Lily
— Nós temos tão pouco tempo, logo vou ter que voltar para o escritório, não atenda. — James diz puxando meu corpo nu para junto do seu, me impedindo de chegar até meu celular que toca estridentemente.
Meus protestos são silenciados por seus lábios gentis. Suspiro de prazer e me perco em suas caricias, o celular e aquele que me liga logo são esquecidos.
Quando a pessoa do outro lado insistentemente liga mais uma vez, James solta um suspiro exasperado e me solta.
— Atenda e depois desligue esse aparelho maldito.
Pego o celular e atendo sem olhar o visor.
— Alô?
— Aleluia, sis. Porque você não atendeu quando liguei a primeira vez? — A voz de Tess chega aos meus ouvidos com interferência.
— Oi, Tess... — Me deito na cama segurando o aparelho com uma mão e o lençol, cobrindo meus seios, com outra. — É que eu estava... Humm... Ocupada.
— Olha, te liguei por causa de Marlene, ela está vindo para a cidade. Se você chegar até aqui nos próximos vinte minutos conseguiremos segui-la e...
— Sinto muito, mas eu não vou poder fazer isso hoje. — Sorrio e bato na mão de James quando ele tenta puxar meu lençol para deixar exposto meus seios. Ele não gosta que eu me cubra, diz que eu sou linda e que gosta de me observar, o que me deixa um pouco sem graça, é estranho ter ele olhando meu corpo o tempo todo. — Tess, já estamos nisso há uma semana e não descobrimos nada, a não ser a frequência com que Marlene vai ao supermercado e a farmácia. — Digo assim que minha irmã começa a protestar.
— Talvez você tenha razão, talvez não. Você não acha que ela percebeu que estamos a seguindo e vem nos despistando a semana inteira, acha?
— Será? É possível, mas acho que não. — Respondo.
— Tudo bem, de qualquer forma, vou segui-la sozinha hoje, se não acontecer nada que indique o porquê do comportamento estranho de Marlene, essa história de segui-la acaba aqui.
— Por mim tudo bem, apesar de me deixar triste que não tenhamos conseguindo descobrir nada para ajudar Sirius.
— Eu sei, eu também. — Ela responde com uma voz triste. — Espero que se acertem sozinhos.
— Qualquer novidade me avisa, ok?
— Tudo bem, até mais sis.
— Até. — Encerro a chamada e devolvo o celular para o seu lugar.
— Que conversa estranha foi essa? — James me puxa para seus braços e eu descanso minha cabeça em seu peito.
— Você vai rir, ou não. Mas Tess e eu temos seguido Marlene para tentar descobrir o que está acontecendo com ela.
— Sério isso?
— Muito sério. Eu te disse o quanto queria ajudar meu irmão, mas infelizmente não descobrimos nada seguindo Marlene. E pelo que eu sei, as coisas não estão muito melhores entre ela e Sirius. — Digo com pesar.
— Sinto muito por isso, linda. — Sorrio ao ouvi-lo me chamando de linda. Ah, como eu adoro quando ele me chama de linda, amor, princesa ou esses outros apelidos carinhosos. James tem se mostrado um namorado muito atencioso, carinhoso e romântico. Certa vez quando estávamos na cama, um nos braços do outro logo depois de fazermos amor, ele me confessou que estava muito inseguro e com medo de não saber me tratar como eu merecia, que devido a sua falta de experiência nesse quesito, não sabia como ser um bom namorado, mas estava mais que disposto a aprender se eu tivesse paciência com ele.
Difícil acreditar em suas palavras quando eu me sinto a mulher mais feliz e amada do mundo, para mim sua dedicação compensa sua falta de experiência em namoros, e ele tem se saído maravilhosamente bem em ser meu companheiro. Claro que James tem seus defeitos, e que às vezes provocam alguns atritos, mas todos somos assim.
— Espero que com o casamento da Emmeline e do Remus, eles se acalmem o suficiente para resolverem os problemas sem brigar mais.
— Nossa, não acredito que o meu irmãozinho vai se casar. Estou tão feliz por ele. — James diz com orgulho na voz.
— Ele e a Emmeline formam um casal tão bonito, não é? Também estou muito feliz que eles finalmente vão se casar.
— Quando é mesmo que vocês vão buscar o pessoal no aeroporto?
— Amanhã. Alice e Frank e a tia Alyssa devem chegar no começo da tarde. Titio vai chegar um dia antes do casamento, junto com um amigo de Emmeline, Thomas.
— Droga. — James diz ao ver que horas são. — Preciso voltar para o escritório.
Sinto falta do seu contato, do seu calor, no mesmo instante em que ele se levanta apressadamente da cama.
Observo com um sorriso travesso quando ele volta do banheiro, com o cabelo ainda molhado do banho, e se veste.
James tem um corpo maravilhoso, toda vez que ele começa a tirar as roupas na minha frente, meu coração bate mais rápido pelo desejo e pela necessidade de vê-lo em toda sua glória. Mas devo admitir, nunca achei que vê-lo se vestir fosse tão excitante quando vê-lo se despir. James é absolutamente sexy em tudo que faz, até mesmo quando está cobrindo aquele corpo feito para o pecado.
James
— Senhor, a Sra. Riddle Thompson está aqui e deseja vê-lo.
Era só o que me faltava agora. O que será que ela quer dessa vez? Pelo menos pior que aquele almoço maldito não pode ser, ainda não acredito que ela tenha me dito aquelas coisas.
— Tudo bem, pode deixá-la entrar. — Digo com muita má vontade.
Quando Eva entra, faço questão de mostrar meu aborrecimento por vê-la, deixando a expressão carrancuda.
Ela senta-se em uma das cadeiras a minha frente sem ser convidada, age como se fosse dona do lugar e isso me irrita pra caralho.
— O que você quer? — Digo sem rodeios e sem me preocupar se estou sendo grosseiro.
— Vim saber qual é a sua resposta, afinal você não me procurou ou me telefonou.
— Eu já te disse a minha resposta naquele almoço, onde você me fez aquela proposta infame.
— Sei disso, mas achei que talvez você quisesse reconsiderar, afinal é a sua carreira que está em jogo. — Ela diz com um sorriso satisfeito que embrulha meu estômago.
Não acredito que ela tenha vindo aqui para falar daquela proposta, não, chantagem é a palavra mais correta, depois de tudo o que eu disse naquela tarde.
— A minha resposta é a mesma.
— Você tem consciência que se sua resposta continua sendo não, eu vou persuadir Carlson a assinar o contrato com outra empresa, e não com a Townsend, não é?
— Você foi muito clara quando me chantageou na primeira vez, e como eu disse minha resposta continua sendo não. — Digo decidido.
— Você vai perder um dos maiores contratos, se não o maior, por causa desse seu orgulho bobo e daquela mulherzinha que...
