James
Oito anos atrás...
Decido deixar a porta aberta, assim não terei que ficar indo abri-la para alguém a cada cinco minutos.
Não sei de onde está brotando tanta gente, pelo que eu me lembre, eu havia convidado metade das pessoas que estão aqui. Provavelmente a outra metade seja formada por acompanhantes e penetras.
Vejo mais duas amigas gostosas entrando pela porta e dou de ombros. Para mim não importa, quanto mais pessoas melhor, afinal essa é uma festa, mas não qualquer uma, é a porra da minha festa de aniversário.
Isso aí, 21 anos, baby!
Retorno da cozinha com uma cerveja e me apoio na parede enquanto tomo um gole da bebida gelada. Observo todos com um sorriso no rosto, eles estão dançando, conversando, se pegando... Isso sim é que é uma festa.
O pessoal vai falar a semana inteira.
Meu sorriso some de meu rosto quando um Sirius com uma expressão confusa entra em nosso apartamento, ele olha todas as pessoas com uma cara estranha e assim que me avista, sua expressão muda para uma carranca.
— Você. — Ele diz parecendo bravo enquanto se aproxima.
— Hey, cara. Quer uma cerveja? — Digo despreocupadamente.
— James, o que está acontecendo aqui?
— O que parece, uma festa.
— Não me diga, gênio. Eu quero saber o que todas essas pessoas estão fazendo aqui, você tinha dito que iria convidar poucas pessoas. — Ele cruza os braços e faz cara feia, como se ele fosse o pai e eu a criança que o desobedeceu e agora deve se explicar.
— Eu convidei, mas não tenho culpa que essas pessoas convidaram outras pessoas e essas outra pessoas mais pessoas.
— James, deve ter umas 30 pessoas aqui. — Ele diz parecendo indignado enquanto observa o ambiente. - E a maioria é mulher. Você não presta mesmo, não é?
— Ah qual é, cara. Por que em vez de você ficar aí com essa cara feia e reclamando de tudo, você não pega uma cerveja e aproveita a minha festa de aniversário?
— De jeito nenhum, sei muito bem como essa festa vai ficar depois de mais umas cervejas, eu vou é para o meu quarto.
— Como queira, mas não sabe o que está perdendo. Não esquece que depois você vai ter que me compensar por perder a festa do seu melhor amigo. — Digo com um sorriso brincalhão enquanto ele se afasta.
— Ah, claro. Pode deixar que eu vou fazer isso mesmo. — Ele diz debochadamente e some no corredor que leva aos quartos e banheiro.
Já faz quase duas horas que a festa começou e ela está com tudo. Já avistei cinco possíveis candidatas a se divertir comigo em meu quarto depois. Talvez eu leve as cinco, já que está difícil de decidir. Sim, as cinco gostosas e eu daria uma bela after party.
Quando estou bebendo mais um gole da minha cerveja, sinto mãos frias tocando meu braço. Viro-me e me deparo com um sorriso malicioso enfeitando uns lábios carnudos que eu conheço muito bem.
— Eva.
— James. — Ela me cumprimenta chegando mais perto.
— Não sabia que você estava na minha festa.
— Cheguei agora a pouco. Sabe, fiquei magoada por você não ter me convidado. Mas acho que eu entendo, essa relação de ex namorados é complicada mesmo.
— Eva, pela última vez, nós nunca fomos namorados. Eu não faço isso e você sempre soube muito bem disso.
Eva Riddle é uma das mulheres mais gostosas que eu já tive o prazer de provar. Não, na verdade, ela é a mulher mais gostosa.
Cabelos negros e sedosos, olhos azuis tão claros que até dói olha-los, rosto fino, nariz empinadinho e lábios carnudos. E é claro, um corpo sensacional, de deixar qualquer um louco.
Conheci Eva há uns nove meses, tivemos uma noite louca de explodir o cérebro. Ela parecia um animal voraz, não sabia se era eu quem a estava comendo ou o contrário. Depois disso nos encontramos mais algumas vezes – ela com certeza não era mulher de uma vez só – ela sempre vinha até mim com um apetite insaciável. Quando me dei conta, já estávamos nesse lance a mais de quatro meses. Eu nunca havia transado tantas vezes com uma única mulher antes, mas Eva era mais velha e uma loucura na cama, então eu decidi que tudo bem manter relações sexuais com ela frequentemente.
