Lily
Dias atuais...
"Você é a pessoa mais burra do mundo, Lily. Sua burra, idiota, idiota!"
Estou com tanta raiva. Raiva dele, raiva de mim, raiva dela. Eu deveria saber que ele não seria capaz de manter as calças no lugar.
Isso é culpa desses romances idiotas que me fizeram acreditar que ele poderia mudar por mim. Que ele se contentaria em ter só a mim e não procuraria outra. Como eu estava errada.
É claro que ele não aguentaria, com todas aquelas vadias da universidade erguendo a saia e ficando de quatro quando ele passa, eu nunca seria capaz de fazê-lo ser fiel. Eu não fui boa o suficiente para ele. Assim como eu não fui para o Todd três anos atrás.
Os dois me traíram, os dois quebraram meu coração. Depois de Todd eu tinha prometido a mim mesma que não iria mais me deixar envolver por esse tipo de cara, mas eu não fui forte o suficiente.
O que eu posso fazer se eu me sinto atraída justamente pelos piores caras? Aqueles que são galinhas, safados e infiéis, mas irresistivelmente atraentes.
Amus Diggory é assim, ele é capitão do time de futebol americano da universidade e é um colírio para os olhos. Todo mundo sabe da fama dele, pelos corredores dos dormitórios feminino e masculino corre o boato que ele dormiu com metade das alunas da universidade, e os mais corajosos ousam dizer que ele já esteve com uma de suas professoras. Amus têm três professoras mulher, uma tem mais de 60 anos, a outra é feia e a terceira é jovem e linda, porém casada. Nem preciso dizer com qual os alunos acham que ele dormiu, como se dormir com uma professora já não fosse escândalo suficiente, o fato de ela ser casada só ajudou esse assunto a tomar proporções enormes.
Claro que ninguém assumiu nada, Amus jurou para mim que tudo isso é uma mentira.
Eu e ele nos conhecemos quando eu vim estudar aqui em Dallas. Mesmo achando ele irresistível e sabendo da sua fama, acabei permitindo que nos tornássemos amigos. Ele ficou um ano inteiro insistindo para que fossemos mais que amigos e eu sempre recusei, justamente por saber que ele era um galinha. Tirando isso ele sempre foi um bom amigo, e com o tempo eu fui perdendo a minha luta contra esse meu lado que se sente atraída pelos caras errados, acabei me deixando levar pela conversa doce de Amus e nós ficamos.
Surpreendendo-me, pois eu sabia que ele nunca ficava com a mesma garota mais do que uma ou duas vezes, ele foi ficando mais próximo. Ficamos várias vezes, ele até me chamou para alguns encontros. Depois de um tempo nessa relação estranha, ele finalmente me pediu em namoro. Fiquei com medo devido à fama dele e as más experiências que eu tive no passado, falei isso para ele e ele me prometeu que estava apaixonado por mim e que só queria a mim. Que ele não ligava mais para as outras garotas, a única que ele queria era eu.
E a burra aqui acreditou. Fui enganada por quase um ano. Um ano em que eu desperdicei com esse idiota, só para descobrir que ele tem me traído com a vadia que eu achava ser minha amiga. Eu sempre soube que Bellatrix é mais gostosa que eu e ela sempre chamou a atenção de todos os caras da universidade, ela é minha colega de quarto e eu achei que fosse minha amiga também.
Eu achava isso até alguma hora atrás quando eu peguei Bellatrix e Amus transando no nosso dormitório. Eles acharam que eu iria passar o final de semana com a minha família, e eu iria, ou vou... Não sei mais. Mas quando percebi que havia esquecido meu celular pedi para Tess dar meia volta e me levar de volta.
Quando entrei no apartamento fui recebida por vários gemidos e gritinhos, reconheci a voz de Bellatrix e fui em busca do meu celular em silêncio para não atrapalhar ela e quem quer que estivesse com ela.
Até que eu congelei quando escutei Bellatrix chamando o nome de Amus. Fiquei paralisada no lugar e não podia acreditar que o Amus que ela estava chamando era o meu. O homem por quem eu sou tão apaixonada.
Quando abri a porta e vi os dois pelados na cama meu coração se quebrou imediatamente, lágrimas de pura tristeza nublaram minha visão. Bellatrix me olhou como se eu não tivesse pegado ela na cama com meu namorado, parecia que eu havia interrompido seus estudos pela sua expressão fria. Ela não parecia surpresa, envergonhada, com remorso ou qualquer outra coisa assim, mas acho que eu vi algo em seus olhos... Satisfação, alegria por me ver tão claramente sofrendo. E Amus... Bom, ele fez a cara que todos fazem quando são pegos em flagrante.