— Não ouse falar nela, ok? — Digo com raiva quando ela coloca Lily no meio.
Como o meu relacionamento com Lily ainda é segredo, a única coisa que eu contei para Eva era que eu estava apaixonado e muito feliz com uma mulher só, claro que ela não aceitou a minha recusa a ceder a sua chantagem muito bem.
— Nossa, quanta disposição em defender a mulher misteriosa. Nunca achei que esse dia chegaria, você esta mesmo apaixonado, James? — Eva lança-me um olhar cético.
— Eu a amo com todas as minhas forças, é por isso que eu arriscaria tudo, inclusive um contrato milionário, por ela. — Digo com ferocidade.
— Você tem certeza disso? Aposto que seu chefe não vai gostar nada de você ter perdido o contrato para a concorrência.
— Nós não vamos perder. Você pode até tentar persuadir seu marido a assinar com outros, mas Carlson é um homem de negócios, ele sabe que nós somos a melhor escolha.
— Você não está mesmo levando a sério o meu poder de influenciá-lo, não é? Muitos contratos já foram fechados por minha causa, assim como muitos não foram. Eu sou a advogada dele, e caso meus argumentos como profissional não consigam o que eu quero, você pode imaginar que eu tenho outros meios para persuadi-lo. Você mesmo já experimentou alguns deles, e devo dizer que eu melhorei muito com os anos.
Sinto meu estômago se revirar com as lembranças que suas palavras me trouxeram. Quem me dera eu pudesse tirar tudo de sórdido que eu fiz no passado, com ela e com todas as outras.
— Acho que vou arriscar. Se for só isso que você veio fazer aqui, pode ir. — Levanto-me de minha cadeira e aponto para a porta, num convite nada amistoso para que ela suma de uma vez.
Eva se levanta, mas não se encaminha para a porta, ao invés disso dá a volta na mesa e se aproxima, meu corpo fica tenso na hora e dou um passo para o lado oposto.
— Ela realmente vale tudo isso? Duvido que ela concorde em fazer todas as coisas que eu fazia e que eu sei que você adora. — Ela diz num ronronar sedutor, sua mão alisando minha gravata verde escuro que combina com meus olhos.
— Ela vale mais do que você possa imaginar, não tem nada que eu não faria por ela, e principalmente, não tem nenhuma chance de eu fazer algo que vá magoá-la e machucá-la.
— O que os olhos não veem, o coração não sente. — Ela diz com aquele sorriso predatório, que um dia, há muito tempo atrás, me excitava. Mas não mais. Seguro sua mão que agora começava a deslizar de minha gravata para meu peito.
— Eu a amo. Aceite isso e vá ser feliz com seu marido, e me deixe em paz.
— Ah James, você já se esqueceu como é estar comigo. Garanto que uma vez que você se lembre, não vai mais ficar fazendo declarações para essa mulher que você acha que ama, e vai voltar para mim rastejando, desesperado pelo tipo de prazer que só uma mulher como eu pode te oferecer.
— Isso não tem a menor chance de acontecer. Agora, faço o favor de se... — Não tenho tempo para terminar minha frase, porque Eva se atira em meus braços tão subitamente que meu tempo de reação é mínimo, dando-lhe uma brecha para juntar sua boca com a minha.
Seguro seus braços e tento afastá-la, mas suas mãos se entrelaçam em meu pescoço e a mantêm firmemente colada a mim. Sendo assim, tento livrar meu pescoço de suas garras, mas até que consiga sua boca continua na minha, me provocando tanto nojo e repulsa que sinto que posso vomitar a qualquer instante.
Quando finalmente consigo me livrar dela, a empurro sem pensar nas consequências de uma possível queda, ela de fato se desequilibra mas se mantêm em pé e não cai.
Esfrego minha boca com força tentando me livrar de qualquer resquício de Eva, havia prometido a mim mesmo quando me descobri apaixonado por Lily, que meus lábios – assim como eu por inteiro – seriam apenas da minha linda Ruivinha. Sinto muita raiva de Eva por me fazer quebrar minha promessa.
— Saia daqui! Agora! — Grito tão alto que tenho certeza que todos no andar ouviram. Eva parece surpresa e por um momento, assustada com minha reação. É bom mesmo que ela sinta medo, que ela veja o quão sério estou falando.
Vendo que ela nem ao menos saiu do lugar, agarro-a pelo braço de uma forma rude e que deve estar machucando-a e a arrasto até a porta.
— Diga o que quiser ao seu marido, não me importo. Só não quero ter que ver sua cara novamente. — Esbravejo com fúria, quando abro a porta e a jogo para fora.
A surpresa inicial dá lugar a raiva, e Eva me fuzila com os olhos. Ainda mais por ter algumas pessoas no corredor e que acabaram de testemunhar sua expulsão, deixando-a humilhada e furiosa.
— Você vai se arrepender disso, James. — Ela diz com os dentes cerrados. — Esse contrato vai ser a primeira coisa que você vai perder. Depois será seu emprego, depois sua vadiazinha e por último sua dignidade, quando você vir me procurar rastejando e implorando para que eu o perdoe e aceite de volta. Você vai se arrepender amargamente por essa humilhação e por todas as outras que me fez passar no passado.
Se ela pretendia dizer algo mais, não sei, pois bati a porta com força em sua cara.
Fecho e abro os punhos repetidas vezes, sento-me novamente a mesa e tento com todas as minhas forças me acalmar, mas essa mulher conseguiu me fazer explodir.
Depois de alguns minutos, quando percebo que minha raiva não se abrandou, sei que só tem uma pessoa que pode me fazer esquecer de Eva e de minha raiva.
— Oi, meu amor. — A voz animada de Lily me recebe assim que ela atende a ligação. Um sorriso imediato se forma em meus lábios, e como se fosse milagre, sinto a raiva se apaziguando dentro de mim.
"Meu Deus, o que essa mulher faz comigo!"
— Oi, minha princesa. Pela sua recepção posso presumir que está sozinha?
— Estou, mas não por muito tempo, logo teremos que buscar o pessoal no aeroporto.
— Ah é verdade, não quero te atrapalhar, mas estava com saudades, precisando ouvir sua voz. — Digo recostando a cabeça na cadeira e fechando os olhos, imaginando ela segurando o celular e conversando comigo, com aquele sorriso lindo no rosto.
— Que bom que você ligou, também estava com saudades.
— Vamos nos ver hoje à noite? — Pergunto apesar de sempre nos vermos, por isso quando ela excita, pressinto que hoje a noite será diferente.
— Não sei, amor. Agora que a Alice vai vir para cá, a Emmeline vai querer sair, ter uma noite de meninas ou sei-la. E ainda tem a despedida de solteiro amanhã. Falando nisso, você sabe o que os meninos pretendem fazer?
— Nada está definido ainda, que eu saiba.
— Você vai? — Ela diz com a voz menos animada.
