? – ele perguntou imediatamente

Ela não respondeu. Estava parada na sala comuna, em pé, andando nervosa de um lado para o outro, resmungando baixo em seu idioma. Remus correu até ela e a segurou pelos braços.

– Me fala, Rafaela, o que houve?

– Eu não me lembrava... – ela respondeu disse chorando

– De quê? O que aconteceu?

Hermione e Ginny se aproximaram correndo e pararam a meia distãncia deles, observando preocupadas.

– Fique calma, Rafaela. Era o bicho, não era de verdade o que você viu.

Rafaela começou a chorar mais e deixou-se ser abraçada por Remus.

– Calma, Rafa... Não era de verdade.

– Eu não me lembrava dele... – ela disse chorando em seu peito

Remus soltou-a e olhou em seus olhos – Não precisa contar, se não quiser...

– Eu não consigo! – disse desabando-se em choro, tapando o rosto com as mãos.

Ele ficou sem saber o que fazer. Olhou em volta e viu que apenas Hermione e Ginny estavam por perto, e decidiu que mesmo que qualquer outra pessoa estivesse lá, não deixaria de abraçá-la para confortá-la.

– Tudo bem, tudo bem... Está tudo bem, eu estou aqui.

Minutos depois, Hermione trouxe uma leve poção calmante e a entregou para Rafaela. Assim que os outros amigos chegaram, Remus precisou sair da sala para trabalhar, mas sentindo uma imensa vontade de ficar com Rafaela. Depois de tomar a poção, Rafaela ficou mais calma e procurou esquecer o que havia ocorrido, mas ainda assim era um baque enorme lembrar-se de um fato que, de tão horrível, sua memória tratou-se de esconder com o tempo. Agora que voltava, tudo o que ela queria era livrar-se daquilo.

– Rafa, você já trabalhou o dia todo, deve estar cansada... – disse Harry, também preocupado com a cena que vira – Melhor ir dormir, você não acha?

– É... Eu queria mesmo desabar, mas... Tenho medo...

– Não precisa ter medo dos sonhos – disse Hermione – eu tenho um bom estoque de poções para dormir sem sonhos. Acho que vamos precisar delas nos tempos difíceis.

– Impressionante como você pensa mesmo em tudo, Mione... – ela disse tentando sorrir, mas não conseguindo. – Gente, desculpe-me por ter feito vocês não entenderem nada do que está acontecendo, mas... Não é boa hora para falar nisso, ok?

Rafaela dirigiu-se para o aposento das meninas com Hermione, que tirou um frasco de seu armário de poções e fez Rafaela tomar tudo de uma vez. Pouco tempo depois Rafaela estava dormindo profundamente, sem nada poder sonhar. De manhã ela foi a última a acordar, apressada, desesperada pra tomar logo o café da manhã no salão principal, antes das aulas normais, já que havia faltado nas aulas especiais. Encontrou os amigos da Gryffindor já deixando a mesa.

– Que foi, Rafa, você não costuma dormir assim! – disse Lavender assim que ela se sentou

– Eu sei lá o que foi, deixa eu comer pra não perder a aula. – respondeu mal-humorada.

Lavender saiu da mesa com parvati, dizendo em voz alta – Que sem educação!

Sem responder, Parvati voltou-se para a mesa novamente e olhou para Hermione, que decidira ficar com Rafaela à mesa, e disse para ela sem pensar – Não toma esse leite com amora, não. Vai te fazer passar mal do estômago.

– Ah, vai?

– É... Não sei, acho que... Sei lá, acho que vai. Te vejo na aula.

Parvati saiu depressa parecendo envergonhada. Sem dar importância, Hermione tomou alguns goles do leite enquanto Rafaela engolia seu café. A poção do sono sem sonho também parecia dar muita fome. Alguns minutos, durante a aula de feitiços, Hermione levou a mão no estômago fazendo cara feia.

– Ai... Droga, acho que...

Ronald, ao lado dela, segurou sua mão – Está passando mal?

– Estou... Droga, eu tenho que sair daqui!

Levantou-se e correu pela porta. Ronald se levantou e foi sair junto com ela, mas o professor Flitwick o impediu.

– Ela está passando mal, professor, deixa eu ir cuidar dela!

Autorizado, ele correu até o corredor, onde Hermione havia parado ancorando-se, arcada, em uma pilastra. Ele a levou para a ala hospitalar mas foi, logo em seguida, obrigado pela madame Pomfrey a deixá-la lá e voltar para a aula. Na sala, Parvati perdera toda a concentração, pensando consigo mesma "Como foi que eu adivinhei isso?".