Ele se cobriu com o lençol, ao contrário de Bellatrix que continuou com seu corpo deslumbrante zombando de mim, e quando ele começou a falar eu bati a porta e sai correndo daquele lugar.
Corri sem saber para onde estava indo, não liguei para os olhares curiosos dos outros alunos que andavam pelo campus, simplesmente corri e quando não aguentava mais me escondi em um canto para poder chorar em paz. E estou aqui até agora.
Por quê? Porque eu nunca sou boa o suficiente? Porque eu não consigo fazer um cara querer só a mim?
Primeiro foi Todd, agora Amus. Só que agora está doendo muito mais do que doeu com Todd. Porque eu nunca senti o que eu sinto por Amus, ele roubou meu coração, ele fez eu me apaixonar perdidamente por ele só para me magoar profundamente depois.
Encolho-me no canto, escondida de tudo e de todos, e choro descontroladamente. Tento fazer essa dor no meu coração parar, mas ela não para, ela continua zombando de mim.
Eu nunca vou ser amada por alguém, eu nunca vou ser única e especial. Eu nunca vou ser boa o bastante para ser amada de verdade.
Nunca, nunca, nunca...
James
Apesar de morar e trabalhar em Dallas há pelo menos uns quatro anos, não consigo ficar longe da "Sweet Berry Farm." Aqui é meu lar. Foi onde eu nasci, cresci e vivi muitos bons momentos.
E mesmo eu gostando de morar numa cidade grande, eu sinto falta da tranquilidade de uma cidadezinha como Wills Point. Por isso, sempre que posso venho para cá, ficar com a minha família.
Eles são a coisa mais preciosa para mim. Eu os amo demais.
— Como está o emprego, filho? — Mamãe, a qual eu seguro em meus braços enquanto estamos sentados no sofá assistindo TV, me pergunta.
— Tudo ótimo. Estou muito animado com essa promoção, quando eles me deram a noticia eu nem acreditei. Eles me deram um cargo de muita confiança, depois disso o próximo passo seria me tornar dono do lugar. - Eu digo brincando e nós dois rimos. — Não tem nível mais alto do que estou para almejar.
— Ah filho, estou tão feliz por você, e muito orgulhosa também. — Mamãe diz e eu abro um sorriso largo e sinto uma sensação de satisfação em meu peito.
— Obrigado, mamãe. — Digo-lhe fazendo carinho em seus cabelos.
— E pensar que aquele menino irresponsável que levava tudo na brincadeira e me dava muita dor de cabeça virou esse homem trabalhador e responsável. — Ela diz com admiração, mas posso ouvir pelo seu modo de dizer que está sorrindo.
— Ei, o que é isso dona Dorea? — Pergunto com falsa indignação.
— Ah James, você sabe que isso é verdade.
— Pior que eu sei.
— Vou confessar que teve uma certa altura da sua vida, quando você deveria ser um homem maduro, mas continuava levando tudo na brincadeira, que eu comecei a realmente me preocupar que você não fosse crescer nunca. Acho que demorou, mas finalmente você é um homem.
— Nossa mãe, muito obrigado. — Digo sarcasticamente.
— Estou bem mais tranquila agora. Apesar que... — Ela começa a falar, mas para, como se mudando de ideia e achando que é melhor permanecer calada.
— Apesar que... — Incentivo-a a continuar.
— Apesar que... — Ela levanta o olhar e me encara nos olhos. — Filho, quando você vai arrumar um relacionamento sério?
Eu solto um suspiro frustrado e reviro os olhos.
— Estou falando sério, James. Você logo vai fazer 30 anos e nunca nem sequer namorou. Você já não está cansado de só ter sexo sem compromisso?
— MÃE! — Olho-o para ela como se lhe tivesse nascido uma segunda cabeça.
Eu posso ter quase 30 anos, mas eu ainda não vou ter essa conversa com a minha mãe.
— O que? Não é como se eu não soubesse das coisas que você faz. Todo mundo sabe.
— Eu sei, mas não precisa ficar falando. E além do mais, eu não sou mais assim, pelo menos não tanto. Eu aprendi a me controlar.
— Mas isso, essa vida que você leva, uma mulher diferente a cada noite, isso não é... Vazio? Quer dizer, você não quer encontrar aquela mulher especial que vai te fazer o homem mais feliz do mundo?
— Mãe, você sabe que eu não sou assim. Relacionamentos não são para mim.
— Você quer dizer que nunca vai encontrar uma boa moça, casar, ter filhos e ter uma família?
— Nada disso está nos meus planos, eu achei que você já tivesse aceitado isso, mamãe.
— Eu achei que conforme você fosse amadurecendo você iria perceber que todo mundo precisa de alguém. Veja o Remus, você não tem vontade de ter algo com alguém assim como ele tem com a Emmeline?