— Bem, é a despedida do meu irmão, então vou sim. — De repente, quando percebo o que está por trás de sua pergunta, sinto um sorriso ainda maior se espalhar por meu rosto. — Porque, está com ciúmes?
— Humm, isso depende de onde será essa tal despedida. — Eu rio.
— Não se preocupe, não sei exatamente os planos de Remus, mas duvido que seja algo que vá desagradar minha princesa ciumenta.
— Molly escutou uma conversa de Jason com Arthur, eles estavam falando sobre a despedida de Remus ser num clube de strippers. E a Emmeline também acha que vocês vão aprontar. — Ela diz com certo desconforto na voz.
— Acho muito difícil que Remus vá concordar com isso de strippers, amor. Você e Emmeline não precisam se preocupar.
— É, na verdade isso tem mais a cara do Jason mesmo.
— Mas e vocês, tenho que me preocupar com essa despedida de solteiro?
— Eu não faço a mínima ideia do que a Emmeline pretende, ela foi muito vaga. Apenas disse que ela mesma iria organizar a despedida, porque se dependesse de nós tudo seria muito sem graça.
— Bem, se tratando da Emmeline, eu espero qualquer coisa. O que me deixa tranquilo, é que se ela quiser fazer qualquer coisa mais maluca, o Remus vai botar um freio nela. Mas de qualquer forma, tenha juízo amanhã.
Ela ri e meu bom Deus, parece com a risada de um anjo, um som quase divino e que arrepia meu corpo. Será que algum dia isso vai mudar, vou me acostumar a ela e essas sensações?
— Você também, hein.
— Pode ficar tranquila, linda. Mas agora, vou desligar, tenho que trabalhar. Se você conseguir escapar de qualquer programa que a Emmeline tenha em mente para hoje à noite, apareça para me fazer uma surpresa.
— Infelizmente não tenho mais nenhuma lingerie nova com que te surpreender. Acho que vou ter que ir sem nada por baixo, então. — Ela diz com a voz baixa, e imagens de Lily nua invadem minha mente e eu gemo.
— Baby, não faça isso comigo. Como você espera que eu vá para a minha reunião com uma baita ereção?
— Se vire, bonitão. — Ela diz rindo. — Cuide disso você mesmo por agora, e eu prometo que na próxima vez que nos virmos, eu cuido para você.
Gemo de novo ao telefone. Como, como ela consegue ser essa mistura perfeita de uma mulher sensual e tímida? Isso me enlouquece!
— Você está me provocando, linda. Vou ter que cuidar de você mais tarde. — Digo maliciosamente.
— Estou contando com isso. — Ela diz e simplesmente desliga, e me deixa encarando o celular, me perguntando como é possível que a cada dia eu a ame mais.
Lily
— Lá estão eles. — Emmeline dá um grito animado e sai correndo em direção a sua melhor amiga, Alice, e seu marido, Frank.
Eu já havia visto Alice uma vez, mas seu marido é a primeira vez que vejo. Quanto mais me aproximo dele, mas percebo como ele é incrivelmente lindo. Moreno, olhos castanhos, e um corpo que pelo que dá para perceber, é forte e rijo.
Ele está usando uma calça jeans surrada, uma camisa social preta com as mangas dobradas, expondo algumas tatuagens, e um coturno. Sua postura é intimidante, diz claramente "não mexa comigo" e admito, é muito sexy esse estilo bad boy. Antes de Alice se afastar dele para abraçar Emmeline, seu braço estava protetoralmente ao redor da esposa.
Não a muito que dizer da melhor amiga da minha prima, ela é linda. Cabelos castanho escuro e traços lindos e suaves, como eu me lembrava. Alice e Frank formam um casal lindo, e somente pelo jeito que se portam perto do outro, posso dizer que são completamente apaixonados.
Tess se aproxima comigo do casal recém chegado, assim que Emmeline solta Alice, eu e Tess a cumprimentamos, e em seguida Frank nos é apresentado. Contrastando com sua aparência intimidadora, ele nos dá um sorriso lindo e charmoso.
É, Alice é uma garota de sorte.
Tia Alyssa diz algo sobre Emmeline ter corrido abraçar Alice primeiro e não ela, Emmeline diz algo para sua mãe, parecendo provocá-la e então a abraça. Depois é a vez de Tess e então finalmente a minha.
Colocamos as malas no porta malas do carro e seguimos para a fazenda. Alice e Frank ficarão na casa dos Potter, enquanto os pais de Emmeline ficarão lá em casa.
Quase uma hora depois, quando chegamos à fazenda, mal estacionamos o carro e mamãe sai correndo de casa e segura sua irmã em um abraço apertado.
Muita conversa, abraços e apresentações seguem. Mamãe havia preparado um verdadeiro café, com tudo que se tem direito, para nossos convidados.
No final da tarde Tess e eu nos despedimos de todos e pegamos o carro, guiando de volta para Dallas.
Ela parece muito diferente agora que estamos sozinhas e confinadas no ambiente pequeno do carro, ela está quieta demais e com um olhar preocupado.
— Algo errado, sis? — Pergunto depois de mais de meia hora de silêncio.
— Eu ainda não sei, talvez.
— Como assim? Você e o Nathan brigaram, é isso?
— Não, Nathan e eu estamos ótimos. O problema é a Marlene.
— O que aconteceu, você finalmente descobriu algo? Fale logo. — Digo me empertigando no banco, minha voz soando urgente demais até para mim.
— Eu não sei se é relevante, se tem algo a ver com o problema entre ela e Sirius, provavelmente não. Mas quando eu a estava seguindo ontem, bem, ela foi para o posto de saúde, e ficou um bom tempo lá dentro.
— Ela pode ter tido uma consulta médica rotineira, nada demais. — Comento.
— Poderia ser, se ela não tivesse saído de lá aos prantos. Não a segui até lá dentro, estacionei o carro perto o suficiente para ver quando ela saísse, mas para que ela não me enxergasse. Quando ela saiu do posto de saúde estava visivelmente abalada, chorando muito apesar de tentar disfarçar, e tremia também. Derrubou as chaves e mal conseguiu abrir o carro de tanto que tremia. Ela ficou uns bons vinte minutos dentro do carro chorando. Fique tão preocupada, Lily, queria ir até lá e falar com ela, perguntar o que estava acontecendo. Mas acabei não indo, então de repente ela se recompôs e seguiu o caminho de volta para Wills Point.
— Você acha que... — Engulo as palavras amargas, mas elas voltam e me obrigam a proferi-las. — Você acha que tem algo de errado com Marlene? Que talvez ela esteja doente?
— Não faço ideia, mas algo aconteceu, com certeza. Mas sabe que faz sentindo, se ela está com algum problema grave de saúde, seria motivo suficiente para ela agir estranhamente. E as suas idas misteriosas até Dallas, talvez ela esteja indo em consultas médicas.