Durante todo o dia, os colegas de Rafaela que conheciam seu jeito de ser ficaram espantados com seu mal humor e grossura. Não era ela, era a perturbação que aquela lembrança lhe trouxera. Não conseguiu se concentrar por nenhum instante nas aulas, nem mesmo na aula de Poções, e facilmente sentia vontade de chorar, controlando-se com dificuldade. Estava triste, revoltada, envergonhada, com ódio, e queria naquela hora apenas poder largar aquelas aulas e ficar alguns dias em sua cama.

Na hora de usar o vira-tempo para ter as aulas especiais, pediu para ser dispensada. Não tinha condições, explicou isso sem dizer o motivo e, por saber que alguma coisa grave havia acontecido, McGonnagal autorizou-a a ficar na Grifinória como uma aluna comum, logo depois do jantar. Não conseguiu dormir. Rolou na cama por um bom tempo, perturbada pelas cenas que agora surgiam de sua memória como se houvessem acontecido ontem. Era terrível para ela se lembrar daquilo saber agora que, aos nove anos, sofrera tanto e simplesmente não se lembrava. Estressada e muito agitada, Rafaela saiu da cama e desceu até o vazio salão comunal. Sentou-se no chão, de frente para a lareira acesa que aquecia o recinto. Lá as lembranças não pararam de perturbá-la e ela já estava muito cansada daquilo.

Só o que a fez pensar em outra coisa, de repente, foi o leve ruído do quadro sendo aberto e alguém entrando. Levantou os olhos e o viu parado perto do sofá onde ela estava encostada. Ela apenas olhou carinhosamente para Remus, sem disfarçar o tamanho da tristeza que estava sentindo. Sem dizer nada, ele se sentou ao lado dela e passou o braço pelas suas costas. Rafaela encostou a cabeça em seu ombro e continuou olhando para o fogo.

– Não sei por quê, mas eu tinha certeza de que você estava aqui. – ele disse em voz baixa

– Deixei de ir pra aula porque queria dormir, mas não consigo.

Remus a olhou de lado – Quer falar sobre isso?

– É muito difícil...

– Está te perturbando. Parece grave.

– É. Pode ter certeza.

– Quem era aquele homem?

Silêncio. Ela queria falar, porque faria bem a ela desabafar e chorar mais, colocando pra fora o que estava sentindo, mas ao mesmo tempo seria muito difícil colocar tudo aquilo em palavras. Remus era a única pessoa com quem ela havia conseguido imaginar conversar sobre aquilo.

– Ele era um amigo do meu pai, desde antes de eu nascer. Era muito amigo da minha mãe também, e freqüentava a minha casa. Quando meu pai nos abandonou eu tinha dois anos, e algum tempo depois minha mãe reencontrou esse amigo e eles voltaram a se ver sempre. Não sei, acho que chegaram a ter algum relacionamento. – ela fez uma pausa ao sentir a garganta se fechando em angústia. Engoliu com dificuldade, sentindo os olhos molhados, e continuou – Ele me viu nascer e... Eu gostava dele, mesmo que ele tivesse sido amigo do homem que me abandonou, sabe... Preferia ele do que o meu padrinho, ou qualquer tio. Ele me dava presentes, me fazia rir, eu o adorava.

– Mas aconteceu alguma coisa que fez você sentir medo dele...

– Eu comecei a sentir várias coisas por ele. Medo, pânico, raiva, nojo muita coisa ao mesmo tempo.

Remus começou a compreender – Minha nossa... Não é o que estou pensando... Ele...

– Bom, acho que você já percebeu – disse secando o rosto – Não vou descrever como foi, mas foi isso mesmo, um dia ele ficou sozinho em casa comigo, chegou lá quando minha mãe não estava e ficou esperando ela chegar, e... – tapou o rosto com as mãos – Foi horrível! Eu tinha só nove anos!

– E você não contou para ninguém?

– Não, eu tive medo, vergonha, não sabia direito o que fazer... E ele me falou pra não contar pra ninguém, que aquele era nosso segredinho, e que se eu contasse ele ia negar tudo e eu ia ser mentirosa... Eu tive medo, eu era só uma menininha... E então não contei.

– E não se lembrava disso?

– Por incrível que pareça, não. Pouco tempo depois, acho que de medo de eu contar, ele sumiu, depois acho que mudou de cidade, casou, algo assim, e eu procurava esquecer sempre que me lembrava, de tanto que sofria... E ficou esse tempo todo apagado da minha memória.

– Bom, de certa forma isso foi bom, mas...

