Não esqueçam que o último capítulo postado foi apenas um bônus de Natal. Esse capítulo é sequencia do capítulo 2, portanto.
Espero que gostem, mas eu tenho que confessar a vocês que, com tudo que aconteceu e ainda pode acontecer em Glee, eu desanimei muito em relação a essa fic (porque é a mais parecida com Glee), e foi por isso que eu fiquei tanto tempo sem postar.
Talvez se vocês me derem uma força eu consiga retomar, mas eu quero muito que entendam que está realmente difícil. =(
Um beijão a cada um de vocês!
Finn acordou cedo, depois de um sono bem agitado, devido à sua ansiedade para o programa que ele e Rachel iriam fazer naquele domingo. Quando ela mostrou os ingressos que havia comprado a ele, na noite anterior, o garoto ficou se perguntando mil vezes como nunca tinha pensado em ir àquele lugar antes, e agradeceu tantas vezes à namorada, que no final ela já estava achando até graça.
Ele teve vontade de acordá-la, mas, como eles tinham combinado de só ir na parte da tarde, em vez de fazer isso ele foi para a cozinha e começou a preparar o almoço, tarefa que ele e os outros moradores do apartamento revezavam e que ele tinha o prazer de realizar quando a namorada estava presente. Rachel não escondia que um de seus maiores prazeres era comer e, como isso não era um problema porque nenhum dos dois tinha tendência a engordar, eles se permitiam compartilhar o pecado da gula sempre que podiam.
Preparou uma massa recheada com presunto de Parma, ao molho de todos os queijos que achou na geladeira, e derreteu chocolate para servir com sorvete e frutas na hora da refeição. Assim, a manhã passou super rápido e, depois de tomarem banho e se vestirem, os dois se fartaram de comida e sobremesa, e saíram rumo a uma tarde de conhecimento, entretenimento e compras.
Navegando pela Internet alguns dias antes e procurando algum programa especial, incomum, criativo, que pudesse fazer com Finn, Rachel havia encontrado algo que tinha tudo a ver com o namorado: o Museu Grammy. Ele ficava no LA Live, um distrito de entretenimento baseado em artes e esporte, onde estavam também o Nokia Theatre e a ESPN Zone, e, conforme prometia o site oficial, utilizava uma combinação de exposições, eventos e programação educativa, para explorar e celebrar todas as formas de música gravada, o processo criativo de fazer música, a arte e a tecnologia do processo de gravação, além da história do prêmio Grammy.
No primeiro andar, havia apenas um saguão, mas nele já era mostrada uma programação audiovisual que preparava os visitantes para o que iriam experimentar. Então, junto com outros visitantes curiosos e animados, a maioria deles turistas, Finn e Rachel pegaram um elevador para o quarto andar, onde começava a visitação.
Na primeira galeria havia trechos de apresentações, clipes e entrevistas sendo exibidos, e artefatos, como instrumentos musicais e roupas usadas em shows, expostos, mas o que mais os impressionou foi o conteúdo interativo. O casal passou boa parte do tempo frente a uma grande e colorida mesa multimídia, explorando material relacionado a vários gêneros de música. Ela mostrava imagens, as próprias canções e histórias que descreviam a música, suas inspirações e seu impacto na história, na sociedade. Para a surpresa deles, cada gênero que exploravam levava a outro, com o qual aquele se conectava de algum modo, levando a uma nova experiência sonora, ou a sons familiares, mas com histórias até então desconhecidas pelos dois.
Finn parecia uma criança animada com um brinquedo novo ao usar um dos quiosques de composição, onde pode fingir colaborar com a criação de canções junto com o lendário compositor de You give love a bad name, Desmond Child. Rachel o observava, orgulhosa, e corou ao perceber que ele falava da história deles, no trecho da música que estava escrevendo.