Obviamente ela sempre soube que não podia esperar mais de mim do que orgasmos de enlouquecer a mente, ela tinha concordado com meus termos.
Só que o tempo foi passando e sem me dar conta, a nossa relação foi se tornando cada vez mais exclusiva, chegou a um ponto que eu não estava vendo mais ninguém a não ser Eva. No começo eu não me importei muito com isso, afinal ela satisfazia meus desejos e não me cobrava em nada.
Mas tudo que é bom chega a um fim, e o nosso acordo de prazer mútuo não foi diferente. Eva começou a ficar grudenta e muito ciumenta, e quando ela começou a agir como se fosse minha namorada um alerta vermelho soou em alto e bom som na minha cabeça. Eu tinha que dar o fora.
Por mais que eu fosse sentir saudades do seu corpo maravilhoso e dos orgasmos deliciosos que ela me deu, eu sabia que tinha que acabar com aquilo antes que se tornasse algo que eu absolutamente não queria.
Um relacionamento sério.
A ideia de namorar, mesmo que uma gostosa como Eva, me deixou em pânico. Afinal eu não sentia nada por ela, nada além de tesão, e com certeza eu não queria renunciar a minha liberdade de poder enfiar meu pau onde eu bem entendesse.
Então eu cortei relações com ela, parei de atender seus telefonemas, parei de responder suas mensagens, parei de lhe dar atenção. Só a constatação de quão perto eu havia chegado de ter uma relação de verdade, deixou meu estômago doente. Depois de uma semana sem noticias de Eva, alivio me inundou por saber que ela tinha se tocado e que tudo estava acabado.
Pena que eu estava enganado. Eva não aceitou muito bem a rompimento do que quer que tenha sido o que tivemos, então assustadamente comecei a perceber por suas ações e conversas, que ela realmente achava que éramos namorados, ela ignorou completamente meus avisos quando nos conhecemos e começou a agir como uma mulher age no fim de um relacionamento.
Agora faz semanas que ela não larga do meu pé, sempre tentando reatar um namoro que nunca existiu.
— Ah James, você sabe muito bem que o que tínhamos era algo especial. Tínhamos um relacionamento tão confortável, estava funcionando para ambos os lados. Sem falar que o sexo era ótimo. Estou com saudades de você, docinho.
— Nós não tínhamos um relacionamento, Eva. Pelo menos não do jeito que você acha que tínhamos. — Digo tomando um gole da minha cerveja e olhando desesperadamente para os lados, implorando com os olhos que alguém venha me salvar.
— Docinho, pare com isso, pare de falar isso. Pare de ser tão teimoso e volte para mim, prometo ser uma namorada muito compreensiva, você pode até dar umas escapadinhas de vez em quando, podemos até dividir algumas das suas putinhas. O que você acha?
Droga, agora ela conseguiu me deixar ligado. Só de pensar em Eva e mais alguma gostosa me chupando quase, quase me faz ter vontade de desistir dessa ideia de afastá-la.
Mas é melhor não arriscar, Eva já se mostrou ser uma mulher difícil de desgrudar, não posso ceder à tentação, por mais difícil que seja.
— Sinto muito, baby. Não vai rolar.
Nesse momento certo movimento me chama a atenção. Uma mulher vinda da direção do quartos passa correndo por todos, indo em direção a porta. As pessoas resmungam, mas abrem caminho para ela.
Quando, para desviar de um casal, a mulher se vira levemente em minha direção, reconheço-a.
— Marlene? — Chamo a namorada do meu melhor amigo. O que será que ela está fazendo aqui? Como ela ficou sabendo da minha festa?
Ela vira o rosto e procura pela voz que a chamou, seus olhos se encontram com o meu e foda... Seu lindo rosto está machado de lágrimas, sua expressão é uma mistura de nojo e tristeza. Ela não diz nada para mim, retoma sua corrida e sai pela porta.
— Marlene, espera. — Um Sirius despenteado vem da mesma direção que Marlene veio alguns segundos atrás.
— Marlene, por favor, meu amor. — Ele grita e vai tirando as pessoas do caminho com violência.
Passa pela porta correndo atrás da namorada, escuto seus gritos abafados pela musica chamando por ela.
"Droga, que porra será que aconteceu?"
