Obrigada por continuarem firmes e fortes comigo. AMO cada palavrinha que recebo de vocês!
Boa leitura e espero que curtam... Bjbjbjbj S2
Finn não quis sequer pegar o elevador, e subiu correndo as escadas do prédio com as sacolas de mercado nas mãos. Estava ansioso para preparar uma espécie de piquenique para ele e Rachel no quarto, que tinha voltado a ser só dele, depois de Seth ter terminado com a namorada nova, e se tornado o único solteiro da casa de novo. Graças a uma recaída com a ex, Nancy, que tinha visitado Los Angeles pouco antes do Natal, ele tinha acabado sem nenhuma das duas, e, de quebra, sem uma cama para chamar de sua, passando a dormir todas as noites no sofá-cama da sala.
Além de ter o quarto só para eles, Finn e Rachel também estavam tendo tempo juntos, finalmente, nos últimos dias, graças ao recesso de final de ano em suas faculdades, e pode-se dizer que estavam sabendo aproveitar ao máximo. Rachel praticamente não saía do apartamento dos meninos, e o namorado só tivera tempo para ir às comprar porque, depois de alguns dias, ela precisara ir ao dormitório da faculdade para buscar roupas limpas.
O rapaz já tinha arrumado o quarto, substituindo as roupas de cama usadas por outras novinhas em folha, e esticando uma toalha de mesa no chão com algumas almofadas em volta dela. Estava espalhando sobre o pano as guloseimas que tinha comprado para o lanche dos dois, quando a namorada entrou no cômodo, toda animada, falando sem parar.
"Voltei, babe. Peguei só uma roupa pra hoje e vim correndo, te contar as novidades. Talvez tivesse sido melhor fazer logo a minha mala e trazer tudo comigo, pra não ter que voltar lá amanhã, mas eu não ia me aguentar de ansiedade, e nem queria te falar pelo telefone." Olhou para o namorado, que tinha as sobrancelhas levantadas, enquanto tentava acompanhar a verborragia. "Não vamos viajaaaaar." Informou, meio cantando, e bateu palmas, como uma criança contente.
"Viajar?" Ele perguntou, sério.
"É! Você não ficou animado? Viajar! O meu pai e o papito me ligaram e chamaram a gente pra ir pra Nova York com eles, amanhã à noite, e ficar lá até o dia dois ou três. Eles vão de Ohio, claro. Mas a gente pega o avião daqui e encontra os dois lá... e eles vão pagar tudo! Não é o máximo?" Perguntou, sorrindo amplamente, mas não foi o mesmo tipo de sorriso que encontrou no rosto de Finn.
"É. É, sim. É claro." Ele disse, nervoso.
"O que foi, Finny? Você não gostou da ideia de passar o ano novo em família, é isso?"
Finn respirou fundo. A vontade dos dois de aproveitar o tempo perdido fora tanta que, durante e depois dos preparativos do Natal, ficar um com o outro fora a única coisa em que pensaram, a ponto de terem esquecido que não tinham feito planos para a virada, ainda. No entanto, pelo que acabou sendo revelado, havia gente planejando por eles, e até demais!
"Não é isso, Rach. De jeito nenhum! Eu adoro o Hiram e o Leroy... você sabe. É só que..." Suspirou, de novo. "Meus pais nos convidaram pra viajar com eles pra Disney, amanhã."
"Sério?" Ela questionou, fazendo uma careta e sentando na ponta da cama. Ele apenas balançou a cabeça, positivamente, e os dois ficaram em silêncio por alguns minutos.
"Eu acho que seus pais não vão ficar chateados, se você ligar e falar que vai viajar comigo. Afinal, é a Disney, né?" Ele disse, sentando-se no chão e se apoiando nas almofadas.
"Seus pais também não vão ficar chateados se você for com a gente pra Nova York... eles tem uma das festas de Reveillon mais famosas do mundo!" Ela falou, como se fosse óbvia a escolha.