No terceiro andar, foram recebidos por uma réplica gigante do troféu do Grammy. Também havia muito conteúdo histórico naquele andar, focado especialmente no prêmio e em seus ganhadores, e Rachel quase gritou ao ver que o nome de Barbra Streisand na biografia de Neil Diamond, já que a artista tinha se tornado sua obsessão e maior exemplo, desde o dia em que assistira Funny Girl, quase obrigada pela professora April.
Mais uma vez Finn brincou de ser músico e dessa vez Rachel participou, em uma área onde havia baterias, guitarras, pianos e a pessoa podia se sentir parte de uma grande banda. Era só colocar um fone de ouvido e um narrador passava as instruções, avisando qual estilo e banda seria a próxima a tocar.
No segundo andar, foram levados a um grande teatro, onde assistiram a um making off do 50º Grammy Anual, feito especialmente para ser exibido no museu, construído justamente para celebrar o aniversário de meio século do prêmio. Essa parte foi a menos interessante da visita para Finn, mas Rachel adorou ver os bastidores do teatro cheios de artistas, toda a movimentação, o glamour, e tanta beleza e talento reunidos. Apesar de a maioria daqueles que apareceram na filmagem ser ligada apenas à música, enquanto ela pretendia se dedicar às artes dramáticas, pode perfeitamente se imaginar em uma situação parecida com aquela.
A visita terminou na parte onde estavam exibidas exposições temporárias sobre Michael Jackson, Whitney Houston, Bob Dylan e os Beach Boys, entre outros, e então o casal se dirigiu à loja do museu, onde Finn quase acabou com o limite de seu cartão de crédito. Ele comprou duas camisetas de manga curta, uma do The Doors e outra com uma caricatura de John Lennon, e uma de manga cumprida, cinza, com o símbolo do prêmio estampado. Levou para cada um de seus companheiros de banda uma caneca e um chaveiro, e para a namorada escolheu uma camiseta e dois CDs.
Como era proibido tirar fotos dentro do museu, Rachel e Finn registraram a visita tirando algumas em frente à porta, aproveitando que ainda estava claro. Caminharam até o estacionamento, falando sem parar sobre as coisas de que mais tinham gostado e dividindo sonhos grandiosos de ser como muitas dos artistas sobre cujas vidas eles tinham aprendido tanto naquela tarde.
"Imagina eu sendo indicado ao Grammy e você me acompanhando, com um daqueles vestidos longos, toda linda." Disse Finn, passando de mãos dadas com Rachel por entre os carros.
"Mas você viu os decotes e as fendas daqueles vestidos, Finn Hudson?" Ela implicou.
"Pensando bem, talvez seja melhor a senhorita tão entrar tããão no clima de Los Angeles assim..."
"Ah, é? Pois não se esqueça que eu também poderei estar em Hollywood, Finn. E as estrelas se vestem assim... é bom ir se acostumando."
"Eu acho que posso trabalhar nisso." Ele disse, parando e se virando para ela. "Se só eu puder tocar." Continuou, puxando o corpo dela ao encontro do dele e envolvendo sua cintura com os braços. "Se só eu puder tirar o vestido, no fim da noite." Falou do ouvido dela, beijando seu pescoço em seguida. "Se a gente fizer o melhor sexo de todos, em comemoração ao meu... ou ao seu prêmio."
"Eu acho que posso trabalhar nisso, babe." Ela respondeu, virando um pouco o pescoço, para lhe dar melhor acesso. "Mas, agora, vamos! Aqui não é lugar pra isso." Riu, batendo de leve no braço dele, que fez uma careta de descontentamento, mas soltou-a, segurando de novo a mão dela, dando-lhe um beijo rápido nos lábios, e voltando a caminhar.
"Tá com fome?" O rapaz perguntou.
"Sempre." Ela riu.
"Eu tenho uma ideia." Avisou, abrindo a porta da caminhonete e ajudando a namorada a subir. Como nenhum dos dois tinha trazido seu carro para Los Angeles, porque Lima ficava bem longe, eles estavam usando a caminhonete que ele e os meninos tinham comprado para carregar seus instrumentos para os shows que pretendiam fazer.