— Segura aqui, gata. — Digo empurrando minha cerveja para Eva.
— Docinho, onde você vai? — Ela pergunta me olhando confusa, mas não me dou o trabalho de respondê-la e vou correndo atrás da Sirius.
Quando abro a porta do prédio e saio para o ar gelado da noite, vejo Sirius alcançando Marlene e a fazendo olhá-lo segurando em seu braço e virando-a para ficarem frente a frente.
Vou correndo até eles e paro alguns passos longe com medo de invadir o espaço dos dois.
— Me solta, Sirius. — Marlene grita tentando se livrar das mãos fortes de Sirius. O rosto dela está coberto de lágrimas.
— Não, você tem que me ouvir, por favor, meu amor.
— Não me chame mais assim, nunca mais me chame assim. Deixe-me em paz.- Marlene está descontrolada, não para de chorar.
— O que você quer dizer com "nunca mais"? — Sirius pergunta e posso ouvir medo em sua voz, ele vai lentamente soltando os braços de Marlene.
"Será que devo interferir? Ir embora? E se eu precisar me meter no meio dos dois?"
— Você entendeu perfeitamente, Sirius. Está tudo acabado entre nós.
Caralho!
— Não! — Sirius diz soltando um gemido de dor ao mesmo tempo em que fala.
— O que está acontecendo? — Pergunto, mas os dois me ignoram.
— Marlene, por favor, não faça isso comigo. Eu te amo. — Sirius diz parecendo pronto a cair de joelhos e implorar.
Marlene solta uma risada sem humor nenhum, repleta de magoa e dor, os mesmos que eu observo em seus olhos que brilham e estão vermelhos por causa das lágrimas.
— Não minta mais para mim, Sirius. Se você me amasse não estaria dando uma festa que mais parece uma orgia. Se você me amasse não estaria beijando aquela garota seminua no seu quarto. — A voz de Marlene falha no final da frase e ela leva a mão até a boca para segurar os soluços.
"Opa, espera aí! O que ela falou que o Sirius estava fazendo? Devo ter entendido mal, não pode ser."
— Meu amor, não é assim, você tem que acreditar em mim. Aquela mulher apareceu no meu quarto, ela se jogou em cima de mim. — A voz de Sirius está desesperada assim como a expressão em seu rosto.
Marlene solta uma risada de escárnio como quem não acredita.
— Essa desculpa já é velha, Sirius. Pelo menos seja homem suficiente e admita o que você fez.
— Mas eu não fiz nada. Eu te amo e só quero você, meu amor. — Ele tenta levar sua mão até o rosto dela, mas Marlene recua um passo.
— Não me toque. — Ela diz com uma cara de nojo e vejo uma dor profunda se estabelecer nos olhos de Sirius.
— Marlene, pelo amor de Deus, me deixe explicar. Eu sei o que parece...
— Sim, eu também sei o que parece. Parece que eu me enganei com relação a você, você não é quem eu achava que era. Você é egoísta, você só pensa em sexo, em diversão, você é... Você é... Você é igual a ele. — Ela aponta rapidamente para mim e me lança um olhar de nojo misturado com pena. O que me faz recuar um passo.
Sirius nem faz menção em se virar para mim, ele olha para Marlene fixamente e só para ela.
— Minha linda, não fala assim, você me machuca. Eu te amo, eu juro por tudo que é mais sagrado que a única mulher que eu quero é você. Eu não fiz nada com aquela mulher e nem com nenhuma outra depois que eu conheci você. Eu não sabia dessa festa, na verdade eu sabia, mas não era para ser uma festa assim, era para ser só uma pequena comemoração, as coisas saíram do controle, meu amor. Acredite em mim.
— Como eu fui burra. Fui tão burra em achar que você na faculdade, com todas aquelas mulheres gostosas lá, iria ser fiel a mim, uma garota do ensino médio. Eu sou mais uma dessas garotas que se tornam tolas por estarem apaixonadas, que não enxergam o óbvio. Mas eu não vou mais ser assim. — Ela diz secando as lágrimas e parecendo ter acabado de tomar uma decisão interna.
— Marlene, por favor...