"Eu não posso dizer pros meus pais que não vou pra Flórida com eles, Rachel! Eles sabem o quanto eu amo parques de diversão... e provavelmente até escolheram a Disney por minha causa."
"Meus pais também sabem o quanto eu to ansiosa pra ver um musical da Broadway... e provavelmente já até compraram ingresso pra algum, Finn!"
"Então, não tem jeito. A gente vai ter que viajar separados... eu pra Orlando e você pra Nova York." Ele afirmou, se fazendo de indiferente, mas na verdade esperançoso de que ela cedesse.
"Você não pode estar falando sério, Finn! É ano novo! E é nosso aniversário de..." Ela se arrependeu do que disse e fitou o chão sem jeito.
"Aniversário de que?" Ele perguntou, realmente confuso.
"Foi... é... a nossa primeira vez." Ela lembrou, baixinho, sem olhar para ele, mas o encarou depois de perceber que ele ria. "Se não tem importância pra você, tudo bem, Finn Hudson... mas não precisa debochar também, né?" Irritou-se.
"Eu não to debochando, babe. Eu só achei engraçado você falar em aniversário... desculpa." Pediu, sincero, mas não deixando que aquilo virasse um drama desnecessário, afinal eles tinham um problema maior no momento.
"Com ou sem aniversário de qualquer coisa, é ano novo... e você não tá fazendo a menor questão de ficar comigo." Cruzou os braços, de forma desafiadora.
"E desde quando eu querer ficar com os meus pais e o meu irmão, que eu quase não vejo... e saber que eu não posso obrigar você a vir comigo, é não fazer a menor questão?" Ele se exaltou também.
"Você nem tentou conversar!"
"Conversar o que, Rachel? Eu sei que nenhum de nós dois vai ter coragem de ligar pra casa dizendo 'olha, obrigada, mas não vai rolar'!"
"Então é assim?" Ela se levantou, colocando as mãos na cintura. "Simplesmente, a gente vai se despedir e passar o feriado separados e... ponto final?"
"Você tem outra solução, por acaso?" Ele retrucou, mais ríspido do que gostaria, impaciente com a teimosia dela. Era óbvio que eles não chegariam a outro desfecho, e ficar discutindo só pioraria as coisas.
"Se é assim, feliz ano novo pra você. Lembranças ao Mickey!" Cuspiu irônica, pegou rapidamente a bolsa que tinha jogado em um canto e saiu do quarto.
"Rachel... RACH!" Ele gritou, mas não obteve resposta, apenas escutou o barulho da porta do apartamento batendo com força. Estava tão chateado quanto ela com a situação e, por isso, sem paciência para lidar com o ataque de menina mimada que ela estava tendo, como se estivesse sendo a única pessoa prejudicada pelos convites simultâneos e irreconciliáveis de seus familiares.
Não só não correu atrás dela, como sabia que ela gostaria, como teve seu próprio rompante, jogando no lixo boa parte das coisas que tinha servido para os dois comerem, e chutando os bancos da cozinha e batendo os armários, enquanto fazia isso, até Seth e Josh aparecerem para salvar a mobília cara com que o tio de Justin tinha decorado o apartamento.
Somente bem mais tarde, quando se acalmou e viu no quarto as sacolas com as outras delícias que tinha comprado no mercado e não tinham sido desperdiçadas, ele resolveu que os dois precisavam conversar. Tinham que ser bem mais maduros do que estavam sendo e não passar o final do ano brigados, somente porque não iriam poder passá-lo juntos.
A essa altura, Rachel também já tinha se acalmado, com a ajuda de Marley e apesar de Mandy colocando lenha na fogueira e dizendo que os homens são sempre uns egoístas. Talvez isso até tenha ajudado também, porque, de certa forma, foi uma distração tentar entender de onde vinha aquela afirmação tão categórica, uma vez que Ryder era exatamente o avesso de uma pessoa egoísta, e era com ele que ela estava saindo já havia algum tempo.