"E eu posso saber qual é ou é surpresa?" Ela perguntou, quando ele já se ajeitava no banco do motorista.
"Que tal comprarmos alguma coisa pra viagem e irmos comer perto da praia, vendo o pôr do sol?"
Ela não precisou responder, apenas sorriu. É claro que era adorável a ideia de terminar um domingo diferente de todos os outros, com o sol se pondo, o aconchego nos braços do namorado e um lanche cheio de calorias deliciosas. O tempo que levaram para fazer as compras e chegar à praia quase estragou a parte do por do sol, que já estava acontecendo, enquanto Finn cobria a caçamba da caminhonete com um cobertor, mas o céu estrelado que substituiu o dia ensolarado também estava digno de observação e deixava a atmosfera igualmente romântica.
Depois de comer, os dois ficaram deitados lado a lado, trocando carinhos e falando sobre os estudos, os amigos, lembranças de Ohio, projeções para o futuro. Depois de Rachel implicar com o namorado, lembrando da atitude um tanto quanto mandona dele, ao entrar para o coral, ele revidou, recordando as tentativas dela de resistir à atração imediata que sentira por ele, e começou a fazer cócegas nela, que ria quase histericamente, pedindo, em vão, para o garoto parar.
De repente, ela mordeu o lábio inferior e os olhares dos dois se encontraram, se intensificando de desejo instantaneamente. Ele parou a tortura, grudando seu corpo no dela e beijando sua boca, devagar, mas com ansiedade, intensidade. Então suas mãos começaram a viajar pelo corpo dela e as dela a arranhar levemente as costas dele. Ficaram assim um tempo, até ele parar a mão esquerda no seio dela, brincando com o mamilo, e segurar o cabelo dela com a esquerda, virando seu rosto e atacando com o nariz e os lábios todo o pescoço e aquele pontinho especial atrás da orelha.
Ele foi ficando com o corpo cada vez mais sobre o dela e suas intimidades se moviam, conseguindo uma fricção gostosa com a calça jeans usada pelo outro. Voltaram a se beijar, sem que ele tirasse as mãos dela ou deixasse de provocá-la com sua ereção dolorosamente coberta, e estavam ofegantes quando se separaram e, encarando-a, ele mexeu no botão de sua calça, como se pedisse permissão.
"Amor, você sabe que não dá pra gente fazer isso aqui." Disse, manhosa. "Não tem nem uns dez minutos, que eu escutei uma voz de criança. A gente já até passou do limite, na verdade." Continuou, enquanto ele voltava a beijar o pescoço dela e alisava sua barriga.
"Vamos lá pra casa, então?" Pediu ao pé do ouvido.
"Eu não posso." Ela lamentou e ele, finalmente, se afastou um pouco e olhou pra ela. "Eu queria muito, mas eu tenho que fazer ainda duas resenhas, que são pra entregar amanhã."
"Tudo bem." Ele bufou, frustrado, sentando-se, e ela se levantou junto. "A verdade é que eu também tenho trabalho pra fazer ainda. Mas é que eu pensei que eu tinha passado dessa fase da minha vida de ficar dar uns amassos com uma gata e ir pra casa, dolorido." Riu e pegou a mão dela. "Eu to tentando ver o lado bom das coisas, e pensar que você podia estar bem longe daqui e nós dois separados. Eu juro que eu to! Mas é que eu sinto tão falta de te ver todos os dias, que nem na escola, sabe? E, além de, agora, a gente não ter mais isso, apesar de você ter um quarto só pra você e eu ter mais ou menos um quarto pra mim também, a gente tá sempre tão ocupado e não pode aproveitar e... isso é um SACO!"
"Eu também sinto sua falta, Finn. Muito! Mas a gente tem um ao outro e... eu sou grata por isso. Além do mais... pensa bem... nós estamos ocupados com o que a gente escolheu, com coisas que a gente ama. Eu tenho certeza que cada minutinho de trabalho nosso vai ser recompensado... você vai ver."