— Não, Sirius. Chega. Se é isso que você quer, se é assim que você quer viver... — Ela faz um aceno com a cabeça em direção ao nosso apartamento. — Então seja muito feliz fodendo qualquer uma por aí. Por que eu quero um homem que queira só a mim, quero um homem que me ame e que queira se casar comigo, não quero alguém que só pensa no prazer e não percebe que existem coisas mais importantes do que sexo. Eu não quero falar com você nunca mais, e muito menos te ver. Esqueça que eu existo, vá viver a sua vida desregrada e me deixe em paz. Adeus. — Ela se vira e começa a caminhar para longe, Sirius está meio curvado, como se estivesse sentindo uma dor muito forte no peito.
— Não, pelo amor de Deus, não vá embora meu amor. Não me deixe. — Sirius vai até Marlene e tenta segura-la, mas ela se esquiva violentamente e olha para ele com fogo nos olhos.
— Já disse para não me tocar, não quero suas mãos em mim, Deus sabe onde elas estiveram e o que fizeram. Deixe-me em paz, Sirius. Acabou tudo entre nós e eu não quero mais saber de você. Eu vou sofrer no começo, mas sei que vou superar, eu vou te esquecer. Vai ser fácil, vai ser só lembrar do que eu vi hoje.
Sirius solta um grunhido que vem do fundo do peito, um grunhido de quem está com a alma quebrada. Ele cai de joelhos na frente de Marlene e a agarra suas pernas, ele chora igual a uma criancinha. Diante de tamanho desespero, sinto meus próprios olhos umedecerem.
— Não, Marlene. Por favor, não faça isso comigo. Não sei viver sem você, meu amor. Eu sou quem você sempre achou que eu era, eu sou o homem certo para você, eu quero me casar com você... Deus, eu quero viver o resto da minha vida com você, então não me deixe.
Marlene coloca as mãos no rosto e seu corpo começa a tremer violentamente.
— Eu te amo tanto, Sirius. Por que você fez isso comigo? — Sua fala é quase inteligível devido a quantidade de soluço e choro que ela produz.
— Eu também te amo, meu amor. Eu não fiz nada, nada, eu juro. Acredite em mim. — Sirius se agarra firmemente as pernas de Marlene e chora enquanto implora que ela não vá.
Olho ao redor do estacionamento, mas não vejo mais ninguém observando a cena. Sinto-me um invasor, não deveria estar aqui, isso é intimo demais, mas não sei o que fazer. Talvez Sirius precise de um ombro amigo, talvez eu possa ajudar de alguma forma.
— Não aguento mais isso, está doendo muito. Preciso sair daqui, me solte. — Marlene diz se desvencilhando do aperto de Sirius. Ele relutantemente e lentamente afrouxa os braços e Marlene dá um passo para trás.
— Não me procure mais. — Ela solta em meio aos soluços e sai dali andando apressadamente. Mesmo com ela se afastando posso ver seus ombros balançando violentamente.
— Não, Marlene, não me deixe. Marlene... Marlene... Meu amor... — Sirius grita para ela, mas ela não volta. Ele apóia as mãos no asfalto e chora.
Com meu coração doendo por causa do sofrimento do meu amigo, com cuidado me aproximo dele.
— Sirius, venha. Você tem que sair daqui, venha irmão. — Paro ao seu lado e lhe estendo a mão.
Ele controla o choro e gradualmente seus soluços param. Ele lentamente levanta o olhar em minha direção, e o que eu vejo ali me provoca arrepios. Ele me olha com puro ódio.
— Você. — A palavra reverbera em seu peito e sai como um rugido, um olhar assassino me encara. — É tudo culpa sua, tudo culpa sua e dessa sua festa desgraçada. — Ele diz se levantando e eu recuo um passo.
— Sirius, cara, calma. — Digo com medo.
— Calma? Olha só o que você fez! — Ele grita e sua voz ecoa no estacionamento vazio.
— Por sua culpa a mulher que eu amo me deixou. Você convidou essas pessoas para a nossa casa, você convidou aquela mulher nojenta e olha o que ela fez! Ela acabou com a minha vida, vocês dois acabaram com a minha vida. — Ele grita a plenos pulmões, seu rosto fica vermelho devido à raiva, uma veia salta de seu pescoço devido pressão.
— É tudo sua culpa, seu filho da puta. Por que você tem que ser esse idiota de merda que você é? Por que você tem que ser um prostituto do caralho? Por que você fez isso comigo, hein? — Ele se exalta mais se isso é possível e se aproxima mais de mim, com passos ameaçadores.