— Mas, porque não contar para Sirius, para todos nós? Assim poderíamos apoia-la no que quer que seja. — Tess balança a cabeça tristemente e minha pergunta paira no ar, sem resposta.
Por favor, Deus, que não tenha nada de errado com Marlene. Por favor.
— O que você acha que devemos fazer com essa informação? Confessar para Marlene o que você viu e exigir uma explicação?
— Talvez? — Ela me lança um olhar questionador e percebo que ela não faz a mínima ideia do que devemos fazer agora.
— Acho que sim, devemos falar com ela. Nos metermos no casamento dos outros não é nada agradável e educado, mas talvez se conversarmos com ela e blefarmos, se dizermos que sabemos que tem algo de errado com sua saúde e que queremos ajudá-la, então talvez ela conte tudo de uma vez.
— Mas que merda, ela tinha que contar tudo para Sirius, não para nós. Não quero ficar numa posição difícil com Marlene, muito menos com Sirius.
— Mas é o que temos que fazer, se ela não procura ajuda da família, então teremos que ajudá-la na marra. Seja o que for, ela não pode enfrentar isso sozinha.
— Concordo. E além do mais, pode ser que não seja nada disso, não é? Ela pode estar saudável como um cavalo e nós é que estamos vendo coisas. — Franzo a testa com sua comparação, e torço para que ela tenha razão, mas algo no meu coração diz que não é nada disso, que Marlene está com algum problema de saúde e alguma noticia perturbadora a fez chorar escondida em seu carro ontem.
— Temos que falar com ela, logo depois do casamento de Remus e Emmeline. — Digo com uma voz sombria, e com o coração pesado de preocupação.
— Isso seria divertido.
— Com certeza. — Emmeline concorda com Alice enquanto descemos as escadas rindo. Dorea e Charlus organizaram um grande almoço para juntar as duas famílias antes do casamento, mais para um momento de descontração, e alguns amigos foram convidados também. Como Molly e o namorado Arthur, Jason – primo de Arthur – além de é claro, Alice, Frank e Nathan.
Tess, Molly, Emmeline, Alice e eu fomos para cima depois do almoça para fofocarmos e tentarmos arrancar de Emmeline, o que ela pretende para sua despedida de solteiro, hoje à noite. É claro que são as damas de honra que deveriam cuidar disso e fazer uma surpresa para a noiva, mas como com Emmeline nada é convencional, ela é quem nos surpreenderá.
Quando estamos chegamos ao pé da escada, escutamos a voz de um Jason muito indignado vindo da sala ao lado.
— Não acredito que vocês vão cortar meu barato. Qual é, isso é uma despedida de solteiro ou o que?
— Hey, o que está acontecendo? O que vocês fizeram para deixar esse menininho emburrado? — Emmeline curiosa entra na sala e pergunta, bagunçando o cabelo de Jason como se ele fosse uma criança. O que às vezes eu acho que ele é.
Remus, sentado no sofá ao lado de James, estende a mão e quando Emmeline a segura, ele a puxa para sentar em seu colo.
Arthur puxa Molly para seus braços e Alice se aproxima de Frank, que também está na sala, e abraça sua cintura. Tess vai se sentar ao lado de Nathan, no outro sofá, e ele funga em seu pescoço, a fazendo rir e se encolher.
Não consigo me segurar e meu olhar se volta para James, ele me encara disfarçadamente e eu lhe dou um sorriso rápido e tímido. Olhando em seus lindos olhos, posso até adivinhar o que ele está pensando agora, com todos esses casais e suas demonstrações de afeto. Ele queria me puxar para si e me abraçar, ele queria poder demonstrar nosso amor na frente de todos, como nossos amigos. Ao invés disso, temos que ficar separados, fingindo estarmos indiferentes com a presença um do outro.
"Em breve, em breve contaremos a todos."
O casamento de Emmeline é amanhã, depois disso falaremos com Marlene e tentaremos fazê-la confessar qual é o problema, para tentarmos ajudá-la e ao meu irmão. E logo, logo mesmo, quando nossas famílias estiverem menos alvoroçadas com essa história de casamento e brigas conjugais, vamos contar para todos. Não vamos mais esconder nosso amor, e ele vai poder me abraçar em público sempre que quiser.
— Não é nada meu amor, é só o Jason... Bem, sendo Jason. — Remus diz para Emmeline.
— Aposto que se eu conversasse com a Emmeline, ela seria muito mais compreensiva do que vocês, idiotas. — Jason diz e vejo a curiosidade nos olhos da minha prima.
— Então fale de uma vez. — Ela diz encarando Jason.
— Cara, não. Deixa para lá. — Remus diz em um tom menos amistoso.
— É, Jason. Esquece, se você quer ir, vá sozinho. — Arthur diz.
— Ah meu Deus, fale logo. — Emmeline reclama.
— O negocio é o seguindo, gata. — Jason começa a dizer com aquele jeito tão característico dele. — Eu quero dar ao seu noivo, uma verdadeira despedida de solteiro, uma que ele nunca irá esquecer, acontece que esses perdedores estão barrando minha ideia. — Ele aponta para os "perdedores" na sala.
— E como seria uma verdadeira despedida de solteiro? — Emmeline pergunta com um sorriso divertido.
— Num bar de stripper, é óbvio. — Jason responde como se Emmeline fosse idiota.
— Mas nós já falamos para ele que não vai rolar, ele só não entendeu isso ainda. — Remus se apressa em explicar.
— Porque não vai rolar? — Emmeline pergunta e Remus a olha confuso, como se fosse óbvio e ela não precisasse perguntar.
— Ann, porque é um bar de strippers. — Ele diz a palavra lentamente, como se testando se Emmeline realmente sabe o significado. — Onde mulheres ficam nuas, algumas até se esfregando em você e, hum, outras coisas acontecem.
— Desde que seja só para olhar, não vejo problemas. — Emmeline diz naturalmente, e a reação que vem a seguir é de puro espanto, todos olham para ela parecendo por um momento em choque. Remus a olha como se ela tivesse acabado de lhe dar um tapa.
— Você está dizendo que por você tudo bem irmos a um lugar para ver mulheres peladas? — Ele parece não acreditar na compreensão da noiva, na verdade nem eu.
— Desde que seja só para ver.
Remus fica sem saber o que dizer, os meninos se olham com confusão e Jason começa a rir.
— É por isso, cara... — Ele aponta o dedo para Emmeline. — Que eu amo a sua noiva. É isso aí, essa noite será épica. — Ele diz dando um soco no ar com demasiada empolgação.
— Você está falando sério, Emmeline? — James pergunta, ainda surpreso pelo inesperado rumo daquela conversa.
— É claro, cunhadinho. Mas, bem, tem uma pequena condição.
— O que? — Remus pergunta curioso.