Ela me olha nos olhos e eu reconheço muito bem esse olhar. Ela está a fim de falar sério e não vai deixar isso de lado até que tenhamos uma boa conversa acerca desse assunto.
Eu apenas solto um suspiro cansado e desvio olhar.
— Você não percebe o jeito que eles se olham? Você não quer olhar para alguém daquele jeito? Que alguém olhe para você como a Emmeline olha o Remus?
— James. — Ela chama quando eu não digo nada e eu volto meu olhar para ela.
— Eu... Eu não sei mãe, não sei, ok? Eu nunca senti essas coisas que você, o Remus, o papai e milhares de outras pessoas vivem me dizendo. Eu nunca amei uma mulher, eu não sinto falta porque eu não sei do que supostamente é para eu sentir falta, entende? Eu não sei o que é amar uma mulher, querê-la ao meu lado para o resto da vida. Como eu vou sentir falta de algo que eu desconheço?
Projeto meu corpo para frente e apoio os braços em meus joelhos. Logo sinto a mão de mamãe acariciando minhas costas.
— Eu só consigo ver o amor como uma forma deliberada de nos machucarmos. Quando eu penso em amor, eu penso em corações partidos, dependência, tristeza. Não consigo ver essas coisas boas que tanto vocês falam... O que será que tem de errado comigo, mamãe?
— Oh meu menino. Não tem nada de errado com você.
— Então porque eu não vejo o amor como uma coisa boa, assim como todo mundo? Porque eu não consigo querer ter só uma mulher?
— Talvez porque a mulher certa não tenha aparecido ainda.
Solto uma risada sem humor nenhum.
— Acho que ela está um pouco atrasada.
— Filho, tenha paciência. E acima de tudo, tente mudar essa sua ideia errada sobre o que é o amor. É sofrimento sim, não vou mentir, mas também é alegria. E essa alegria é tão profunda e verdadeira, que compensa a parte ruim. Você tem tantos exemplos disso; Eu e o seu pai, mesmo depois de anos de casados somos felizes e apaixonados, os seus avós e até o Remus.
— Não sei se consigo, mamãe. Eu quero querer me apaixonar, mas simplesmente não consigo. Eu já tentei.
— James, a gente não tenta se apaixonar. Simplesmente acontece, muitas vezes quando menos se espera, e com quem menos se espera... Pense desse modo, se ainda não aconteceu com você, quer dizer que é porque o destino está te guardando uma bela surpresa. O maior dos amores. E ele está por vir, meu querido. Basta ter fé.
Uma semana depois...
— Sexta feira! Aleluia! — Tommy batuca na porta aberta do meu escritório enquanto diz animadamente.
Eu desvio meus olhos dos papeis que estava organizando apenas por um segundo para olha-lo brevemente e depois volto meus olhos para os documentos.
— E aí, cara? Pronto para finalmente relaxar? — Ele diz parando em frente a minha mesa.
— Estou atolado aqui, mas boa diversão para você. — Digo.
— Vamos lá, James. É sexta. Final de semana. Todo mundo está indo para aquela nova casa noturna que abriu mês passado. — Ele se inclina sob minha mesa e sussurra. — Ouvi um pessoal do RH que já foram lá e parece que rola de tudo, cara. É o paraíso dos solteiros.
— Talvez um outro dia. — Digo colocando os papeis na pasta.
Tommy se afasta e vai até a porta.
— Will? Will, vem cá! — Ele chama e volta a sua posição anterior, em frente a minha mesa.
Logo Will aparece na porta, seu cabelo já meio desalinhado e sua gravata frouxa.
— O que foi?
— O James não está querendo ir com a gente ao Eros.
Will abre os braços e faz uma careta.
— O que é isso? Só porque foi promovido não anda mais com a ralé?
— Não é isso, vocês sabem disso.
— Então o que é? Vamos cara, você tem que ir. Vai ser divertido.
Reclino-me na cadeira muito mais confortável que a do meu outro escritório e encaro os dois homens a minha frente. Eles me olham com expectativa.
Passo a mão pelo rosto e decido que eles tem razão. Eu preciso me divertir.
— Tudo bem. Vamos lá. — Digo me levantando e pegando meu paletó pendurado no encosto da cadeira.
Tommy e Will sorriem e animados seguem para fora da minha sala.
Nós três e mais alguns outros caras do trabalho chegamos ao Eros, sem muita dificuldade finalmente conseguimos entrar.
O lugar é enorme e está cheio de pessoas. A musica é alta, a iluminação baixa e o ambiente abafado. Ainda bem que deixei meu paletó no meu carro. Seguimos para uma área onde não há tantas pessoas se empurrando e o som está abafado o suficiente para que consigamos conversar sem que precisemos gritar.
