Capítulo Dezoito – Os Novos Membros

Por mais que Fudge e o Ministério tivessem sido horrivelmente irresponsáveis, o Ministério ainda era, à vista da população, um órgão responsável e organizado que prezava pela segurança total da comunidade bruxa. Com a morte da principal autoridade, o pânico tornaria-se generalizado, e era exatamente isso que deveriam estar planejando.

– O importante é que mantenhamos a calma! – disse Minerva mais alto para sobrepor-se às vozes nervosas – Estamos pedindo novos reforços, nossos planos precisam ser muito mais cautelosos.

Ronald intrometeu-se – Por que, exatamente, mais cautelosos? Se formos mais, não poderemos nos preparar efetivamente!

– Sr. Weasley, que desculpa a mais você pretende dar para os pais de alunos e que acha que os Death Eaters irão acreditar?

– Como assim?

– Nós estamos planejando uma evacuação emergencial, e silenciosa, em caso de emergência. Ninguém atacará enquanto o castelo estiver vazio. Não tem como conseguirmos chegar para os alunos e falarmos: "olha, o castelo está sendo destruído, por favor siga nosso guarda-caças e voltem para a casa". Imagine o que aconteceria! Pior ainda é se tivéssemos alguma evidência disso antes e mandássemos todos embora. Não tem mais desculpas, e os pais já estão seriamente chateados com Hogwarts, que não pareceu ser capaz de terminar com uma praga apenas na semana do Natal. Muitos deles têm suas rotinas pessoais e não podem dar atenção aos filhos durante o mês todo. Mas o pior mesmo são as evidências. E, como estava dizendo, estamos construindo já há alguns dias uma câmara... secreta

– Nossa, acho que já ouvi falar nisso antes! – disse Ginny, conservando o bom humor

– ...para abrigarmos, possivelmente, os nossos alunos.

Flitwick a corrigiu – Esconde-los, para falar a verdade, em um local muito mais seguro que suas próprias casas e, muito mais importante, que o caminho de casa. E de uma forma muito mais silenciosa, também.

– Mas quem vai fazer tudo isso? – perguntou Rafaela – Digo... Nós estamos sendo treinados para lutar e proteger a nós mesmos, não a centenas de alunos!

– Esse é o problema. – respondeu Remus – Nesse caso, estaremos chamando todos os membros da Ordem, afinal desgraças são praticamente inevitáveis estando as pessoas que Voldemort mais quis matar em toda a sua vida no mesmo lugar, e tantos filhos de trouxas. Mas não podemos perder tempo com a evacuação, nem deixarmos os alunos sozinhos e desabrigados. Pensamos em uma equipe de elfos, alguns trasgos, e, obviamente, alguém para botar ordem. Mas precisávamos de mais monitores além dos habituais, que também entrarão em pânico.

Harry pareceu ter uma luz súbita, levantando-se imediatamente – Neville! Luna! – e virou-se para os demais – Eles estavam no ministério aquele dia, eles foram treinados pelo E.D, eles ajudariam!

– Nós poderíamos treiná-los! – disse Hermione, adotando a idéia imediatamente – Contar tudo isso e designar a eles a função de organizar tudo nesse sentido. Vocês não sabem do quanto eles são capazes.

Fez-se um silêncio, enquanto os professores pensavam.

– Além de que... – continuou Ronald – Eles não devem também ser muito adorados por Voldemort e pelos comensais... Eles estavam lá, e precisavam também de um trabalho especial.

Minerva hesitou um pouco, sentou-se em uma das poltronas e pareceu refletir bastante. Snape continuava silencioso e observador, assim como os demais professores.

– Nós precisamos da autorização de Dumbledore, sim... – e pensou mais um pouco –Sim, se os demais professores autorizarem o pedido a ele, obviamente. Ok, mas antes quero contar-lhes algo. – todos aguardaram em silêncio enquanto Minerva organizava os pensamentos – Quando nós pensamos nessas aulas especiais, na verdade pensamos primeiramente em aulas mais rígidas para o Harry.