— Ah não é nada demais, só que se vocês meninos vão se divertir, nós meninas também merecemos ter uma, como Jason disse, verdadeira despedida de solteiros. Vocês vão ver algumas strippers e eu e as meninas alguns gogo boys.
— É claro que não! — James praticamente grita e todos olhamos para ele surpresos com a veemência e ferocidade que ele diz essas palavras.
— Nossa irmão, você não acha que tinha que deixar essa reação para alguns de nós que de fato precisamos nos preocupar? Não é a sua namorada que está propondo ir ver caras pelados.
James me encara e eu o olho assustada. Ele está começando a ficar vermelho e me lança aquele olhar determinado, me dizendo sem precisar de palavras "sem chance". Ele está dando bandeira, agindo como um namorado ciumento na frente dos outros.
"Droga, James. Pare de me encarar, agora."
— Faço das palavras de James as minhas. É claro que não. — Frank que até então estava quieto, diz parecendo de mau humor.
— De jeito nenhum. — Arthur diz puxando Molly para mais perto.
— Nem pense nisso, Tess. — Nathan diz para minha irmã.
— Bem, então nada de strippers para vocês também. — Emmeline diz e a cara de Jason vai até o chão.
— Mas... Mas... Qual é, é uma condição muito razoável, caras.
— De jeito nenhum, elas não vão ir ver alguns filhos da puta marombados tirando a rouba. — Frank diz sério, quase bravo.
— De acordo. — Nathan e Arthur dizem, e vejo James balançando a cabeça em concordância. Mas o que ele está fazendo? Vão perceber alguma coisa.
Tento mandar algum sinal discreto para que ele para de agir assim, mas ele está concentrado demais na negociação da despedida de solteiro para me notar.
— Não acredito que você teve essa ideia, Emmeline. Achou mesmo que isso ia funcionar? Não gostei nada disso. — Remus diz sério, num tom de clara repreensão.
— É justo. Se vocês vão fazer, nós também podemos.
— Não, ninguém aqui vai fazer nada... Eu disse nada, Jason. — Remus diz duramente para Jason que começou toda essa conversa que culminou em vários namorados enciumados.
Jason não me parece nem um pouco feliz quando percebe que essa ele já perdeu, não adianta discutir.
— Ótimo, vamos fazer algo sem graça então. — Ele diz emburrado.
Deus, ele é mesmo uma criançona.
— Ann... Emmeline?
— Sim?
— Você tem certeza que é aqui? — Pergunto olhando o lugar com desconfiança enquanto descemos do carro.
— Certeza absoluta. — Ela responde com um sorriso largo. Oh não, eu conheço esse sorriso. As meninas logo percebem também e todas encaramos Emmeline.
— O que foi? — Ela pergunta inocentemente.
— Emmeline, isso é um bar de strippers. — Alice diz o óbvio apontado para o bar que fica do outro lado do estacionamento.
— Eu sei exatamente o que é, Alice. Mas obrigada pelo comentário observador.
— Mas eu achei que fossemos a um bar, sabe... Normal. — Molly diz.
— Ah meninas, vamos nos divertir. Essa é a minha despedida de solteira, afinal.
— Emmeline, se os meninos descobrirem sobre isso... Todos nós tínhamos combinado que hoje a noite não envolveria pessoas nuas, nem para eles nem para nós.
— E vocês acham mesmo que eles vão ir a um bar e apenas beber e conversar? Qual é, vocês conhecem os homens melhor do que isso. Eles estão com Jason e James, os dois maiores pegadores que eu conheço, essa noite vai ser cercada por peitos e bundas. — Desvio o olhar ao escutar pegador e James na mesma frase.
"Não se esqueça que ele mudou, Lily, e ela não sabe disso, ninguém sabe, mas ele mudou."
— Você está dizendo que eles vão ver strippers mesmo depois do que combinamos? — Alice pergunta.
— Como você pode ter certeza?
— Já disse, eles estão com Jason e James. Merecemos nos divertir também, essa noite será nosso segredinho, lembrem-se, o que acontece na despedida de solteiro, permanece da despedida de solteiro. — Emmeline dá um sorriso triunfante e marcha em direção a entrada do bar, cheia de mulheres.
Ela vai andando rebolando com seu vestido marrom escuro curtíssimo, que combina perfeitamente com sua pele clara e seus cabelos loiros.
Alice, com seu vestido prata com lantejoulas, Tess com um verde na cor dos seus olhos, Molly com um bordô lindo de morrer e eu com meu vestido azul soltinho, porém curto, muito curto. Tenho que dizer, estamos sexys pra caramba, quem nos vê acha que sabíamos o tempo todo para onde estávamos vindo, e nos arrumamos assim de propósito. Mas a verdade é que Emmeline nos pegou de surpresa, espero que isso conte em nossa defesa se essa nossa vinda até aqui nos causar problemas mais tarde.
Vamos para a fila de mulheres formada ao lado de uma parede com vários cartazes com caras musculosos e os dizeres "Noite das Mulheres".
Quando finalmente entramos, me sinto desnorteada pela musica alta e a iluminação precária, tenho que caminhar olhando para o chão para não tropeçar em algo e cair, ainda mais com esses saltos enormes.
O lugar está lotado e achar uma mesa vai ser um verdadeiro milagre, procurando por um lugar para nós sentarmos vejo que há mulheres de várias idades, dos 18 aos 50 e todas estão bebendo e falando alto tentando serem ouvidas por suas amigas por cima da música.
Localizo uma mesa em um canto, é pequena demais para nós cinco, mas vai ter que servir. Chamo a atenção das meninas e vamos até a mesa antes que outro grupo de amigas a alcance antes de nós.
Assim que nos sentamos um homem usando uma calça social preta e nenhuma camisa vem até nossa mesa com um sorriso atraente no rosto.
— Vão querer beber o que, senhoritas? — Seus olhos flertando com todas nós, algo que ele deve ter sido instruído a fazer com todas as clientes.
— Champanhe, estamos comemorando. — Emmeline diz batendo palmas animadas.
— Excelente, posso perguntar o que belas mulheres como vocês estão comemorando hoje?
— Estamos comemorando que há essa hora amanhã, eu serei a senhora Lupin. — Ela grita e levanta os braços, animada.
Tudo bem, se ela já está assim agora, ninguém dê champanhe para ela, por favor.
— Uma despedida de solteiro? Então vocês não podem ficar sentadas aqui atrás, venham comigo que eu as levarei ao melhor lugar da casa.
Nós nos entreolhamos e um pouco hesitantes seguimos o garçom, ele nos conduz até um espaço vazio bem em frente ao palco onde não há uma mesa, somente um sofá em formato de "U" de couro vermelho sangue com alguns apoios para copos.
— Por favor, fiquem à vontade que em um minuto eu lhes trago o champanhe.