— É tudo sua culpa. — Ele repete e com um passo fecha a distância entre nós, suas mãos se fecham em minha camisa e ele me puxa com violência para perto, nossos rostos a centímetros um do outro.
— Se a Marlene não acreditar em mim, se ela não voltar para mim, eu juro que eu vou acabar com você. Se ela não voltar, eu juro, James, eu vou te matar seu desgraçado. — Ele diz com os dentes cerrados e os olhos vermelhos pelo choro e pela raiva.
E a única coisa que eu consigo pensar agora é:
"Você ferrou com tudo, James. Você ferrou com tudo, seu pedaço de merda."
Pego uma cerveja na geladeira e caminho até o sofá, ligo a TV e deixo no canal de esportes. Ao me sentar uma dor incomoda atinge minhas costelas, levanto minha camisa e observo os hematomas.
Há alguns dias deixaram de ser roxos e agora estão meio amarelados.
Pois é, Sirius cumpriu sua palavra. Obviamente ele não me matou, mas fez um belo de um estrago na minha cara e em algumas outras partes do meu corpo.
Uma semana depois do meu aniversário, Marlene ainda não queria ver Sirius nem pintado de ouro, então ele veio para cima de mim com toda a sua raiva e me deu uma bela de uma surra. Eu não revidei em nenhum momento, apenas fiquei deitado no chão deixando que ele me batesse.
Eu não poderia bater em Sirius, nem mesmo para me defender, quando eu sabia que ele tinha razão em estar furioso comigo. Ver a dor nos olhos dele durante toda aquela semana e saber que era culpa minha, doeu mais do que seus golpes.
Ele é meu melhor amigo, e eu o amo. E mesmo agora, um mês depois de Marlene terminar com ele, ele ainda anda por aí com aquele olhar triste nos olhos e aquela expressão desolada no rosto. Toda vez que eu olho para ele, tenho vontade de pedir que ele me bata de novo. Nunca imaginei que Sirius ficaria assim com o termino de seu namoro, ele deve amar Marlene de uma forma que eu nunca vou compreender.
Por sorte, ele não deixou de falar comigo. Claro que nossa amizade não está mais como antes, as coisas estão estranhas entre nós, mas pelo menos ele não olhou em meus olhos e disse que nunca mais queria falar comigo. Não sei se eu aguentaria isso, Sirius e eu somos amigos desde antes de ambos sabermos falar direito, ele não é só um amigo, é meu irmão.
Espero com todo meu coração que ele consiga fazer Marlene acreditar em sua inocência, porque do contrário, não tenho certeza que Sirius vá algum dia me perdoar.
Numa noite algumas semanas atrás, quando eu não estava conseguindo dormir por causa das dores dos meus hematomas, eu fui até a cozinha buscar um analgésico, chegando lá ouvi o barulho da TV vindo da sala. Quando espiei pela porta, vi Sirius sentado no sofá encarando a TV, mas sem realmente assistir o que estava passando, e com um engradado de cerveja como companhia. Seus olhos estavam vermelhos e inchados e ele parecia uma merda.
Aproximei-me meio hesitante e me sentei na poltrona longe do seu alcance, ele não olhou em minha direção. Ficamos sentados em silêncio por um tempo, logo ele começou a falar sobre aquele dia e eu apenas fiquei em silêncio, escutando-o.
Era a primeira vez que ele tomou a iniciativa de me contar o que aconteceu naquela noite.
Ele estava em seu quarto, a musica da minha festa chegando aos seus ouvidos mesmo com a porta fechada, impedindo-o de se concentrar em seus estudos para as prova finais.
Ele havia se esquecido de trancar a porta. Uma loira platinada com uma bunda enorme e um peito igualmente grande (eu já havia provado ambos um mês antes, eram deliciosos) chamada Candy entrou em seu quarto achando que era o banheiro, ou pelo menos foi isso que ela lhe disse. Sirius indicou a verdadeira direção do banheiro, mas Candy apenas sorriu para ele e fechou a porta atrás de si.
"O que você está fazendo aqui sozinho, gato?" Ela lhe perguntou.
Sirius disse que tentou dispensá-la sem ser rude, porque algo na postura dela fez um alarme soar em sua cabeça, ele sabia que ter ela em seu quarto não era algo bom, mas ela se mostrou muito interessada nele e não parecia que iria sair dali tão cedo.
