Tanto as aulas de Rachel como as da Finn haviam começado há algumas semanas e, com isso, uma rotina intensa de compromissos e também alguns desafios estavam sendo apresentados àqueles dois jovens, vindos de um Estado tranquilo como Ohio para uma cidade agitada como Los Angeles.

Tanto a escola de drama de um, quanto a de canto do outro, exigiam dedicação praticamente integral, com aulas nas partes da manhã e da tarde, de segunda à sexta-feira, e às vezes com atividades extra curriculares no horário noturno ou nos finais de semana. Os professores eram exigentes e alguns deles não faziam questão sequer de ser simpáticos, e a maior parte dos colegas não queria fazer amizades, pois os estudantes de arte viam uns nos outros futuros concorrentes, esquecendo-se de que seria crucial, em muitos momentos, a colaboração mútua, para que qualquer trabalho pudesse ser bem sucedido.

Finn amava as aulas práticas e teóricas, pois adorava poder saber mais e mais de música, a cada dia, mas desde a sua terceira tarde na escola, vinha enfrentando um problema pontual que era o seu desconhecimento sobre instrumentos musicais. Seu professor de Treinamento Auditivo I, Richard Cooper, havia deixado claro que, apesar de não haver dentre as disciplinas obrigatórias nenhuma voltada para o aprendizado de qualquer instrumento em particular, e apesar de a instituição ter como foco a formação em canto, seria crucial que todos soubessem tocar pelo menos piano ou violão, se quisessem trabalhar realmente bem sua técnica.

Como era uma aula de apresentações e a turma não era grande, o Sr. Cooper quis saber bastante sobre seus alunos e descobriu que apenas Finn e mais um rapaz tinham chegado até ali sem domínio de instrumento nenhum. Recomendou aos dois que começassem a fazer algum curso no tempo livre, o mais rápido possível, principalmente a Finn, que tinha pretensão de ser compositor um dia, além de cantar. Deu várias dicas e, vendo o quanto Finn se mostrava interessado, se ofereceu para dar as primeiras lições ao garoto, caso a escolha dele fosse o piano, além de indicar um professor amigo, que poderia fazer o mesmo, se ele optasse pelo violão.

Finn escolheu o violão, porque poderia comprar um quando recebesse a próxima mesada, já que vinha juntando dinheiro para uma emergência qualquer, e aquela parecia definitivamente ser uma situação de emergência. Piano era um instrumento que ele só poderia tocar na própria escola ou nas casas dos parentes de Rachel, em Ohio, e isso dificultaria bastante o aprendizado que, de acordo com o professor, não era algo que pudesse ser mais adiado. Então, há alguns dias, além de ir às aulas, fazer exercícios e estudar, Hudson tinha dado início a lições semanais de violão com o professor Marcel Gold.

Foi nas aulas com Gold que ele se aproximou de Ryder Lynn, o outro calouro que nunca tinha aprendido a tocar nada, e que também havia optado pelo violão. Pela primeira vez em dias, Finn teve uma conversa de verdade com alguém da LAAVA, e esperanças de que não fosse se sentir sempre sozinho e acuado durante os períodos letivos.

Rachel, por sua vez, tinha dois problemas com nome e sobrenome: Brody Weston e Cassandra July.

O colega de faculdade veterano vivia cercando a morena nos corredores do dormitório e das salas de aula, se oferecendo para acompanhá-la nas mais variadas atividades dentro e fora do campus, querendo saber bem mais da vida dela do que ela estaria disposta a contar e informando sobre detalhes da própria vida que não a interessavam nem um pouco. Fingia aceitar bem as educadas e fingidamente agradecidas recusas de Rachel à sua companhia, mas sempre voltava a fazer convites para coisas triviais, como irem às compras juntos, ou especiais, como assistirem juntos a uma montagem teatral interativa em um parque da cidade.

Parecia julgar impossível que ela não estivesse interessada e que isso não fosse mudar, já que em nenhum momento suas interações ganharam um tom amigável, desinteressado. Ao contrário do esperado, quanto mais ela incluía o namorado nos assuntos, reforçando que não só era comprometida como valorizava muitíssimo seu compromisso, mais ele sorria maliciosamente quando a encontrava. E, à medida que os dias iam passando, provavelmente julgando erradamente que tempo de conhecimento e intimidade são coisas que se confundem, ele a embaraçava ao dizer toda hora que ela era uma garota sexy e "gata".