– Só a mim?

– Sim, e muito mais severas, porque sabemos que não levou, por conta própria, a Oclumancia a sério.

– Mas...

– Sim, mas quase que imediatamente pensamos na Rafaela, que j´pa havia pedido para ficar no castelo disponível para lutar, e então em Hermione, muito amiga sua, Harry, e, além de tudo, uma pessoa que desde a primeira série, é um incentivo à dedicação, sem dúvidas.

Hermione ruborizou um pouco. Sabia que não era nem de longe tão aplicada quanto no início das aulas, mas sabia que não deixava de ser uma pessoa centrada em seus objetivos e bastante exigente de si mesma e, obviamente, de seus amigos.

– Mas foi quase impossível não lembrar de Ronald, amigo fiel e muito esforçado, com um potencial mágico muito intenso, e, além de tudo, muito esperto. Seria outro grande incentivo à equipe, e Ginny Weasley, também com potencial incrível, muito próxima do grupo, usada por Voldemort no seu primeiro ano e alvo fácil para chantagens e seqüestros... Não haveria de ser diferente. Não pensamos nos outros que estavam naquela ocasião do ministério, simplesmente não pensamos, ainda porque o grupo já estava muito grande, e vocês sabem o que ocorre em grupos secretos quando os membros mal se conhecem...

Os alunos simplesmente olharam uns para os outros, lembrando do Exército de Dumbledore. O livre acesso de qualquer aluno foi um erro grave cometido por Hermione, pois foi o que resultou a entrega e, conseqüentemente, ao fim do grupo.

– ...por isso acredito que seja uma ótima idéia chamar Neville e Luna. Visto a o que eles já viram em suas vidas, não seria tão traumatizante.

– E os nossos outros irmãos? – pergunou Ronald – Nós três já estamos aqui, Bill também está a par da situação e creio que pode ajudar bastante, mas e Fred e George? Acredito que ninguém depois de nós conhece tanto o castelo quanto Fred e George.

– Tenho certeza disso. Se é que não conhecem mais! – concordou Harry

– E por onde andam seus irmãos agora? – Minerva perguntou

– Bill está no banco, mas já falou que está disposto a sair de lá se for necessário, ou seja, ele pode vir pra cá e ajudar no que for preciso a qualquer momento. – respondeu Charlie

– É, e Fred e George estão em Hogsmeade, mas ainda moram na Toca. – completou Ronald – O talento deles em transformações e feitiços está rendendo muitos lucros.

– Sempre acreditei no talento deles, mas ao mesmo tempo acho que este foi muito mal aproveitado. – disse Minerva

– Mas pode ser muito bem aproveitado agora. – disse Ginny – Eles sabem mais azarações do que pensamos que existem, se eles nos ensinarem isso será incrivelmente útil para nos defendermos antes de atacarmos. Eles adoram brincadeiras, mas como nós – e apontou para Ronald e Charlie – os conhecemos muito bem, sabemos que eles podem levar coisas sérias a sério, quando são realmente sérias.

– Muito bem. – disse Minerva – Vamos então entrar em contato com todas essas pessoas. A morte do Ministro apenas nos mostra que a pior hora está chegando.

– Vamos entrar em contato agora? – Rafaela perguntou

– É melhor que seja com o castelo vazio – respondeu Snape – para que eles possam conhecer e entender melhor o que está acontecendo. Vamos escrever e pedir que eles voltem agora.

– E se interceptarem a carta? – perguntou Ginny – Já fizeram isso com a Hedwig, coitada, ano retrasado.

– Faremos uma Carta Secreta para cada um deles. Conhecendo o feitiço, apenas o destinatário poderá ler seu conteúdo, se elas forem interceptadas, pelo menos ninguém saberá seu conteúdo. – disse Minerva

– Receio que o sr. Longbotton não conheça esse feitiço. – disse Snape

– Ele conhece. – disse Rafaela imediatamente – Eu ensinei para que ele e a Parvati pudessem trocar cartas sem ninguém saber o que estava escrito nelas. Ele vai reconhecer o feitiço, podem ficar tranqüilos.