Tinha decidido ir até o apartamento de Finn, na manhã seguinte, e conversar, quando saiu do quarto das gêmeas e caminhou até o dela, encontrando justamente o ocupante de seus pensamentos encostado à sua porta, sentado no chão com as pernas encolhidas junto ao peito, e mexendo no iPhone.
"Você tá aqui há muito tempo?" Perguntou, preocupada, quando já estava bem perto dele.
"Não. Uma... meia hora." Respondeu, consultando o relógio, e se levantou. "Será que a gente pode conversar... com calma, agora?"
"Claro!" Ela deu um sorriso. "Deixa eu abrir..." Pediu, apontando para a porta e ele saiu do caminho.
"Babe." Os dois falaram ao mesmo tempo, já dentro do quarto, e, então, riram.
"Eu não posso viajar brigado com você, baixinha." Finn afirmou, levantando o queixo dela, e olhando em seus grandes olhos.
"Você vai mesmo, não é?" Rachel perguntou, mas não mais irritada, apenas tristonha.
"Eu preciso ir, Rach. São meus pais e... eu não vou te enganar, é a Disney! Eu não acho tanta graça em Nova York... desculpa." Ele acariciou o rosto dela. "Isso não quer dizer que eu não esteja chateado porque não vou estar com você. Eu to... e muito aliás! Só que, se eu não for, por sua causa... ou se eu te encher o saco e você for, por minha causa... não só a sua família ou a minha vai ficar chateada, como a gente vai acabar cobrando isso, um dia... jogando na cara, sabe?"
"Você tem razão, Finn. Eu vou MORRER de saudades, mas a gente não pode viver como se tivesse nascido grudado e... eu até acho que me divertiria muito na Flórida, e que lá não vai estar tanto frio quanto em Nova York... mas eu sei que meu pai ficaria decepcionado pra caramba." O namorado balançou a cabeça, concordando, e mostrando que entendia perfeitamente as razões dela. Então, se aproximou e a envolveu em um abraço gostoso.
"Eu vou sentir muito a sua falta, minha baixinha."
"Que nada! Você vai estar ocupado demais com a Pocahontas pra se lembrar de mim." Brincou.
"Por que a Pocahontas?"
"O que é isso?" Ela questionou, vendo finalmente as sacolas que ele tinha colocado no chão.
"É que eu meio que pensei que a gente podia fazer ainda o pequeno piquenique que eu tinha planejado pra gente... e passar a noite juntos. Vai ser a última noite do ano em que a gente vai poder fazer isso, então."
"Você é perfeito demaaaaaais!" Ela quase gritou. "Me desculpa por ter saído da sua casa daquele jeito e..."
Ele a interrompeu com um beijo rápido nos lábios, e encerrou o assunto, começando a arrumar tudo para que eles finalmente consumissem excesso de calorias e pouco valor nutricional, enquanto conversavam, riam, ouviam música, e trocavam beijos e carinhos ainda mais deliciosos que o lanche. Depois de um tempo, escolheram um filme para assistir, mas não chegaram nem à metade dele e já estavam fazendo sexo praticamente em cima do que ainda restava da comida.
Transaram pela antepenúltima vez no ano, já deitados na cama, deixando a penúltima e a última vezes de 2012 para a manhã seguinte, quando não puderam mais evitar a despedida, entre muitos 'eu te amo', desejos de um ótimo ano novo e promessas de se falar todos os dias, usando todas as tecnologias disponíveis nos lugares que estavam indo visitar.
Como Rachel tinha imaginado, seus pais tinham mesmo comprado ingressos para um show da Broadway, que eles assistiram no dia vinte e nove de dezembro. Precisaram inclusive vender o convite de Finn, para não sairem no prejuízo, mas não ficaram chateados com ele, pois entenderam a situação do rapaz, detalhadamente narrada pela garota.