Achamos uma mesa grande o suficiente para caber todos e vamos nos sentar nela. Assim que sentamos uma garçonete com um vestido preto curto e justo vem nos atender.
— O que posso fazer pelo senhor? — Ela pergunta com uma voz sedutora e interesse nos olhos. Ela se inclina para frente um pouco ao fazer a pergunta, me dando uma bela visão do seu decote.
— Uísque, por favor. Puro. — Peço.
— Mais alguma coisa? — Sua voz quase um gemido.
— Não. — Ela me olha intensamente e assente.
Depois de pegar os pedidos ela se vira para ir e eu a acompanho com meus olhos. Sua bela bunda rebolando para um lado e para o outro, me deixando hipnotizado.
— Cara, você tem que me ensinar como você faz isso.
A voz de Will me tira dos meus devaneios sobre como seria ter aquela bela bunda montada em mim.
— Sério, abre o jogo, James. Você já tem mulheres suficientes aos seus pés, não precisa de todas do maldito club.
Eu sorrio para ele e dou de ombros.
— Nasceu comigo, cara. É natural. Ou você tem ou não tem. — Digo desabotoando as mangas na blusa e dobrando até os cotovelos.
— Filho da puta. — Ele xinga e eu rio, nessa hora a garçonete gostosa chega e nos entrega nossas bebidas.
Ela coloca o copo a minha frente e num movimento que até poderia parecer casual, mas não é, ela passa a mão por meu braço. Ela sorri maliciosamente e novamente sai rebolando provocadoramente.
"Ela está pedindo! Talvez mais tarde..."
Pego meu copo preenchido até a metade com o liquido cor âmbar e tomo um gole.
Os minutos se passaram e agora, com certo nível de álcool no sangue, me sinto mais relaxado. Essa semana foi tão cheia que eu realmente estava precisando disso, fico feliz que Tommy e Will tenham insistido para que eu viesse, normalmente eu não recusaria um convite para a balada, mas estava tão cansado que eu só queria a minha cama. Mas pensando melhor, agora que estou aqui, talvez eu possa ir para minha cama, porém com alguma companhia.
— Já estamos sentados aqui tempo demais. Hora de ir à caça, rapazes. — Parecendo ler meus pensamentos, Will diz depois de tomar o último gole da sua bebida e se levanta.
Imitando seu movimento, levantamos e seguimos para a pista de dança.
Incontáveis pessoas mexem seus corpos ao som da batida contagiante da musica do DJ.
Vejo os caras se misturando a essas pessoas e procurando mulheres que estejam sozinhas. Eu não preciso disso, basta eu sentar no bar que elas vêm até mim, é só uma questão de tempo, sempre foi desse modo, eu nunca precisei correr atrás de nenhuma mulher.
Eu simplesmente fico parado e deixo que elas venham até mim, e elas sempre vêm.
Quinze minutos depois estou avisando Will que estou indo para casa, ele reclama que ainda é cedo, mas eu, sorrindo maliciosamente, aponto por cima do meu ombro e assim que ele vê que eu não estou voltando sozinho, sorri também.
Volto até a mulher que veio falar comigo enquanto eu estava no bar e praticamente me implorou para levá-la para a cama. Até que é bonita, para relaxar deve servir.
— Vamos, linda? — Pergunto envolvendo sua cintura com meu braço.
— Claro.
Abro caminho e a conduzo para fora do Eros. O segurança rapidamente passa seus olhos pelas pernas da minha acompanhante e eu vejo um pequeno sorriso se formar no canto de sua boca.
Ela pode até não ser tão bonita de rosto, mas com certeza é gostosa e ter essas pernas envolta de mim vai ser uma maravilha.
Avisto meu carro a poucos metros de nós e apertando o botão na chave, desligo o alarme. Quando vou abrir a porta para que ela entre, algo chama minha atenção. Escuto uns gemidos e olho na direção de onde eu acho que eles vieram.
Olhando para o lado vejo dois caras com uma mulher no meio deles, eles estão beijando e lambendo o pescoço dela enquanto um deles está com a mão dentro da sua saia.
Apesar de excitante, desvio o olhar, afinal tenho coisas mais interessantes para fazer. Como por exemplo, eu mesmo enfiar a mão dentro da saia da gostosa ao meu lado.
Mas assim que eu desvio o olhar me sinto impelido a olhar de novo, tem algo me incomodando.
Olho de novo para o trio e tem algo errado ali. Estreito os olhos e olho-os com curiosidade, aquela mulher, eu já vi esses cabelos ruivos antes.
Quando ela vira o rosto e posso vê-la melhor, meus olhos se arregalam e meu corpo gela.