– Bom, muito bem. Vamos então elaborar as cartas. Professor Flitwick, por favor peça para William Weasley vir o quanto antes, o castelo arcará com seu salário, precisamos urgentemente de um auxílio à área burocrática. Sprout, por favor contate Neville e Luna. E eu tratarei de escrever a carta para Fred e George Weasley. Podemos tomar a reunião como terminada.

Quando os alunos e os professores começaram a dispersar-se, Minerva chamou Ronald, Ginny e Charlie com um tom mais baixo e, ao aproximarem-se, contou, meio sem jeito:

– Seu irmão Percy estava na presença do Ministro, ele... se prontificou em participar da segurança pessoal dele, como se o grande número de seguranças fosse realmente impedir que algo o acontecesse quando quisessem.

– O que aconteceu com ele? – Charlie peguntou imediatamente

Ronald, ficando completamente agitado – Mas como assim? Porque ninguém avisou antes?

– Está no Hospital St. Mungus. Ele foi atingido por um feitiço forte, e seu estado é grave.

– Ai, meu Deus! E a mamãe?! – peguntou Ginny

– Seus pais estão no hospital, chegaram logo depois da entrada. Como vocês imaginam, eu não estive lá, portanto não sei como os dois estão reagindo, mas...

Os três começaram a falar ao mesmo tempo.

– Temos que ir pra lá!

– É, papai e mamãe devem estar desesperados lá, sozinhos..!

– Mas qual foi o feitiço que o atingiu?

– Tentem ficar calmos...

Harry e Hermione, reparando na agitação que ali se formou, aproximaram-se curiosos e preocupados.

– Ron, o que aconteceu? – Hermione perguntou, pegando a mão do namorado

Ronald olhou para ela e soltou o ar dos pulmões, fazendo cara de quem quase ia chorar – O Percy, Mione... Ele estava com o Ministro..!

Hermione deu um gritinho e levou a mão à boca.

– O que houve com ele?! – perguntou Harry – Não me digam que...

– Não, não... Ele está internado, mas... Não sei – respondeu Ginny e virou-se para a professora – é muito grave, professora?

– Não adianta vocês ficarem assim nervosos. Percy está em estado grave – houve murmúrios de medo – mas está sendo atendido pelos melhores curandeiros, no melhor Hospital de todos, ficar nervosos não vai melhorar em nada a situação, pelo contrário, só pode piorar. Seus pais, eu tenho certeza, devem estar muito abalados, e precisam da força dos outros filhos.

– Eu preciso ir pra lá, Minerva. – disse Charlie

– Só você, não! Ron e eu também..!

– Eu não acho que seja uma boa idéia! – respondeu Charlie – Vocês dois são estudantes, são menores de idade, eu realmente acho que...

– Ah, não! Não vem com essa, Charles! – respondeu Ronald

– Não é justo! – sobrepôs-se Ginny – Ele é nosso irmão também, são nossos pais também!

– Mas vocês sabem que é perigoso...

– Dane-se que é perigoso! – Ronald estourou – É o meu irmão que está lá!

– Ele está certo, Ronald, não podemos arriscar vocês dois fora do castelo. – disse Minerva

– É, Ron, eu não quero que vocês se arrisquem na rua... – disse Hermione, trêmula

Ginny estava de olhos molhados – Mas eu quero ir ajudar a minha mãe!

Ronald pareceu ficar um pouco mais sensato, mas continuou com tom alto – Calma, calma, calma! Qual é? Todos os alunos estão se arriscando fora do castelo, e devem estar achando estranho de não encontrar nenhum de nós na rua! Se meu irmão foi atingido e nós dois não aparecermos, imagine o que irão falar!

Minerva pareceu analisar a situação, e mais uma vez foi praticamente obrigada a ceder às vontades deles – Muito bem. Vou escrever a Dumbledore pedindo autorização para a saída de vocês. Agora, por favor, comecem imediatamente suas atividades normais. Vão se trocar, o café já será servido. Vamos tentar ter um dia normal.