Milagrosamente, os três conseguiram, ainda, bilhetes para outro musical, para o dia trinta, e, fora isso, se divertiram passeando por toda a cidade, super enfeitada naquela época, e cheia de pessoas imbuídas da característica esperança dos finais de cada ano. Fizeram muitas compras e patinaram no gelo, tudo sempre narrado ao fim do dia, quando Rachel falava com Finn no celular, deixando transparecer a qualquer observador mais atento que sua felicidade não estava completa.
Finn foi ao espetáculo La Nouba, do Cirque du Soleil, na noite do dia vinte e oito, e passou o dia inteiro no Magic Kingdom, no dia vinte e nove, e no Animal Kingdom, no dia trinta. No último dia do ano, ele e a família foram ao Disney's Hollywood Studios, mas foi um passeio mais curto, pois tinham comprado ingressos para a festa de Reveillon do Epcot Center.
Não dava para dizer que ele não estava se divertindo, afinal, quando viam uma atração mais emocionante, como uma montanha russa, simulador ou local 'mal assombrado', ele, Kurt e Blaine pareciam não ter mais do que doze anos de idade cada um. No entanto sempre havia uma certa melancolia em algum momento do dia e não estava sendo muito diferente em plena noite de festa, apesar de toda a movimentação e da música agitada.
"Tá tudo bem, meu filho?"
"Tá tudo bem, sim, mãe. Eu só tava tentando falar com a Rachel, mas acho que tá tudo meio congestionado. Talvez ela nem tenha recebido meu último torpedo."
"Meu filho, a gente não imaginava que separaria vocês, assim, quando te convidou..."
"Relaxa, mãe." Ele interrompeu, fazendo carinho na mão que Carole colocara sobre seu ombro. "Você já falou isso mil vezes e eu já disse mil vezes que ninguém teve culpa... aconteceu! E eu to me divertindo, tá? É só que... tá chegando a meia noite e vocês quatro vão ter a quem beijar e eu... to com saudades da minha baixinha." Riu.
"Mas daqui a muito pouco tempo você vai estar com ela, então vamos animar!" Pediu Kurt. "Eu não beijo o Blaine à meia noite, se ficar melhor pra você." Brincou, vendo o namorado fazer a maior cara de susto e insatisfação, por acreditar que ele falava sério, o que arrancou uma gargalhada geral.
"Não vai ser necessário, cunhadinho." Uma voz muito familiar pode ser ouvida perto deles, e quase todos se viraram, chocados ao ver que era realmente Rachel, acompanhada de sorridentes Leroy e Hiram. "O meu namorado vai estar ocupado à meia noite." Completou, se aproximando dele.
"Rachel? Rach, o que você tá fazendo aqui? Você tava em Nova York..."
"Aparentemente, meus pais não curtem dramas no final do ano. E eles viram facilmente que eu não tava tão feliz assim em ver uma bola descendo, no meio de uma multidão de desconhecidos, enquanto eu podia estar vendo fogos de artifício, abraçada com o meu grandão." Disse, envolvendo o pescoço dele com os braços, e sentindo as mãos dele em sua cintura.
"Burt nos ajudou a saber exatamente onde achar vocês." Leroy completou e todos se cumprimentaram, enquanto Rachel e Finn ignoraram todo mundo e começaram a se beijar.
Aos beijos, o casal escutou a contagem regressiva que anunciava o novo ano. Era exatamente assim que eles queriam passar os últimos segundos de 2012 e os primeiros de 2013: um nos braços do outro. Só interromperam o beijo quando os fogos já iluminavam o céu, e ficaram observando tudo sem se desgrudar.
Era ano novo, enfim, e a troca dos velhos calendários, todos rabiscados, por outros, novinhos e branquinhos, vem sempre acompanhada de novos planos e da promessa de muitas realizações.