— Muito obrigada. — Emmeline agradece.
Emmeline se senta bem ao meio do sofá, com eu e Alice a sua esquerda e Tess e Molly a sua direita.
— Meu Deus, se esse é o nível dos garçons, só posso imaginar como serão os caras que farão as apresentações. — Tess diz seguindo nosso garçom com olhos gulosos.
Yeap, aparentemente uma rápida visão de um cara gostoso é suficiente para ela esquecer os protestos contra nossa noite de luxúria.
O garçom volta rapidamente e entrega uma taça de champanhe para cada uma.
— Vocês desejam mais alguma coisa? — Ele pergunta solicito.
— Não, por enquanto é só isso, obrigada.
— Se precisarem de alguma coisa, me chamo Tony, é só me chamarem que eu venho imediatamente atender as suas necessidades... Qualquer uma que seja. — Ele diz sugestivamente passando seu olhar por todas nós, mas se demorando em Alice. Ela sorri sem graça e coloca uma mecha atrás da orelha, ele pisca para ela e vai embora.
— Está com tudo em Alice. — Emmeline diz provocadoramente.
— Eu sou uma mulher casada.
— Isso não te faz menos atraente para os outros homens. — Emmeline diz.
— Mas faz os outros homens menos atraentes para mim. — Alice rebate.
Passamos a próxima meia hora conversando e bebendo, além de nos divertirmos com os flertes de Tony e o desconforto de Alice sob os olhares inconvenientes do garçom sarado.
— Então Tony, quando que o show começa? — Tess pergunta quando Tony vem nos trazer mais uma rodada de champanhe, percebo que ela já está meio alta.
— Daqui alguns minutos. Tenham paciência meninas, tenho certeza que vocês vão se surpreender com nosso show de hoje. — Ele sorri e tenho a impressão que ele está falando sobre algo além, como se soubesse de algum segredo.
Deus do céu, ao mesmo tempo em que é excitante estar aqui – admito – me sinto nervosa por causa de James.
Emmeline disse que os meninos estão aprontando, mas e se eles não estiverem? Ou se eles estiverem mesmo vendo strippers, mas James decidiu não fazer parte por respeito a mim?
Droga, estou me sentindo uma traíra, devia arrumar uma desculpa e ir embora. Será que elas acreditariam em uma dor de barriga?
Do nada o bar inteiro fica no escuro e a música para. Uma única luz surge no centro no palco, bem a nossa frente, forte e quase nos deixando cegas.
"Oh merda! Vai começar."
As mulheres ficam todas em silêncio encarando o palco com expectativa, a luz do palco diminui e fica mais fraca, o silêncio é rompido pelo barulho do aparelho que solta muita fumaça e as mulheres aplaudem e assoviam.
Uma música começa a tocar no mesmo instante que uma silhueta aparece no centro do palco, o homem está com uma roupa de policial, óculos escuros e um quepe, sua cabeça está baixa.
A mulherada grita, assovia e bate palma. Emmeline seguindo o exemplo, praticamente pula do sofá, gritando e aplaudindo. Alice e eu nos olhamos e ela me dá um sorriso, Tess não faz movimentos bruscos, mas não tira os olhos do homem no palco, Molly coitada, parece desconfortável e não consegue olhar para o homem por mais de cinco segundos seguidos sem desviar o olhar.
A música é sexy e tem um ritmo contagiante, a letra é explicita e fala sobre ficar nu e ter uma noite suja.
O policial dança provocativamente no ritmo da música, a cada movimento sugestivo as mulheres conseguem se superar e gritar mais alto.
Ele leva as mãos aos botões da camisa enquanto mexe seus quadris e as mulheres ficam loucas, algumas se levantam e vão ficar mais perto do palco. Vejo algumas jogando notas de dinheiro para o homem.
De um jeito muito sexy, ele vai desabotoando a camisa lentamente, seu sorriso largo e safado indicando que ele está se divertindo em ver todas essas mulheres loucas de tesão por ele.
Faltando metade dos botões ele puxa a camisa num movimento rápido e expões seu torço sarado e depilado.
As mulheres deliram e até mesmo minhas amigas não se controlam, Molly que é a mais tímida do grupo, não consegue esconder o sorriso de apreciação e devora o stripper com os olhos.
Tenho que admitir que até mesmo eu estou ficando um pouco excitada com os movimentos sugestivos, sinto um incomodo crescente no meio de minhas pernas. Esse homem certamente sabe como mexer o corpo, e que corpo ele tem. Não é nada exagerado ou artificial, é natural e bem defino como o de um bom trabalhador braçal.
Ele tira a camisa e me surpreende ao jogá-la em nossa direção, a camisa cai na cara de Emmeline e ela rapidamente a tira e fica segurando.
Ele aponta para uma mulher sentada em uma mesa e a chama com o dedo, ela vem rapidamente até a beira do palco, sua cabeça ficando na altura da braguilha da calça do policial. Ele se mexe sensualmente e ela passa a mão pelo seu corpo e depois prende uma nota no cós da calça.
Quando consigo tirar meus olhos do peito musculoso e me concentrar na cara do homem por mais de um minuto eu sinto que já o vi antes. Mesmo com os óculos e o quepe ocupando boa parte do seu rosto, a fumaça e a iluminação baixa, sinto que já o vi antes.
Tento forçar meu cérebro a se lembrar, a reconhecê-lo. Tenho certeza que eu não conheço nenhum stripper, mas a sensação ainda está lá, me alfinetando.
A música e a dança erótica continuam, o homem coloca a mão no botão de sua calça como se fosse abri-la, mas não o faz. Ele pula do palco para o chão e continua sua dança mais perto das mulheres excitadas.
Ele para de dançar e tira o quepe, jogando-o para uma mulher que o agarra e grita enlouquecida.
Lentamente ele caminha em nossa direção, eu o olho melhor e antes mesmo dele retirar os óculos eu já o reconheci.
Meu queixo simplesmente cai até o chão. Não, não pode ser, impossível. Devo estar imaginando.
— Emmeline? — Chamo-a hesitante, por favor que mais alguém esteja vendo isso e eu não esteja maluca. Viro-me para minha prima, ela e as meninas estão igualmente surpresas, queixos caídos e olhos arregalados.
Remus com certeza se divertindo com nossa reação, ri.
"O policial stripper sexy é na verdade Remus? Mas que merda é essa?"
Olho para Alice e ela parece tão surpresa quanto o resto de nós. Remus se aproxima e para na frente de Emmeline, ela o olha como se ele fosse de outro planeta. Pelo sorriso de satisfação na cara dele essa era a reação exata que ele esperava.
— Ouvi dizer que a senhorita veio até aqui procurando por diversão porque irá se casar amanhã. — Sua voz é abafada pela música, mas ainda assim audível.
Emmeline não consegue tirar a expressão de perplexidade da cara e quando ela não diz nada, Remus coloca as mãos na cintura e lhe olha intensamente.