"Lily? Mas que diabos...!"
Não pode ser, eu devo ter bebido demais. A Lily que eu conheço nunca estaria se agarrando com dois caras nos fundos de um club. Ela ainda é uma criança e aquela ali no meio dos dois caras com certeza não está fazendo algo que uma criança deveria fazer. Simplesmente não pode ser.
Lily deve estar em seu quarto no dormitório estudando para alguma prova, essa mulher deve ser alguém extremamente parecida com ela.
— Então, gato? Vamos? — Olho para a mulher encostada em meu carro.
Mas e se for ela? Não posso deixá-la aqui com esses caras se aproveitando dela.
— Só um minuto. — Eu peço e sem esperar uma resposta me dirijo com passos firmes até o trio.
Quando chego perto o suficiente para constatar que se trata mesmo de Lily, eu paro em choque.
Não pode ser. A irmãzinha do meu melhor amigo tem a mão de um cara dentro da sua saia. Eu vi essa menina crescer pelo amor de Deus. Não posso deixar que isso continue.
A mão do homem mexe e Lily solta um gemido alto.
"Já basta!"
— Ei, vocês! Larguem ela agora! — Eu digo furioso.
Os dois caras me olham curiosos, provavelmente se perguntando por que estou acabando com a diversão deles.
"Filhos da puta!"
— Não escutaram? Soltem ela agora! — Digo me aproximando mais ainda deles, Lily me olha e sorri, encaro seus olhos vidrados e percebo que deve estar bêbada.
Isso só faz com que eu tenha mais raiva desses idiotas.
— Porque você não dá o fora e nos deixa em paz? — Um dos caras diz todo confiante.
— Porque você não cala a porra da sua boca e deixa ela em paz? — Pergunto engrossando a voz.
— Olha aqui cara... — O outro homem diz levantando as mãos. — Não estamos fazendo nada que ela não tenha pedido, ok?
— É verdade, eu pedi. — Lily diz, claramente bêbada.
— Ouviu? Então agora dê o fora daqui.
— Seu filho da puta, o que eu ouvi é que ela está bêbada. Vou falar uma última vez antes que eu perca o pouco da paciência que ainda me resta. Deixem. Ela. Em. Paz.
— Mas que porra, cara. Quem você pensa que é?
— Eu sou o irmão dela. — Assim que eles assimilam minhas palavras parecem recuar um pouco.
— Conta outra. — Um dos caras diz com um sorriso de escárnio no rosto.
— Lily, você me conhece ou não? — Pergunto olhando para ela, que parece que vai desabar a qualquer minuto.
Ela dá alguns passos tontos em minha direção e na minha frente aproxima o rosto como se não tivesse conseguindo me enxergar direito. Ela me analisa por alguns segundo e então sorri.
— James, você por aqui! — Sua fala enrolada e quase inteligível.
Rapidamente envolvo meu braço em sua cintura para apoiá-la.
— Viram? Agora eu sugiro que vocês se mandem antes que eu me arrependa por não arrebentar a cara de vocês por mexerem com a minha irmã. — Digo olhando-os com raiva.
Eles se olham e parecendo contrariados se vão.
Passo o braço de Lily por meus ombros e seguro-a firme em sua cintura fina.
— Lily, vamos. Vou te levar para casa.
Ela não discute e me permite guiá-la.
— James! Você não é meu irmão. Você mentiu. — Ela diz rindo.
— Eu sei. — Digo apenas. Carrego-a em direção ao meu carro.
Mas o que diabos aconteceu com ela? Lily não é assim. Encher a cara e se agarrar com qualquer um não combina com a Lily doce, inteligente e engraçada que eu conheço.
Por falar na Lily que eu conheço, eu nunca havia visto-a usando uma roupa assim.
Olho para suas pernas longas e torneadas que estão a mostra por causa da mini-saia, seus seios - desde quando ela tem seios?- saltando para fora da sua blusa justa e decotada.
Engulo em seco.
Não me lembro dela ter crescido desse jeito. Quando isso aconteceu?
Ela sempre foi a menina engraçada e divertida, muitas vezes até fofa, mas eu não sabia que ela podia ser tão...Tão...Gostosa.
Que Sirius não me ouça, mas Lily se transformou em uma mulher de deixar qualquer homem louco.
Não me sinto bem de pensar nela nessa forma, parece algo pecaminoso, afinal ela é quase que uma irmã para mim. Os Evans ficaram com a guarda do Sirius quando ele tinha cinco anos, criando-o como filho, depois que seus pais e seu irmão morreram num acidente de carro, e eu e ele sempre fomos os irmãos mais velhos da Lily e da Tess, irmã gêmea da Lily.