Sirius ficou desconfortável e só queria que ela fosse embora, não queria ser rude com ela desnecessariamente, mas estava praticamente expulsando-a do seu quarto.
"Um gato como você não deveria estar sem companhia. Que tal se eu te distrair um pouco?" Nessa hora ele percebeu que claramente ela estava disposta a deitar na cama e abrir as pernas para ele, um cara totalmente desconhecido para ela. Ele se levantou e disse que tinha namorada.
"E daí? Ela não está aqui, não é? Será o nosso segredinho." Ela se aproximou dele e acariciou seu peito, ele se afastou.
"Que foi, gato? Vem aqui, você pode ter o que quiser de mim." Ela disse maliciosamente e segundo Sirius, ele ficou enojado na hora.
"Não. Por favor, acho melhor você ir embora e procurar alguém que queira te dar o que você quer." Sirius foi firme, e ela riu.
"É tão fofo você ser fiel, mas nenhum homem é sempre fiel. Todos possuem um limite, qual é o seu?"
Sirius ficou a encarando sem saber o que dizer, ela se aproximou mais e encostou seus peitos nele.
"Talvez esse seja o seu limite?"
Ela perguntou e surpreendendo Sirius, agarrou a barra da sua blusa e tirou a camisa. E não é que a vadiazinha estava sem sutiã?!
Ela ficou lá com aquelas peitões a mostra e Sirius estava chocado demais para dizer ou fazer algo. Ela o agarrou e jogou-o na cama, subindo em cima dele e atacando sua boca enquanto se esfregava nele.
Nesse exato momento Marlene abriu a porta e viu ele "beijando" Candy, e anda por cima ela estava nua da cintura para cima.
É claro que ela achou que Sirius sabia da festa e que estava a traindo com aquela loira que estava com ele na sua cama. E o fato de ela ter passado pela sala e pelo corredor e presenciado várias pessoas se pegando e praticamente fazendo sexo na sua frente, só colaborou para que ela pensasse que Sirius frequentemente estava a enganando e que nós sempre fazíamos festas orgásticas.
Marlene saiu correndo de lá e Sirius foi atrás, e as cenas seguintes foram as que eu acompanhei.
Durante todo esse mês que se passou, Sirius vem tentando convencer Marlene que ele não fez nada com Candy, e que foi ela que se jogou em cima dele. Mas como eles estavam no quarto dele, deitados na cama, às bocas coladas e ela estava praticamente nua, é claro que Marlene não acreditou nele.
— Filho da puta! — Sirius entra em nosso apartamento parecendo extremamente furioso e bate a porta com força.
Ele começa a andar de lá para cá passando as mãos pelos cabelos e murmurando xingamentos e ameaças. Por um momento tenho medo, mas então percebo que sua fúria não é dirigida para mim.
Ele parece tão transtornado e furioso que tenho medo de perguntar o que aconteceu. Mas uma coisa é certa, se ele está tão afetado assim, o que quer que tenha acontecido tem a ver com Marlene.
— Eu vou matar aquele filho da puta, eu juro que vou matá-lo. Se ele pensa que vai ficar com ela, está muito enganado. Ela é minha, se ele encostar nela eu vou acabar com ele...Quem ele pensa que é? Se fazendo de prestativo, carregando a mochila dela... — Ele resmunga para si mesmo, solta um grunhido de raiva e dá um soco com força na parede, quando ele soca a parede com toda sua força de novo eu me levanto.
— Ei cara, calma, você vai se machucar. O que aconteceu? — Pergunto com cautela. Ele se vira e me olha como se só agora tivesse percebido minha presença.
— Aquele filho de uma puta aconteceu. — Ele diz descontrolado.
— Que filho da puta? — Pergunto confuso.
— O filho da puta do Lucius Malfoy. — Ele diz o nome fazendo uma careta de nojo.
— Quem é esse?
— Esse é o moleque que está afim da minha Marlene. Ele sempre gostou dela, quando eu a conheci eles estavam tendo um lance, mas ela acabou ficando comigo, só que esse filho da puta do Lucius sempre gostou dela. Eles são colegas e ela sempre me disse que eles eram só amigos, mas eu sei muito bem que ele quer algo mais.