— Eu preciso saber se isso é verdade senhorita, pois eu tenho ordens para fazer um show exclusivo para a noiva. Se não for você terei que fazer o show para outra. — Ele diz provocativamente erguendo uma sobrancelha e algumas mulheres mais perto de nós gritam "aqui", "me escolhe", "faz um show só para mim delícia".
— Sim, sou eu. Vou me casar amanhã. — Emmeline balança a cabeça várias vezes e continua olhando para Remus como se ele fosse alguém famoso e ela não acreditasse que ele está ali falando com ela.
— Perfeito. Só espero que seu noivo não se importe. — Ele dá um meio sorriso sexy.
— Ele não vai, eu garanto. — Emmeline diz entrando no jogo de Remus, seja lá qual for.
Remus se aproxima mais e colocando uma perna em cada lado se senta de frente no colo de Emmeline. As mulheres gritam, eu vou mais para o canto do sofá, chegando mais perto de Alice. Emmeline visivelmente respira com dificuldade, parece hipnotizada pelos olhos de Remus.
A essa altura a música já mudou e agora está tocando "Mo Cash", Remus recomeça seus movimentos sensuais com o quadril e se esfrega sem vergonha alguma em Emmeline. Eu coloco a mão na boca em surpresa com seus movimentos explícitos, eles estão praticamente transando em público.
Do outro lado, vejo Molly e Tess também se afastando e parecendo desconcertadas.
Emmeline parece que está pronta para entrar em combustão a qualquer momento, seu peito sobe e desce com dificuldade enquanto ela olha fixamente nos olhos de Remus, quase posso ver as faíscas.
É errado eu me sentir excitada com os movimentos do noivo da minha prima? Pior, irmão do meu namorado? Porque Deus, está muito calor aqui e eu não consigo desviar o olhar.
Remus pega um punhado de cabelo da parte detrás da cabeça de Emmeline e puxa, forçando a cabeça dela para trás. Mesmo com a música alta, posso jurar que a ouvi gemendo, ele lambe seu pescoço e depois ataca sua boca. As mulheres assoviam e gritam incentivos, vejo a língua de Remus invadindo a boca de Emmeline, eles se beijam tão intensamente e de um modo puramente carnal e sinto que sou alguma voyeur ou algo do tipo. Tomo um longo gole da minha bebida e pelo canto do olho vejo Alice se remexendo no lugar.
Emmeline empurra Remus violentamente e respira com dificuldade, Deus até eu estou com a respiração difícil quem dirá ela. Remus sai do seu colo e ela se levanta, suas pernas fraquejam e Remus a apóia, sem dizer nada ou sequer olhar para nós ou qualquer outra pessoa, Emmeline o puxa pelo braço em direção à saída. Eu e todas as meninas nos olhamos confusas, não sabemos se devemos ir embora também ou não.
— Devemos... — Pergunto.
— Não, não acho que seja uma boa ideia sair agora. Corremos o risco de ver algo que não gostaríamos. — Alice diz.
— Eles devem estar indo direto para casa, ou talvez não aguentem tanto tempo e vão para um motel. — Tess diz com um sorriso malicioso.
— Eu aposto que eles só vão aguentar esperar até chegar ao carro. Lembrem-me de nunca mais pegar carona com esses dois. — Alice diz fazendo uma careta.
— Wow, que show certo meninas? — Outro cara seminu aparece no palco e diz no microfone.
— Vocês querem mais? — Todas gritam em resposta.
— Foi o que eu pensei. Imagino que vocês estejam pegando fogo, eu tenho o cara certo para cuidar de vocês, garotas. Conheçam Eric. — Ele diz e a luz se apaga de novo, apenas para logo em seguida acender e revelar um cara vestido de bombeiro parado no palco, a música agitada começa e o homem começa a dançar. Olho bem para ele para ver se não é mais algum conhecido e com alivio percebo que não o conheço.
— Devemos ir embora? — Molly pergunta parecendo ansiosa para sair daqui.
— Acho melhor. Já que a Emmeline se foi não tem o porquê ficarmos. — Alice responde.
— É, isso não é bem verdade, não é, Alice? — Tess diz apontando para o "bombeiro" com os músculos a mostra. — Para mim tem um motivo muito convincente, mas tudo bem, vamos embora.
— Se o Remus fez essa surpresa para a Emmeline é porque ele sabia que ela pretendia vir para cá, e se ele sabia os meninos também sabem. — Alice diz o óbvio, mas que ninguém havia notado além dela.
"Merda, é verdade. James vai me matar."
— Ótimo, agora vou ter um grande problema com Frank.
— E o Arthur... Ele parece quieto e tímido, mas tem ciúmes até da própria sombra. Estou tão ferrada. — Molly diz esfregando o braço e com uma cara de medo. Tenho certeza que todas nós estamos com medo das consequências dessa noite.
Levantamo-nos, pegamos nossa guia e entramos na fila para pagar.
— Meninas, não tem motivo para todas ficarem na fila. Se quiserem eu pago e vocês podem esperar no carro. — Alice diz.
— Tudo bem, nos vemos lá fora. — Eu digo para ela e eu, Tess e Molly seguimos para fora do bar.
Saímos do bar e somos recebidas pelo ar fresco da noite.
— Que loucura, não acredito no que acabou de acontecer. Remus fez mesmo aquilo? — Tess diz.
— Eu sei, sis. Estamos todas tão chocadas quanto você.
— Estou ferrada, ferrada. — Molly diz colocando a mão na testa. — Sorte sua Lily, que não vai ter ninguém para brigar com você por ter vindo nesse bar maldito.
"Rá, você que pensa, amiga".
Tess, a única que sabe sobre James e eu, me lança um olhar cúmplice.
Seguimos distraidamente em direção ao carro, e nós três paramos de andar ao mesmo tempo quando percebemos quatro corpos grandes encostados em uma caminhonete estacionada ao lado do nosso carro.
Frank, Arthur e Nathan estão nos olhando com uma expressão séria e com os braços cruzados na frente do peito. James está ao lado deles tentando parecer indiferente a situação, mas posso ver fúria em seus penetrantes olhos castanho esverdeados.
Ele me olha de um jeito que me faz ter vontade de correr. Seus olhos viajam pelo meu corpo, e vejo a expressão de desaprovação quando ele vê meu vestido.
Eu e as meninas nos olhamos e a expressão em nossos olhos dizem tudo. Sabemos que estamos encrencadas.
— Podemos explicar. — Molly se adianta em explicar.
— Tenho certeza que podem. — Arthur diz numa voz fria.
Tento não manter meus olhos em James porque seu olhar é intenso demais, ele não tira os olhos de mim e não de um modo bom, ele não parece nem um pouco feliz e se alguém perceber o jeito que ele me olha, vão sacar tudo na hora. Ainda bem que todos estão distraídos demais para observar James e perceber como ele parece aborrecido.