Faz um tempinho que não as vejo, mas elas não podem ter mudado tanto em pouco tempo. Elas devem ter crescido em algum momento antes disso e eu não me dei conta.
Será que Tess também está assim?
Pobre Sirius, vai ter muita dor de cabeça.
Pensar nisso me fez lembrar de algo.
— Lily, a sua irmã por acaso não está lá dentro, não é? — Só que me faltava ter que resgatar também Tess da mão de algum filho da puta safado.
— Claro que não. Eu vim sozinha... Mas eu não estou indo embora sozinha. — Ela diz e ri.
Quando chegamos ao carro a mulher ainda está me esperando, ela olha para Lily e me lança um olhar confuso.
— Desculpe, linda. Mas surgiu um imprevisto. — Ela olha para Lily e cruza os braços.
— Eu tenho que levá-la para casa, ela é irmã de um amigo. Não posso deixá-la aqui nesse estado.
A mulher fecha a cara, me olha com raiva e sai pisando duro. Seus saltos fazendo barulho no asfalto.
— Ela não ficou nem um pouco feliz. — Lily diz quase caindo e eu tenho que segura-la. Apoio-a no carro e seguro seus ombros para que não caia.
— Lily, aqueles caras te embebedaram? — Pergunto sério.
Ela me encara com seus olhos verdes e ri.
— Claro que não. Eu bebi porque eu quis.
— Porque? Você não sabe que é perigoso vir a um lugar como esse sozinha e ainda por cima ficar bêbada? Podem tentar se aproveitar de você, como aqueles filhos da puta.
— Ah James... — Ela dá um passo em falso e eu a seguro pela cintura.
— Cuidado. — Alerto-a.
— Ninguém se aproveitou de mim. Eu queria ir para casa com aqueles caras. — Por um momento acho que entendi errado por causa da sua fala enrolada, mas ela realmente disse isso.
— Lily, o que aconteceu? Você não é assim. — Olho-a com preocupação.
— O que? Porque tem que ter acontecido algo? Porque eu não posso sair e me divertir com vários caras? Porque só vocês homens podem ir numa festa e pegar todas as mulheres que quiserem? — Ela me pergunta agora parecendo com raiva.
Olho-a confuso. Do que ela está falando?
— Lily, entre no carro. Vou te levar para casa.
— Não! — Ela grita. — Não quero ir para casa. Quero me divertir.
— Chega de diversão para você essa noite. — Digo afastando-a da porta para poder abri-la.
— Não. Eu vim aqui para me divertir e você estragou tudo.
— Lily...
— Aqueles caras iam me dar a diversão que eu estava procurando, mas você mandou eles embora...Agora você vai ter que me divertir.
Ela diz e se joga em meus braços, seguro-a firme para que não caia.
— Você até que é bonitinho. — Ela diz e antes que eu possa assimilar o que ela está prestes a fazer, antes que eu possa impedi-la, sua boca já está na minha.
Surpreso tento afastá-la, mas ela envolve seus braços em meu pescoço e se segura firme.
Tentando afastá-la sem machucá-la, sem querer eu pego em vários pontos do seu corpo, sentindo suas curvas delicadas.
Sinto seus seios se esmagando contra mim e involuntariamente fico excitado. Não deveria, ela é a irmã de Sirius, mas irmã dele ou não ela é gostosa. Mesmo minha mente dizendo que eu não deveria gostar, meu pau diz algo totalmente diferente.
Ela abre a boca e sua língua acaricia meu lábio. Meio que como reflexo, eu abro a boca e sua língua a invade. Sinto gosto de álcool.
Lily devora minha boca e quando percebo estou fazendo o mesmo.
"Não, James! Pare, pare agora! Ela não, você não pode!"
Os protestos de minha mente são ignorados e como muitos dizem, a minha segunda cabeça passa a pensar por mim. Ignorando a grandiosidade do erro que estou cometendo, seguro Lily fortemente e a puxo para mais perto de mim, até nossos corpos estarem tão grudados que os limites de onde começa um e termina o outro são confusos.
Encosto-a no carro com um pouco de violência, tenho medo de tê-la machucado, mas ela solta um gemido que parece de desejo e não de dor.
Passo minhas mãos por sua cintura fina e depois por seus quadris, depois subo e aperto um de seus seios, eles são firmes e redondos. Ela solta um gemido tão primitivo e tão sexual e ele faz sua viagem do meu ouvido direto ao meu pau, que está totalmente duro e pulsa em minhas calças.
Nossas línguas travam uma batalha ferrenha e violenta. Seguro seus cabelos perto da raiz e puxo, fazendo com que seu pescoço se incline e fique a mostra. Afundo-me ali e deposito leves mordidas por toda a extensão da sua pele clara e macia.
Ela geme em apreciação e eu sinto que vou explodir a qualquer minuto.