Na manhã seguinte, depois do café da manhã, não houve aulas normais. Ronald, Ginny, Charlie, Hermione e Rafaela despediram-se de Harry e de todos os professores e desaparataram do lado de fora do portão da escola. Hermione e Rafaela foram para o Beco Diagonal. Apareceram ao lado da sorveteria Florean Fortescue, quase na entrada da Travessa do Tranco. Ronald, Ginny e Charlie foram direto para St. Mungos: não queriam ir para nenhum outro lugar sem ver os pais e irmãos.

Molly estava sentada a uma das cadeiras da sala de espera, séria, olhos um tanto arregalados, encarando firmemente o chão. Seu estado era desolador. Tinha os cabelos bagunçados, a maquiagem nos olhos manchada. Parecia já ter chorado muito, e por um longo tempo. Em volta dela, Arthur, Willaim, Fred e George também estavam sérios demais, como nunca costumavam ser. A mãe da família ergueu os olhos e, vendo os filhos, começou a chorar novamente. Ficou de pé e abriu os braços – Meus filhos! Que saudades!

Ronald e Ginny andaram a largos passos até ela e a abraçaram, Charlie foi até o pai e deu um forte abraço. Ginny começou a chorar e Molly a abraçou mais forte, enquanto Ronald foi até o pai e irmãos. Arthur também tinha os olhos mareados e abraçou o filho.

– Vai ficar tudo bem, pai.

Arthur o olhou fingindo que acreditava, mas mesmo sem querer demonstrou que estava completamente incrédulo daquilo.

– É sério, pai. – disse Charlie – Tudo o que está acontecendo é só o caminho pro dia em que tudo vai ficar finalmente bem.

O comportamento de William, Fred e George assustaria a qualquer um que os conhecesse. William não chegava a ser como os gêmeos, porém era do tipo que estava sempre com um belo sorriso no rosto, cativando a qualquer um. Os gêmeos não paravam nunca de se divertir e de fazer rir quem estava em volta, mas naquele momento, nenhum dos três estava disposto a fazer gracinha alguma. Levantaram-se quando Ronald e Charlie se aproximaram e os cinco se cumprimentaram, completamente desanimados, quase sem vontade de falar, enquanto Arthur se juntava a Molly e Ginny.

– Então... Como é que está a situação? – Charlie perguntou

– Nada boa, cara. – respondeu William – Os curandeiros não têm muitas esperanças.

Ronald baixou a cabeça e enfiou as mãos nos bolsos.

– Tem que ter pensamento positivo... – disse Charlie com a voz amarga

– Eu não entendi bem até agora o que aconteceu. – falou Ronald

– Percy quis defender Fudge. – respondeu George

– Eu acho que aquele desgraçado daquele ministro havia feito algum feitiço sobre ele... – pensou Fred

– Não é possível que ele quisesse tanto proteger o cara, que quase nunca dava importância pra ele. – completou George

– Calma, gente. – disse William – O Percy sempre foi assim, sempre responsável demais. Sempre levou tudo muito a sério, não seria diferente com o trabalho.

– A escolha foi dele... Todos tentamos convencê-lo de voltar pra família... – disse Charlie

– Mas isso jamais faria com que eu deixasse de gostar dele. - William

Fred e George exclamaram, também negando que fariam aquilo.

– É claro que não! Ele é nosso irmão e não vai deixar de ser. – Ronald respirou fundo – Aconteça o que acontecer.

Hermione e Rafaela saíram andando pelo beco, de braços dados e cumprimentando todos os vários conhecidos que encontraram por lá. Com alguns deles, pararam para conversar um pouco, comentando sobre o alongamento das férias de fim-de-ano, sobre os doxies do castelo e a dedetização. Apesar de disfarçarem bem, não agüentavam mais ficar lá. Todos perguntavam sobre Ronald e a família Weasley, já que todos já sabiam sobre Percy, e elas simplesmente disseram que preferiram deixar a família deles reunida, e saíram para dar um passeio para arejar. Depois de explicarem isso algumas vezes, entraram em um banheiro de um restaurante e desaparataram pra longe. Queriam apenas se afastar daquilo mesmo que fosse por pouco tempo.