"Você tem razão, linda!" Falou, passando a mão no rosto dela. "Você sempre tem." Garantiu, beijando-a delicadamente. "É só que eu... amo TANTO você!"
"Eu também te amo, Finny." Ele trocaram outros beijos, mas sem avançar muito na intensidade. "Mas vem cá... que história é essa de ter mais ou menos um quarto?" Ela riu.
"É que o apartamento tem três quartos e nós somos quatro, então a gente faz um revezamento. É o Justin quem organiza. Essa semana mesmo eu devo ir pra sala, por uns dias."
"Hum... mas vai ser a primeira vez? Você tava sempre no quarto, todas as vezes em que eu fui lá..."
"É que o Seth tinha terminado com a Nancy, então ele tinha concordado em ficar sempre na sala. Só que ele tá namorando de novo... ele quer até apresentar a garota pra gente." Explicou. "Vamos?" Perguntou, mesmo chateado por ter que terminar o programa, e, tendo recebido a concordância dela, recolheu tudo da caçamba da caminhonete e foi deixar a namorada em frente ao prédio onde ficavam os dormitórios da faculdade.
Ele foi embora já pensando nos trabalhos que tinha que fazer e ela bufou logo ao entrar no corredor e ver a pessoa que a esperava sentada bem em frente a sua porta.
"Boa noite, Brody." Disse, não muito simpática, mas tentando não perder a educação.
"Boa noite, gata!" Ele disse, com um sorriso safado nos lábios. "Demorou! Eu já estava quase desistindo."
"O que você quer, Brody? Tem algum recado de algum colega meu... de algum professor?"
"Não. Eu só queria passar um tempo com você."
"Brody, me desculpa, mas eu vou ser direta. Eu tenho namorado e eu não sou esse tipo de garota, além de ser louca por ele e não estar a fim de você."
"Calma, calma, gata!" Ele falou, levantando as mãos ao alto. "Eu quero ser seu amigo. Um cara não pode querer ser amigo de uma garota?"
Ela revirou os olhos para aquela frase tão clichê. Como ele não via que, mesmo que ela não tivesse namorado, ele seria o último tipo de cara com quem ela ficaria? Ele era um ótimo dançarino, é verdade, e com pouquíssima gordura corporal, mas era um ator sem talento e canastrão, e uma pessoa sem o menor bom senso e discernimento para saber quando estava sendo inconveniente e abusado, sempre esperando na porta do quarto dela ou nos corredores, se oferecendo a todo momento para participar das aulas de dança da turma dela. Ele não percebia que não a impressionaria nunca, porque ela não era do tipo de garota que se impressiona com uma embalagem bonita, quando ele não carrega um conteúdo de qualidade ainda maior.
"Brody, eu posso ser de cidade pequena, e tudo mais, mas eu não sou idiota! Você não quer minha amizade, vindo até aqui numa noite de domingo pra tentar passar um tempo comigo dentro do meu quarto. Você tem tentado me tocar, nas aulas de dança, de um jeito inapropriado... e eu não falei nada até agora, pra não te prejudicar, e eu espero que você não faça mais isso, pra que eu não precise realmente falar com ninguém sobre isso." Respirou fundo. "Se você, um dia, quiser sair comigo, junto com a Marley, a Mandy, o meu namorado e os amigos dele, tudo bem... você tá convidado. Mas não me espera na minha porta e nem finge se encontrar comigo por acaso nos corredores, ok? Tá ficando chato!"
"Okay, princesinha não me toques de Ohio... eu entendi o recado." Disse debochado, já se afastando, enquanto ela abria a porta. "Espero que não descubra tarde que as coisas em LA são bem diferentes das do lugar de onde você vem." Falou em tom ameaçador.
Naquela noite de domingo, ainda no início de seu primeiro ano de faculdade, depois de uma tarde maravilhosa com o namorado, Rachel conseguiu se livrar, sozinha, de um pretendente indesejável.
Porém ela ganhou mais um inimigo em LA. E Brody Weston podia ser muito pior do que Cassandra July.