"Que porra é essa?"
Quando foi a última vez que o gemido de uma mulher me excitou tanto assim? Quando foi a última vez que eu estive tão próximo de explodir tão rápido?
Não faço a mínima ideia. A única coisa que eu sei agora é que estou no paraíso.
Essas curvas, esses lábios doces, essa pele macia, esse gosto – que apesar da bebida – é único e delicioso.
Sinto as mãos de Lily descendo do meu pescoço por meu peito, até meu abdômen. Ela desce mais e acaricia a saliência na minha calça.
"Porra! Que delicia!"
Eu já fui tocado assim antes, mas nunca foi tão gostoso. Não sei o que ela está fazendo, ou como está fazendo, mas seu toque é divino.
Ela aperta e esfrega a mão sob minha calça e eu fico mais duro ainda. Mexo meu quadril sutilmente, esfregando minha ereção em sua mão.
"Caralho, ela é tão gostosa! Como eu não reparei nesse corpo antes? Uma delicia... Será que eu tenho camisinha ou tenho que comprar?"
Nesse momento a minha ficha cai.
Eu vou transar com a irmã do meu melhor amigo? Não, eu não posso.
Mas eu quero. E muito!
Meu lado racional luta contra o meu lado que quer tirar sua roupa e mergulhar profundamente em seu corpo.
Você não pode James! Não se trata só do Sirius, ela está bêbada. Se vocês fizerem algo, você vai ser igual aqueles filhos da puta aproveitadores.
Você tem que parar.
"Eu tenho que parar! Agora!"
Com a maior força de vontade que eu já tive que usar em toda a minha vida, eu seguro nos ombros de Lily e a afasto.
Ela me olha com seus lindos olhos verdes brilhando de luxuria, suas bochechas estão coradas e seus lábios inchados e vermelhos. Ela está tão sexy que sinto vontade de chorar por não poder usufruir de toda essa beleza.
Seus peitos fartos sobem e descem na sua tentativa de recuperar o fôlego. Tento respirar profundamente e recobrar a razão.
— Venha cá, estava tão gostoso! — Ela diz e vem querer me agarrar de novo, mas eu a impeço.
— Não, Lily! Isso é errado, temos que parar!
— Se você não vai me dar o que eu quero então vou achar alguém que dê. — Ela tenta se afastar mas eu a seguro.
— Está louca se acha que vou deixá-la sair por aí. Eu vou levar você embora, em segurança.
— Eu não quero ir. Eu quero me divertir, eu mereço. Não é só ele que pode, eu também posso.
— Do que você está falando? Ele quem?
— Amus... Se ele acha que eu vou ficar sofrendo por causa dele, ele está muito enganado. Eu vou dormir com quantos caras eu conseguir e depois vou esfregar isso naquela cara idiota dele. E daquela vadia também.
Ela disse Amus? Será aquele mesmo Amus que eu ouvi Sirius comentando que era o namoradinho dela?
— Lily, não estou entendendo nada do que você está falando. Você não está bem e precisa descansar. — E eu preciso de um banho gelado. Congelando.
— Venha, entre no carro... E não discuta.
— Eu não quero... James, eu não quero... Não vou entrar no carro. — Ela protesta enquanto eu tento frustradamente enfiá-la pela porta do carona.
— Você vai entrar sim.
Finalmente consigo colocá-la sentada no banco, fecho a porta e com medo que ela saia, eu corro até o outro lado e entro. Assim que faço isso tranco todas as portas para não correr o risco de ela tentar escapar.
Coloco seu sinto e depois o meu, enfio a chave na ignição e ligo o motor.
— Qual o seu dormitório?
— Que dormitório? — Ela pergunta com a cabeça encostada no encosto do banco.
— Seu dormitório, Lily, onde você está morando pelos últimos dois anos.
— Não sei. — Ela diz resmungando. Não adianta perguntar, ela está tão bêbada que é capaz de me falar o numero errado e eu vou acabar batendo na porta de outra pessoa.
Talvez eu posso levá-la até lá e depois tentar achar alguém que possa me dar essa informação.
Não. Isso não vai funcionar. E agora?
Não posso levá-la até Wills Point, se a vissem nesse estado...
Mas que droga. O único jeito é levar Lily para meu apartamento.
Conduzo o carro em direção ao meu prédio, Lily parece meio desmaiada no banco ao lado.
Dirijo no limite máximo da velocidade e dentro de alguns poucos minutos chegamos. Dou a volta no carro e abro sua porta, solto o sinto e tento puxá-la para fora do carro.
— Lily. — Chamo-a. Ela me olha com os olhos quase fechados, não sei se ela está consciente ou não.