Para piorar as coisas, ele participava de algumas aulas da disciplina Dança Contemporânea I, com a temida e odiada professora Cassandra July, o segundo pesadelo de Rachel em Los Angeles, e se aproveitava disso para invadir ainda mais o espaço pessoal que ela lutava para proteger.

Cassandra não deixava Rachel em paz desde sua primeira manhã na escola de drama. Não parava de repetir, na frente de todos os frequentadores de suas aulas, que a garota podia até ter algum talento, mas não tinha a determinação necessária, não estava disposta a fazer o que fosse preciso para ser bem sucedida na carreira. Afirmava que Berry era uma "puritana de Lima", uma "frígida de Ohio", que ela não tinha a sensualidade necessária para viver grandes personagens femininas do mundo do teatro, da TV e do cinema, que ela jamais seria ousada o suficiente.

Rachel tinha ficado muito mal, logo no início, e chegado a pensar na possibilidade de que July tivesse razão. Sozinha à noite, chorava, pensando se conseguiria enfrentar esse mundo de tanta exposição e pressão que era o das artes dramáticas. Porém, com a ajuda de Finn, dos poucos amigos que tinha em LA, e das palavras de estímulo dos pais, de Quinn, Sam e Santana, que falavam com ela, com alguma frequência, por telefone ou pela Internet, ela percebeu que teria que enfrentar os obstáculos que viessem, que não podia desistir ao se deparar com apenas o primeiro deles.

A ajuda mais imediata vinha de duas pessoas que Rachel tinha conhecido antes mesmo de as aulas começarem, nos corredores do dormitório. As gêmeas Mandy e Marley Rose tinham temperamentos muito diferentes e jeitos de agir opostos, quando o assunto era incentivar Rachel a seguir em frente, de cabeça erguida. Eram, no entanto, igualmente simpáticas e sempre dispostas a ajudar, e, sendo calouras como Berry, frequentavam as mesmas aulas que ela, o que as aproximou bastante.

Em meio às dificuldades da nova vida em LA, os melhores momentos de Finn e Rachel eram aqueles que eles conseguiam passar um com o outro, apesar de estes serem cada vez mais raros. Eles estavam se vendo tão pouco que Finn já tinha conhecido Mandy, mas nunca tinha visto Marley, e nem tinha tido ainda a oportunidade de apresentar Rachel a Ryder.

Era uma quarta-feira e o casal não se via desde domingo, o que era muita coisa para quem estava acostumado a encontrar o outro todos os dias. Eles tinham se falado por telefone e trocado muitas mensagens, mas isto estava muito longe de ser o suficiente! Por isso, quando Isabelle dividiu seus pupilos em pequenos grupos, e avisou que se reuniria com apenas alguns deles naquele final de tarde, dispensando os demais e marcando com eles outros horários, Rachel não hesitou em ir fazer uma surpresa ao namorado na faculdade dele.

"Rachel?" Ela ouviu a voz dele quando já ia tirar o telefone da bolsa, para mandar-lhe uma mensagem. Olhou em volta e o viu chegando perto dela. "Rach, babe? O que você tá fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa?" Ele mostrou-se totalmente surpreso e preocupado.

"Não." Ela sorriu, sem jeito. "Eu só aproveitei uma folginha pra te ver... e te trazer isso." Afirmou, entregando a ele um saquinho de papel e um copo do Starbucks.

"Huuuum..." Ele disse, pegando as duas coisas das mãos dela e lambendo os lábios. "Smoothie de manga?"

"É... e aquele sanduíche de presunto que você ama também." Ela falou, toda contente e orgulhosa.

"Eu amo VOCÊ... do sanduíche eu só gosto." Ele riu e a abraçou apertado, segurando com cuidado o lanche. "Que surpresa boa!" Falou no ouvido dela, fazendo a garota se arrepiar, e se separou dela, dando-lhe alguns beijinhos nos lábios. "Vem! Vamos sentar ali." Pegou uma das mãos dela e a guiou até uma escada, onde os dois poderiam ficar mais isolados.

"Tá gostoso?" Ela perguntou, vendo Finn devorar o lanche, apenas por perguntar, porque era só olhar as caras e bocas que ele estava fazendo.