Luna e Neville desembarcaram, em roupas de trouxa, na estação de Hogsmeade. Não sorriram ao ver Harry e Remus. Pararam diante deles sérios, parecendo nervosos.

– Será que vocês podiam nos explicar o que está acontecendo? – perguntou Neville

Harry sorriu e bateu em seu ombro – Calma, cara! Vamos lá na sorveteria, temos o dia todo!

– Disfarça, Neville. Vamos pro castelo. – disse Remus, em voz baixa

Luna saiu andando na frente, sorrindo sensata como sempre. Não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que, seja havia sido chamada no meio das férias, não deveria ser por qualquer brincadeira.

– Sabe desaparatar, Luna? – Remus perguntou

– Sei, mas... Ainda não passei no exame.

– Não tem problema. Acha que pode chegar ao portão do castelo..?

– Posso.

– Então vá, mas aparate atrás das árvores. Se alguém estiver passando por ali, não pode te ver.

Luna sumiu assim que teve certeza de quer ninguém a olhava. Logo, os quatro estavam na entrada do castelo. Do lado de dentro, longe das vistas e ouvidos de estranhos, Harry e Remus tentaram acalmá-los, resumindo mais ou menos tudo o que estava acontecendo. Ainda assim, os dois tiveram que esperar estar diante de Minerva, para que ela explicasse tudo detalhadamente.

– Ok. Tudo bem, eu já entendi. – Neville organizava as informações – Mas o quê, exatamente, vocês querem que a gente faça?

– Vocês fazem parte disso tudo, ora! – disse Harry – Vocês estavam no Departamento de Mistério no ano retrasado, obviamente estão tão marcados quando a gente.

– A invasão é iminente, sabemos que vai acontecer e estamos, desde o começo do ano letivo, nos preparando para nos proteger e também ao castelo. – disse Remus – Mas acabamos percebendo, começando a preparar mais a fundo a específica defesa no momento da invasão, que não estamos em numero suficiente para fazer a evacuação.

– Mas porque não esvaziam o castelo antes? – perguntou Neville

– Porque "eles" saberiam que sabemos, - respondeu Minerva – e não hesitariam em atacar, não só ao castelo. Queremos estar muito preparados.

– Por isso é que estamos construindo um lugar para esconder os alunos, - completou Harry – mas para levar todos os alunos pra lá sem fazer barulho nem chamar a atenção de alguém, precisáramos de mais gente. Nós cinco estaremos...

– Cinco, quem? – Neville perguntou imediatamente

– Potter, Weasley, Granger, Salles e Weasley. – respondeu Minerva

– Ah. – pensou Luna – Harry, Rony, Hermione, Rafaela e Ginny

– Isso. – disse Harry – Nós estaremos fazendo tudo, lutando, defendendo, e não poderemos, assim como os professores, ficar pensando em levar os alunos.

– É uma coisa extremamente importante, - sublinhou Minerva – mas não poderemos fazer isso. Nossa intenção é formar um time que se prepare para isso.

– Bom, tudo bem. Podemos fazer isso, não é, Neville? – disse Luna com tranquilidade

– É claro! – Neville concordou, bastante sério – Sabendo de tudo o que está acontecendo, eu não conseguiria voltar pra casa agora e ficar sem fazer nada! Quando começamos?

Harry sorriu – Valeu, gente.

– Antes vamos mostrar tudo pra vocês. – disse Minerva, e todos se levantaram. – Além de vocês ficarem preparados pra evacuação, vão aprender mais DCAT, também. Afinal, correrão riscos como todos os outros.

– Quem vai ensinar? Você, assim como na época do Exército de Dumbledore? – perguntou Luna

– Não, na verdade acho que será o Re... – começou Harry

Minerva o interrompeu – Exatamente, srta. Lovegood. Harry ensinará.