Puxo-a para fora e ela envolve seus braços no meu pescoço.
Fecho a porta e ligo o alarme. Tento fazer com que ela de os próprios passos, mas ela está toda mole e não me responde.
Solto um suspiro e me abaixando um pouco pego suas pernas e a levanto, carregando-a no colo.
Quando o porteiro me vê, vem correndo abrir a porta para mim.
— Obrigado, Carlos.
— Por nada, senhor. Precisa de alguma ajuda?
— Só aperte o botão no elevador para mim, sim?
— Claro, senhor.
Vou até o elevador e Carlos o chama para mim, assim que ele chega eu entro e Carlos entra junto, aperta o botão do meu andar e sai rapidamente.
— Obrigado.
Ele diz algo, mas não escuto porque as portas se fecham. Quando chegamos ao meu andar, saio do elevador e vou até minha porta. Com muita dificuldade consigo pegar a chave e colocar na fechadura, quase deixo Lily cair ao fazer isso. Ela resmunga algo, mas parece voltar a dormir.
Adentro meu apartamento e fecho a porta com o pé. Vou direto em direção a meu quarto e coloco Lily em minha cama. No momento que estou fazendo isso ela abre os olhos e encontra com os meus.
Ela sorri e puxa minha cabeça para mais perto.
— Faça-me esquecer dele. — Ela sussurra e me beija.
Oh Deus, de novo não. Não sei se terei forças para recuar novamente.
Seus lábios macios se fecham sobre os meus e suas mãos me seguram pela nuca.
Seguro seus pulsos fortemente e me desvencilho do seu aperto, rapidamente me levanto da cama e me afasto.
— É melhor você ir dormir.
Ela se senta e tira os sapatos, jogando-os no chão. Se levanta e fica ao lado da cama, ela me olha com um sorriso malicioso e leva sua mão para a borda da sua blusa.
— Lily? — Pergunto com medo.
Ela levanta os braços e sua blusa vem junto.
"Ah merda!"
Ela a joga no chão e seus dedos vão para o botão da curta saia.
— Lily, o que você está fazendo? Fique vestida... Por favor. — Imploro.
Ela encaixa os dedos nos cantos e rebolando tira a saia, ficando parada na minha frente apenas de calcinha e sutiã azul bebê.
"Caralho! Caralho! Caralho!"
— Eu só quero esquecer. Faça-me esquecer.
Ela pede de novo e eu não faço a mínima ideia do que ela quer esquecer, não consigo me concentrar em nada que não seja seu corpo maravilhoso.
Meus olhos o percorrem com avidez, com desejo.
Meu pau está doendo tanto, gritando por alivio. Mas eu não posso, tenho que ser forte.
Ela caminha em minha direção e eu aos tropeços fujo para a porta numa velocidade impressionante.
— Você pode dormir na minha cama. Tem um banheiro logo ali se você passar mal. Se estiver muito mal pode me chamar. — Digo a sentença rapidamente, tropeçando nas palavras e saio do quarto, fechando a porta e deixando uma Lily seminua com cara de frustração para trás.
Vou até o minibar e pego uma cerveja.
"Cara, eu mereço uma medalha!"
Olá gente! Tudo bem? Só para deixar claro, como foi citado antes os Black eram muito amigos dos Evans e quando os pais e o irmão do Sirius morreram, os Evans ficaram com a guarda dele, portanto Sirius é irmão adotivo de Lily e Tess. Sim, Tess está de volta :)
Que tal o encontro do James com a Lily Agarotadoprongs? Hoje ele fugiu dela, mas será que ele tem tanta força de vontade assim? E é verdade, completamente inesperado esse Sirius. Vocês vão se deparar com um Sirius Black muito apaixonado, capaz de fazer qualquer coisa pelo seu amor e muito família também. Muita coisa vai acontecer nathpads, vamos rir e chorar juntos com o desenrolar dessa história, que não vai focar somente em Lily e James, eles são os personagens principais é claro, mas vamos nos deliciar um pouco com os romances de Sirius e Marlene, Remus e Emmeline, Dorea e Charlus, Tess e Nathan. Eu também sempre imaginei o James assim antes da Lily aparecer na vida dele GiveMeLoveCarol, todo garanhão, se achando o gostosão, mas a gente sabe que no fundo isso é apenas aparência, que na verdade o coração dele grita desesperadamente por um amor verdadeiro e todas as coisas boas que vem junto. Morri, ressuscitei e morri de nodo de saudade Danielle Susstrunk, fiquei muito tempo longe, mas pretendo postar regularmente, até porque tenho outras fanfics que gostaria de compartilhar futuramente com vocês. Obrigada gente pelos comentários e continuem comentando, é sempre bom saber a opinião de vocês. Um beijo no coração :*