— Saindo tão cedo, não quer curtir o resto do show, Molly? — Arthur pergunta acidamente enquanto olha para ela de uma forma que a faz se encolher. Ela não estava brincando, Arthur é mesmo muito ciumento.
— Meninos... — Eu chamo com uma voz mansa, James levanta uma sobrancelha como se esperando minha explicação. — As meninas não têm culpa. — Digo na esperança que James entenda que eu também não tenho culpa. — Nós não sabíamos que a Emmeline nos traria aqui. Não foi nada planejado, da nossa parte pelo menos.
— Eu não acho que ela tenha obrigado ninguém a entrar. — James não se contém e diz algo pela primeira vez, sua voz tão gelada como um iceberg.
Dou-lhe um olhar de "não coloque mais lenha na fogueira" e ele continua com a mesma expressão.
— Não, mas... — Não sei como defender as meninas e a mim mesma, e isso é frustrante demais, onde estão as palavras certas quando se precisa delas? Quando não continuo, James me dá um olhar de "foi o que pensei".
— Onde está Alice? — Frank pergunta com uma expressão nada amigável, perceptivelmente ele está tentando controlar o tom de voz mas mesmo assim sua pergunta sai de uma forma ríspida.
— Ela ficou lá dentro... Para pagar a conta. — Rapidamente acrescento quando vejo sua expressão mudar rapidamente para uma muito, mas muito furiosa.
Sem dizer nada ele marcha em direção ao bar.
— Acho melhor irmos embora. — Nathan diz e de todos, ele parece o menos incomodado por saber onde a namorada estava, mas isso não significa que ele está totalmente despreocupado, vejo o jeito que ele olha para Tess, ela também terá problemas.
— Claro, se as meninas já tiverem terminado o que vieram fazer aqui. — Arthur dá um sorriso cínico e escuto Molly soltar um suspiro.
— Arthur...
— Agora não, Molly. Vamos conversar depois. — Ele diz firme, e ela não insiste.
Tess pega a chave e vai abrir o carro, os meninos se dispersam e agora parecem menos tensos.
— Vocês vão na frente e nós vamos com nosso carro seguindo vocês atrás, está muito tarde e a estrada para Wills Point é mal iluminada. — James diz protetoramente.
— Frank, fique calmo por favor. — Todos viramos a cabeça quando escutamos a voz de Alice.
Ela está andando rápido tentando alcançar o marido, Frank segue em nossa direção parecendo transtornado.
— Vamos embora logo. — Ele diz quase gritando para nós.
— O que aconteceu, cara? — Nathan pergunta.
— Aconteceu porra nenhuma, agora vamos. — Vejo que Nathan abre a boca para falar algo, mas a expressão de Frank o faz ficar quieto.
— Meu amor. — Alice chama pelas costas dele e ele passa a mão pelo rosto.
— Alice, vamos voltar agora.
— Frank...
— Alice... Por favor, só vamos voltar, ok?
Ela suspira, mas concorda.
— Vamos meninas. — Digo tentando disfarçar o silêncio tenso que se instalou no ambiente, e todas nós entramos no carro.
— Vamos estar logo atrás de vocês. — Arthur diz e bate a porta do nosso carro. Ninguém diz nada e o silêncio é intenso, Tess liga o motor e arranca.
O caminho todo o carro dos meninos nos acompanham de perto, não consigo mais aguentar o silêncio e pergunto para Alice:
— Alice, está tudo bem?
— Está sim. — Ela responde olhando pensativamente pela janela.
— O que aconteceu lá dentro para deixar o Frank daquele jeito? — Molly pergunta.
Ela demora tanto para responder que eu acho que ignorou a pergunta.
— Frank chegou bem quando Tony estava falando comigo.
— O garçom foi falar com você?
— Foi, ele nos viu saindo e veio falar comigo. Frank chegou quando ele me entregava o número do seu telefone e cochichava no meu ouvido.
— Isso não é bom. — Eu digo.
— Não. Eu tive que segurar Frank para não pular em cima do Tony. Claro que ele viu isso não como uma tentativa de evitar que eles brigassem, mas sim como se eu estivesse defendendo Tony. Cara, eu vou ter muito trabalho quando chegarmos. — Ela diz apoiando a cabeça no banco.
— Não entendo, como eles sabiam que a gente tinha vindo nesse bar? — Tess expressa nossas dúvidas em voz alta.
— Acho que Remus conhece a noiva que tem. — Molly diz.
Passamos o resto do caminho em silêncio, quando chegamos à fazenda, Frank não diz nada quando o carro para, ele apenas desce e passa direto por nós, seguindo o caminho que liga nossa fazenda com as do Potter, ele desaparece na escuridão sem dizer uma palavra e Alice corre atrás dele.
Acho que ela terá mais problemas do que todas nós.
Nos despedimos de Molly e ela entra com Arthur no carro dele estacionado em frente à casa. A pobre coitada parece apavorada.
— Bom, eu vou entrar. Boa noite. — Digo, deixando Tess e Nathan sozinhos, além de um James visivelmente tentando com todas as forças parecer calmo. Eu o conheço e sei que está se esforçando para não tirar satisfações comigo agora mesmo, e aproveitando que ele não pode falar nada agora, fujo para dentro da casa.
Vou até o quarto onde estou dormindo com Tess, para ter espaço para nossos hospedes, e me jogo na cama.
Sei que não vai acontecer, mas qualquer barulhinho que escuto pelos próximos 15 minutos, acho que é James vindo até mim com aquele seu olhar zangado.
Tess ainda não subiu, se ela está brigando com Nathna ou fazendo as pazes, não sei dizer.
Quando começo a me acalmar e perceber – com alivio – que o confronto com James ficará para amanhã, ou possivelmente por causa do casamento, para depois, meu celular vibra indicando uma mensagem recebida.
Olho a tela e meus temores se confirmam. É uma mensagem de James.
James: Esperando aqui fora. Preciso falar com você, AGORA!
"Oh merda, estou tão ferrada!"
Olá pessoal! Como estão? Espero que bem, porque as meninas estão ferradas. No próximo capítulo teremos o casamento de Emmeline e Remus e já adianto terá fortes emoções, acontecerá algo a muito tempo esperado, alguém se arrisca a dizer o que é? Comentem que eu posto rapidinho ;)
Muito obrigada de coração a Aninha E. Potter, Deby, andthisismiisty, Ninha Souma e BellaSchwartz pelas reviews. Hoje não vou responder cada uma de vocês, pois vai demorar um pouco e quero postar logo este capítulo, pois já deixei vocês muito tempo sem uma continuação, mas saibam que vou ir com Inesperado e Orquídea Azul até o fim, não se preocupem. Um beijão no coração de vocês :*