– Mas agora que eu lembrei, jamais conseguirei viver normalmente, Remus... O que eu faço? Eu acho que... Nunca mais vou ser a mesma...

– Você quer contar isso a mais alguém?

– Não. – disse decidida – Não quero ter que falar essa história de novo, pra ninguém.

Remus abraçou-a, querendo passar o sofrimento dela para si mesmo. Estava com o coração acelerado de tanto ódio que sentira ao saber do que ela havia passado. Desejava encontrar aquele homem e cometer uma loucura. Controlou-se e não demonstrou a revolta. A garganta doía para engolir esse sentimento, mas sabia que Rafaela precisava que ele se mantivesse calmo e a ajudasse.

– O que você mais quer nesse momento?

– Dormir por um mês.

– E isso vai adiantar, Rafa?

– Na verdade... Queria esquecer isso para sempre!

– Ok. Era isso o que eu queria saber. Você quer receber um feitiço da memória e apagar isso da sua vida, definitivamente?

– Ah, Remus, claro que quero... Não tinha pensado nisso... Por favor.

– Eu precisaria de autorizações, mas...

– Mas esse é um assunto pessoal e eu não quero nunca mais saber disso. Faça isso escondido, por favor, por mim... Eu quero que nunca mais esse homem apareça na minha memória, quero esquecer que ele existiu...

– Rafa, eu não sou especialista nisso, eu precisava vê-lo mais uma vez, na sala eu não pude ver o rosto dele...

Rafaela ficou indecisa se contava tudo de novo para Ginny para que ela pudesse fazer o feitiço nela – já que já era quase uma especialista e tinha visto melhor a figura do homem – ou se encarava de novo um boggart com Remus perto para que ele visse a figura do homem e pudesse apagá-lo de sua mente. Acabou preferindo a segunda opção, e saiu da torre acompanhando Remus até a sala de DCAT. A sala estava vazia e escura, e também um pouco bagunçada. Lá, Remus agiu rapidamente. Preparou Rafaela e soltou o boggart de um dos armários. Rafaela concentrou-se muito ao ver o homem saindo do armário, indo em direção a ela. Dizia para si mesma "é só um boggart, é só um boggart..." e caminhava de costas, em direção à parede. Remus o fez se esconder de volta no armário e Rafaela chorava novamente. Parou diante dela, olhando-a nos olhos, e a enfetiçou.

Com o rosto ainda molhado pelas lágrimas, a expressão de desespero desapareceu. Rafaela olhou confusa em volta e para Remus, parado perto dela.

– Como é que eu não me lembro de ter vindo pra cá? – ela perguntou

– Você não lembra que veio pedir para a gente fazer atividade com o boggart? Ontem você passou mal antes de chegar a sua vez de vê-lo e saiu da sala.

– Ah, é mesmo... E por quê eu não fui à aula?

– Porque você ainda estava passando mal até agora a pouco, quando eu fui te ver, você disse que estava melhor, que queria fazer a atividade, e queria dormir depois para amanhã estar com tudo em cima.

– Ah... Estranho eu não me lembrar de nada disso.

– Você acabou de ver o boggart e não foi muito bem pra acabar com ele. Acho que algo nisso te deixou confusa.

– Entendi.

– Vamos tentar de novo? – Remus perguntou – Quero que se concentre de verdade agora.

Rafaela, ainda meio boba, mas muito melhor do que estava antes, viu Voldemort tal qual a última vez que o vira, e rapidamente livrou-se dele. Remus ficou bastante aliviado e repetiu a lição mais algumas vezes, com Rafaela executando-a com perfeição.

– Agora sim! – sorriu Remus – Conseguiu, mais satisfeita?

– Claro, muito mais! Nem foi tão difícil, não sei porque a dificuldade antes!

Sorrindo, os dois se calaram, olhando-se. Remus se aproximou dela e fez um carinho em seu rosto, secando as lágrimas que haviam restado. Sem ao menos tentar evitar, eles se beijaram lentamente se se abraçaram com força. Depois, enchendo o rosto de Rafaela de beijos, Remus pediu que ela fosse embora. Não podiam deixar que aquilo fosse adiante no castelo. Relutante, Rafaela compreendeu e deixou a sala. De coração palpitando, voltou para seu quarto na torre da Gryffindor. Em sua sala, Remus usou seu vira-tempo para encontrar os outros alunos, e contou para eles que sabia o que havia acontecido e que, a pedido de Rafaela, apagara tudo de sua memória. Os colegas quiseram saber quem era o homem que viram e porque ela tivera tanto medo dele, mas Remus não entrou em detalhes por respeito a ela. Todos compreenderam e o assunto não apareceu novamente.