"Delícia!" Ele disse, quando ficou com a boca vazia, antes de dar uma nova mordida em seu sanduíche.

"Eu não resisti e comi o meu lá mesmo... até porque eu não ia conseguir trazer dois copos, né?" Ela deu de ombros, rindo.

"Uhum." Ele concordou e engoliu de novo, colocando na boca o último pedaço, que mastigou enquanto ela mexia no celular, trocando mensagens com Quinn. "Eu adorei o lanche!" Tomou finalmente também o último gole do smoothie, colocando o copo de lado. "E principalmente amei ver você, linda." Puxou-a para seus braços e ela apoiou a cabeça no ombro dele. "Mas... você não precisava, amor. Eu... nem posso ficar com você, te dar atenção. Eu tenho aula em menos de quinze minutos." Acrescentou, frustrado.

"Eu sei, eu não ligo!" Disse sem pensar. "Quer dizer, eu ligo..." Riu. "...mas... eu entendo. Eu também tenho meus compromissos e só to aqui porque um deles foi desmarcado."

"Eu sinto sua falta." Ele a apertou mais, virando o corpo para ficarem abraçados de frente. "Ser adulto é um saco! Dá... muito trabalho correr atrás dos nossos sonhos. Eu sei que é assim mesmo, que todo mundo tem que abrir mão de algumas coisas... mas abrir mão do meu tempo com você me deixa tão frustrado!"

"Podia ser bem pior e você sabe disso."

"Eu sei." Ele acariciou o rosto dela. "Mesmo assim, eu sinto saudades."

"O final de semana tá chegando." Ela constatou, animada. "A gente pode fazer alguma coisa sexta à noite... pegar um cinema, jantar..." O sorriso dela sumiu, ao ver a careta frustrada que ele fazia.

"Não vai dar, amor. Eu sinto muito... muito mesmo! Mas os meninos marcaram com o dono de um café perto da faculdade deles, pro cara ver a gente tocar, e ver se ele nos dá uma chance..."

"Isso é ótimo, Finny!"

"Jura que você não tá chateada porque eu não..."

"Finn! Claro que não! Eu sou a fã número um dos Jumpers, esqueceu?" Brincou e ele não pode deixar de beijá-la, apaixonadamente, naquele momento.

"Você é a melhor namorada do mundo! E sábado eu sou todinho seu, eu juro! A gente pode..."

"Sábado eu tenho um almoço com a Isabelle." Foi a vez de Rachel interromper, fazendo cara de descontente. "Ela disse que não pode interferir diretamente na relação da Cassandra comigo, mas que vai me dar umas dicas, pra eu lidar melhor com a megera."

"Tudo bem." Ele sorriu, compreensivo. "É só um almoço... e depois você pode ir lá pra casa e a gente faz algum lance bem legal, ok?" Ela balançou a cabeça, afirmativamente. "Agora, eu tenho que ir, babe. Eu já to até um pouco atrasado." Disse, se levantando e a puxando consigo.

Os dois se despediram, já sentindo saudades um do outro, só de saber que ficariam mais dois dias sem se ver. Finn seguiu para mais uma aula e Rachel fez o seu caminho para o campus da faculdade, diretamente para os dormitórios, onde aproveitou para descansar. Os dias não demoraram a passar, afinal eram tantas coisas a fazer que faltava tempo! E, quando Rachel percebeu, ela já estava entrando no apartamento que Finn dividia com os amigos, e sendo levada para o quarto, onde os dois passaram boa parte da tarde e da noite apenas curtindo um ao outro.

Os dois já estavam indo dormir, pois passava das duas horas da manhã e ambos estavam de pé desde antes das sete, quando Rachel se lembrou que havia uma surpresa para Finn guardada em sua bolsa.

Mal sabia ela que Finn perderia completamente o sono, tamanha a sua excitação ao ver as entradas que ela tinha comprado pela Internet!


Uma das autoras de fic de quem mais gosto diz que reviews são amor e eu tenho que concordar... Tem poucas coisas que me animam mais e, principalmente, que me motivam mais. Então, se você está gostando da fic, por favor, diga pelo menos um "oi, eu to lendo"...

Bjs! Obrigada por acompanhar... mesmo que você não comente, inclusive! hehe