– Eu?!

– Não acha que nossos professores já estão um tanto sobrecarregados?

Quando estavam entrando no Hospital St. Mungus, Hermione e Rafaela viram os oito Weasleys vindo no sentido contrário. Todos eles já haviam almoçado na cantina do hospital, mas ninguém havia conseguido comer bem. Não conseguiram, durante toda a manhã, ter notícias sobre Percy, o que os deixava cada vez mais angustiados. Hermione e Rafaela abraçaram Sr. e Sra. Weasley.

– Estamos aqui para o que precisarem, ok? – disse Rafaela para Molly

Molly deixou mais uma lágrima escorrer e a abraçou – Obrigada, querida.

Saíram todos de lá com dois carros cedidos pelo Ministério. Já haviam feito reservas em um hotel bruxo, perto do Beco Diagonal.

– Não queremos ir pra casa... – disse Ronald – A qualquer momento podem surgir notícias novas, é pra chegar mais rápido ao hospital...

– Estão certos. – concordou Hermione – Eu ficaria com vocês, mas acho melhor ficar na minha casa. Minha mãe ficaria ofendida se soubesse que estou em Londres, mas não em casa...

– Hum... Ok, eu entendo. Mas como farei pra falar com você?

– Você sabe o número do telefone da minha casa, não sabe?

Ronald quase sorriu, mas parecia não ter forças para tanto – Vai me fazer usar aquilo de novo..?

– É o único jeito. Mas acho que não vai precisar. Rafaela e eu sairemos logo cedo de casa, amanhã.

Logo que ficou à sós com Neville e Luna, Harry os levou para uma sala secreta, que de vez em quando era usada pelo grupo especial. Não havia nada lá, era completamente deserta, mas tinha um tamanho perfeito para pelo menos dez pessoas treinarem DCAT.

– Então existem mesmo todas essas coisas secretas..? – perguntou Luna

– Existem. Você viu, a Sala Especial é a principal delas.

– E os corredores.. Então podemos chegar mais cedo nas aulas se os usarmos! – disse Neville, sorrindo

– Se souber usar, Neville. Não é qualquer um que pode ver vocês entrando e saindo pelas paredes. Essa informação toda é muito, muito restrita. Se qualquer pessoa que não for de confiança souber sobre isso, todo o nosso esforço estará indo por água abaixo.

– Então a Parvati faz premonições..? – disse Luna – Ela nunca me contou, achei que fossemos amigas.

– Sou o namorado dela, Luna, e nem a mim ela contou. – Neville mostrou-se chateado – Gostaria que ela me explicasse o porquê.

– Albus pediu que ela escondesse. Seus sonhos e visões estão sendo muito importantes.

– Mas ela podia ter contado pra mim.

– Isso é muito sério, Neville. – disse Luna – Quem garante que, depois que tudo isso acabar, ela não ia te contar? Duvido que não.

– Bom, mas nisso a gente fala depois. – interrompeu Harry – Precisamos rever agora tudo o que vocês já sabem, pra só depois começarem a aprender mais.

Sem pausas durante toda a tarde, ao anoitecer, Harry, Luna e Neville estavam estafados. Haviam revisto tudo o que os dois novos membros sabiam. Poderiam, já no dia seguinte, começar com novas lições.

Pela primeira vez, Luna e Neville encontraram-se com todos os professores, na hora do jantar. Estavam completamente deslocados, sem graça, assustados e empolgados. Os professores, que ficavam bem à vontade dentro daquela sala, sentiram-se um pouco presos, mas não era nada que não se resolvessem com alguns dias de convivência.

– Prepare-se para outra aula depois do jantar, Potter. – disse Snape – Não podemos passar nenhum dia sem praticar.

Harry largou os talheres e apoiou a cabeça nas mãos – Saco. Eu nunca vou conseguir fazer isso.

– Pensando assim, nunca conseguirá. Precisa de mais motivação.

– Eu sei.

Neville e Luna se entreolharam. Jamais haviam visto Snape conversando normalmente em sete anos de escola.