— E o que esse cara fez para te deixar nesse estado?
— Eu fui até o colégio da Marlene, queria tentar falar com ela de novo, fazê-la acreditar em mim. Fiquei dentro da minha caminhonete esperando ela sair, acontece que quando ela estava saindo para ir embora, ela não estava sozinha. O Lucius "Filho da puta" Malfoy a estava acompanhando, carregando a mochila dela e falando alguma coisa que fez ela rir. Ele a levou até o seu carro e ela entrou, você acredita nisso? — Ele me contava o que havia acontecido quase gritando, continuava andando de lá para cá, não conseguindo ficar quieto. Parecendo pronto para saltar no pescoço da pessoa mais próxima – infelizmente para mim, essa pessoa sou eu – e estrangulá-la com as próprias mãos.
— É claro que eu os segui, e sabe aonde o desgraçado levou ela? No cinema... Você acredita que esse idiota levou a minha Marlene no cinema? E ela foi com ele de bom grado, estava sorrindo para ele e os dois estavam andando juntinhos. E eles foram assistir a um filme romântico, a porra de um filme romântico.
Caralho, isso é foda. O que será que eu devo dizer para ele? Não faço a mínima ideia, nunca estive nessa situação antes. Nunca senti ciúmes em toda a minha vida, de ninguém. Nem mesmo da minha mãe quando ela e meu pai adotaram Holly e Remus, e ela deu toda a atenção para eles. Completamente desconheço esse sentimento, então não sei como ajudar meu amigo.
— E eu não falei a pior parte. Eu fui falar com a Dorcas, a melhor amiga da Marlene, para perguntar o que está rolando entre a Marlene e esse cara. Ela estava tão furiosa comigo quanto à própria Marlene, ela quase me bateu por achar que eu tinha traído a amiga dela. E jogou na minha cara que a Marlene vai ao baile de formatura com o Lucius. Ele a convidou semana passada e ela aceitou, Dorcas disse até que elas saíram procurar por vestidos e que Marlene estava animada...Eu é que ia levar ela ao baile. Ela tinha que estar animada procurando vestido para ficar bonita para mim, e não para ele. — Ele grita e dá mais um soco na parede.
— Calma, Sirius. Você precisa se acalmar ou vai acabar derrubando o apartamento. — Digo.
— Me acalmar? E como você acha que eu vou conseguir fazer isso? Me diga, como? — Ele se vira para mim e me olha com seus olhos injetados de raiva. Recuo um passo, não é uma boa ideia faze-lo redirecionar sua raiva para mim, ainda estou me recuperando da última vez que isso aconteceu.
— Cara, não fique com raiva de mim, eu só estou tentando te ajudar. — Digo erguendo ambas as mãos em sinal de paz.
— Humpf! Você já fez mais que o suficiente. — Suas palavras são frias como gelo. Sirius senta-se no sofá e esconde o rosto nas mãos, ao fazer isso observo que os nós de seus dedos estão bem machucados.
— Não acredito que a perdi. — Seu tom glacial parece ter ido embora, agora está mais para um tom de derrota.
— Você não a perdeu, Sirius. Marlene te ama, sei que vocês vão acertar tudo logo. — Digo tentando animá-lo.
— Mas ela não acredita em mim, ela acha que eu e a estava traindo. Deus, e eu não posso nem ficar magoado por ela não acreditar em mim. A cena que ela presenciou, aquela mulher com os seios nus se esfregando em mim... Droga, se a situação fosse ao contrário, eu também teria reagido como ela.
— Você vai conseguir provar que não fez nada. Ela tem que acreditar em você, meu Deus, se tem alguém incapaz de trair, esse alguém é você. É só olhar na sua cara para ver o quanto a Marlene significa para você, não tem como acreditar que você faria uma coisa dessas. Isso está mais parecido com algo que eu faria.
— Marlene acredita. Ela realmente acredita que eu a trai, ela não quis nem me deixar explicar, ela disse que uma imagem vale mais do que mil palavras.
— Talvez ela só precise de mais tempo. — Sugiro. Apesar que um mês já deveria ter sido tempo suficiente para ela esfriar a cabeça.
— Mais tempo? Mais tempo para que? Para ela ficar saindo com ele e se esquecer de mim? — Ele me olha desolado, sua voz agora não passa de um sussurro sem esperança.
— E o que você pretende fazer? Desistir dela e deixar aquele filho da puta ficar com a sua garota? Olha Sirius, você sabe muito bem que esse negocio de se apaixonar não é comigo, mas se eu fosse apaixonado por alguém e estivesse na mesma situação que você, o inferno que eu ia desistir tão facilmente assim e deixar outro ficar com o que é meu. Você tem que lutar, cara.
— Eu não sei o que fazer, James. Eu já tentei de tudo, mas ela não quer me ouvir. Parece que ela não pode nem me olhar, todas as vezes que eu fui tentar falar com ela, sua expressão se transformava em nojo. Você tem noção do que é isso, cara? A mulher que eu amo tem nojo de mim. — Suas últimas palavras quase não saem, lágrimas de tristeza escorrem pelo seu rosto.
Nesse momento, pela primeira vez, mesmo sabendo que Marlene não é a culpada nessa história e eu sou, fico com raiva dela. Raiva dela por fazer meu melhor amigo, meu irmão, sofrer dessa forma. Tenho raiva de mim também, é claro, mas também tenho raiva dela e até desse tal de Lucius.
Sirius solta um suspiro de fazer doer à alma e se levanta, caminhando com passos arrastados, segue em direção ao seu quarto.
— Sirius? — Chamo-o.
— Hum?
— Você vai desistir?
Ele se vira em minha direção e me olha parecendo sem vida.
— Não, eu não vou. Eu só preciso pensar o que eu tenho que fazer para tê-la de volta, e eu farei... Qualquer coisa. — Ele diz e volta a caminhar em direção ao quarto.
Sento-me no sofá e tomo um gole da minha cerveja esquecida. Odeio ver Sirius assim, tanto furioso como quando ele entrou aqui, como todo deprimido. Não sei de qual dos dois Sirius eu tenho mais medo.
Sei que é um pensamento egoísta, mas ainda bem que isso nunca aconteceu comigo... Me apaixonar quero dizer. Não sei se eu aguentaria passar por isso que ele está passando.
Não aguentaria se alguém destruísse meu coração. É por isso que eu o mantenho muito bem guardado, e nunca o darei para ninguém. Ninguém. Nunca.
Olá gente! Não entregará seu coração para ninguém. Nunca? Mal sabe James que ele entregará seu coração para o maior dos amores. Hoje vimos um pouquinho de Sirius e Marlene e logo logo tem mais deles :)
Lily e James transbordam luxuria pelos poros Deby e quanto a amizade colorida, bom já sabemos que não vai dar certo mesmo. Minha mão está ótima gente, obrigada pelos desejos de melhoras e também pelos elogios da fic :) Sim cath.z está na cara que o James está apaixonado, já que como você mesma disse ele não consegue ficar longe, só que para ele é difícil admitir isso já que o coitado não sabe o significado da palavra amor, mas não se preocupe ele vai aprender direitinho :D Concordo com você Nanda Soares em gênero, número e grau, o Amus é um babaca, mas a Lily já sabe disse, não é? Logo ele não terá mais espaço nos pensamentos dela, seus pensamento serão somente para um lindo moreno que nós conhecemos ^^) Ai GiveMeLoveCarol sempre me divirto com seus reviews, muito obrigada querida pelos elogios, fico muito feliz. Na verdade não pulei carnaval Carol, muito pelo contrário, nada contra de quem gosta, mas não sou chegada no carnaval e como era só o que se falava nesses dias fiz uma viagem para fora do país para visitar uns amigos e depois viajei a trabalho, cheguei na sexta, por isso a demora para atualizar, mas gostei dessa escola aí "Unidos da Netflix", por ela abro uma exceção, hehe. Respondendo suas perguntas o James gosta de uns tapinhas e de outras coisinhas que serão reveladas mais para frente (já aviso, é chocante o que ele fez). Quanto a Tess, ela é sim irmã gêmea da Lily e ela não aparece porque no momento é uma coisa só entre Lily e James, é o segredo sujinho deles e não tem lugar para Tess (por enquanto). Mas ela vai aparecer e para James ela sempre será a cunhada, nada mais, por que o lance entre ele e Lily é muito mais profundo, vai além da aparência. Espero ter respondido o que você queria saber. Muito obrigada gente pelas reviews e até o próximo capítulo. Beijos :*
